segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Green Room

Nome do Filme : “Green Room”
Titulo Inglês : “Green Room”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Terror/Thriller/Crime
Realização : Jeremy Saulnier
Elenco : Patrick Stewart, Anton Yelchin, Imogen Poots, Taylor Tunes, Joe Cole, Callum Turner, David W. Thompson, Mark Webber, Macon Blair, Eric Edelstein, Michael Draper, Brent Werzner, Kasey Brown, Samuel Summer, Mason Knight, Colton Ruscheinsky.

História : Os “Ain't Rights”, banda punk-rock de Pat, Sam, Reece e Tiger, não estão a atravessar um bom momento. Quando recebem um convite para uma actuação num bar no meio de uma floresta do Oregon, os quatro não estão em posição de recusar. É assim que se vêem a dar um concerto algo intimista para uma plateia de gente duvidosa. Depois do espectáculo, quando regressam aos bastidores, deparam-se com o corpo de uma miúda esfaqueada na cabeça e chamam a polícia. Para encenar uma situação acidental antes da chegada das autoridades, o grupo neonazi que gere o local tem que eliminar todas as testemunhas, que são os quatro jovens membros da banda.

Comentário : Este curioso filme de terror estreou nas nossas salas de cinema na semana passada de forma muito discreta e pouca atenção despertou. Eu confesso que já tinha começado a ver este filme à umas semanas, mas o achei confuso demais e desisti de o ver. Na noite passada, resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade e deixei-me levar, pelo que até gostei, apesar do esforço feito para encaixar tudo aquilo que acontece ao longo dos noventa minutos de duração. Não aconselho o filme a mentes sensíveis, a obra possui muito sangue e cenas violentas e fortes. O filme tem a vantagem de nunca ser previsível, ou seja, raramente sabemos aquilo que vai acontecer a seguir, porque é tudo inesperado. Os acontecimentos vão sucedendo naturalmente e são reveladas algumas surpresas. Pessoalmente, gostei disso no filme, do factor surpresa que neste caso, funcionou muito bem. Porém, alguns diálogos não funcionam tão bem e são algo contraditórios, originando algumas falhas.

O clima de tensão está quase sempre presente e podemos contar com alguns twists que favorecem e muito o filme. A narrativa escorre bem nos três actos do filme. Fiquei surpreendido com a actuação de Patrick Stewart nesta obra, ele desempenhou o líder dos vilões, estava bastante sinistro. Num dos últimos papéis antes de falecer precocemente, o jovem actor Anton Yelchin fez de protagonista e teve a melhor prestação da fita, embora a condição física da sua personagem tenha sido um pouco inverossímil, na minha opinião, ele não tinha conseguido fazer aquilo tudo depois do golpe profundo no pulso, se aquilo acontecesse de verdade, talvez o mais certo era que ele se tivesse esvaído em sangue e morrido. Nota positiva também para as duas meninas do filme. Imogen Poots e Taylor Tunes têm aqui interpretações bastante convincentes, com o merecido destaque para a primeira que acaba por se tornar na segunda personagem principal da fita, quando na realidade, nem fazia parte do grupo inicial e principal, ela foi uma personagem que surgiu muito depois. É um bom filme que funciona bem nesta época de Halloween, cujo final é bastante aceitável e funciona bem.

domingo, 23 de outubro de 2016

Certain Women

Nome do Filme : “Certain Women”
Titulo Inglês : “Certain Women”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Kelly Reichardt
Elenco : Laura Dern, Michelle Williams, Kristen Stewart, Lily Gladstone, Jared Harris, James Le Gros, Sara Rodier.

História : As vidas de três mulheres parecem estar ligadas, ainda que de forma distante.

Comentário : Finalmente, consegui ver este filme que já me tinha despertado a curiosidade à bastante tempo. O filme é realizado por Kelly Reichardt, que já nos tinha dado filmes muito bons como : “River Of Grass”, “Old Joy”, “Wendy And Lucy”, “Meek's Cutoff” e “Night Moves”. Os temas principais do cinema desta cineasta são as relações pessoais, as viagens e os animais (especialmente cães). Todos os seus filmes possuem uma coisa em comum : o drama e esse elemento funciona muito bem em todos eles. A directora tem o mérito único de conseguir filmar as suas histórias de forma tranquilizante, nos mostrando os seus filmes de forma lenta, mas sempre cativante. Aqui, isso voltou a acontecer, o filme avança e corre a um ritmo lento, mas eu estava sempre na expectativa daquilo que viria a acontecer no momento seguinte.

Kelly Reichardt é uma realizadora que filma com calma, talvez seja essa a sua principal característica. Laura Dern, que é uma excelente actriz, tem aqui mais uma boa prestação. Com um aspecto muito acabado, a outrora linda Michelle Williams já viu melhores dias na arte da representação, ainda assim, possui aqui uma interpretação sólida. Kristen Stewart vê aqui cimentada a sua onda para papéis sérios, a sua intervenção no filme está bastante aceitável. Por outro lado, não gostei da prestação da actriz Lily Gladstone, penso mesmo que ela estava pouco à vontade na sua personagem e notei também uma certa falta de expressão. É claramente um filme que não agradará ao público jovem, mas irá satisfazer aqueles que procurarem um filme interessante, com personagens igualmente interessantes e com uma história também ela interessante. Em resumo, gostei deste filme, uma obra com um cunho pessoal muito forte. E é um filme realizado por uma mulher, o que lhe dá um gosto muito especial. Um último reparo, a realizadora dedica este filme à sua cadela Lucy, que falecera. 

Under The Shadow

Nome do Filme : “Under The Shadow”
Titulo Inglês : “Under The Shadow”
Ano : 2016
Duração : 84 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Babak Anvari
Elenco : Narges Rashidi, Avin Manshadi.

