sexta-feira, 29 de abril de 2016

Parade

Nome do Filme : “Parade”
Titulo Inglês : “Parade”
Ano : 1974
Duração : 90 minutos
Género : Comédia Familiar
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Michele Brabo, Pia Colombo, Moniqa Sunnerberg.

História : Ao longo de “Parade”, adultos e jovens formam uma massa entusiástica, unida pelo espectáculo à sua frente. Desde o início, duas crianças demonstram, através de trocas de olhar, a alegria de estarem juntos. O público participa directamente no espectáculo de circo e music-hall enquanto Tati, o mestre de cerimónias, dirige e anima esta representação.

Comentário : Possivelmente o filme mais fraco das seis obras de Jacques Tati. Eu mesmo, tenho que confessar que não gostei muito deste filme. Porque o argumento é paupérrimo e porque não me despertou o mínimo interesse. Ainda assim, gostei de ver os números de circo e adorei a variedade de coisas que iam sucedendo. Como se de um verdadeiro desfile se tratasse. A ideia em si não é má, mas a coisa podia ter resultado melhor. Destaque para as crianças e para Jacques Tati, aqui no seu último papel, pela segunda vez, sem ser Hulot. A musica tem aqui um grande destaque. Uma das coisas que surpreendeu neste filme é o facto de tudo parecer real e verdadeiro, ou seja, parece que esconderam uma camara naquela altura e filmaram tudo de forma clandestina. Nesse aspecto, as coisas funcionaram bem. Por último, confesso que preferia ter tido o senhor Hulot a atrapalhar as facetas circenses. Senti mesmo a sua falta. Este filme não foi a melhor forma dele terminar a sua carreira como realizador, até mesmo, porque se trata de um telefilme, mas os seus três anteriores filmes compensam tudo. Em baixo, uma imagem do senhor Hulot. 

Trafic

Nome do Filme : “Trafic”
Titulo Inglês : “Trafic”
Titulo Português : “Sim, Sr. Hulot”
Ano : 1971
Duração : 96 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Maria Kimberly, François Maisongrosse.

História : A sociedade automobilística francesa Altra quer fazer-se vingar no salão Automóvel de Amesterdão com um protótipo engenhoso de caravana desenhado pelo senhor Hulot. Este irá acompanhar, juntamente com Maria, a jovem e mimada relações públicas da empresa, o camião onde o protótipo seguirá até Amesterdão. Nesta viagem irão surgir uma série de peripécias que atrasarão a chegada e mudarão a postura de Maria para com os que a rodeiam.

Comentário : Cá está, este é o meu filme preferido de Jacques Tati. Principalmente porque é neste que encontramos uma história mais consistente e onde o humor é mais concentrado. Adorei a caravana, adorei os problemas que lhes surgem durante a viagem, adorei os adornos da caravana, enfim, o filme em si, é espectacular. Mais uma vez, Jacques Tati está soberbo, sempre a realizar e a protagonizar os seus filmes, tudo em simultâneo. Este filme, tal como todos os anteriores, funciona como uma sátira a algo. Penso que neste caso, o cineasta aborda o modernismo excessivo e a própria evolução das coisas em si. O filme aborda igualmente e de forma muito divertida, como podem ser excessivas as técnicas de venda e como exagerados podem ser os produtos, neste caso, a caravana. Destaque para as situações que sucedem cada vez que são obrigados a parar a viagem devido a uma avaria ou a outro factor, sucedem coisas muito interessantes. E depois temos Maria, a segunda melhor personagem do filme. Outro “road-movie” fascinante.

Playtime

Nome do Filme : “Playtime”
Titulo Inglês : “Playtime”
Titulo Português : “Vida Moderna”
Ano : 1967
Duração : 116 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Barbara Dennek, Rita Maiden, France Rumilly, Erika Dentzler.

História : Na era das “Economic Air Lines”, turistas americanos efectuam uma viagem organizada. O programa é composto pela visita de uma capital por dia. Quando chegam a Paris, apercebem-se que o aeroporto é exactamente igual àquele de onde partiram de Roma, que as ruas são como as de Hamburgo e que os candeeiros de rua se parecem estranhamente aos de Nova Iorque. Pouco a pouco encontram franceses, entre os quais, o senhor Hulot.

Comentário : Mais um grande filme de Jacques Tati. Este funciona quase como um “road-movie”. As senhoras viajam de autocarro pelas ruas da cidade, acabando por se cruzarem com o senhor Hulot. Existe uma cena perto do final muito bonita em que ele oferece a uma senhora uma prenda simbólica e, por pouco, que não chega a tempo de a entregar. Este filme talvez funcione como uma espécie de sátira e critica às grandes cidades, porque devido à industrialização, todas parecem iguais. Jacques Tati possui, mais uma vez, uma grande prestação, ele é uma grande figura e fez um grande papelão, não se podia esperar outra coisa. Este filme é outro dos meus preferidos dele. Um último destaque, a sequência do bar noturno é verdadeiramente única e soberba.

