segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Café Society

Nome do Filme : “Café Society”
Titulo Inglês : “Café Society”
Titulo Português : “Café Society”
Ano : 2016
Duração : 96 minutos
Género : Comédia Dramática/Romance
Realização : Woody Allen
Elenco : Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Blake Lively, Parker Posey, Steve Carell, Jeannie Berlin, Ken Stott, Corey Stoll, Sheryl Lee, Paul Schackman, Richard Portnow, Sari Lennick, Stephen Kunken, Laurel Griggs, Anna Camp, Paul Schneider.

História : Nos anos 1930, Bobby é um aspirante a escritor que resolve mudar-se de New York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda do seu tio Phil, um produtor que conhece a elite da sétima arte. Após um bom período de espera, Bobby consegue o emprego de entregador de mensagens dentro da empresa de Phil. Enquanto aguarda uma oportunidade melhor, ele se envolve com Vonnie, a secretária do tio. Só que ela, por mais que goste de Bobby, mantém um relacionamento secreto.

Comentário : O filme fala do personagem Bobby em dois momentos da sua vida : em Los Angeles onde ele se apaixona pela secretária do seu tio; e em New York trabalhando num clube nocturno frequentado pela alta sociedade. Como a fita é realizada pelo excelente director Woody Allen espera-se que o filme tenha belíssimas interpretações, um bom uso das cores, um sentido cómico muito apurado, diálogos irónicos e rápidos, belas composições visuais e um jogo de camara muito clássico e característico dele. Logo na primeira sequência onde decorre uma festa, dá para notar isso, ou seja, a maneira muito peculiar de filmar de Woody Allen, que obtém aqui um plano em que a camara parte de um canto da piscina e “levita” pelo lado lateral, indo ao encontro dos convidados que estão numa mesa inicial. Isso também é perfeitamente visível numa excelente sequência na praia, onde a camara está parada à entrada de uma gruta e o director joga apenas com os actores e seus respectivos movimentos, possivelmente as melhores cenas do filme. E o que dizer daquela sequência que decorre numa casa nocturna onde está uma mulher a cantar em que a camara percorre o espaço e depois filma circularmente alguns convidados, estas são apenas três provas que se podem encontrar neste filme que demonstram a mestria do realizador na arte de filmar. A fotografia é outro ponto de referência neste filme, fizeram um excelente uso da cor, dando em pleno o aspecto visual daquela época. A recriação de época está impecável, com principal destaque para os espaços, cenários e principalmente para a cor. 

No entanto, o filme tem vários clichés e evocações a produções passadas do realizador muito superiores a esta. Lamentável é também o facto do realizador usar as mesmas técnicas usadas em filmes anteriores, como por exemplo, estar a narrar os acontecimentos, ou seja, ele peca por contar, quando devia mostrar. A fita fala-nos de um triângulo amoroso não muito original mas divertido, mas pareceu que faltou uma conclusão para isso. Surgem sub-histórias que em nada contribuem para o núcleo central da trama, sendo a narrativa e o argumento os pontos mais fracos do filme. Jesse Eisenberg está muito bem no seu papel, parece quase uma imitação do próprio Woody Allen, com todo o seu estilo, tiques e maneirismos. Kristen Stewart evolui bem na sua personagem, mas é um pouquinho abafada por Blake Lively, que tem uma prestação muito boa. Steve Carell dá um vilão compreensível e nada detestável, cujas más atitudes se percebem. Por último, Parker Posey e Corey Stoll dão boas interpretações de apoio, mesmo que a história deles pareça pertencer a outro filme. Em resumo, Woody Allen consegue assim mais um bom filme, mas muito longe da qualidade dos seus melhores trabalhos cinematográficos, grande parte deles dos anos 70, 80 e 90. É um bom filme, mas peca por ser mais do mesmo, tudo porque o realizador recusa-se a sair da sua zona de conforto. Um último reparo, gosto muito de grande parte dos filmes do realizador e também o aprecio enquanto pessoa, Woody Allen é uma figura única. 

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