quinta-feira, 31 de março de 2016

The Ditch

Nome do Filme : “Jiabiangou”
Titulo Inglês : “The Ditch”
Titulo Português : “A Fossa”
Ano : 2010
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Wang Bing
Produção : Wang Bing
Elenco : Zhengwu Cheng, Niansong Jing, Xiangnian Li, Renjun Lian, Ye Lu, Cenzi Xu, Haoyu Yang.

História : Um drama de ficção em estilo de documentário baseado em factos reais sobre os campos de trabalhos forçados criados pelo governo chinês durante os anos 1950 e 1960. Para lá foram enviados milhares de cidadãos que, por discordarem ou criticarem o partido comunista, eram considerados dissidentes.

Comentário : Filme bastante realista, até parece um documentário. Ouvi dizer que o realizador filmou tudo de forma clandestina, não me admirava nada se fosse verdade, tal não é o realismo daquilo que vemos. Este filme esteve em exibição no ano passado, numa única sala em todo o país e em dois horários, quase ninguém o foi ver. Isto é um tipo de cinema que quase ninguém liga, as grandes superfícies recusaram passá-lo. Trata-se de um drama humano profundo, um filme que relata acontecimentos históricos daquele povo, daquele país que sucedeu naquele tempo. Os presos eram tratados e mantidos de forma desumana, veja-se as reacções da viúva que aparece no campo em busca do marido, entretanto já falecido. A situação chegava ao ponto de haver presos que profanavam os cadáveres e comiam partes deles, para sobreviver, tal não era a fome passada naqueles campos. A forma de filmar escolhida pode não ter sido a melhor, mas funcionou bem. As interpretações foram perfeitas. Um dos melhores filmes de Wang Bing, isto é cinema. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Marguerite

Nome do Filme : “Marguerite”
Titulo Inglês : “Marguerite”
Titulo Português : “Marguerite”
Ano : 2015
Duração : 130 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Xavier Giannoli
Elenco : Catherine Frot, Andre Marcon, Michel Fau, Christa Theret, Denis Mpunga, Sylvain Dieuaide, Aubert Fenoy, Sophia Leboutte, Astrid Whettnall, Theo Cholbi, Vincent Schmitt, Martine Pascal, Jean Yves Tual, Gregoire Strecker, Lucie Strourackova.

História : Na França de 1920, Marguerite Dumont (Florence Foster Jenkins) é rica, megalómana e apaixonada por ópera. Convencida de que tem uma belíssima voz, todos os anos ela reúne no seu castelo um grupo de amigos para quem actua em privado. Ela canta e o público que escolheu para a aplaudir reage como se ela fosse uma autêntica diva. Quando um jovem jornalista provocador decide escrever um artigo entusiástico sobre a sua última actuação, ela encontra aí a coragem necessária para seguir o sonho. E tudo ganha novas proporções quando, apesar da relutância do marido, Marguerite decide organizar o seu primeiro recital perante uma plateia de estranhos.

Comentário : Gostei bastante deste filme biográfico sobre a cantora Florence Foster Jenkins, uma senhora da alta sociedade que pensava que sabia cantar bem e que ninguém, dentro do seu círculo, teve a coragem para lhe mostrar o contrário. Adorei a actriz Catherine Frot neste filme, ela possui a melhor prestação da fita. Além disso, é uma senhora muito bonita. Trata-se de um filme biográfico sobre a cantora Florence Foster Jenkins, onde o realizador procurou mostrar aquilo que supostamente se passou naquela altura. De facto, ela cantava muito mal. O filme segue sempre a um bom ritmo, eu senti-me penetrado na fita durante as duas horas de projeção. A narrativa está dividida em cinco capítulos, sendo o quinto aquele que se intitula “A Verdade”, no qual ela é humilhada no tal recital e, mais tarde, vê-se confrontada ao ouvir a sua própria voz numa gravação e aí, o desastre é total. Nota positiva para a recriação de época e para o guarda roupa. Este ano, vamos ter nas salas de cinema uma espécie de remake deste filme, com a grande actriz Meryl Streep no papel da péssima cantora protagonista. Quanto a este filme do realizador Xavier Giannoli, tenho que confessar que gostei. 

segunda-feira, 28 de março de 2016

Hannah Arendt

Nome do Filme : “Hannah Arendt”
Titulo Inglês : “Hannah Arendt”
Titulo Português : “Hannah Arendt”
Ano : 2012
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Margarethe Von Trotta
Elenco : Barbara Sukowa, Janet McTeer, Julia Jentsch, Megan Gay, Axel Milberg, Nicholas Woodeson, Tom Leick, Ulrich Noethen, Nilton Martins, Leila Schaus, Harvey Friedman, Victoria Trauttmansdorff, Sascha Ley, Friederike Becht.

