sábado, 27 de fevereiro de 2016

Promise Me This

Nome do Filme : “Zavet”
Titulo Inglês : “Promise Me This”
Titulo Português : “Promessas”
Ano : 2007
Duração : 128 minutos
Género : Comédia Dramática/Romance
Realização : Emir Kusturica
Elenco : Uros Milovanovic, Marija Petronijevic, Aleksandar Bercek, Predrag Manojlovic, Ljiljana Blagojevic, Kosanka Djekic, Stribor Kusturica, Vladan Milojevic, Stanoje Bogicevic, Slavko Tosic, Zeljko Terzic, Nenad Filipovic.

História : Um avô envia o neto à cidade para vender uma vaca, comprar um ícone religioso e uma lembrança e arranjar uma rapariga. No entanto, o rapaz acaba por se meter nas mais estranhas aventuras.

Comentário : Confesso ter visto este filme do original Emir Kusturica esta noite e confesso igualmente ter me divertido imenso ao vê-lo. O filme tem muita comédia, não sendo eu um grande apreciador deste género, tenho que dizer que fiquei surpreendido comigo mesmo por ter gostado. O realizador possui um estilo muito próprio de filmar e de contar as suas histórias, mais uma vez, não falhou. A história segue-se muito bem ao longo das duas horas de duração, na realidade, esse tempo passa a correr, tal não é a forma com que as situações nos envolvem. Algumas situações tornam-se credíveis de tão ridículas que são. As minhas personagens preferidas foram o menino protagonista e a sua pretendente. A vaca acaba por ser também uma personagem. Uros Milovanovic e Marija Petronijevic tiveram as melhores prestações da fita, a química entre os dois funcionou muito bem. Mais um grande filme de Emir Kusturica. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

La Môme

Nome do Filme : “La Môme”
Titulo Inglês : “La Vie En Rose”
Titulo Português : “La Vie En Rose”
Ano : 2007
Duração : 140 minutos
Género : Biográfico/Drama/Musical
Realização : Olivier Dahan
Elenco : Marion Cotillard, Gerard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Sylvie Testud, Jean Paul Rouve, Jean Pierre Martins, Clotilde Courau, Pascal Greggory, Catherine Allegret, Marc Barbe, Caroline Silhol, Elisabeth Commelin, Marc Gannot, Caroline Raynaud, Marie Armelle Deguy, Valerie Moreau, Jean Paul Muel, Andre Penvern, Mario Hacquard, Aubert Fenoy, Felix Belleau, Nathalie Dorval, Chantal Bronner, Cylia Malki, Josette Menard, Manon Chevallier, Pauline Burlet.

História : Dos bairros de lata de Paris até às luzes da ribalta de Nova Iorque, a vida de Edith Piaf foi uma batalha para cantar e sobreviver, viver e amar. Educada num ambiente de pobreza, a sua voz magnífica, os seus romances ardentes e as amizades que tinha com grandes nomes da época, fazem de Edith uma estrela conhecida em todo o mundo.

Comentário : Detentor de uma narrativa muito saltitante, este espectacular filme é um hino à musica e funciona igualmente como sendo uma grande homenagem à cantora Edith Piaf. Temos uma quase irreconhecível Marion Cotillard, na melhor interpretação da sua carreira que lhe valeu um merecido oscar. Todo o elenco de secundários esteve igualmente bem, com destaque para a curta participação de Gerard Depardieu. A caracterização e a banda sonora são de luxo, bem como o guarda-roupa. Confesso que não sabia quase nada à cerca de Edith Piaf e fiquei a saber muito sobre ela neste filme. Muitos disseram que não foi frisado o lado menos bom da cantora, quanto a isso, nada posso dizer, eu gostei do filme. Aquilo que mais me chocou foi a complicada infância dela, nenhuma criança devia passar por aquilo que ela passou. Os minutos finais do filme são os melhores da fita. Marion Cotillard desempenhou na perfeição Edith Piaf e prestou-lhe uma justa homenagem com a sua prestação, magnifica. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Bridges Of Sarajevo

Nome do Filme : “Ponts De Sarajevo”
Titulo Inglês : “Bridges Of Sarajevo”
Titulo Português : “Pontes De Sarajevo”
Ano : 2014
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Leonardo Di Costanzo, Jean Luc Godard, Kamen Kalev, Isild Le Besco, Sergei Loznitsa, Vincenzo Marra, Ursula Meier, Vladimir Perisic, Marc Recha, Angela Schanelec, Aida Begic, Cristi Puiu, Teresa Villaverde.
Elenco : Bogdan Ninkovic, Fedja Stamenkovic, Andrej Ivancic, Nikola Brkovic, Mihailo Kovic, Samuel Finzi, Gilles Tschudi, Gergana Pletnyova, Nazim Mumunov, Ilian Petrov, Dimitar Dimitrov, Nikolay Serbezov, Eduard Iliev, Vladan Kovacevic, Alma Prica, Sead Jesenkovic, Dzevad Zafirovic, Anur Musovic, Amina Husic, Fadila Guska, Sida Mocevic, Mario Ivancevic, Fatima Nejmarlija, Majo Ivkovic, Muamer Dzinovic, Amir Mujezin, Anel Sahinovic, Behija Alic, Darko Trajkovic, Edin Avdagic Koja, Elma Selimovic, Haris Grizovic, Irena Mulamuhic, Mak Dzinovic, Zlatko Dzinovic, Zenana Brcic, Fabrice Aragno, Jean Paul Battaggia, Paul Grivas, Marian Ralea, Valeria Seciu, Sabina Sabic Zlatar, Sara Sabic Zlatar, Senaida K., Mak Hubjer.

História : Através de treze curtas-metragens cujo tema principal é a cidade de Sarajevo, treze cineastas de várias nacionalidades dão o seu contributo artístico para mostrar o que a cidade representou na história europeia durante o último século e o que ela representa na Europa da actualidade.

Comentário : À uns tempos vi este filme colectivo em que 13 realizadores fizeram curtas-metragens cujo tema principal foi a cidade de Sarajevo. O tema em si interessou-me logo no inicio, pareceu-me bem falarem de algo que nada tem a ver com os americanos. Algumas curtas são interessantes, outras nem por isso. Por exemplo, não gostei nada dos mini filmes de Jean Luc Godard e de Sergei Loznitsa, penso serem os mais fracos da lista. Por outro lado, gostei das curtas de Isild Le Besco, Ursula Meier, Vladimir Perisic, Marc Recha, Cristi Puiu e de Teresa Villaverde. As curtas de Isild Le Besco e de Teresa Villaverde são as minhas preferidas. Mas a de Cristi Puiu é muito importante, devido ao seu contexto. 