Mon Oncle

Nome do Filme : “Mon Oncle”
Titulo Inglês : “My Uncle”
Titulo Português : “O Meu Tio”
Ano : 1958
Duração : 117 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Jean Pierre Zola, Adrienne Servantie, Lucien Fregis, Betty Schneider, Jean François Martial, Adelaide Danieli, Alain Becourt, Regis Fontenay.

História : O senhor e a senhora Arpel têm uma casa moderna num quarteirão asséptico. Na casa deles é tudo novo : o jardim é novo, a casa é nova, os livros são novos, o chafariz, enfim, tudo. Neste universo tão confortável, tão clean, tão hich-tech, tão bem programado, o filho Gerard aborrece-se de morte. É então que irrompe o irmão da senhora, o tio, o senhor Hulot. Personagem inadaptada, habituada ao seu mundo caloroso, vai, para delírio do sobrinho, virar tudo de pernas para o ar.

Comentário : Este filme de Jacques Tati é um dos meus preferidos dele. A sua personagem desajustada entra em confronto com uma família (por acaso, a dele) moderna e as coisas não correm como o esperado. É conhecido o veículo preferido dele, a bicicleta, para além de outros objectos seus muito característicos, a gabardina, o chapéu de chuva, o chapéu na cabeça e o cachimbo. Hulot é um homem magro e todos estes artefactos jogam bem com a sua fisionomia e até lhe dão um ar cómico. Adorei também o chafariz da casa, bem como tudo o que se passa com ele. Gostei igualmente do cão e do miúdo. O casal dono da casa também possui uma certa graça, principalmente devido às suas ações, com a casa em si. Quando a festa começa no quintal dos Arpel, dá-se também inicio às situações mais díspares provocadas pelo senhor Hulot, o tio do menino. Não gosto de comédias, mas adoro os filmes de Jacques Tati.

Les Vacances De Monsieur Hulot

Nome do Filme : “Les Vacances De Monsieur Hulot”
Titulo Inglês : “Mr. Hulot's Holiday”
Titulo Português : “As Férias Do Sr. Hulot”
Ano : 1953
Duração : 114 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla, Valentine Camax.

História : Hotel de la Plage, costa atlântica, Verão : as pessoas pousam as malas calmamente. Ao longe, o som incomodativo de um carro ruidoso. Ao volante, um veraneante pouco comum. É o senhor Hulot, que para gáudio das crianças, semeia involuntariamente o terror nesta pequena sociedade de veraneantes demasiado sérios.

Comentário : Depois, aparece este segundo filme, igualmente muito divertido. Aqui, o realizador Jacques Tati encarna a sua melhor personagem : O Senhor Hulot. Pessoalmente, adoro este personagem. Destaque para a habitação onde ele fica a dormir enquanto está de férias. O filme possui inúmeros momentos engraçados, quase todos a cargo de Jacques Tati, são de chorar a rir os maneirismos da sua personagem. Este filme fez também um grande sucesso. Por cá, recentemente, o Cinema Nimas passou um ciclo dedicado à filmografia do realizador com estes seis filmes em cópias restauradas de som e imagem. Foi uma grande homenagem que Paulo Branco e a Leopardo Filmes fizeram ao grande Jacques Tati. Quanto ao filme, é muito bom, tal como o primeiro. Mas o melhor ainda estava para vir.

Jour De Fête

Nome do Filme : “Jour De Fête”
Titulo Inglês : “The Big Day”
Titulo Português : “Há Festa Na Aldeia”
Ano : 1949
Duração : 71 minutos
Género : Comédia
Realização : Jacques Tati
Elenco : Jacques Tati, Guy Decomble, Paul Frankeur, Santa Relli, Maine Vallee.

História : Numa pequena aldeia do centro de França, é dia de festa : os feirantes chegam à praça com as suas rulotes, carroças, carros, cestas, carrosséis, lotarias, fanfarras. Instala-se um cinema ambulante. É ocasião para os aldeões descobrirem um documentário sobre as proezas dos correios na América. Ridicularizado por toda a aldeia, François, o carteiro, decide aprender a executar o seu trabalho “à americana”.