História : Hannah Arendt, filósofa e jornalista judia, exilou-se na América em 1941, após a fuga do campo de concentração de Gurs, durante os anos negros da Segunda Guerra Mundial. Em 1951, obteve a cidadania norte-americana e nesse mesmo ano foi publicado o seu livro “As Origens do Totalitarismo”. Esta obra tornou-se um clássico dentro da comunidade intelectual e lançou a sua carreira nos Estados Unidos. Em 1961, ela deslocou-se a Jerusalém para cobrir o julgamento do criminoso de guerra nazi Adolf Eichmann para uma revista e o seu artigo, publicado em cinco partes, teve um enorme impacto mediático. As suas ideias foram alvo de críticas violentíssimas quer pela descrição dos conselhos judaicos, quer pela exposição da personalidade de Eichmann. Porém, o seu livro seguinte (A Banalidade do Mal), alcançou um lugar de destaque e grande respeito, ainda que sempre polémico, na maior parte dos debates acerca do Holocausto.

Comentário : Mais um filme biográfico que tive a sorte de ver, confesso ter gostado bastante deste filme. Confesso igualmente desconhecer esta senhora a quem o filme se refere, só soube da sua existência depois de ter visto a fita. Fiquei a saber muito com este filme, muitas coisas eu desconhecia. Indo ao encontro das ideias de Hannah Arendt, vistas bem as coisas, os nazis já faziam aquilo automaticamente, praticamente eram incapazes de pensar e faziam o mal, apenas porque se tratavam de ordens superiores, ou seja, para eles era banal. Não estou a desculpá-los, nada disso, apenas digo que entendo aquilo que a senhora que o filme retrata pensava. Ainda que tenha de dizer que eram crimes horríveis, foi o período mais negro da história da humanidade. As teorias dela talvez ajudassem a explicar os seus comportamentos “cegos” e “obedientes” face a Hitler.

O filme segue a um bom ritmo, pessoalmente, estive sempre concentrado e a fita prendeu-me ao ecrã. Barbara Sukowa está soberba no papel principal, que grande senhora e que excelente interpretação. Na minha opinião, todos os nazis deviam ser julgados e punidos pelos crimes praticados. O filme foca vários aspectos. Um último aplauso para a fotografia. Adorei a sequência perto do final que coloca a protagonista perante vários alunos e outras pessoas que a querem ouvir, numa sala de aula, bem como o respectivo discurso e debate. Às tantas, eu perdi-me um pouquinho, porque, lá está, é necessário entender esta temática para se perceber alguns diálogos e assuntos mostrados na fita. Uma pequena lição de história sobre o tema abordado no filme e serviria de grande ajuda para a compreensão de alguns factos. Seguramente, um dos melhores filmes de 2012. 

domingo, 27 de março de 2016

The Witch

Nome do Filme : “The Witch”
Titulo Inglês : “The Witch”
Titulo Alternativo : “The VVitch : A New England Folktale”
Titulo Comercial : “The VVitch”
Ano : 2015
Duração : 91 minutos
Género : Mystery/Drama
Realização : Robert Eggers
Elenco : Anya Taylor Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw, Ellie Grainger, Lucas Dawson, Julian Richings.

História : Na Inglaterra da década de 1630, o casal William e Katherine leva uma vida cristã com os seus cinco filhos numa comunidade extremamente religiosa, até serem expulsos do local por sua fé ser diferente daquela permitida pelas autoridades. A família passa a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Um dia, o bebé desaparece. Com o desaparecimento do pequeno, a situação vai piorando para cada um dos membros da família.

Comentário : Sempre me despertou interesse as vivências passadas de famílias e de outras pessoas, em saber como elas viviam, as dificuldades por que passavam, as doenças que apanhavam, o modo como viviam, bem como lidavam com os temas da vida, da morte e do desconhecido e nisso, a religião contava muito. Este filme independente que vem catalogado de terror e que de terror nada possui, é uma obra muito curiosa sobre o desconhecido e sobre aquilo que mais tememos. Embora o assunto tenha caído no esquecimento pela maioria da sociedade ocidental, nos meios mais rurais, as pessoas ainda vivem muito das suas crenças, originando mentalidades muito fechadas. E este pequeno filme fala disso mesmo, de como as pessoas lidam com o desconhecido, com a religião e a diferença. Juntamente com “The Conjuring 2”, este “The Witch” é um dos filmes mais esperados do ano para mim e, agora que o acabei de ver, tenho que confessar que estranhei imenso o que vi, mas entranhei tudo pela positiva, pois trata-se de um filme muito diferente daquilo que estamos habituados a ver.

