quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Out Of Nature

Nome do Filme : “Mot Naturen”
Titulo Inglês : “Out Of Nature”
Titulo Português : “Da Natureza”
Ano : 2014
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Ole Giaever
Elenco : Ole Giaever, Rebekka Nystabakk, Marte Magnusdotter Solem.

História : Martin tem um emprego, uma esposa e um filho pequeno. Apesar de tudo isso, sente-se totalmente desligado dos colegas de trabalho e da familia. A sua sensação de inadquação à vida e aos papéis que desempenha diariamente parece ganhar novas proporções a cada dia que passa. Até que decide passar um fim-de-semana inteiro a sós, na montanha, longe de tudo e de todos.

Comentário : O filme é um bocado estranho, mas vê-se muito bem. O realizador é também o ator principal do filme e carrega-o todinho às costas. Por vezes, até exagera na sua prestação. O que mais abunda no filme são os pensamentos do personagem principal, isto é uma espécie de viagem pela mente dele, sobre aquilo que pensa, sobre o que sente, sobre aquilo que gostaria de fazer e de sentir. O filme tem bonitas paisagens e uma fotografia de qualidade. É curto demais, neste caso, podia ter mais trinta minutos para que ficasse mais completo. Há quem considere este um filme de aventura, eu não partilho dessa opinião. É antes um drama sobre alguém que parte à aventura, que é uma coisa muito diferente. As duas sequências em que o protagonista se masturba eram dispensáveis. Não percebi uma coisa ou outra, mas nada que prejudicasse o resultado final. A natureza funciona também como um personagem, visto que aparece em mais de metade do filme. Em resumo, gostei deste filme, foi uma experiência diferente. 

The 33

Nome do Filme : “Los 33”
Titulo Inglês : “The 33”
Ano : 2015
Duração : 125 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Patricia Riggen
Elenco : Juliette Binoche, Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Gabriel Byrne, James Brolin, Lou Diamond Phillips, Mario Casas, Jacob Vargas, Juan Pablo Raba, Oscar Nunez, Tenoch Huerta, Marco Trevino, Adriana Barraza, Kate Del Castillo, Cote De Pablo, Elizabeth De Razzo, Naomi Scott, Gustavo Angarita, Alejandro Goic, Bob Gunton, Mario Zaragoza, Paulina Garcia, Jorge Diaz.

História : A história verídica do acidente da Mina de San José no Chile e como os 33 mineiros que lá ficaram presos sobreviveram durante os 69 dias, bem como a forma como foram resgatados, todos com vida.

Comentário : Na tarde da passada segunda-feira vi este filme biográfico sobre um acontecimento que se deu em 2010 e que quase todo o mundo tomou conhecimento. Gostei, embora tenha que dizer que se este filme tivesse sido concebido por um realizador mais “calejado”, as coisas podiam ter resultado bem melhor. É uma fita comovente e claustrofóbica, com verdadeiros momentos de tensão. Veja-se a cena em que se dá a explosão que faz com que os mineiros fiquem debaixo do chão ou ainda a morosa sequência em que, um a um, os mineiros são retirados com recurso a uma espécie de cápsula com elevador, que até chega a encravar e tudo, para nos dar cabo dos nervos. Acredito que as coisas se tenham passado desta forma, foi recolhida muita informação e testemunhos sobre o acontecido. O filme funciona como espécie de relato dos acontecimentos, quase detalhado, até é feita a contagem dos dias. Os atores que fizeram de mineiros, sejam conhecidos ou não, fizeram todos um excelente trabalho. Rodrigo Santoro e Juliette Binoche estiveram igualmente bem. Detestei a banda sonora, por vezes, nada tinha a ver com as situações que víamos. Um último reparo para o final do filme, com a imagem e o nome dos verdadeiros mineiros que passaram por aquela terrível situação.

3 Hearts

Nome do Filme : “3 Coeurs”
Titulo Inglês : “Three Hearts”
Titulo Português : “3 Corações”
Ano : 2014
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Benoit Jacquot
Elenco : Benoit Poelvoorde, Charlotte Gainsbourg, Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve.

História : Após perder o comboio de volta para Paris, Marc conhece Sylvie numa cidade da província francesa. Eles andam pelas ruas até de manhã, conversando sobre tudo, menos sobre as suas vidas pessoais. A química entre os dois é bastante forte, mas Marc tem um imprevisto e falta ao encontro por eles marcado. Mais tarde, Marc acaba por conhecer e por se apaixonar por Sophie, sem saber que ela é irmã de Sylvie.

Comentário : Filme francês visto à dias que eu gostei e confesso que no inicio, não estava com muita vontade de o ver. Benoit Jacquot não é um grande realizador e os seus filmes não deixam saudades. “3 Corações” não foi filme que prometeu muito, diga-se se passagem, a sua estreia em sala no nosso país até passou despercebida, penso eu. O elenco é bom, possui quatro grandes estrelas do cinema europeu e confesso que fiquei satisfeito nesse campo, porque cada um deles fez um bom trabalho no que à representação diz respeito, estiveram muito bem e a química entre eles foi perfeita. Ainda assim, o grande destaque vai para Benoit Poelvoorde, que foi o actor que deu mais cartas ao longo das quase duas horas de filme. Para mim, a melhor cena foi aquela em que, à noite, Marc e Sylvie se olham pelo portátil de Sophie, sem que a primeira o veja. A pior cena é aquele final desnecessário que mostra o que deveria ter acontecido, caso as coisas tivessem corrido como o planeado. Basicamente, estamos perante um filme simples, mas que vive sobretudo das prestações dos atores principais.

Love

Nome do Filme : “Love”
Titulo Inglês : “Love”
Ano : 2015
Duração : 136 minutos
Género : Drama/Romance/Erótico
Realização : Gaspar Noe
Produção : Gaspar Noe
Elenco : Aomi Muyock, Klara Kristin, Karl Glusman, Isabelle Nicou, Deborah Revy, Ugo Fox, Juan Saavedra, Aaron Pages, Benoit Debie, Vicent Maraval, Xamira Zuloaga, Stella Rocha.

História : Murphy está frustrado com a vida que leva, ao lado da esposa e do filho. Um dia, ele recebe um telefonema da mãe de uma namorada sua do passado, Electra, perguntando se ele sabe onde ela está, já que está desaparecida à imenso tempo. Ele relembra assim alguns momentos do seu relacionamento com essa rapariga.

