domingo, 31 de janeiro de 2016

Grandma

Nome do Filme : “Grandma”
Titulo Inglês : “Grandma”
Titulo Português : “A Avó”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Weitz
Produção : Paul Weitz
Elenco : Lily Tomlin, Julia Garner, Marcia Gay Harden, Sam Elliott, Judy Greer, Laverne Cox, Elizabeth Pena, Nat Wolff, Sarah Burns, John Cho, Mo Aboul Zelof, Frank Collison, Meg Crosbie, Missy Doty, Judy Geeson, Marlene Martinez, Don McManus, Kelsey Scott, Amir Talai, Lauren Tom, Willem Miller, Skya Chanadet.

História : Sage é uma adolescente que se encontra grávida de um namorado irresponsável e que está determinada na sua intenção de fazer um aborto. Como receia a mãe, Sage decide procurar a avó e pedir-lhe uma avultada quantia em dinheiro que servirá para fazer o procedimento na tarde daquele mesmo dia. No entanto, a sua avó é uma mulher muito complicada com uma vida igualmente dificil e que não possui o dinheiro que ela quer. Avó e neta iniciam assim uma repentina relação de algumas horas em busca de uma maneira de conseguir o tal dinheiro, tudo porque a primeira decidiu tudo fazer para ajudar a miúda.

Comentário : Gostei bastante deste pequeno filme independente que funcionou para mim como sendo uma agradável e excelente surpresa. De entre todas as surpresas que este filme me deu, a maior de todas foi eu ter descoberto uma grande atriz da qual eu desconhecia a sua existência : Lily Tomlin, que senhora. Lily Tomlin é a grande estrela deste pequeno filme, teve uma prestação espetacular e é gritante a quantidade de falta de prémios que recebeu pelo seu papel, ainda que o seu mérito tenha sido reconhecido através da sua nomeação ao globo de ouro de melhor atriz. Ela é mesmo uma excelente atriz e deu aqui um grande show de representação, fiquei mesmo surpreendido, o papel de avó ficou-lhe mesmo bem. A seu lado, temos uma bastante competente Julia Garner que, com o seu estranho visual, teve uma prestação bastante aceitável.

O argumento é muito original, nem nos meus melhores dias, me lembraria de construir uma história destas. É um filme que fala da adolescência enquanto fase mais complicada da vida de qualquer ser humano, mas aborda igualmente as dificeis relações entre mães e filhos, isto porque ser-se avó é como ser-se mãe pela segunda vez. A química entre Lily Tomlin e Julia Garner funcionou muito bem, adorei vê-las contracenar juntas. Apesar de aparecer pouco, gostei bastante do desempenho do veterano Sam Elliott, ele é um verdadeiro senhor. O realizador tenta por vezes levar as coisas para o lado cómico e penso que até isso resultou bem, não sendo uma comédia, as coisas resultaram bem nesse campo. O tema principal do filme é um assunto muito delicado, mas foi bem trabalhado de forma a não ofender ninguém. Gostei igualmente do papel secundário da excelente Marcia Gay Harden, gosto muito desta senhora. Basicamente, é um filme feminino, os homens foram um pouco deixados de lado nesta fita, tendo papéis quase desnecessários. Um dos dramas mais originais que o ano passado nos facultou. 

Regression

Nome do Filme : “Regression”
Titulo Inglês : “Regression”
Titulo Português : “Regressão”
Ano : 2015
Duração : 107 minutos
Género : Thriller
Realização : Alejandro Amenabar
Produção : Alejandro Amenabar
Elenco : Ethan Hawke, Emma Watson, David Thewlis, Devon Bostick, Aaron Ashmore, Dale Dickey, David Dencik, Aaron Abrams, Kristian Bruun, Adam Butcher, Lothaire Bluteau, Janet Porter, Peter MacNeill, Jacob Neayem, Mackenzie Kerfoot.

História : O policial Bruce Kenner é encarregue de investigar um alegado caso de abuso de uma menor de idade chamada Angela Gray, que diz ter sido abusada sexualmente pelo pai, alegando ainda existir todo um culto satânico envolvendo a sua estranha familia. Bruce Kenner vê-se assim envolvido numa espiral de mistério onde poderá estar envolvida toda a população da sua localidade. Para o ajudar, Bruce contará apenas com a preciosa ajuda do especialista em ciência e professor, Kenneth Raines.

Comentário : A todos aqueles que adoram os filmes protagonizados por Ethan Hawke, podem ficar descansados, esta semana estreou nas nossas salas de cinema este seu novo filme que eu confesso ter gostado, mas não tanto quanto gostaria. Isto porque o filme vai oscilando entre o fraco e o razoável durante grande parte da sua duração e apenas se torna algo de bom devido ao fantástico twist que envolve a personagem de Emma Watson já perto do final da fita. Mas aí voltamos a ter outro problema, porque esse mesmo twist não ajuda a explicar algumas coisas que se passaram até então, mas ajuda a compor as coisas e dá-nos um bom final. Ethan Hawke possui a melhor prestação do filme, não gostei nada da interpretação de Emma Watson, o principal problema é que ela não deu à sua personagem o realismo necessário que ela pedia e nem o choradinho contribuiu para isso. O filme tem algumas cenas que nada adiantam e que não estão lá a fazer nada, por exemplo, as cenas do suposto culto satânico, por vezes, tudo se torna muito ridiculo, de tão exagerado. Um último reparo, gostei da prestação da atriz que fez de avó de Angela. Em resumo, estamos perante um filme que, embora seja razoável devido ao tão frisado twist que gerou um bom final, mas que é uma obra totalmente desnecessária. 

The Lady In The Van

Nome do Filme : “The Lady In The Van”
Titulo Inglês : “The Lady In The Van”
Titulo Português : “A Senhora Da Furgoneta”
Ano : 2015
Duração : 105 minutos
Género : Biográfico/Drama/Comédia Dramática
Realização : Nicholas Hytner
Produção : Nicholas Hytner
Elenco : Maggie Smith, Jim Broadbent, Alex Jennings, Deborah Findlay, Roger Allam, Richard Griffiths, Pandora Colin, Nicholas Burns, Dominic Cooper, Gwen Taylor, Frances De La Tour, Claire Foy, James Corden, George Taylor, David Calder, Eleanor Matsuura, Dermot Crowley, Marion Bailey, Linda Broughton, Clare Hammond.

História : A história de Miss Shepherd, uma senhora de origem incerta que estaciona temporariamente a sua carrinha velha no pátio da casa de Londres de Alan Bennett e aí fica durante quinze anos. O que começa por ser um favor à força, transforma-se num relacionamento que irá mudar as suas vidas.