Como já disse, não temos terror quase nenhum, aquilo que temos é um poderoso e forte clima de mistério e de tensão ao longo dos quase noventa minutos de imagens. Durante o filme, temos poucas explicações para o desaparecimento do bebé e para as coisas que vão sucedendo no seio da família. No papel de pais, Ralph Ineson e Kate Dickie estiveram muito bem, duas boas prestações. Do elenco infantil, as quatro crianças desempenharam muito bem os seus papéis, com destaques para o jovem Harvey Scrimshaw e para a talentosa bruxinha do titulo Anya Taylor Joy, cuja beleza contrasta com o meio sujo e rural em que vive. A jovem atriz carrega o filme praticamente todinho nos ombros e protagoniza um espectacular final. 

Gostei mesmo do final do filme. Penso que este filme experimental e inovador vai dividir opiniões, haverá imensa gente que não vai gostar dele, afinal, a fita decorre a um ritmo muito lento, tipico do cinema europeu. Por vezes, o bode e o coelho são assustadores. Logicamente, que houve coisas que eu não percebi, porque não foram explicadas, mas isso faz parte do pacote. Volto a dizer, Anya Taylor Joy revelou-se a estrela e a alma deste filme e a sua Thomasin, aos poucos, torna-se o centro e a solução de uma fita que prima pelo mistério extremo e pela carência de explicações. Mas nós só temos que agradecer ao realizador por isso, ele deu-nos um dos melhores filmes do ano, onde o terror tipicamente americano é mandado às urtigas. Gostei bastante deste filme que possui uma forte componente religiosa. O filme é baseado em acontecimentos reais e o argumento, bem como os diálogos foram cuidadosamente trabalhados com base em manuscritos antigos. Muito bom. 

                                                      Anya Taylor Joy

sexta-feira, 25 de março de 2016

10 Cloverfield Lane

Nome do Filme : “10 Cloverfield Lane”
Titulo Inglês : “Ten Cloverfield Lane”
Ano : 2016
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Dan Trachtenberg
Produção : J. J. Abrams/Matt Reeves
Elenco : Mary Elizabeth Winstead, John Goodman, John Gallagher Jr.

História : Ao acordar, depois de um acidente de automóvel, Michelle apercebe-se que se encontra presa numa cave de uma espécie de bunker. Atordoada com a situação, o dono da casa diz-lhe que a salvou de um ataque químico e que o exterior é inabitável, assegurando-lhe que a cave é o único local seguro.

Comentário : Penso que este filme vai ser uma grande desilusão para os admiradores do filme “Cloverfield”, por vários motivos, mas principalmente, porque não parece ter grande coisa a ver com esse filme de 2008. E será também uma grande desilusão para quem vai ver o filme em busca de espectáculo e de efeitos especiais, como aconteceu no primeiro filme, apesar dos produtores estarem relacionados com ele. Nos primeiros setenta minutos não acontece nada de grandioso, o realizador dá-nos a conhecer mais ou menos cada uma das únicas três personagens da fita, depois temos um clima tenso de grande mistério e umas poucas tentativas de Michelle em fugir do local. Após esse tempo, temos o confronto entre a jovem rapariga e Howard e mais tarde, finalmente alguns momentos de ação, esta apenas surge nos últimos minutos. Aparentemente, o filme não tem nenhuma relação com “Cloverfield”, talvez os produtores queiram começar um franchise com este filme, as últimas cenas indicam isso. Repito, este filme vai ser uma enorme desilusão para aqueles que gostaram muito de “Cloverfield”, os monstros, bom, não aparecem quase nenhuns, apenas perto do final, dão um ar da sua graça e mesmo esses são uma nulidade, uma tremenda desilusão. Pessoalmente, confesso ter gostado do filme, devido ao clima de tensão e mistério que o envolve, mas prefiro claramente o primeiro filme.

terça-feira, 22 de março de 2016

The Fencer

Nome do Filme : “Miekkailija”
Titulo Inglês : “The Fencer”
Ano : 2015
Duração : 98 minutos
Género : Drama/Biográfico
Realização : Klaus Haro
Elenco : Mart Avandi, Maria Klenskaja, Liisa Koppel, Kirill Karo, Joonas Koff, Lembit Ulfsak, Ursula Ratasepp, Ann Lisett Rebane, Elbe Reiter.

História : A história verídica de um desertor que fugiu da sua cidade natal e refugiou-se numa pequena aldeia, ganhando um emprego numa escola rural. Aos poucos, ele foi ganhando a amizade dos seus alunos e, perante todas as adversidades, levo-os a tomar o gosto pela arte da esgrima.

