quarta-feira, 29 de junho de 2016

The Fundamentals Of Caring

Nome do Filme : “The Fundamentals Of Caring”
Titulo Inglês : “The Fundamentals Of Caring”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Rob Burnett
Produção : Rob Burnett
Elenco : Paul Rudd, Craig Roberts, Selena Gomez, Bobby Cannavale, Jennifer Ehle, Megan Ferguson, Julia Denton, Samantha Huskey, Ashley White, Frederick Weller.

História : Depois de ter sofrido uma tragédia, Ben tira um curso de acompanhante/cuidador de pessoas necessitadas. Seu primeiro cliente, Trevor, um jovem com distrofia muscular. Paralisado emocionalmente e fisicamente, Trevor tem uma mãe que se preocupa muito com ele, mas priva-o de muitas coisas. Um dia, Ben decide levar Trevor numa viagem estrada fora que tem como objetivo a concretização de um sonho do jovem. Após encontrarem no caminho uma linda jovem chamada Dorothy, os dois decidem dar-lhe boleia. Juntos e durante a longa viagem, os três vão compreender a importância da esperança e da verdadeira amizade, para além de crescerem enquanto seres humanos.

Comentário : Gostei bastante deste filme, uma obra que aborda o tema da amizade, um sentimento que pode surgir do nada e que preenche bastante as vidas das pessoas. Confesso que só à poucos dias, tive conhecimento deste pequeno filme independente e tive logo vontade de o ver, quanto mais não seja pelos temas e por ter como atriz principal, Selena Gomez, considerada por mim, a rapariga mais linda do mundo. Vi este filme durante a tarde do dia de hoje e confesso que me senti totalmente preso ao ecrã, sempre na expectativa daquilo que iria acontecer de seguida. Muito longe da palhaçada de “Ant-Man”, Paul Rudd tem aqui um bom papel, obtendo com ele uma grande prestação. No papel do segundo protagonista, o jovem Craig Roberts, surpreendeu-me imenso pela positiva, confesso que não era muito ligado aos filmes por ele interpretados, mas fiquei-lhe rendido, que desempenho fantástico. O mesmo se pode dizer da linda cantora/atriz Selena Gomez, adorei a sua Dorothy (Dot). A empatia dela com o jovem protagonista funcionou muito bem, fiquei fascinado com a química dos dois. O próximo filme dela, será uma fita histórica realizada pelo talentoso James Franco, onde fará o papel de uma trabalhadora da década de 1930. 

Quanto a este filme de noventa minutos que estou aqui a comentar, não podia deixar de referir também a excelente química existente entre Paul Rudd e Craig Roberts, os dois são o melhor do filme. O filme pode igualmente funcionar como uma espécie de road-movie, na medida em que os três protagonistas passam a vida a viajar de terra em terra, o próprio filme em si é sobre uma viagem. Gostei do argumento, nunca apela à lágrima e tem algum humor aqui e ali. Penso que a personagem grávida nada está a fazer no filme, a considero mesmo uma figura nula, aquela cena em que Ben faz o parto dela, é simplesmente patética. Pessoalmente, gostei bastante deste filme independente e lamentaria se ele não estreasse nas nossas salas de cinema daqui a alguns meses, porque o filme é muito bom. Um último reparo, o filme possui bonitas cenas que resultam em lindos momentos, tudo muito cordato, agradável e emocionante. Gostei bastante. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Risttuules

Nome do Filme : “Risttuules”
Titulo Inglês : “In The Crosswind”
Titulo Alternativo : “Crosswind”
Ano : 2014
Duração : 87 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Martti Helde
Elenco : Laura Peterson, Tarmo Song, Mirt Preegel, Ingrid Isotamm, Einar Hillep.

História : Erna, uma estudante de filosofia, vive com o seu marido e a sua filha pequena em uma bela propriedade no campo, na Estónia, até que durante a Segunda Guerra Mundial, o país é invadido pelas tropas de Stalin. Erna e a filha são enviadas para uma fazenda de trabalhos forçados, junto com outras mulheres e suas filhas. A estudante tenta se comunicar com o marido, enviado para uma espécie de gulag, através de cartas.

Comentário : Vindo diretamente da Estónia, confesso ter gostado bastante deste filme que aborda o holocausto soviético. E o filme foi nos apresentado de uma forma única e diferente, só vi algo parecido no filme “O Moínho e a Cruz”, filme de 2011 realizado por Lech Majewski. “Risttuules” é daqueles filmes que nos deixam marcas, neste caso, pela maneira como o cineasta nos apresenta a sua longa metragem. Na realidade, trata-se de um filme histórico, sem diálogos, as falas que ouvimos são a “protagonista” a narrar as cartas que vai escrevendo ao seu marido, narrando também alguns acontecimentos e sonhos do passado. Depois o que temos são imagens dos atores parados, apenas as roupas e os cabelos mexem-se ao sabor do vento, e a camara vai atravessando-os constantemente e mostra o que se vai passando. Os únicos planos correntes são os do ínício do filme e penso que isso apenas volta a acontecer em mais dois ou três breves momentos em todo o filme. Pessoalmente, fiquei encantado com este pequeno filme, bastante surpreendido pela positiva. Mas confesso que não é filme para qualquer pessoa, esta é uma fita poética, muito bem elaborada, com o bónus de ser filmada a preto e branco. Isto é um filme muito alternativo, mas ainda bem que dei com ele, é impressionante como poucas pessoas podem fazer tanto mal a milhares de outros seres humanos. Este filme é um retrato cru e duro da verdadeira face do ser humano, grande filme. 

domingo, 26 de junho de 2016

Gueros

Nome do Filme : “Gueros”
Titulo Inglês : “Gueros”
Titulo Português : “Gueros”
Ano : 2014
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Alonso Ruiz Palacios
Elenco : Sebastian Aguirre, Tenoch Huerta, Leonardo Ortizgris, Ilse Salas, Raul Briones, Laura Almela, Adrian Ladron, Camila Lora, Alfonso Charpener.

História : O jovem Tomás vive sozinho com a mãe no México. Desordeiro e problemático, é um enorme peso na vida da progenitora. Um dia, após um acidente, a mãe manda-o ir viver com o seu outro filho. Com a greve de estudantes como pano de fundo, os dois irmãos decidem empreender uma viagem por todo o país em busca do ídolo do pai : o lendário Epigmenio Cruz, estrela rock que fez sucesso algumas décadas antes. Pelo caminho, o irmão mais velho de Tomás, ainda encontrará Ana, uma jovem por quem sempre esteve apaixonado.

