terça-feira, 22 de julho de 2014

Fish Tank

Nome do Filme : “Fish Tank”
Titulo Português : “Aquário”
Ano : 2009
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Andrea Arnold
Elenco : Katie Jarvis (Mia), Michael Fassbender (Connor), Kierston Wareing (Joanne), Rebecca Griffiths (Tyler), Sydney Mary Nash (Keira), Sarah Bayes (Keeley), Joanna Horton (Kelly), Harry Treadaway (Billy).

História : Mia, uma instável adolescente, está sempre metida em sarilhos, foi expulsa da escola e é relegada pelas amigas. Num quente dia de verão, a sua mãe traz para casa um misterioso homem que irá mudar a vida delas.

Comentário : Responsável por bons filmes como “Red Road” e “Wuthering Heights”, a realizadora é igualmente autora deste “Fish Tank”, possivelmente o seu filme de mais sucesso. “Fish Tank” é um filme independente muito bem filmado, de camara ao ombro, que nos conta a dramática trajetória de uma adolescente de 15 anos muito problemática que vive no meio de uma familia igualmente problemática, composta por uma mãe que a odeia e por uma irmã mais nova que é também vitima desta familia disfuncional. Um dia, a irresponsável mãe aparece em casa com um estranho homem, homem este que aos poucos vai melhorando a vida das três para melhor. O problema é que esse estranho homem acaba por ser não só uma ajuda para a jovem Mia, como também acaba na cama da miúda (neste caso no sofá da miúda), falando à portuguesa, anda a comer a mãe e anda a comer a filha.

O elenco principal é quase todo feminino e em relação a eles, o único destaque vai para o excelente ator Michael Fassbender, desempenha neste filme um homem com uma vida dupla : por um lado, não só mantém uma relação sexual com uma mulher adulta, como também se envolve sexualmente com a filha de apenas 15 anos desta, a outra parte da sua vida é que ele possui algures uma mulher de quem tem uma filha pequena. Houve muitas coisas que eu não percebi neste filme, por exemplo, porque motivo os rapazes que têm a égua não soltam o cão e mandam o animal perseguir Mia; ou porque motivo a protagonista rapta a filha pequena de Connor para a matar ou ainda porque motivo a miúda faz xixi no chão da sala do pai da criança. São questões que ficam sem resposta, mas como estas existem outras. Pessoalmente, gostei bastante deste filme, foca na perfeição as complicadas relações entre os seres humanos. Gostei também do final do filme. Um último reparo, a interpretação da jovem Katie Jarvis é brutal. Lamentável foi o facto de o ter perdido quando ele esteve em exibição nos nossos cinemas, mas consegui vê-lo em DVD à uns anos e o revi hoje. Grande filme. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Never Let Me Go

Nome do Filme : “Never Let Me Go”
Titulo Português : “Nunca Me Deixes”
Ano : 2010
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Romance/Ficção-Cientifica
Realização : Mark Romanek
Elenco : Carey Mulligan (Kathy), Keira Knightley (Ruth), Andrew Garfield (Tommy), Charlotte Rampling (Emily), Sally Hawkins (Lucy), Nathalie Richard (Madame), Domhnall Gleeson (Rodney), Kate Bowes Renna (Geraldine), Hannah Sharp (Amanda), Christina Carrafiell (Laura), Andrea Riseborough (Chrissie), Lydia Wilson (Hannah), Isobel Meikle Small (young Kathy), Ella Purnell (young Ruth), Charlie Rowe (young Tommy).

História : Kathy, Ruth e Tommy são crianças sem familia que habitam uma espécie de orfanato-colégio, repleto de outras crianças nas mesmas situações, todos esperam a idade adulta, para darem a sua utilidade, para servirem para aquilo que foram concebidos.

Comentário : Este filme marcou-me imenso na primeira vez que o vi e já faz parte de uma futura lista dos filmes que mais gostei de ver. Após ver este filme alternativo fiquei a pensar na vida durante alguns dias. Confesso que havia decidido ver o filme apenas devido à presença de uma das minhas atrizes preferidas como protagonista, falo da linda e fôfa Carey Mulligan. Mas, após ver o filme, encontrei uma mão cheia de motivos para o eleger como sendo um dos filmes da minha vida cinéfila. Um excelente argumento (tirado de um livro de grande sucesso), uma fotografia nítida e perfeita, interpretações de alto nivel, bonitas paisagens, muita polémica à mistura, é uma obra que coloca imensas questões e apenas responde às mais simples, além de que é um drama bastante intenso. Confesso que nunca simpatizei com a atriz Keira Knightley e não foi com este papel que fiquei a gostar dela. Quanto a Andrew Garfield, gostei de o ver pela primeira vez num papel dramático e sério. 