Comentário : Maggie Smith é uma verdadeira senhora e é também uma das grandes atrizes que eu sempre admirei e gostei. Neste filme, ela possui possivelmente a sua última grande interpretação de uma admirável carreira quase sempre ao serviço do cinema. Confesso que adorei vê-la neste seu último grande papel, representando uma senhora idosa que existiu de verdade e toda a situação vista no filme sucedeu também na realidade. Estamos perante uma história muito bem contada e mostrada, com umas pitadinhas de comédia e muito profissionalismo por parte de uma realização e de um elenco bastante competentes que tudo fizeram para fazer chegar o seu barco a bom porto. O filme tem situações engraçadas, o humor nunca é exagerado, como tem acontecido em algumas últimas comédias inglesas. Como já disse, Maggie Smith é a grande estrela desta fita e a sua química com Alex Jennings funcionou na perfeição. A furgoneta do titulo português é quase como uma personagem secundária e eu achei imensa graça ao veículo. É uma grande injustiça Maggie Smith não ver a sua prestação nomeada ao óscar este ano, nunca mais esta senhora terá outra oportunidade de ganhar um terceiro óscar, visto já ter sido nomeada seis vezes e recebido dois. Um dos filmes mais originais do ano passado.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Elles

Nome do Filme : “Elles”
Titulo Inglês : “Elles”
Titulo Português : “Elas”
Ano : 2011
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Malgoska Szumowska
Produção : Marianne Slot
Elenco : Juliette Binoche, Anais Demoustier, Joanna Kulig, Louis Do De Lencquesaing, Krystyna Janda, Andrzej Chyra, Ali Marthyar, François Civil, Pablo Beugnet, Valerie Dreville, Jean Louis Coulloc'h, Arthur Moncla, Scali Delpeyrat, Laurence Ragon, Alain Libolt, Swann Arlaud, Nicolas Layani, Jenny Bellay.

História : Anne está a escrever um artigo sobre a prostituição entre os estudantes para a revista “Elle”. Os seus encontros com duas raparigas bastante independentes revelam-se intensos e perturbadores, levando-a a questionar as suas convicções mais íntimas sobre dinheiro, família, amor e sexo.

Comentário : Realizado por uma polaca, estamos perante um filme muito bom, embora as classificações nos sites da especialidade o recusem em admitir. Juliette Binoche é uma excelente atriz e eu confesso que a considero uma profissional exemplar e também uma mulher muito bonita. Neste pequeno filme independente, ela possui mais uma boa interpretação, gostei realmente de a ter visto neste filme. A sua personagem é bastante forte e passa cá para fora a imagem de uma mulher cujo casamento está em fase de desgaste e que procura uma saída urgente para o marasmo em que se tornou a sua vida. Acaba por conhecer duas lindas jovens que lhe contam as suas vidas e a forma que arranjaram para pagar os estudos e para comprar as coisinhas que gostam e querem.

Em papéis secundários e quase principais, encontramos as lindas Anais Demoustier e Joanna Kulig em prestações muito a cima da média. Pessoalmente, sempre achei Anais Demoustier uma mulher lindíssima, neste filme, a sua beleza está bastante acentuada. Existe uma cena de sexo entre ela e um jovem rapaz que ficou muito bem conseguida, o mesmo não se pode dizer das restantes cenas desse teor. Trata-se de mais um filme que nos leva a ficar do lado das mulheres, a vida sempre foi mais complicada para elas. O filme peca também devido a alguns erros no argumento, mas nada que atrapalhe o êxito de uma fita que mostra que a mais velha profissão do mundo ainda tem segredos por revelar. Um filme absolutamente obrigatório para quem acha que já sabe tudo sobre as mulheres, pois na realidade, ninguém sabe tudo sobre estes maravilhosos e poderosos seres. 

99 Homes

Nome do Filme : “99 Homes”
Titulo Inglês : “99 Homes”
Titulo Português : “99 Casas”
Ano : 2015
Duração : 114 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Ramin Bahrani
Elenco : Michael Shannon, Andrew Garfield, Laura Dern, Clancy Brown, Noah Lomax, Tim Guinee, Juan Gaspard, Nicole Barre, J. D. Evermore, Cullen Moss, Yvonne Landry, Donna Duplantier, Jordyn McDempsey, Judd Lormand, Nadiyah Skyy Taylor, Javier Molina, Albert C. Bates, Sarah Miller, Eliza Miller, Margaret Miller.

História : Recentemente desempregado e a atravessar um momento particularmente dificil, Dennis Nash vive com filho menor e a mãe. Um dia é-lhe anunciado que foi alvo de penhora e que tem apenas algumas horas para abandonar a casa onde vive. Richard Carver, o responsável pelo despejo, é um homem implacável que fez fortuna no negócio de penhoras. Ao perceber o seu desespero, Carver propõe algo inesperado : que aceite trabalhar para ele. Esta proposta, apesar da aversão que lhe causa – pois obriga-o a despejar familias nas mesmas circunstâncias – é a luz ao fundo do túnel que precisava.

Comentário : Confesso que ao principio, nada dava por este filme, mas depois de o ver, tenho que admitir que gostei bastante. Lamentavelmente afastado do seu papel de “Spider-Man”, o jovem ator Andrew Garfield possui neste filme uma interpretação digna de prémios, adorei vê-lo neste papel, o rapaz saiu-se muito bem, carregando o filme praticamente todo às costas. Por outro lado, Michael Shannon podia ter estado melhor, ainda que tenha que admitir que ele passou na perfeição a imagem de sacana, embora esse estatuto não lhe fique bem. Laura Dern não teve um papel à altura do seu estatuto e passou quase despercebida. Quanto ao argumento, está bem esgalhado, eu senti-me sempre penetrado na história e os momentos de tensão são alguns. Repito, o filme tem alguns momentos de grande tensão que se dão a conhecer quando chega a altura dos despejos, quase me senti na pele daquelas pessoas. Embora tenha que admitir que se as familias não pagam, só têm o que merecem. O caso mais dramático é o último em que o personagem principal se vê na obrigação moral de revelar a verdade, ignorando todas as drásticas consequências desse seu acto. Um filme que mostra na perfeição o poder da corrupção na vida das pessoas, nomeadamente daqueles que nada podem contra o sistema.

Freeheld

Nome do Filme : “Freeheld”
Titulo Inglês : “Freeheld”
Titulo Português : “Amor E Justiça”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Peter Sollett
Elenco : Julianne Moore, Ellen Page, Michael Shannon, Steve Carell, Luke Grimes, Gabriel Luna, Anthony DeSando, Skipp Sudduth, Josh Charles, Kevin O'Rourke, Tom McGowan, William Sadler, Dennis Boutsikaris, Mary Birdsong.

História : Laurel Hester, uma agente policial de New Jersey, vive em união de facto com a mecânica Stacie Andree. Mas quando a Laurel é diagnosticada uma doença terminal, o mundo de ambas começa a desmoronar-se. Laurel quer passar para Stacie os benefícios da pensão da polícia após a sua morte, mas a sua relação não é reconhecida pelas autoridades que disso tratam.

Comentário : Tenho que confessar uma coisa, após ter visto os primeiros quinze minutos deste filme biográfico baseado em factos reais, desisti de o ver. Porque pareceu-me muito inverossímil que duas mulheres aceitassem com muita facilidade o facto de ambas serem lésbicas perante elas e terem-se logo envolvido sexualmente daquela forma, foi tudo muito rápido. Mas, resolvi relevar isso e voltar ao filme. Penso que foi o que fiz de melhor, isto porque achei o filme razoável, dentro dos padrões que se insere, a fita está bastante aceitável. Outra coisa que não gostei no filme foi do grupo de Steven Goldstein e do próprio também passarem imensas cenas a gritarem a frase “You Got The Power”, confesso que tornou as coisas muito irritantes. Como aspectos positivos, gostei das prestações de Ellen Page e de Julianne Moore, apesar de preferir a prestação desta em “Still Alice”, mas neste “Freeheld”, estas duas atrizes tiveram uma boa química entre elas. Michael Shannon também esteve em condições, gostei do seu personagem. O filme possui ainda uma boa carga dramática, e isso verifica-se mais na última meia hora. Sem ser um grande filme, estamos perante uma obra razoável.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Fathers And Daughters

Nome do Filme : “Fathers And Daughters”
Titulo Inglês : “Fathers And Daughters”
Ano : 2015
Duração : 117 minutos
Género : Drama
Realização : Gabriele Muccino
Elenco : Russell Crowe, Amanda Seyfried, Aaron Paul, Diane Kruger, Jane Fonda, Janet McTeer, Bruce Greenwood, Quvenzhane Wallis, Octavia Spencer, Kylie Rogers.