Comentário : Gostei deste filme mexicano, principalmente porque é uma espécie de road-movie, um tipo de filmes que eu aprecio bastante. E nesse aspecto, está bem feito. O filme segue a um bom ritmo, somos apresentados à personagem principal, o jovem Tomás, brilhantemente interpretado por Sebastian Aguirre, o rapaz fez os trabalhos de casa. Da mãe dele, pouco sabemos, apenas o essencial, que é uma senhora sofrida pelo abandono do filho mais velho e pela maneira de ser do seu rebento mais novo. O filme prima também por ter uma poderosa fotografia a preto e branco que contribuiu para que a coisa resultasse ainda melhor. Como irmão do protagonista, Tenoch Huerta também não vai mal, são dele algumas boas tiradas. Como referência feminina, temos igualmente uma bastante competente Ilse Salas, apesar de não ser muito bonita, esta jovem atriz soube levar o seu barco a bom porto. É devido a estes factores que gosto de cinema que não seja norte-americano, ou seja, acontecem sempre boas descobertas. Como pontos negativos, tenho que dizer que houve cenas que facilmente se podiam ter retirado, o cineasta podia ter feito isso e ficava tudo condensado em noventa minutos, isso sim, seria um filme ainda melhor. Mas, o que temos já é muito bom. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

The Commune

Nome do Filme : “Kollektivet”
Titulo Inglês : “The Commune”
Titulo Português : “A Comunidade”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Thomas Vinterberg
Elenco : Martha Sofie Wallstrom Hansen, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, Julie Agnete Vang, Helene Reingaard Neumann, Fares Fares, Ole Dupont, Lars Ranthe, Mads Reutherr.

História : Na década de 70, Erik e Anna são um casal de académicos cheio de sonhos. Junto com a filha adolescente, Freja, eles montam uma comunidade em um elegante bairro de Copenhagen para dividir a enorme casa e viver em conjunto com outras pessoas. Querendo estar no centro da história e realizar o sonho de viver em grupo, eles fazem jantares, reuniões e festas. Levados pelo mesmo sonho, um caso amoroso abala esta pequena comunidade, fazendo com que esse pequeno grupo de sonhadores e idealistas acordem para a realidade.

Comentário : Trata-se de cinema dinamarquês, um filme realizado pelo mesmo homem que nos trouxe os excelentes “A Caça” e “Longe da Multidão”. No entanto, podem ficar preocupados, a qualidade desses dois títulos não se encontra neste “The Commune”. Não que o filme seja mau, não o é. O filme em causa é uma boa fita, mas peca por não ter uma trama complexa e elaborada, características encontradas nos tais dois títulos já referidos numa frase anterior. No entanto, o filme possui excelentes diálogos e prestações de grande qualidade, principalmente a cargo do casal protagonista e da jovem filha deles. A história, embora simples, segue-se muito bem, ainda que por vezes tende a estagnar em algumas partes. O filme peca igualmente por ser possuidor de alguns clichés e lugares comuns próprios deste tipo de produções, mas é complicado evitar essas falhas, afinal, pode-se ter esta história como algo familiar. A ideia até é engraçada, mas o realizador podia ter arranjado um outro foco de destabilização da tal comunidade, em vez de seguir com uma relação amorosa, ou sexual, entre um homem casado e uma jovem vinda de fora. É algo já visto em muitos outros filmes. Mas, no geral, gostei deste filme, embora prefira largamente os dois anteriores filmes de Thomas Vinterberg. Penso que o realizador se perdeu um pouquinho. Ainda assim, o filme é bom.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

My Golden Days

Nome do Filme : “Trois Souvenirs De Ma Jeunesse”
Titulo Inglês : “My Golden Days”
Titulo Português : “Três Recordações da Minha Juventude”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Arnaud Desplechin
Elenco : Quentin Dolmaire, Lou Roy Lecollinet, Mathieu Amalric, Dinara Drukarova, Cecile Garcia Fogel, Françoise Lebrun, Irina Vavilova, Olivier Rabourdin, Elyot Milshtein, Pierre Andrau, Lily Taieb, Raphael Cohen, Kheifets Gregory, Clemence Gall, Theo Fernandez, Anne Benoit, Yassine Douighi, Melodie Richard, Antoine Bui, Timon Michel, Ivy Dodds, Gilles Cohen, Laure Josnin, Andre Dussollier.

História : Depois de uma longa ausência no estrangeiro, Paul está de regresso a França. Chegar a casa fá-lo reviver o passado e recuar a três momentos decisivos da sua vida : a infância, que deixou vários traumas devido à péssima relação com a mãe; uma viagem à antiga URSS, onde ajudou um jovem judeu a fugir do país; e, por último, a paixão por Esther, uma rapariga misteriosa que foi – e talvez ainda seja – o grande amor da sua vida.

Comentário : Penso ter sido no ano passado que este filme teve a sua estreia nas nossas salas de cinema e penso também que apenas estreou pela Medeia Filmes, se não estou em erro. Posso dizer que gostei deste filme, ele divide-se em capítulos, claramente que a parte que eu mais gostei foi do romance dos dois protagonistas na sua componente jovem, Quentin Dolmaire e Lou Roy Lecollinet estão divinais nesta fita, a química entre os dois resultou muito bem. Mathieu Amalric vai muito bem no seu papel, onde compõe a fase adulta do protagonista masculino. Sempre gostei deste ator e realizador. A realização e a recriação de época estão muito boas, com destaque para o guarda roupa. Facilmente tirava uma ou duas cenas, estou a falar naquelas partes do inicio da discussão entre Paul e a mãe na escadaria do prédio, profundamente dispensáveis. De certeza que haveria outra maneira de o realizador mostrar que eles não se davam bem. Nota positiva para os diálogos, ver Mathieu Amalric ser irónico é sempre um prazer. Todos os atores, quer principais, quer secundários, fizeram um bom trabalho na área da representação, creio que houve um grande esforço por parte de todos para que as coisas tivessem resultado da melhor maneira. No geral, estamos perante um bom filme.
 

Aferim

Nome do Filme : “Aferim!”
Titulo Inglês : “Brave!”
Ano : 2015
Duração : 106 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Radu Jude
Elenco : Teodor Corban, Mihai Comanoiu, Toma Cuzin, Alexandru Dabija, Luminita Gheorghiu, Victor Rebengiuc, Alberto Dinache, Mihaela Sirbu, Adina Cristescu, Serban Pavlu, Gabriel Spahiu, Daniel Visan, Puiu Mircea Lascus, Mihaela Dragan.

História : No início do século XIX, um pai e o seu filho percorrem o continente europeu em busca de um escravo, pelo caminho vão conhecendo imensa gente e várias culturas. Os dois acabam por conhecer várias vivências e testemunhar inúmeros acontecimentos.