Comentário : Nunca foi e continua a não ser tarefa fácil aceitar um filme do polémico realizador Gaspar Noe. Pessoalmente, confesso ter gostado dos anteriores filmes do realizador (I Stand Alone, Irreversível, Enter The Void). O filme é longo, embora o anterior tenha sido ainda mais longo, mas não é por aí que quero entrar. Os seus filmes são polémicos porque têm o sexo como principal foco, embora o realizador tivesse dito numa conferência que isso é apenas um meio para atingir um fim. “Love” é um filme polémico, porque todos os filmes de Noe o são. Veja-se a cena “chocante” de abertura que mostra um homem a “massajar” a vagina de uma jovem mulher, enquanto esta o masturba com a maior descontracção (sem ejaculação e esperma como um dos posters indicava). Foi uma boa forma do filme começar.

Mas o filme tem mais cenas de sexo, algumas explicitas, confesso, muito bem filmadas e montadas, mas a questão que se deve colocar é se essas cenas eram mesmo necessárias para uma história cujo tema principal devia ser o Amor. Sexo oral, sexo anal, sexo a três, sexo normal, orgias, drogas, alienação, loucura, desrespeito, relações, irresponsabilidade, nesses campos, podemos encontrar de tudo no filme. A cor é outro factor predominante no novo filme de Gaspar Noe, chega a alterar muitas vezes, também em virtude do estado de espírito do protagonista, mas isso já acontecia em “Enter The Void”. Podemos contar com os habituais cortes de imagem, para depois aparecer outra. A imagem também é bastante competente. Volto a dizer, o filme possui cenas de sexo a mais, algumas são metidas à pressão, sem que a história assim o justifique. Temos uma cena forte no inicio e podemos igualmente contar com uma cena poderosa no final, o final do filme é repleto de simbolismo e emoção. Não é um dos melhores filmes do ano, mas é seguramente um dos filmes mais provocadores de 2015. 

The Keeping Room

Nome do Filme : “The Keeping Room”
Titulo Inglês : “The Keeping Room”
Ano : 2015
Duração : 97 minutos
Género : Drama/Western
Realização : Daniel Barber
Elenco : Hailee Steinfeld, Brit Marling, Muna Otaru, Sam Worthington, Amy Nuttall, Ned Dennehy.

História : Depois do homem da casa ter morrido, duas irmãs e uma escrava têm não só que sobreviver, como também de defender a casa com todas as suas forças. A situação agrava-se com a chegada ao local de dois homens perigosos.

Comentário : Curioso filme que funde um pouquinho de thriller com western e que ainda possui drama à mistura. Este filme possui várias novidades. É a primeira vez que vejo um western que tem duas jovens raparigas como protagonistas, segundo é a primeira vez que vejo a atriz Brit Marling num papel sério e forte, terceiro é a primeira vez que vejo a linda e talentosa Hailee Steinfeld no papel de uma pessoa fraca, uma coitadinha (durante todo o filme), isto porque geralmente ela faz sempre de uma pessoa forte. Brit Marling tem também neste filme a melhor prestação da sua ainda curta carreira. Apesar de representar alguém que não deve muito à coragem, Hailee Steinfeld tem aqui uma boa interpretação, não é porque faz de coitadinha que a personagem e a atriz não têm que dar tudo o que têm. A jovem atriz, que já nos deu outras boas prestações, teve aqui um excelente desempenho e provou mais uma vez ser uma das melhores estrelas da sua geração.

Mas destas duas atrizes só se podia esperar isto. Quem me surpreendeu foi Muna Otaru, fiquei mesmo impressionado com a prestação desta atriz, possivelmente a melhor interpretação das três ninas. Isto é um filme que vive sobretudo das atrizes e dos seus brilhantes desempenhos, claro que o bom argumento também ajudou, mas é a elas que temos que dar os parabéns. O realizador dá-nos também bons planos das três protagonistas e a fotografia também é outro factor positivo a ter em conta. Por outro lado, Sam Worthington está igual a si próprio, limitou-se a fazer aquilo que a sua personagem exigia. O filme está dividido em duas partes, na primeira assistimos ao quotidiano das três raparigas, enquanto que a segunda parte é a luta pela casa e pela sobrevivência Como melhor cena, destaco aquela em que Augusta e Mad se esbofeteiam uma à outra, naquela parte em que Louise grita por estar ferida. Como aspectos negativos, temos os habituais erros, típicos deste tipo de filmes, principalmente no que a atitudes das personagens diz respeito e ainda, um grupo de secundários que não se mostrou muito competente nos respetivos papéis. Pensava que seria para mim, mais um dos melhores filmes do ano, afinal, uma fita que vive das prestações do elenco protagonista e respetivos planos de camara não chega. Mas, no geral, gostei bastante. E que bem que Hailee fica de arma na mão.

The Grandmaster

Nome do Filme : “Yi Dai Zong Shi”
Titulo Inglês : “The Grandmaster”
Titulo Português : “O Grande Mestre”
Ano : 2013
Duração : 119 minutos
Género : Biográfico/Drama/Ação
Realização : Kar Wai Wong
Elenco : Tony Chiu Wai Leung, Ziyi Zhang, Jin Zhang, Cung Le, Qingxiang Wang, Elvis Tsui, Hye Kyo Song, Chia Yung Liu, Chau Yee Tsang, Hoi Pang Lo, Shun Lau, Xiaofei Zhou, Ting Yip Ng, Tielong Shang, Meng Lo, Benshan Zhao, Chen Chang.

História : A história de Yip Man, o lendário mestre chinês de Wing Chun, desde os anos 1930 até ao inicio da década de 1950. Perturbado pela invasão japonesa, o país vive um período conturbado que vai corresponder a uma espécie de “idade de ouro” das artes marciais chinesas e transformar Yip Man num grande mestre venerado.

Comentário : Mais uma grande desilusão que vi à poucos dias. Tendo já visto os melhores filmes deste realizador, e que grandes filmes, não posso entender porque motivo ele fez um filme deste nível. Para além de durar duas horas, o filme não me agarrou minimamente ao ecrã, não me importei com o destino das personagens, não mostrei interesse em saber dos feitos do homem aqui retratado e achei algumas cenas de luta um exagero. Os únicos pontos positivos foram as interpretações do protagonista e da atriz Ziyi Zhang. Não é que eu não goste de filmes de artes marciais, não é isso, mas giram quase todos à volta do mesmo, muitos exageros nos feitos dos personagens, o que tira toda a veracidade dos factos. Digo mesmo que, como filme biográfico, este filme é um verdadeiro falhanço. Espero urgentemente um novo filme deste realizador, a fim de limpar o estrago. Não entendo todo o alarido que o filme gerou na altura, até fez parte de festivais de cinema. Não tenho mais nada a acrescentar.

domingo, 22 de novembro de 2015

Youth

Nome do Filme : “La Giovinezza”
Titulo Inglês : “Youth”
Titulo Português : “A Juventude”
Ano : 2015
Duração : 121 minutos
Género : Drama
Realização : Paolo Sorrentino
Produção : Carlotta Calori/Francesca Cima/Nicola Giuliano.
Elenco : Michael Caine, Harvey Keitel, Jane Fonda, Rachel Weisz, Paul Dano, Luna Zimic Mijovic, Chloe Pirrie, Paloma Faith, Ed Stoppard, Sonia Gessner, Madalina Diana Ghenea, Nate Dern, Mark Gessner, Emilia Jones.