História : Jake Davis é um escritor que sofre de problemas mentais, mas isso não foi impedimento para ele ser casado e ter uma filha pequena. Um dia, a esposa morre num acidente que ambos sofrem e no qual era ele quem ia a conduzir. Assim, Jake vê-se sozinho com Katie, a filha menor que ele terá que criar. Mas as crises próprias da sua doença aumentam e a coisa agrava-se quando a irmã da falecida esposa pede em tribunal a guarda da menina, alegando que Jake não possui condições pessoais e financeiras para criar a filha.

Comentário : Trata-se de um poderoso drama intenso que fala de uma das temáticas mais complexas que existem : as relações entre pais e filhos. Portador de excelentes prestações em obras bastante aceitáveis como “Uma Mente Brilhante” e “Cinderella Man”, o ator Russell Crowe volta a fazer das suas e dá-nos outra poderosa prestação. Tenho que confessar que não gosto muito deste ator, mas sei reconhecer o seu valor enquanto profissional e estou consciente que ele é bastante bom. Neste filme ele desempenha um pai cheio de problemas que apenas quer ter sucesso no trabalho, dar à filha todo o bem estar e tudo aquilo que ela necessita e, a cima de tudo, ter saúde, coisa que lhe falta e é precisamente aí que reside a fonte de quase todos os seus problemas. A história do filme cativou-me bastante, estava sempre na expectativa naquilo que iria acontecer a seguir, nomeadamente no que à relação pai-filha diz respeito.

Ainda a nível das interpretações, ao lado de um bastante bom Russell Crowe, temos um elenco de secundários muito competentes. Amanda Seyfried esteve muito consistente no seu desempenho, gostei muito de voltar a ver Jane Fonda e Octavia Spencer num filme, estas duas excelentes atrizes brilharam nos seus papéis. Janet McTeer, Diane Kruger e Aaron Paul também não deixaram os seus créditos por mãos alheias, sinceramente gostei de os rever, ainda que aqui tivessem tido menos relevo. Por último, neste campo, as pequenas Quvenzhane Wallis e Kylie Rogers fizeram bem “os trabalhos de casa” e alcançaram bons desempenhos, a primeira no papel de uma menina sem família a que uma Katie adulta afeiçoa-se porque é essa a sua profissão e a segunda na pele da versão infantil da filha do protagonista. O filme foca igualmente os problemas psicológicos que Katie tem, devido à infância problemática que teve, foi uma criança que passou muito mal, ainda que o pai tenha feito tudo para o seu bem e para que nada lhe faltasse. Em certa parte, eu aceito a conduta e o comportamento de Katie, ela perdeu a mãe e, quase dois anos depois, é o pai que falece. Até fiquei admirado que ela se tivesse formado como assistente social para cuidar de crianças com problemas semelhantes aos seus. O filme é muito dramático, essas cenas ficam quase todas a cargo das personagens de Russell Crowe e da pequena Kylie Rogers. O filme não foi muito bem aceite pela crítica, mas a mim encheu-me as medidas, muito bom filme. 

3

Nome do Filme : “3”
Titulo Inglês : “Three”
Titulo Português : “Três”
Ano : 2010
Duração : 119 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Tom Tykwer
Elenco : Sophie Rois, Sebastian Schipper, Devid Striesow, Angela Winkler, Annedore Kleist, Alexander Horbe, Winnie Bowe, Dominique Chiout, Marita Gerber.

História : Hanna e Simon possuem uma relação desde à muitos anos, mas as coisas começam a ficar gastas, o que gera problemas para ambos. Numa tentativa de fuga, os dois procuram conforto e algo novo no mesmo homem.

Comentário : Um dos filmes mais estranhos que vi, principalmente pelos temas abordados. Trata-se de um filme adulto que transmite uma mensagem igualmente adulta. Achei curiosa a personagem de Adam, alguém que se revela como sendo bissexual, tanto tem relações com Hanna, como as tem com o companheiro dela e o mais enervante é que nada comenta com cada um deles, embora ele desconheça o que um é ao outro. No fundo, até achei curiosa a situação deles, os dois membros do casal desconhecem que estão a ser traídos com o mesmo homem. Os três possuem prestações aceitáveis, sendo a atriz Sophie Rois, a que esteve melhor, mais à vontade no seu papel. O argumento é bastante curioso, apesar de eu não ter entendido o final, simplesmente é muito difícil de aceitar, embora eu admita que pudesse acontecer, as pessoas são mesmo doidas. Pessoalmente, tirava algumas cenas ao filme e abulia mesmo o tom cómico que por vezes aparece. A componente sexual é pela maioria das pessoas considerada como sendo essencial na vida do ser humano, mas eu discordo dessa opinião generalizada e vou mais longe, ao dizer que certas pessoas levam as coisas a patamares bem loucos e pouco aceitáveis. Gostei deste filme, mas confesso que podia ter gostado mais.

domingo, 24 de janeiro de 2016

El Desconocido

Nome do Filme : “El Desconocido”
Titulo Inglês : “Retribution”
Titulo Português : “O Desconhecido”
Ano : 2015
Duração : 102 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Dani De La Torre
Elenco : Luis Tosar, Paula Del Rio, Javier Gutierrez, Elvira Minguez, Goya Toledo, Fernando Cayo, Marco Sanz, Antonio Mourelos, Maria Mera, Carolina Vazquez.

História : Num dia igual a tantos outros, Carlos prepara-se para levar a filha adolescente e o filho pequeno à escola e seguir para o emprego no banco. Pouco tempo depois de ligar o carro, recebe um telefonema. Do outro lado da linha está uma voz masculina que lhe diz que a viatura está armadilhada e que, caso algum dos três ocupantes se atreva a sair dela, explodirá. Para que as bombas sejam desligadas, ele terá que encontrar uma forma de obter uma enorme quantia em dinheiro. Assim se dá inicio a um enorme pesadelo, em que Carlos não luta apenas pela sua própria sobrevivência, mas também pelas vidas dos seus preciosos filhos.

Comentário : Poderoso thriller espanhol que eu confesso ter gostado bastante, lamentavelmente, o filme está mal classificado em alguns sites da especialidade. Este filme faz ver a muitos filmes americanos do género, apesar de ter alguns erros. É um pequeno filme de ação que nos prende totalmente à cadeira durante pouco mais de hora e meia, muito bem filmado e montado. A fita é muito envolvente no que ao clima de thriller diz respeito, na verdade, eu senti-me totalmente penetrado no filme e sempre na expectativa daquilo que iria acontecer. Temos igualmente um inimigo bastante aceitável e convincente, pessoalmente, nunca suspeitei que partisse dali e daquela situação. Ou seja, pensava que era um simples cliente do banco a exigir dinheiro e nunca imaginei que fosse pelos motivos que se revelaram.