Os temas abordados são polémicos e abrangentes, pessoalmente, gostei de ter ficado a saber de algumas coisas que desconhecia. Gostei também das partes animadas entre cada curta. Confesso ter um certo fascinio por filmes colectivos, porque são fitas bastante ricas, do ponto de vista cultural. Talvez não funcionem muito bem em sala, mas em Home Video, penso que deviam haver mais filmes destes, temas e ideias não faltam. A ideia de fazerem este filme, esta compilação de curtas à volta de um assunto tão delicado, foi fenomenal. As curtas abordaram a cidade de Sarajevo, umas sobre a cidade de antigamente, outras sobre a cidade actual. Gostei bastante. 

Un Français

Nome do Filme : “Un Français”
Titulo Inglês : “French Blood”
Ano : 2015
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Alain Dias
Produção : Marielle Duigou/Philippe Lioret
Elenco : Alban Lenoir, Samuel Jouy, Paul Hamy, Olivier Chenille, Jeanne Rosa, Lucie Debay, Blandine Pelissier, Alex Martin, Andy Gillet, Allain Naron, Capucine Mahe.

História : Com um passado de criminoso como skinhead, Marco Lopez inicia uma vida dita normal, arranja um trabalho e tudo faz para se redimir daquilo que fizera. No entanto, os fantasmas do passado insistem em assombrá-lo.

Comentário : Durante a manhã desta terça feira vi este filme francês que confesso ter gostado bastante. Até à pouco tempo, nem sabia da existência deste filme. É um filme que nos faz pensar à cerca dos crimes que se cometem em nome de supostas ideologias, algumas sem qualquer tipo de nexo. Alban Lenoir provou com o seu personagem principal que é um bom actor, particularmente, gostei imenso da sua prestação e curti bastante a sua personagem, nomeadamente na recta final do filme. O filme foca a relação complicada de Marco com os pais, bem como as suas amizades perigosas. Algumas cenas impõem respeito, por exemplo, quando o nosso protagonista leva uma facada que quase o mata, isso acontece à porta da discoteca onde ele trabalha. O filme aborda também a paternidade, ou a ausência dela, neste caso, Marco não acompanhou o crescimento da filha, apenas a via de longe. O inicio desta fita trouxe-me à memória o filme “América Proíbida”. Trata-se de um filme bastante interessante.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Perfect Day

Nome do Filme : “A Perfect Day”
Titulo Inglês : “A Perfect Day”
Titulo Português : “Um Dia Perfeito”
Ano : 2015
Duração : 106 minutos
Género : Drama
Realização : Fernando Leon De Aranoa
Elenco : Tim Robbins, Benicio Del Toro, Olga Kurylenko, Melanie Thierry, Sergi Lopez, Fedja Stukan, Eldar Residovic, Nenad Vukelic.

História : Um grupo de agentes humanitários tenta remover um cadáver de um poço em uma zona de conflito armado. O corpo foi deixado ali para contaminar a água e cortar o fornecimento para a população local. Mas as circunstâncias transformam uma tarefa simples numa missão impossível, devido a interesses vários.

Comentário : Durante a tarde desta segunda-feira vi este filme muito interessante sobre um grupo de pessoas que tentam ajudar os mais carenciados, mas estão sempre a ser impedidos por gente que vive de interesses e que apenas querem o lucro fácil. É um filme que se vê muito bem, pessoalmente, aquilo que mais gostei foi de os ver sempre às voltas de um lado para o outro e sempre metidos em situações várias. Gostei da personagem da idosa que seguia as vacas, sabendo assim se o terreno está ou não minado. Tim Robbins tem aqui mais uma brilhante prestação. Confesso que gostei mais de ver Benicio Del Toro aqui do que em “Sicario”, o seu personagem cativou-me mais. Melanie Thierry e Olga Kurylenko também desempenharam muito bem os seus papéis, acho a segunda bastante bonita e sensual. Por seu turno, o conhecido Sergi Lopez teve um papel muito apagado, além de aparecer muito pouco, o seu personagem não é ninguém relevante. O filme possui ainda um tom cómico, que até nem lhe ficou mal. Volto a dizer, o filme está adornado de cenas bastante interessantes e de situações caricatas, mas que funcionaram bastante bem. Adorei o final do filme. 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A Uma Hora Incerta

Nome do Filme : “A Uma Hora Incerta”
Titulo Inglês : “At An Uncertain Time”
Titulo Português : “A Uma Hora Incerta”
Ano : 2015
Duração : 77 minutos
Género : Drama
Realização : Carlos Saboga
Produção : Paulo Branco
Elenco : Joana Ribeiro, Filipa Areosa, Joana de Verona, Paulo Pires, Gregoire Leprince Ringuet, Judith Davis, Pedro Lima, Ana Padrão, Filipe Crawford.

História : No Portugal salazarista de 1942, dois refugiados franceses, Boris e Laura, são presos. O inspector Vargas, sentindo-se atraído por aquela mulher, decide escondê-los em sua casa : um hotel vazio onde vive com a filha adolescente, Ilda, e a esposa, gravemente doente. Ilda descobre a presença dos refugiados e, consumida pelo ciúme, tenta fazê-los desaparecer a todo o custo...

