sábado, 26 de setembro de 2015

No Escape

Nome do Filme : “No Escape”
Titulo Inglês : “No Escape”
Titulo Português : “Sem Saída”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : John Erick Dowdle
Elenco : Owen Wilson, Lake Bell, Sterling Jerins, Claire Geare, Pierce Brosnan.

História : Quando Jack é convidado para um cargo importante numa empresa na Ásia, encontra aí a oportunidade por que ansiava para iniciar uma nova vida com a sua mulher e filhas. Porém, pouco depois de se instalarem num hotel perto do novo local de trabalho, eles nem sonham que algo estranho está para acontecer. Quando, na manhã seguinte, Jack vai à rua, vê-se subitamente envolvido numa violenta insurreição chefiada por rebeldes armados que, de modo a marcarem uma posição política, não se coíbem de executar todos os estrangeiros. Em pânico, Jack regressa ao hotel onde de reúne com a mulher e com as filhas, com a intenção de escaparem com vida à situação.

Comentário : Fui ao cinema ver este filme e gostei. Foi bom ver Owen Wilson num registo oposto daquele que ele nos habituou, o homem deu-nos uma prestação segura e eficaz de um pai preocupado com a familia e disposto a tudo para os proteger. Os pontos negativos deste filme dizem respeito à personagem de Pierce Brosnan. Primeiro, porque motivo meteram este ator neste papel, um qualquer desconhecido e o efeito seria o mesmo ou até as coisas tivessem resultado melhor. E depois, irritou-me o facto de sempre que a familia estava com problemas, lá aparecia ele para salvá-los da situação, sempre no momento certo. Muito previsivel e forçado. Depois temos os habituais erros sempre presentes neste tipo de filmes. Outra coisa que me enervou é o facto do filme ter acabado bem para os quatro. Podia muito bem ter morrido ou o pai ou a mãe das miúdas, sempre dava mais realismo às coisas.

Como aspectos positivos, temos a já referida boa prestação de Owen Wilson a que se pode juntar os também bons desempenhos de Lake Bell e das pequenas Sterling Jerins e Claire Geare, com destaque para estas duas meninas. Gostei dos efeitos visuais, principalmente na cena em que a familia é obrigada a saltar de um prédio para o outro. Tudo bem, essas cenas podiam ter estado mais realistas, mas mesmo assim, funcionaram muito bem. Causou-me um frio na barriga ver o pai a atirar cada uma das filhas de um prédio para o outro para depois elas serem apanhadas por uma mãe ensanguentada que estava no outro telhado. Também achei brutal a sequência em que a miúda mais velha aponta a pistola ao pai para o matar, claramente forçada a isso pelos rebeldes. Destaque também para o clima de tensão, sempre presente ao longo da projeção. As cenas dos abates a tiro dos estrangeiros também estão muito credíveis. O filme não é mau, mas também não é grande coisa. Para mim, é apenas um filme razoável. 

Que Horas Ela Volta ?

Nome do Filme : “Que Horas Ela Volta ?”
Titulo Inglês : “The Second Mother”
Ano : 2015
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Anna Muylaert
Elenco : Regina Casé, Camila Márdila, Michel Joelsas, Karine Teles, Lourenço Mutarelli.

História : Val é uma humilde brasileira que trabalha com afinco e dedicação como empregada interna numa casa, onde também reside. Para isso, abdicou de criar a filha que já não vê à mais de dez anos, mas que vai enviando dinheiro para ajudar nas despesas. Um dia, Jéssica, a tal filha, aparece para fazer a faculdade naquela cidade e acaba por ficar também a morar com a mãe na casa dos patrões. No entanto, a sua estadia só vem trazer grandes problemas para Val.

Comentário : Gostei bastante deste filme brasileiro, filme este que está a causar sensação por onde tem passado. O titulo original diz respeito à pergunta que o filho faz à empregada sobre quando chega a mãe do trabalho para lhe dar atenção. Enquanto que o titulo inglês diz respeito ao facto da empregada ser uma espécie de segunda mãe para Fábio, visto que a biológica dá-lhe pouca atenção. Às tantas, a nossa protagonista dá-se melhor com o filho da patroa que ajudou a criar, do que com a própria filha que não vê à dez anos. Anna Muylaert realizou o filme com grande mestria, a satisfação do público é a prova disso. Regina Casé e Camila Márdila têm as melhores interpretações e a química entre as duas é perfeita. Houve uma ou outra coisa que não percebi. Este filme é mais um dos candidatos ao oscar de melhor filme estrangeiro, é o candidato do Brasil. É uma espécie de drama familiar que fala de uma realidade que ainda se verifica, gostei imenso.

The Solitude Of Prime Numbers

Nome do Filme : “La Solitudine Dei Numeri Primi”
Titulo Inglês : “The Solitude Of Prime Numbers”
Titulo Português : “A Solidão Dos Números Primos”
Ano : 2010
Duração : 116 minutos
Género : Drama
Realização : Saverio Costanzo
Elenco : Martina Albano, Tommaso Neri, Arianna Nastro, Alba Rohrwacher, Luca Marinelli, Vittorio Lomartire, Isabella Rossellini, Roberto Sbaratto, Maurizio Donadoni, Giorgia Senesi, Aurora Ruffino, Giorgia Pizzo.

História : A amizade de dois amigos marcados por terríveis episódios de infância.

Comentário : Lembro-me que fui ao cinema ver este filme italiano e que não havia gostado dele. Recentemente, voltei a vê-lo e desta vez gostei. Filme sobre passados de personagens, é daquelas fitas que, ainda assim, nos deixa com um amargo na boca depois de o vermos. Tudo devido ao cruzamento de épocas constante que resultou a montagem final do filme, ainda assim, gostei desta vez porque simpatizei mais com as personagens. Alba Rohrwacher tem a melhor prestação da fita. Os atores que representaram a infância e juventude do duo protagonista também não estiveram nada mal. O filme aborda vários temas. Por vezes, é estranho. Tal como disse, gostei mais de o ver neste segundo visionamento do que da primeira vez.

domingo, 20 de setembro de 2015

Heaven Knows What

Nome do Filme : “Heaven Knows What”
Titulo Inglês : “Heaven Knows What”
Ano : 2014
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Benny Safdie/Josh Safdie
Elenco : Arielle Holmes, Caleb Landry Jones, Buddy Duress, Eleonore Hendricks.

História : Harley é uma jovem toxicodependente que vive praticamente nas ruas e que nutre um suposto amor por Ilya, outro dependente como ela. Após uma tentativa de suícidio, Harley começa a andar mais esperta, mas o vicio das drogas aumenta e ela continua a consumir. As amizades que vai mantendo também não ajudam, pois são quase todos jovens pedrados como ela. Harley não tem grandes oportunidades de sair daquela vida.