História : Um maestro reformado passa umas férias com a sua filha e o seu melhor amigo nos Alpes.

Comentário : Na tarde deste domingo vi este novo filme de Paolo Sorrentino que confesso ter gostado. Penso só ter um filme deste realizador comentade no meu espaço. É um filme italiano, estamos perante cinema europeu de grande qualidade. O filme possui lindas paisagens e admiráveis cenas. Michael Caine e Harvey Keitel estão soberbos neste filme, têm as melhores prestações da fita. Também gostei de ter visto Jane Fonda e Rachel Weisz, as duas possuem bons papéis. Já Paul Dano, tem aqui um papel totalmente diferente daquilo a que nos tem habituado, mas ainda assim, esteve bastante bem. A banda sonora é muito boa. O argumento está bem elaborado. A minha cena preferida é aquela em que a miss universo aparece nua e entra na piscina de água quente onde estão Fred e Mick. Depois temos outras cenas admiráveis, por exemplo, a cena em que Mick tem aquela longa conversa com Brenda, ou ainda a sequência em que Fred dirige aquele concerto, cena essa que encerra o filme. Volto a frisar, o filme possui sequências muito bonitas. Paul Dano fica muito bem como Hitler. O filme será um forte candidato a melhor filme do ano no que à categoria de melhor filme estrangeiro diz respeito. Pessoalmente gostei do filme, pode não ser um dos melhores filmes do ano para mim, mas é seguramente um dos filmes mais importantes do ano para a temporada de prémios. 

sábado, 21 de novembro de 2015

Mustang

Nome do Filme : “Mustang”
Titulo Inglês : “Mustang”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Deniz Gamze Erguven
Produção : Charles Gillibert
Elenco : Gunes Sensoy, Doga Zeynep Doguslu, Elit Iscan, Tugba Sunguroglu, Ilayda Akdogan.

História : Cinco irmãs adolescentes são vitimas de uma familia profundamente conservadora.

Comentário : E depois de ter encontrado o pior filme que vi neste ano (Steve Jobs), encontrei o melhor filme que 2015 me deu. Sendo o meu género preferido de filme, “Mustang” aborda a fase mais complicada de uma rapariga – a adolescência. Neste caso, não temos uma, mas sim cinco lindas adolescentes cujos pais faleceram à alguns anos e que ficaram aos cuidados de uns tios totalmente autoritários e profundamente conservadores. Após uma inocente brincadeira numa praia com alguns colegas de escola, as cinco jovens ficam mal vistas pela familia que as encerra na habitação, as privando quase totalmente do mundo exterior. E o mais grave, apressam-se a arranjar casamentos para as miúdas, como que com a intenção de se verem rapidamente livres delas e das suas responsabilidades enquanto única familia. Essas situações só vão prejudicar as raparigas que, cada uma à sua maneira, são empurradas para um destino trágico. 

A realizadora filma com mestria e com a segurança de uma grande profissional, a sua lente capta a vida daquelas lindas raparigas e dos seus problemas. A realização é consistente, o argumento quase sem falhas resulta bem e dá-nos uma história poderosa, as cinco jovens atrizes (todas lindas) possuem excelentes prestações, podemos contar ainda com uma boa fotografia e bons planos. A melhor cena foi aquela em que aquele homem ensina a miúda mais nova a conduzir, bem como a bonita amizade que nasce entre ambos. A pior cena é a do suícidio de uma das cinco irmãs.

O filme mostra na perfeição até que ponto a religião pode destruir uma familia, fala de que forma a mentalidade atrasada de uma familia aniquila por completo a felicidade de outros, neste caso, acaba com a vida de cinco jovens vidas que apenas se querem divertir, sonhar e viver, coisas próprias das idades em que se encontram. E a realizadora soube na perfeição passar essa mensagem para fora do ecrã. Em certos países, é muito mau ser-se rapariga, ao longo da história da humanidade, elas sempre foram mais prejudicadas que eles, tidas como inferiores face aos homens, quando na realidade, cientificamente está provado precisamente o contrário. 

Depois de vermos este pequeno filme, é impossivel não ficarmos irritados e tristes com o destino das três irmãs mais velhas e felizes pela liberdade que as duas mais novas conquistam. É cinema do mundo, é um filme turco, confesso ter adorado, o filme tem apenas hora e meia, mas parece ter duas horas, por mim, continuava a ver. Vi o filme na madrugada de sábado para domingo, depois de ter visto dois filmes fracos no cinema na tarde do dia anterior. Para mim, “Mustang” é mesmo o melhor filme que vi neste ano, excelente momento de cinema. Um dos melhores filmes independentes que vi na vida.

Steve Jobs

Nome do Filme : “Steve Jobs”
Titulo Inglês : “Steve Jobs”
Ano : 2015
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico
Realização : Danny Boyle
Elenco : Michael Fassbender, Kate Winslet, Jeff Daniels, Seth Rogen, Michael Stuhlbarg, Katherine Waterston, Makenzie Moss, Ripley Sobo, Perla Haney Jardine.

História : Steve Jobs e o lançamento dos seus principais equipamentos informáticos.

Comentário : Mais uma grande desilusão que este ano me trouxe. Filme totalmente nulo em quase todos os aspectos. O único factor positivo a retirar do novo filme de Danny Boyle é a boa interpretação de Kate Winslet, porque tudo o resto é muito mau. Não gostei do modo como o filme está montado, tratando-se de um filme biográfico isso não fica bem. Preferi a componente pessoal do homem do que a parte laboral, aliás, estava a borrifar-me para aquilo que ele lançou e para os efeitos que isso tinha. Achei o filme uma valente seca. Michael Fassbender dá aqui um personagem totalmente idiota e irritante, não admira que a familia do verdadeiro não tenha gostado da fita. Além disso, Fassbender possui uma prestação muito fraquinha, comparada a “Shame” ou “Hunger”. Detestei a banda sonora, odiei os diálogos, os secundários estiveram péssimos, a realização é fraquinha e a empatia entre personagens ou entre atores é inexistente. Vendo o filme, a imagem com que se fica de Steve Jobs é que se tratava de um irresponsável e de um histérico, com a mania das grandezas. As suas atitudes e postura face à filha, Lisa, foram o maior erro da sua miserável vida. Um filme seco, amorfo e sem qualquer tipo de interesse, não se encontra aqui nenhuma espécie de cinema, nada de arte. Apenas se encontra aqui o retrato falso que o filme cria de Steve Jobs : o de um perfeito atrasado mental. Daquilo que me lembro foi o pior filme que vi este ano. 

