sexta-feira, 22 de julho de 2016

Evolution

Nome do Filme : “Evolution”
Titulo Inglês : “Evolution”
Titulo Português : “Evolução”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Lucile Hadzihalilovic
Elenco : Max Brebant, Roxane Duran, Julie Marie Parmentier, Mathieu Goldfeld, Nissim Renard, Pablo Noe Etienne, Nathalie Legosles, Chantal Aimee, Silvia Ferre, Laura Ballesteros, Eric Batlle, Anna Broock, Annie Enganalim.

História : Nicolas, de 10 anos, vive numa ilha isolada com a mãe, numa aldeia em que só existem mulheres e rapazinhos. Todos os rapazes fazem estranhos tratamentos médicos num hospital à beira mar. Só Nicolas se pergunta o que está a acontecer. Ele sente que a mãe lhe mente e está decidido a saber o que ela faz na praia todas as noites, com as outras mulheres. As suas descobertas marcam o início de um pesadelo para o qual ele é irremediavelmente atraído. Mas Stella, uma das jovens enfermeiras do hospital, revela-se uma aliada inesperada.

Comentário : Mais um filme bastante estranho que vi, este ainda mais estranho do que “Take Me To The River”. Imaginem rapazinhos de 10 anos a gerarem bebés dentro deles, pois é, não queria revelar assim o que se passa, mas é praticamente impossível comentar este estranho filme sem usar spoilers. A realizadora tem um gosto particular por mundos à parte, num filme anterior seu (Inocência), apresentou-nos a um mundo de meninas que viviam numa floresta governada por mulheres, num mundo muito próprio. Agora, troca apenas as meninas pelos meninos e adiciona um pouco de terror. No papel de menino protagonista, Max Brebant vai muito bem, mas os méritos no que à representação dizem respeito vão todos para a atriz Roxane Duran, a enfermeira amiga de Nicolas. O filme é muito escuro, quase toda a fita decorre em ambientes escuros e com pouca luz, a fotografia é amadora. Mas, no geral, a realizadora fez um bom trabalho. O filme peca no aspecto de nos facultar poucas explicações e poucas respostas, eu gostava de ter ficado a saber o que raio se passava naquela ilha. É tudo muito misterioso e silencioso. Gostei do final do filme. Trata-se apenas de um filme razoável, mas carente de explicações e respostas. Gostei, mas esperava ter ficado elucidado.

Bridgend

Nome do Filme : “Bridgend”
Titulo Inglês : “A Bridgend Story”
Ano : 2015
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Jeppe Ronde
Elenco : Hannah Murray, Josh O'Connor, Patricia Potter, Adrian Rawlins, Nia Roberts, Elinor Crawley, Steven Waddington, Scott Arthur, Aled Llyr Thomas, Jamie Burch, Natasha Denby, Leona Vaughan, Liam Dascombe, Josh Green, Madeline Adams.

História : Setenta e nove suicídios misteriosos, a maior parte entre adolescentes, aconteceram em Bridgend County, uma pequena província de mineração de carvão no País de Gales, entre 2007 e 2012. Sara está se mudando para a área com o seu pai, Dave. Enquanto ela se apaixona por um jovem da região, seu pai tenta parar essa série de mortes.

Comentário : Filme baseado em factos verídicos foi este “Bridgend” que eu vi na madrugada passada. Gostei, mas o filme peca por ter um final inverossímil. Claramente que o foco do filme é a delinquência juvenil que leva quase sempre a atitudes extremistas. Pessoalmente, nunca esperei que a personagem principal (Sara) terminasse daquela maneira, achei mesmo lamentável e ridículo. Aliás, o grande problema deste filme é que tudo acontece muito rápido demais. Por exemplo, a protagonista chega à localidade num dia e, no dia seguinte, já está totalmente amiga do grupo de jovens e participa nas anormalidades deles. E o pior é que o argumento nos fez crer que Sara era uma rapariga calma e ponderada, que apenas pretendia iniciar uma nova vida com o seu pai, longe de chatices e problemas de maior. O argumento é uma bolinha de queijo cheia de buracos. Algumas atitudes dos personagens não batem certo com aquilo que deviam fazer. Mas nem tudo é mau. Gostei da banda sonora (hipnotizante), da fotografia e das prestações de grande parte do elenco, com maior destaque para a linda Hannah Murray (foto em baixo). No final, as respostas foram poucas, mas eu entendi o básico. Um último reparo, o cão e o cavalo são lindos. Gostei do filme, mas esperava muito mais, seguramente. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

The Farewell Party

Nome do Filme : “Mita Tova”
Titulo Inglês : “The Farewell Party”
Titulo Português : “A Festa de Despedida”
Ano : 2014
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Tal Granit/Sharon Maymon
Elenco : Levana Finkelstein, Ze'ev Revach, Aliza Rosen, Ilan Dar, Raffi Tavor, Yosef Carmon, Hilla Sarjon, Ruth Geller, Michael Koresh, Idit Teperson, Shmuel Wolf, Hanna Rieber, Hezi Saddik, Ruth Farhi, Aviva Paz, Mia Katan.

História : Um grupo de idosos israelitas arranjam uma máquina de praticar eutanásia para ajudar amigos em estado terminal.

Comentário : Possivelmente uma das mais importantes estreias cinematográficas desta semana e que curiosamente apenas estreia em três salas em todo o país, o que representa uma vergonha. O filme aborda o tema polémico e complexo da eutanásia, bem como o drama que certas pessoas vivem. O filme possui um toque de comédia, mas esta não surge muito acentuada, é mais humor negro. Esse mesmo humor não interfere diretamente com os assuntos em questão. Eu sou a favor da eutanásia, desde que o doente assim o queira, uma pessoa que está a sofrer devia ter o direito a optar pela morte, se assim o desejasse. Realizado a quatro mãos, o filme tem um elenco principal idoso e todos os atores desempenharam bem os seus papéis. O tema principal do filme é muito delicado, mas as coisas resultam, em parte devido a um argumento bem elaborado. É também uma fita muito triste e muito dramática, sem nunca apelar à lágrima, é uma obra muito humana. Confesso que não me importava se o filme durasse mais, apetecia-me ver muito mais desta história. Fiquei bastante comovido com este filme. Um último reparo, as cenas com o polícia eram completamente desnecessárias. Bom filme.

La Belle Saison

Nome do Filme : “La Belle Saison”
Titulo Inglês : “Summertime”
Ano : 2015
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Catherine Corsini
Elenco : Cecile De France, Izia Higelin, Loulou Hanssen, Noemie Lvovsky, Jean Henri Compere, Kevin Azais, Benjamin Bellecour, Laetitia Dosch, Sarah Suco, Calypso Valois, Natalie Beder, Antonia Buresi, Julie Lesgages, Bruno Podalydes.

História : Duas mulheres, Carole e Delphine, conhecem-se e se apaixonam, iniciando assim uma história de amor.