Achei bastante curioso a pequena atriz que arranjaram para desempenhar a personagem de Kathy na sua infância, é que, a miúda tem muitas semelhanças com Carey Mulligan. Aquilo que se passa no filme é o seguinte : em várias instituições que funcionam como uma espécie de orfanatos-colégios são criadas crianças até atingirem as respetivas fases adultas. Na realidade, todas aquelas crianças são clones sem quaisquer tipo de direitos cuja única finalidade é a de doarem os seus órgãos aos humanos seus originais, quando estes ficam doentes e necessitam. Sim, é algo muito polémico, desafia mesmo a ética das coisas e põe em causa os direitos humanos. Confesso que não deve faltar muitas décadas para que esta realidade seja a nossa. O filme é, por vezes, pautado por planos longos e arrastados das paisagens, com destaque máximo para os planos finais quando Kathy está nos campos a observá-los. A banda sonora é constituida por melodias fantásticas, sendo uma que é linda, sendo repetida ao longo do filme. Destaco aquela sequência perto do final em que Emily conta a verdade para Kathy e Tommy, aquilo funcionou como uma verdadeira facada no estômago e a sangue frio. Excelente filme. 

Monsters

Nome do Filme : “Monsters”
Titulo Português : “Monsters – Zona Interdita”
Ano : 2010
Duração : 92 minutos
Género : Ficção-Cientifica/Drama/Romance
Realização : Gareth Edwards
Elenco : Scoot McNairy (Andrew Kaulder), Whitney Able (Samantha Wynden).

História : À alguns anos, a NASA enviou uma sonda para o espaço para tentar recolher amostras de possivel vida alienígena. Ao regressar à Terra, a sonda despenhou-se na América Central, e pouco tempo depois, novas formas de vida começaram a surgir no México, colocando este país numa zona de quarentena na tentativa de conter as criaturas. Um solitário fotógrafo é contratado por um milionário para levar a sua filha até à fronteira do México com os Estados Unidos, para que ela seja recolhida em segurança e regresse a casa do pai. Mas para isso, os dois terão que atravessar um país contaminado e cheio de criaturas monstruosas.

Comentário : “War Of The Worlds”, “The Mist”, “District 9”, “Cloverfield”, “Pacific Rim”, “Godzilla” (2014) ou “Super 8” são apenas alguns exemplos de excelentes filmes de monstros que o cinema comercial recente nos facultou. No entanto, não me lembro de um filme independente com características de cinema comercial feito com poucos recursos. Este “Monsters – Zona Interdita” é, por incrivel que possa parecer, um filme independente, uma fita de orçamento super reduzido, com um casal de atores não profissionais e com um elenco unicamente formado pelos habitantes das zonas onde foi filmado, a fotografia é muito amadora, o argumento não foi muito trabalhado mas resultou na perfeição e os poucos efeitos especiais que surgem nos 90 minutos de projeção foram todinhos criados no computador pessoal do realizador do filme, Gareth Edwards, sim, o mesmo que este ano experimentou o mundo dos blockbusters com o fenomenal “Godzilla”.

“Monsters – Zona Interdita” foi visto por mim em Maio de 2011 numa das 14 salas de cinema do El Corte Ingles em Lisboa e confesso que adorei o filme, até o coloquei na minha lista pessoal de filmes preferidos. O filme não agradou à maioria, não só devido às caracteristicas apresentadas anteriormente, como também devido ao facto de ser uma fita que não tem tiros em demasia, nem grandes explosões, nem barulho e porque os monstros do titulo aparecem apenas por breves segundos, em imagens de TV e apenas dão um ar da sua graça em apenas cinco minutos de fita, já perto do final. São nesses cinco minutos que se encontram as melhores cenas do filme inteiro. Na verdade, os monstros do titulo são os humanos que atormentam as criaturas, estas, por sua vez, apenas querem viver em paz e em harmonia com as pessoas e agem somente porque são atacadas e querem se defender. Os tais cinco minutos são a prova disso. O filme é lindo, sereno, calmo e segue a um ritmo bastante lento, deve ser o único filme de monstros que não causa tensão nenhuma, pelo contrário, fiquei relaxado durante todo o filme. Todos os realizadores que fazem blockbusters deviam colocar os olhos em Gareth Edwards ou em Christopher Nolan, estes senhores fazem cinema comercial com bastante qualidade. “Monsters – Zona Interdita” é, desta forma, outro excelente filme de 2010. 

Blue Car

Nome do Filme : “Blue Car”
Titulo Português : “Blue Car”
Ano : 2002
Duração : 86 minutos
Género : Drama
Realização : Karen Moncrieff
Elenco : David Strathairn (Professor Auster), Agnes Bruckner (Megan), Regan Arnold (Lilly), Margaret Colin (Diane), Frances Fisher (Delia), Sarah Buehler (Georgia).