Comentário : Mais uma surpresa que tive, mais um grande filme que vi. Esta é a história de Endel, alguém que, mesmo perante todas as adversidades, decide tudo fazer para ajudar um grupo de crianças a manterem um sonho e talvez mesmo alcançar um objectivo. Manter sempre a esperança é a principal mensagem do filme. Gostei muito das prestações dos actores, mesmo o director da escola, apesar de ser um tipo nojento, foi um personagem interessante. Gostei da interpretação do actor principal, tal como apreciei igualmente a prestação da professora que se torna namorada dele. Dos miúdos, todos estiveram bem, embora o destaque vá todo para o jovem Jaan e para a pequena Marta. Trata-se de um filme comovente sobre alguém que existiu de verdade e que significou imenso para aquelas crianças, que tinham vidas muito complicadas. É cinema europeu, neste caso, uma co-produção entre a Finlândia e a Estónia, uma fita que se revelou aos meus olhos como uma agradável surpresa. Gostei muito. 

sábado, 19 de março de 2016

Remember

Nome do Filme : “Remember”
Titulo Inglês : “Remember”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Atom Egoyan
Elenco : Christopher Plummer, Martin Landau, Bruno Ganz, Dean Norris, Henry Czerny, Peter DaCunha, Kim Roberts, Jurgen Prochnow, Duane Murray, Janet Porter, Sofia Wells, Stefani Kimber, Jane Spidell, T. J. McGibbon, Amanda Smith.

História : Zev Guttman é um idoso de noventa anos que sofre de demência. À setenta anos atrás, a sua familia foi morta por um nazi nos campos de concentração. Agora internado, Zev tornou-se amigo de Max Rosenbaum, alguém que viu a familia morta às mãos do mesmo homem que vitimou os entes queridos de Zev. Assim e impossibilitado de sair da clínica devido a problemas físicos, Max incentiva Zev a procurar o nazi que lhes assassinou as familias e a matá-lo. No entanto, a missão não corre como o esperado.

Comentário : Confesso que antes de ver este filme, não estava à espera de nada dele, mas depois de o ter visto, fiquei satisfeito por ter assistido a um grande filme. O filme aborda questões polémicas como o extermínio dos judeus às mãos dos nazis, os campos de concentração e o nazismo em si. Ao longo do filme notei sempre um clima de tensão, nomeadamente sempre que o personagem principal ia a casa de um dos suspeitos, é que existiam quatro com o nome do tal nazi criminoso. E Zev tinha que apurar qual o verdadeiro para o matar de seguida. Christopher Plummer e Martin Landau possuem as melhores prestações do filme, dois grandes senhores. O argumento está muito bem escrito e nos reserva algumas surpresas, adorei os twists finais, nos minutos finais, a história dá uma grande volta e troca tudo. Achei isso brutal. O filme peca apenas porque algumas coisas não são explicadas, mas são aspectos menores, nada que influencie ou prejudique o todo. Mais um grande filme que tive oportunidade de ver.

sábado, 12 de março de 2016

Our Little Sister

Nome do Filme : “Umimachi Diary”
Titulo Inglês : “Our Little Sister”
Ano : 2015
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Hirokazu Koreeda
Elenco : Haruka Ayase, Masami Nagasawa, Kaho, Suzu Hirose.

História : Três irmãs moram sozinhas numa casa e cuidam umas das outras. Um dia, quando o pai delas morre, viajam até à terra onde nasceram para o respectivo funeral. Acabam por descobrir que o pai lhes deixou uma pequena irmã, que as três decidem levar para morar com elas.

Comentário : Hirokazu Koreeda é uma espécie de herdeiro directo do grande realizador Yasujiro Ozu, afinal, ambos concebem o mesmo tipo de cinema. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, tal como gostei de todos os anteriores filmes deste realizador. Novamente, o tema principal é a familia e foi mais uma vez abordado de forma brilhante. Gostei da história, o argumento é bastante competente, embora tenha notado um ou outro erro. A nivel das prestações as quatro protagonistas merecem todo o destaque, todas elas fizeram um excelente trabalho. Alguns secundários também estiveram bem. Foi engraçado ver a evolução de Suzu desde o momento em que vai viver com as irmãs até ao minuto final, naquela praia e perante a confissão de uma das raparigas sobre a pequena. A empatia entre as quatro resultou na perfeição. Tal como acontece com todos os filmes de Koreeda, também este segue a um ritmo bastante lento, mas nunca maçador. Para mim, as duas horas passaram a correr, tal não foi a maneira como eu estava penetrado na fita. Uma agradável surpresa que este ano me trouxe. Muito bom filme. 