Luis Tosar possui a melhor interpretação do filme, mas fiquei boquiaberto com a prestação da jovem Paula Del Rio, sim, a miúda que fez de filha do protagonista, ela esteve perfeita no seu papel, fenomenal. A melhor cena, fica registada como sendo aquela em que Sara salta para o banco da frente ao lado do pai e mostra-se disposta a ir com o progenitor até ao fim e ter o mesmo destino dele. O filme apenas peca pelo facto de nenhum dos bons morrer, ou seja, nem morre o pai, nem a filha adolescente e nem o filho pequeno, acaba tudo em bem e isso achei muito mal. Um último reparo, a brincadeira estúpida que o filho pequeno fez com as bolachas e que envolveu a irmã, é mesmo uma brincadeira de muito mal gosto, o puto era mesmo estúpido. Volto a dizer, o filme é muito bom, mete muitos filmes americanos do género a um canto. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Concussion

Nome do Filme : “Concussion”
Titulo Inglês : “Concussion”
Titulo Português : “A Força da Verdade”
Ano : 2015
Duração : 124 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Peter Landesman
Elenco : Will Smith, Alec Baldwin, Gugu Mbatha Raw, Albert Brooks, David Morse, Luke Wilson, Adewale Akinnuoye Agbaje, Arliss Howard, Eddie Marsan, Mike O'Malley, Hill Harper, Stephen Moyer, Richard Jones, Paul Reiser, Matthew Willig, Bitsie Tulloch.

História : A luta de Bennet Omalu, neuropatologista forense de renome, contra a National Football League (NFL), para que fossem reconhecidos os elevados riscos cerebrais a que os jogadores de futebol americano estão sujeitos.

Comentário : Gostei bastante deste filme biográfico que foca uma grande verdade, é um filme sobre a verdade. Uma verdade que os grandes interesses desportivos americanos tudo fizeram para abafar e para calar, neste caso, quiseram silenciar um médico. Esse médico descobriu, através de exames e estudos rigorosos, que o desporto em causa, a longo prazo, provoca a morte a alguns jogadores. Alguns atores secundários como David Morse, desempenham esses tais jogadores de futebol americano que sofriam da dita patologia. Consta-se que os próprios médicos da NFL sabiam do que se passava, mas escreviam relatórios médicos falsos e faziam falsos diagnósticos, tudo para abafar aquilo que mais tarde Omalu viria a descobrir. E tudo por causa de dinheiro, o imenso dinheiro que este desporto gera em todas as suas vertentes. De facto, a mentira e o negócio sempre caminharam de mãos dadas.

Falando de outra coisa, a esposa do ator Will Smith e o realizador Spike Lee levantaram a polémica que o trabalho dos atores de raça negra raramente é reconhecido nas nomeações aos oscares, e eu concordo com eles. Vejamos, eu facilmente tirava Matt Damon da corrida para melhor ator e colocaria Will Smith, que mete a prestação do ator de “The Martian” no bolso. Claro que Will Smith merecia mais a nomeação, mas toda a gente sabe que esta coisa dos oscares é tudo uma treta, é puro negócio e jogo de interesses. No fundo, trata-se de um bom filme biográfico que está muito bem filmado e montado, com um bom argumento e que me cativou bastante do inicio ao fim. As duas horas passaram a correr, tal não foi a forma como eu estava penetrado naquilo que estava a ver.

Gostei também do papel que a atriz (Gugu Mbatha Raw) que fez de companheira do protagonista fez, ela esteve muito convincente. No nosso país, a distribuição dos filmes em estreia é uma desgraça, todos os anos, passam a vida a adiar alguns filmes, no caso deste, era suposto ter estreado no final do ano passado, foi adiado para a primeira semana de Março, uma vergonha. Já para não falar quando existem filmes bons que nem chegam às nossas salas de cinema e outros que são suposto estrear, mas são retirados da lista de estreias, outra grande vergonha. Mas a maior vergonha foi a dos senhores que gerem a NFL, que preferem que os seus jogadores morram depois das reformas devido ao seu desporto, do que revelar a verdade, assumir as responsabilidades e as consequências. Mas existem muitas práticas dos seres humanos que são nocivas e mortais e que deviam acabar, afinal, o Homem é o pior dos seres. Gostei bastante deste filme, não lhe foi dado o devido valor.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

The Big Short

Nome do Filme : “The Big Short”
Titulo Inglês : “The Big Short”
Titulo Português : “A Queda de Wall Street”
Ano : 2015
Duração : 130 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Adam McKay
Elenco : Christian Bale, Ryan Gosling, Brad Pitt, Steve Carell, Melissa Leo, Casey Groves, Charlie Talbert, Rudy Eisenzopf, Tracy Letts, Marisa Tomei, Jeremy Strong, John Magaro, Karen Gillan, Tony Bentley, Margot Robbie, Selena Gomez.

História : Quando quatro homens anteciparam o colapso global da economia dos E.U.A., tiveram uma ideia : apostar na crise imobiliária e lucrar com a tragédia que se avizinhava. Quando, já em 2008, e tal como eles previram, o mercado colapsa e a economia sofre um enorme revés, esses investidores fazem uma autêntica fortuna. Assim, enquanto as instituições financeiras responsáveis pelo que aconteceu são socorridas com o dinheiro dos desgraçados dos contribuintes, milhares de cidadãos perdem as suas casas, os seus empregos e as suas reformas numa autêntica catástrofe financeira que ainda hoje se repercute de várias maneiras.

Comentário : Cá está um filme que mete o dedo diretamente na ferida. Mas a questão que se deve colocar é se era necessária uma fita que demonstrasse o que aconteceu à economia mundial e a muita gente. Penso que este filme se destina unicamente aos interessados pelo tema em causa e também aos que querem saber o que realmente aconteceu. No meu caso, este filme não me disse nada, até mesmo porque já sabia e sei como tudo aconteceu, de maneira geral, obviamente. A principal mensagem que se pode tirar deste filme é que os grandes nunca são chamados à responsabilidade e nunca pagam pelos seus erros, já os mais fracos e pobres, são sempre aqueles que saem prejudicados pela ganância e pelos crimes dos poderosos. Gostei de ver o versátil Christian Bale neste papel, pareceu-me que teve uma das melhores prestações da sua carreira. Ryan Gosling também está bem no filme, embora não tenha gostado do seu visual. Gostei de ver Steve Carell num registo totalmente diferente dos papéis da treta que geralmente tem. Por outro lado, não gostei nada de ver Brad Pitt neste papel. Detestei o lado cómico do filme. Como último desabafo, quero dizer que foi uma grande seca que apanhei ao ver este filme, só o vi por obrigação, por estar nomeado aos oscares. Não é filme para mim.

Knight Of Cups

Nome do Filme : “Knight Of Cups”
Titulo Inglês : “Knight Of Cups”
Titulo Português : “Cavaleiro de Copas”
Ano : 2015
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Terrence Malick
Elenco : Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman, Freida Pinto, Teresa Palmer, Imogen Poots, Cherry Jones, Brian Dennehy, Wes Bentley, Antonio Banderas, Isabel Lucas.

História : Um escritor desocupado tenta encontrar um sentido para os acontecimentos que sucedem na sua inútil vida.