Comentário : Lembro-me perfeitamente de, no verão de 2010, ter ido ao cinema ver a primeira longa metragem destes dois realizadores, chamava-se “Go Get Some Rosemary – Vão-me Buscar Alecrim”. Na altura, havia gostado deste filme e agora que vi o novo filme da dupla, fiquei novamente satisfeito, embora o factor surpresa se tenha perdido. No centro da trama, temos uma jovem toxicodependente em risco. De facto, ela vive quase no limite. Existe uma cena nos primeiros quinze minutos em que a protagonista ameaça cortar os pulsos com uma lâmina como prova do amor que tem pelo ex-namorado. Essa cena é muito aflitiva, porque ela cumpre os seus propósitos e corta-se mesmo. O filme não é muito fácil de seguirmos, por vezes, dei por mim sem vontade de continuar a vê-lo, o que não é nada bom. Mas consegui vê-lo todo, apesar disso. Nota negativa também para a fotografia, pareceu estar a ver um filme dos anos 90. O filme vale a cima de tudo pelas interpretações do elenco jovem e pela mensagem que se propõe a passar. 

Three Quarter Moon

Nome do Filme : “Drei Viertel Mond”
Titulo Inglês : “Three Quarter Moon”
Ano : 2011
Duração : 94 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Christian Zubert
Elenco : Elmar Wepper, Mercan Turkoglu, Katja Rupe, Marie Leuenberger.

História : Hartmut Mackowiak é um homem nada novo, é taxista e a mulher o deixou. Um dia, recebe no banco traseiro do seu carro, uma cliente muito especial que lhe dará um novo sentido à vida.

Comentário : Este filme é alemão e eu gostei de o ver. É um filme bastante leve mas com grande significado. É a história de um homem muito solitário cuja esposa o abandonou após 35 anos de casamento e com uma filha que pouco lhe liga. Um dia, tudo muda para ele. Claro que tudo isto é fita e muito dificilmente poderia acontecer na vida real, o homem era logo suspeito de ser um abusador, mas como filme resultou. Existe grande empatia entre o veterano Elmar Wepper e a pequena Mercan Turkoglu, isso ficou bem evidente nas cenas em que eles contracenavam juntos. Aliás, as cenas entre os dois são as melhores do filme. Não gostei das prestações das atrizes que desempenharam os papéis de mulher e filha do nosso protagonista. O filme tem alguns erros. Mas tirando isto, estamos perante uma obra razoável, onde se pode tirar a mensagem de que a amizade não escolhe idades. A sequência da pesca é a melhor do filme.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Felt

Nome do Filme : “Felt”
Titulo Inglês : “Felt”
Ano : 2014
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Jason Banker
Produção : Jason Banker
Elenco : Amy Everson, Kentucker Audley, Ryan Creighton, Elisabeth Ferrara, Roxanne Knouse, Brendan Miller, Alanna Reynolds.

História : Uma jovem cria uma personalidade alternativa como forma de escape ao ódio que nutre pelos homens.

Comentário : Possivelmente o filme mais estranho que vi neste ano, ainda assim, não é tão mau quanto os seguidores do IMDB o fazem parecer ser. O filme vem catalogado como sendo de terror, mas não tem terror nenhum, apenas uma cena de gore nos minutos finais. Para mim, isto é um drama muito pesado sobre uma jovem que está a passar por uma depressão muito forte e que está gravemente perturbada. Achei brutal aquela cena em que a suposta amiga de Amy lhe mostra um video no tlm onde se vê o rapaz que a miúda gosta com outra rapariga. Amy, em vez de entrar no jogo de intriga da “amiga”, dá-lhe a volta e percebe que ela está a meter veneno e não está a ser sua amiga. De resto, estamos perante uma obra dificil, visto ser muito complexa, mexe com traumas humanos, com a mente humana, a coisa mais complicada que existe. A nivel das interpretações, o destaque vai todo para a protagonista Amy Everson, deu um verdadeiro “show”. O twist final é avassalador, mas verdadeiramente espetacular, dentro da insanidade da protagonista, claramente. “Felt” é uma obra à parte, um filme único.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

My Mother

Nome do Filme : “Mia Madre”
Titulo Inglês : “My Mother”
Ano : 2015
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Nanni Moretti
Produção : Nanni Moretti
Elenco : Nanni Moretti, Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Beatrice Mancini, Anna Bellato, Stefano Abbati, Enrico Ianniello, Toni Laudadio, Lorenzo Gioielli, Pietro Ragusa, Tatiana Lepore, Monica Samassa, Vanessa Scalera, Davide Iacopini, Rossana Mortara, Antonio Zavatteri, Camilla Semino Favro, Renato Scarpa.

História : Margherita é uma realizadora em plena rodagem de um filme cujo protagonista é um famoso ator americano. Às questões artísticas que enfrenta, juntam-se angústias de ordem pessoal : a sua mãe encontra-se internada no hospital e a sua filha em plena crise adolescente. O seu irmão, por sua vez, mantém-se como uma constante na sua vida.

Comentário : Finalmente consegui ver o mais recente filme do excelente realizador Nanni Moretti, e que filme. Claro que gostei bastante deste filme. Ao contrário de Woody Allen, Nanni Moretti está em grande forma e recomenda-se. Este filme fala do cinema, mas fala sobretudo da familia, de pessoas. Mas o cerne de tudo é Margherita, nesta fita, a sua vida familiar e laboral são dissecadas, numa brutal interpretação da atriz principal. Num segundo plano, Nanni Moretti obteve um bom papel, o de irmão da protagonista, acabando por partilhar com ela a mesma dor da perda da mãe. E chegámos ao tema principal do filme : a morte. A dor de vermos uma mãe morrer é imensa e os dois atores referidos em cima souberam mostrá-la na perfeição, são as personagens mais consistentes e ricas do filme.

Em papéis mais secundários, temos a atriz que dá nome ao titulo da fita e a jovem que desempenhou o papel da neta dela. Ambas estiveram igualmente bem. Não gostei nada da personagem e da prestação de John Turturro, apesar de reconhecer que ele fez um bom trabalho. Basicamente, “Mia Madre” é um filme italiano muito bem realizado, portador de quatro excelentes interpretações e com duas histórias paralelas que se cruzam entre si ao longo das quase duas horas de projeção. Num primeiro plano temos a história da relação de Margherita com a familia, enquanto que num plano secundário mas não menos importante, temos a história da relação de Margherita com o trabalho. Ambas se afetam mutuamente, porque é a mesma pessoa que as vive. O filme está cheio de referências cinéfilas, sendo o nome do realizador Stanley Kubrick o mais frisado. Tive uma noite bem passada na companhia deste filme único, que nos fala do amor que um filho sente pela mãe e aborda os sentimentos humanos. Muito bom. 