Suffragette

Nome do Filme : “Suffragette”
Titulo Inglês : “Suffragette”
Titulo Português : “As Sufragistas”
Ano : 2015
Duração : 109 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Sarah Gavron
Elenco : Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Anne Marie Duff, Romola Garai, Natalie Press, Meryl Streep, Brendan Gleeson, Ben Whishaw.

História : No inicio do século XX, no Reino Unido, um grupo de mulheres decide lutar pelo direito ao voto, tomando medidas radicais e contra a lei vigente daquela época com a intenção de verem os seus direitos reconhecidos. No fundo, esta é a história daquelas que apenas queriam ser iguais aos homens.

Comentário : Filme histórico interessante, só fui vê-lo ao cinema para fazer tempo e ver um outro filme que se revelou ser bem pior que este. Gostei mais ou menos, fiquei a saber umas coisinhas que não sabia. Carey Mulligan tem novamente uma boa prestação, não me desiludiu. Meryl Streep não anda aqui a fazer nada, não percebi porque apenas apareceu numa única sequência (discurso). O filme passa-se numa época onde as mulheres não eram consideradas gente, ainda bem que as coisas evoluiram. O personagem de Ben Whishaw representa o canastrão de antigamente, nem tem competência para cuidar de uma casa e nem de criar o filho, chegando mesmo a entregá-lo para adoção. Isso hoje em dia não mudou muito, os homens continuam uns inúteis, a maior parte apenas serve para trazer dinheiro para casa. O filme é simpático e dramático, aborda uma época, onde o poder do homem face à mulher imperava. Não vale a pena estar aqui a debitar mais palavras, é um filme que vê-se uma vez e está visto, uma pelicula informativa, nada mais que isso.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Montanha

Nome do Filme : “Montanha”
Titulo Inglês : “Mountain”
Ano : 2015
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : João Salaviza
Elenco : David Mourato, Cheyenne Domingues, Maria João Pinho, Ema Araújo, Rodrigo Perdigão.

História : É verão em Lisboa. David, de 14 anos, foi criado com a mãe e o avô. Quando o velho senhor fica gravemente doente e é hospitalizado, a mãe decide passar lá as noites, esperando o momento da inevitável morte. David recusa-se a entrar no hospital ou a encarar a possibilidade da partida do homem que o criou. O vazio pela falta do avô e da mãe obriga o rapaz a tornar-se o homem da casa e a entrar dolorosamente e precocemente na idade adulta.

Comentário : Nesta tarde de quinta-feira fui ao cinema ver este filme português que devia servir de exemplo para a maioria dos realizadores nacionais sobre como fazer um bom filme. Claro que gostei bastante do filme, possivelmente um dos melhores filmes portugueses que vi. A “Montanha” do titulo não é fisica, mas sim uma metáfora, é antes a montanha que o protagonista tem que escalar para crescer, o David do inicio do filme não é o mesmo do final da fita. Imperdoável o facto deste filme só estar em duas salas em toda a cidade de Lisboa e arredores, com a agravante de sabermos que o remake de “O Leão da Estrela” irá estar em várias salas, por aqui se vê claramente a cultura do nosso povo e o que ele gosta de ver, veja-se o sucesso do remake de “O Pátio das Cantigas” ou o de “A Gaiola Dourada”, dois filmes péssimos, do ponto de vista cinematográfico. 

Voltando a “Montanha”, estamos perante uma obra muito consistente e complexa, que aborda a adolescência, essa que é considerada como sendo a fase mais complicada do ser humano. Pessoalmente, gostei de tudo no filme. O filme está muito bem filmado, possui excelentes planos de camara, um bom argumento, boas prestações dos jovens atores que quase sem experiência fizeram um excelente trabalho, temos também um bom som (coisa rara no cinema independente português), temos igualmente uma excelente fotografia, temos realismo e, a cima de tudo, uma história cativante que nos obriga a pensar, coisa cada vez mais rara no nosso cinema. João Salaviza assinou curtas metragens que ganharam prémios, esta é a sua primeira longa, curiosamente, mais premiada lá fora do que admirada no nosso estranho país. E essa condição aplica-se à maioria do cinema independente que se faz por cá. Passou-se e passa-se com os filmes dos nossos melhores realizadores : Pedro Costa, Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Joaquim Pinto, Joaquim Sapinho, Marco Martins ou mesmo João Canijo. O filme “Cavalo Dinheiro” de Pedro Costa é o caso mais recente dessa triste situação, fez um sucesso brutal nos festivais por esse mundo fora e cá dentro, o público que frequenta as salas de cinema, nem lhe ligou importância, foram muito poucos os que se deslocaram à excelente sala do Cinema Ideal (Chiado) para o ver. Após ver “Montanha” saí realizado da sala de cinema, trata-se da nova estrela do nosso cinema independente, uma grande homenagem à adolescência, um filme raro que nos obriga a olhar para aquela camada com outros olhos, venham mais Davids, venham mais Salavizas. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Soul Surfer

Nome do Filme : “Soul Surfer”
Titulo Inglês : “Soul Surfer”
Titulo Português : “Coragem de Viver”
Ano : 2011
Duração : 107 minutos
Género : Biográfico/Drama/Aventura
Realização : Sean McNamara
Produção : Sean McNamara
Elenco : Anna Sophia Robb, Helen Hunt, Dennis Quaid, Carrie Underwood, Craig T. Nelson, Kevin Sorbo, Ross Thomas, Chris Brochu, Lorraine Nicholson, Jeremy Sumpter, Sonya Balmores, Cody Gomes, Branscombe Richmond, Titus Kinimaka, Tiffany Hofstetter, Arlene Newman Van Asperen.

História : Bethany Hamilton é uma adolescente que adora água e, tal como os pais, pratica surf, mas ela é mesmo campeã nessa modalidade. Um dia, é atacada por um tubarão enquanto surfava e fica sem um braço. Apesar da perda e da dor, a jovem vai ter que optar por terminar a sua carreira ou então superar todos os obstáculos e vencer o problema para regressar ao que era.

Comentário : Mais um filme, mais uma desilusão. Vi este filme a seguir ao almoço do dia de hoje (quarta-feira) e confesso que tinha depositado algumas espectativas nele, afinal trata-se de um filme biográfico sobre uma jovem que passou por um trauma profundo, mas o filme é tão mau, tão mau, que nem para ser visto numa tarde de fim-de-semana serve. Sabem aqueles telefilmes sobre casos da vida em que abundam os lugares comuns, os clichés, situações forçadas, prestações puxadas a alicate, piadas e situações estúpidas quando as situações são sérias e pedem drama a valer; pois bem, “Soul Surfer” é isto, isto e muito mais, para pior. Até achei a cena em que o tubarão investe e morde a protagonista bem concebida, mas tudo o resto que se segue, está tão mal trabalhado que dá pena.