Comentário : Antes de mais quero dizer que gosto muito de filmes e de histórias de “amores proibidos” e gosto especialmente de filmes que falem de lésbicas. Adorei o filme “A Vida de Adele”, o meu filme preferido do género. Mas este filme não aborda somente questões sobre relações entre pessoas do mesmo sexo. Este filme decorre na década de 1970 e aborda também a luta das mulheres pelos seus direitos, elas lutam para terem os mesmos direitos que os homens. Cecile De France e Izia Higelin entregaram-se totalmente aos seus papéis e obtiveram poderosas prestações. As melhores cenas do filme foram algumas em que Carole está com Monique, a mãe da sua companheira amorosa. A realizadora conseguiu ainda o feito de não banalizar o sexo no seu filme, as cenas nunca são gratuitas como na maioria dos filmes do género, aqui essas cenas servem a história e têm profundidade, embora eu retirasse, por exemplo, aquela sequência em que elas se amam no mato. Na minha opinião e pelo que vi, Izia Higelin possui um corpo mais bonito do que o corpo da sua colega, estou a falar para meu gosto pessoal. Gostei imenso daquela cena na estação dos comboios, triste, mas ao mesmo tempo, bela e cheia de simbolismo. Penso igualmente que o filme funciona como uma ode ao amor. Gostei.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

The Conjuring 2

Nome do Filme : “The Conjuring 2”
Titulo Inglês : “The Conjuring 2”
Titulo Original : “The Conjuring 2 : The Enfield Poltergeist”
Titulo Português : “The Conjuring 2 – A Evocação”
Ano : 2016
Duração : 135 minutos
Género : Terror
Realização : James Wan
Produção : James Wan
Elenco : Patrick Wilson, Vera Farmiga, Sterling Jerins, Madison Wolfe, Frances O'Connor, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Simon McBurney, Franka Potente, Maria Doyle Kennedy, Bob Adrian.

História : Quando uma mãe solteira de quatro filhos se depara com acontecimentos estranhos e inexplicáveis dentro da sua própria casa, o casal Ed Warren e Lorraine Warren viajam, para o local, determinados a saber o que se passa e tentar afastar os espíritos malignos da casa daquela família.

Comentário : Antes de mais tenho que dizer que já vi o primeiro filme e o seu respetivo comentário já se encontra escrito neste espaço, gostei bastante da primeira entrega. Acabei agora mesmo de ver o segundo e confesso ter gostado igualmente, do mesmo modo claramente, embora tenha que discordar da maioria das opiniões, pessoalmente, não achei este filme melhor que o primeiro, simplesmente, achei que os dois estão ao mesmo nível. Depois de se ter aventurado pelos caminhos da alta cilindrada do cinema comercial (Furious Seven), o realizador James Wan regressa assim (e ainda bem) ao seu prato favorito, o horror. E consegue provar que ainda sabe fazer tudo direitinho. Tal como aconteceu no primeiro filme, aqui apanhei igualmente alguns sustos. As interpretações são muito boas, nomeadamente as prestações dos atores Patrick Wilson, Vera Farmiga e da jovem Madison Wolfe. Não fiquei satisfeito com o facto do casal não ter levado a filha de ambos com eles, sempre podia ter gerado outros desenvolvimentos. 

Como aspectos negativos, tenho que frisar que o filme demora imenso a arrancar, ou seja, o realizador perde imenso tempo a nos apresentar a família da miúda possuída, bem como a história da jovem. Apesar do argumento estar bem escrito, tal como sucedeu com o primeiro, notei algumas falhas ou erros. Aquela sequência que decorre na cave da casa na primeira vez que Ed desce lá a baixo para tentar concertar o cano está muito previsível. Antes das coisas acontecerem, eu já havia previsto que alguma coisa de assustador se iria passar ali, mas não contava que fosse tão ridículo. Confesso que esperava que alguém importante à trama tivesse morte certa, o que não se veio a verificar, penso que uma morte sempre ajudava a tornar tudo mais assustador e dava mais veracidade à história. Mas não quero especular sobre isso, afinal, tanto o primeiro quanto este segundo filme são baseados em acontecimentos verídicos. E a boneca Annabelle aparece num cameo, numa das últimas cenas do filme. Repito, gostei bastante deste segundo filme, mas o problema é que já havia gostado da mesma forma do primeiro, o que parece ter sido mais do mesmo. Mas que não haja dúvidas que estamos perante dois excelentes filmes de terror. 

Take Me To The River

Nome do Filme : “Take Me To The River”
Titulo Inglês : “Take Me To The River”
Ano : 2015
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Sobel
Produção : Matt Sobel
Elenco : Logan Miller, Ursula Parker, Robin Weigert, Azura Skye, Ashley Gerasimovich, Josh Hamilton, Richard Schiff, Elizabeth Franz, Seth Young, Amy Hostetler,

História : Um rapaz é suspeito de ter abusado sexualmente de uma prima menor de idade.

Comentário : Cá está um dos filmes mais estranhos que já vi. Confesso que não percebi algumas coisas e não entendi algumas atitudes de certas personagens. Também não captei qual foi a mensagem que o realizador pretendeu passar com este seu filme independente. Trata-se de um estranho drama familiar que não nos dá respostas, pelo contrário, deixa-nos sempre com dúvidas. Temos bonitas paisagens, quando um filme se passa no campo, é sempre uma mais valia, é sempre melhor. Temos também uma boa fotografia. A nível das interpretações, Logan Miller esteve muito bem no seu papel, de rapaz sob quem caem todas as culpas, mas por breves momentos. No papel de sua mãe, Robin Weigert teve uma personagem forte e a desempenhou muito bem. A fazer de prima do protagonista, a pequena Ursula Parker surpreendeu pela positiva, que excelente prestação e ela monta muito bem a cavalo.

Mas é como disse, fiquei sem perceber o que se passou no celeiro, não entendo como, havendo as desconfianças que se instalaram, um pai permite que o suspeito regresse a casa e fique sozinho no quarto com a filha pequena. Acho que tudo sucedeu muito rápido, por exemplo, numa tarde dá-se o suposto abuso da miúda e na manhã seguinte, o pai da criança já está a convidar o “abusador” para ir lá a casa comer com eles e privar com a pequena. Também não entendi a parte da pistola. Felizmente, percebi o que se passou numa cena entre os dois no rio, mas que o protagonista não entendeu nada, eu pelo menos fiquei com a impressão de que ele não percebeu o que a miúda fez em quanto estava às suas cavalitas no pescoço. Volto a dizer, o filme é mesmo muito estranho – a própria personagem da miúda – Molly é muito precoce para a idade e isso percebe-se pela forma como ela age com todos. Adorei a cena dos dois andarem a cavalo e toda a sequência deles no rio e na areia foram as melhores cenas do filme. Não gosto daquele tipo de filmes todos muito bem explicados, mas confesso que umas informações a mais nesta obra, não fariam mal a ninguém. Gostei do filme, mas lamento não ter percebido grande parte das coisas e muito menos qual a mensagem que Matt Sobel quis passar com isto. 

sábado, 9 de julho de 2016

La Religieuse

Nome do Filme : “La Religieuse”
Titulo Inglês : “The Nun”
Titulo Português : “A Religiosa”
Ano : 2013
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Guillaume Nicloux
Elenco : Pauline Etienne, Isabelle Huppert, Martina Gedeck, Louise Bourgoin, Alice de Lencquesaing, Françoise Lebrun, Agathe Bonitzer, Gilles Cohen, Marc Barbe, Fabrizio Rongione, Lou Castel, François Negret, Nicolas Jouhet, Pierre Nisse, Garance Clavel, Jean Yves Dupuis, Heloise Jadoul, Gaeline Kalis, Sandra Squillace, Lisa Lacroix, Stephane Bissot, Alexia Depicker, Patricia Steinam, Carolina Reichel, Jasmin Sille.