The Better Angels

Nome do Filme : “The Better Angels”
Titulo Inglês : “The Better Angels”
Ano : 2014
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Biográfico
Realização : A. J. Edwards
Produção : Terrence Malick
Elenco : Jason Clarke, Diane Kruger, Brit Marling, Wes Bentley, Braydon Denney, McKenzie Blankenship, Madison Stiltner, Cameron Williams, Ryan McFall, Bruce Bayard, Veanne Cox, Robert Vincent Smith, Alana Collopy, Ida Joy, Lola Cook.

História : A infância de Abraham Lincoln.

Comentário : Filme poético, profundo e humano, como só Terrence Malick sabe fazer; sim o filme não foi realizado por ele, mas tem a sua assinatura na produção. Com uma fantástica fotografia a preto e branco, esta é daquelas fitas que não se esquece tão cedo, porque ainda nenhum filme abordou a infância do homem em causa e também devido ao modo como isso nos foi mostrado. Detentor de poderosas prestações, nomeadamente do garoto que fez de Lincoln, o filme segue-se muito bem, pelo menos para mim nunca se mostrou cansativo. E digo isto porque grande parte do publico não gostou desta fita precisamente devido a isso, por ser muito parado, cansativo e até o acusaram de não agarrar ao ecrã quem o vê. Logicamente que eu senti o contrário.

Trata-se de um filme biográfico que nos dá uma visão daquilo que podia ter sido a infância do tal homem, baseado em escritos encontrados e nas palavras de historiadores. Ele nasceu e cresceu num meio muito pobre e tinha um pai muito rude, mas que gostava imenso dele e da irmã. Perdeu a mãe ainda criança e conviveu alguns anos com a nova esposa do pai, que veio com mais irmãos. E foi graças a ela que ele frequentou a escola e descobriu os livros e todo um mundo novo para ele. Um filme explicativo, encantador e poético como só Terrence Malick sabe conceber. Foi dado igualmente destaque à natureza e a alguns animais, bem como às paisagens, o preto e branco só ajudou a tornar tudo mais bonito. Confesso que fiquei a saber muito sobre um homem que nunca me disse nada, mas que tinha a certeza de ter sido um grande ser humano. 

The Mafia Only Kills In Summer

Nome do Filme : “La Mafia Uccide Solo D'Estate”
Titulo Inglês : “The Mafia Only Kills In Summer”
Ano : 2013
Duração : 89 minutos
Género : Comédia Dramática/Crime
Realização : Pier Francesco Diliberto
Elenco : Alex Bisconti, Ginevra Antona, Pier Francesco Diliberto, Cristiana Capotondi, Claudio Gioe, Barbara Tabita, Rosario Lisma, Enzo Salomone, Mauricio Marchetti.

História : O pequeno Arturo mora em Itália, mais concretamente na terra da máfia. Apaixona-se por uma linda menina nova que ingressa na sua turma. Quando a miúda regressa ao seu país, ele promete não gostar de mais nenhuma. Na idade adulta, quando descobre que o seu grande amor está de volta, faz de tudo para confessar o seu amor.

Comentário : Gostei deste filme italiano, é uma fita que nos é servida quase totalmente em tom satírico, com cenas cómicas. Achei engraçado o facto do filme já ser de 2013 e eu só à poucos meses soube da sua existência, e que tinha ganho prémios em festivais de cinema. Gosto de cinema italiano e sempre que posso, tento encontrar um filme desse belíssimo país. Miúdos e graúdos representaram muito bem, com destaque para as crianças que fizeram de Arturo e Flora nos primeiros 45 minutos de filme. O realizador é também o ator principal da fase adulta do elenco. O filme está muito bem montado e a recriação de época está exemplar, sendo que o argumento leva nota menos positiva. Talvez se tivessem deixado a comédia de lado e nos tivessem facultado algo mais sério, as coisas podiam ter resultado melhor. Mas no geral, gostei. 

Corn Island

Nome do Filme : “Simindis Kundzuli”
Titulo Inglês : “Corn Island”
Ano : 2014
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : George Ovashvili
Produção : George Ovashvili
Elenco : Ilyas Salman, Mariam Buturishvili.

História : Um velho camponês se muda temporariamente com a sua neta para uma pequena e deserta ilha no meio de um enorme rio com a intenção de plantar milho.

Comentário : Trata-se de um pequeno filme com poucos diálogos, mas eu gostei daquilo que vi. É um filme muito alternativo, duvido que a maioria das pessoas que aceitem vê-lo, dele gostem. Ilyas Salman e a jovem Mariam Buturishvili tiveram poderosas interpretações. À parte dos soldados, eles são as duas únicas personagens do filme. O avô da menina faz um grande esforço para levar o seu barco a bom porto e, mais tarde, passa a contar com a ajuda da neta. Esta, por sua vez, ajuda-o sempre que pode e vai ser essencial para o avô cumprir os seus objetivos. No inicio do filme temos direito a uma nota introdutória sobre os costumes daquelas pessoas e daquele país. Não percebi aquela parte em que a miúda e o ferido “brincam” e o avô fica irritado, mas enfim. Pessoalmente, gostei bastante deste filme. 

As Mil E Uma Noites : Volume 3 – O Encantado

Nome do Filme : “As Mil E Uma Noites : Volume 3 – O Encantado”
Titulo Inglês : Arabian Nights : The Enchanted One”
Titulo Alternativo : “As Mil E Uma Noites”
Ano : 2015
Duração : 126 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Miguel Gomes
Elenco : Crista Alfaiate, Bernardo Alves, Chico Chapas, Jing Jing Guo, Américo Silva, Louison Tresallet, Gonçalo Waddington.

História : Num país em crise, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde está inserido. Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardamente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Assim, Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes, sendo este o terceiro...No qual Xerazade duvida que ainda consiga contar histórias que agradem ao Rei, dado que o que tem para contar pesa três mil toneladas. Por isso, foge do palácio e percorre o Reino em busca de prazer e encantamento. O seu pai marca encontro com ela na roda gigante, e Xerazade retoma a narração : “Oh venturoso Rei, fui sabedora que em antigos bairros de lata de Lisboa, existia uma comunidade de homens enfeitiçados que, com rigor e paixão, se dedicava a ensinar pássaros a cantar...”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

Comentário : Neste terceiro volume, o filme começa em Marselha no cenário da “Ilha das Virgens” e do castelo do Grão Vizir, onde vive Xarezade. É aqui que começa a sua narrativa e as suas histórias : primeiro com Pendelman o Loiro Burro e depois com o rapper Elvis. Mas do outro lado do mundo, estão inúmeras histórias do canto dos pássaros tentilhões, dos passarinheiros e a Floresta Quente, um capítulo marcado pela manifestação dos policias. Por último, temos a história do pássaro que canta até morrer e nesse momento, Xarezade cala-se, para dar lugar a Chico Chapas, o rei dos passarinheiros a percorrer uma estrada ladeada de campos de espiga e papoilas vermelhas. 