Comentário : Deste realizador, confesso que tenho imensa curiosidade em ver um filme seu que se chama “Everybody In Our Family”, mas resolvi começar por conhecer o seu trabalho enquanto cineasta por este seu último trabalho, premiado em alguns festivais, incluindo o nosso Indie Lisboa. Apesar de ter gostado do filme, tenho que confessar que não é uma obra fácil de seguir, a narrativa é bastante dispersa e baseia-se em documentos escritos encontrados, papéis esses provenientes daquela época. A fotografia a preto e branco dá um toque especial à coisa e nos dá a hipóteses de saborear o filme de uma outra maneira. Mas não senti empatia com os dois personagens principais, tive sim, mais pena do coitado do escravo, penso que o filme foca igualmente o tipo de escravatura existente naquela época. Gostei do filme mas, devido aos vinte prémios que ganhou, esperava algo melhor. Um filme razoável.

sábado, 18 de junho de 2016

Partisan

Nome do Filme : “Partisan”
Titulo Inglês : “Partisan”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Ariel Kleiman
Produção : Anna McLeish/Sarah Shaw
Elenco : Vincent Cassel, Jeremy Chabriel, Florence Mezzara, Anastasia Prystay, Katalin Hegedus, Daniel Vernikovski, Samuel Eydlish, Csenge Birloni, Sapidah Kian, Zsofia Stavropoulos, Viviana Martinez, Alexander Dahlberg, Anna Eydlish, Natalia Gorbacheva, Sosina Wogayehu, Kidus Melaku, Adrian Wilson, Wietse Cocu, Alexander Kuzmenko, Oscar Dahlberg, Rosa Voto, Tahlia Mercuri, Raphael Tokarev, Bemisgana Kifle, Frank Moylan, Mzia Kapanadze, Georgia Beasley.

História : Um homem criou e mantém um mundo habitado por ele, pelas suas várias mulheres e pelos filhos e filhas que vai tendo delas. Ele rege-se perante regras por si criadas e as impõe a quem com ele aceita habitar. Até um dia que toma uma decisão errada.

Comentário : Claramente que a decisão errada da sinopse é a de levar para o seu mundo a mulher de cabelos vermelhos e o seu filho atrasado mental chamado Leo, decisão essa que tem as consequências que o filme vai mostrando até à última cena. Pessoalmente, gostei do filme, é cinema australiano e eu confesso gostar do ator Vincent Cassel. Fiquei bastante surpreendido pela positiva com este pequeno filme independente. O ator em causa possui, mais uma vez, uma prestação brilhante. Gostei das prestações dos jovens Jeremy Chabriel e Anastasia Prystal (foto em baixo), as crianças mais velhas da comunidade de Gregory, ou seja, os seus filhos mais velhos. A sequência dos dois no Karaoke é a melhor do filme. Florence Mezzara também não está nada mal. O filme levanta muitas questões, sendo a principal o facto de o modo como vivemos ser ou não o melhor, ou ainda, será que estamos a criar bem as nossas crianças. Muito bem filmado, este é daqueles filmes que tem que ser visto com muita atenção, o argumento é complexo, dada a natureza da coisa. Confesso que gostei de praticamente tudo no filme, mas tenho que dizer que detestei o final, embora este aspecto não estrague o geral, que é um filme muito bom. 

Heart Of A Dog

Nome do Filme : “Heart Of A Dog”
Titulo Inglês : “Heart Of A Dog”
Titulo Português : “Coração de Cão”
Ano : 2015
Duração : 75 minutos
Género : Documentário
Realização : Laurie Anderson
Produção : Laurie Anderson
Elenco : Laurie Anderson, Jason Berg, Paul Davidson, Bob Currie, Dustin Defa, Evelyn Fleder, Sasha Grossman, Kurt Gutenbrunner, Matt Vega, Pierre Riches, Julian Schnabel, Elizabeth Wymer, Arlo Willner, Jenni Muldaur, Sam Khoshbin, Alex Kaufman, Jessica Irish, Rosalia Dean Hudson, Margaret Hafitz, Lucy Hafitz, Charlie Hafitz, Heung Heung Chin, Lolabelle.

História : A partir da sua própria experiência e das suas memórias recentes, marcadas pelas perdas recentes da sua mãe e do marido Lou Reed, a realizadora Laurie Anderson traça uma pequena reflexão sobre temas como a vida, o amor, a morte, bem como a relação com a sua cadela.

Comentário : Esta noite vi este documentário que gostei bastante, embora confesse que esperava que tivesse melhor. A artista Laurie Anderson apareceu no ano passado com este documentário onde falava de vários temas, o 11 de Setembro incluído. Pessoalmente, não o achei maçador, embora confesse que a realizadora divaga demais sobre alguns temas, faz demasiadas reflexões. Adorei a sua cadelinha Lolabelle, um rat terrier muito inteligente (imagem em baixo). Ela foi ensinada a pintar e a tocar piano, entre outras coisas. Gostei de ver a realizadora a falar sobre a mãe e a contar aquela história de quando, em criança, foi parar ao Hospital com uma fractura na coluna e tudo o que daí veio. Curiosa é igualmente aquela história de como ela sofreu aquele acidente no gelo com os irmãos e a forma como os salvou, sendo posteriormente elogiada pela mãe, que lhe disse apenas que ela era uma excelente nadadora. Ela fala também da morte e dos sonhos, mencionando o facto da morte súbita nos bebés. Eu confesso ter ficado a saber algumas coisas que não sabia. Mas o mais importante para mim neste documentário foi conhecer Laurie Anderson em si. Bom documentário. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Eternal Summer

Nome do Filme : “Ododliga”
Titulo Inglês : “Eternal Summer”
Ano : 2015
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Romance/Aventura
Realização : Andreas Ohman
Produção : Andreas Ohman/Bonnie Skoog/Johannes Hobohm
Elenco : Madeleine Martin, Filip Berg, Fanny Ketter, Torkel Petersson, Mats Qvistrom, Hedda Stiernstedt, Mathilda Von Essen,

História : O jovem Isak e a linda Em conhecem-se durante uma estranha situação. Decidem então embarcar numa jornada, onde pretendem apenas viver e fazer loucuras.