Comentário : Decidi dedicar neste meu espaço um especial a um grande realizador francês cujo cinema incide mais na comédia satírica, o grande Jacques Tati. Apenas farei comentários breves sobre estes filmes, até mesmo porque já os vi à algum tempo. Gostei deste primeiro filme, onde a personagem principal é um carteiro que é gozado e, por vezes, humilhado pelos habitantes de uma estranha aldeia. Confesso que senti pena desse carteiro em algumas situações. Embora, uma ou outra situação seja ligeiramente descabida. Jacques Tati interpreta na perfeição esse carteiro, naquele que é o seu papel mais insólito, porque normalmente no seu cinema, é ele quem “goza” com os outros. Um primeiro filme muito divertido e interessante, onde o destaque vai para o facto de quererem fazer igual, só porque alguém “muito importante” o faz.

terça-feira, 26 de abril de 2016

In The Shadow Of Women

Nome do Filme : “L'Ombre Des Femmes”
Titulo Inglês : “In The Shadow Of Women”
Titulo Português : “À Sombra Das Mulheres”
Ano : 2015
Duração : 70 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Philippe Garrel
Elenco : Clotilde Courau, Lena Paugam, Stanislas Merhar, Mounir Margoum.

História : Pierre e Manon são casados há já algum tempo. Ele é realizador e está a trabalhar num documentário sobre um herói da Segunda Grande Guerra. O dinheiro escasseia e eles vão subsistindo como podem ao dia-a-dia. Um dia, ele conhece Elisabeth, uma rapariga mais jovem e muito bonita, com quem inicia uma relação extraconjugal. Manon, por seu lado, também lhe é infiel com outro homem.

Comentário : Mais uma vez, o grande realizador francês Philippe Garrel nos aparece com um drama romântico e mais uma vez, usa a filmagem a preto e branco cromática que tem vindo a marcar os seus últimos filmes. A nível das relações humanas, o realizador sempre soube trabalhar nesse campo de forma irrepreensível e isso nota-se de filme para filme. Nos seus últimos filmes, Philippe Garrel tem conseguido trabalhar melhor questões como o amor, as relações extraconjugais, as traições e a própria questão do adultério em si. O argumento é um pouco redutor, empurrando a questão da traição como sendo ainda uma atitude aceitável no que aos homens diz respeito.

As mulheres continuam a ser tidas e vistas como as grandes responsáveis, como se o mal nesta questão viesse somente delas. Essa questão também foi bem trabalhada. A nível das interpretações, não gostei da prestação de Stanislas Merhar, embora tenha que admitir que o papel de canastrão assenta-lhe como uma luva. O realizador consegue mais uma vez que as mulheres brilhem mais. Clotilde Courau e Lena Paugam, cada uma à sua maneira, obtiveram poderosas interpretações, embora isso se tenha notado mais em relação à primeira e tudo devido às cenas das discussões do casal. Temos que agradecer a Philippe Garrel por mais este excelente filme. 

Run Boy Run

Nome do Filme : “Lauf Junge Lauf”
Titulo Inglês : “Run Boy Run”
Titulo Português : “Corre, Rapaz, Corre”
Ano : 2013
Duração : 113 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Pepe Danquart
Elenco : Andrzej Tkacz, Kamil Tkacz, Elisabeth Duda, Julia Stachowicz, Natalia Wajs, Izabela Kuna, Itay Tiran, Lukasz Gajdzis, Przemyslaw Sadowski, Jeanette Hain, Rainer Bock, Grazyna Szapolowwska, Zbigniew Zamachowski, Miroslaw Baka, Jochen Hagele, Krzysztof Porowski, Franciszek Wielkoszynski, Szymon Kurylo, Jacek Wojciechowski, Filip Witkowski, Michal Olszewski, Katarzyna Bargielowska.

História : Na época do Holocausto, um pequeno rapaz judeu, graças ao sacrifício do pai, consegue escapar à morte e isola-se na floresta, onde vai vivendo várias aventuras e sobrevivendo com a ajuda das pessoas que vai conhecendo.

Comentário : Gostei deste filme baseado numa história verídica, a do rapaz claro. De certeza que, tal como este, existiram muitos meninos e meninas que andavam sem rumo devido ao Holocausto, outros não tiveram tanta sorte. O filme segue-se muito bem, embora por vezes, tenha um ou outro tempo morto, mas no geral, o realizador soube fazer chegar o seu barco a bom porto. Todos tiveram prestações aceitáveis, com destaque para os dois atores que desempenharam o papel do protagonista. O filme tem cenas tocantes, por exemplo, a sequência do sacrifício do pai, ou a cena do enterro do cão, ou ainda a sequência em que o miúdo magoa a mão. O principal problema é que tudo soa demasiado a cliché, devido ao facto destes assuntos do Holocausto já terem tido direito a muitos filmes. Mas não há dúvidas que estamos perante um bom filme. Eu gostei e recomendo. 