Comentário : À segunda foi de vez. Depois de se ter estreado como realizador com o fraquinho “Photo”, o argumentista Carlos Saboga apareceu no ano passado com este pequeno filme, mas que resultou melhor. Na realidade, este segundo filme mete o primeiro a um canto, está bem melhor a todos os niveis. Longe da nulidade das novelas, Joana Ribeiro prova neste filme que é uma grande actriz e que consegue brilhar no grande ecrã. Sinceramente, gostei bastante da sua prestação. Filipa Areosa esteve também muito bem e a sua química com a protagonista funcionou na perfeição. A Ana Padrão coube-lhe um papel muito injusto. A excelente actriz Joana de Verona aparece tão pouco que quase não damos por ela. Judith Davis teve uma presença bastante notável, ela entregou-se totalmente ao papel. No elenco masculino, quem mais se destaca é Paulo Pires, adorei o seu papel. Na pele de um canastrão, Pedro Lima também não desilude. O argumento é consistente e a história bastante apelativa. As cenas que mais gostei foram aquelas em que Ilda e Deolinda estão na cama a ler uma história sobre duas irmãs que embriagaram o pai para fazerem sexo com ele e assim engravidarem, a cena final da sequência é um beijo na boca entre as duas miúdas. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Rudderless

Nome do Filme : “Rudderless”
Titulo Inglês : “Rudderless”
Titulo Português : “Ao Som Da Vida”
Ano : 2014
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Musical
Realização : William H. Macy
Elenco : Billy Crudup, Anton Yelchin, Selena Gomez, Laurence Fishburne, Felicity Huffman, Jamie Chung, Alexandra Lovelace, Miles Heizer, Casey Twenter, David Flannery, Kenneisha Thompson, Jennifer Savidge, Kate Micucci, Ben Kweller, Suzanne Krull, Stacy Cunningham, Zoe Graham, Chandler Ryan, Michelle Rene, Mollie Milligan, Sheila Hamilton, William H. Macy.

História : Sam, um executivo publicitário de sucesso, entra em colapso e fica à deriva após a morte inesperada do seu filho. Ancorado no seu veleiro, Sam definha enquanto afoga as mágoas na bebida. Um dia, descobre uma caixa do seu filho cheia de letras e demos musicais. O talento que descobre é para Sam uma revelação chocante. Dedica-se então a aprender cada canção, até ao momento que encontra coragem para tocar num bar. Entretanto, Quentin, um jovem músico que assiste à actuação, fica cativado pelo que ouve e acaba por convidá-lo a formar uma banda.

Comentário : Este filme representou para mim outra valente desilusão. Possivelmente, um dos filmes mais parvos e mais infantis que vi na vida. Aqui nada é levado a sério, a fita aborda um crime horrível, um jovem que matou seis colegas e que depois se suicidou e o seu pai serve-se das músicas que o homicida fez em vida para ter sucesso, arrastando outros três jovens nisso. Claro que se percebe que essa atitude do pai deve-se ao facto dele estar arrependido de ter falhado na educação do filho, e toma aquela atitude numa tentativa frustrada de se auto compensar e também de manter viva a imagem do rebento. Aqui o problema é que tudo é feito de forma tão leviana e simples que até mete dó. Todos os personagens aqui são pobres e incapazes de despertar o mínimo de interesse em nós. Depois, temos situações parvas e ridículas que em nada ajudam o resultado final. Nenhum dos actores se esforçou minimamente para dar credibilidade às suas personagens, talvez a personagem de Selena Gomez tenha sido a mais bem conseguida, apesar de ter aparecido muito pouco. Praticamente nada me cativou neste filme. 

The Corpse Of Anna Fritz

Nome do Filme : “El Cadaver De Anna Fritz”
Titulo Inglês : “The Corpse Of Anna Fritz”
Titulo Português : “O Cadáver De Anna Fritz”
Ano : 2015
Duração : 73 minutos
Género : Thriller
Realização : Hector Hernandez Vicens
Elenco : Alba Ribas, Cristian Valencia, Albert Carbo, Bernat Saumell.

História : Quando Anna Fritz, uma estrela de cinema em ascensão, é encontrada morta, a notícia deixa o mundo em choque. Pau trabalha como assistente na morgue para onde o corpo é levado. Surpreendido por a encontrar junto dos outros mortos, resolve enviar uma foto do rosto dela para dois dos seus amigos. Eles aparecem, desejosos de apreciar a nudez da actriz que há muito habita as suas fantasias eróticas. É então que, dois deles, decidem aproveitar-se da situação e violar o cadáver. Porém, a situação foge ao controlo dos três jovens.

Comentário : Já não me lembro se este filme chegou a estrear nas nossas salas de cinema, confesso que não me recordo. Gostei deste filme, apesar de ter alguns erros. Por exemplo, a “defunta” está numa maca nua sem roupa e, minutos depois, quando é destapada já está vestida com um vestido de hospital. Também nunca nos é explicado porque motivo ela afinal não estava morta e acordou sem mais nem menos. O filme levanta um pouco a questão daquele mito urbano que diz que poderão existir funcionários das morgues que praticam sexo ou outros abusos com os cadáveres. Os três jovens actores que desempenham os abusadores estiveram bastante convincentes, enquanto que Alba Ribas fez o que pode com o ingrato papel que tinha em mãos. O filme possui ainda bons momentos de tensão, algumas cenas causam nervos, mas a tudo isto era exigido mais realismo. Com o material que tinha em mãos, o realizador podia ter dado outro rumo à coisa, em vez disso, deu-nos algo sangrento, que é basicamente como estas coisas terminam sempre. Gostei, mas as coisas podiam ter resultado melhor.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Photo

Nome do Filme : “Photo”
Titulo Inglês : “Photo”
Titulo Português : “Foto”
Ano : 2012
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Carlos Saboga
Produção : Paulo Branco
Elenco : Anna Mouglalis, Simão Cayatte, Johan Leysen, Didier Sandre, Rui Morrison, Marisa Paredes, Helene Patarot, José Neto, Anabela Brígida, Ana Padrão, José Rodrigues, Diogo Aleixo, Carla Sá.

História : A mãe acaba de morrer. O pai não é aquele que ela julgava. Elisa sente-se perdida entre um passado incerto e um futuro fechado pela perspectiva do casamento. A sua busca de um pai improvável, que é também uma fuga ao presente, leva-a de Paris a Lisboa, do fantasma dos anos 70 do século passado aos primeiros anos de um novo século. Este itinerário leva-a a cruzar mortos que falam, memórias que vacilam, torcionários reformados e revolucionários arrependidos.