Comentário : E cá temos mais uma obra do ermita Terrence Malick, alguém que se recusa a aparecer em acontecimentos sociais e cinéfilos e se nega a dar entrevistas. Trata-se de um realizador que tem uma maneira muito especial de mostrar os seus filmes e que já nos habituou a isso e até já nos cansa. Temos por isso, com este novo filme, mais do mesmo, mais daquilo que foi visto em “O Novo Mundo”, em “A Árvore da Vida” e principalmente mais daquilo visto em “To The Wonder”, é assim, um realizador que não sai do seu registo e da sua zona de conforto. Eu tenho que admitir que havia depositado algumas esperanças neste novo filme de Terrence Malick, estava à espera que o cineasta nos facultasse algo novo e diferente, mas enganei-me redondamente. É tudo muito reciclado, apenas muda a história e o elenco. Mas tenho que confessar que gostei da banda sonora e de algumas cenas. Por exemplo, como melhores cenas, eu destaco todas aquelas que decorrem no clube de dança noturno. Tudo o resto é algo já visto nos três anteriores filmes do cineasta. Ele continua a filmar usando ângulos maravilhosos, a usar os sons do que filma como pano de fundo, corta nos diálogos e abusa dos pensamentos dos personagens, continua a filmar habilmente a natureza e os detalhes das casas e da cidade. Por último, tenho que frisar que gostei das prestações de Christian Bale e de Natalie Portman. Um filme repetitivo e muito cansativo de se ver.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Room

Nome do Filme : “Room”
Titulo Inglês : “Room”
Titulo Português : “Quarto”
Ano : 2015
Duração : 118 minutos
Género : Drama
Realização : Lenny Abrahamson
Elenco : Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy, Tom McCamus.

História : Uma jovem rapariga vive aprisionada com o seu filho de quatro anos numa pequena divisão que chamam de quarto. Estão lá à anos e a jovem faz o que pode para proteger o seu menino, criando toda uma realidade alternativa face à dura realidade que enfrentam. Quando o filho completa cinco anos de idade, a mãe decide mudar a situação.

Comentário : “Room” foi o filme que eu mais gostei em 2015 porque mexeu muito comigo e provocou-me imensas sensações, desde alegria, revolta, emoção, tristeza, saudosismo, preenchimento, solidão e até alivio. Depois de ter tido uma brilhante interpretação no excelente “Short Term 12”, a jovem e bonita atriz Brie Larson repetiu esse feito, a sua prestação em “Room” é digna de uma nomeação ao oscar, tal não é a dedicação que deu à personagem, pelo que foi bem merecido o globo de ouro. Fiquei mesmo fascinado com a poderosa interpretação de Brie Larson, quase chorei com o desespero da sua Joy, que excelente atriz. Quem brilhou do mesmo modo no que à representação diz respeito foi o pequeno Jacob Tremblay, este talentoso menino interpretou na perfeição o seu complicado papel, não me admirava se tivesse nomeações em festivais, pelo que foi injusto não ter sido nomeado para o oscar de melhor ator secundário. Fiquei rendido ao rapaz, não é só bom ator, como é igualmente muito fôfo e bonito, quem me dera que fosse meu filho. 

Este filme é uma montanha russa de emoções, não só devido à situação pela qual mãe e filho passam, mas também devido ao que sucede depois de quase uma hora de fita. Posso dizer que a narrativa de “Room” está cuidadosamente dividida em duas partes, sendo a primeira que compreende o período em que a mãe e a criança estão confinados ao interior do quarto do titulo, onde somos convidados a conhecer aquele estranho e pequeno mundo. Pequeno para nós, porque para o menino aquilo é enorme, conforme ele mais tarde diz. E depois temos a segunda parte, que abarca as situações e emoções vividas pelo menino fora do quarto, no mundo real. Na realidade, o menino fica tão confuso com o novo mundo que pensa estar noutro planeta e aceita tudo o que é novo com bastante dificuldade, como é natural naquela situação. É um filme que mexe com quem o vê pela complexidade da situação e pelo turbilhão de emoções nela contidas. O realizador fez um excelente trabalho, o argumento é bastante eficaz e as coisas resultaram na perfeição. De destacar também a empatia perfeita existente entre Brie Larson e Jacob Tremblay, os dois funcionam muito bem. Fiquei completamente preenchido com este filme independente, dificilmente verei melhor. “Room” é desta forma o melhor filme que vi em 2015, por tudo o que significou para mim. O filme foi nomeado para 4 oscars : melhor filme, melhor realizador, melhor atriz e melhor argumento. Ficava satisfeito de ganhasse os 4 oscars, mas também não me importo se ganhar o excelente “The Revenant”. 



Abraços Cinéfilos.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Joy

Nome do Filme : “Joy”
Titulo Inglês : “Joy”
Ano : 2015
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : David O. Russell
Elenco : Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Virginia Madsen, Isabella Rossellini, Edgar Ramirez, Diane Ladd, Dascha Polanco, Elisabeth Rohm, Susan Lucci, Laura Wright, Jimmy Jean Louis, Maurice Benard, Marianne Leone, Drena De Niro, Melissa Rivers, Donna Mills, Aundrea Gadsby, Gia Gadsby, Tomas Elizondo, Zeke Elizondo, Isabella Crovetti Cramp, Emily Nunez, Madison Wolfe.

História : Criativa e decidida, Joy esforça-se por conciliar a dificil vida de mãe solteira de duas crianças pequenas com a de inventora. Um dia descobre algo inovador que lhe abre as portas para o sucesso. Porém, ao mesmo tempo que ganha notoriedade e se transforma numa das mais bem sucedidas empresárias dos Estados Unidos, vê-se obrigada a enfrentar a traição, a falsidade e a falta de generosidade dos que lhe são próximos. Mas também percebe que existe sempre alguém que, sejam quais forem as circunstâncias, nunca deixará de estar do seu lado.

Comentário : Trata-se daqueles filmes que agradam aos membros da Academia dos oscars, talhado para arrecadar algumas estatuetas, embora eu ache que desta vez as coisas não vão funcionar dessa forma. Jennifer Lawrence é uma excelente atriz, já deu imensas provas disso e possui aqui a melhor prestação do filme. Será seguramente nomeada por mais esta sua interpretação. A seu lado, temos um sempre competente Robert De Niro, que continua firme na sua posição de “monstro” sagrado da sétima arte, principalmente no que à qualidade interpretativa diz respeito. Depois temos um bastante apagado Bradley Cooper, confesso que já gostei mais de o ver em outros campeonatos. Em papéis secundários, encontramos Virginia Madsen e Isabella Rossellini, que também não deixaram os seus créditos por mãos alheias, têm neste filme bons desempenhos. Nota igualmente positiva para Edgar Ramirez, gostei bastante do seu papel e da sua personagem. Por último tenho que frisar as duas pequenas atrizes que partilharam o papel de filha da nossa protagonista, as manas Aundrea Gadsby e Gia Gadsby, estas duas meninas estiveram muito bem e a empatia das duas com Jennifer Lawrence funcionou na perfeição.