Admito que grande parte das coisas tenham sido conforme foram retratadas no filme, mas porra, custa a acreditar que uma miúda que é brutalmente atacada daquela forma e vê um dos braços arrancados a sangue frio, tenha mantido a calma e o silêncio que a personagem mostrou. Pedia-se mais realismo, pedia-se mais drama, mais pânico dos amigos, mais choro e sobretudo, mais sangue. O filme peca ainda por possuir cenas ridiculas, veja-se as sequências do pai da protagonista quando está no hospital prestes a ser operado. O filme é ainda muito infantil, queria-se algo mais crú, mais duro e mais negro, afinal, a situação que na realidade aconteceu à miúda verdadeira foi a pior experiência da sua vida. Levaram tudo para a brincadeira, levando as coisas como se fosse tudo a coisa mais natural do planeta. Talvez tivessem feito as coisas assim, para agradar a um público mais vasto, mas pedia-se mais realismo e mais drama. Como pontos positivos, ficam a prestação de AnnaSophia Robb e a sequência curtinha em que o tubarão ataca-a, a morde e desaparece debaixo de água, tudo o resto é para esquecer. Perdi quase duas horas da minha vida, já não tenho paciência para este tipo de filmes, preferia ter continuado a trabalhar. Apesar disto tudo, gostei de ter ficado a saber desta história verídica. 

7 Days

Nome do Filme : “Les 7 Jours Du Talion”
Titulo Inglês : “Seven Days”
Ano : 2010
Duração : 111 minutos
Género : Drama
Realização : Daniel Grou
Produção : Nicole Robert
Elenco : Claude Legault, Remy Girard, Fanny Mallette, Martin Dubreuil, Alexandre Goyette, Dominique Quesnel, Pascale Delhaes, Pascal Contamine, Rose Marie Coallier.

História : Bruno Hamel é um médico que vive uma vida tranquila com a esposa e com a filha pequena. Um dia, a filha é raptada, violada e brutalmente assassinada por um abusador de menores. Profundamente abalado, Bruno decide fazer justiça pelas próprias mãos e rapta o criminoso, mantendo-o durante sete dias em cárcere e o submete a várias torturas e espancamentos, com a intenção de o matar quando aquele período passar. No fundo, Bruno pretende vingar-se daquele homem nojento pelo que ele fez à sua filha, mas será que conseguirá levar o seu plano até ao fim e fazer aquilo que é certo.

Comentário (Contém Spoilers) : Este filme foi para mim uma enorme desilusão, vem catalogado como sendo de terror, mas é apenas um drama pesado de vingança. Em primeiro lugar, trata-se de um filme sobre o pior dos crimes, a violação e assassinato de uma criança. Só quem tem filhos menores entende este tipo de filmes. Aceito e compreendo perfeitamente quando um pai decide fazer justiça pelas próprias mãos e matar um criminoso que fez mal à sua filha. E digo isto porque em quase todos os países do planeta, as leis protegem os criminosos, dão-lhes penas leves ou simplesmente os absolvem, alegando falta de provas, isto tratando-se deste tipo de crime. A pior coisa que pode acontecer a um pai é a morte de uma filha e principalmente nestas condições. Falo por mim, eu também mataria o nojento que fizesse mal a uma filha minha.

O que me desiludiu no filme foi o facto do nosso protagonista não ter levado o seu plano até ao fim, só de pensar que teve todo o tempo do mundo para isso, ele teve todas as oportunidades de fazer o que quiser com o criminoso e de lhe causar a dor que fosse precisa. Em vez disso, e apesar de o ter feito sofrer, poupou-lhe a vida e ainda teve a lata de dizer à policia que a vingança não serve para nada, que grande idiota. Um pai nestas condições, já não tem nada a perder, só tinha que o matar e da pior forma possivel. O argumento tinha mais potencial, nas mãos de um Eli Roth ou de um Quentin Tarantino de certeza que as coisas corriam melhor. A prestação do protagonista está aceitável, embora não se compreendam certas atitudes da sua personagem, o rapto daquela mãe era dispensável. Foi um filme que prometeu muito e não deu praticamente nada, a mim a única cena que me chocou foi a parte em que a miúda aparece morta na mata, nota positiva para a caracterização nessa parte. No fundo, trata-se de uma fita que anda sempre às voltas no mesmo sitio e não sai dali, terminando da pior forma, o monstro que violou e matou a miúda de forma selvática safou-se e quem acabou mal foi o pai da pequena. Tudo porque foi estúpido. Preso por preso, ao menos, terminava o trabalho. Em resumo, um filme que prometia muito, mas que funcionou como uma enorme desilusão para mim, perdi quase duas horas da minha vida a ver isto, ao menos, vi o criminoso sofrer um bocado. Um filme muito fraco.

domingo, 15 de novembro de 2015

Skyfall

Nome do Filme : “Skyfall”
Titulo Inglês : “Skyfall”
Ano : 2012
Duração : 140 minutos
Género : Ação/Thriller/Drama
Realização : Sam Mendes
Elenco : Daniel Craig, Berenice Marlohe, Javier Bardem, Judi Dench, Naomie Harris, Ralph Fiennes, Ben Whishaw, Albert Finney, Rory Kinnear, Ola Rapace, Jesper Christensen.

História : James Bond vê a sua lealdade a M ser testada quando esta é assombrada pelo seu passado. Quando o MI6 é atacado e destruído, 007 é recrutado por M para descobrir quem foi o responsável. Após M transferir os Serviços Secretos para um local secreto, esses acontecimentos põem em causa a sua autoridade e posição a serem desafiados por Gareth Mallory, o novo presidente do MI6. Sozinho e só com a ajuda de uma colega chamada Eve, James Bond terá não só que proteger M, como também de descobrir qual a relação de um perigoso criminoso chamado Silva com o passado da antiga diretora.

Comentário : Dos quatro filmes em que Daniel Craig fez de James Bond, “Casino Royale” foi considerado o melhor, sendo “Skyfall” tido como sendo o seu segundo melhor filme. Este filme trás algo de novo, a forte componente dramática que aqui surge devido à relação de Bond e Silva com M, que funciona como uma espécie de mãe para os dois, afinal, descobre-se a meio da fita que o inimigo já fora um “00”, um dos melhores agentes de M. A sequência de abertura continua a ser a melhor do filme, embora tenhamos direito a outras excelentes cenas de ação (por exemplo, a brilhante sequência de luta em frente aos neons). Se Daniel Craig esteve muito bem pela terceira vez, o mesmo se pode dizer de Judi Dench, que acabou por ter um papel muito especial neste filme, ela foi quase uma protagonista. Como vilão, Javier Bardem não desiludiu, nos facultando alguém bastante perturbado devido ao passado, mas também um homem sedento de vingança. O filme ganhou dois merecidos óscars, um deles foi direitinho para a cantora Adele, por ter cantado o tema musical da fita, diga-se, excelente canção. Estamos perante um filme de James Bond totalmente diferente de todos os apresentados até então, está ao mesmo nível de “Casino Royale”, provando que Daniel Craig é mesmo o melhor James Bond de todos. Um último reparo, os últimos 30 minutos de ação (a sequência campestre) são uma delicia. Adorei este filme. 

sábado, 14 de novembro de 2015

Oshin

Nome do Filme : “Oshin”
Titulo Inglês : “Oshin”
Ano : 2013
Duração : 110 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Shin Togashi
Elenco : Kokone Hamada, Aya Ueto, Kayoko Kishimoto, Manami Igashira.