Comentário : Lembro-me que fui ao cinema ver este pequeno filme português e que na altura não tinha gostado nada do filme. Esta noite voltei a ver o filme, numa tentativa de dar uma segunda oportunidade à fita, mas essa tentativa saiu furada. Na realidade, o filme não agarra o espectador, pessoalmente, não gostei da montagem e facilmente perdi o interesse naquilo que estava a acontecer. O filme tem umas poucas situações que não fazem sentido, por exemplo, não cabe na cabeça de ninguém uma mulher que conhece um tipo num dia e, horas depois, já está na cama com ele. Achei grande parte das prestações um pouco forçadas, com a excepção do ator José Neto, cuja prestação estava bastante convincente. Carlos Saboga, argumentista, estreou-se da pior maneira como realizador com este filme, mas não aprendeu a lição de que não serve para essa função e concebeu outro filme (A Uma Hora Incerta), que não sendo grande coisa, sempre é melhor que este “Photo”. Lamentável foi o facto dos dois filmes terem sido lançados em DVD recentemente, dois discos na mesma caixa, com uma mesma capa que serviu para as duas fitas, o que mostra uma enorme falta de respeito para com o trabalho do realizador. O correcto seria lançarem os dois filmes em caixas separadas com as respectivas capas nas caixas, num pack dedicado ao trabalho de Carlos Saboga.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Love At First Fight

Nome do Filme : “Les Combattants”
Titulo Inglês : “Love At First Fight”
Titulo Português : “Os Combatentes”
Ano : 2014
Duração : 98 minutos
Género : Romance/Drama
Realização : Thomas Cailley
Elenco : Adele Haenel, Kevin Azais, Antoine Laurent, Brigitte Rouan, William Lebghil, Thibaut Berducat, Nicolas Wanczycki, Steve Tientcheu, Frederic Pellegeay, Maxime Mege, Clement Allemand.

História : Madeleine Beaulieu é uma bonita adolescente que sempre teve apetência para a aventura e acha-se preparada para sobreviver, caso haja uma catástrofe. Arnaud Labrede é um jovem despreocupado que trabalha nas obras e com poucos horizontes. Um dia, os dois conhecem-se numa luta de praia e acabam por se inscrever no exército.

Comentário : Esta noite vi este filme francês de que gostei, embora tenha que confessar que esperava mais dele, porque a critica era muito boa e porque surgiu em duas listas de criticos dos melhores filmes de 2014. Pelo inicio, não dava nada pelo filme, embora as coisas só comecem a ficar realmente interessantes a partir do momento em que o casal abandona o exército e penetra na floresta. Adele Haenel e Kevin Azais possuem prestações bastante aceitáveis e convincentes, gostei dos desempenhos tanto dela como dele. Mas tenho que admitir uma coisa, não é um filme que nos ofereça muita coisa, na verdade, é apenas um filme bastante básico que mostra que algumas raparigas são capazes dos mesmos feitos dos rapazes. A Madeleine de Adele Haenel é a personagem mais forte e consistente do filme, é ela o verdadeiro pilar da fita, embora o personagem de Kevin Azais contribua para o equilibrio. O filme vê-se bem, mas não é nada de especial.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

The Diary Of A Teenage Girl

Nome do Filme : “The Diary Of A Teenage Girl”
Titulo Inglês : “The Diary Of A Teenage Girl”
Titulo Português : “O Diário De Uma Rapariga Adolescente”
Ano : 2015
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Marielle Heller
Elenco : Bel Powley, Alexander Skarsgard, Kristen Wiig, Abigail Wait, Miranda Bailey, Madeleine Waters, Margarita Levieva, Christopher Meloni, John Parsons, Willie.

História : Minnie é uma bonita adolescente de quinze anos de idade que está a atravessar uma crise existencial e passa ainda pelo despertar da sua sexualidade. Tem um pai ausente que se desligou da sua vida, tem uma mãe desnaturada que nada tem na cabeça, possui uma irmã carente de uma figura paterna, um gato lindo mas que se assanha com frequência, tem ainda um padrasto que adora foder com ela e com quem acaba por manter uma relação puramente carnal e ainda arranja tempo para manter uma relação lésbica com uma estranha amiga. Minnie tem assim uma existência muito complicada para uma simples garota de quinze anos. No entanto, ela arranja refúgio no desenho, mas nem esse hobbie será suficiente para que ela tenha uma vida saudável e normal.

Comentário : Apesar de não parecer, não estamos perante mais um filme de adolescentes, mas sim, estamos diante de uma fita adulta sobre a adolescência. Polémicas à parte, gostei de praticamente tudo neste filme, a banda sonora, a fotografia, o argumento original, as relações entre as personagens, os diálogos, as partes feitas em animação, o gato Willie, as cenas de sexo, os comportamentos das personagens, as interpretações e do genérico final. Bel Powley tem aqui a melhor prestação do filme, ela é a alma desta fita realizada a preceito por Marielle Heller, que também escreveu o original argumento. Uma relação entre um adulto e uma adolescente que é considerada condenável aos olhos da sociedade, é aqui tida como uma situação normal, factor que eu achei bastante positivo, afinal, desde que a jovem tenha consciência daquilo que faz e que não seja forçada a nada, não vejo qual o problema. Pessoalmente, achei este filme bastante original em vários aspectos, mas o aspecto mais fulcral foi a montagem, adorei a forma como o filme foi filmado e montado, tudo muito teen e perfeito. Um dos filmes mais originais que vi até hoje. 

The Brand New Testament

Nome do Filme : “Le Tout Nouveau Testament”
Titulo Inglês : “The Brand New Testament”
Titulo Português : “Deus Existe E Vive Em Bruxelas”
Ano : 2015
Duração : 115 minutos
Género : Fantasia/Comédia Dramática
Realização : Jaco Van Dormael
Produção : Jaco Van Dormael
Elenco : Pili Groyne, Benoit Poelvoorde, Yolande Moreau, Catherine Deneuve, Marco Lorenzini, François Damiens, Laura Verlinden, Serge Lariviere, Didier De Neck, Romain Gelin, Anna Tenta, David Murgia, Gaspard Pauwels, Bilal Aya, Johan Leysen, Dominique Abel, Lola Pauwels, Sandrine Laroche, Kiko Mirales.

História : Deus existe e vive em Bruxelas, é um estupor que maltrata a esposa e a filha. A sua filha é linda e chama-se Ea, tem dez anos de idade. Um dia, cansada de ser maltratada, ela revolta-se contra o pai, entra-lhe no computador central e transmite a toda a gente do mundo o seu dia de morte por SMS. Ea acaba por fugir e decide transformar o mundo que o pai estragou, num local melhor para todos.