Na minha opinião, este terceiro filme é o menos conseguido dos três. Muito sinceramente, não entendi o motivo que levou o realizador a cruzar os acontecimentos da manifestação dos policias na Assembleia da República com o capítulo dos passarinheiros e dos seus tentilhões. Este filme, podemos resumir como sendo o encanto da desolada inquietação, naquele que pode ser o mais fraco dos três volumes, mas é também e tal como os dois anteriores, um grande filme. Miguel Gomes disse numa reportagem que conseguiu fazer estes três filmes graças ao dinheiro conseguido com “Tabu” e eu acredito que tenha sido assim, porque é muito dificil fazer-se cinema em Portugal. Os três volumes conseguem ser simultaneamente independentes entre si e de visão obrigatória como um todo, estando interligados. Boas interpretações, muita musica, muita alegria e muita vida é isto tudo que teremos de Miguel Gomes ao vermos este filme, ou qualquer um dos três. Uma obra sobre a comunidade portuguesa. 

Southpaw

Nome do Filme : “Southpaw”
Titulo Inglês : “Southpaw”
Ano : 2015
Duração : 124 minutos
Género : Drama
Realização : Antoine Fuqua
Produção : Antoine Fuqua
Elenco : Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams, Oona Laurence, Forest Whitaker, Skylan Brooks, Naomie Harris, Victor Ortiz, Beau Knapp, Miguel Gomez, Dominic Colon, Malcolm Mays, Lana Young, Patsy Meck, Charles Hoyes, Clare Foley, Rita Ora.

História : No passado um grande campeão de boxe e um homem respeitado, Billy Hope acabou por ver a esposa ser assassinada à sua frente num evento, perdeu quase todo o seu dinheiro, perdeu a sua mansão e os seus bens e, por último, perdeu a filha pequena para os serviços sociais. Obrigado a recomeçar do zero, Billy terá que ter muita coragem e imensa determinação para que tente levar uma vida minimamente digna e, a cima de tudo, recuperar a custódia, o respeito e a confiança da filha.

Comentário : Entre “Everest” e este “Southpaw”, claramente que prefiro este segundo e resolvi vir hoje aqui comentá-lo. Em primeiro lugar, tenho que dizer que é um filme muito dificil de se ver ou não fosse ele sobre o boxe, um dos desportos mais estúpidos que existe, senão o pior. O filme percorre três etapas na vida de um homem, do personagem principal : ascensão, queda e ascensão. Jake Gyllenhaal foi a estrela que mais brilhou neste filme, ao lado da pequena Oona Laurence, esta miúda tem um enorme talento para representar.

Lamentavelmente, Rachel McAdams aparece pouco. Forest Whitaker está impecável como sempre, aqui com um papel merecido. O filme é muito dramático, aborda os limites emocionais a que chegam certos seres humanos, a separação de um filho ou a sua morte serão sempre as piores situações a que qualquer pessoa pode chegar. O filme está muito realista, principalmente nas cenas de luta. Um grande erro que aconteceu no filme : é ridiculo uma assistente social permitir que uma criança daquela idade assista ao combate do pai, onde vai vê-lo a ser espancado e a jorrar sangue, foi este o maior erro desta fita. Se não contarmos com isso, estamos perante um bom filme, embora muito violento. 

As Mil E Uma Noites : Volume 2 – O Desolado

Nome do Filme : “As Mil E Uma Noites : Volume 2 – O Desolado”
Titulo Inglês : “Arabian Nights : The Desolate One”
Titulo Alternativo : “As Mil E Uma Noites”
Ano : 2015
Duração : 131 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Miguel Gomes
Elenco : Crista Alfaiate, Joana de Verona, Chico Chapas, Luisa Cruz, Gonçalo Waddington, Teresa Madruga, João Pedro Benard.

História : Num país em crise, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde está inserido. Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardamente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Assim, Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes, sendo este o segundo...No qual Xerazade narra como a desolação invadiu os homens : “Oh venturoso Rei, fui sabedora de que uma juíza aflita chorará em lugar de ditar a sua sentença, na noite de três luares. Um assassino em fuga vagueará pelas terras interiores durante mais de quarenta dias e teletransportar-se-à para fugir à guarda, sonhando com putas e perdizes. Lembramdo-se de uma oliveira milenar, uma vaca ferida dirá o que tiver a dizer e que é bem triste! Moradores de um prédio dos subúrbios salvarão papagaios e mijarão em elevadores, rodeados por mortos e fantasmas; mas também por um cão que...”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

Comentário : Nesta segunda parte, as coisas abrem-se com a crónica da fuga do Simão 'Sem Tripas' a fugir por montes e vales até ir no jipe da GNR a caminho do tribunal. As Lágrimas da Juíza, num tribunal onde se julga tudo, desde o roubo das vacas, à corrupção, aos banqueiros, aos visa gold, aos chineses, numa sequência com momentos verdadeiramente inspirados e hilariantes; as adolescentes e depois Os Donos do Dixie, onde um cão é pretexto para falar do suícidio de um casal de Santo António dos Cavaleiros, de um jovem casal de drogados, que vive da caridade, e que funciona como uma reconstituição de uma história paralela de exclusão social e abandono, passada numa torre dos cosmopolitas subúrbios de Lisboa, onde se joga cricket. 

Para mim, este é o melhor dos três filmes, uma obra de profundo ataque social que usa o conto de “As Mil E Uma Noites” para contar a história de Portugal, daquilo que se passa ou se passou nos últimos quatro anos. Joana de Verona está divinal neste registo, gostei imenso da personagem da juíza (Luisa Cruz está brutal), mas aquilo que mais gostei neste segundo volume foi do cão Dixie, um dos grandes “atores” do filme. A banda sonora é boa, o tom satírico e de comédia está mais aguçado neste segundo volume e aqui é tudo mais denso e dramático. Um segundo volume que funciona bem independente dos outros, mas que é obrigatório vermos os três para percebermos o todo. Para mim, este segundo volume é o melhor dos três filmes da trilogia e é também um dos melhores filmes que vi neste ano. 

One And Two

Nome do Filme : “One And Two”
Titulo Inglês : “One And Two”
Ano : 2015
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Andrew Droz Palermo
Elenco : Kiernan Shipka, Timothee Chalamet, Elizabeth Reaser, Grant Bowler.