Saint Laurent

Nome do Filme : “Saint Laurent”
Titulo Inglês : “Saint Laurent”
Titulo Português : “Saint Laurent”
Ano : 2014
Duração : 150 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Bertrand Bonello
Elenco : Gaspard Ulliel, Lea Seydoux, Jeremie Renier, Louis Garrel, Aymeline Valade, Amira Casar, Micha Lescot, Valeria Bruni Tedeschi, Valerie Donzelli, Jasmine Trinca, Dominique Sanda, Brady Corbet, Patrick Sobelman, Iliana Zabeth, Helmut Berger.

História : Yves Henri Donat Mathieu Saint Laurent nasce em 1936, em Orão, numa altura em que a Argélia é ainda uma colónia francesa. Aos 17 anos, deixa a casa dos pais rumo a Paris, onde vem a trabalhar com o estilista Christian Dior. Após a morte do seu mentor, torna-se, para espanto de todos, o responsável pela direcção criativa da casa Dior. Depois do seu primeiro grande desfile, que se revela um êxito e salva a empresa da ruína, conhece o empresário Pierre Bergé num encontro que mudará a sua vida. Amantes e parceiros de negócios, os dois associam-se e, em 1961, criam a casa Yves Saint Laurent que, durante as décadas de 60/70, viria a alterar alguns dos paradigmas da moda.

Comentário : A sinopse engana, na realidade, este filme biográfico não é tanto sobre a vida de Yves Saint Laurent, é sim, sobre uma determinada parte da sua vida. O protagonista passa o filme a deambular de um lado para o outro, a ter casos homossexuais, passa pelo seu atelier onde desenvolve uns quantos vestidos e traços, brinca com o seu cão, vai a bares e festas, conversa com modelos e ainda arranja tempo para não fazer nada. Não estava a exagerar se tivesse dito estarmos perante um filme oco, na realidade, a fita não nos prende muito. Gaspard Ulliel e Louis Garrel possuem as melhores prestações do filme, Lea Seydoux tem na fita a pior interpretação da sua carreira, além disso o seu papel é praticamente nulo. O filme é muito longo, meia hora a menos, seria o ideal. O ator principal imita muito bem os maneirismos do ícone da moda, pessoalmente, gostei bastante da sua prestação. Em forma de resumo, diria que o filme é apenas razoável, mas com uma personalidade destas, a coisa podia ter sido mais abrangente e podia ter resultado bem melhor. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

The Lesson

Nome do Filme : “Urok”
Titulo Inglês : “The Lesson”
Titulo Português : “A Lição”
Ano : 2015
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Kristina Grozeva/Petar Valchanov
Elenco : Margita Gosheva, Ivanka Bratoeva, Ivan Barnev, Ivan Savov, Stefan Denolyubov, Poli Angelova, Kiril Bakalov, Mihail Boevski, Atanas Bratoev, Georgi Bratoev, Ana Bratoeva, Nadejda Bratoeva, Boris Doychinov, Vanina Geleva, Antoneta Guleva, Magdelena Ilieva, Milena Ilieva, Mira Iskarova, Yana Lazarova, Yavor Namliev, Elisaveta Popovska, Hristo Simeonov, Nikolay Todorov, Deya Todorova, Hristina Tsvetanova, Greta Velikova, Toma Waszarow.

História : Nade é professora numa pequena cidade da Bulgária. Mais do que ensinar, procura formar os seus alunos eticamente. Um dia, depois de lhes dar uma lição de moral por causa de um roubo, chega a casa e depara-se com um oficial de justiça. Este diz-lhe que a prestação não está a ser paga e que, caso não resolva a questão em poucos dias, será despejada. Foi o marido dela, um desempregado alcoólico, que utilizou irresponsavelmente o dinheiro. Desesperada e com uma filha pequena de quatro anos a seu cargo, tenta encontrar um modo de pagar a dívida antes que seja demasiado tarde. Nesse percurso, face a decisões que a farão colocar em causa a sua própria integridade, será a professora a aprender uma difícil e grande lição de vida.

Comentário : Fiquei bastante satisfeito com este filme do chamado cinema do mundo, trata-se de uma obra crua e muito realista. É uma fita vinda directamente da Bulgária onde podemos testemunhar o comportamento de uma professora, ou seja, verificamos que a sua situação vai de mal a pior. Uma coisa que me fez confusão foi o facto da personagem principal não nos cativar, não senti qualquer tipo de empatia e de simpatia por ela. O que quer dizer que estamos perante uma personagem seca e fria. Durante o decorrer do filme, foram poucas ou nenhumas as vezes que a professora demonstrava afecto ou brincava com a filha pequena. Aliás, é ao pai que se devem praticamente todas as manifestações de afecto que a pequena recebe, mesmo sendo ele declarado o “mau da fita”, devido a ser ele o causador da situação em que eles se encontram. O filme foi filmado usando o estilo de camara na mão, o que lhe deu ainda mais o ar de realista. Nota igualmente positiva para a fotografia. A cena do chafariz e das moedas é marcante para percebermos a que ponto chegou a protagonista. Não me vou alongar muito na lição forçada que a professora teve que levar, apenas vou escrever um famoso ditado : “Nunca cuspas para o ar, pode cair-te em cima...”, no caso deste filme, aplica-se na perfeição. Gostei bastante deste filme, uma grande lição de cinema. 