Comentário : Na minha opinião, este é o filme mais original do ano. Este filme estreia nas nossas salas de cinema no próximo mês de Março. Confesso que desconhecia totalmente da sua existência até ter descoberto o trailer no YouTube. O realizador Jaco Van Dormael costuma fazer filmes bem loucos e este segue o mesmo caminho. Imaginem que Deus existe e é um maldoso homem que não dá valor à vida humana, brinca com as pessoas e faz a vida negra à esposa e à filha de apenas dez anos. Um dia, a pequena revolta-se com toda aquela situação e vai ao mundo dos humanos tentar emendar a porcaria que o pai fez ao longo do tempo. O argumento é o ponto mais alto desta fita, nem nos meus maiores delírios eu me lembraria de algo assim. Os poucos efeitos especiais que vão surgindo estão muito bem elaborados e foram usados a favor da pelicula e não o contrário, como é usual. 

A nivel das interpretações, os principais estão de parabéns. Benoit Poelvoorde tem aqui um papel ingrato, mas soube representá-lo na perfeição, tornando-se cómico por vezes. Depois temos uma grande atriz que tem sido muito desprezada pelos realizadores com quem tem trabalhado, Yolande Moreau, que apenas teve um único filme para provar o que valia (Seraphine), tem aqui um papel igualmente injusto, ela apenas serve de complemento, embora tenha o destaque merecido no final. Catherine Deneuve está muito bem, gostei do seu papel, o realizador colocou-a a contracenar com um enorme macaco, mas como versátil que ela é, soube fazer chegar o barco a bom porto. Todo o restante elenco de secundários esteve muito bem. Por último, a jovem Pili Groyne é a grande estrela deste filme, além de ter tido a melhor interpretação da fita, possui igualmente o papel mais importante da pelicula, a sua Ea é verdadeiramente adorável e muito fôfa, adorei a sua personagem. A miúda, com apenas três filmes, tem um grande futuro pela frente. Ela é a verdadeira protagonista do filme. Adorei o peixe luminoso. Um dos filmes mais originais do ano que foi nomeado até para um golden globe. Adorei este filme e o final é simplesmente mágico. 

Tale Of Tales

Nome do Filme : “Il Racconto Dei Racconti”
Titulo Inglês : “Tale Of Tales”
Titulo Português : “O Conto Dos Contos”
Ano : 2015
Duração : 125 minutos
Género : Fantasia/Drama
Realização : Matteo Garrone
Produção : Matteo Garrone
Elenco : Salma Hayek, Stacy Martin, Bebe Cave, Jessie Cave, Alba Rohrwacher, Vincent Cassel, Toby Jones, Shirley Henderson, Hayley Carmichael, Guillaume Delaunay, Kathryn Hunter, Giselda Volodi, Giuseppina Cervizzi, Luisa Ragusa, Christian Lees, Jonah Lees, Franco Pistoni, John C. Reilly.

História : No reino de Longtrellis, o rei e a raínha vivem com uma frustação, já que não podem ter filhos. Em busca de uma solução, eles entram em contacto com um mago, que oferece uma receita : é preciso capturar o coração de um monstro marinho e fazer com que uma rapariga virgem o cozinhe, sem que alguém esteja por perto. Num outro país, um rei guiado pelo desejo está obcecado por uma mulher que viu pela janela, no alto do seu palácio, sem saber que ela na verdade é uma idosa. Num terceiro país, um rei surpreende-se com a descoberta de uma pulga que, alimentada com o seu sangue, cresce cada vez mais.

Comentário : Trata-se de um filme totalmente diferente daquilo a que este realizador nos habituou. Desta vez, Matteo Garrone mergulha no género da fantasia para nos facultar uma fita original e fora do vulgar. Usando um elenco principal quase todo conhecido, o realizador dá-nos assim um filme bastante aceitável. O filme possui três histórias que no final se juntam numa última sequência. Pessoalmente, gostei mais da terceira história. A primeira história não tem muita graça e não me despertou grande interesse, até tive pena do monstro marinho. A segunda história, embora mais cativante que a primeira, acaba por perder o sentido e a lógica porque vai enrolando e enrolando, tornando-se muito seca. Claramente que é na terceira história que o filme ganha maior interesse, nomeadamente à custa de uma excelente prestação de Bebe Cave, cuja personagem é a mais interessante da fita toda.

A nivel das interpretações, Salma Hayek esteve praticamente apagada, não gostei muito da sua prestação. Por seu lado, Vincent Cassel esteve bem, dentro daquilo que lhe foi pedido, é uma personagem bastante curiosa. Stacy Martin teve direito a uma personagem muito intrigante, mas bastante composta. Toby Jones possui a personagem masculina mais importante e interessante do filme, sim, ele está integrado na terceira história. A empatia de Toby Jones com a jovem Bebe Cave resultou na perfeição, embora tenham sido duas personagens bastante divergentes. Por último, temos um John C. Reilly totalmente desnecessário, um ator desconhecido em seu lugar e a coisa talvez tivesse resultado melhor. Gostei bastante do monstro marinho e da pulga gigante, duas criaturas cujas mortes me causaram bastante lamento. Não é o melhor filme de Matteo Garrone, esse lugar pertence a “Gomorrah”, mas é seguramente um grande marco na carreira deste realizador ambiguo. Bom filme, diferente, mas bom. 

Sister

Nome do Filme : “L'Enfant D'en Haut”
Titulo Inglês : “Sister”
Titulo Português : “Irmã”
Ano : 2012
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Ursula Meier
Elenco : Lea Seydoux, Kacey Mottet Klein, Martin Compston, Gillian Anderson.

História : Numa estância de esqui de luxo na Suíça, um rapaz de 12 anos e a sua irmã vivem dos roubos que fazem a turistas ricos e que depois vendem aos miúdos e demais gente da cidade.

Comentário : Gostei deste filme, trata-se de cinema europeu de qualidade, que mete muitos filmes americanos a um canto. O filme já possui uns anitos, mas é muito actual. Algumas situações metem alguma raiva, por exemplo, quando o protagonista e um amigo estão numa casa de banho a gozar com os pertences de crianças, nomeadamente com as bolsinhas onde meninas guardam alguns trocos. Mas volto a dizer, o filme é muito actual. Mas não é somente a questão do roubo que o filme foca, temos igualmente presente a questão das relações humanas, neste caso, entre o rapaz larápio e a suposta irmã com quem divide casa e os lucros. Lea Seydoux (excelente atriz) tem aqui um bom papel e uma boa prestação. No entanto, a verdadeira estrela do filme é o jovem Kacey Mottet Klein, que carrega a fita nos ombros com muito profissionalismo, é nele que recaem todos os méritos. Nota igualmente positiva para a fotografia e para a realização. O argumento está bem esgalhado e ainda temos direito a um fantástico twist sobre a verdadeira condição familiar entre rapaz e irmã. Bom filme. 