História : No século XVII, a jovem Suzanne sonha em ter uma vida livre, mas seus pais têm outros planos para ela, colocá-la num convento. Embora resista, ela é forçada a seguir a preparação para a vida religiosa.

Comentário : Esta noite tive a sorte de ver este filme francês que gostei bastante. Trata-se de um filme de época realizado por Guillaume Nicloux que aborda certas condutas que aconteceram na Igreja, espera-se sinceramente que estas coisas já não se passem na actualidade. O filme atinge alguns momentos de violência no momento em que Suzanne fica às ordens da sua segunda Madre Superiora. De facto, a jovem sofre imenso e é tratada de forma desumana. Mas é salva a tempo. Confesso que Isabelle Huppert entra tarde na fita, passaram cerca de 73 minutos quando ela entra em cena, no papel de uma Madre Superiora muito amável, mas com uma tendência um pouco invulgar para uma freira que alcançou tal patamar na hierarquia religiosa. A jovem Pauline Etienne teve uma excelente prestação, tal como Isabelle Huppert. Confesso não ter visto a versão de 1966 do famoso cineasta Jacques Rivette, mas tenciono vê-la assim que tiver a oportunidade. Quanto a esta nova versão, tenho que dizer que não a acho tão má como a crítica a faz parecer ser, pessoalmente, gostei bastante deste filme.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

The Innocents

Nome do Filme : “Les Innocentes”
Titulo Inglês : “The Innocents”
Titulo Português : “As Inocentes”
Ano : 2016
Duração : 116 minutos
Género : Drama
Realização : Anne Fontaine
Elenco : Lou de Laage, Agata Buzek, Agata Kulesza, Joanna Kulig, Eliza Rycembel, Katarzyna Dabrowska, Anna Prochniak, Helena Sujecka, Mira Maluszinska, Dorota Kuduk, Klara Bielawka, Joanna Fertacz, Karolina Zielen, Ewa Trzewicarz, Malgorzata Paprocka, Marta Mazurek, Iwona Dombeck Rybczynska, Dorota Zielinska, Aldona Jankowska, Barbara Sienkiewicz, Magdalena Gnatowska, Danuta Borsuk, Ewa Paluska, Katarzyna Skolimowska, Maria Szadkowska, Hanna Wolicka, Anna Korzeniecka, Irena Telesz Burczyk, Weronika Humaj, Delfina Wilkonska, Vincent Macaigne.

História : Na Polónia de 1945, uma jovem médica francesa é enviada para ajudar os sobreviventes dos campos alemães, acabando por descobrir num convento, freiras em avançado estado de gravidez.

Comentário : Esta noite vi esta fita que, além de ser uma co-produção entre a França e a Polónia, é igualmente a melhor longa-metragem da realizadora Anne Fontaine até à data. O filme em causa é baseado numa história verdadeira que aconteceu nos tempos da guerra na Polónia. Lou de Laage (a atriz de Breathe e The Wait) é Mathilde Beaulieu, uma jovem médica que é chamada acidentalmente por uma freira a um convento e descobre uma verdade que não é assim tão terrível, mas o é para quem comanda e gere aquele local. A bonita atriz tem a melhor prestação da fita, confesso que gostei imenso da sua Mathilde. A sua personagem acaba por ganhar a simpatia das freiras e até as ajuda, tornando-se numa espécie de visitante assídua do local. Em outros papéis, também eles importantes mas em lados opostos da barricada, encontramos Agata Buzek no papel de uma freira chamada Maria que abraça o lado do bem; e da outra “trincheira” temos Agata Kulesza, que desempenha a Madre Superiora, uma personagem que é uma fanática pela religião, disposta a cometer actos condenáveis em nome de um Deus que acredita cegamente, ela gere aquele convento com pulso de ferro. Estas três atrizes que indiquei e as suas personagens são os principais alicerces do filme. A isso, juntamos bonitas paisagens de exteriores (a floresta), um bom argumento e uma cuidada fotografia e temos assim um excelente filme. O filme acaba por ser uma triste, difícil, mas ainda assim bonita homenagem à maternidade. Adorei este filme.

Juliette

Nome do Filme : “Juliette”
Titulo Inglês : “Juliette”
Titulo Português : “Juliette”
Ano : 2013
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Pierre Godeau
Elenco : Astrid Berges Frisbey, Carla Zenou, Elodie Bouchez, Feodor Atkine, Yannik Landrein, Roman Kolinka, Sebastien Houbani, Nina Meurisse, Manu Payet, Abel Jafri.

História : Uma bonita adolescente vê-se prestes a entrar na vida adulta.

Comentário : Vi este filme francês que aborda a adolescência, enquanto fase mais complicada do ser humano, embora neste caso, a protagonista até nem seja problemática, como estamos habituados a ver neste tipo de filmes. Juliette é uma bonita rapariga que começou cedo a sua vida sexual, tem que lidar com a doença do pai e está a escrever um livro que conta a história de uma menina pequena. Além de tudo isto, ela tem ainda que lidar com o amor ou falta dele, e com os problemas do quotidiano, bem como com as suas amigas. A linda atriz Astrid Berges Frisbey (El Sexo De Los Angeles) possui neste pequeno filme independente uma excelente interpretação, na verdade, a prestação da jovem é a alma da longa-metragem. A seu lado, ela contou com um bom grupo de secundários que fizeram muito bem o seu trabalho. Gostei da banda sonora e da fotografia, já o argumento, penso que podia ter sido um pouquinho mais dramático, adicionando mais complicações à vida da protagonista. Claramente que quero com isto dizer que o filme é muito simples, limita-se a mostrar a vida de uma jovem como qualquer outra, típica dos dias que correm, pelo menos no Ocidente. Gostei bastante deste filme, mas confesso que esperava algo mais drástico, mas dramático.

Nahid

Nome do Filme : “Nahid”
Titulo Inglês : “Nahid”
Ano : 2015
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Ida Panahandeh
Elenco : Sareh Bayat, Nasrin Babaei, Pejman Bazeghi, Milad Hosseinpour, Navid Mohammadzadeh, Pouria Rahimi.

História : Nahid é uma jovem que nasceu e vive no Irão, onde foi casada. Actualmente, ela acaba de se divorciar mas, segundo as leis do seu país conservador, as crianças ficam sempre à guarda do pai. Apesar de ter tido a sorte do marido lhe consentir o divórcio, Nahid consegue também que ele lhe entregue o filho de dez anos de ambos, com a condição dela nunca mais se voltar a casar ou envolver-se com outro homem. No entanto, algum tempo depois, Nahid vê o pior acontecer ao voltar a apaixonar-se, podendo assim o menino regressar às mãos do pai.

Comentário : Trata-se do primeiro filme iraniano a abordar a questão das mulheres divorciadas e a refletir sobre o direito à guarda dos filhos. O filme fala de temas polémicos, assuntos que para uns países funcionam de uma forma conservadora e por vezes estranha, enquanto que no Ocidente as coisas são bem diferentes. E ambos os lados não se compreendem. Trata-se da primeira longa-metragem desta jovem realizadora, ela teve imensa coragem em trazer ao seu filme este tipo de assuntos, aposto que deve ter ficado mal vista por quem manda e define as regras no seu país conservador. A narrativa é um pouco repetitiva, ou seja, existem cenas que são parecidas em alguns momentos durante os cem minutos de projeção, para não dizer que se repetem.