História : Dois adolescentes vivem numa habitação isolada rodeada por uma densa floresta. Os seus pais os submetem a regras muito rígidas. Por vezes, os dois jovens quebram as regras e são duramente castigados por isso. Um dia, a menina opta por passar os limites e as coisas mudam cruelmente para os quatro.

Comentário : Vi este estranho mas delicioso filme na tarde de sexta-feira e confesso que gostei bastante. Repito, é uma obra muito estranha e o realizador não nos dá explicações sobre aquilo que está a acontecer e muito menos sobre o porquê dos jovens estarem naquela situação. Por vezes, nós queremos ter essas explicações, no meu caso, gosto de ficar a saber as coisas, mas aqui gostei muito de ter ficado na ignorância. Apesar de não ter gostado das prestações dos adultos, gostei bastante das interpretações dos jovens, nomeadamente da bonita Kiernan Shipka, penso que ela brilhou mais neste filme. O filme tem poucos diálogos, mas tem igualmente cenas muito bonitas. Esta obra foi abertamente criticada pela maioria de quem a viu, pessoalmente, até compreendo as razões para tal ter acontecido. Um filme estranho e diferente nem sempre significa um mau filme, pelo menos para mim foi um bom filme. 

sábado, 12 de setembro de 2015

As Mil E Uma Noites : Volume 1 – O Inquieto

Nome do Filme : “As Mil E Uma Noites : Volume 1 – O Inquieto”
Titulo Inglês : “Arabian Nights : The Restless One”
Titulo Alternativo : “As Mil E Uma Noites”
Ano : 2015
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Miguel Gomes
Elenco : Crista Alfaiate, Adriano Luz, Américo Silva, Rogério Samora, Carloto Cotta, Fernanda Loureiro, Maria Rueff.

História : Num país em crise, um realizador propõe-se a construir ficções a partir da miserável realidade onde está inserido. Mas incapaz de descobrir um sentido para o seu trabalho, foge cobardamente, dando o seu lugar à bela Xerazade. Assim, Xerazade organiza as histórias que conta ao Rei em três volumes, sendo este o primeiro...No qual Xerazade dá conta das inquietantes maldições que se abatem sobre o país : “Oh venturoso Rei, fui sabedora de um triste país entre os países, onde se sonha com sereias e baleias, o desemprego propaga-se. Em certos lugares, a floresta arde noite dentro apesar da chuva que cai; homens e mulheres anseiam por lançarem-se ao mar em pleno Inverno. Por vezes, há animais que falam embora seja improvável que os escutem. Neste país onde as coisas não são o que aparentam ser, os homens do poder passeiam-se em camelos e escondem uma permanente e vergonhosa ereção; aguardam pelo momento da colecta de impostos para poderem pagar a um certo feiticeiro que...”. E vendo despontar a manhã, Xerazade calou-se.

Comentário : Um país onde os políticos de um partido viveram a cima das suas possibilidades durante seis anos e puseram tudo num péssimo estado, obrigando políticos de um outro partido a governar durante quatro anos numa coligação de interesses, a tentar concertar os erros dos primeiros. Um país onde o último governo governou a roubar aos mais necessitados, ao povo, aos que os elegeram. Um país onde um governo de uma coligação falsa cortou durante quatro anos nos mais fracos em vez de ter cortado nos ricos e poderosos. É neste país que vivemos, é neste país que Miguel Gomes filma. 

   
Entre o verão de 2013 e o verão de 2014, o realizador Miguel Gomes percorreu os quatro cantos do nosso Portugal, filmando um país em crise sob os efeitos da austeridade. Contratou um pequeno grupo de jornalistas que vasculhavam acontecimentos e usava esses acontecimentos para o seu argumento, que originou três filmes. Este é o primeiro. Os seus protagonistas são os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo ameaçados de encerramento, especialistas preocupados com as vespas asiáticas, os aldeões indecisos de Resende, nas margens do Douro, em dia de eleições autárquicas, onde se passa a história do galo que vai a tribunal e da incendiária ressabiada por ter sido trocada pela bombeira e os dramáticos testemunhos finais dos desempregados de longa duração, no capítulo do Banho dos Magníficos (os trabalhadores dos estaleiros de Aveiro). Temos atores conhecidos no papel de gente importante e temos a baleia e a sereia. Miguel Gomes cozinhou isto muito bem e o resultado é um filme muito bom que prova que a realidade e a ficção trocaram de lugar.

Bird People

Nome do Filme : “Bird People”
Titulo Inglês : “Bird People”
Ano : 2014
Duração : 128 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Pascale Ferran
Elenco : Anais Demoustier, Josh Charles, Roschdy Zem, Camelia Jordana, Radha Mitchell, Geoffrey Cantor, Taklyt Vongdara.

História : Num hotel próximo de Paris dois desconhecidos tentam encontrar algum sentido nas suas vidas. O americano Gary, informático, submetido a fortes pressões profissionais e afetivas, decide mudar radicalmente a sua vida. Algumas horas mais tarde, é a vez de Audrey passar por uma estranha experiência.

Comentário : A premissa e o filme em si partilham a mesma essência, ou seja, de inicio tudo é normal para depois se tornarem em algo profundamente diferente. Digo isto porque não gostei da normalidade do filme até ao momento em que se dá a tal transformação na vida de Audrey, sendo que a partir desse momento, o filme seguiu outro rumo e me proporcionou uma experiência excelente e inédita. De facto, estamos perante um filme muito estranho, pessoalmente, prefiro “Lady Chatterley”. Mas tenho que confessar que o filme está muito bem concebido, principalmente as partes em que entra o pássaro, bicho adorável. Também gostei do gatinho. Não gostei do personagem de Josh Charles. Estranhei imenso a personagem feminina principal. É um filme que fala também daquelas pessoas que andam cansadas dos seus quotidianos e desejam ardentemente mudar, seja para que situação for. Apesar de só ter gostado da parte estranha do filme, pode-se dizer que o balanço foi positivo.

sábado, 5 de setembro de 2015

Low Down

Nome do Filme : “Low Down”
Titulo Inglês : “Low Down”
Ano : 2014
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Biográfico
Realização : Jeff Preiss
Produção : Amy Albany
Elenco : Elle Fanning, John Hawkes, Glenn Close, Peter Dinklage, Lena Headey, Caleb Landry Jones, Taryn Manning, Billy Drago, Tim Daly, Myles Cranford, Burn Gorman, Sandha Khin, Eddie Rouse, Linda Wang, Rain Phoenix, Flea.

História : A vida do pianista Joe Albany, um músico dos anos 1970 que tinha três paixões na sua existência : a filha, a musica e a droga.