Noble

Nome do Filme : “Noble”
Titulo Inglês : “Noble”
Titulo Alternativo : “Christina Noble”
Ano : 2014
Duração : 102 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Stephen Bradley
Elenco : Deirdre O'Kane, Sarah Greene, Gloria Cramer Curtis, Brendan Coyle, Liam Cunningham, Ruth Negga, Nhu Quynh Nguyen Linh, Kinh Quoc, Le Ngoc Tu'o'ng, Lu'o Ng My, Dat Khou Nguyen Tien, Lauren Malone, Harry Whelehan, Charlie Whelehan, Camille Byrne, Derbhle Crotty, Harry Plummer, Paul Hickey, Pauline McLynn, Eva Birthistle.

História : Christina Noble teve uma infância dificil, uma adolescência complicada e sofrida e um inicio de vida adulta não muito feliz. No entanto, ela tornou-se numa mulher bondosa e sempre pronta em ajudar o próximo. O que se acentua mais quando ela visita o Vietnam e por lá fica, decidida em ajudar o maior número de crianças que puder, na intenção de lhes tentar dar melhores condições de vida.

Comentário : Gostei bastante deste filme biográfico sobre uma mulher que existiu na realidade e que fez muito, mesmo muito, por várias centenas de crianças carenciadas. Possuidora de uma infância e adolescência problemáticas, Christina Noble ultrapassou os seus traumas e optou por seguir as suas convicções, acabando por fazer na vida aquilo que melhor sabia : ajudar os outros. Confesso que nunca tinha ouvido falar desta mulher, mas gostei de a ter conhecido atravéz deste pequeno filme. De facto, o filme é curto demais para a história que pretende contar, faltaram algumas coisas, mas o essencial está lá. O filme tem cenas muito realistas e outras menos conseguidas. Ainda assim, é um importante filme que mostra que quase tudo se consegue quando a vontade é muita. Admirável foi a interpretação de Deirdre O'Kane, esta espantosa actriz desempenhou muito bem o papel da mulher em questão. A pequena Gloria Cramer Curtis também fez um bom trabalho, representando a infância da protagonista, que menina tão talentosa. Antes do genérico final, passam imagens da Christina Noble verdadeira, bem como dizeres dos seus feitos. Para quem gosta de fitas biográficas, aconselho esta, bom filme. 

Appropriate Behavior

Nome do Filme : “Appropriate Behavior”
Titulo Inglês : “Appropriate Behavior”
Ano : 2014
Duração : 86 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Desiree Akhavan
Elenco : Desiree Akhavan, Rebecca Henderson, Halley Feiffer, Anh Duong, Ryan Fitzsimmons, Hooman Majd, Arian Moayed, Justine Cotsonas, Scott Adsit, Maryann Urbano, Michael Lonergan, Annalisa Graziano, Jake Katzman, Daniella Rabbani, Aimee Mullins, Rosalie Lowe, Olan Montgomery, Robyn Rikoon, Alicia Crawford.

História : Uma jovem bissexual tenta colocar uma ordem à sua complicada existência, onde o principal problema resume-se à sua vida sentimental e sexual.

Comentário : Filme bastante simples, mas muito complexo nas temáticas abordadas. A fita foca as relações amorosas e sexuais entre seres humanos e quanto complicadas elas podem ser. O filme vive basicamente à custa da interpretação da atriz principal e dos diálogos a preceito, alguns são mesmo deliciosos. No fundo, trata-se de um pequeno filme independente que aborda o sexo e as relações de amizade e amorosas, bem como a facilidade em que se passa de uma para a outra. Achei inverossímil o facto da protagonista conhecer aquele casal num dia e ir logo para a cama com os dois, acabando os três a amarem-se. O filme está muito bem filmado e realizado, Desiree Akhavan (realizadora e atriz) fez um bom trabalho com o material que tinha em mãos, isto enquanto realizadora. Já como atriz, ela carregou o filme todo nos ombros. Na verdade, ela escreveu o argumento, realizou e interpretou a personagem principal do filme. A mulher é um espectáculo, adorei tê-la descoberto. E sim, Shirin (personagem principal) é bissexual. Este filme foi um achado para mim, uma boa surpresa.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Captive

Nome do Filme : “Captive”
Titulo Inglês : “Captive”
Titulo Português : “Cativos”
Ano : 2012
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Brillante Mendoza
Elenco : Isabelle Huppert, Katherine Mulville, Marc Zanetta, Rustica Carpio, Timothy Mabalot, Maria Isabel Lopez, Raymond Bagatsing, Coco Martin, Mercedes Cabral, Mon Confiado, Perry Dizon, Kristoffer King, Chanel Latorre, Ronnie Lazaro, Madeleine Nicolas, Pieter Overbeeke, Bernard Palanca, Bianca Zialcita, Allan Paule, Angel Aquino, Apollo Abraham, Archi Adamos, Bea Garcia, Bombi Plata, Jelyn Nataly Chong, Elizabeth Ty Chua, Maria Goldilyn Uy, Marinela Lumeran.

História : Num resort de praia da ilha filipina de Palawan, vinte hóspedes, a maioria dos quais turistas estrangeiros, são raptados por um grupo separatista islâmico. Levado numa jornada pelo mar até à selva montanhosa, o grupo é mantido cativo durante cerca de um ano. Ao longo desse tempo, tanto os raptores como os raptados lutam por se esquivar a ataques frequentes por parte do exército filipino.

Comentário : Gostei bastante deste filme do realizador Brillante Mendoza, aliás, devo dizer que gosto do seu cinema. Não me lembro se este filme estreou nas nossas salas de cinema, pessoalmente, não me recordo dele, apenas o descobri em DVD. O filme em questão é baseado numa história verídica, funciona como uma espécie de biografia dos acontecimentos que marcaram as vidas de todas aquelas pessoas. É um filme que se segue bastante bem do inicio ao fim, possui algum clima de tensão (nas partes dos tiroteios principalmente) e é uma fita muito crua. Mas o principal trunfo do filme é ser muito realista, foi este aspecto que eu mais gostei na fita, tudo parece muito real.