Esta deve ser a terceira ou quarta vez que Jennifer Lawrence e Bradley Cooper contracenam juntos, estes dois grandes atores sentem-se como peixes na água nesta área, dificilmente possuem más prestações, no caso deste filme, cada um à sua maneira, tiveram chance de brilharem. Pessoalmente, penso que o realizador podia ter dado mais tempo de antena a Bradley Cooper, a coisa funcionou bem para o ator, mas notei que ele tinha muito mais para dar à sua personagem. A grande estrela deste drama biográfico é Jennifer Lawrence que nos facultou uma personagem bastante forte. Nota negativa para a insuportável banda sonora, alguns temas foram metidos de forma forçada e não ligaram bem com as cenas. O argumento podia ter sido mais desenvolvido e a componente cómica que por vezes surge podia ter sido totalmente abolida desta produção. Em resumo, gostei do filme, é uma fita que vive sobretudo dos atores, mas penso que a coisa funcionou bem, ao contrário daquilo que as classificações mostram. 

Right Now Wrong Then

Nome do Filme : “Ji Geum Eun Mat Go Geu Ddae Neun Teul Li Da”
Titulo Inglês : “Right Now, Wrong Then”
Titulo Português : “Sítio Certo, História Errada”
Ano : 2015
Duração : 121 minutos
Género : Drama
Realização : Sang Soo Hong
Elenco : Jeong Jae Yeong, Kim Min Hee

História : Duas versões sobre o encontro entre um cineasta e uma pintora.

Comentário : Gostei deste filme coreano que foca a relação inesperada entre um realizador de cinema e uma pintora comum, sob dois pontos de vista. Temos duas boas prestações do casal protagonista e um grupo de secundários que se portou à altura. Gostei da história, ou melhor, das duas histórias que compõem o filme, bem parecidas, porém, muito diferentes. Este simpático filme irá estrear esta semana no nosso país, mas penso que vai passar despercebido, porque a propaganda a ele é praticamente nula.

O amor pode acontecer e nascer a qualquer momento, penso ser esta a mensagem que o realizador quis passar com este filme. Gostei igualmente da banda sonora e da fotografia. O realizador fez assim um bom filme sobre as relações humanas, temos morosos diálogos e cenários comuns, mas todos serviram um bom propósito, fazendo desta fita, um filme bastante completo.

O filme está dividido em duas partes, a primeira conta a primeira visão da relação, enquanto que a parte dois abarca a segunda perspectiva da mesma história. As duas partes são parecidas, embora com algumas variantes, fazendo deste um filme muito interessante. Gostei. 

Pawn Sacrifice

Nome do Filme : “Pawn Sacrifice”
Titulo Inglês : “Pawn Sacrifice”
Titulo Português : “O Prodígio”
Ano : 2015
Duração : 116 minutos
Género : Biográfico
Realização : Edward Zwick
Elenco : Tobey Maguire, Liev Schreiber, Michael Stuhlbarg, Peter Sarsgaard, Robin Weigert, Evelyne Brochu, Conrad Pla, Alexandre Gorchkov, Vitali Makarov, Lily Rabe, Sophie Nelisse.

História : Robert James Fischer nasceu em Chicago em 1943 e atraiu a atenção do público americano para o xadrez quando, com apenas 15 anos de idade, se tornou o mais jovem grande mestre internacional da história da modalidade. Considerado um dos melhores jogadores de sempre, Bobby Fischer ganhou fama mundial quando, em 1972, derrotou o russo Boris Spassky, na altura campeão mundial num confronto memorável na Islândia, em plena guerra fria.

Comentário : Gostei bastante desta fita, embora tenha que confessar que lá pelo meio o filme anda um pouco à deriva e parece querer descarrilar. Tobey Maguire e Liev Schreiber possuem as melhores prestações do filme, com destaque para o primeiro. Na realidade, o ator fez um excelente trabalho na representação de alguém bem louco, mas que era também um grande génio. Pessoalmente, nunca liguei ao xadrez, mas conheço um conhecido meu que foi jogador durante muito tempo e foi ele quem me chamou a atenção para este filme e para Bobby Fischer, enquanto alguém importante. Esse meu conhecido contou-me que no mundo do xadrez, os verdadeiros jogos raramente terminam, porque quem perdeu tem a noção disso e abandona o local. E isso confirmou-se no filme, com o derrotado a bater palmas ao vencedor, ainda que ao principio, grande parte do público desconhecesse os motivos para tal. Diria mesmo que é preciso entender alguma coisa de xadrez para se perceber alguns aspectos deste filme. Sendo eu um leigo nesta matéria, confesso que gostei do filme em si e de ter ficado a saber algo sobre esta modalidade e gostei ainda mais de ter ficado a saber da existência deste homem prodigioso que foi Bobby Fischer.

domingo, 3 de janeiro de 2016

The Danish Girl

Nome do Filme : “The Danish Girl”
Titulo Inglês : “The Danish Girl”
Titulo Português : “A Rapariga Dinamarquesa”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Tom Hooper
Elenco : Alicia Vikander, Eddie Redmayne, Amber Heard, Ben Whishaw, Matthias Schoenaerts, Nicholas Woodeson, Philip Arditti, Miltos Yerolemou, Sebastian Koch, Sophie Kennedy Clark, Pip Torrens, Adrian Schiller, Emerald Fennell.

História : Na Dinamarca, década de 1920, o casal Einar e Gerda Wegener são dois pintores reconhecidos. Um dia, por mero acaso, a rapariga que Gerda contratou para retratar nas suas pinturas cancela o encontro. Sem alternativa, lembra-se de usar o próprio marido como modelo. Ele acede ao seu pedido. Será naquele momento que ele, usando roupas de mulher, sente nascer dentro de si algo que, com o passar do tempo, se transformará no mais intenso desejo da sua vida : ser mulher. Se, ao príncipio, isto lhes parece a ambos uma espécie de jogo, aos poucos leva-o a uma lenta transformação numa outra pessoa, que o obriga a viver uma vida dupla enquanto Einar Wegener ou Lili Elbe, o nome adoptado para a sua versão feminina.

Comentário : Confesso que fiquei um pouco desiludido com este filme. Esperava um filme melhor, a história assim o exigia. Como aspectos positivos, temos uma excelente recriação de época e uma banda sonora bastante aceitável. Por último, temos uma interpretação perfeita por parte da doce e linda Alicia Vikander, esta atriz foi a estrela que mais brilhou neste filme, a sua Gerda Wegener é a alma deste filme. Penso que irá seguramente ser nomeada para o oscar. Ela entregou-se totalmente ao seu papel e foi a única que contribuiu para que a sua química com Eddie Redmayne tivesse funcionado, fazendo um trabalho duplo, portanto. Fiquei mesmo surpreendido com esta atriz, nunca pensei que ela fosse capaz deste feito.

Como aspectos negativos, e são mais do que os positivos, temos falhas no argumento, temos situações cómicas que não o deviam ser, temos uma má adaptação da história, o filme é cansativo devido à idiotice nele contida, temos situações forçadas, temos atores secundários mal aproveitados, Amber Heard e Ben Whishaw são dois grandes exemplos disso, o guarda-roupa podia ter sido melhor aproveitado porque a época assim o exigia, Matthias Schoenaerts podia ter tido um papel mais consistente senti que estava ali apenas para aparecer e a sua personagem tem pouco conteúdo. Mas a desgraça maior chama-se Eddie Redmayne que teve uma péssima interpretação no filme, tudo soube a muito forçado, muito longe da qualidade da sua prestação no filme “A Teoria de Tudo”, do ano passado que lhe valeu um merecido oscar. Desta vez, a coisa não resultou tão bem, além disso a sua caracterização está muito pobre, para além dele dar uma mulher horrível. Além disso, ele não fez um esforço mínimo para que a sua empatia com Alicia Vikander resultasse, cabendo à miúda fazer o trabalho todinho, como eu já havia dito. Se ele for nomeado seria inconsistente, se ganhar então, era uma tremenda injustiça, veja-se por exemplo, as duas forçadas cenas de nú frente ao espelho. A sensação que me deu foi que o ator estava a trabalhar sozinho, da forma negativa, pouco cooperativo. O filme devia ter levado outro rumo, Lili Elbe merecia um filme melhor, algo mais sério. 