Comentário : “Phoebe In Wonderland”, “Somewhere”, “Ginger And Rosa” e “Low Down” são, aos olhos dos criticos, apenas filmes razoáveis; para mim, são grandes filmes. Mas foi nestes quatro filmes que a linda e excelente atriz Elle Fanning teve as melhores interpretações da sua carreira, repleta de filmes de todos os géneros. Claramente que é uma das minhas atrizes preferidas, a jovem é perfeita em tudo o que se mete, até curtas-metragens já fez e já trabalhou para os Sigur Ros. Ela já havia representado com John Hawkes antes. Ao lado da irmã mais velha (Dakota Fanning), a doce Elle Fanning é igualmente uma excelente atriz. As duas são das melhores atrizes desta nova geração e entram em filmes desde muito pequenas.

Este filme surpreendeu-me pela positiva a todos os niveis. Apesar de ser um bom filme, não teve o mérito reconhecido junto do público e da critica, que o consideraram apenas razoável. Para mim, é um bom filme que sobrevive graças às duas poderosas interpretações nele contidas. Basicamente, é um filme de atores. “Low Down” é também um filme de época, um filme cheio de referências musicais e cinéfilas daquela época, nos ecrãs estão sempre a passar filmes antigos e desenhos animados ainda a preto e branco, coisas que passavam em meados dos anos 70. As personagens estão devidamente enquadradas nesse ambiente, com Fanning e Hawkes a darem sempre o melhor de si próprios, aquilo a que já nos habituaram.

John Hawkes (também excelente ator) possui neste filme a melhor prestação da sua carreira, digna de um prémio. Elle Fanning possui nesta fita a sua melhor quarta interpretação e até recebeu um prémio pelo seu trabalho árduo neste filme. A fotografia é outro dos pontos mais altos do filme, espetacular. Glenn Close também consegue ter tempo para brilhar, excelente como sempre. Os secundários também souberam manter o nivel interpretativo que um filme de época carece. Também podemos destacar a fantástica banda sonora, outro aspeto notável neste filme, uma delicia para os nossos ouvidos. Trata-se de um filme biográfico sobre um homem que vivia com a filha adolescente, que o ajudava sempre e o admirava imenso, ele mesmo dizia que ela era a sua fan número 1. Lamentavelmente, as drogas entraram nas suas vidas e vieram a complicar o quotidiano dos dois. Ele chegou mesmo a ser preso. Elle Fanning irá estrear mais dois filmes este ano : “Trumbo” e “About Ray”. Quanto a “Low Down” foi para mim um dos melhores filmes de 2014. 

Bande De Filles

Nome do Filme : “Bande De Filles”
Titulo Inglês : “Girlhood”
Titulo Português : “Bando De Raparigas”
Ano : 2014
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : Celine Sciamma
Elenco : Karidja Toure, Assa Sylla, Lindsay Karamoh, Marietou Toure, Simina Soumare, Dielika Coulibaly, Binta Diop, Idrissa Diabate, Cyril Mendy, Djibril Gueye, Chance N'Guessan, Rabah Nait Oufella, Damien Chapelle, Nina Melo, Elyes Sabyani, Halem El Sabagh, Fiona Hily, Letica Milic, Nassereba Keita, Assana Koulibaly.

História : Marieme é uma bonita jovem de 16 anos que vive num dos bairros problemáticos dos subúrbios de Paris. Sente-se oprimida pela familia, por um contexto social dominado pelo sexo masculino e pela falta de perspetivas de futuro. Quando conhece um grupo de três raparigas que se norteiam apenas pelas próprias vontades e não dão satisfações a ninguém, vê ali a sua grande hipótese de libertação. Para ser aceite no grupo, adopta uma nova identidade, muda de nome e deixa a escola. Com aquelas raparigas, a agora conhecida como Vic, irá desenvolver a sua autoconfiança e encontrar o sentimento de pertença por que tanto ansiava. Mas também há-de descobrir que a liberdade que alcançou está longe de ser sinónimo de felicidade.

Comentário : Depois do belíssimo “Water Lilies” e do encantador “Tomboy”, a realizadora Céline Sciamma resolveu trazer-nos um filme diferente. Nesta nova obra, os jovens já não estão a descobrir a sua sexualidade, aqui, eles já a descobriram, neste terceiro filme os jovens estão a encontrar o seu lugar no mundo, num mundo cada vez mais caótico para o adolescente comum. A realização é avassaladora, a fotografia é penetrante e o argumento divide-se em duas partes : a primeira muito cativante e a segunda bastante decepcionante. Digo isto porque adorei este filme até ao momento em que Marieme (Ou Vic) sai de casa para ir morar com gente que não interessa a ninguém. Aí, a vida dela muda completamente e tudo o que sucedeu posteriormente, levou um rumo que eu não gostei nada, originando um péssimo final. Mas diria que foi o final necessário para que Marieme cresça enquanto ser humano, enquanto mulher para, assim, poder encontrar o seu lugar no mundo.

Considerado por alguns criticos nacionais e estrangeiros como sendo uma das melhores fitas deste ano, o filme fala da adolescência, fala de uma bonita menina de 16 anos (excelente Karidja Toure) que não gosta do clima que tem em casa e decide integrar um trio de outras meninas, estas muito diferentes dela. Pois serão aquelas três jovens a alavanca que Marieme precisava para sair da prisão em que vivia, mas tudo tem um preço. A realizadora mostra-nos o quotidiano da protagonista e as suas acções com as amigas, sem nunca fazer julgamentos, sem nunca vir com moralismos, enfim, mostra a realidade daqueles bairros franceses, locais que se regem por regras bastante penalizadoras para a mulher, enquanto ser humano. E a nossa Marienne (foto em baixo) não quer essa vida para ela, nem essa vida nem quer levar uma vida como aquela que a mãe teve e tem. Marieme apenas quer ser livre e independente, encontrar-se a ela mesma, encontrar o seu espaço no mundo e viver nele, como qualquer outra menina normal deste século. 

Metamorphoses

Nome do Filme : “Métamorphoses”
Titulo Português : “Metamorfoses”
Ano : 2014
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Christophe Honore
Produção : Philippe Martin
Argumento : Christophe Honore/Ovid
Elenco : Amira Akili, Sebastien Hirel, Melodie Richard, Damien Chapelle, George Babluani, Matthis Lebrun, Samantha Avrillaud, Coralie Rouet, Nadir Sonmez, Vincent Massimino, Olivier Muller, Myriam Guizani, Gabrielle Chuiton, Jean Courte, Rachid O, Arthur Jacquin, Anna Camplan, Eleonor Vergez, Margot Guitton, Julien Antonini, Yannick Guyomard, Jimmy Lenoir, Vimala Pons, Erwan Ha Kyoon Larcher, Keti Bicolli, Carlotta Moraru, Ines Maire Fernandez, Sarah Barre, Mathilde Dromard, Mathilde Cheravola, Alice Roussey, Emeline Roche, Isabelle Righi, Lola Fuentes Roy, Helene Paillaugue, Maria Isabel Rodas, Halima Benoradj, Marlene Saldana.