O filme segue a um ritmo parado, mas isso para mim até nem foi mau. Gosto de filmes parados. A cineasta dá-nos a conhecer uma cidade muito cinzenta e fria, com o céu quase sempre nublado e onde as casas e prédios são banais. Tenho que frisar a excelente interpretação da atriz Sareh Bayat, a nossa protagonista, ela facultou-nos uma personagem bastante forte. É um filme que se vê bem. Como pontos negativos, temos um argumento com algumas falhas, por exemplo, não se entende como é que a protagonista, que anda quase sempre com falta de dinheiro, dá-se a alguns luxos ou despesas várias. Ou ainda, certas atitudes das personagens secundárias, algumas, não se compreendem. No geral, estamos perante um filme muito bom, confesso ter gostado bastante de o acompanhar ao longo dos cem minutos de imagens, é uma fita com uma história que dá que pensar. Mostra como, em certos países, funcionam as coisas para as mulheres, para as crianças e para as classes desfavorecidas. É a estes cineastas que se deve dar o devido valor.

Chevalier

Nome do Filme : “Chevalier”
Titulo Inglês : “Chevalier”
Titulo Português : “Chevalier”
Ano : 2015
Duração : 106 minutos
Género : Aventura
Realização : Athina Rachel Tsangari
Elenco : Panos Koronis, Vangelis Mourikis, Makis Papadimitriou, Yorgos Pirpassopoulos, Sakis Rouvas, Nikos Orphanos, Kostas Filippoglou, Giannis Drakopoulos, Yiorgos Kendros.

História : Seis homens encontram-se num iate, numa aventura piscatória no mar Egeu. Para matar o tédio, decidem iniciar um jogo onde vão competir entre si em muitas áreas. Aqui qualquer comparação é válida e tudo o que de mais trivial possam executar durante a viagem será transformado em pontos que serão acumulados ou subtraídos. No final, quando o concurso estiver terminado e eles forem escrutinados, apenas um sairá vencedor e ostentará orgulhosamente, um anel com um carimbo de cavalheiro. A pressão que cada um sente em tornar-se vencedor vai levá-los ao limite.

Comentário : Sinceramente não se percebe porque motivo este filme estreou apenas no Cinema Ideal e em dois únicos horários (duas sessões por dia), enquanto que filmes pertencentes ao chamado cinema comercial – e aqui, pode-se pegar no exemplo do novo filme de Steven Spielberg ou no novo filme sobre o Tarzan entre outros blockbusters – estreiam em várias salas por todo o país e em vários horários. Podemos apontar para o motivo ser por questões meramente lucrativas, claramente que um filme como este “Chevalier” vai passar despercebido por quase todos, somente quem frequenta o tal Cinema Ideal ou quem lê a imprensa na secção do cinema dará por ele. E é lamentável que assim seja, mas esta triste situação acontece todas as semanas com imensos filmes do género que são “pisados” pelos “grandes filmes”, não só pela tal questão que quase todos nesta área ganham dinheiro com isso, mas devido também ao facto da maioria dos portugueses não saber o que é o verdadeiro cinema e preferir cinema-pipoca do que cinema para pensar.

O novo filme da realizadora grega Athina Rachel Tsangari (Attenberg) funciona como uma espécie de humilhação dos homens, como que querer chamá-los de mais infantis ou mais estúpidos do que as mulheres. É como alimentar aquele velho ditado não português que diz “elas são melhores que eles em quase tudo, menos na força bruta”. Claramente que este tipo de conclusão sobre o filme não é da minha autoria, mas sim de um crítico de cinema inglês. Mas talvez não estejamos tão longe da verdade, no filme, vemos os homens competirem para ver quem é melhor em determinadas áreas, sendo a mais ridícula, aquela em que eles medem o tamanho do pénis! Mas existem mais provas ridículas neste estúpido jogo e a cineasta filma tudo de forma panorâmica, de modo a que os seis homens apareçam juntos quase sempre dentro dos planos. Basicamente, temos aqui um filme concebido por uma mulher que o fez para humilhar os homens enquanto seres humanos. Trata-se do olhar irónico sobre a vaidade, a estupidez e a competição masculinas, num filme que tem também um humor deliciosamente negro.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Valley Of Love

Nome do Filme : “Valley Of Love”
Titulo Inglês : “Valley Of Love”
Ano : 2015
Duração : 92 minutos
Género : Drama
Realização : Guillaume Nicloux
Elenco : Isabelle Huppert, Gerard Depardieu.

História : Um antigo casal, Isabelle e Gerard, não se encontram há anos e recebem uma carta do filho morto, que os leva até à Califórnia, onde eles tentam apurar o que realmente se passa.

Comentário : Se ignorarmos a sinopse do filme que, sejamos sinceros, é ridícula, e nos deixarmos levar pelos noventa minutos de duração da fita, corremos o risco de gostar deste filme. Digo isto porque, na minha opinião, o filme não tem uma história consistente. É Gerard Depardieu e Isabelle Huppert a serem eles mesmos, mas com uma história tonta pelo caminho. O que mais gostei neste filme foi do evoluir das personagens, que são somente duas. Gostei especialmente de os ver a contracenar juntos. Ao longo do filme, acompanhamos as conversas e as situações em que eles se envolvem, algumas interessantes, outras nem por isso.

O realizador leva-nos aos poucos a conhecer o passado daquele casal, bem como as suas vidas individualmente. Mais uma vez, Isabelle Huppert e Gerard Depardieu estão excelentes. As paisagens são bonitas e o filme também tem muito de road-movie, visto que o casal faz uma viagem morosa. Algumas coisas não são explicadas, mas confesso que também não carecemos dessas explicações, temos unicamente que nos deixar levar pelo rumo dos acontecimentos e pelas coisas que vão sucedendo aos dois protagonistas. Se fizermos isso, sairemos satisfeitos da sala de cinema. Se tentarmos procurarmos uma lógica para o que acabamos de ver, a desilusão será grande. Eu gostei.

The Shallows

Nome do Filme : “The Shallows”
Titulo Inglês : “The Shallows”
Titulo Português : “Águas Perigosas”
Ano : 2016
Duração : 86 minutos
Género : Drama/Thriller/Terror
Realização : Jaume Collet Serra
Elenco : Blake Lively, Oscar Jaenada, Sedona Legge, Brett Cullen, Pablo Calva.

História : Uma jovem médica está a lidar com a perda recente da mãe. Seguindo uma dica sua, ela vai surfar numa paradisíaca praia isolada, onde acaba sendo atacada por um tubarão. Desesperada e ferida, ela consegue se proteger num recife de corais, mas precisa encontrar logo uma maneira de sair da água pois a maré vai subir.