História : Uma menina é enviada para trabalhar para uma gente, porque a familia biológica precisa de arroz.

Comentário : Vi este filme esta noite e fiquei espantado com a prestação da pequena actriz protagonista. O filme é biográfico, ou seja, isto aconteceu de verdade. Até custa a crer que naqueles países existam famílias que enviem crianças pequenas para trabalhar em casas de estranhos, sem conhecerem minimamente a que tipo de gente seus filhos irão ser entregues. Este é daqueles filmes em que quem vê, sente vontade de ir dentro do filme ajudar a protagonista. O titulo original do filme é o próprio nome da protagonista. Do restante elenco, todos tiveram boas prestações com destaque para a atriz que desempenhou a mãe de Oshin e para o actor que fez de amigo adulto com quem a pequena faz amizade. Estamos perante cinema do mundo de grande qualidade. Podemos contar igualmente com bonitas paisagens, onde o gelo é senhor. O filme é um remake de uma fita dos anos oitenta. Um último reparo, o filme também foca a mulher como tendo o papel principal na vida de uma família, como esposa e mãe. Sem dúvida, um dos filmes mais bem conseguidos que vi.

domingo, 8 de novembro de 2015

The Measure Of A Man

Nome do Filme : “La Loi Du Marche”
Titulo Inglês : “The Measure Of A Man”
Ano : 2015
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Stephane Brize
Elenco : Vincent Lindon, Karine Mirbeck, Matthieu Schaller, Noel Mairot.

História : Thierry é um homem casado com uma simpática mulher e têm um filho deficiente. Como se já não bastasse esse fardo, ele tem 50 anos e está desempregado à largos meses. Depois de uma entrevista de emprego complicada, ele consegue trabalho como vigilante num centro comercial. No entanto, ele testemunha situações que, no seu ponto de vista, acha ser demais.

Comentário : Filme muito técnico que fala de como vivemos num mundo cão. Basicamente, o realizador atira-nos à cara as dificuldades do mundo em que vivemos, as dificuldades do personagem principal para arranjar emprego são a prova disso. Sinceramente, não percebi porque motivo ele abandonou o emprego, as pessoas que fazem asneiras só têm que pagar por isso e arrecadar com as consequências dos seus actos. Thierry não tinha nada que ficar incomodado com as coisas que via, só tinha que fazer bem o seu trabalho, que era para aquilo que lhe pagavam. Como melhor cena, adorei toda a sequência da discussão entre Thierry e o comprador da casa, sobre o valor de venda da mesma. Achei um disparate exigirem ao filho do nosso protagonista coisas que um rapaz com as limitações dele não pode facilmente alcançar, com esta situação é que Thierry se devia preocupar e não com os problemas em que os funcionários e clientes do centro se metem. No geral, gostei do filme, simples mas bom. 

Every Thing Will Be Fine

Nome do Filme : “Every Thing Will Be Fine”
Titulo Inglês : “Every Thing Will Be Fine”
Titulo Português : “Tudo Vai Ficar Bem”
Ano : 2015
Duração : 116 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Elenco : James Franco, Rachel McAdams, Charlotte Gainsbourg, Marie Josee Croze, Julia Sarah Stone.

História : Um escritor atropela mortalmente uma criança. A partir desse dia, a sua vida muda completamente para todos os envolvidos e também para os que o rodeiam e para aqueles que com ele lidarão no futuro.

Comentário : Filme paupérrimo, penso mesmo que o grande Wim Wenders não poderá descer mais baixo no que à qualidade de um filme diz respeito. Praticamente tudo neste pseudo-filme é mau. O argumento apresenta falhas, o próprio filme em si não me agarrou nem um pouquinho, as interpretações são fracas com James Franco a ter a pior prestação não só do filme mas também da sua carreira, como drama falha, não existe química entre as personagens e muito menos entre atores, certas cenas eram desnecessárias, a realização é opaca. Enfim, outrora um excelente realizador com filmes impecáveis (sendo “Alice In The Cities” o meu preferido dele), para final de carreira, escolhe fazer um filme cujo elenco está fora do terreno daquilo em que ele estava acostumado a caminhar e falha a toda a prova. O filme vai estrear esta semana no nosso país, peço a todos os admiradores de Wim Wenders que não se iludam com este seu novo trabalho, porque irão se desiludir totalmente. O final é um dos piores finais que eu alguma vez vi em filme. Sério candidato a pior filme do ano.

One Wild Moment

Nome do Filme : “Un Moment D'Egarement”
Titulo Inglês : “One Wild Moment”
Titulo Português : “Um Momento de Perdição”
Ano : 2015
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Jean François Richet
Elenco : Vincent Cassel, François Cluzet, Lola Le Lann, Alice Isaaz.

História : Quando Antoine e Laurent, dois amigos de longa data, decidiram passar umas férias na ilha francesa de Córsega com Louna e Marie, as filhas de ambos, nunca poderiam prever o que lhes ia acontecer. Nesses dias tranquilos à beira-mar, os dois homens refletem sobre a vida, as suas ex-mulheres e as supostas dificuldades da paternidade após o divórcio. Mas, se ao principio, a maior preocupação de ambos é controlar as saídas e chegadas das duas lindas jovens, tudo muda de figura quando Louna, a filha adolescente de Antoine, se apaixona por Laurent.

Comentário : Gostei, confesso que não esperava grande coisa deste remake de um clássico de Claude Berri. O filme é protagonizado por dois senhores do cinema francês, Vincent Cassel e François Cluzet, que tiveram as melhores interpretações do filme. As duas jovens atrizes que desempenharam os papéis de suas filhas também não extiveram nada mal, com principal destaque para Lola le Lann, a miúda entregou-se de corpo e alma à sua Louna. A realização é boa e algumas cenas são dignas de apontamento, por exemplo, todas as cenas em que Louna se atira a Laurent e este a repudia. François Cluzet fica ridiculo de arma na mão, podiam ter reparado nisso. O filme tem cenas desnecessárias, noventa minutos de fita bastariam e não as quase duas horas de duração. A química entre Cassel e Lann funcionou na perfeição, eles devem se ter divertido bastante a filmar algumas sequências. Lola Le Lann e Alice Isaaz são lindas, não podia deixar de reparar nisso. Não vi o original, mas confesso ter ficado com uma ligeira vontade de o conferir, apenas por curiosidade. 