História : Uma linda adolescente vive com uma mãe muito ocupada com a vida laboral e com uma irmã mais nova que sofre de graves problemas psicológicos, devido à ausência constante da progenitora e à falta do pai. Um dia, o seu professor incentiva a jovem a participar num importante concurso de poesia, e a miúda arranja inspiração para o seu poema precisamente no pai e no dia em que este as abandonou, partindo no seu muito adorado carro azul.

Comentário : Em setembro de 2002, fui ao cinema ver este filme independente e, lembro-me que na altura adorei o filme. Recentemente, voltei a ver o filme e voltei a adorar. Agnes Bruckner tem neste filme a melhor interpretação da sua carreira. Além de ser boa atriz, ela é igualmente uma linda mulher. “Blue Car” é um drama intenso, daqueles que aborda temas muito fortes, neste caso, a fita fala de familias disfuncionais, mães solteiras, pais que perdem filhos, relações amorosas entre adultos e adolescentes, fala de suicidio infantil, da depressão juvenil, refere também o roubo juvenil e as carências dos filhos devido às ausências de pai e mãe. Penso também que estes assuntos foram bem tratados neste filme porque foi realizado por uma mulher, uma mão feminina a comandar um elenco quase todo feminino.

David Strathairn esteve muito bem no seu papel, lamentável foi não ter dado conta do recado quando chegou aos finalmentes com a princesa carente. O filme aborda também o fantástico mundo da poesia, da imaginação e a vontade de sermos alguém. A cena em que Megan recita o poema alternativo que escreveu num guardanapo de café é a melhor sequência do filme. A fita serve também para mostrar o quanto a falta de um dos progenitores na educação dos filhos afecta a vida dos mesmos, nomeadamente a nivel psicológico, neste caso, mais notável na pequena Lilly. O filme está recheado de cenas muito bonitas, por exemplo, a sequência na praia com Megan e a familia do professor ou ainda a cena em que a miúda e o seu “mentor” passeiam de mãos dadas pelo areal. Outro apontamento, não vejo nada de mal na relação amorosa que poderia ter existido entre a jovem e o professor, desde que os dois elementos de uma qualquer relação estejam de acordo e não contrariados, não vejo problema. A partir dos 17 anos, já é suposto uma rapariga ter capacidade para saber diferenciar o certo do errado. A boa filha à casa torna...

Pretty Baby

Nome do Filme : “Pretty Baby”
Titulo Português : “Menina Bonita”
Ano : 1978
Duração : 107 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Louis Malle
Produção : Louis Malle
Elenco : Keith Carradine (Bellocq), Brooke Shields (Violet), Susan Sarandon (Hattie), Frances Faye (Nell), Matthew Anton (Red Top), Antonio Fargas (Professor), Diana Scarwid (Frieda), Barbara Steele (Josephine), Seret Scott (Flora), Cheryl Markowitz (Gussie), Susan Manskey (Fanny), Laura Zimmerman (Agnes), Miz Mary (Odette), Mae Mercer (Mama Mosebery), Pat Perkins (Ola Mae), Sasha Holliday (Justine).

História : No ano de 1917, Hattie é uma prostituta famosa e também é mãe solteira de uma adolescente de 12 anos de idade. A sua linda e jovem filha vive com a mãe no famoso bordel, onde passa os dias a dormir e a brincar enquanto que à noite observa as mulheres a receberem os clientes. Um dia, Hattie decide iniciar a filha na vida da prostituição e organiza uma noite especial na qual irá leiloar a virgindade da miúda. Com apenas 12 anos, a pequena Violet tem a sua primeira experiência sexual com um homem adulto e torna-se a principal atração do antro onde a mãe trabalha à anos. A chegada de um fotógrafo profissional ao bordel vai alterar para sempre a vida de mãe e filha. Quando a mãe abandona o bordel de vez para ir viver com um homem sério e rico, a jovem aceita ir viver com o fotógrafo e entre os dois nasce uma improvável história de amor.

Comentário : Dentro do cinema de autor, os realizadores Louis Malle e Jacques Doillon são os cineastas que mais sabem filmar a infância e a adolescência. Embora já tenha visto alguns filmes do segundo realizador que falei, somente hoje consegui ver o filme mais polémico de Louis Malle. Confesso que gostei do filme “Pretty Baby” não por aquilo que se vê, mas pela arte em si, na minha opinião (já fui criticado por isso), o cinema é uma arte e tem que ser respeitada por isso. Numa época em que quase tudo no cinema era possível, “Pretty Baby” segue a mesma linha polémica de filmes como “Maladolescenza (Playing With Love)” e “My Little Princess”, onde o grande destaque vai para Brooke Shields e para a melhor interpretação e personagem da sua carreira – Violet. Na verdade, a atriz ficou marcada pela polémica em outras obras onde o seu corpo era exibido, filmes como “Wanda Nevada”, “Endless Love” e “The Blue Lagoon” originaram muito falatório. “Pretty Baby” foi fortemente criticado. 