História : Depois de seduzida por um rapaz de enorme beleza chamado Jupiter, a jovem Europa segue-o. Nessa viagem, ela vai conhecer histórias extraordinárias sobre a força da paixão e do desejo, observando as terríveis provações pelas quais passam os mortais caídos em desgraça perante os caprichos dos deuses.

Comentário : Com a assinatura do realizador Christophe Honoré, esta é uma adaptação livre e actualizada da mais famosa obra clássica do poeta latino Ovid : “Metamorfoses”, um poema épico composto por 250 narrativas e 12 mil versos em latim, que representa o principio dos tempos, narrando a transfiguração dos homens e dos deuses mitológicos em animais, árvores, rios ou pedras. Posto isto, tenho que confessar que não é um filme fácil. É uma obra muito estranha, mal entendida pela maioria que prefere a rotular de má, do que fazer um grande esforço para a perceber. O elenco é todo composto por gente não profissional, até resultou bem, visto eles não terem experiência na área e se terem dedicado com máximo afinco. O cineasta arriscou imenso nesse campo, sendo a primeira vez que o fez.

O filme está repleto de cenas sensuais, evidenciando a mulher enquanto ser superior ao homem, não só pela sua enorme beleza e sensualidade corporal como também pela sua inteligência. Repleto de excelentes planos (o da foto em baixo, por exemplo), é uma fita que dificilmente sairá da cabeça de quem dela gostou, sendo este o meu caso. No entanto, o meu filme preferido de Christophe Honore continua a ser “La Belle Personne” de 2008. “Metamorphoses” é um filme razoável de que eu gostei bastante, mas não o aconselho à maioria, somente aos que procuram filmes alternativos. Uma breve curiosidade, este filme estreou unicamente numa única sala do Cinema Monumental, pela Medeia Filmes, e apenas esteve em exibição uma semana. Por aqui se pode ver como anda a distribuição dos filmes no nosso país, bem como o nivel da cultura dos nossos cidadãos. Enfim, é o país que temos...

The Falling

Nome do Filme : “The Falling”
Titulo Inglês : “The Falling”
Ano : 2015
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Carol Morley
Elenco : Florence Pugh, Maisie Williams, Maxine Peake, Greta Scacchi, Anna Burnett, Lauren McCrostie, Rose Caton, Katie Ann Knight, Evie Hooton, Monica Dolan, Morfydd Clark, Elizabeth Marsh, Sasha Constance, Amelia Holder, Hannah Stokely, Ellen Claire Sutherland.

História : Nos anos 60, num colégio só de meninas, Abigail e Lydia são as melhores amigas. Quando a estrela mais brilhante do colégio morre, todas as outras ficam doentes.

Comentário : Trata-se de um filme muito estranho, mas ao mesmo tempo, muito complexo e amoroso. Muito parada mas nunca aborrecida, é uma fita que se vê muito bem ao longo da sua hora e meia. A história é original e o argumento é bastante curioso. Devido à acção decorrer no campo, o filme possui bonitas paisagens verdes. O elenco é quase todo feminino, é um filme de mulheres e para mulheres, portanto. Até a cadeira da realização foi ocupada por uma mulher. Florence Pugh e Maisie Williams tiveram as melhores prestações do filme, fiquei boquiaberto com a qualidade interpretativa das duas jovens atrizes. Além disso, a primeira é portadora de uma beleza encantadora, que miúda tão linda. O filme aborda as questões principais com que as adolescentes se debatem e foca igualmente o sexo na idade jovem. O twist final foi algo que eu nunca imaginei, funcionou como outra mais valia para a fita. Os personagens masculinos são meros adornos. Achei fraca a interpretação da atriz que fez de mãe de Lydia. A banda sonora é muito simples, mas bela. No geral, é daqueles filmes que brilha precisamente por ser diferente e isso é divinal, tal como Florence Pugh. 

Sinister II

Nome do Filme : “Sinister 2”
Titulo Inglês : “Sinister 2”
Ano : 2015
Duração : 97 minutos
Género : Terror
Realização : Ciaran Foy
Produção : Scott Derrickson
Elenco : Shannyn Sossamon, James Ransome, Robert Daniel Sloan, Dartanian Sloan, Lea Coco, Tate Ellington, John Beasley, Lucas Zumann, Jaden Klein, Laila Haley, Olivia Rainey, Victoria Leigh Morales, Caden M. Fritz, Nicholas King, Michael B. Woods, Grace Holuby, Skylar McClure, John Francis Mountain, Nicole Santini, Stephen Varga, Juliet Rylance, Clare Foley, Tristan Jewel Abrams.

História : Uma jovem mãe e os seus dois filhos gémeos instalam-se numa casa com um passado terrível.

Comentário : Gostei bastante do primeiro “Sinister”, mas deste segundo nem tanto. Para ser sincero, “Sinister II” é bem fraco. Onde estão as crianças assassinas do primeiro filme ? Pois bem, aqui são quase todas substituidas por outras. O filme é bem escuro, para tornar as coisas mais sinistras, nesse aspeto, as coisas funcionaram bem. Os miúdos gémeos até tiveram bem nos seus papéis, mas não gostei das prestações dos adultos principais. Este segundo filme tem semelhanças com o primeiro ou não tivesse como produtor principal o realizador do primeiro filme. No centro da trama, temos um menino assassino que já morreu e que dedica o seu tempo a mostrar para um dos gémeos, vários videos caseiros, videos esses que revelam as mortes de familias. E cujos assassinos são sempre crianças. Essas crianças estão à guarda de um demónio, que se não me engano, chama-se Bagul. Este é o universo de “Sinister”, é esta a sua premissa original. O que não gostei neste segundo filme é o mesmo problema de sempre das sequelas : é mais do mesmo. Um último reparo, detestei o final, vai totalmente contra a politica da coisa. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Very Good Girls

Nome do Filme : “Very Good Girls”
Titulo Inglês : “Very Good Girls”
Ano : 2014
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Naomi Foner
Elenco : Elizabeth Olsen, Dakota Fanning, Boyd Holbrook, Lenny Platt, Sterling Jones, Ellen Barkin, Kiernan Shipka, Clare Foley, Roslyn Curry, Clark Gregg, Demi Moore, Richard Dreyfuss, Peter Sarsgaard, Owen Campbell, Katelynn Bailey.