História : Na Teerão dos anos 1980, uma pequena família vive atormentada pela guerra no seu país. Quando o homem da casa vai embora, um míssil atinge o último andar sem explodir, mas acaba por matar o seu habitante idoso. A partir desse dia, as vivências da mãe e da filha vão piorar cada vez mais, até porque a mãe da menor acredita que existe uma presença estranha e maligna na sua casa.

Comentário : Para a semana temos mais um Halloween e eu escolhi este pequeno filme de terror para festejar esta data ou este acontecimento, como quiserem entender. Fora dos Estados Unidos, alguns países já começam a produzir bons filmes seja de que género for, alguns deles bem melhores do que a maioria feita na América do Norte. E ainda bem que as coisas são assim, pessoalmente, não gosto muito dos Estados Unidos, embora saiba que existe lá gente muito boa. Como já havia dito, escolhi este filme para assinalar mais um Halloween e foi a escolha acertada. A fita em questão é um dos melhores filmes de terror que vi em muitos anos de surpresas e desilusões. Os primeiros trinta minutos são uma seca, aquilo que neles assistimos é o quotidiano da família, principalmente a nem sempre boa relação entre marido e mulher. E as coisas só começam a ficar realmente interessantes depois do marido se ir embora, mais precisamente, a partir do momento que o tal míssil cai no último andar e abre uma brecha no andar das duas protagonistas.

O filme tem uma boa fotografia e a qualidade do som é muito boa, aconselho a verem este filme no cinema. Pessoalmente, confesso que não é muito fácil me assustar com estas coisas, mas aqui apanhei dois sustos em duas cenas, foram cenas simples e já vistas em outros contextos noutros filmes, mas que causaram o mesmo impacto. O elenco de secundários está lá apenas para fazer número e para ajudarem na construção da história, não têm muito que fazer, e isto aplica-se também ao marido. Neste campo, o mérito pertence todo e muito bem às duas protagonistas, que desempenham a mãe e a filha. No papel da mãe, Narges Rashidi está verdadeiramente espectacular, mete a um canto muitas actrizes de Hollywood, a sua prestação é excelente, fazendo com que a sua personagem nos transmita várias emoções. Na mesma linha de qualidade e no papel da filha, a pequena e expressiva Avin Manshadi tem uma interpretação e uma prestação praticamente ao mesmo nível de Narges Rashidi. A menina nunca nos assusta e nem precisa, a sua expressividade, os seus diálogos e a sua postura no filme fazem dela uma personagem poderosa. A empatia entre mãe e filha sente-se muito bem, elas fizeram um bom trabalho juntas, seja como actrizes, seja enquanto personagens. O argumento é bom e não nos faculta as devidas respostas. Existem planos muito bons e a camara faz direitinho todo o seu trabalho, ajudando no clima de tensão e de claustrofobia que envolve todo o filme. Um último apontamento positivo para a boneca de Dorsa, um objecto muito enigmático e interessante. Se tivesse de resumir o filme numa frase eu diria : “Um dos melhores filmes de terror que vi na vida”. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

The Model

Nome do Filme : “The Model”
Titulo Inglês : “The Model”
Titulo Português : “A Modelo”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Mads Matthiesen
Elenco : Maria Palm, Ed Skrein, Marco Ilso, Dominic Allburn, Virgile Bramly, Thierry Hancisse, Leonardo Lacaria, Elise Lissague, Claire Tran.

História : Emma é uma bonita e sensual adolescente que sonha em vir a torna-se uma modelo profissional. Assim, abandona os pais e a irmã mais nova e parte para Paris. Uma vez lá chegada, ela planeia obter o tão desejado sucesso.

Comentário : Ao contrário daquilo que possam pensar, este filme não aborda a questão das jovens que são enganadas e falsamente conduzidas a um mundo supostamente repleto de facilidades por uma cambada de nojentos. Aliás, está muito longe disso. Ainda que tenha que admitir que este “The Model” está bem melhor do que o recente “The Neon Demon”, o primeiro é quase tudo aquilo que o segundo devia ter sido. Na sua estreia em cinema como actriz, a jovem Maria Palm até esteve bastante bem, pode-se dizer que ela possui a melhor prestação da fita, para além de ser muito bonita. A realização é boa, nota-se que o filme está bem filmado, bem montado e bem editado. Gostei da personagem que o actor Ed Skrein interpretou, ele está muito longe de ser o interesseiro que se quer aproveitar da novata, pelo contrário, ele está sempre disposto a ajudá-la e odeia que lhe mintam. Ele representa um dos poucos tipos sérios que ainda deve existir no ramo da moda.

O mesmo não se pode dizer do nojento que se serve sexualmente de Emma na piscina, diga-se uma das cenas mais nojentas do filme. O problema deste filme é a própria Emma enquanto personagem, ela não consegue fazer nada acertado, ela faz quase tudo errado, para além de se revelar uma ordinária pouco depois do começo da fita, ao trair o namorado que ficou na Dinamarca. Talvez por culpa do fraco argumento, a personagem Emma é muito pobre, ou a miúda é ingénua, ou então é mesmo uma grande cabra, porque ela faz tudo errado, nem parece que quer singrar na vida. A única altura em que sentimos realmente pena da protagonista é perto do final, quando ela é violada por aquele nojento responsável pelo aluguer dos apartamentos. Nós sabemos muito bem que esta indústria da moda é muito penosa para as jovens e o filme falha precisamente por não nos transmitir essa mensagem. Mesmo assim, gostei deste filme. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sangue do Meu Sangue

Nome do Filme : “Sangue do Meu Sangue”
Titulo Inglês : “Blood Of My Blood”
Titulo Português : “Sangue do Meu Sangue”
Ano : 2011
Duração : 140 minutos
Duração (Versão Longa) : 190 minutos
Género : Drama
Realização : João Canijo
Produção : Pedro Borges
Elenco : Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Rafael Morais, Fernando Luís, Beatriz Batarda, Teresa Tavares, Teresa Madruga, Nuno Lopes, Marcello Urgeghe, Wilma de Brito, Francisco Tavares, Joana Sapinho, Leonor Correia de Oliveira, Dmitry Bogomolov, João Vaz, Margarida Queiroz, Antónia Mariana Lopes, Daniela Teixeira, Márcia Teixeira, Margarida Marques, Paula Marques, Joana Mendes, Silvina Ribeiro, Marco Campos, Djania Venâncio, Sofia Monteiro, Valéria Curuci, Vera Barreto, Teresa Faria, Mafalda Pinto.