The Wait

Nome do Filme : “L'Attesa”
Titulo Inglês : “The Wait”
Titulo Português : “A Espera”
Ano : 2015
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Piero Messina
Elenco : Juliette Binoche, Lou De Laâge, Giorgio Colangeli, Domenico Diele, Antonio Folletto, Corinna Locastro, Giovanni Anzaldo, Razor Rizzotti.

História : Anna deixa-se levar pelo passar dos dias, percorrendo sem rumo a enorme mansão onde vive, na Sicília. Tudo à sua volta é silencioso e triste. Não fossem os poucos contactos que vai tendo com Pietro, o encarregado, e ela viveria em total reclusão. Um dia, chega Jeanne, uma linda jovem que diz ser namorada de Giuseppe, o filho de Anna. Segundo a miúda, os dois combinaram encontrar-se ali para os festejos da Páscoa. Enquanto esperam por ele, as duas mulheres aproveitam para se conhecerem e saberem outras facetas de Giuseppe. Porém, por mais que aguardem, parece que não há forma de ele regressar a casa.

Comentário : Estamos perante um profundo drama humano que abarca no seu centro uma tragédia. O filme reúne num espaço fechado (a mansão) uma mãe, num sofrimento atroz pela morte recente do filho e a namorada deste, que vem visitá-lo, alegadamente a seu convite. No entanto, a solitária matriarca resiste em dar-lhe conhecimento da triste notícia e mantém tudo num enorme silêncio. Aliás, trata-se de um filme repleto de silêncios, mas muito íntimo e delicado, detentor de belíssimos planos. Apesar de possuir uma narrativa escassa e linear, nunca nos desvia a atenção para aquilo que está a acontecer, pelo contrário, mantêm-nos sempre nos carris e na expectativa que aquela mãe revele à miúda a verdade e talvez, ela mesmo se sinta mais aliviada. Mas o filme peca por ser muito parado. 

O filme, muito mal recebido pela critica lá fora, funciona muito bem em parte devido à prestação das duas atrizes. De Juliette Binoche, não se podia esperar outra coisa, esta atriz, para além de ser muito elegante é das melhores atrizes dos últimos anos, tem neste filme uma interpretação visceral, adorei vê-la neste registo. Por outro lado, temos uma linda jovem chamada Lou De Laâge (linda mesmo), que se revelou uma verdadeira estrela, a sua prestação é excelente e a sua química com Binoche funcionou na perfeição. As duas mulheres se completam, seja como atrizes, seja enquanto personagens. Penso que a mãe não conta a verdade à miúda porque pretende, através dela, saber mais sobre o filho falecido, ou então procura apenas uma companhia feminina para a solidão e conforto. O filme vive muito da relação que se estabelece entre as duas. Piero Messina estreia-se assim de forma brilhante na cadeira da realização, depois de ter sido assistente do realizador Paolo Sorrentino. Claramente que aprendeu muito com ele, porque este “L'Attesa” é um bom filme. Gostei mesmo, um filme a rever brevemente em DVD. 

domingo, 24 de abril de 2016

Cemetery Of Splendor

Nome do Filme : “Rak Ti Khon Kaen”
Titulo Inglês : “Cemetery Of Splendor”
Titulo Português : “Cemitério do Esplendor”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Apichatpong Weerasethakul
Elenco : Jenjira Pongpas Widner, Jarinpattra Rueangram, Banlop Lomnoi, Sakda Kaewbuadee.

História : Soldados com uma misteriosa doença de sono são transferidos para uma clínica temporária numa antiga escola. O espaço, repleto de memórias, torna-se num mundo revelador para a voluntária Jenjira, enquanto cuida de Itt, um bonito soldado, que nunca recebe visitas de familiares. Ela fica amiga de Keng, a jovem médium que usa os seus poderes psíquicos para ajudar as famílias a comunicar com os homens que estão a dormir. Os médicos exploram formas, incluindo a terapia da luz colorida, para aliviar os sonhos conturbados dos homens. No decorrer do tempo que passa no local, Jenjira percebe que poderá haver uma ligação entre a síndrome enigmática dos soldados e a mítica região.

Comentário : Esta semana estreia o novo filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul, uma das figuras máximas do actual cinema contemplativo. Pessoalmente, gostei do filme, embora tenha que admitir que não é dos seus melhores trabalhos, o cineasta já realizou obras bem melhores no passado. Ainda assim, estamos perante um bom filme.

