domingo, 25 de setembro de 2016

Miss Peregrine's Home For Peculiar Children

Nome do Filme : “Miss Peregrine's Home For Peculiar Children”
Titulo Inglês : “Miss Peregrine's Home For Peculiar Children”
Titulo Português : “A Casa da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares”
Ano : 2016
Duração : 127 minutos
Género : Aventura/Fantasia
Realização : Tim Burton
Elenco : Ella Purnell, Asa Butterfield, Eva Green, Judi Dench, Samuel L. Jackson, Terence Stamp, Rupert Everett, Allison Janney, Finlay MacMillan, Lauren McCrostie, Georgia Pemberton, Raffiella Chapman, Pixie Davies, Hayden Keeler Stone, Milo Parker, Joseph Odwell, Thomas Odwell, Cameron King, Louis Davison, Kim Dickens, O Lan Jones, Philip Philmar, Jack Brady, Scott Handy, Jennifer Jarackas, George Vricos, Brooke Jaye Taylor, Nicholas Amer, Ioan Hefin, Shaun Thomas, Justin Davies, Chris O'Dowd.

História : Quando Jake (ou Jacob) era muito pequeno, ouvia o avô contar-lhe histórias sobre o orfanato onde cresceu. Nesse lugar viviam outras crianças, cada uma com o seu dom peculiar, e era administrado pela Senhora Peregrine, uma mulher dedicada que os protegia de todos os males. À medida que foi crescendo, Jake, agora com 16 anos, foi questionando a veracidade dessas histórias antigas. Mas quando o avô morre de uma forma inexplicável, o rapaz decide tentar encontrar o suposto lugar onde antes existia o tal orfanato. Lá, ele conhece uma linda menina com dons especiais chamada Emma Bloom, que o leva até uma outra época, onde ele encontra realmente a casa da Senhora Peregrine e as crianças peculiares que lá habitam. E fica a saber que o mundo dos seus recentes amigos se encontra ameaçado pelos “hollows”, uns monstros liderados pelo nefasto Barron. Compreende que apenas ele, com a sua peculiaridade, tem a capacidade de os ver, Jake descobre que pode dar um forte contributo para acabar com os problemas da Senhora Peregrine e das suas crianças especiais.

Comentário : Tim Burton está de volta com um novo filme e sempre que ele regressa, as pessoas já sabem aquilo que esperam de um filme seu : uma fotografia exemplar, um jogo das cores estonteante, cenários espectaculares, uma boa história que é igualmente muito bem mostrada, efeitos especiais usados de modo a favorecer o filme e a história, interpretações boas, personagens invulgares ou hilariantes, muita diversão e muita loucura cinéfila. O realizador tem filmes bons e outros menos conseguidos e ultimamente anda um pouco em baixo. Desta vez, Tim Burton adapta ao cinema um livro (capa original mais em baixo) de Ransom Riggs saído em 2011 que fez sucesso em parte, porque possui excelentes gravuras que ajudam a perceber a história. O livro em questão narra o conto de um menino que, depois de uma tragédia familiar terrível, segue pistas que o levam a um orfanato abandonado numa ilha. A história é contada através de uma combinação de narrativa e fotografias vernaculares dos arquivos pessoais de colecionadores listados pelo autor. Infelizmente, o realizador não explorou bem os personagens mirins e apostou mais no espectáculo.

Eu vou confessar uma coisa, quando vi o primeiro trailer, eu fiquei encantado com o que vi naqueles escassos minutos. Algo semelhante ao universo dos mutantes da Marvel, ou seja, seres humanos detentores de dons especiais, eu não gosto de chamar de poderes, prefiro o termo dons, porque é isso que as crianças destes dois universos possuem, são dons ou habilidades especiais. Não sei se o realizador tentou ou não ser fiel ao livro, mas sei que, pelo que li, ele alterou algumas coisas e isso não abona em nada a favor do filme, que mania essa dos realizadores ou dos estúdios alterarem factos originais dos livros em que os filmes se baseiam para contar algo mais pessoal e a gosto deles. Isso sempre foi uma coisa que eu achei muito mal, porque estraga a magia da coisa. Por exemplo, Peter Jackson alterou imensa coisa nos seus seis filmes da Terra Média em relação aos livros do Tolkien. Mas existem imensos outros exemplos dessa atitude e os resultados na maior parte dos casos, é mau. Outra coisa que me enerva bastante é o facto de colocarem actores veteranos e consagrados em papéis inúteis ou mais fracos, por exemplo, não percebo porque motivo Judi Dench, Samuel L. Jackson ou mesmo Terence Stamp aceitaram entrar nisto, eles são três poderosos actores que não necessitam de se sujeitarem a estes papéis ridículos para sobreviver, eles deviam aceitar papéis em filmes mais de cariz independente e fitas mais sérias. Mas casos destes existem imensos lá para as bandas de Hollywood. 