História : Márcia é mãe solteira de dois filhos, trabalha como cozinheira e partilha a sua casa num bairro social com a irmã. João Carlos, o filho, é um pequeno traficante no bairro e Cláudia, a filha, estudante de enfermagem, um dia conta à mãe que se apaixonou e envolveu com um homem mais velho, casado e com uma filha menor.

Comentário : Possivelmente um dos melhores filmes portugueses que vi até hoje, sem dúvidas, o melhor filme do realizador João Canijo, embora eu prefira abertamente o filme “É O Amor”. No entanto, tenho a humildade de dizer que o filme de 2011 está mais bem conseguido e é muito melhor. O que João Canijo consegue aqui é algo grandioso, o filme teve imensos prémios e nomeações. Simpatizo bastante com a actriz Rita Blanco e adorei vê-la neste papel e neste filme, ela tem uma das melhores prestações da fita. Também Cleia Almeida e Anabela Moreira deram tudo o que tinham às suas personagens, tiveram excelentes interpretações, com destaque para a segunda. Adorei a personagem de Teresa Tavares e a jovem actriz deu um forte contributo ao filme. É claramente um filme onde as mulheres se destacam nas suas mais variadas formas. Nuno Lopes e Fernando Luís têm personagens fortes, mas o destaque vai logicamente para o primeiro, um excelente actor de cinema.

O filme está muito bem filmado e montado. Fazendo uma breve análise às duas versões, claramente que a versão longa é a melhor, porque ajuda a perceber melhor certas coisas e nos fornece mais informações. Temos excelentes planos, por vezes, a camara mostra duas situações a acontecer ao mesmo tempo num único plano, o que nos força a estar atento o mais possível ao que todos eles dizem. Mas temos mais planos igualmente apelativos. A banda sonora é quase inexistente, o que o realizador nos dá a ouvir são os barulhos dos outros apartamentos, bem como as respectivas discussões das pessoas que lá vivem. A cena da humilhação está brutal, Anabela Moreira brilha mais uma vez em cena. O drama central é bastante pesado, a história daquela mãe e daquela filha é bastante complexa e as actrizes souberam passar essas sensações na perfeição. A sequência que encerra a fita é bastante emotiva, aqueles três irão formar uma nova família : mãe, filha e padrasto. Estamos perante um grande filme, que fala sobre o amor.

sábado, 15 de outubro de 2016

Elle

Nome do Filme : “Elle”
Titulo Inglês : “Elle”
Titulo Português : "Ela"
Ano : 2016
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Paul Verhoeven
Elenco : Isabelle Huppert, Anne Consigny, Alice Isaaz, Charles Berling, Virginie Efira, Laurent Lafitte, Judith Magre, Christian Berkel, Jonas Bloquet, Vimala Pons, Raphael Lenglet, Arthur Mazet, Lucas Prisor.

História : Michele é a executiva e chefe de uma empresa de jogos de vídeo, a qual administra do mesmo jeito que gere a sua vida amorosa e sentimental : com “mão de ferro”, organizando tudo de maneira precisa e ordenada. A sua rotina é quebrada quando ela é atacada e violada por um desconhecido, dentro de sua própria casa.

Comentário : Isabelle Huppert é daquelas actrizes que dispensam qualquer tipo de apresentação ou de elogios. E quando falamos de Isabelle Huppert, podíamos estar a falar de actrizes como Juliette Binoche, Meryl Streep, Charlotte Rampling ou Catherine Deneuve, são todas umas senhoras, seja como pessoas seja enquanto actrizes. Na minha opinião, este filme é um drama bem pesado, por vezes, difícil de assimilar. É um filme adulto onde estão sempre a acontecer coisas novas e twists, quase tudo digno de aplauso. Isabelle Huppert desempenha uma personagem complexa, mas sabe fazê-lo mais uma vez, de forma perfeita. Ela dá-nos aqui uma excelente interpretação com a sua protagonista. Com um passado traumático devido aos feitos do pai, a sua Michele é bastante convincente.

Desde a complicada relação que tem com a mãe, passando pela distância que a separa do filho e não estou a falar de distância física, e indo parar à sua também complexa vida sexual, tudo nesta personagem foi bem pensado por parte do realizador. Todo o restante elenco está de parabéns, gostei de quase todas as personagens, mas fiquei de olho na namorada do filho da protagonista. O gato é lindo. O argumento é original e está sempre a pregar-nos surpresas, nos facultando reviravoltas bastante interessantes. É muito positiva e eficaz a maneira como o realizador “joga” com as personagens e as coloca nas mais variadas situações. Assim, as relações entre todas as personagens são o principal foco do filme, a química entre todos eles funcionou muito bem. Pessoalmente, senti-me totalmente dentro daquilo que estava a ver, tudo porque o filme é bastante envolvente. A relação entre Vincent e Josie é muito peculiar e torna-se ainda mais especial após o nascimento do “filho” de ambos. Gostei de quase tudo neste filme, mais uma boa surpresa que este ano cinematográfico me deu. 