Como é habitual no cinema do realizador, este filme aborda o misticismo, crenças e o sobrenatural, numa obra que dificilmente agradará à maioria. O filme é tão concentrado no seu tema principal, que por vezes, parece que estamos a assistir às mesmas cenas. Visto que os homens padecem da tal doença do sono, as mulheres são as personagens principais, pessoalmente, gostei das prestações das protagonistas.

Não é um filme muito agradável de se ver e muito fácil de se acompanhar, é somente para os que estão habituados ao cinema do cineasta. Numa declaração de uma das personagens femininas, os soldados estão sempre a dormir, porque os espíritos sugam-lhes a energia para combaterem. O director gosta de misturar e inserir as crenças do seu país nos seus filmes e serve-nos tudo como se fosse algo mágico e encantador, por vezes, difícil de perceber. Adorei a galinha com as suas crias. Este filme foi nomeado para o Festival de Cannes de 2015. Um bom filme. 
 

Cavalo Dinheiro

Nome do Filme : “Cavalo Dinheiro”
Titulo Inglês : “Horse Money”
Titulo Português : “Cavalo Dinheiro”
Ano : 2014
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Pedro Costa
Elenco : Ventura, Tito Furtado, António Santos, Vitalina Varela.

História : Perdido num país assombrado pela guerra colonial, pela revolução e pela descolonização, um homem revisita os seus fantasmas pessoais.

Comentário : Confesso que, lamentavelmente, nunca vi nenhum filme da famosa trilogia das Fontainhas que deu ao realizador português tanta fama fora de Portugal. Mas resolvi ver este seu novo filme. Confesso que foi uma boa experiência, apesar de não ter entendido algumas coisas. Basicamente estamos perante uma obra única que aborda não só a pobreza como também as dificuldades dos negros em Portugal. O filme possui uma fotografia espantosa, na realidade, não me lembro de ver uma fotografia tão boa num filme português. De Pedro Costa, apenas vi o filme “O Sangue”, de que gostei. Este “Cavalo Dinheiro” entrou para a “lista” dos filmes mais estranhos e únicos que vi, devido, à forma como foi concebido e como nos é mostrado pelo realizador.

Ventura, personagem que já aparecia em “Juventude Em Marcha” é aqui um doente dos nervos, internado num estranho hospital e sujeito a interrogatórios, felizmente, o final do filme dá-lhe o destino merecido. Gostei imenso da prestação de Ventura, assim como achei curiosa a interpretação da atriz Vitalina Varela. Destaque também para um tema musical muito conhecido que se faz ouvir numa sequência fascinante. A morosa sequência do elevador é a melhor do filme. Foram quase duas horas difíceis de acompanhar. De certeza que deve ter havido imensa gente que foi ao cinema ver este filme e detestou. Na realidade, não é um filme fácil de ver, é muito melancólico e extremamente parado. Mas o cinema de Pedro Costa não é para ser apreciado, é sim, para ser vivido. O verdadeiro cinema é assim, prova disso são os imensos prémios que a fita tem obtido fora de Portugal. Meus amigos, isto é Cinema. 

sábado, 23 de abril de 2016

Coming Home

Nome do Filme : “Gui Lai”
Titulo Inglês : “Coming Home”
Titulo Português : “Regresso A Casa”
Ano : 2014
Duração : 109 minutos
Género : Drama
Realização : Yimou Zhang
Elenco : Gong Li, Chen Daoming, Huiwen Zhang.

História : Na China década de 1970, Lu, considerado um opositor ao regime, é feito prisioneiro político e enviado para um campo de trabalhos forçados. Quando anos depois, regressa a casa, a esposa não o reconhece porque perdeu a memória, devido a uma atitude mimada da filha.

Comentário : Trata-se de um profundo drama humano que aborda a época da Revolução na China e aquilo por que muitas famílias passaram. Este filme estreou cá no ano passado e eu nem dei por ele, confesso este meu erro. Gong Li dá-nos aqui mais uma brilhante interpretação, a sua personagem é bastante dramática e consistente. Não conhecia o ator Chen Daoming e fiquei admirado com a sua prestação, a sua química com ela funcionou na perfeição. Huiwen Zhang também não desiludiu, embora a sua personagem seja um pouco ingrata. O filme segue a um ritmo um pouco lento, mas nada que desmotive que o está a ver. O filme é muito envolvente e possui cenas muito tocantes, veja-se a sequência do piano, por exemplo. Fiquei surpreendido com o final do filme, nunca o imaginei daquela maneira. 

sábado, 9 de abril de 2016

Son Of Saul

Nome do Filme : “Saul Fia”
Titulo Inglês : “Son Of Saul”
Titulo Português : “O Filho De Saul”
Ano : 2015
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Laszlo Nemes
Produção : Gabor Rajna/Gabor Sipos
Elenco : Geza Rohrig, Urs Rechn, Levente Molnar, Todd Charmont, Jerzy Walczak, Gergo Farkas, Balazs Farkas, Sandor Zsoter, Marcin Czarmik, Levente Orban, Kamil Dobrowolski, Uwe Lauer, Christian Harting, Attila Fritz, Marton Agh, Amitai Kedar, Istvan Pion, Tamas Polgar, Erno Fekete, Laszlo Somorjai, Mendy Cahan, Juli Jakab, Rozi Szekely, Tom Pilath, Janos Tibor Boldiszar, Zoltan Batho, Eszter Csepai.