Spotlight

Nome do Filme : “Spotlight”
Titulo Inglês : “Spotlight”
Titulo Português : “O Caso Spotlight”
Ano : 2015
Duração : 129 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Thomas McCarthy
Elenco : Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Stanley Tucci, Billy Crudup, Brian D'Arcy James, Liev Schreiber, John Slaterry, Elena Wohl, Doug Murray, Brian Chamberlain, Duane Murray, Jamey Sheridan, Gene Amoroso, Michael Countryman, Michael Cyril Creighton, Robert B. Kennedy, Neal Huff.

História : Quando a eficaz equipa de repórteres denominada “Spotlight” investiga as alegações de abuso sexual no seio da Igreja Católica, acaba por descobrir décadas de encobrimento aos mais altos níveis das instituições de Boston, religiosas e mesmo do governo, desencadeando uma onda de revelações por todo o mundo.

Comentário : Antes de ter visto este importante filme, eu já tinha conhecimento que existia pedofilia associada à Igreja Católica. Depois de ter visto este filme, fiquei surpreendido porque descobri que a podridão da Igreja Católica é ainda maior do que eu pensava. Confesso que nunca fui católico, apesar de ser baptizado. Nunca vou a igrejas e nem sei rezar. Penso que este filme é muito importante para aqueles que desconhecem a existência dos crimes praticados pela Igreja Católica e muita gente ficará surpreendida depois de o ver numa sala de cinema, quando estrear. Ao longo da história da humanidade, crimes horríveis foram cometidos pela Igreja Católica e em seu nome e os piores estão associados aos abusos sexuais contra menores.

Em relação ao filme, a fita retrata os acontecimentos reais de uma equipa de repórteres que no passado investigou a Igreja Católica da zona de Boston e apuraram que dezenas de padres haviam abusado sexualmente de crianças nas suas igrejas. O Cardeal, em vez de colocar termo à situação e denunciar esses padres, o que fazia era esconder os factos, mudando constantemente os sacerdotes de igreja para outra igreja e, em último caso para os ilibar, eram dados como doentes. A equipa de repórteres em questão, era a “Spotlight” e teve sucesso na sua investigação, mas o pior é que não era só em Boston que esses crimes eram praticados, mas sim, em todo o mundo.

Todo o elenco teve excelentes interpretações, com destaque para Mark Ruffalo, que tem neste filme uma das melhores prestações da sua carreira. O trabalho de realização é incrível, deve ter dado imenso trabalho a fazer este filme, com tanta informação que tinham em mãos. O filme está muito bem montado, o realizador teve imenso cuidado para que nada falhasse. Eu mesmo, fiquei concentrado na fita e estava sempre na expectativa daquilo que iria acontecer a seguir. Confesso que desconhecia desta história, quero dizer, da existência desta equipa e daquilo que eles fizeram. Há uma parte engraçada no filme, numa cena, comentam que há um rato morto no canto da sala dos livros e ninguém se preocupa com isso, fantástico. Trata-se de um filme técnico, mas muito importante, devia ser visto por todos, especialmente por católicos. O filme ganhou o oscar para melhor filme do ano, mesmo tendo preferência por outros dois filmes para ter ganho nessa categoria, fiquei satisfeito pela vitória de “Spotlight”.

The Gift

Nome do Filme : “The Gift”
Titulo Inglês : “The Gift”
Titulo Português : “Um Presente do Passado”
Ano : 2015
Duração : 110 minutos
Género : Mystery/Thriller/Drama
Realização : Joel Edgerton
Produção : Joel Edgerton
Elenco : Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton, Allison Tolman, Busy Philipps, Tim Griffin, Adam Lazarre White, Beau Knapp, Wendell Pierce, Mirrah Foulkes, Nash Edgerton, David Denman, Katie Aselton, Susan May Pratt, Felicity Price.

História : Robyn e Simon deixam a cidade de Chicago para iniciarem uma nova vida em Los Angeles, a cidade onde ele viveu a infância e a adolescência e onde agora vai assumir um cargo importante. Tudo parece acontecer segundo os planos até Simon reencontrar Gordo, um antigo colega de escola que não via há mais de vinte e cinco anos. Dias depois, a vida do casal muda para pior.