Comentário : Fiquei surpreso com este pequeno filme de terror. Confesso que nunca fui muito adepto da atriz Blake Lively, mas gostei de a ver neste filme, ela é a alma da fita. O realizador de “Orphan” fez assim um filme razoável, estou a falar a sério, não é um mau filme, é uma obra razoável. Tem erros, é verdade, por exemplo, a sequência do fogo na água que põe o tubarão a arder, e o animal não sofre nenhum dano ou ainda a protagonista nunca se queixa dos ferimentos provocados pelos tentáculos da medusa a partir do momento em que chega à bóia. Sou capaz de me esquecer de outro erro, mas nada disto chega para estragar o filme, e muito menos o enorme prazer para mim que foi assisti-lo. Em alguns momentos, eu quase senti o drama da personagem principal, algumas cenas foram mesmo aflitivas. Tinha alturas em que o tubarão parecia bem real. Quem esteve atento deve ter reparado que nunca nos é dito qual é o nome daquela praia. Gostei muito daquela gaivota, a cena em que a protagonista lhe cura a asa e é mordida pela ave está brutal. Reparei que a “irmã” de Nancy (Chloe) é muito bonita, tinha uma cor de olhos linda. A mim, o filme me convenceu, gostei.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

An

Nome do Filme : “An”
Titulo Inglês : “Sweet Bean”
Titulo Português : “Uma Pastelaria em Tóquio”
Ano : 2015
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Naomi Kawase
Elenco : Kirin Kiki, Kyara Uchida, Masatoshi Nagase, Miki Mizuno, Miu Takeuchi, Saki Takahashi, Yurie Murata, Wakato Kanematsu, Etsuko Ichihara.

História : Sentaro gere uma pequena pastelaria de dorayakis, uma especialidade japonesa que consiste em duas panquecas recheadas com doce de feijão. Quando Tokue, uma senhora com cerca de 75 anos, se oferece para trabalhar na pastelaria de Sentaro, ele aceita com relutância. No entanto, Tokue rapidamente prova que a sua receita daquela iguaria é mágica. Graças à sua receita secreta, o negócio de Sentaro floresce rapidamente. Com o tempo, Sentaro e Tokue assistem ao desenvolver da amizade de ambos, revelando também algumas feridas dos seus respectivos passados.

Comentário : E depois do bom “Still The Water”, a realizadora surge-nos com este “An” ou “Sweet Bean”. Os dois títulos, apesar de estarem em idiomas diferentes, querem dizer praticamente o mesmo. Confesso ter adorado este filme, o argumento é muito simples, mas trabalha temas como a amizade, a gratidão, o trabalho árduo, a compreensão, a tolerância, a compaixão e os sentimentos humanos. A realizadora acertou novamente, concebeu um filme completo e com uma história que tem tanto de ternurento quanto de dramático. No papel principal masculino, Masatoshi Nagase possui uma excelente interpretação, tal como a veterana Kirin Kiki, uma verdadeira senhora, penso nunca a ter visto em filmes, mas deve ser uma grande atriz no Japão, o país donde esta fita é originária.

Apesar do filme ser possuidor de um ritmo bastante lento, eu segui-o muito bem, estava sempre curioso para ver o que iria acontecer a seguir. Ainda sobre as prestações, a empatia entre o patrão e a empregada idosa resultou muito bem, seja como atores, seja enquanto personagens. Uma última palavra para a linda jovem atriz Kyara Uchida, aqui no papel da independente Wakana, a miúda representou muito bem o seu papel. Ela e a sua personagem foram tão importantes para o filme, quanto o “casal” de protagonistas. Este trio e as suas interpretações fizeram o filme. Depois, tudo o resto ajudou. Temos lindas paisagens e locais, uma cuidada banda sonora e um corpo de secundários que fez o necessário. A Natureza tem também um importante destaque no filme. Se o meu querido Cinema King ainda estivesse aberto, de certeza que este filme ia estrear numa das suas três salas. Pessoalmente, eu adorei este filme oriundo do Japão. Isto é cinema.

Francofonia

Nome do Filme : “Francofonia”
Titulo Inglês : “Francofonia”
Titulo Português : “Francofonia”
Ano : 2015
Duração : 89 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Aleksandr Sokurov
Elenco : Louis Do De Lencquesaing, Benjamin Utzerath, Vincent Nemeth, Johanna Korthals Altes, Catherine Limbert, Andrey Chelpanov, Jean Claude Caer.

História : Na cidade de Paris de 1940, dois homens em lados opostos – Jacques Jaujard, director do Louvre, e o comandante Franz Wolff Metternich, chefe da comissão alemã para a protecção das obras de arte em França – aliam-se para preservar os tesouros do museu.

Comentário : Muito diferente do tipo de filmes que nos está acostumado a facultar, Aleksandr Sokurov surge agora com este seu novo filme, uma obra histórica, fazendo uma reflexão sobre a relação entre a arte, o poder e a cultura. No fundo, é isto que este pequeno grande filme nos oferece. Para ser sincero, confesso que este tipo de filmes não fazem o meu género, isto assemelha-se mais a um documentário do que a uma obra de ficção. O realizador montou o seu filme através de imagens de arquivo reais de época, imagens gravadas actualmente com atores actuais e com umas pouquinhas cenas que se inserem um tanto fora da história, estou a falar daqueles momentos em que surgem a olhar para os monitores numa espécie de sala. Admito que o filme está bem feito, as montagens têm a sua credibilidade e estão bastante certas, fazem sentido. A tecnologia aplicada à sétima arte de hoje também deu o seu forte contributo e as coisas resultaram bem. Estamos perante um filme de uma grande profundidade filosófica. Admito tudo isto e até posso afirmar que o filme é bom, mas, como já disse, durante os oitenta e poucos minutos, nunca me senti penetrado na fita, não é o meu tipo de filme. Um último reparo, duvido que o filme tenha saída para a semana quando estrear pela Medeia Filmes, duvido realmente que a maioria das pessoas perceba o filme ou sequer goste, mas isso é apenas a minha humilde opinião. Um bom filme, mas é unicamente para um público muito restrito.

Things To Come

Nome do Filme : “L'Avenir”
Titulo Inglês : “Things To Come”
Titulo Português : “O Que Está Por Vir”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Mia Hansen Love
Elenco : Isabelle Huppert, Andre Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob, Sarah Picard, Solal Forte, Elise Lhomeau, Lionel Dray, Gregoire Montana, Lina Benzerti, Yves Heck, Rachel Arditi, Linus Westheuser, Clemens Melzer, Joachim Cohen, Anouk Buron, Elie Wajeman, Heloise Dugas, Larissa Guist.

História : Nathalie é professora de filosofia num instituto de Paris, onde vive com o marido e os dois filhos. A sua grande paixão é o ensino, ajudando cada um dos seus alunos a pensar e a encontrar o seu lugar no mundo. Tudo lhe parece perfeito até ao dia em que o marido lhe pede o divórcio. Apesar do inevitável choque inicial, ela percebe que este pode ser o momento por que tanto esperava. Com 55 anos e uma enorme vontade de se renovar, Nathalie aproveita aquela sensação de liberdade para recomeçar.

Comentário : Este filme assinala o encontro entre duas grandes mulheres : a excelente atriz Isabelle Huppert e a grande realizadora Mia Hansen Love. Aquilo que a realizadora nos propõe é acompanhar a crise de meia-idade de uma intelectual burguesa que acreditou que o futuro ia sempre estar ali ao alcance, e descobre que afinal não, e que não existe filosofia nem pensamento que ajude. E é essa a grande ferida em que a cineasta faz questão de meter o dedo e o faz da melhor maneira. Colocando de parte todo o elenco à excepção de Isabelle Huppert, esta última acaba por funcionar como a grande e única estrela da fita, o filme pertence-lhe. O restante elenco cumpre e bem os mínimos, sempre de forma cordata e afinada, pelo menos os mais importantes. Temos também direito a uma gata adorável.