Train To Busan

Nome do Filme : “Busanhaeng”
Titulo Inglês : “Train To Busan”
Ano : 2016
Duração : 119 minutos
Género : Terror/Thriller/Drama
Realização : Sang-Ho Yeon
Elenco : Yoo Gong, Soo-An Kim, Ahn So-Hee, Yu-Mi Jeong, Dong-Seok Ma, Woo-Sik Choi, Eui-Sung Kim, Gwi-Hwa Choi, Jang Hyuk-Jin, Chang Hwan Kim, Soo-Jung Ye.

História : Um pai que sempre foi viciado no trabalho e sempre esteve ausente da vida da filha menor, vê-se confrontado com a aparição de um estranho vírus que infecta as pessoas, tornando-as perigosas para todos aqueles que ainda não sofrem desse mal. Agora, ele e a menina juntam-se a um pequeno grupo de sobreviventes com a intenção de apanharem um comboio que tem como destino uma zona protegida pelas forças militares. Mas para lá chegarem, terão que embarcar numa verdadeira odisseia e numa impressionante e desesperante luta pela sobrevivência.

Comentário (Com Spoilers) : Possivelmente o melhor filme de zombies que eu tive a oportunidade de ver, sim, não gosto dos filmes deste género feitos pelos americanos, ainda que tenha que admitir que os filmes de George Romero sejam bons. E digo mais, a maioria dos realizadores devia colocar os olhos neste filme e aprender alguma coisa com ele. Eu tenho que confessar que senti uma enorme tensão durante praticamente o filme todo, a fita possui bons momentos de terror e de suspense. É quase desesperante acompanharmos o percurso dos personagens principais, cuja única finalidade é manterem-se vivos para chegar a um local seguro e todos têm poucas informações do que está realmente a acontecer. O argumento dá-nos ideias que na prática do filme acabam por funcionar muito bem.

A nível das interpretações, todos estão de parabéns e a caracterização dos infectados está brutal. O actor que faz de pai irresponsável e a menina que desempenha o papel de sua filha são os que merecem o grande destaque (os dois têm excelentes prestações), nota-se na perfeição a empatia entre os dois, para além das suas personagens serem totalmente convincentes. O filme tem algumas cenas muito dramáticas e muito emocionantes, entre elas, destaco aquela perto do final em que a criança se despede do pai, sabendo que nunca mais o verá (a melhor sequência do filme). A cena da "morte" do protagonista também está muito tocante, com as lembranças da filha bebé a serem as últimas coisas que ele se lembra antes da transformação. E depois, temos a última sequência (num túnel), cheia de simbolismo e muito bonita. Além dos vilões de serviço – os zombies – temos também um vilão humano que ainda consegue ser mais nojento que os infectados, quem viu o filme sabe do que estou a falar. Não gostei dos destinos que o protagonista e a personagem Jin-Hee tiveram, que finais tão injustos. Nota-se claramente que é um filme feito com poucos recursos, mas tudo funcionou na perfeição, apesar de uns erros ligeiros que em nada afectam o resultado final. Um dos melhores filmes que vi este ano. 

Jane Got A Gun

Nome do Filme : “Jane Got A Gun”
Titulo Inglês : “Jane Got A Gun”
Titulo Português : “As Armas de Jane”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Western/Drama
Realização : Gavin O'Connor
Elenco : Natalie Portman, Joel Edgerton, Noah Emmerich, Ewan McGregor, Boyd Holbrook, Rodrigo Santoro, Maisie McMaster, Piper Sheets, Sam Quinn, James Burnett, Alex Manette.

História : Na América e em finais do século XIX, depois de um passado atribulado, Jane construiu uma nova vida com o marido, Bill Hammond, e a filha nas áridas planícies do Oeste. Mas, quando Bill regressa a casa com ferimentos graves depois de se envolver num tiroteio com John Bishop e o seu bando de criminosos, Jane sabe que a família corre perigo. Sem saber o que fazer, decide pedir ajuda a Dan Frost, um homem com quem teve um relacionamento amoroso no passado e que se tornou a única pessoa de confiança. Apesar de relutante em envolver-se com a mulher que nunca deixou de amar, Dan resolve ajudá-la.

Comentário : Vi na noite passada este western protagonizado pela talentosa e versátil Natalie Portman, pelo que gostei. Apesar de ter sido realizado por um tarefeiro, estamos perante uma obra razoável, embora muito parada. Apesar de ser um filme onde o primeiro e o segundo acto são um pouco parados, eles possuem um ritmo lento, a coisa funciona ainda assim e tudo graças às corajosas e aceitáveis prestações de Natalie Portman e Joel Edgerton. Se os protagonistas funcionam bem, o mesmo não se pode dizer dos vilões, todos muito fracos, nem sei o que faz Ewan McGregor neste filme, se tivessem colocado um ator desconhecido no seu papel, o resultado seria o mesmo. O argumento é bom, mas perdeu-se um pouco quando nos mostra cenas do passado da protagonista ou da personagem de Dan Frost. Não gostei da fotografia, não entendo porque motivo a maioria dos westerns têm que ter quase sempre a cor em tom pastel, naquela época, as coisas talvez não fossem bem assim. O terceiro acto é o melhor do filme, com uma maravilhosa sequência da armadilha assim que começa a invasão à casa da protagonista. A cena dela a balear o vilão principal está brutal, senti-me muito bem a ver essa parte. Notei alguns erros na lógica dos acontecimentos. No fundo, o filme está todo embalado numa brutal história de vingança de ambos os lados. Não sendo um grande filme e muito menos um grande western, temos assim uma obra razoável que cumpriu os mínimos. Um último apontamento, gostei imenso do final, e que os quatro sejam muito felizes. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Captain Fantastic

Nome do Filme : “Captain Fantastic”
Titulo Inglês : “Captain Fantastic”
Titulo Português : “Capitão Fantástico”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Ross
Elenco : Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Nicholas Hamilton, Erin Moriarty, Trin Miller, Elijah Stevenson, Kathryn Hahn, Teddy Van Ee, Missi Pyle, Frank Langella, Ann Dowd, Hannah Horton, Steve Zahn.