História : Lilly e Gerri são duas lindas adolescentes e são também as melhores amigas. Um dia, a poderosa relação das duas jovens é posta em causa unicamente devido ao envolvimento delas com um homem que, curiosamente, parece estar interessado nas duas, apesar de afirmar amar apenas Lilly.

Comentário : Mais um filme da bonita e talentosa Dakota Fanning que vi e mais um que gostei. De facto, esta miúda (e a irmã) nasceu para ser atriz. Mas não foi somente ela quem brilhou, a seu lado, a também bonita e talentosa Elizabeth Olsen brilhou da mesma forma, a empatia entre as duas ninas notou-se praticamente em todas as cenas que partilharam. Trata-se de um drama apimentado com uns grãos de romance, unicamente devido à presença do ator Boyd Holbrook que, ao contrário do que me sucedeu no filme dele anterior que vi, desta vez, gostei bastante da interpretação do ator. O filme possui igualmente um elenco senior bastante eficaz. Mas temos que confessar que quem brilha mais neste filme são as duas atrizes que desempenharam as duas protagonistas; Lilly e Gerri são adoráveis.

O argumento até pode ser simples, mas foi muito bem escrito e originou uma fita deliciosa que se vê muito bem. Confesso que foram quase noventa minutos que passaram a correr, tal não foi a forma como eu estava entranhado no filme. Dakota Fanning tem já imensos trabalhos no seu reportório, mas espero que ela entre em muitos mais filmes. O mesmo espero de Elizabeth Olsen. Uma coisa que sempre me fascinou é o facto destes profissionais serem excelentes atores e atrizes e serem também grandes amigos na vida real. Por exemplo, na vida real, Dakota Fanning e Elizabeth Olsen são tão amigas quanto Elle Fanning e Hailee Steinfeld o são, ou ainda Bailee Madison e Suri Holmes Cruise o também são. “Very Good Girls” é um bom filme, ou apenas razoável demais, onde podemos testemunhar e ver mais duas excelentes interpretações de duas também excelentes atrizes. 

The Visit

Nome do Filme : “The Visit”
Titulo Inglês : “The Visit”
Titulo Português : “A Visita”
Ano : 2015
Duração : 94 minutos
Género : Thriller/Terror
Realização : M. Night Shyamalan
Produção : M. Night Shyamalan
Elenco : Deanna Dunagan, Peter McRobbie, Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Kathryn Hahn.

História : Seguindo a ideia da mãe, dois irmãos vão passar uma semana em casa dos avós que fica numa quinta remota. Aos poucos, os jovens descobrem que os idosos estão envolvidos em algo de muito estranho e decidem investigar o que realmente se passa. Com o decorrer das horas e dos dias, os dois irmãos encontram reduzidas as hipóteses de saírem daquela localidade.

Comentário : Este estranho realizador iniciou a sua carreira com excelentes filmes (The Sixth Sense, Unbreakable, Signs e The Village) e depois tudo o que fez foi um descalabro completo. E o pior é que se pensava que seria com este “The Visit” que as coisas iam voltar ao normal inicial, mas não foi bem isso que aconteceu. “The Visit” não é um mau filme, longe disso, mas está a anos luz dos quatro referidos em cima, sendo somente uma obra razoável. As personagens são bastante interessantes, por vezes, irritantes e foram a principal razão para a coisa não ter resultado tão bem. Os jovens Olivia DeJonge (foto em baixo) e Ed Oxenbould estiveram à altura dos seus papéis, embora as suas personagens se tornassem, por vezes, enervantes em alguns momentos e isto ficou a dever-se ao género de “found-footage”, embora o argumento assim o pedisse. Quem me surpreendeu foram os atores idosos. Deanna Dunagan e Peter McRobbie estão brutais no filme e às suas personagens se devem os melhores momentos da fita. A química entre eles resultou na perfeição.

É um filme que devia ter obrigatoriamente mais trinta minutos de duração, a fim do realizador nos mostar mais sobre aquela estranha família. Falhou nesse campo. O filme é curto demais, uma hora e meia é muito pouco. A fita peca igualmente por ter alguns clichés próprios dos filmes deste género. Não percebi porque motivo na ficha técnica do filme surge o género de comédia, sinceramente e apesar de algum humor camuflado aqui e ali, não me deu vontade de rir, apesar de algumas situações assim o pedirem. É que estava tão concentrado no clima de tensão que me deve ter escapado qualquer coisa, mas também, confesso que não sou de me rir com facilidade. O género da comédia é o único que eu não vejo, ou tento não perder tempo com ele. Gostei da fotografia e dos efeitos sonoros. O realizador conseguiu provar mais uma vez que se sente à vontade neste género. Penso que o principal problema deste filme foi o facto de se ter depositado uma grande esperança de que fosse com ele que o realizador pudesse regressar à excelência dos seus primórdios da realização, coisa que não aconteceu. Na minha opinião, “The Visit” é um filme apenas razoável, assusta em algumas cenas e as personagens idosas cativam o suficiente para gostarmos da fita. Mas o sabor de amargo na boca ainda continua. 

Goodbye World

Nome do Filme : “Goodbye World”
Titulo Inglês : “Goodbye World”
Ano : 2013
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Denis Hennelly
Elenco : Mckenna Grace, Adrian Grenier, Kerry Bishe, Scott Mescudi, Caroline Dhavernas, Ben McKenzie, Mark Webber, Gaby Hoffmann, Remy Nozik, Julie Dretzin, Marcella Lentz Pope, Laura Kachergus, Kirk Baltz, Frank Drank.

História : Num futuro próximo, a humanidade corre o risco de ser extinta. Um casal formado por James e Lily estão a criar a filha sozinhos e isolados do resto do mundo. Um dia, devido a um ataque cibernético, as coisas ficam novamente em crise e os três decidem aceitar receber em casa alguns amigos para os ajudarem a sobreviver. Para James e Lily, o mais importante é que Hannah, filha de ambos, sobreviva.

Comentário : Quando comecei a ver este filme, veio à memória um outro filme que fala do mesmo assunto chamado “These Final Hours”. Claramente que os dois não têm comparação. Enquanto que “Goodbye World” é bem fraco, o outro frisado é bastante superior, apesar de os dois terem um final desapontante. Neste “Goodbye World”, aquilo que mais temos é convívio e conversa fiada entre as várias personagens. Confesso que preferia que o filme tivesse ao longo da sua hora e meia apenas três personagens : James, Lily e a pequena Hannah e que estivessem o filme todo dentro da habitação a lutarem pela vida, penso que esta ideia iria resultar bem melhor. Em vez disso, somos bombardeados com imensa informação e personagens totalmente inúteis para servir o propósito do filme, ainda que muitas delas façam bastante durante a fita. As prestações são apenas medianas e fica sempre a sensação de que faltou muita coisa. Enfim, mais uma desilusão do ano.