Comentário : Gostei bastante deste filme escrito, interpretado, produzido e realizado pelo actor Joel Edgerton. Apesar de ter gostado do final, achei aquela situação um pouco “inverossímil”. Basicamente, gostei da história, o argumento é bastante consistente e algumas situações causaram desconforto. Num registo diferente ao que nos tem habituado, Jason Bateman tem aqui uma das melhores prestações da sua carreira. Rebecca Hall, apesar de ver a sua beleza reduzida neste filme, teve a melhor prestação da fita. Joel Edgerton portou-se como um senhor em todas as tarefas que teve neste filme, mas como actor, esteve impecável e cativante. Nas cenas finais, Gordo dá a entender, via tlm, que Simon fez-lhe algo mais no passado do que fora contado até então, e isso nunca se soube, fiquei com aquela sensação de nervoso na barriga para saber o que ficou por contar. Repito, apesar de ser um pouco “inverossímil”, achei o final do filme brutal. No fundo, estamos perante um bom filme com uma trama envolvente e muito mistério, que é isto que se pretende de uma fita deste género.

Plus One

Nome do Filme : “+1”
Titulo Inglês : “Plus One”
Titulo Alternativo : “Plus One”
Ano : 2013
Duração : 96 minutos
Género : Mystery/Thriller/Terror
Realização : Dennis Iliadis
Elenco : Colleen Dengel, Rhys Wakefield, Logan Miller, Ashley Hinshaw, Natalie Hall, Adam David Thompson, Ronald Ogden, Bernard David Jones, Brad Mills, April Billingsley, Peter Luis Zimmerman, Josh Warren, Chelsea Hayes, Joey Nappo, Marla Malcolm, Megan Hayes, Chrissy Chambers, Ronke Shonibare, Crystal Lo, Joy Brunson, Hannah Kasulka, Jonathan Kleitman, Daniel Brule, Bobby Jordan, Rachel Brooks, Joanna Blair, Brenna Gates, Carolyn Lloyd, Alex Trewhitt, Suzanne Dengel.

História : Um grupo de amigos aceita ir a uma festa na mesma noite em que um meteorito cai perto do local e influencia a electricidade, causando estranhos eventos. Juntos, o grupo vai viver a pior noite das suas vidas, chegando-se mesmo a questionar se eles serão os mesmos depois de tudo terminar...

Comentário : Mais um filme bastante original que eu vi, gostei bastante deste. A fita possui um argumento tão estranho, algo que eu nunca pensei em toda a minha vida. Sem querer revelar muito, imaginem que durante uma grande festa descobrimos que deambulam pelo evento pessoas iguais a nós, tudo após um apagão que se deu. É com esta premissa que Dennis Iliadis concebeu esta fita muito original, com prestações coerentes e muito a cima da média. Gostei de algumas personagens, mas a minha preferida foi a vivida pela actriz Colleen Dengel e ficam a cargo desta e da sua irmã gémea as melhores cenas do filme (uma delas na foto em baixo). O filme peca por ter alguns erros e uns quantos exageros, bem como algumas falhas. O terror só se verifica nos minutos finais, mas durante a fita podemos igualmente contar com cenas de nudez e de sexo. O elenco é praticamente todo composto por jovens, uns estiveram à altura do desafio, outros nem tanto, mas o balanço final é positivo. O final abre um leque de possibilidades e poderia ser alvo de debate. Gostei bastante. 

sábado, 5 de março de 2016

Emelie

Nome do Filme : “Emelie”
Titulo Inglês : “Emelie”
Ano : 2015
Duração : 82 minutos
Género : Thriller/Terror/Suspense
Realização : Michael Thelin
Elenco : Sarah Bolger, Carly Adams, Thomas Bair, Chris Beetem, Dante Hoagland, Elizabeth Jayne, Randi Langdon, Susan Pourfar, Joshua Rush, Frank Rossi.

História : Um casal contrata uma jovem rapariga para tomar conta dos seus filhos e ao fazê-lo, irão contribuir para que as crianças vivam um verdadeiro inferno nas próximas horas.

Comentário : Confesso ter gostado deste filme, embora não tanto quanto gostei do que comentei antes. Trata-se de um filme mediano, um thriller sobre uma rapariga que se faz passar por babysiter, quando é na realidade, uma criminosa. O filme peca por ter alguns erros no argumento e em algumas acções dos personagens. A nível das prestações, Sarah Bolger (In America) é a estrela que mais brilha, embora também tenha gostado da interpretação do filho mais velho do casal. O filme tem intriga e algum suspense, tendo também algumas cenas interessantes, a sequência da cobra a matar o ratinho de estimação com as três crianças a serem obrigadas a ver, por exemplo. É daqueles filmes que quem o vai ver sem saber nada sobre ele, fica a ganhar. Pessoalmente, gostei, apesar de ser mais do mesmo.

Ratter

Nome do Filme : “Ratter”
Titulo Inglês : “Ratter”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Thriller/Suspense/Terror
Realização : Branden Kramer
Elenco : Ashley Benson, Matt McGorry, Kaili Vernoff, Rebecca Naomi Jones, Alex Cranmer, Michael William Freeman, John Anderson, Karl Glusman, Jeremy Fiorentino, Jon Bass, Dylan Chalfy, Tali Custer, Ted Koch, Jason Kolotouros.