Comentário : Este filme fez-me lembrar o muito aclamado “Badlands” de Terrence Malick, mas eu confesso que o achei bem melhor do que essa conhecida longa metragem, bem superior, diria mesmo. Nos minutos iniciais, somos apresentados a Isak, que julgamos ser o verdadeiro protagonista da fita, tremendo erro. A verdadeira protagonista do filme é Em, uma jovem que Isak conhece numa situação bizarra e acabam por se tornar amigos, amantes e mais tarde parceiros na arte do crime. Durante o filme, o cineasta dá-nos vários flashbacks da infância de Em, bem como da sua relação com os pais, com o psicólogo, mas principalmente com a talentosa irmã. Esses flashbacks facultam-nos um twist bastante curioso sobre o verdadeiro parentesco da miúda em relação à família. O próprio filme em si é adornado de vários twists, o que torna o todo ainda mais delicioso. No ínício, confesso que não simpatizei logo com Filip Berg, mas com o seguimento, ele deu-nos um personagem bastante credível. Pelo contrário, a linda Madeleine Martin sempre convenceu no papel de Em, a sua personagem é bastante forte. O twist que acontece perto do final é brutal. Um dos melhores filmes que vi ultimamente e é sueco. Muito bom. 

domingo, 12 de junho de 2016

The Correspondence

Nome do Filme : “La Corrispondenza”
Titulo Inglês : “The Correspondence”
Titulo Português : “A Correspondência”
Ano : 2016
Duração : 123 minutos
Género : Drama/Romance/Mystery
Realização : Giuseppe Tornatore
Produção : Isabella Cocuzza/Arturo Paglia
Elenco : Jeremy Irons, Olga Kurylenko, Shauna Macdonald, Irina Kara, Anna Savva, Simon Meacock, James Smillie, James Bloor, Stuart Adams, James Warren, Rod Glenn, Darren Whitfield, Ian Cairns, Colin MacDougall, Simon Johns, Carolina Massie, Florian Schwienbacher, Chantal Brosens, Daphne Mereu, Patricia Winker.

História : Amy é uma jovem que mantém uma relação secreta com um professor, casado e décadas mais velho que ela. Um dia, ele desaparece sem deixar rasto. Algum tempo depois, ela começa a receber mensagens suas em vários suportes : e-mail, cartas, SMS ou videos gravados em DVD e entregues pelo correio. Sem qualquer explicação sobre a localização dele, e determinada a perceber as suas motivações, Amy tenta descortinar os seus passos no labirinto de missivas que teimam em chegar.

Comentário : Giuseppe Tornatore trouxe-nos este ano este filme que conta uma história de amor um pouco dificil de entender. Eu mesmo confesso não ter ficado a perceber algumas coisas, a situação em si não é muito credível. Gostei de ver estes dois atores contracenarem juntos, ainda que só estivessem juntos fisicamente no ínício da fita. Jeremy Irons é um dos meus atores preferidos, gosto imenso da sua forma de actuar nos filmes, nesta fita, ele está um verdadeiro senhor e, apesar de aparecer quase todo o filme em gravações, provou mais uma vez que ainda tem muito para dar. Por seu lado, a linda Olga Kurylenko também não desiludiu, o realizador dá-nos bons planos dela, eu adorei aquele vídeo que ela fez deitada no jardim em frente à casa da mãe. A atriz teve uma excelente interpretação, as cenas em que ela chora foram aquelas que mais me comoveram. A banda sonora é mais uma vez assinada pelo mestre Ennio Morricone, obtendo neste filme lindas melodias e admiráveis arranjos musicais. Não gostei de algumas cenas, principalmente daquelas em que a protagonista faz de duplo de cinema. Claro que não é um dos melhores filmes de Giuseppe Tornatore, nem tão pouco um dos melhores do ano, mas é seguramente o filme onde a linda Olga Kurylenko está melhor e o filme onde ela obteve a sua melhor interpretação. Gostei.

My Skinny Sister

Nome do Filme : “Min Lilla Syster”
Titulo Inglês : “My Skinny Sister”
Titulo Português : “A Irmã Mais Nova”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Sanna Lenken
Elenco : Rebecka Josephson, Amy Linnea Deasismont, Annika Hallin, Henrik Norlen, Maxim Mehmet, Emelie Stromberg, Ellen Lindbom, Karin Frumerie, Elisabeth Callejas.

História : Stella é uma menina prestes a entrar no excitante mas complicado mundo da adolescência. Ela vive na sombra da irmã mais velha, Katja, uma talentosa e bela patinadora que os pais adoram. Stella esforça-se muito para tentar imitar o comportamento da irmã, de modo a ter mais atenção. Enquanto observa a irmã de perto, Stella percebe que algo está errado. Katja esconde um grave distúrbio alimentar que está a dominar e a estragar a sua vida.

Comentário : Belíssimo e excelente filme sueco. Se o anterior filme visto por mim abordava temas complicados como o bullying e o suicídio juvenis, este também mexe com uma temática não menos alarmante, a anorexia, a bulimia e os distúrbios alimentares na adolescência. As grandes e únicas protagonistas deste maravilhoso e único filme são duas miúdas fantásticas. Por um lado, a pequena Rebecka Josephson é a grande revelação da fita, que enorme talento esta jovem possui, carregou o filme quase todo nos ombros. Quem a ajuda nessa tarefa é a igualmente promissora Amy Linnea Deasismont que, no papel de sua irmã mais velha, arrasou também na sua personagem. As duas até parecem ser mesmo irmãs na vida real, tal não é a cumplicidade e ternura existente entre elas, seja como personagens, quer enquanto actrizes. As duas miúdas formam um elo perfeito.

O filme vive delas e é delas. A realizadora fez um excelente trabalho ao juntar estes dois grandes talentos. O filme é muito dramático, a temática abordada assim o exige, isto é mesmo um tema muito delicado, um autêntico flagelo, tal como o bullying no caso do filme anterior. Só se lamenta o final do filme, a miúda doente nem sequer chega a ser internada para receber cuidados médicos, simplesmente, aparece em cima da cama a rir-se com a irmã mais nova, como se nada fosse, penso ter sido uma falha. O filme divide-se entre cenas engraçadas e sequências dramáticas, todas a cargo das duas miúdas. Lamentavelmente, o filme é um exclusivo Medeia Filmes e apenas estreou numa única sala em todo o país, o que é uma vergonha, um filme que aborda este tema. Filmes como este deviam ser vistos pelos pais, como forma de alerta. Os pais das raparigas deste filme desconheciam por completo o problema grave de saúde que a filha mais velha tinha, foi preciso a filha mais nova alertá-los para isso. Estamos perante um filme de grande qualidade. Adorei. 

A Girl Like Her

Nome do Filme : “A Girl Like Her”
Titulo Inglês : “A Girl Like Her”
Ano : 2015
Duração : 91 minutos
Género : Drama Documental/Crime
Realização : Amy Weber
Elenco : Lexi Danielle Ainsworth, Hunter King, Jimmy Bennett, Stephanie Cotton, Mark Boyd, Christy Engle, Jon W. Martin, Madison Deadman, Anna Spaseski, Mariah Harrison, Emma Dwyer, Michael Maurice, Christy Edwards, Kevin Yon, Linda Boston, Gino Borri, Sarah Kyrie Soraghan, Jan Cartwright, Lisa Ortiz, Yana Lavovna, Bridget Maher.