História : No ano de 1944 em Auschwitz, o judeu Saul Auslander é membro do “Sonderkommando”, o grupo de prisioneiros recrutados entre os recém-chegados, cuja função é a execução das tarefas mais criticas dos campos de concentração, evitadas pelos alemães. A sua função é limpar as câmaras de gás, recolher os pertences das vitimas e preparar os corpos para os crematórios. Devido à sua condição especial – e para manter secretas as operações de extermínio – este grupo é mantido isolado dos restantes prisioneiros. Um dia, durante os trabalhos numa das camaras de gás, Saul descobre o corpo de um menino que reconhece como sendo o seu próprio filho. A partir daquele momento, a vida de Saul ganha um novo alento e ele fica obcecado com uma missão quase impossível : salvar o corpo do rapaz de uma autópsia e encontrar um rabino que lhe realize um funeral religioso que salve a sua jovem alma.

Comentário : Puxa, finalmente consegui ver este magnífico filme que é uma autêntica descida aos infernos do período mais negro da história da humanidade : o Holocausto. O filme foi filmado e é mostrado em modo “retrato”, tal como aconteceu com o filme “Jauja”, daqueles que eu me lembro. Foi bem merecido o oscar de melhor filme estrangeiro, apesar de “Mustang” ser igualmente excelente, este “Saul Fia” aborda um tema altamente complexo e condenável. É verdade que já se fizeram muitos filmes sobre o nazismo e sobre o Holocausto, mas nunca como este. A recriação de época está perfeita, temos um bom guarda-roupa e uma fotografia eximia. Geza Rohrig possui a melhor prestação do filme, aliás, o filme centra-se unicamente nele, com a camara quase sempre colada à sua cara ou ao seu corpo. Só temos direito a uma sequência de diálogos com mulheres, o resto delas que vemos são somente vultos nas camaras de gás e nos crematórios, neste caso, ao serem arrastadas pelo chão já mortas. Trata-se de um filme perturbador, onde o terror predomina. O filme tresanda a morte e a desespero por todos os poros, não é uma fita fácil. Apesar de um ou outro erro, estamos perante um excelente filme de época, um excelente filme húngaro, como poucos. Duvido que os americanos fizessem melhor com poucos meios. Pessoalmente, adorei este filme. 

sábado, 2 de abril de 2016

John From

Nome do Filme : “John From”
Titulo Inglês : “John From”
Titulo Português : “John From”
Ano : 2015
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : João Nicolau
Produção : Sandro Aguilar/Luís Urbano
Elenco : Júlia Palha, Clara Riedenstein, Filipe Vargas, Leonor Silveira, Adriano Luz.

História : Rita é uma bonita adolescente que vive com os pais em Telheiras e tem uma boa relação com a amiga, as duas estão nas férias grandes. Um dia, Rita descobre que tem um novo morador no prédio, um vizinho que mora com uma filha pequena no andar de baixo e que expõe uma exposição de fotografias e outros objectos originários de uma viagem que ele fez à Melanésia. Aos poucos, Rita vai-se interessando por aquele vizinho, até que acaba por se apaixonar por ele.

Comentário : Pela primeira vez este ano, fui ao cinema e a escolha recaiu sobre este filme português, a segunda longa metragem do realizador João Nicolau. Confesso não ter visto nenhum filme dele, logo, ia completamente às escuras sobre como é o seu cinema. Gostei deste “John From”, mas não de tudo. Diria que o filme divide-se em duas partes, a primeira que ocupa a maior parte da duração, onde vemos a nossa protagonista no seu quotidiano aparentemente simples, na companhia da sua inseparável amiga e em saídas com os pais. Confesso que esta parte foi a minha preferida, uma parte realista e rotineira onde as personagens nos são apresentadas. E depois temos uma segunda parte e aqui é onde o caldo entorna, o realizador abandona o real e passa para a fantasia, penetrando facilmente no ridículo e nos facultando um final inverossímil. 