Manglehorn

Nome do Filme : “Manglehorn”
Titulo Inglês : “Manglehorn”
Ano : 2014
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : David Gordon Green
Elenco : Al Pacino, Holly Hunter, Chris Messina, Harmony Korine, Skylar Gasper.

História : Angelo Manglehorn é um antigo criminoso que agora leva uma vida de serralheiro recluso em uma cidade pequena. Como as escolhas que fez no passado o levaram a perder a mulher que amava, ele fica obcecado sobre não poder mudar o que se passou. Depois de tentar, sem sucesso, dar a volta por cima, ele precisará resolver de uma vez por todas os problemas que o atormentam. Tendo uma gata persa como melhor amiga, um estranho relacionamento com o seu filho, passeios com a neta e começando uma amizade com uma mulher bonita, ele se encontra numa encruzilhada entre ser consumido pelo passado ou abraçar o presente.

Comentário : David Gordon Green foi um realizador muito versátil, nos últimos filmes, só tem feito obras fracas. Este seu novo filme não foge à regra. Filme bastante leve, sem nada que o eleve a bom, apenas uma obra razoável que sobrevive basicamente à custa da prestação de um sempre excelente Al Pacino, aqui em mais um bom papel. Do realizador ficam boas referências como “All The Real Girls” e “Snow Angels”, dois excelentes filmes que eu adorei. Desde aí até ao presente, é sempre a descer. Talvez tenha encontrado algum equilibrio em “Joe”, mas nem esse chegou para o tirar da onda de fracasso em que a sua carreira como realizador entrou. A parte da operação à gata, passei à frente, cenas totalmente desnecessárias, o filme anda ali às voltas e nunca chega a lugar nenhum, o final é aquele que se esperava. Argumento fraco. Um dos filmes mais básicos que vi na vida. Esperava muito mais. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Don't Look Now

Nome do Filme : “Don't Look Now”
Titulo Inglês : “Don't Look Now”
Titulo Português : “Aquele Inverno Em Veneza”
Ano : 1973
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Nicolas Roeg
Elenco : Donald Sutherland, Julie Christie, Sharon Williams, Hilary Mason, Clelia Matania, Massimo Serato, Renato Scarpa, Ann Rye, David Tree, Nicholas Salter.

História : Na tentativa de recuperar da recente e trágica perda da filha menor, que morreu afogada, o arquitecto Johh Baxter e a sua esposa Laura mudam-se para Veneza, onde John foi incumbido do restauro de uma igreja antiga. Durante a estadia, travam conhecimento com duas irmãs idosas. Um delas, a quem se atribuem poderes mediunicos, assegura ao casal ter comunicado com a filha falecida e transmite-lhes inquietantes presságios de um perigo iminente. Enquanto isso, por toda a cidade têm lugar estranhos homicídios.

Comentário : Esta tarde, a seguir ao almoço resolvi ver este clássico de Nicolas Roeg que confesso nunca ter visto. Até gostei, embora seja um filme muito estranho. Donald Sutherland possui uma boa interpretação, ele é a estrela deste filme. A seu lado, Julie Christie também não esteve mal, mas os méritos cabem todos a ele. O filme tem um clima de mistério que funcionou muito bem, para além de ser tenso. O inicio é perturbador, ao mostrar a morte da miúda, filha do casal. Mas essa personagem é como se não morresse ali, permanece presente ao longo de todo o filme, como uma espécie de aviso. Sem dúvidas, um dos melhores filmes do realizador Nicolas Roeg, um misto de thriller com drama que funcionou na perfeição. Confesso que nunca imaginei o final que o personagem de Sutherland teve, foi uma grande surpresa. Até no final, o filme é estranho. Gosto de ser surpreendido pela positiva por um filme, foi o que aconteceu com este.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cake

Nome do Filme : “Cake”
Titulo Inglês : “Cake”
Ano : 2014
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Daniel Barnz
Elenco : Jennifer Aniston, Adriana Barraza, Anna Kendrick, Sam Worthington, Felicity Huffman, William H. Macy, Chris Messina, Britt Robertson.

História : Depois da precoce e trágica morte do seu filho, uma jovem mulher começa a viver num clima de depressão constante, acabando por colocar o marido fora de casa e integrando um grupo de ajuda. Porém, será na companhia de um pai solteiro que ela terá o conforto necessário.

Comentário : Gostei bastante deste filme que aborda o tema da depressão, e eu sou daquelas pessoas que entende na perfeição esse assunto, já tive duas depressões. Depois de andar uma vida inteira a entrar em filmes muito fracos que nunca lhe souberam valorizar o seu enorme talento, Jennifer Aniston tem neste filme a primeira e melhor grande prestação do seu historial. Também gostei bastante de ver Sam Worthington neste filme independente. O filme tem também cenas engraçadas como por exemplo, o bichinho a visitar a piscina sempre que Claire vai lá nadar, ou a sequência daquela miúda que fugiu de casa dos pais e passa umas horas com a protagonista, ou ainda aquela cena em que Casey surpreende Claire a urinar na casa de banho. O filme possui igualmente cenas densas, como aquela em que Claire espanca Leonard, ou ainda a sequência na clínica, quando ela tem aquele ataque de fúria. As cenas do fantasma imaginado pela protagonista eram dispensáveis. O filme é denso, na medida que aborda uma temática altamente complexa e problemática, com o tema do suícidio incluido. Em resumo, mais um filme que valeu a pena. 

Knock Knock

Nome do Filme : “Knock Knock”
Titulo Inglês : “Knock Knock”
Titulo Português : “Tentações Perigosas”
Ano : 2015
Duração : 100 minutos
Género : Thriller
Realização : Eli Roth
Produção : Eli Roth
Elenco : Keanu Reeves, Lorenza Izzo, Ana de Armas, Ignacia Allamand, Megan Baily, Dan Baily.

História : Evan é um homem casado e com dois filhos. Num fim-de-semana, a sua esposa leva-lhe os filhos para uma estadia e ele só não vai porque alega ficar para terminar um trabalho. No entanto, a decisão de ficar na casa foi a segunda pior opção que fez na vida, porque o seu pior erro foi ceder aos encantos das duas lindas jovens que lhe bateram à porta nessa mesma noite.