História : Há já dez anos que Ben e Leslie vivem nas florestas selvagens do Pacífico Norte com os seus seis filhos menores (três meninos e três meninas). Separados do resto do mundo, decidiram criar ali uma espécie de paraíso onde as crianças pudessem crescer livres e em total harmonia com a Natureza. Guiados pelos próprios pais, cada uma delas recebe uma educação exigente onde nada é deixado ao acaso, desde a arte, literatura, matemática, exercício físico e técnicas de sobrevivência. Um dia, Leslie é hospitalizada e acaba por falecer. Obrigado a deixar temporariamente a floresta e regressar à “civilização” para a cerimónia fúnebre da esposa, Ben vai descobrir que, ao educar os seus seis filhos daquele modo tão peculiar, acabou por criar um fosso entre eles e os outros.

Comentário : Com um péssimo inicio de cerca de cinco minutos, este filme cativou-me bastante. É daqueles casos em que, primeiro estranha-se e depois entranha-se. As criticas em torno deste filme foram abertamente divididas, houve aqueles que gostaram, houve os que detestaram e houve ainda outros que foi-lhes indiferente. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, embora tenha três cenas que estragam um pouquinho as coisas, a já frisada sequência inicial, a cena do super-mercado e a cena das cinzas na sanita. Tenho muitas cenas que eu gostei neste filme, mas aquela que eu mais gostei foi aquela em que o filho mais velho conhece e convive com uma bonita jovem, que claramente, não dá em nada, porque eles são de mundos completamente diferentes. Viggo Mortensen está soberbo neste filme, o versátil actor representou muito bem o seu complicado papel. A sua química com as seis crianças é notável em todas as cenas em que os sete contracenam uns com os outros, sozinhos ou em grupo. Todos os actores e actrizes que desempenharam os papéis dos filhos do protagonista estão de parabéns, mas quero aqui mandar um “like” muito especial para a pequena Shree Crooks (foto em baixo). Não gostei muito do personagem de Frank Langella, está muito batido e as suas atitudes cheiram a forçadas. O que existe neste filme é uma espécie de confronto de filosofias de vida, qual a melhor ? Criar filhos na Natureza com poucos recursos pode ser o melhor para as crianças, mas é bem mais complicado do que criá-los normalmente. Nota também positiva para o argumento, acaba por nos facultar algumas surpresas e poucas desilusões. É um filme que está muito bem montado e estruturado e é possuidor de um bom ritmo. Resumidamente, gostei do filme e é sempre bom ver Viggo Mortensen trabalhar, neste caso, num papel diferente. 

Blood Father

Nome do Filme : “Blood Father”
Titulo Inglês : “Blood Father”
Titulo Português : “O Protetor”
Ano : 2016
Duração : 88 minutos
Género : Crime/Thriller/Drama
Realização : Jean François Richet
Elenco : Mel Gibson, Erin Moriarty, Diego Luna, Michael Parks, William H. Macy, Miguel Sandoval, Richard Cabral, Daniel Moncada, Ryan Dorsey, Raoul Max Trujillo.

História : Link é um ex-presidiário que mora numa caravana, ganha a vida à custa de biscates e do negócio das tatuagens e não vê a filha adolescente à imenso tempo. Um dia, a jovem bate-lhe à porta porque se encontra no alvo de um pequeno grupo de perigosos criminosos que a querem matar, tudo porque ela os traiu.

Comentário : Está na moda colocarem actores veteranos e quase em fim de carreira a desempenhar papéis em filmes de ação, nos quais se tornam verdadeiros heróis. Assim de repente, lembro-me de Liam Neeson, mas existem muitos mais nas mais variadas vertentes do mundo da sétima arte. Desta vez, há um espectacular Mel Gibson em excelente forma e apenas é de lamentar o facto do filme ser muito curto. Sim, era capaz de continuar a assistir a isto, se a fita tivesse duas horas e meia. Porque é um filme muito estimulante, onde ficamos a “rezar” para que tudo corra bem com o protagonista e, neste caso, que tudo corra igualmente bem com a filha dele. Assim, Mel Gibson está em plena forma e tem mais uma brilhante prestação, o final dado à sua personagem dividiu opiniões, mas para mim, gostei do desfecho dado a Link. Erin Moriarty é o segundo grande destaque do filme, a miúda está excelente e obteve uma impecável interpretação, adorei a sua personagem (foto em baixo). Diego Luna vai bem no papel de vilão principal, embora ande um pouco desaparecido lá pelo meio e regresse para um final muito apressado. Os restantes criminosos impõem um certo respeito. O filme possui ainda boas sequências de ação e o ritmo varia constantemente entre o acelerado e o lento, dependente daquilo que pai e filha estão a fazer. Na minha opinião, é um filme bastante eficaz, que resulta, embora peque apenas devido a alguns poucos erros na lógica das coisas. Mas no geral, estamos perante um bom filme onde o principal factor positivo é a empatia e a química existente entre pai e filha. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Christmas Tale

Nome do Filme : “Un Conte De Noel”
Titulo Inglês : “A Christmas Tale”
Titulo Português : “Um Conto de Natal”
Ano : 2008
Duração : 146 minutos
Género : Drama
Realização : Arnaud Desplechin
Elenco : Catherine Deneuve, Jean Paul Roussillon, Anne Consigny, Mathieu Amalric, Melvil Poupaud, Hippolyte Girardot, Emmanuelle Devos, Chiara Mastroianni, Laurent Capelluto, Emile Berling, Thomas Obled, Clement Obled, Françoise Bertin, Samir Guesmi, Azize Kabouche, Mathieu Bakanina, Thierry Bosc, Marie France Jaskula, Jean Pierre Jouet, Philippe Morier Genoud, Beata Nilska, François Regnault, Helene Roussel, Helene Darras, David Frenkel, Romain Goupil, Miglen Mirtchev.