Em “Pretty Baby”, acompanhamos a vida de uma menina de apenas 12 anos de idade que mora com a mãe prostituta num famoso bordel (o filme “L'Apollonide” de Bertrand Bonello vem à memória). A jovem vive no bordel, tem prostitutas como amigas e a mãe dá-lhe liberdade total (eram outros tempos). O filme gerou polémica porque a atriz, de apenas 12 anos de idade, aparecia a manter uma relação amorosa com um homem adulto, onde o beijava na boca e chegou mesmo a aparecer nua em algumas cenas. Sinceramente, claro que não gosto de ver essas coisas, mas o cinema é uma arte livre, ou pelo menos, assim o devia ser (já o foi em tempos) e, como objeto de cinema, “Pretty Baby” é um bom filme. Pretendo descobrir a filmografia de Louis Malle. 

domingo, 20 de julho de 2014

Chinese Puzzle

Nome do Filme : “Casse-tête Chinois”
Titulo Português : “Puzzle Chinês”
Titulo Inglês : “Chinese Puzzle”
Ano : 2013
Duração : 116 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama/Romance
Realização : Cedric Klapisch
Elenco : Romain Duris (Xavier), Audrey Tautou (Martine), Clara Abbasi (Jade), Margaux Mansart (Mia), Amin Djakliou (Lucas), Pablo Mugnier Jacob (Tom), Cecile De France (Isabelle), Kelly Reilly (Wendy), , Sandrine Holt (Ju), Li Jun Li (Nancy), Sharrieff Pugh (Ray), Flore Bonaventura (Isa), Benoit Jacquot (Rousseau).

História : A vida de Xavier, um pai na casa dos quarenta anos, complica-se quando a mãe dos seus dois filhos menores se decide mudar para New York com as crianças. Como não suporta a ideia de vê-los crescer longe dele, Xavier muda-se também para a cidade americana. Não demora muito até começarem a surgir os problemas.

Comentário : Depois de “A Residência Espanhola” e de “As Bonecas Russas”, o realizador Cedric Klapisch aparece agora com a terceira e última parte da trilogia sobre a história amorosa entre Xavier, Martine e Isabelle. Lamentável é o facto de eu não ter visto os dois primeiros filmes. Por esse motivo, não me vou alongar muito no meu comentário a este terceiro filme. O filme mistura comédia com drama e romance. E é uma mistura agradável. É um filme mais indicado à malta jovem, presumo que os dois primeiros também o sejam. As interpretações são o ponto mais forte do filme, tudo parece muito real. Não gostei nada daquelas partes da fiscalização à vida familiar do protagonista, no minimo ridicula. Fiquei a gostar do ator Romain Duris. Já minha conhecida, Audrey Tautou esteve mais uma vez divinal, a miúda é mesmo linda. Digamos que este filme é sobre as novas familias. Também não gostei nada daquelas cenas em animação logo no inicio do filme, não havia necessidade. Gostei bastante deste filme, gostaria imenso de um dia ver os dois primeiros filmes que formam a trilogia que este “Chinese Puzzle” encerra.

The Curious Case Of Benjamin Button

Nome do Filme : “The Curious Case Of Benjamin Button”
Titulo Português : “O Estranho Caso De Benjamin Button”
Ano : 2008
Duração : 162 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : David Fincher
Elenco : Brad Pitt (Benjamin Button), Cate Blanchett (Daisy), Julia Ormond (Caroline), Elias Koteas (Gateau), Faune Chambers (Dorothy Baker), Donna Duplantier (Blanche Devereux), Ed Metzger (Teddy Roosevelt), Jason Flemyng (Thomas Button), Joeanna Sayler (Caroline Button), Taraji P. Henson (Queenie), Mahershala Ali (Tizzy), Paula Gray (Sybil Wagner), Phyllis Somerville (Fuller), Ted Manson (Daws), Edith Ivey (Maple), Jared Harris (Mike), Don Creech (Mayes), Josh Stewart (Curtis), Richmond Arquette (John Grimm), Tilda Swinton (Elizabeth Abbott), David Ross Paterson (Walter Abbott), Elle Fanning (young Daisy).

História : Devido a uma doença muito rara, um homem nasce idoso e regride na sua idade com o passar dos anos. Esta foi a história de Benjamin e da sua incomum viagem, das pessoas e lugares que descobre ao longo do seu caminho, dos seus amores e das suas paixões, das alegrias da vida e da tristeza da morte. A história de uma vida.