45 Years

Nome do Filme : “45 Years”
Titulo Inglês : “45 Years”
Titulo Português : “45 Anos”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Andrew Haigh
Produção : Richard Holmes/Tristan Goligher
Elenco : Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Dolly Wells, Geraldine James, Hannah Chalmers, Michelle Finch, Richard Cunningham, Rufus Wright, David Sibley.

História : Apesar de nunca terem tido filhos, o casal Geoff e Kate Mercer são felises. Com a festa do 45º aniversário de união para organizar, ela está entusiasmada em celebrar a relação e tudo o que conquistaram ao longo dos anos em comum. Mas tudo se altera quando Geoff recebe uma carta da Suiça a informá-lo de que foi descoberto o cadáver de Katya, a namorada anterior a Kate, que morreu tragicamente em 1962 durante umas férias do casal. Aquela notícia abala-o de um modo inesperado, levando-o a voltar a fumar e a afastar-se de tudo o que se relaciona com a vida presente. Assim, à medida que se aproxima a data da celebração, o casal sente-se mergulhar cada vez mais nas histórias do passado. E esse exercício, perigoso para ambos, fá-los colocar em causa o futuro em comum.

Comentário : No último dia do ano passado, estreou em sala este filme, a nova fita de Andrew Haigh que tem a grande senhora Charlotte Rampling e o grande veterano Tom Courtnay como protagonistas. Sempre me perguntei o que leva duas pessoas a estarem casadas durante tantos anos, sempre me perguntei qual o segredo para um casamento feliz e longo, sempre me perguntei se é possivel amar outra pessoa durante tanto tempo. Penso que este filme responde a essas perguntas, embora de forma não directa. Não é um filme indicado para o público em geral, diria que é um filme apenas direcionado a gente crescida, até porque o argumento é bastante denso e adulto. Adorei o cão do casal, é lindo. 

Como já disse, temos dois grandes protagonistas, Tom Courtnay tem aqui uma prestação brutal, pessoalmente, não conhecia o ator e fiquei bastante surpreendido com o seu trabalho feito no papel de Geoff Mercer. Mas quem merece todo o destaque é claramente Charlotte Rampling, aqui numa das melhores prestações da sua longa carreira, fiquei mais uma vez rendido a ela, é uma verdadeira senhora. A química entre os dois resultou na perfeição, seja como atores, seja enquanto personagens, que empatia poderosa.

É uma injustiça não verem as suas prestações indicadas ao oscar, mas receio bem que venha a acontecer isso. O filme é detentor de um ritmo lento, mas nunca aborrecido, na verdade, eu fiquei totalmente penetrado na narrativa e estava sempre na expectativa daquilo que iria suceder a seguir. Só acho que o facto de terem arranjado aquele factor da namorada antiga dele para estremecer a relação foi um mau motivo, podiam ter arranjado outro argumento para abalarem e mexerem com a vida dos dois. Em resumo, é um filme que aborda a relação entre duas pessoas naquilo que se chama de casamento, com todos os problemas que ela abarca e, nesse aspecto, faze-o bem. Bom filme. 

Brooklyn

Nome do Filme : “Brooklyn”
Titulo Inglês : “Brooklyn”
Ano : 2015
Duração : 112 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : John Crowley
Elenco : Saoirse Ronan, Julie Walters, Jim Broadbent, Domhnall Gleeson, Emory Cohen, Jenn Murray, Jessica Pare, Samantha Munro, Nora Jane Noone, Eva Birthistle, Emily Bett Rickards, Eileen O'Higgins, Fiona Glascott, Maeve McGrath, Barbara Drennan, Emma Lowe, Jane Brennan, Alain Goulem.

História : Na década de 1950, uma jovem irlandesa chamada Eilis abandona o seu país em busca de uma vida melhor, partindo para os Estados Unidos, mais concretamente para a cidade de Brooklyn, onde facilmente arranja alojamento, um emprego, formação e até um generoso namorado. No entanto, um inesperado acontecimento vai fazê-la ponderar se fica na América e continua com a vida que sempre quis ter, ou se regressa para a Irlanda, para a mãe e para o mundo que a conhece tão bem.

Comentário : Mais um filme de época que vi, outro grande filme que tive o prazer de visionar. Antes de mais, tenho que confessar que nunca simpatizei com a jovem atriz Saoirse Ronan e não sei quais são os motivos para tal, no entanto, achei que ela desempenhou bem grande parte dos papéis da sua curiosa carreira. Em relação a este seu novo papel, posso assegurar que se trata da melhor prestação do seu historial cinematográfico, e vou mais longe, foi a sua Eilis que me fez passar a gostar dela. Trata-se de um papel complexo e tenho a certeza que deve ter exigido muito dela, enquanto profissional. Depois, temos também bons desempenhos por parte da veterana Julie Walters e do jovem Domhnall Gleeson, confesso ter adorado as personagens destes dois profissionais. Jim Broadbent está excelente no papel de padre, este senhor é um “monstro” na arte da representação. Neste maravilhoso filme, podemos contar também com uma boa recriação de época, o realizador equacionou tudo ao pormenor. Eilis é daquelas personagens com quem simpatizamos rapidamente, nos contagia com o seu olhar e ficamos a desejar que tudo corra bem com ela, e tenho que admitir que aquele fato de banho de época fica-lhe muito bem. É com agrado que seguimos os vários twists que vão sucedendo na vida de Eilis ao longo do filme, bem como o avançar e evoluir da sua personagem. No geral, fiquei bastante satisfeito com este filme, muito bom. 

sábado, 2 de janeiro de 2016

Carol

Nome do Filme : “Carol”
Titulo Inglês : “Carol”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Todd Haynes
Elenco : Cate Blanchett, Rooney Mara, Kyle Chandler, Sarah Paulson, Jake Lacy, John Magaro, Cory Michael Smith, Kevin Crowley, Nik Pajic, Carrie Brownstein, Trent Rowland, Sadie Heim, Kk Heim, Amy Warner, Michael Haney,

História : Na América da década de 1950, Therese Belivet trabalha numa loja em Manhattan e sonha com uma vida mais gratificante quando conhece Carol Aird, uma mulher sedutora presa a um casamento fracassado. Uma ligação surge entre ambas, levando a que a inocência do primeiro encontro dê lugar a uma relação profunda. Quando o envolvimento de Carol com Therese se torna público, o marido de Carol, retalia, pondo em causa a sua competência como mãe. Com Carol e Therese a fazerem-se à estrada, deixando para trás as suas respectivas vidas, um confronto vai colocar à prova as convicções de cada mulher sobre si mesma e o compromisso de uma para com a outra.