História : Jessica Burns é uma linda adolescente que vai tendo boas notas e tem uma boa relação com os pais, com a irmã pequena e especialmente com o seu amigo íntimo, o delicado Brian Slater. Num dia de um exame, Jessica dá a entender a uma das suas amigas, a popular e sexy Avery Keller, que não está disponível para a ajudar. A partir desse dia, Avery Keller começa a fazer a vida negra a Jessica, tornando-se numa verdadeira bully para com ela e virando a sua pior inimiga. Ao fim de seis meses nesta situação e não contando para quase ninguém o que se passa, Jessica Burns comete suícidio, um acontecimento que vai afectar toda a escola.

Comentário : Não percebo porque motivo este e outros filmes de alerta (Megan Is Missing, Trust, Ratter, Polisse) estão tão mal classificados nos sites da especialidade e merdas como “Star Wars” e demais blockbusters recebem altas notas e até surgem em listas de melhores filmes. Este filme e outros do género deviam ser de visionamento obrigatório por pais, alunos, professores e médicos. Pessoalmente, fiquei chocado depois de ver este filme, que pode bem ser baseado em inúmeras histórias reais. Eu próprio, confesso ter sofrido bullying nos meus tempos de escola. Mas eu julgava que isto era uma coisa principalmente de rapazes, nunca imaginei que entre meninas, as coisas podiam tomar proporções desta escala. A forma como a realizadora montou e nos mostrou o seu filme está brutal, tudo parece um excelente documentário. Este filme, filmado em estilo documental, mostra até onde pode ir a crueldade humana face a outro ser humano, neste caso, temos o caso de uma rapariga que destrói por completo a vida de uma antiga amiga. Gostei de testemunhar a relação entre Jessica e Brian, aquilo sim é um verdadeiro amigo, nunca se chega a saber se ele estava apaixonado por Jessica, mas eu quero acreditar que sim. Na minha opinião, os pais e a própria escola também têm a sua parte de culpa nestes casos. A escola é uma selva. Fiquei muito sensibilizado com este pequeno, mas excelente filme. 

Journey To The Shore

Nome do Filme : “Kishibe No Tabi”
Titulo Inglês : “Journey To The Shore”
Titulo Português : “Rumo À Outra Margem”
Ano : 2015
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Kiyoshi Kurosawa
Elenco : Eri Fukatsu, Tadanobu Asano, Masao Komatsu, Mika Muraoka, Tetsuya Chiba, Kaoru Okunuki, Masaaki Akahori, Miho Fukaya, Yumiko Ise, Yo Takahashi, Daiki Fujino.

História : Há já três longos anos que Yusuke, o marido de Mizuki, desapareceu inexplicavelmente. Agora, sem que ela esperasse, ele voltou. Durante todo esse tempo, ela esforçou-se por continuar a sua vida, sofrendo em silêncio e tentando encontrar razões que justificassem o seu afastamento. Ele explica-lhe então que a sua ausência se deveu a um trágico acidente onde morreu afogado. É o fantasma de Yusuke que está perante ela. Ele quer levá-la numa longa viagem por vários locais, para que Mizuki conheça todos os que com ele se cruzaram. Durante essa viagem, ambos se vão sentir redefinir, tanto como seres humanos, como enquanto casal.

Comentário : Se há pouco tempo vi um filme chinês que gostei (Mountains May Depart), hoje vi um japonês que gostei também. Embora tivesse gostado mais do primeiro. Não se trata de um filme fácil, confesso que é preciso ter muita paciência para assistirmos a este filme, eu mesmo, quase adormeci. Mas tenho que dizer que gostei de, aos poucos, ir descobrindo mais sobre a vida e o passado da protagonista. O filme possui uma componente de fantasia, embora de forma muito subtil. Gostei das prestações do casal protagonista, ambos dedicaram-se totalmente aos seus papéis. Podemos igualmente contar com belíssimos locais e bonitas paisagens. A melhor sequência do filme é aquela parte em que a menina toca no piano, até me causou arrepios. Penso que a fita mergulha também na infância da nossa protagonista. O filme estreou pela Medeia no nosso país, embora tenha estado pouco tempo em exibição, o que é profundamente lamentável, que não haja público para este tipo de cinema. Ainda assim, gostei de ter sido embalado por este simpático filme, mas continuo a dizer que esperava mais dele. 

sábado, 11 de junho de 2016

Enklava

Nome do Filme : “Enklava”
Titulo Inglês : “Enclave”
Ano : 2015
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Goran Radovanovic
Elenco : Filip Subaric, Miodrag Krivokapic, Denis Muric, Qun Lajçi, Nebojsa Glogovac, Meto Jovanovski, Danilo Mihajlovic, Anica Dobra, Ana Rusmir.

História : No meio dos conflitos entre sérvios e albaneses, Nenad é um menino de 10 anos que mora em Kosovo com o pai e o avô doente. Rodeados por albaneses, os três e um padre são os únicos sérvios do local. Levado de carro blindado para a escola, Nenad é o único aluno do local e sente a falta de brincar com outros rapazes. De vez em quando, ele vê pela janela dois garotos albaneses da sua idade e um menino mais velho que trabalha como pastor e odeia os sérvios, pois eles mataram o seu pai na guerra.

Comentário : Trata-se de um filme pertencente ao chamado cinema do mundo, neste caso, é um filme da Sérvia. O nosso protagonista é o pequeno ator Filip Subaric, confesso ter ficado surpreendido com a sua prestação, o miúdo possui um enorme talento para a representação. Claramente que não concordo com certas práticas dos personagens, mas cada país tem as suas regras. Achei engraçado o miúdo ir para a escola transportado num carro blindado. Em relação à brincadeira perto do sino, eu já desconfiava que ia dar mau resultado. O argumento é consistente, eu gostei de ter acompanhado esta história.

O filme tem alguns planos que facilmente eu retirava, por exemplo, não entendo porque motivo o realizador insiste em nos facultar imagens das vacas. Não entendi o porquê do ataque ao autocarro. Não gostei do personagem do pai do miúdo protagonista. Curiosamente, achei como outro aspecto negativo o facto do realizador não ter se focado mais no conflito entre os sérvios e os albaneses, podendo assim nos dar informações sobre esse assunto. O filme segue-se bem durante a quase hora e meia de duração, o ritmo não é lento, achei que a fita teve um bom desenrolar dos acontecimentos. Segue-se tudo muito bem, eu mesmo, estava sempre na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. Nunca pensei que o miúdo pastor tivesse aquela atitude para com Nenad, foi um factor positivo e surpreendente. Este filme é do melhor daquilo que o cinema do mundo nos tem para oferecer. Gostei bastante. 