O filme está ainda adornado de cenas belíssimas, por exemplo, uma cena em que a protagonista desenvolve uma relação com um jovem terrorista; a sequência em que a protagonista quase trava um encontro com uma linda ave colorida; umas outras cenas em que os raptados vão “desenvolvendo” escassos laços com os terroristas ou a cena em que a protagonista maneja e dispara uma arma. Estes são apenas alguns exemplos de admiráveis cenas, embora hajam mais. É como disse, o filme prima por estar bastante realista, por vezes, tudo parece real devido à naturalidade com que todos actuam e desempenham os seus papéis. Os raptores parecem mesmo verdadeiros, enquanto que os raptados mostram na perfeição o sofrimento que teriam caso tivessem naquela situação, achei isso brutal. Um filme muito bem conseguido. 

Straight Outta Compton

Nome do Filme : “Straight Outta Compton”
Titulo Inglês : “Straight Outta Compton”
Ano : 2015
Duração : 167 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Gary Gray
Produção : Gary Gray/Ice Cube/Dr. Dre/Tomica Woods Wright
Argumento : Jonathan Herman/Andrea Berloff
Elenco : Alexandra Shipp, O'Shea Jackson Jr., Corey Hawkins, Jason Mitchell, Carra Patterson, Neil Brown Jr., Aldis Hodge, Marlon Yates Jr., R. Marcos Taylor, Elena Goode, Keith Powers, Sheldon A. Smith, Keith Stanfield, Aeriél Miranda, Lisa Renee Pitts, Angela Elayne Gibbs, Bruce Beatty, Corey Reynolds, Tate Ellington, Dean Cameron, Asia'h Epperson, Marcc Rose, Ashley Stepteau, Phedra Syndelle, Valerie Emanuel, Zee James, Natascha Hopkins, Shahira Barry, Paul Giamatti.

História : Na Califórnia dos anos 80, cinco jovens usam as suas experiências pessoais na produção de músicas rebeldes, diferentes e totalmente contra o sistema. Surge o N. W. A. (Niggaz Wit Attitudes) que dá voz a uma geração e promove a explosão do chamado “gangsta rap”.

Comentário : Se tivesse de resumir este filme numa única palavra, seria claramente : Brutal. Primo próximo de “8 Mile”, este “Straight Outta Compton” é um excelente filme biográfico e histórico que conta a história real de três jovens rappers e a sua influência no mundo do rap e do hip hop. Quase se pode dizer que foram eles os três os fundadores daquele género musical e os seus grandes impulsionadores. Trata-se um filme bastante completo a todos os níveis, está muito bem filmado e montado, possui um ritmo e um clima que nos permite estarmos sempre penetrados naquilo que está a acontecer e fazendo com que as quase três horas passem a correr. Gostei igualmente da banda sonora, apesar de não ser apreciador deste tipo de música, deixei-me levar ao seu ritmo e a coisa funcionou. Tenho que confessar que a única coisa que me deixou desiludido foi o facto das mulheres serem muito “mal tratadas” no filme, nenhuma possui um papel de destaque, apesar de existirem algumas com papéis secundários, por exemplo, a linda e sensual cantora Alexandra Shipp (segunda foto em baixo). Ou ainda a actriz Carra Patterson. Tenho quase a certeza que, na vida real, as mulheres tiveram um papel essencial nas vidas dos três rappers.

A nível das prestações, temos três poderosas interpretações por parte de três talentosos jovens : O'Shea Jackson Jr., Corey Hawkins e Jason Mitchell (primeira foto em baixo), tenho que confessar que estes três actores de raça negra me surpreenderam imenso pela positiva, foram bastante convincentes nos seus principais papéis. Os três representaram três homens que existiram mesmo e deixaram as suas marcas, principalmente no mundo da música. Por outro lado, detestei ver Paul Giamatti neste filme e neste papel, um actor desconhecido no seu lugar e a coisa podia ter resultado melhor. Adoro a maioria das letras das musicas destes grupos, porque são canções que colocam o “dedo na ferida” e indicam os defeitos de uma sociedade corrupta, mesquinha, cruel e criminosa. É natural que a policia americana tudo faça para travar estes grupos e estes jovens, afinal, a policia é corrupta. É impressionante que a policia é a própria a provocar estas pessoas, justificando assim a existência do racismo e da discriminação. Veja-se para isso a cena humilhante à porta do estúdio de gravação. O filme foca também o poder do dinheiro na indústria musical, bem como sendo também o factor de desavença entre amigos, foi a principal causa da separação entre os elementos do grupo inicial. O filme mostrou bem as vidas dos três personagens principais, penso que isso foi bem trabalhado. Adorei este filme. 




Ps : Lamentavelmente, o filme não teve direito a estreia em sala no nosso país, em vez disso, foi directamente para DVD e sairá brevemente para venda numa edição rasca que nem é a versão do realizador, trata-se sim de uma versão reduzida roubada em vinte minutos. Enfim, uma vergonha o facto deste grande filme passar despercebido, seguramente um dos melhores filmes de 2015.

Florbela

Nome do Filme : “Florbela”
Titulo Inglês : “Florbela”
Ano : 2012
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Vicente Alves Do Ó
Elenco : Dalila Carmo, Ivo Canelas, Albano Jerónimo, Carmen Santos, José Neves, António Fonseca, Maria Ana Filipe, Beatriz Leonardo, Anabela Teixeira, Rita Loureiro.

História : Florbela Espanca, em terceiras núpcias com Mário Lage, procura inspiração numa Lisboa entre revoltas e festas de foxtrot. Florbela não consegue escrever, por isso mergulha, com o irmão, no lado boémio da capital em plenos anos 20.

Comentário : Foi a algum tempo que eu vi este filme português, embora somente agora tenha tido necessidade de o comentar aqui. Gosto de cinema português, mas não de todo, prefiro aquele tipo de cinema mais independente e mais calmo. No entanto, tenho que dizer que não fiquei muito satisfeito com esta biografia sobre uma das nossas melhores escritoras. Como aspectos positivos temos um bom guarda roupa e uma recriação de época exemplar, já para não falar da fotografia. Podemos contar com uma boa interpretação de Dalila Carmo (uma das minhas actrizes portuguesas preferidas), a actriz desempenhou muito bem o seu papel de protagonista.