História : O casal Abel e Junon tem dois filhos, Joseph e Elizabeth. Vítima de um raro distúrbio genético, a única esperança de Joseph é um transplante de medula óssea, mas tanto Abel e Junon quanto a filha Elizabeth são incompatíveis, o que leva os pais a tentar um terceiro filho. Assim nasce Henri, que infelizmente também tem incompatibilidade e não pode salvar o irmão. A doença do rapaz marca a vida da família para sempre. Depois de algum tempo, a relação da família só piora. Em particular, entre os irmãos Elizabeth, agora uma mulher autoritária, e Henri, um homem cínico que divide o tempo entre mulheres e bebidas. Após uma discussão, Elizabeth proíbe o irmão de ver o sobrinho Paul, um adolescente que tem sérios problemas mentais. Mas o Natal aproxima-se e quer-se a reunião familiar.

Comentário : Gostei bastante deste filme francês, realizado por Arnaud Desplechin. O realizador propõe-nos no seu filme um autêntico desfile de personagens e respectivas personalidades, umas mais complexas que as outras, mas todas elas importantes para o todo. No caso deste filme, as coisas funcionaram muito bem. Embora não tenha gostado de alguns temas da banda sonora que julgo não ficarem bem nas cenas, gostei de praticamente tudo neste filme, até mesmo da montagem final. Algumas cenas são apresentadas e mostradas sob o ponto de vista de um binóculo, fica bem, embora eu não tenha percebido o motivo para tal. Todos os actores tiveram excelentes prestações, embora os destaques sejam para Catherine Deneuve e Mathieu Amalric. O argumento está muito bem construído e amarrado, originando e proporcionando excelentes sequências e diálogos de luxo. A ação da fita alonga-se praticamente toda à volta da semana natalícia onde os elementos da família convivem dentro da mesma casa com algumas saídas, acontece depois o dia de Natal e passa-se logo para a operação da matriarca da família. Existe uma dúvida que fica a pairar no ar e o filme termina com uma fala da filha da protagonista. Pessoalmente, não gostei do final da fita, embora tivesse gostado do filme no geral, devido principalmente à riqueza das personagens e à forma como o cineasta colocou-as a interagir umas com as outras, nos facultando cenas e sequências verdadeiramente notáveis. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Follow

Nome do Filme : “Follow”
Titulo Inglês : “Follow”
Ano : 2015
Duração : 75 minutos
Género : Thriller/Mystery
Realização : Owen Egerton
Elenco : Noah Segan, Olivia Grace Applegate, Haley Lu Richardson, Merik Tadros, Don Most, Bob Schneider, Marc Chicoine, Dennis Nicomede, Southern Longoria.

História : Um pintor tem a pior semana natalícia de toda a sua vida.

Comentário : Esta noite vi este pequeno filme americano que eu julgava ser de terror, não podia estar mais enganado. Basicamente, o que temos aqui é um thriller manhoso, mas não no mau sentido. O problema principal deste filme é que é confuso e absurdo, não nos facultando as explicações necessárias para certos acontecimentos. No centro da trama temos Quinn, um estranho homem que é pintor e que guarda todos os seus trabalhos na cave da casa. Vive um amor igualmente estranho com uma mulher, também ela estranha, chamada Thana. Quinn é cercado por um vizinho idoso que adora o seu cão, tem que aturar um atrasado mental que gosta de cantar para ele em certas manhãs, desconfia que a mulher tem um amante e ainda tem que lidar com uma linda adolescente que lhe desperta os seus interesses sexuais mais íntimos, a miúda ganha uns trocos no café local e revela-lhe que tem interesse nele. Um dia, a esposa oferece-lhe uma pistola e convence-o a suicidar-se numa cena sexual muito quente na cama de ambos. Mas as coisas não correm bem assim. Como protagonista, Noah Segan tem uma prestação aceitável. Como sua mulher, Olivia Grace Applegate convence no início, mas depois o seu personagem cai em lume brando. Quem me surpreendeu foi a jovem Haley Lu Richardson (foto em baixo), ela possui a melhor interpretação do filme e convenceu, sendo a única que conseguiu passar para mim a real aflição da situação em que todos os envolvidos se encontravam. O twist que envolve Quinn e a cena da pistola funciona, embora o final estrague quase tudo até então. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sworn Virgin

Nome do Filme : “Vergine Giurata”
Titulo Inglês : “Sworn Virgin”
Titulo Português : “Virgem Prometida”
Ano : 2015
Duração : 88 minutos
Género : Drama
Realização : Laura Bispuri
Elenco : Alba Rohrwacher, Flonja Kodheli, Emily Ferratello, Ilire Vinca Celaj, Lars Eidinger, Luan Jaha, Bruno Shllaku.

História : Hana cresce nas arcaicas montanhas da Albânia. Escapa ao destino de ser casada contra a sua vontade através de um costume antigo, em que sacrifica a sua feminilidade e jura virgindade eterna. Para ser livre, viverá como um homem e passará a chamar-se Mark. Depois de dez longos anos, Hana decide mudar de vida e partir para Milão, ao encontro da prima, que fugira da Albânia no passado.