The Bride

Nome do Filme : “La Novia”
Titulo Inglês : “The Bride”
Titulo Português : “A Noiva”
Ano : 2015
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Paula Ortiz
Elenco : Inma Cuesta, Manuela Velles, Leticia Dolera, Alex Garcia, Asier Etxeandia, Veronika Moral, Maria Alfonsa Rosso, Ana Fernandez, Mariana Cordero, Luisa Gavasa, Carlos Alvarez Novoa, Laura Contreras.

História : Dois amantes levam a sua paixão desafiando todas as regras morais e sociais. No mesmo dia do seu casamento, a noiva e o seu amante escapam a cavalo para viver o seu amor, a sua desobediência terá consequências trágicas.

Comentário : Isto é cinema espanhol, desta vez, a Espanha trouxe-nos uma fita que mostra um triângulo amoroso. Na realidade, esta é a história de uma jovem mulher que sempre se deu bem com dois amigos de infância e que parece nutrir amor pelos dois ao mesmo tempo, optando por se casar com um. Inma Cuesta possui a melhor prestação do filme, mas também reparei pela positiva na interpretação da velha actriz que desempenhou o papel de mãe do noivo. Penso que as cenas de nudez eram desnecessárias, estragam um pouco a magia das famílias conservadoras que abundam na Espanha. Destaque para a banda sonora e para alguns admiráveis planos de camara. A realizadora Paula Ortiz soube trabalhar na perfeição o material que tinha em mãos e o resultado final é um filme consistente e romântico, por vezes, desesperante, sobre um poderoso amor. Pessoalmente, confesso que desconfiava desde o início que ela gostava realmente do amigo de cabelos compridos. A personagem da velha vidente é inútil. Um último reparo, grande parte da ação do filme é a festa do casamento, notei que houve um esforço para que se parecesse mesmo com uma festa desse género. Grande filme. 

Neerja

Nome do Filme : “Neerja”
Titulo Inglês : “Neerja”
Ano : 2016
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Thriller/Suspense/Biográfico
Realização : Ram Madhvani
Elenco : Sonam Kapoor, Rohit Assija, Shabana Azmi, Ali Baldiwala, Freny Bhagat, Sonal Paresh Borkhatariya, Dolly Bose, Madhu Anand Chandhock, Rajan Chhabra, Farrah Khan, Alex Kozyrev, Svetlana Kurochkina, Arnold Malek, Aarush Rana, Neelam Rana, Jim Sarbh, Vikrant Singta, Edward Sonnenblick, Poonam Sirnaik, Yogendra Tikku, Valery Tretyak, Abrar Zahoor, Ayn Zoya.

História : Um retrato sobre a vida da corajosa Neerja Bhanot, que sacrificou a sua vida ao mesmo tempo que protegia as vidas de centenas de passageiros de um voo em 1986. Voo esse que foi sequestrado por uma organização terrorista.

Comentário : Tenho que confessar que vejo pouco cinema indiano, e fui um bocado renitente para este filme. Apesar dos dizeres iniciais anunciarem que não se trata de uma biografia, para mim este é sim, um filme biográfico. Porque mostra o que se passou com aquela famosa hospedeira de bordo que sacrificou a própria vida para tentar salvar o maior número possível de passageiros. Sonam Kapoor consegue assim a melhor prestação do filme, na realidade, a sua personagem foi uma montanha russa de sentimentos ao longo da fita. Os atores que desempenharam os terroristas também tiveram prestações bastante credíveis. Hollywood devia meter os olhos neste filme e aprender alguma coisa no que diz respeito a conceber filmes deste género. Durante grande parte do filme, somos assaltados por um constante clima de nervos e tensão devido à situação em que os passageiros e tripulação se encontram. Apesar de um ou outro erro sem relevância, estamos perante um filme muito realista que mistura os acontecimentos trágicos decorridos no avião com imagens da vida pessoal da protagonista e de momentos dela com membros da sua familia. Para mim, é já um dos grandes filmes deste ano. Muito bom. 

Virgin Mountain

Nome do Filme : “Fusi”
Titulo Inglês : “Virgin Mountain”
Titulo Português : "O Grande Fusi"
Ano : 2015
Duração : 96 minutos
Género : Drama
Realização : Dagur Kari
Elenco : Gunnar Jonsson, Franziska Una Dagsdottir, Ilmur Kristjansdottir, Margret Helga Johannsdottir, Sigurjon Kjartansson, Arnar Jonsson, Thorir Saemundsson.

História : Fusi é um homem obeso de 43 anos que ainda vive com a mãe, ele tem um emprego mediano e nunca teve uma mulher na vida. Ao conhecer uma estranha florista que se transforma numa espécie de namorada e uma menina pequena que se torna sua amiga, Fusi começa a ver a vida de uma outra forma.

Comentário : Os cartazes do filme enganam. Não se trata de uma comédia nem tão pouco de uma comédia dramática, estamos perante um drama profundo e muito humano que mexe em temas como o bullying, a intolerância, a discriminação, a indiferença, a falta de afectos e de auto-estima, a proibição de amizades supostamente erradas apenas devido a grandes diferenças de idades, a falta de compaixão, mas a cima de tudo, o tema principal é sobre um homem bondoso e amigo de todos que carrega o fardo de ser um dos homens mais azarados do mundo. Pessoalmente, senti um grande carinho pelo protagonista, é um ser adorável e sem qualquer tipo de interesses ou maldade, como existem muito poucos por esse mundo fora. Fiquei comovido em algumas cenas, noutras senti revolta. Até na companheira que finalmente arranja, a tal florista, ele teve azar. Para cúmulo, ainda possui uma mãe extremamente controladora que faz chantagem com ele, para que ele não saia de sua casa e não a abandone, como o recente amante fez. Vindo directamente de um país tão bonito como a Islândia, este filme cativou-me imenso e o considero um dos melhores filmes que tive a oportunidade de ver. A principal razão é porque mexeu comigo. Um último apontamento, a interpretação de Gunnar Jonsson é digna de um oscar. 

Land And Shade

Nome do Filme : “La Tierra Y La Sombra”
Titulo Inglês : “Land And Shade”
Titulo Português : “A Terra e a Sombra”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Cesar Augusto Acevedo
Elenco : Hilda Ruiz, Marleyda Soto, José Felipe Cardenas, Haimer Leal, Edison Raigosa.

História : Alfonso é um velho fazendeiro que retorna à casa para cuidar do filho, que está gravemente doente. Ao chegar, redescobre o antigo lar, agora habitado por sua mulher, a nora e o neto. O local parece uma terra abandonada. Grandes campos de cana de açúcar rodeiam o local, criando nuvens de cinzas durante as queimadas. Quase duas décadas depois de os ter abandonado, Alfonso tenta não só aproximar-se e ajudar o filho, como também tentar se reconciliar com a sua antiga companheira.