No papel do vizinho novo, Filipe Vargas possui uma boa prestação, embora a sua personagem tenha sido pouco desenvolvida. Nos papéis de pais da jovem protagonista, Leonor Silveira e Adriano Luz apenas estão lá para provar e mostrar que o filme não é sobre eles, possuem participações muito secundárias. As grandes estrelas do filme são precisamente as duas jovens Clara Riedenstein e Júlia Palha, onde esta última merece o destaque máximo, a sua Rita é a estrela e a alma do filme, ela carrega a fita todinha nos ombros é sobre a sua personagem que recai todo o realce. Na realidade, me arrisco a afirmar que o filme é somente sobre Rita, o realizador mencionou numa entrevista que quis dar a imagem que ele tinha da adolescência, quis trabalhar esse assunto e se debruçar sobre ele. 

Pessoalmente, não gostei de algumas cenas, por exemplo, detestei aquela parte em que as jovens estão em fato de banho com o novo vizinho numa espécie de piscina reduzida a se divertirem com ele. Achei que o tema musical “Lambada” não ficou muito bem inserido na banda sonora. E detestei o final do filme. Penso que João Nicolau podia nos ter facultado algo mais realista, como o envolvimento da miúda com o fotógrafo ou ainda que ele podia ter tornado as coisas mais sérias e dramáticas, em vez de ter levado alguns momentos para a parte da comédia. Não sei se ele trabalhou bem o tema da adolescência, mas fiquei com a impressão que uma jovem de 15 ou 16 anos não é tão infantil quanto a Rita do filme, penso que elas já pensam em coisas mais marotas e mais à frente. Ainda assim, não levo a mal ao autor, afinal, ele fez o filme da maneira que quis. No geral, gostei do filme, mas dispensava a componente da fantasia. Um último reparo, espero sinceramente que Júlia Palha não vá parar ao miserável mundo das péssimas telenovelas portuguesas. 

                                                              Júlia Palha

Three Sisters

Nome do Filme : “San Zimei”
Titulo Inglês : “Three Sisters”
Titulo Português : “Três Irmãs”
Ano : 2012
Duração : 153 minutos
Género : Drama Documental
Realização : Wang Bing
Produção : Wang Bing
Elenco : Yingying, Zhenzhen, Fenfen, Yanyan.

História : Três irmãs, de quatro, seis e dez anos, vivem em Yunan, uma região montanhosa da China. Com a mãe desaparecida e o pai a trabalhar na cidade, estão praticamente entregues a elas próprias. Os dias são passados entre os trabalhos no campo, visitas aos familiares e a deambular pela aldeia.

Comentário : Mais um grande filme do realizador Wang Bing. Tal como em “A Fossa”, aqui impera o realismo. Na realidade, este foi o filme mais realista que vi na vida. Primeiro, acompanhamos o quotidiano das três irmãs que moram numa espécie de barraca, como todos na aldeia, e que passam os dias a tratar do campo e dos animais, bem como da casa e visitam também o avô e uma tia, onde brincam um pouco com dois primos. Depois, assistimos ao regresso do pai, que voltou e acaba por levar as filhas mais novas para a cidade, deixando a mais velha, Yingying com o avô para o ajudar nas tarefas do campo e da casa. Com um problema de saúde que a faz tossir, a miúda desenrasca-se muito bem em praticamente tudo o que se mete e é uma grande ajuda para o avô. Mais tarde, o pai regressa novamente à aldeia com as duas filhas mais novas, mais a ama das miúdas e a filha desta. Todos se juntam a Yingying para iniciarem um novo ciclo naquela aldeia.

Praticamente é isto que vemos ao longo das duas horas de meia de projeção. Volto a dizer, o filme é muito realista. O realizador segue-os a todos com a camara ao ombro, a imagem é amadora e o som é uma forte componente, são os sons da vida. Os animais são uma graça, com destaque para uma ovelha manhosa que é a última do rebanho e para um gatinho que está em casa constantemente a miar. Do elenco humano, todos não profissionais, o destaque vai claramente para a irmã mais velha, Yingying, esta miúda é praticamente o principal pilar da pequena família e da habitação. Todos eles vivem em péssimas condições, veja-se os interiores das casas e mesmo o aspecto da escola. Possuem poucos meios e o realizador faz sempre questão de focar esses aspectos. O filme é muito longo, eu apenas tirava a sequência de 12 minutos da festa da aldeia que se resume a um monte de gente dentro de uma casa a comer e a conversar de banalidades. Acompanhar o quotidiano de Yingying foi para mim uma experiência bastante interessante, aquelas pessoas limitam-se a viver com muito pouco, quase nada. A sensação quando se sai da sala de cinema é a de um preenchimento e de uma riqueza pelo facto de termos assistido a um grande filme que nos mostrou uma cultura diferente, mas ainda assim, são precisas grandes doses de paciência para o ver. Pessoalmente, amei a experiência.