História : Emma é uma linda jovem que é vitima de voyeurismo e algo mais.

Comentário : Este filme dá que pensar, a sensação com que fiquei depois de ter visto esta fita foi a mesma que eu tive depois de ter visto “Megan Is Missing”. É um filme sobre as desvantagens das novas tecnologias e sobre o perigo que elas representam. A personagem principal é perseguida por um voyeur que mais tarde se torna em algo bem pior. O filme é bastante assustador e tem cenas que causam arrepios, por exemplo, quando a protagonista está numa divisão da casa e vê-se através do fundo da porta que está alguém lá atrás. Ou ainda, quando Emma está a dormir e está alguém dentro de casa. Mas o filme possui outras cenas bem arrepiantes. Por outro lado, a camara quase sempre a tremer dá-nos excelentes planos da personagem principal, alguns deles bem excitantes. Nunca se chega a saber quem é o criminoso, mas pelas pistas dadas ao longo dos 75 minutos, na minha opinião, é o actual namorado, aquele que lhe deu o gatinho Clover. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, tem um terror que praticamente não se vê, mas sente-se e de que maneira... É daqueles filmes que dá que pensar. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Mon Roi

Nome do Filme : “Mon Roi”
Titulo Inglês : “My King”
Titulo Português : “Meu Rei”
Ano : 2015
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Maiwenn Le Besco
Elenco : Vincent Cassel, Emmanuelle Bercot, Louis Garrel, Isild Le Besco, Patrick Raynal, Yann Goven, Paul Hamy, Djemel Barek, Chrystele Saint Louis Augustin, Slim El Hedli, Lionnel Desruelles, Laetitia Dosch, Giovanni Pucci, Felix Bossuet, Michael Evans, Michelle Gomez, Aymeric Dapsence, Myriam Choukroune, Amanda Added.

História : Depois de um grave acidente de esqui em que quase perdeu a vida, Tony encontra-se internada numa clínica de reabilitação. Totalmente dependente de ajuda médica, ela passa o tempo a reflectir sobre o passado. O principal foco é a relação apaixonada mas muito tumultuosa que partilhou com o pai do seu filho de sete anos. À medida que vai recuperando fisicamente, Tony vai encontrando forças para sarar as feridas emocionais de muitos anos de uma relação profundamente destrutiva.

Comentário : Trata-se da melhor estreia de cinema desta semana nas nossas salas. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, foca de forma brutal uma relação que começa bem, mas prossegue de forma bastante complicada e acaba mal. Vincent Cassel é um excelente actor e provou mais uma vez que é um excelente profissional neste ramo. Actriz e realizadora, Emmanuelle Bercot mostrou estar perfeitamente à vontade no papel de personagem feminina principal. Embora num papel secundário, o sempre versátil Louis Garrel também não esteve nada mal, gostei de o ver mais uma vez. Uma relação amorosa não é fácil de gerir, existem sempre divergências de parte a parte e é necessário haver cedências.

A realizadora, que já tinha dado provas do seu talento de cineasta no excelente “Polisse”, volta assim a surpreender, apostando novamente nas relações humanas e o quanto complicadas e atribuladas elas podem ser. Li algures numa revista manhosa que o filme peca por ter um ritmo muito lento, não podia estar mais em desacordo, na minha opinião, o filme segue a um bom ritmo, com a narrativa dividida entre passado e presente, dando mais destaque ao que o casal passou para chegar à fase do divórcio. Em certo modo, as partes do tempo presente são relativas aos tratamentos de recuperação da protagonista feminina e, posteriormente, do reatar da amizade do casal. Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot possuem uma boa química seja como actores, seja enquanto personagens, são eles os principais alicerces do filme. É uma fita muito dramática que mostra como uma relação a dois pode ser difícil e prejudicial. “Mon Roi” é assim uma das agradáveis surpresas que este ano já nos facultou. 

Sensoria

Nome do Filme : “Sensoria”
Titulo Inglês : “Sensoria”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Terror/Drama
Realização : Christian Hallman
Produção : Christian Hallman
Elenco : Lanna Ohlsson, Norah Andersen, Alida Morberg, Karin Bertling, Boel Larsson, Harald Leander, Rafael Pettersson.

História : Depois de ter perdido o emprego e a filha pequena, Caroline Menard muda de casa e instala-se num apartamento detentor de um passado negro. Com o passar dos dias, depressa Caroline se apercebe que algo de estranho se passa naquelas instalações, até mesmo porque os poucos vizinhos que possui, são muito estranhos. A situação agrava-se quando conhece uma estranha menina que todos no prédio dizem já ter morrido.