Miss Peregrine's Home For Peculiar Children” não é dos melhores filmes de Tim Burton, mas como produto final, resulta bastante bem, tendo os seus maiores destaques nos efeitos especiais, na componente visual e nas prestações de quase todas as crianças e jovens envolvidos. O mesmo não se pode dizer dos actores adultos, quase todos tiveram prestações que roçam o fraco, até mesmo Eva Green, não convenceu, ainda que tenha sido a melhor dos adultos. Samuel L. Jackson está ridículo neste filme, veja-se por exemplo, a cena em que Emma Bloom com o seu sopro o encosta a uma parede, enquanto Jake faz uns procedimentos numa sala. Ele é um vilão muito mal construído e muito fraco e ridículo. Aliás, todos os inimigos neste filme são fúteis e nada dignos desse nome. É bom ver as crianças a exibir os seus dons e as suas habilidades, elas são interessantes (Emma Bloom é fantástica). O filme abusa um pouquinho no CGI e isso nota-se. A cena do barco, por exemplo, o barco serve muito bem naquela parte em que Emma mostra para Jake como consegue retirar toda a água daquela sala usando os seus magníficos dons, no entanto, não era necessário o realizador voltar a insistir novamente no barco mais à frente, naquela sequência onde ele é aproveitado para a missão. 

O filme é assim, um prodígio visual, como só Tim Burton sabe facultar, mas a sensação de repetição paira sempre no ar. O realizador já fez melhor em outros filmes, no entanto o filme é o seu melhor registo desde “Sweeney Todd”. Desta vez, ele não precisou do muito usado e estragado Johnny Depp, mas teve entre mãos excelentes pequenos actores e pequenas actrizes, crianças muito talentosas que estiveram muito bem nos seus papéis, repito, os pequenos atores e as pequenas atrizes são a alma deste filme, nesse aspecto, o filme faz justiça ao titulo, ainda que as suas personagens (personalidade e dom) não tivessem sido mais bem trabalhadas e exploradas. Os adultos apenas tiveram que cumprir os mínimos a que os seus papéis os obrigaram. A minha personagem preferida é, claramente a Emma Bloom, da linda e talentosa jovem actriz Ella Purnell (Wildlike), ela é a melhor personagem do filme, teve uma excelente interpretação. O nosso protagonista, Asa Butterfield (Hugo), vai mais ou menos, ele acaba por ser o grande foco da fita enquanto personagem principal do longa, embora a sua interpretação não me tenha convencido minimamente. Adorei as cenas de Emma a voar e a pairar no ar (razão pela qual a escolha do poster), aquela cena em que ela descalça as botas, voa até ao cimo da árvore e devolve um esquilo ao seu ninho está brutal. Ou ainda aquelas cenas em que ela vai a voar, sendo levada por Jake. Mas as melhores cenas do filme são aquelas em que Emma mostra os seus outros dons no salão do barco, bem como as cenas debaixo de água. Possivelmente, tem o melhor dom de todas as crianças, as coisas que ela consegue fazer são notáveis. A química dela com Jake funciona em algumas cenas, noutras nem tanto, da parte dela tudo corre bem, mas ele não faz bem a parceria, ele não ajuda a miúda. A cena do beijo deles está ridícula, tudo muito falso, fez-me lembrar cada vez que Ginny Weasley beijava Harry Potter na boca, tudo muito artificial. No caso do beijo entre Emma e Jake aconteceu a mesma coisa. No fundo, o filme é bom, Tim Burton consegue assim, mais um excelente entretenimento, mas falha naquilo que eu disse anteriormente, o cineasta podia ter-se focado e investido mais nas crianças peculiares, nas relações entre elas, nas suas personalidades e nos seus dons, certamente daria um filme melhor ou não fossem elas (as crianças e os jovens) a essência e o melhor do livro.


Nenhum comentário:

Postar um comentário