Comentário : Mais um filme que tive a grande oportunidade de ver, mais uma grande fita que me surpreendeu. O filme divide-se entre o tema da família e o trabalho precário aliado à exploração laboral. No centro da trama, temos um homem velho que abandonou a esposa que na altura tinham um filho menor, o que gerou ressentimentos na senhora. Duas décadas mais tarde, ele regressa à habitação e tenta fazer as pazes com eles. Não é um filme fácil de ver, é uma obra muito parada e praticamente sem ritmo, com muitos momentos mortos. No entanto, o realizador depositou nos seus atores a responsabilidade de fazer com que os espectadores aguentem a sua obra e simpatizem com a história. Pessoalmente, gostei bastante do que vi, confesso até que já esperava aquele final. Apesar de ter gostado da prestação do velho ator, as verdadeiras estrelas do filme são a sua nora e a sua esposa, estas duas atrizes fizeram um excelente trabalho de representação, obtendo bons desempenhos. No inicio, não engraçamos com a velha senhora, mas depois descobrimos que ela afinal tem um coração de ouro. A esposa do homem acamado é de uma ternura bestial. Gostei bastante deste filme. 

Standing Tall

Nome do Filme : “La Tête Haute”
Titulo Inglês : “Standing Tall”
Titulo Português : “De Cabeça Erguida”
Ano : 2015
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Emmanuelle Bercot
Elenco : Catherine Deneuve, Rod Paradot, Benoit Magimel, Sara Forestier, Diane Rouxel, Elisabeth Mazev, Christophe Meynet, Catherine Salee, Enzo Trouillet, Ludovic Berthillot, Michel Masiero, Yannick Courbe, Tiffany Crobu, Alice Houri, Vanessa Robin.

História : Abandonado pela mãe aos seis anos, Malony começa a cometer pequenos delitos e a ter constantemente problemas com as autoridades. Durante a sua adolescência, uma juíza do Tribunal de Menores e um educador tentam ajudá-lo.

Comentário : Possivelmente um dos filmes mais intensos e comoventes que tive a oportunidade de ver nos últimos anos. A realizadora Emmanuelle Bercot já tinha dado provas no seu anterior filme que era mestre na direção de atores e isso aconteceu novamente neste seu novo filme. Catherine Deneuve (uma verdadeira senhora) teve aqui um excelente papel e claramente que a sua interpretação é de igual excelência. Adorei a sua personagem. O jovem ator Rod Paradot foi uma agradável surpresa, que grande talento, possui uma excelente personagem e soube trabalhá-la. A quimica entre o rapaz e a diva do cinema francês funcionou na perfeição. O filme aborda a delinquência juvenil e as famílias disfuncionais e soube trabalhar muito bem esses temas. Confesso ter ficado emocionado em algumas cenas. Malony é um jovem que vive num ambiente de violência, rodeado de gente violenta e num mundo violento. Até faz um filho de forma violenta, é essa a sua natureza. Demorará imenso até que ele entre nos eixos e ao longo de quase duas horas acompanhamos o seu duro e complicado percurso, quase todo composto de asneiras. O final é muito bonito. 

Mountains May Depart

Nome do Filme : “Shan He Gu Ren”
Titulo Inglês : “Mountains May Depart”
Titulo Português : “Se As Montanhas Se Afastam”
Ano : 2015
Duração : 130 minutos
Género : Drama
Realização : Zhangke Jia
Elenco : Tao Zhao, Yi Zhang, Jing Dong Liang, Zijian Dong, Sylvia Chang, Zishan Rong.

História : Na China de 1999, Tao, uma jovem rapariga de Fenyang é cortejada por dois amigos de infância, Zhang e Liang. Zhang, proprietário de uma estação de serviço, tem reservado para si um futuro prometedor, ao passo que Liang trabalha numa mina de carvão. Com o coração dividido entre estes dois homens, Tao vai fazer uma escolha que irá marcar o resto da sua vida e da do seu futuro filho, Dollar.

Comentário : Trata-se de um profundo drama humano e intenso que eu adorei. É um filme chinês e confesso gostar bastante do tipo de cinema feito no Oriente. É impressionante vermos até que ponto chegam as vidas das pessoas, bem como as voltas que elas dão. O filme começa e termina quase da mesma maneira e ao som de uma belíssima canção dos anos 90. É no meio da fita que se centram todas as emoções. O argumento é um dos pontos mais altos do filme e a história segue-se bastante bem. A nível das interpretações, não existe nada a apontar. Claro que gostei imenso da prestação da bonita Tao Zhao e da sua personagem sofrida. O filme é um pouco longo, mas eu mal dei pelo tempo passar, tal não era a forma como estava penetrado naquilo que estava a acontecer. O filme aborda igualmente a questão do poder do dinheiro, note-se que principalmente por causa disso, o menino ficou à guarda do pai. Mas estou seguro que a mãe também devia ter os seus motivos para não ter o filho com ela. Seguramente, um dos melhores filmes que o ano passado me trouxe, potente, deprimente e lindo. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

The Anarchists

Nome do Filme : “Les Anarchistes”
Titulo Inglês : “The Anarchists”
Titulo Português : “Os Anarquistas”
Ano : 2015
Duração : 101 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Elie Wajeman
Elenco : Adele Exarchopoulos, Tahar Rahim, Aurelia Poirier, Guillaume Gouix, Swann Arlaud, Karim Leklou, Sarah Le Picard, Cedric Kahn, Emilie Preissac, Audrey Bonnet, Thibault Lacroix, Arieh Worthalter, Simon Bellouard, Louise Roch, Valentine Vittoz, Manuella Muller.

História : Nos últimos anos do século XIX, um sargento é encarregado de se infiltrar num grupo de anarquistas em Paris, podendo ganhar uma promoção caso a tarefa seja bem sucedida. Enquanto fornece relatórios aos seus superiores, ele começa a questionar a operação e desenvolve sentimentos pessoais por membros do grupo.

Comentário : Adele Exarchopoulos (LINDA) e Tahar Rahim estão excelentes neste filme. Gostei imenso desta fita de época e confesso que gostei de ter ficado a saber umas coisinhas. O personagem de Tahar Rahim é bastante interessante, porque recebe a missão de se enfiar num grupo de anarquistas e relatar para terceiros o que eles preparam. Gostei também da química entre ele e a personagem de Adele, embora não tenha gostado do rumo que as coisas levam e muito menos do destino da sua relação. Adele está linda (novamente) e exibe mais uma vez a excelência da sua representação, adorei vê-la neste papel, embora o meu filme preferido dela seja “A Vida de Adele”. Destaque para a fotografia e para o guarda-roupa, tudo foi feito a perceito e com todo o cuidado. A maioria das cenas resultaram bem, algumas não ficaram tão bem concebidas. Mas no geral, estamos perante uma obra bastante consistente, um filme que eu me senti bem ao ver. A realização é tão boa ao ponto de quem vê o filme, conseguir sentir o drama de cada personagem. O filme estreia brevemente nas nossas salas de cinema. 