Comentário : Uma mulher chega a casa e deambula pelas divisões, mexe nos seus pertences patentes em caixas por arrumar e deita-se um pouco. Um objecto se move, fazendo o respectivo barulho, ela volta para verificar o que se passa, mas acaba por esquecer o assunto. Mais tarde, essa mesma mulher vai à cozinha buscar qualquer coisa, ao sair da divisão, a porta de um armário abre-se sozinha, expelindo um prato para o chão, partindo-se. Para a mulher, é como se nada de anormal se tivesse passado. Dias depois, uma miúda surge do nada e essa mulher nada pergunta, aceita ficar sua amiga e acredita em tudo o que a miúda lhe diz. As noites são de grande silêncio, de silêncios vivem-se igualmente alguns momentos do dia, porque a mulher em causa não trabalha, não faz nada, está a tentar refazer-se do trauma de ter perdido a filha, que morreu. 

Grande parte do que está escrito em cima poderiam ser erros de um argumento fraco, mas não é o caso. O argumento é bom, está é mal trabalhado. Trata-se de mais um filme de fantasmas, mas é uma fita diferente, mais séria e mais calma, mais serena, plena de silêncios e de tempos. A ação do filme decorre quase sempre no prédio e nas respectivas divisões do mesmo, claro que temos clichés, por exemplo, luzes a piscar e uma torneira constantemente a pingar. Temos também a cena alucinante da banheira e uma velha louca. Temos um atrasado mental psicótico e um invisual e um cão. E depois temos Caroline Menard, a personagem principal do filme, muito bem interpretada por Lanna Ohlsson, gostei bastante da prestação desta actriz, cuja existência eu desconhecia. 

Por último, temos a jovem Norah Andersen (a menina do poster e de duas fotos aqui colocadas), que e apesar da idade, teve a segunda melhor prestação do filme. A sua My é uma boa personagem, repleta de grande mistério. Claro que no final a sua existência é devidamente explicada e nós ficamos satisfeitos por saber o porquê de tudo aquilo e de sabermos das coisas que fizeram à miúda e também daquilo que a miúda fez para se vingar. Lanna Ohlsson e Norah Andersen possuem uma boa química. O final é muito bom, pessoalmente, nunca imaginei que o filme terminasse daquela maneira. Lamentável foram algumas coisas terem ficado por explicar (sobre os vizinhos, principalmente), ainda assim, fiquei bastante satisfeito com este pequeno filme de terror.

terça-feira, 1 de março de 2016

Wild Tales

Nome do Filme : “Relatos Salvajes”
Titulo Inglês : “Wild Tales”
Titulo Português : “Relatos Selvagens”
Ano : 2014
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Thriller/Crime/Comédia Dramática
Realização : Damian Szifron
Produção : Pedro Almodovar/Agustin Almodovar
Elenco : Dario Grandinetti, Ricardo Darin, Maria Marull, Rita Cortese, Monica Villa, Julieta Zylberberg, Cesar Bordon, Leonardo Sbaraglia, Walter Donado, Nancy Duplaa, Oscar Martinez, Maria Onetto, Osmar Nunez, Erica Rivas, Diego Gentile.

História : Seis contos sobre o comportamento humano nas mais variadas situações.

Comentário : Adorei este filme de aproximadamente duas horas, filme este que foi nomeado para o oscar de melhor filme estrangeiro. Tratam-se de seis pequenas histórias, eu confesso ter gostado de quase todas, menos da primeira, a do avião. Na história dos carros na estrada, gostei de ver a reação do automobilista ofendido, que se colocou a defecar e a urinar para o vidro do carro do seu ofensor. Na história dos reboques, achei graça a imensas coisas, mas o que mais gostei foi de ter testemunhado o azar do protagonista deste conto, para além de ter adorado ter visto aquela fábrica a ser demolida logo no inicio. Na história do atropelamento da grávida, achei fantástico aquilo que as pessoas são levadas a fazer por dinheiro, o pai do rapaz culpado chegou a um ponto que desistiu de tudo e nem se importou se o filho fosse preso. Na história do cliente criminoso, gostei da atitude da velha que, primeiro queria matá-lo com veneno para ratos e depois, num acto de desespero, matou-o à facada. Por último, temos a história que eu mais gostei e que por acaso é a última. Erica Rivas é linda e maravilhosa, é a sua personagem (foto em baixo), a melhor do filme inteiro. Adorei verdadeiramente a última história do filme. A nomeação foi bem merecida, grande filme.