Comentário : Para mim, “Slumdog Millionaire” e este “The Curious Case Of Benjamin Button” foram os melhores filmes de 2008. Hoje venho falar-vos do segundo aqui frisado. Este “The Curious Case Of Benjamin Button” é um filme maravilhoso, lembro-me que na altura fui vê-lo ao cinema e até levei a minha mãe comigo, ambos adorámos o filme. Trata-se de um épico dramático sobre um homem diferente de todos os outros, que sofre de uma rara doença que o faz nascer velho e depois o faz regridir na idade, onde acaba por morrer em criança. Fiquei boquiaberto com a fotografia deste filme, possivelmente a melhor qualidade que eu alguma vez vi em filme. “The Curious Case Of Benjamin Button” e “Seven” são os meus filmes preferidos de David Fincher, um realizador que é perito em nos facultar histórias fora do vulgar. O filme em causa é um poderoso objeto de cinema, a todos os niveis. 

Revi o filme hoje em DVD, claramente que a qualidade não é a mesma de uma sala de cinema, mas senti rigorosamente a mesma coisa que senti quando o vi em ecrã gigante. É um filme de excelente qualidade, onde o destaque vai para a fotografia, para o argumento e, claro está, para a caracterização exímia do personagem Benjamin Button. Brad Pitt está divinal neste filme, parece mesmo ele nos primeiros anos de velhice (nos primeiros 50 minutos de filme). A produção fez um trabalho espectacular. Lamentável o filme não ter tido o reconhecimento merecido. Cate Blanchett tem neste filme uma das melhores quatro interpretações da sua carreira, as outras três foram em “O Aviador”, em “Diário de um Escândalo” e recentemente em “Blue Jasmine”. “The Curious Case Of Benjamin Button” tem uma história verdadeiramente apaixonante, embora quase impossivel de ter acontecido. A sério, gostei de praticamente tudo no filme, este filme é mágico, enche-nos de magia e a sétima arte é isso mesmo. As pessoas vão, ficam os filmes. 

True Grit

Nome do Filme : “True Grit”
Titulo Português : “Indomável”
Ano : 2010
Duração : 106 minutos
Género : Western/Aventura
Realização : Ethan Coen/Joel Coen
Elenco : Jeff Bridges (Rooster Cogburn), Hailee Steinfeld (Mattie Ross), Matt Damon (LaBoeuf), Josh Brolin (Tom Chaney), Barry Pepper (Ned), Dakin Matthews (Stonehill), Paul Rae (Emmett Quincy), Domhnall Gleeson (Moon), Roy Lee Jones (Yarnell), Bruce Green (Harold Parmalee).

História : Mattie Ross é uma bonita e corajosa menina de 14 anos de idade cujo pai foi assassinado a sangue frio pelo cobarde Tom Chaney e que está determinada a levá-lo à justiça. Com a ajuda de um conflituoso e alcoólico marshal, Rooster Cogburn, ela prepara-se para caçar o bandido.

Comentário : Não foi somente excelentes filmes independentes que 2010 nos deu, lembro-me perfeitamente que esse ano nos facultou este excelente western realizado pelos fantásticos manos Coen. Claro que o fui ver ao cinema. Na altura adorei este western (um género clássico) e, recentemente, voltei a ver o filme e tive a mesma sensação. É uma obra que conta a história de uma adolescente que vê o pai ser assassinado por um fora da lei e decide fazer justiça pelas próprias mãos, trazendo o malfeitor de regresso à terra onde mora para que ele seja julgado segundo as leis do seu condado. Para isso, terá a ajuda de dois homens bem diferentes, brilhantemente interpretados pelos excelentes atores Jeff Bridges e Matt Damon. Este deve ter sido um filme que deve ter dado muito trabalho às pessoas envolvidas. O que menos gostei neste filme foi das partes cómicas, a pior cena da fita é aquela disputa dos tiros, simplesmente ridicula e desnecessária. 

O grande destaque do filme vai para a na altura estreante Hailee Steinfeld, que com apenas 14 aninhos viu-se nomeada ao oscar de melhor atriz do ano. Confesso que essa nomeação foi bem merecida, a interpretação da jovem é brutal e sem falhas, nos facultando a melhor personagem da fita. E é maravilhoso vê-la de pistola na mão a disparar como gente grande, veja-se a cena perto do final em que ela dispara a caçadeira. Além disso, a química da jovem com o veterano Jeff Bridges está perfeita no filme. O filme prima pelas lindas paisagens, pela fotografia, pelo argumento com poucas falhas, também pelas prestações do elenco de secundários, pelo ambiente de aventura sempre presente, pelos tiroteios, pelas belíssimas cenas filmadas à noite e, a cima de tudo, pela realização dos irmãos que está perfeita. Lamentável foi não ter ganho nenhum oscar dos dez a que o filme estava nomeado. A academia é um poço de injustiças. Penso também que este filme é uma boa razão para a malta jovem aprender a gostar dos westerns, o género cinematográfico que mais sucesso fez no passado da sétima arte. 