O filme possui cenas engraçadas e outras bastante simbólicas e irónicas, por exemplo, as passagens em que Nathalie está com o marido. Para mim, este filme é um verdadeiro momento de cinema, é possivelmente o melhor dos cinco filmes de Mia Hansen Love, aquele em que ela atinge o seu auge, a partir daqui, ela pode pisar outros terrenos. As cenas estão muito bem filmadas, com aquele ar de cinema amador e caseiro, gosto imenso deste tipo de filmagem. A história é interessante, tudo graças a um argumento muito bem elaborado e finalizado. E temos a excelente Isabelle Huppert, uma atriz que consegue fazer com que a maioria das suas personagens pareçam mulheres normais, do quotidiano, assim é Nathalie. E quando uma atriz tem essa capacidade, então é porque tudo correu bem. Temos aqui cinema.

Two Friends

Nome do Filme : “Les Deux Amis”
Titulo Inglês : “Two Friends”
Titulo Português : “Os Dois Amigos”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Comédia Romântica/Drama
Realização : Louis Garrel
Elenco : Louis Garrel, Golshifteh Farahani, Vincent Macaigne, Mahaut Adam.

História : Clement é um actor desempregado que, para sobreviver, aceita trabalhos como figurante. Abel, o seu melhor amigo, é um escritor que também não se encontra no melhor momento da sua vida. Quando o primeiro se apaixona irremediavelmente por Mona, uma bela rapariga com um passado duvidoso, fica sem saber o que fazer para a conquistar. É então que decide ir pedir ajuda a Abel, cujo sucesso sobre o sexo oposto nunca o deixou ficar mal. Porém, sem que nenhum pudesse prever, entre os três surge uma estranha ligação que vai colocar em causa muito mais do que a amizade que os uniu até ali.

Comentário : A primeira longa-metragem de Louis Garrel enquanto realizador, co-escrita com Christophe Honore, não é assim tão má quanto alguns criticos andam por aí a apregoar. Embora ainda seja cedo demais para apurarmos se o homem é melhor numa função ou na outra, de uma coisa eu tenho a certeza, ele sempre foi para mim um bom ator. Foi como eu disse, não achei este filme mau, para mim, é uma obra razoável, onde é posta à prova a amizade de dois amigos e tudo, claro está, por causa de uma mulher. Na minha opinião, neste filme, Louis Garrel não tem tanto protagonismo. Neste caso, o protagonismo e o brilho voa mais para o lado de Vincent Macaigne, o ator que desempenha o seu amigo do titulo. Diria mesmo que Louis Garrel está igual a si próprio e igual ao que estamos habituados a ver ele fazer enquanto ator e personagem nos seus mais variados filmes. Mas aqui teve o azar de ter alguém mais justo para este tipo de argumento e de filme.

Talvez tivesse tão empenhado na cadeira de realizador e a filmar, que tenha falhado um pouquinho na parte da representação. Até na parte do humor, Vincent Macaigne lhe bate aos pontos. Temos portanto um bom Vincent Macaigne, um sempre igual Louis Garrel e, por último, temos a bonita Golshifteh Farahani, como atriz neste filme até teve um bom desempenho, mas podia ter dado mais de si. Como amigos, curiosamente, os dois funcionaram bem, seja como Louis Garrel e Vincent Macaigne, seja enquanto Clement e Abel e isso é o mais importante, a dupla resultou bem, principalmente no que à empatia diz respeito. Aliás, o filme resulta em parte devido à dupla protagonista. Louis Garrel não falhou como realizador, mas ainda tem imensa estrada para percorrer, diria que lhe falta fugir um pouco aos lugares comuns e espera-se mais e melhor em próximos trabalhos nesta sua recente função. Um filme razoável, nada mais.

Dear Eleanor

Nome do Filme : “Dear Eleanor”
Titulo Inglês : “Dear Eleanor”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Kevin Connolly
Elenco : Liana Liberato, Isabelle Fuhrman, Jessica Alba, Josh Lucas, Meggie Maddock, Patrick Schwarzenegger, Murray Wyatt Rundus, Ione Skye, Claire Van Der Boom, R. J. Wagner, Luke Wilson, Paul Johansson, Joel Courtney, Kellie Cage, Aimee Bell.

História : Ellie e Maxine são duas lindas e simpáticas adolescentes que, cheias de vida, têm imensos sonhos e objetivos. Um dia, as duas miúdas decidem fazer uma viagem de carro por toda a América com a intenção de encontrarem a grande Eleanor Roosevelt.

Comentário : Sou um grande admirador das jovens atrizes Liana Liberato (Trust) e Isabelle Fuhrman (Orphan), pelo que tento ver todos os filmes em que elas entram. À um ano, soube pela IMDB que Kevin Connoly ia juntar as duas num road-movie cuja ação decorre em 1962 e fiquei surpreendido e curioso. Esta tarde, finalmente consegui ver o filme e confesso ter gostado, embora tenha coisas que não me agradou. O filme peca pelo humor que algumas cenas abarcam e peca igualmente por algumas situações ridículas, por exemplo, o pai de Ellie e o rapaz seguirem-nas numa moto dupla por todo o país. A própria personagem de Jessica Alba, apesar de ter resultado, não condiz muito bem com o universo das duas miúdas e muito menos com aquilo que elas estão a viver. 

Como aspectos positivos, temos o excelente factor de se tratar de um bom road-movie e neste aspeto a coisa funcionou. Gostei do personagem do fugitivo que acompanha as meninas a maior parte da viagem, a relação que ele cria com elas é excelente. Adorei a sequência na prisão com ele a fazer-se passar por pai das miúdas e marido de Daisy. Liana Liberato e Isabelle Fuhrman, mais uma vez, tiveram boas interpretações e as duas funcionaram muito bem juntas, a empatia entre estas duas pequenas profissionais resultou na perfeição. Cabe às duas os melhores momentos da fita, como melhor cena eu apontava aquela em que elas fazem aquele número dançado para Daisy no quarto do motel. Diria que foi uma grande ideia juntar estas duas raparigas talentosas no mesmo filme, porque ambas fizeram um excelente trabalho, o filme resulta precisamente devido a elas. Em resumo, gostei deste filme inédito e lamento somente hoje ter conseguido vê-lo. 

Wondrous Boccaccio

Nome do Filme : “Maraviglioso Boccaccio”
Titulo Inglês : “Wondrous Boccaccio”
Titulo Português : “Maravilhoso Boccaccio”
Ano : 2015
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Paolo Taviani/Vittorio Taviani
Produção : Luigi Musini/Donatella Palermo
Elenco : Paola Cortellesi, Carolina Crescentini, Vittoria Puccini, Kasia Smutniak, Jasmine Trinca, Eugenia Costantini, Miriam Dalmazio, Melissa Bartolini, Camilla Diana, Beatrice Fedi, Ilaria Giachi, Barbara Giordano, Francesca Agostini, Sonia Cavallini, Valentina Belle, Maria Teresa Campus, Silvia Frasson, Cristina Liberati, Matilde Piana, Enrica Rosso, Irene Vannelli, Nina Zampagni, Rosabell Laurenti Sellers, Flavio Parenti, Michele Riondino, Kim Rossi Stuart, Riccardo Scamarcio, Josafat Vagni, Fabrizio Falco, Nicolo Diana, Sergio Albelli, Roberto Andrioli, Rocco Gregorio, Niccolo Bocci, Gianluca Vannucci, Lino Guanciale, Leonardo Santini.