Comentário : Trata-se de um filme sobre vidas, sobre maneiras de estar na vida e sobre as escolhas feitas pelo ser humano, sofrendo as respectivas consequências. É também um filme que segue a um ritmo lento, mas nunca aborrecido. Seguimos a jornada de Hana, desde a sua adolescência com a prima em casa do pai e da mãe e, mais tarde, avançamos para o seu quotidiano a partir do momento em que abandona a mesma, já ela é adulta. A narrativa está sistematicamente a deambular entre o passado e o presente, sem nunca tornar as coisas confusas. Na realidade, o espectador segue os acontecimentos na perfeição e se interessa pelo que vai sucedendo diante dos seus olhos. Alba Rohrwacher (I Am Love) tem neste filme a melhor prestação da fita, a actriz e respectiva personagem são o melhor da fita, elas funcionam como uma espécie de alicerce que mantém o filme sempre a funcionar e o faz resultar bem. É um filme cinzento, parece que tudo se passa num clima invernal constante, mas sem os sintomas da época. Todo o restante elenco vai bem, gostei tanto da personagem principal, como gostei das personagens da prima, do marido da prima e da filha de ambos. Se me perguntassem de gostei mais dos acontecimentos do passado ou dos acontecimentos actuais, claramente que prefiro o presente. Atenção ao parentesco “prima”, esconde uma poderosa revelação. O final do filme é muito bonito. Um filme interessante e curioso que, infelizmente e por razões sempre comerciais, não terá a atenção devida e merecida.

Deepwater Horizon

Nome do Filme : “Deepwater Horizon”
Titulo Inglês : “Deepwater Horizon”
Titulo Português : “Horizonte Profundo – Desastre No Golfo”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Histórico/Drama
Realização : Peter Berg
Elenco : Mark Wahlberg, Kate Hudson, Stella Allen, Kurt Russell, John Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O'Brien, Ethan Suplee, Henry Frost, Jeremy Sande, Douglas M. Griffin, James DuMont, Joe Chrest, Brad Leland, David Maldonado, Robert Walker Branchaud, Jason Kirkpatrick, Jonathan Angel.

História : Construída em 2001, a Deepwater Horizon era uma plataforma petrolífera semi-submersível situada ao largo da costa do estado do Louisiana, nos E.U.A. Em abril de 2010, sem que nada o pudesse prever, explodiu. Como resultado, 11 pessoas morreram, 17 ficaram feridas e milhões de litros de crude alastraram para as águas do Golfo. Cerca de 1700 quilómetros de zonas húmidas e praias ficaram poluídas e os “habitats” de centenas de espécies marinhas e fauna foram afectados ou destruídos, naquela que é ainda hoje considerada a maior tragédia marítima contra a natureza da história dos Estados Unidos. Um dos funcionários da plataforma, Mike Williams, um engenheiro experiente que ali trabalhava há já vários anos, na manhã de 20 de Abril de 2010, despede-se da esposa e da filha pequena e dirige-se ao seu local de trabalho. Nesse dia, Mike Williams nunca imaginou a tragédia que estava prestes a acontecer : o maior desastre ecológico de sempre na história dos Estados Unidos.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que senti um enorme clima de tensão e pressão ao longo deste filme. Isto porque o filme está muito bem concebido e o espectador fica convencido do que aconteceu. Embora tenha que confessar que podiam ter ido mais além no aspecto de denegrir a imagem dos “grandes” interesses (empresas e chefes) que estão por detrás das plataformas petrolíferas. O realizador dirige um filme que se relaciona com os nossos dias no modo como define heróis e vilões : de um lado, “pequenos heróis” decentes que fazem trabalhos sujos para sustentar a família mas que não contam para as contas dos executivos, do outro vilões que colocam as vidas dos outros em perigo ao tomarem decisões puramente monetárias. Um dos principais factores que me deixou satisfeito com este filme foram os efeitos especiais e visuais, aqui usados a favor do filme, eles serviram o filme e não o contrário, como sucede com quase todos os filmes comerciais americanos. Nesse campo, confesso que os efeitos estavam impecáveis e com a preciosa ajuda deles, o filme passou com sucesso cá para fora a sensação de realismo, de estarmos a viver, mais ou menos, o que aquelas pessoas sentiram, principalmente a aflição e o desespero.

A história foi muito bem contada e mostrada, o filme é pois, baseado em acontecimentos que sucederam na realidade. Nesse aspecto, também está quase tudo muito bem arrumado. A realização é boa. O som é um dos principais atributos do filme e funcionou na perfeição. Mark Wahlberg tem uma interpretação razoável, confesso que já o vi a fazer melhor (Four Brothers, por exemplo). Ainda sobre ele, neste filme, o seu personagem funcionou enquanto homem de família e também funcionou enquanto funcionário da plataforma, a sua química com todos os agentes que compõem estes dois núcleos funcionou, mas como disse, o actor podia ter dado mais dele. Kate Hudson vai bem como esposa e mãe dedicada, e mais tarde enquanto mulher preocupada com o que pode estar a acontecer com o marido. Mas o grande problema de Peter Berg é que explora pouco a componente familiar do protagonista do filme. O mesmo se aplica à pequena Stella Allen, que desempenhou com um grande à vontade e na perfeição a filha do protagonista. Apesar de ser a responsável pela melhor cena do filme (toda a sequência que decorre à mesa do pequeno almoço, em que a miúda exemplifica o que viria a suceder com a plataforma, na manhã do fatídico dia), a jovem não viu a sua Sydney ser desenvolvida enquanto personagem. Penso que o realizador errou em ter deixado de lado a família (esposa e filha) do protagonista, apenas centrando as suas duas personagens no início e final da fita. E voltou a errar quando nos “massacrou” com várias cenas e diálogos dedicados à plataforma, cenas essas antes da catástrofe. Ele enrolou muito.