Black Venus

Nome do Filme : “Venus Noire”
Titulo Português : “Vénus Negra”
Titulo Inglês : “Black Venus”
Ano : 2010
Duração : 160 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Abdellatif Kechiche
Elenco : Yahima Torres (Sarah Baartman/Saartjie), Andre Jacobs (Hendrick Caezar), Olivier Gourmet (Reaux), Elina Lowensohn (Jeanne), François Marthouret (Georges Cuvier), Michel Gionti (Jean Baptiste Berre), Jonathan Pienaar (Alexander Dunlop), Patrick Albenque (Zachary Macaulay), Natania Van Heerden (Leslie Stanzler).

História : Saartjie deixa a sua terra natal, no sul de África, com o seu dono para expor o seu corpo em espetáculos de aberrações em Londres. Livre e escravizada ao mesmo tempo, a mulher acaba por tornar-se um ícone.

Comentário : Ontem vi este filme quando ele passou nas noites cinematográficas de sábado da RTP2. Nunca o tinha visto e confesso que até simpatizo bastante com o trabalho do realizador Abdellatif Kechiche. Fiquei impressionado com o filme, até mesmo porque desconhecia completamente a história desta mulher, também desconhecia que ela existiu na realidade e que tudo o que vemos na fita aconteceu mais ou menos da forma retratada. É impressionante percebermos que existe gente muito maldosa capaz de viver às custas da desgraça de outros seres humanos. Quase chorei perante o sofrimento da personagem principal, só de imaginar que houve alguém que foi sujeita àquilo até chega a causar arrepios.

O trabalho do realizador é excelente, chega a revoltar em algumas partes. Já sabia que antigamente, existiam pessoas que por serem diferentes, eram exploradas das mais diferentes maneiras, mas chega mesmo a ser revoltante. A cena que mais me impressionou foi aquela sequência morosa em que a senhora é obrigada a deitar-se numa espécie de puff e as pessoas observam as partes íntimas dela, tirando gozo e satisfação de tal exibição, até custa a acreditar que existam pessoas que humilhem assim tanto um ser humano. Duvido que este filme tivesse tido sucesso quando passou nas nossas salas de cinema, aliás, calculo que este filme deve ter tido estreia exclusiva no Cinema King. O final também impressiona, após a morte da senhora, tratam os seus restos mortais como se ela fosse alguém de outro planeta, alguma divindade, quando na realidade, a mulher tinha aquele aspecto fisico, apenas por pertencer a uma tribo africana com aquelas características físicas. Gostei bastante do filme, mas tenho que reconhecer que não é para todos os publicos e muito menos é filme para todas as mentes. 

sábado, 19 de julho de 2014

Winter's Bone

Nome do Filme : “Winter's Bone”
Titulo Português : “Winter's Bone – Despojos De Inverno”
Ano : 2010
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Debra Granik
Elenco : Jennifer Lawrence (Ree), John Hawkes (Teardrop), Isaiah Stone (Sonny), Ashlee Thompson (Ashlee), Valerie Richards (Connie), Shelley Waggener (Sonya), Garret Dillahunt (Baskin), William White (Milton), Lauren Sweetser (Gail), Cody Brown (Floyd), Cinnamon Schultz (Victoria), Casey MacLaren (Megan), Kevin Breznahan (Arthur), Dale Dickey (Merab), Sheryl Lee (April), Tate Taylor (Satterfield), Beth Domann (Alice), Charlotte Jeane Lucas (Tilly).

História : Ree é uma adolescente que vê-se sozinha a cuidar da mãe doente e de um casal de manos menores. Para complicar a situação, ela é avisada que o pai desapareceu, deixando uma dívida que fará com que ela e a sua familia fiquem sem casa para habitar.

Comentário : “Blue Valentine” foi a melhor pérola que o cinema independente me deu em 2010, no entanto, houve outro filme independente que me encheu as medidas. Trata-se deste “Winter's Bone – Despojos De Inverno”. É um poderoso drama com toques de western, passa-se na actualidade, mas é um filme 100% rural. Na minha opinião, a bonita e talentosa Jennifer Lawrence tem neste indie a sua melhor interpretação. John Hawkes também está brutal no filme. A história deste filme é boa e toda a fita está muito realista. Até custa a crer que haja tanta violência de uns familiares para os outros em algumas familias. Nunca vemos o pai de Ree, mas ele é falado a toda a hora, é sentida a sua presença ao longo de quase toda a pelicula, é por causa dele que tudo acontece.