A seu lado, temos um Ivo Canelas em excelente forma, adorei a sua prestação, talvez tenha gostado mais da sua interpretação do que da de Albano Jerónimo, ator que eu considero ter estado igual a si próprio. Como aspectos negativos, temos um argumento que anda sempre a dançar de um lado para o outro, o realizador parece não saber apontar na direção certa e, por vezes, a coisa descarrila mesmo. O filme acaba por ser o retrato íntimo de Florbela Espanca : não de toda a sua vida cheia de sofrimento, mas de um momento no tempo, em busca de inspiração, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente. Penso que as coisas falharam devido a isso mesmo, porque não se focaram naquilo que realmente interessava mais na vida da escritora.

                                                            Dalila Carmo

domingo, 7 de fevereiro de 2016

The Benefactor

Nome do Filme : “The Benefactor”
Titulo Inglês : “The Benefactor”
Ano : 2015
Duração : 92 minutos
Género : Drama
Realização : Andrew Renzi
Elenco : Richard Gere, Dakota Fanning, Theo James, Clarke Peters, Tibor Feldman, Brian Anthony Wilson, Dennisha Pratt, Michael Daisher, Roy James Wilson, Lyssa Roberts.

História : Após um trágico acidente por ele provocado, a vida de um homem muda radicalmente para pior.

Comentário : Mais um filme protagonizado pelo grande Richard Gere, mais uma brilhante interpretação dele. Gostei deste filme, tal como havia gostado do anterior filme por Gere interpretado. De facto, a prestação de Richard Gere é o principal trunfo deste pequeno filme independente. Devo dizer que o filme não merecia as fracas classificações que possui nos sites da especialidade, não é um mau filme, é apenas uma fita razoável que aborda o ser humano, enquanto coisa defeituosa e envolta em problemas. Todos erramos e o filme faz disso o seu principal foco, vincando bem a responsabilidade de Franny naquilo que sucedeu com o casal seu amigo. Dakota Fanning, outra estrela de Hollywood, também tem no filme uma boa prestação, a sua química com Gere é notável. Por último, temos Theo James, possui aqui a prestação mais fraca do trio, mas ainda assim digna de um bom ator. Dispensava o genérico final com o protagonista a fazer a barba, que forma tão ridicula de terminar o filme. Sendo um filme que vive à custa de três boas prestações, estamos perante uma fita bastante aceitável. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Macbeth

Nome do Filme : “Macbeth”
Titulo Inglês : “Macbeth”
Ano : 2015
Duração : 113 minutos
Género : Drama/Epic
Realização : Justin Kurzel
Elenco : Michael Fassbender, Marion Cotillard, Paddy Considine, David Thewlis, Sean Harris, David Hayman, Lynn Kennedy, Seylan Baxter, Amber Rissmann, Kayla Fallon, Lochlann Harris, Jack Reynor, James Harkness, Ross Anderson, Elizabeth Debicki, Eleanor Stagg, William Stagg, Matthew Stagg, Maurice Roeves, Hilton McRae.

História : Macbeth é um general do exército escocês que trai o seu rei após ouvir um presságio de quatro bruxas que dizem que ele será o novo monarca. Ele é altamente influenciado pela esposa, uma figura manipuladora que sofre por não poder lhe dar filhos.

Comentário : Fiquei bastante desiludido com este filme inglês que tem o excelente ator Michael Fassbender como protagonista. Pessoalmente, achei o filme muito cansativo e sem interesse. Nem o facto de a fita possuir diálogos e pensamentos poéticos contribuiu para que eu gostasse disto. Também não gostei da interpretação de Michael Fassbender, aqui numa das piores prestações da sua carreira, o seu Macbeth não me convenceu. Marion Cotillard também não me agradou em nada, apesar da sua aparência cândida, a sua personagem é tão nula, possivelmente porque o realizador deu-lhe pouco para fazer. Em papéis secundários, Paddy Considine e David Thewlis limitaram-se a aparecer e a interpretar os seus personagens, podiam estar ali dois atores desconhecidos que o resultado seria o mesmo. As únicas notas positivas vão para a caracterização das personagens e para a poderosa banda sonora. Um último reparo, adorei as quatro bruxas, as únicas personagens consistentes do filme.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Irrational Man

Nome do Filme : “Irrational Man”
Titulo Inglês : “Irrational Man”
Titulo Português : “Homem Irracional”
Ano : 2015
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Woody Allen
Elenco : Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey, Joe Stapleton, Nancy Carroll, Brigette Lundy Paine, Katelyn Semer, Betsy Aidem, Ethan Phillips, Jamie Blackley, Geoff Schuppert, Tamara Hickey, Sophie Von Haselberg, Ben Rosenfield, Michael Goldsmith, Meredith Hagner, Susan Pourfar, Nancy Villone, Tom Kemp, Eva Senerchia.

História : O professor de filosofia Abe Lucas sente-se infeliz, deprimido e sem motivação seja para o que for. Ao mudar-se para uma nova cidade, acaba por se ver emocionalmente envolvido com duas jovens mulheres muito diferentes : Rita, uma professora solitária que apenas deseja libertar-se da infelicidade do seu próprio casamento; e Jill, uma aluna muito inteligente que se sente atraída pela sua aura de sabedoria e desespero algo existencialista. Mas a vida de Abe muda de rumo principalmente quando, numa ida a um restaurante com Jill, ouve a conversa de uma desconhecida sobre uma decisão de um juíz.

Comentário : Gosto de Woody Allen, seja como pessoa, seja enquanto ator ou cineasta. Este seu novo filme é mais do mesmo no sentido de contar uma história, mas representou uma novidade no que ao tipo de história diz respeito. Na verdade, fiquei deliciado com o argumento e com o desenrolar das coisas. Adorei o personagem de Joaquin Phoenix, parecia o alter ego do próprio Woody Allen, bem como algumas personagens vividas pelo realizador em filmes anteriores. O filme parece andar ali às voltas e nunca sai do mesmo sitio até ao fantástico twist que se dá na cena do café, twist esse que fez as coisas correrem e nos darem uma fantástica história. Não é somente Joaquin Phoenix que está bem no seu curioso papel, a seu lado, temos uma bastante competente e convincente Emma Stone, adorei o papel dela. Apenas achei um pouco forçada a relação amorosa entre professor e aluna. Volto a dizer, a personagem de Phoenix é bastante interessante e confesso que fiquei a zelar para que as coisas com ele dessem certo. O argumento é cheio de voltas e mais voltas, originando um fabuloso final, do qual eu nunca imaginei. Confesso que me diverti imenso a ver este filme, Woody Allen permanece sempre único no seu estilo e ao melhor nível. Adoro o seu cinema.