Comentário : Antes de mais quero dizer que quem me conhece, sabe que eu adoro mulheres e considero as raparigas a coisa melhor que existe neste mundo. Logo, assistir a este filme foi quase como ter um orgasmo de quase noventa minutos, se tirarmos a parte inicial em que o realizador nos mostra a encantadora familia feliz. Eli Roth é um realizador visceral, cujos filmes nos dão a volta ao estômago, ainda à pouco tempo tive a oportunidade de ver um dos seus filmes que não teve direito a estrear em sala no nosso país - “The Green Inferno”. E sejamos sinceros, se este “Knock Knock” não tivesse Keanu Reeves como principal protagonista, provavelmente nunca teria direito a estrear nas nossas salas de cinema. Pessoalmente, adorei este filme e à imenso tempo que um filme não me dava tanto prazer. É que, é muito raro assistirmos a um filme estranho onde duas coisinhas boas se divertem a dar cabo de um homem nojento (existem sites só disto), sim, é isso que Evan se torna ao aceitar ter relações sexuais com duas jovens que têm idade para serem suas filhas, Evan foi mesmo um nojento, é caso para dizer que os homens são quase todos iguais, uns nojentos, enquanto que elas são quase sempre as vítimas, seja em filme ou na vida real. No caso deste filme, estive quase sempre do lado das jovens, porque foi Evan quem errou ao ter relações sexuais com elas, visto ser um homem casado, devia ter-se contido. 

Keanu Reeves teve uma boa prestação, possivelmente a melhor interpretação da fita, embora sejam as jovens Lorenza Izzo e Ana de Armas as verdadeiras estrelas do filme. Não o considero um filme de terror, na verdade, o filme tem pouco sangue e nenhuns sustos. O argumento é apelativo, mas apresenta falhas, por exemplo, o personagem amigo de Evan não serve para nada, o facto dele ter aparecido durante o jogo da tortura e ter morrido (bela forma de morrer, hehehe) são factores que não contribuíram nada para a trama. Eli Roth podia ter desenvolvido ainda mais as atitudes das personagens femininas, ainda que elas tivessem feito de Evan e da casa tudinho o que quiseram. Por exemplo, na parte em que Evan está amarrado na cama, podia colocá-las a escarrar para a boca dele e obrigarem-no a engolir tudo; ou na cena brutal do jogo de tortura das três questões, elas podiam castrar Evan a sangue frio e deixá-lo a esvair-se em sangue até morrer, e depois iam embora na boa; e por último, na cena em que Evan estava enterrado, elas podiam ter mijado na cara e cabeça dele, apenas para tornar tudo mais brutal. Quero dizer que achei as duas jovens, lindas e muito sensuais e lamento que a coisa não tivesse tido contornos mais sérios. Não aconselho o filme a homens de barba rija, aos outros que amam verdadeiramente as mulheres, vão ver e que disfarçam o tesão à saída da sala. Adorei este filme e uma grande salva de palmas para as raparigas, são poderosas e lindas. O final do filme é a prova disso. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Meadowland

Nome do Filme : “Meadowland”
Titulo Inglês : “Meadowland”
Ano : 2015
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Reed Morano
Elenco : Olivia Wilde, Luke Wilson, Ty Simpkins, Juno Temple, Elisabeth Moss, John Leguizamo, Giovanni Ribisi, Merritt Wever, Nick Sandow, Kevin Corrigan, Scott Mescudi, Mark Feuerstein, Anna Khaja, Eden Duncan Smith.

História : Sarah e Phil entram num drama profundo quando o filho menor de ambos desaparece de uma casa de banho pública. Com o passar dos dias, pai e mãe começam a lidar com o problema de forma diferente, mas angustiante de igual modo. Ambos, iniciam um percurso não muito próprio, devido à dor e ao desespero da perda do filho.

Comentário : Último filme visto no fim-de-semana que confesso ter gostado. Mas é um filme duro, principalmente para quem tem filhos pequenos, o caso “Maddie” vem logo à memória. Estamos perante um drama intenso que aborda a dor da perda de um filho por parte de um pai e de uma mãe que ficam como que folhas no mar, à deriva, sem noticias do filho durante mais de um ano. Como o corpo do menino não aparece nesse espaço de tempo, pai e mãe ficam na expetativa do filho aparecer em qualquer altura, vivo ou morto. Confesso não ter passado por este drama e espero nunca vir a passar, por isso não posso avaliar como é a dor de um pai ou de uma mãe nesta situação. Olivia Wilde possui a melhor prestação do filme, a seu lado, temos um Luke Wilson bastante competente. Fiquei admirado com a prestação do jovem Ty Simpkins, a empatia deste com Olivia Wilde resultou na perfeição. Apesar de não ter imagens chocantes, é um filme pesado e detentor de um final brutal. Gostei. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Las Acacias

Nome do Filme : “Las Acacias”
Titulo Português : “As Acácias”
Ano : 2011
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Pablo Giorgelli
Elenco : German de Silva, Hebe Duarte, Nayra Calle Mamani.

História : Ruben é camionista à mais de trinta anos e transporta materiais de cidade em cidade. O seu mais recente trabalho consiste em transportar uma grande quantidade de madeira do Paraguai para Buenos Aires. É assim que conhece Jacinta que lhe aparece à frente com uma filha bebé chamada Anahi e com três grandes sacos como bagagem. Assim, Ruben aceita levar a mulher e a sua bebé na viagem, visto que têm praticamente o mesmo destino. Durante a longa viagem, aquele homem solitário acaba por ganhar a confiança de Jacinta e a viagem torna-se mais agradável.

Comentário : Mais uma agradável surpresa que este ano me deu. O que mais gostei neste filme é que ele reflete a vida tal como ela é, sem encenações e dramas desnecessários. Depois temos duas excelentes interpretações a cargo de German de Silva e Hebe Duarte, a empatia entre os dois é avassaladora. Não aconselho o filme à maioria, é uma fita extremamente parada, mas segue-se de forma natural e a um bom ritmo. A bebé é adorável.

No inicio, confesso ter pensado que as coisas iam dar para o torto, ou seja, pensava que as coisas não iam resultar bem, não podia estar mais enganado. É um excelente filme, muito bem filmado, muito bem montado e cujo argumento cuidadosamente bem escrito se apresenta praticamente sem falhas. É um excelente road-movie, que eu confesso nunca me ter cansado nem um pouquinho de o ver. Por mim, podia ter mais trinta minutos. Mas o essencial ficou lá, e o final deixa-nos a chorar por mais, a tal viagem para se conhecerem melhor. Enfim, apesar do final ser o esperado, pessoalmente, penso que terminou da melhor maneira, que por acaso, foi aquela que eu imaginara. Ruben é um homem espectacular, quem me dera que todos os homens fossem como ele, honesto, sincero, trabalhador e respeita as mulheres, teve azar com a vida. Ele é um homem muito solitário, tem um filho que nunca vê e à mais de trinta anos que exerce a mesma profissão. É mais um escravo da vida. O filme, esse é excelente e mais não digo.