Comentário : Belíssimo filme de época realizado a perceito por Todd Haynes, no qual temos duas brilhantes prestações de Cate Blanchett e Rooney Mara. Cate Blanchett é uma senhora na arte da representação, uma atriz de prémios que me convenceu bastante no papel de Carol, a protagonista do filme. Ela enche o ecrã com a sua beleza e com a qualidade da sua interpretação. Por seu lado, Rooney Mara consegue com este papel a proeza de me fazer gostar dela, confesso que nunca tive simpatia por ela, mas penso que neste filme de época ela teve a melhor prestação da sua ainda curta carreira.

Depois temos um grupo de secundários bastante competentes, com destaque para Abby, a amiga íntima de Carol e para o marido da nossa grande protagonista. O filme fala de uma história de amor entre duas mulheres e sobre as enormes dificuldades que surgem na vida de uma delas. A recriação de época está muito boa e o guarda-roupa está igualmente aceitável.

Não me admirava se as duas atrizes vissem as suas prestações nomeadas nos próximos oscars, elas se entregaram totalmente às suas personagens. As duas possuem uma boa química entre elas, seja como atrizes, seja enquanto personagens. Durante o filme temos também referências à sétima arte e à arte da fotografia. Estamos perante outro grande filme. 

The Hateful Eight

Nome do Filme : “The Hateful Eight”
Titulo Inglês : “The Hateful Eight"
Ano : 2015
Duração : 187 minutos
Género : Western/Mystery/Thriller
Realização : Quentin Tarantino
Elenco : Samuel L. Jackson, Jennifer Jason Leigh, Kurt Russell, Tim Roth, Michael Madsen, Walton Goggins, Demian Bichir, Bruce Dern, James Parks, Dana Gourrier, Zoe Bell, Gene Jones, Keith Jefferson, Lee Horsley, Craig Stark, Belinda Owino, Channing Tatum.

História : O caçador de recompensas John Ruth e a fugitiva Daisy Domergue vão para Red Rock, onde ele a entregará à justiça. Mas durante o percurso, eles encontram o Major Marquis Warren, um ex-soldado que se transformou num terrível mercenário, e Chris Mannix, um renegado sulista que quer ser o novo xerife da cidade. Ao se perderem na tempestade, o grupo procura refúgio numa estalagem administrada por Minnie, onde encontram mais alguns patifes. Os oito serão obrigados a passar as próximas longas horas juntos.

Comentário : Sou dos poucos que não gostou dos primeiros filmes do realizador Quentin Tarantino, gostei apenas de “Sacanas Sem Lei” e de “Django Libertado”, e as razões para isso não sei eu explicar. Já vi este “The Hateful Eight” e posso dizer que é um bocado mais do mesmo. Voltamos a ter um filme dividido em capítulos, temos novamente diálogos com sarcasmo e ironia, temos muita violência, recuos na narrativa, vários twists, alguns flashbacks, o filme é novamente filmado à moda antiga e o realizador faz assim mais uma homenagem sua aos westerns de antigamente. A banda sonora é de luxo. Todos os oito atores que desempenham os oito personagens do titulo tiveram boas prestações, mas tenho que confessar que quem se destaca é Samuel L. Jackson, que tem aqui mais um papelão.

Logo a seguir, surgem Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern, outros dois nomes cujos personagens merecem o respetivo destaque, adorei as suas personagens. O filme está muito bem filmado e possui bonitas imagens, em parte proporcionadas pela neve. Como aspectos negativos, temos alguns erros e um argumento ligeiramente exagerado em algumas situações, por exemplo, o realizador volta a exagerar na violência. O filme peca igualmente por ser muito longo, embora eu ache que quase tudo o que vemos fez falta à fita, mesmo apesar de alguns diálogos serem um pouquinho esticados. Um último reparo, adorei o pormenor da porta avariada. Em resumo, este oitavo filme de Quentin Tarantino vê-se muito bem, tem todos os traços do realizador e deverá agradar a quem gosta dele, eu gostei, mas prefiro os dois filmes dele frisados inicialmente. 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

The Revenant

Nome do Filme : “The Revenant”
Titulo Inglês : “The Revenant”
Titulo Português : “O Renascido”
Ano : 2015
Duração : 157 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Alejandro González Iñárritu
Produção : Alejandro González Iñárritu
Argumento : Alejandro González Iñárritu
Elenco : Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Lukas Haas, Forrest Goodluck, Paul Anderson, Kristoffer Joner, Joshua Burge, Christopher Rosamond, Robert Moloney, Brendan Fletcher, Javier Botet, Grace Dove.

História : No decorrer de uma expedição pelo desconhecido território americano, o explorador Hugh Glass é brutalmente ferido e, mais tarde, deixado para morrer pelos seus colegas de aventura. Na sua luta pela sobrevivência, Glass resiste a um sofrimento brutal, bem como à traição de John Fitzgerald, um dos seus companheiros de viagem. Guiado pela vontade de viver e sedento de vingança, Glass terá que enfrentar os dias de um inverno rigoroso numa busca incessante pela sobrevivência.

Comentário : Filme visceral do mesmo realizador que nos trouxe excelentes filmes como “Amores Perros”, “21 Grams” e “Babel”. Senti uma enorme sensação de preenchimento depois de ter visto este filme. Fiquei a saber numa entrevista dada pelos atores que o realizador filmou algumas cenas do filme usando uma técnica única e especial que ele mesmo criou, obtendo assim planos deslumbrantes. Não estou a exagerar, adorei este filme, é uma excelente fita, um exercício poético e espiritual sobre o ser humano. Decorrendo numa época passada, esta é a história de um homem que, em condições muito difíceis, sobreviveu e obteve a tão desejada vingança. O filme possui uma banda sonora melancólica e penetrante que facilmente nos entra pelos ouvidos e lá permanece. Possui igualmente uma excelente fotografia e podemos contar também com bonitos cenários, magníficas cenas e também com a natureza como pano de fundo.

Leonardo DiCaprio possui neste filme uma das melhores prestações da sua carreira, senão mesmo a melhor, fiquei mesmo boquiaberto com o desempenho do ator. Viu-se claramente que ele viveu o seu personagem de forma intensa e não deve ter sido nada fácil interpretar e representar o papel. A seu lado, temos um irreconhecível e igualmente excelente Tom Hardy, que também teve uma das melhores prestações da sua carreira. Os dois são os principais alicerces deste filme, cuja base fica completa com a natureza como terceira personagem principal. A caracterização das personagens está impecável. A nivel visual, é perfeito. O filme está cheio de incriveis cenas, sendo a sequência dos ataques do urso e a do cavalo morto as melhores. É dificil dizer qual o melhor filme do realizador, ou melhor, fica complicado compararmos este seu novo filme com os três citados anteriormente, porque são géneros completamente diferentes. Pessoalmente, adorei os quatro. Fazer este filme não deve ter sido nada fácil, estamos perante uma obra muito realista, crua e dura. É isto que se pretende de um filme, que nos faça viver e sentir aquilo que os nossos olhos estão a ver e nisso, o realizador também acertou. Confesso ter vivido este filme intensamente, ao vê-lo, tive uma boa experiência cinematográfica, um filme bastante completo. Dificilmente irei esquecê-lo. “The Revenant” é um dos melhores filmes que 2016 nos irá facultar. Adorei.