O filme tem sequências muito bonitas, por exemplo, as duas ou três cenas em que Ree ensina os manos pequenos a caçar com armas de fogo, tudo por uma questão de sobrevivência, caso a jovem lhes falte, claramente. Tal como em “Blue Valentine”, em “Winter's Bone – Despojos De Inverno”, a vida apresenta-se bastante dura e violenta para com os protagonistas, embora em escalas diferentes. O filme está filmado de forma brilhante e segue a um ritmo lento, com a camara ao ombro quase sempre colada aos rostos dos nossos personagens. No minuto 60, podemos contar com uma linda sequência filmada a preto e branco. O genérico final é bonito. Adoro filmes que decorrem em ambientes rurais. Um último destaque para a sequência do barco no lago frio a altas horas da madrugada, um verdadeiro murro no estômago. Excelente filme.

Blue Valentine

Nome do Filme : “Blue Valentine”
Titulo Português : “Blue Valentine – Só Tu E Eu”
Ano : 2010
Duração : 110 minutos
Género : Romance/Drama
Realização : Derek Cianfrance
Elenco : Ryan Gosling (Dean), Michelle Williams (Cindy), Faith Wladyka (Frankie).

História : Um rapaz e uma rapariga conhecem-se, passeiam juntos, apaixonam-se, amam-se, vivem juntos, casam-se, partilham uma vida juntos, têm uma filha, enfrentam as primeiras dificuldades, discutem bastante diariamente e, por fim, separam-se e cada um segue a sua vida.

Comentário : Trata-se do melhor filme independente que vi em 2010. Este poderoso filme é a prova que o cinema independente mete o cinema comercial a um canto. Adorei este filme por tudo o que ele me deu e me fez sentir. Se fizesse uma lista com os meus 100 filmes preferidos, este estava lá de certeza. O filme fala das relações humanas, neste caso entre maridos e mulheres, focando o quotidiano de um casal em particular. E o realizador fez esse trabalho na perfeição. Durante pouco mais de hora e meia somos levados numa espécie de visita guiada à vida de um jovem casal desde o momento em que se conhecem num hospital até ao momento da separação e despedida finais. E todo este percurso é feito sem dó nem piedade, sem grandes floriados. Diria mesmo que é quase um martírio a partir de dado momento.

O filme tem uma narrativa não muito certa, deambula entre presente e passado, sempre filmado magistralmente de duas maneiras, ou com planos de camara normal ou com planos com camara portátil estilo camara à mão. Além disso, outro factor que me fez amar este filme é por ter como protagonistas dois dos meus atores de eleição. Ryan Gosling tem em “Blue Valentine” a melhor interpretação da sua carreira, lamentável é ter-se virado para o cinema comercial, afinal, no campo do cinema independente e alternativo ele é rei e senhor. Michelle Williams tem também neste filme a melhor prestação da sua longa carreira, está brutal no papel da bonita Cindy. A química entre o casal funcionou na perfeição seja como atores, seja enquanto personagens.

Estamos perante um filme que mostra como são a maioria das relações na actualidade no mundo ocidental. É cada vez mais comum vermos familias disfuncionais e mães solteiras, em que numa mesma habitação existe uma mulher com filhos, um de cada relação. As relações amorosas já não duram tanto tempo como antigamente, os casamentos vêm com prazo curto de validade. E quem paga a fatura são as crianças. O filme está cheio de cenas belíssimas, não consigo encontrar uma cena que tenha gostado menos, a excelente fotografia também ajudou nesse sentido. Ficam na memória as cenas da discussão no hospital, a cena em que Dean faz sexo oral a Cindy, algumas cenas entre o casal e a filha pequena, mas a cereja no topo do bolo é a última sequência do filme, ainda que dividida em partes, é dificil de se ver, é do mais realista possivel e até dói aquela cena da despedida final entre pai e filha, tão emotiva e ao mesmo tempo tão seca. A vida é muito cruel e injusta, tal como o amor. 

Ken Park

Nome do Filme : “Ken Park”
Titulo Português : “Ken Park – Quem És Tu?”
Ano : 2002
Duração : 96 minutos
Género : Drama/Pornográfico
Realização : Larry Clark/Edward Lachman
Elenco : Adam Chubbuck, James Bullard, Seth Gray, Eddie Daniels, Zara McDowell, Maeve Quinlan, Stephen Jasso, Wade Williams, Tiffany Limos, Julio Mechoso, James Ransone, Patricia Place, Mike Apaletegui, Harrison Young, Ashley Crisp, Shanie Calahan, Chelsey Earlywine, Loranne Maze, Luna.

História : As vidas complicadas de cinco adolescentes.