História : Na Florença (Itália) de 1348, as cidades da Toscânia foram assoladas pela peste. Um grupo de jovens, raparigas e rapazes, abriga-se numa remota mansão nas colinas que rodeiam a cidade. Vivendo em comunidade, decidem contar uns aos outros uma história por dia, para afastar dos seus espíritos a precariedade da sua situação.

Comentário : Razoável filme de época este realizado pelos mesmos realizadores que nos deram o fabuloso “César Deve Morrer”. Detentor de um enorme elenco e de um excelente guarda roupa, este filme tem igualmente uma banda sonora notável. Tem uma boa história central, simples, mas boa e que se reparte por outras tramas. O filme aborda a fuga de vários jovens para o campo, com a intenção de escaparem à peste negra e, para passarem o tempo, contam histórias uns aos outros. O modo é simples, quando um jovem começa a contar a sua história, a ação passa para a suposta história, mudam os atores e funciona tudo como uma espécie de flashback, regressando depois à história original, à dos jovens. Pessoalmente, não gostei de nenhumas das histórias contadas, embora aquela que mais me tivesse interessado fosse aquela que foi contada pela menina mais bonita do grupo dos jovens, a história do homem e da sua ave. Gostei do filme porque o argumento inicial é algo forte e a intenção dos cineastas foi boa. Além disso, gostei das interpretações de todos. Este filme de época faz ver a muitos filmes americanos do género, ficou tudo muito organizado, tendo uma excelente recriação de época. Um último reparo, este filme estreia no nosso país para a semana, duvido que desperte grande interesse e duvido ainda mais que se aguente mais que uma semana em cartaz, é uma obra muito diferente daquilo que estamos habituados e deverá aborrecer a quem o ver. Eu gostei. 

Difret

Nome do Filme : “Difret”
Titulo Inglês : “Difret”
Ano : 2014
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Biográfico/Crime
Realização : Zeresenay Mehari
Produção : Zeresenay Mehari/Leelai Demoz/Mehret Mandefro/Angelina Jolie
Elenco : Tizita Hagere, Meron Getnet, Shitaye Abraha, Genene Alemu, Semahegn Alemu, Teferi Alemu, Deribwork Assefa, Haregewine Assefa, Hiwot Assefa, Yohannes Belay, Getachew Debalke, Kiya Kennha, Tesfaye Kinfe, Mekonen Laeake, Solomon Teka, Meaza Tekle, Girma Teshome, Rahel Teshome, Kal Thestome.

História : A luta de uma menina que desafia a tradição etíope, sobre o sequestro para forçar o casamento.

Comentário : Trata-se de cinema do mundo, neste caso é um filme feito na Etiópia e com produção, entre outros, de Angelina Jolie, alguém que dedica muito e contribui imenso para estas causas. O filme não é só baseado na história real de Hirut Assefa, mas também em centenas de outras meninas que, segundo aquela tradição estúpida e criminosa, foram raptadas às suas famílias, violadas e obrigadas a casar com homens adultos. É praticamente impossível não ficarmos impressionados com o drama destas crianças, mas também das suas famílias. Num país tão atrasado como aquele, até fiquei admirado que os juízes tenham absolvido a coitada da miúda e indo contra praticamente toda a aldeia, afinal, quase todos os homens e mesmo algumas mulheres defendem aquelas práticas. No papel da miúda protagonista, a jovem Tizita Hagere interpretou muito bem o seu papel. O mesmo se pode dizer da atriz que desempenhou a sua advogada e protetora. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, fiquei a saber coisas que não sabia. É de destacar todas as pessoas que se mexem para ajudar quem mais precisa e arriscam quase tudo para acabar com as injustiças, no caso desta história, a principal foi Meaza Ashenafi. Bom filme biográfico. 

Asphalte

Nome do Filme : “Asphalte”
Titulo Inglês : “Macadam Stories”
Titulo Português : “Histórias de Bairro”
Ano : 2015
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Samuel Benchetrit
Produção : Julien Madon/Marie Savare/Ivan Taieb
Elenco : Isabelle Huppert, Gustave Kervern, Valeria Bruni Tedeschi, Jules Benchetrit, Michael Pitt, Mickael Graehling, Larouci Didi, Abdelmajid Barja, Thierry Gimenez, Tassadit Mandi.

História : Num prédio numa cidade, o elevador está avariado. Três encontros. Seis personagens. Será que Sternkowtiz abandona a sua cadeira de rodas para encontrar o amor de uma enfermeira da noite ? Conseguirá Charly, adolescente negligenciado, fazer reviver um papel a Jeanne Meyer, atriz dos anos 80 ? E que acontecerá a John McKenzie, astronauta caído do céu e recolhido pela senhora Hamida.

Comentário : O filme abre com uma sequência que decorre na sala de um dos condóminos de um prédio, onde se preside a uma reunião para apurar quem quer participar na despesa da aquisição de um elevador novo para a habitação. Um dos moradores recusa participar na despesa, porque mora no primeiro andar e não usa elevador, logo, não faz sentido pagar por algo que não usa. Os outros moradores do prédio concordam com ele, mas dizem-lhe que ele fica proibido de se servir do elevador. Ora, esse morador egoísta e nada solidário não podia estar mais enganado. O filme é uma espécie de comédia dramática, onde o humor é bastante subtil. O principal erro do filme é que o prédio possui 10 andares, morando dois residentes por piso, logo a fita apresenta somente seis personagens, ou seja, o realizador podia ter arranjado mais histórias com outros moradores, afinal, na dita reunião de condomínio estavam imensos. Para mim, a história que eu mais gostei foi claramente a do astronauta e da senhora Hamida, devido à natureza da história e ao rumo que as coisas levam. Gostei, mais uma vez, da interpretação da sempre excelente Isabelle Huppert. Michael Pitt e Gustave Kervern também não se saíram nada mal. Um último reparo, adorei a atriz veterana que desempenhou o papel da senhora Hamida, a velhota que acolheu o astronauta. O filme tem estreia no nosso país brevemente e tem distribuição pela Alambique Filmes. 

Highway

Nome do Filme : “Highway”
Titulo Inglês : “Highway”
Ano : 2014
Duração : 134 minutos
Género : Drama/Aventura/Romance
Realização : Imtiaz Ali
Produção : Imtiaz Ali
Elenco : Alia Bhatt, Randeep Hooda, Durgesh Kumar, Pradeep Nagar, Saharsh Kumar Shukla, Hemant Mathur, Shakeel Khan, Reuben Israel, Arjun Malhotra, Naina Trivedi, Samar Mudasir Bakshi, Vikram Seth, Kavita Seth, Ranjit Batra, Sanjay Chauhan.

História : Veera é uma adolescente que está de casamento marcado. No entanto, ela acaba por ser raptada. Curiosamente, a miúda prefere os momentos em que viaja com os seus raptores pela estrada, do que propriamente a vida que levava antes. Veera prefere estar longe de tudo, ainda que a sua actual condição não seja a melhor.