Na minha opinião, o realizador devia ter mostrado a vivência e a relação do protagonista com a família durante os primeiros vinte minutos, seguindo depois para uma breve apresentação da plataforma e dos seus principais funcionários onde perderia cerca de dez minutos, para na hora seguinte se dedicar e mergulhar a fundo na catástrofe, tentando dar alguns detalhes que tivessem relevância e que aconteceram de verdade com base em testemunhos, guardando para os últimos dez minutos o regresso a casa do protagonista e respectivo reencontro com mulher e filha e dando relevância também para os personagens de Kurt Russell e de Gina Rodriguez e respectivos regressos a casa. Por último tirava aquelas imagens de arquivo e as legendas sobre as pessoas, pois aquilo, a maioria do pessoal a quem o filme interessa já deve saber. Ainda sobre as interpretações, Kurt Russell tem a melhor prestação do filme, ele possui mesmo a presença mais forte e a sua caracterização pós-acidente está perfeita. Detentora de uma beleza exótica, a linda Gina Rodriguez tem igualmente uma excelente interpretação. Estes dois últimos acabam por ter papéis muito importantes que se vão revelando ao longo do filme. John Malkovich, actor por quem eu nutro uma grande estima e de quem gosto bastante enquanto pessoa, tem aqui pouco mais que fazer do que desempenhar bem um papel que já o vimos fazer em outros filmes. Ainda assim, adorei vê-lo. Dylan O'Brien esteve bem e os secundários portaram-se à altura da tarefa. É um filme que deve ser visto no cinema, em casa perde imenso da sua espectacularidade. Como pior cena, temos a parte das aves cheias de petróleo. E é frustrante percebermos que os “grandes” e “poderosos” neste caso como em muitos outros, safam-se sempre e os mais “fracos” é que sofrem sempre na pele com os erros e com a ganância de quem manda. Infelizmente a justiça está do lado do “peixe graúdo” e o povo que se lixe, em alguns momentos do filme, isso está lá patente. Neste caso, quem perdeu foram os funcionários, as suas famílias e, sem esquecer os mais lesados, os animais e as plantas. Na minha opinião, “Deepwater Horizon” é um dos grandes filmes deste ano, uma agradável surpresa. 








sábado, 1 de outubro de 2016

Miracles From Heaven

Nome do Filme : “Miracles From Heaven”
Titulo Inglês : “Miracles From Heaven”
Titulo Português : “O Nosso Milagre”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Patricia Riggen
Elenco : Jennifer Garner, Martin Henderson, Kylie Rogers, Courtney Fansler, Brighton Sharbino, Eugenio Derbez, Queen Latifah, John Carroll Lynch.

História : Anna foi diagnosticada com uma doença incurável que lhe causava dores de estômago fortíssimas e que a impedia de comer normalmente. A família, desesperada, recorreu a vários médicos, procurando uma solução. Mas, infelizmente, nada podia ser feito por ela. Um dia, já com dez anos, a pequena sofre uma queda de uma árvore e quase perde a vida. Depois de levada de urgência para o hospital, todos se deparam com algo extraordinário : para além de ter sobrevivido à queda apenas com alguns arranhões, deixou de ter quaisquer sintomas da doença que, supostamente não tinha cura.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que eu não costumo comentar um filme que não vejo até ao final, isso acontece raramente, mas em alguns casos é mesmo necessário vir falar deles por isso mesmo, dá-me vontade de o comentar e aconteceu com este. Na ficha técnica diz tratar-se de um filme biográfico, mas eu até me custa a acreditar em certas coisas que o filme mostra. Não estou com isso a duvidar da veracidade dos factos aqui apresentados, simplesmente, custa-me a acreditar que, com uma queda de uma árvore, uma criança deixe por completo de sofrer de uma doença terrível e sem cura. E essa história de Jesus Cristo e da fé serem responsáveis pela “cura” das pessoas, pessoal, isso não cola, simplesmente porque eu não sou crente, eu não tenho nenhuma religião e me baseio em factos, em provas. Falando dos pontos positivos do filmes. Jennifer Garner possui uma brilhante interpretação, ela consegue transmitir a dor que uma mãe sentiria se tivesse uma filha naquelas condições. A pequena Kylie Rogers teve uma prestação bastante convincente, gostei do trabalho que a menina fez no que à representação diz respeito, para além dela possuir uma presença em tela muito forte. As cenas dela padecendo da doença são sofríveis. Um último aspecto positivo, a negligência médica foi aqui muito bem retratada, mostrando médicos que fazem diagnósticos que não são os correctos e isso pode levar à morte das crianças.

Nos aspectos negativos, Martin Henderson no papel de pai, simplesmente, não convence e limita-se a cumprir o papel mínimo do pai com obrigações. As irmãs da pequena protagonista estão no filme apenas para fazer número, apenas porque na família real, elas também existiam e limitam-se a cumprir em termos básicos os mínimos propósitos. Por exemplo, numa cena em que a mãe tira a longa sonda (um enorme fio amarelo) do nariz da filha doente, as irmãs não mostram nenhuma sensação ou ainda, quando é discutido à mesa durante uma refeição as limitações alimentares da miúda, elas estão mais preocupadas porque não poderão comer o que gostam do que com a saúde da irmã. Outra coisa que me enervou foi o personagem do pastor e o facto de estarem sempre a nos jogar à cara a questão da religião, chegou a um momento que saturou e eu disse : “chega, para mim, basta”. Queen Latifah limita-se a ser ela mesma, tem uma cena bem ridícula em que, a mãe e a criança doente estão preocupadissimas com a possibilidade de serem atentidas por um médico famoso naqueles casos e, momentos depois, isso é facilmente esquecido, e a preocupação passa a ser irem as três passear pela cidade num carro que parece ter saído da sucata. É assim, para que eu não seja mal entendido, eu não estou a duvidar que esta história tivesse acontecido de verdade, nem estou a questionar a veracidade dos factos, mas puxa, dava para colocar mais realismo e uma carga dramática mais forte numa história complexa que mostra uma criança sofrendo de uma terrível doença ?, era mesmo preciso salientar tanto a questão religiosa ?, porque é que fazem sempre o mesmo tipo de filme usando os mesmos clichés ?, são estas as questões que eu gostava de ver respondidas. Eu me enervei tanto com este filme que, chegou um momento e eu, simplesmente, desliguei o programa e desisti, afinal, estava cansado de tudo aquilo.