Theeb

Nome do Filme : “Theeb”
Titulo Inglês : “Wolf”
Ano : 2014
Duração : 100 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Naji Abu Nowar
Elenco : Jacir Eid Al Hwietat, Hussein Salameh Al Sweilhiyeen, Hassan Mutlag Al Maraiyeh.

História : Durante uma expedição para encontrarem um poço, um menino beduíno e o seu grupo são alvo de um tiroteio que culmina com a morte de quase todos. Sendo o único sobrevivente porque caiu a um poço, o pequeno Theeb fica sozinho e entregue a si mesmo no meio do deserto, abraçando uma perigosa jornada em busca da sobrevivência.

Comentário : Fiquei maravilhado com este pequeno filme do chamado cinema do mundo, que foi nomeado para um oscar para melhor filme estrangeiro. O filme é muito bom e é igualmente muito realista. Pessoalmente, nada conhecia sobre o filme, nem sobre os atores e muito menos do realizador. Logo, funcionou tudo como uma agradável surpresa para mim. A realização e fotografia são boas e nada existe a apontar de negativo para as interpretações, indo para o pequeno Jacir Eid Al Hwietat o merecido destaque, ele é um grande protagonista, o tal lobo do titulo. Tendo o deserto dos Emirados Árabes como cenário, fiquei mais concentrado neste curto filme do que em todos os filmes da saga da múmia, não estou a exagerar. Foi algo curiosa a relação inesperada que se cria entre o protagonista e o desconhecido que ajudou a matar o irmão e os companheiros da criança. Porém, o rapaz nunca esqueceu quem realmente ele era e fez o que devia. Gostava de ter visto o comboio mais de perto. Não percebi o que continha a caixa de madeira que o inglês tanto protegia. Na minha opinião, o miúdo protagonista (na foto em baixo) devia receber um grande prémio pela excelente prestação que fez neste filme, que enorme talento, o filme pertence-lhe. 

The Young Messiah

Nome do Filme : “The Young Messiah”
Titulo Inglês : “The Young Messiah”
Titulo Português : “O Pequeno Messias”
Ano : 2016
Duração : 111 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Cyrus Nowrasteh
Elenco : Adam Greaves Neal, Sara Lazzaro, Agni Scott, Lois Ellington, Isabelle Adriani, Vincent Walsh, Finn Ireland, Christian McKay, Jane Lapotaire, Dune Medros, Clive Russell, Jonathan Bailey, David Bradley, David Burke, Jacopo Alaimo, Dorotea Mercuri, Douglas Dean, Giselda Volodi, Lydia Muijen, Sean Bean, Rory Keenan.

História : Depois de serem obrigados a fugir de Israel devido ao ódio do rei Herodes que mandou matar todos os recém-nascidos do sexo masculino, Jesus, Maria e José vivem em Alexandria. Jesus, agora com sete anos de idade, percebe que existem segredos relacionados com o seu nascimento mas desconhece as razões pelas quais é tratado de forma diferente de todos os outros meninos. Os seus pais, por seu lado, consideram ser demasiado cedo para lhe revelarem o milagre do seu nascimento e tudo o que isso significa.

Comentário : Apesar deste filme estar muito mal classificado nos sites da especialidade, eu gostei dele. A fita é baseada em manuscritos sobre a infância de Jesus e também nas histórias que conhecemos sobre Deus. Pessoalmente, gostei do filme porque nos deu uma visão diferente sobre o messias, geralmente, este tipo de filmes religiosos apresentam-nos Jesus em criança mas a maior parte da duração da fita é sobre a fase adulta dele até à crucificação ou não, enquanto que este filme centra-se unicamente nos sete anos de idade de Jesus Cristo. No papel do pequeno Jesus Cristo, Adam Greaves Neal teve um excelente desempenho, foi sempre assim que eu imaginei que seria Jesus em criança. Nos papéis de pais, Sara Lazzaro e Vincent Walsh tiveram boas prestações, embora o destaque seja para ela naquela comovente cena perto do final no campo em que a mãe conta a sua história ao filho. Destaque também para a excelente mas curta participação do ator David Bradley, adorei o seu personagem. Por outro lado, o mesmo não se pode dizer dos vilões, são péssimos personagens, o falso rei, por exemplo é execrável. Sempre me fascinaram as questões dos seres humanos que possuem habilidades especiais e essas questões remetem para a existência ou não dos chamados mutantes. Jesus Cristo foi realmente criado espiritualmente por Deus que engravidou milagrosamente Mary ou foi um dos primeiros mutantes da História ? 

American Beauty

Nome do Filme : “American Beauty”
Titulo Inglês : “American Beauty”
Titulo Português : “Beleza Americana”
Ano : 1999
Duração : 122 minutos
Género : Drama
Realização : Sam Mendes
Elenco : Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Mena Suvari, Wes Bentley, Chris Cooper.

História : Um casamento de fachada chega ao fim ao mesmo tempo que três jovens tentam apreciar o melhor que a vida lhes tem para oferecer.

Comentário : Hoje venho aqui vos falar de um dos filmes que eu mais gostei no passado. É este “American Beauty”, excelente filme cujo único mal é ser uma produção americana. Kevin Spacey está espectacular no seu papel, confesso que não sou grande apreciador deste ator, sendo este o único filme em que eu o gostei de ver. Annette Bening tem aqui uma interpretação brutal, foi neste filme que eu me rendi à atriz, até então nunca tinha reparado nela. Wes Bentley e Thora Birch (linda como sempre) formam o casal perfeito, a empatia entre as suas personagens sente-se a cada frame que partilham juntos, tiveram desempenhos excelentes. As imagens das filmagens do personagem dele são dos melhores momentos do filme, na minha opinião, a melhor cena da fita é a filmagem da “dança” do saco, lindo. Mena Suvari está muito sexy no filme, apesar de eu não a achar uma nina muito bonita, tenho que reconhecer que ela é uma boa atriz e a sua personagem transpira estilo por todos os poros. Por último, gostei da prestação de Chris Cooper, apesar de afirmar que lhe deram um personagem muito injusto. Todos os prémios que o filme auferiu foram justos e temos que reconhecer que é dos melhores filmes que os Estados Unidos já produziu. É o filme ideal que mostra a vida actual de algumas pessoas, de algumas famílias.