Comentário : Se tivesse de resumir este filme indiano numa única palavra, seria : Perfeito. No fundo, trata-se de um road-movie indiano que aborda diversas temáticas. O filme fala de temas como a diferença de classes, o amor, a amizade, os laços humanos, a miséria, a podridão dos ricos e poderosos, as injustiças, a aventura e o drama em si, o abuso sexual de menores consentidos pelas mães, a liberdade, a natureza, as leis duras de uma cultura rígida, a indiferença face ao outro, um amor praticamente impossível dadas as circunstâncias embora seja possível perante a vida, entre outros temas menores mas igualmente merecedores de atenção. Os filmes indianos costumam ser longos e este não foge à regra, já o anterior “Neerja” era uma fita longa para a história que pretendia contar. Pessoalmente e em relação a este “Highway”, eu tirava algumas cenas e facilmente condensava tudo em duas horas certas. O filme possui cenas lindas, quase todas vividas pelo “casal protagonista”, mas a minha preferida é a que mostra a imagem em baixo, quando o “vilão” sorri para a miúda naquela estação de autocarros, muito lindo. 

Gostei da banda sonora, embora seja contra meterem legendas a traduzirem o que está a ser cantado. Apesar de uns poucos erros, adorei praticamente tudo neste filme indiano. Aquilo que mais gostei foi do argumento, da história em si, muito rica no que ao campo sentimental diz respeito. O filme mostra como, por vezes, as coisas na vida podem dar uma volta completamente e totalmente inesperada, às vezes para melhor, foi isso que aconteceu nesta fita, embora as coisas não tenham tido um final muito feliz. Veera é uma personagem muito poderosa e rica, a bonita e talentosa Alia Bhatt (nas duas fotos em baixo) foi quem deu corpo a esta fantástica personagem e o fez de forma perfeita, melhor seria impossível. Adorei a prestação da miúda, que grande profissional. Por seu lado, Randeep Hooda (protagonista masculino) esteve igualmente perfeito, adorei também o seu papel e o seu desempenho. O casal funcionou muito bem e a sua empatia foi notável. Veera foi uma personagem que eu percebi totalmente, entendi cada atitude sua, percebi a sequência passada em sua casa perto do final, e assimilei na perfeição o evoluir dela ao longo das quase duas horas e meia de duração. Vejo pouco cinema indiano, mas posso assegurar que este foi o melhor que já vi até hoje. Que grande momento de cinema, este filme é um hino ao amor e à liberdade. 

King Jack

Nome do Filme : “King Jack”
Titulo Inglês : “King Jack”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Felix Thompson
Elenco : Charlie Plummer, Chloe Levine, Yainis Ynoa, Erin Davie, Cory Nichols, Christian Madsen, Danny Flaherty, Keith Leonard, Melvin Mogoli, Elijah Richardson.

História : Jack é um adolescente de quinze anos que mora numa pequena cidade cheia de delinquentes, onde ele aprendeu a lidar com as coisas para conseguir sobreviver, levando em conta que Jack não tem pai e a mãe não se importa com ele. Quando a sua tia fica doente, o primo mais novo de Jack precisa ficar com ele. Apesar de não querer cuidar do primo, Jack acaba descobrindo a importância da amizade, da família e da capacidade de procurar a felicidade mesmo em diferentes situações.

Comentário : Trata-se de cinema indie no seu melhor, é um filme independente muito bom. Nunca tinha ouvido falar deste filme e fiquei bastante surpreendido com ele. O filme aborda os bairros problemáticos, as famílias disfuncionais, a carência de afectos, o bullying, a violência na juventude, a descoberta da sexualidade, a amizade ou a ausência dela, entre outros pequenos temas que ao longo dos apenas 75 minutos de projeção vão surgindo. A realização é muito boa e o argumento, apesar de uma ou duas falhas, está muito bem esgalhado. Gostei desta história, a fita fala da vida em si. Fiquei admirado com a interpretação do jovem Charlie Plummer, o nosso grande protagonista, o rei do titulo. O motivo pelo qual é este titulo deixou-me bastante comovido. 

No papel das suas “melhores amigas”, Chloe Levine e Yainis Ynoa (fotos em baixo), tiveram prestações bastante convincentes e o facto de ambas já terem entrado em outros trabalhos, não tem a ver com isso, as miúdas destacaram-se neste filme pela positiva. A melhor cena do filme deve-se a elas, estou a falar do jogo que as duas fazem com Jack e Ben no quarto de Harriet. Lamentável é este tipo de cinema chegar tarde às nossas mãos, o filme já é do ano passado. Em resumo, um grande filme, é a prova que não é preciso grandes orçamentos para se fazer uma boa obra cinematográfica, mais fácil pagaria para ir ao cinema ver este filme do que daria o meu dinheiro para ir ver um desses imensos filmes comerciais que estreiam anualmente no nosso país. Um último reparo, em algumas situações, eu identifiquei-me com Jack e mais não digo. Grande filme. 

The Artist And The Model

Nome do Filme : “El Artista Y La Modelo”
Titulo Inglês : “The Artist And The Model”
Titulo Português : “O Artista e a Modelo”
Ano : 2012
Duração : 106 minutos
Género : Drama
Realização : Fernando Trueba
Produção : Anne Deluz/Cristina Huete
Elenco : Jean Rochefort, Aida Folch, Claudia Cardinale, Chus Lampreave, Gotz Otto, Christian Sinniger, Martin Gamet, Mateo Deluz, Alain Torrent, Simon Guilbert, Michel Jaquesmin, Dorian Astrou, Albam Riou, Guillaume Virag, Sarah Villesvieille, Aniol Llop, Anna Julia Chafer, Liam Chafer, Aniol Canada, Carla Brunso, Aina Bramona, Sergi Comerma, Jan Aranda, Marc Fernandez, Pol Fernandez, Mireia Masdeu, Adria Andurell, Genis Cros, Miquel Puig, Ramon Codina, Michel Brigand.

História : Marc Cros é um escultor que já está aposentado à anos. Aos 80 anos, ele vive com a sua esposa numa pequena vila no interior de França, perto da fronteira com a Espanha. Em pleno verão de 1943, vê a sua esposa oferecer abrigo a uma jovem espanhola fugitiva do regime de Franco. A jovem passa a viver no atelier de Marc. Pouco a pouco, ele recupera a vontade de trabalhar e passa a usar a miúda como fonte de inspiração e modelo para criar novas obras.

Comentário : Gostei bastante deste filme, confessando que nem sabia da sua existência, pelo que a fita funcionou para mim como uma grande surpresa. O trabalho de Fernando Trueba enquanto realizador é muito bom, a excelente fotografia a preto e branco resulta na perfeição. No papel de protagonista masculino, o veterano Jean Rochefort esteve muito bem, que grande senhor e que grande interpretação. Apesar de Claudia Cardinale ter feito um bom papel, os méritos no que ao protagonismo feminino dizem respeito vão todos para a linda jovem Aida Folch, esta miúda entregou-se totalmente ao seu papel, fiquei abismado com a sua presença. Além disso, a química entre ela e Rochefort funcionou muito bem. O filme possui o campo como cenário principal, nos facultando lindas imagens, ainda que sem cores, conseguiu transmitir toda a beleza das coisas. O personagem do soldado e do amigo nazi do velho escultor são totalmente desnecessárias, a meu ver. Estragam um pouco o clima que estava criado entre o artista e a modelo. Não queria ser mauzinho, mas fiquei com dúvidas se em algumas cenas, o corpo da atriz era mesmo o dela ?, se seria montagem. Um último reparo, Aida Folch é linda, estou-me a referir ao rosto, como é evidente. Quanto ao filme, é muito bom.