Comentário : Depois de bons filmes como “Kids” e “Bully”, o realizador fez este filme polémico chamado “Ken Park”. Não me enganei no género colocado na ficha técnica em cima, o filme tem cenas pornográficas, com principal destaque para a sequência de sexo final. É um filme independente, tal como são todos os filmes trazidos por Larry Clark e por Harmony Korine. E são polémicos, pelos assuntos que abordam, quase sempre relacionados ou com a infância ou com a puberdade. Todos os atores são desconhecidos, o que ajudou a dar mais realismo à coisa. O sexo está filmado de forma admirável, veja-se a linda cena inocente entre a menina mulatinha e o seu namorado ou a credível cena de sexo oral que o rapaz atrevido faz à mãe da namorada. Estamos perante um filme amador, quase caseiro, parece que o realizador quis fazer um filme com os vizinhos e filhos desses mesmos vizinhos.

No filme acompanhamos cinco histórias. Temos um rapaz que aparenta estar bem, mas comete suicidio num espaço público repleto de jovens e crianças; temos um jovem menor de idade que satisfaz as fantasias sexuais da mãe da namorada enquanto a filha pequena da mulher vê o que quer na TV (incluindo cenas de mulheres nuas); temos uma menina que é filha de um pai viúvo um bocado atrasado e que está no despertar sexual com o namorado mas as coisas não terminam muito bem para os dois; temos depois um adolescente que está a ser criado pela mãe e por um padrasto que não o suporta e que faz a vida negra ao jovem e, por último, temos um adolescente bastante problemático que está a ser criado pelos avós que, apesar de serem generosos e gostarem imenso dele, são odiados pelo neto e a situação termina em desgraça. Todas estas cinco histórias são pautadas pela polémica e o realizador mostra tudinho sem nos poupar a nada, veja-se por exemplo, a cena em que o último jovem que falei se masturba ao ver e ouvir um simples jogo de ténis. Confesso que gostei deste filme, adoro obras polémicas, embora tenha que dizer que mudava algumas coisas em relação ao rumo dos acontecimentos passados neste filme. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Bethlehem

Nome do Filme : “Bethlehem”
Titulo Português : “Belém”
Ano : 2013
Duração : 94 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Yuval Adler
Elenco : Tsahi Halevi (Razi), Shadi Mar'i (Sanfur), Hitham Omari (Badawi), Michal Shtamler (Einat), Tarik Kopty (Ibrahim), George Iskandar (Nasser), Yossi Eini (Levy), Dudu Niv (Shefler), Ibrahim Saqallah (Tayson), Efrat Shnap (Maya).

História : A relação complexa entre um oficial do serviço secreto israelense e o seu informante palestiniano adolescente.

Comentário : Mais um filme vindo de países complicados a nivel político que nos chega este mês aos nossos cinemas, este vem de Israel. “Bethlehem” não foi tanto do meu agrado quanto “Omar” o foi, mas ainda assim, gostei dos dois. As interpretações são razoáveis e confesso achar bem que existam realizadores com coragem suficiente para fazer este tipo de filmes, que falam e denunciam os seus próprios países. Este “Bethlehem” é mais técnico e mais político do que “Omar” e é um filme que não irá gerar interesse a grande parte do publico que frequenta actualmente as nossas salas de cinema. Pessoalmente, confesso que gosto sempre de conhecer coisas novas e vejo todo o tipo de filmes, evitando apenas as comédias. Resta-me dizer que gostei da fotografia deste filme e lamento não terem arranjado personagens femininas com relevância.

Omar

Nome do Filme : “Omar”
Titulo Português : “Omar”
Ano : 2013
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Hany Abu Assad
Elenco : Adam Bakri (Omar), Leem Lubany (Nadia), Samer Bisharat (Amjad), Iyad Hoorani (Tarek), Rohl Ayadi (Hussam).

História : Omar é um jovem palestiniano que, por amor, está disposto a quase todos os sacrifícios. Para ver a doce Nadia, a namorada, ele trepa o muro de separação que foi construido para demarcar os territórios palestinianos ocupados. Um dia, é preso e espancado por agentes israelitas, por suspeita do homicidio de um deles. Enfrentando a possibilidade de ser sentenciado a uma longa pena de prisão, recebe a proposta de, em alternativa, se converter em agente duplo para os serviços secretos de Israel. Determinado a não obedecer a ordens inimigas, Omar junta-se ao irmão militante da namorada e começa a sua luta pela conquista da liberdade. Mas para isso, terá que enfrentar as possiveis consequências das suas escolhas.

Comentário : Mais uma estreia nos nossos cinemas, desta vez, um filme palestiniano. Confesso que gostei deste filme, para ser sincero, não me interesso muito por aquilo que se passa nestes países que estão sempre em conflito, não consigo entender mesmo. Por isso, apenas vou falar do aspecto cinematográfico. “Omar” é um filme cujo titulo é o nome da personagem do protagonista, um jovem que vive um quotidiano muito turbulento, sempre a meter-se em confusões. A sequência de abertura é curiosa, mostra Omar a trepar um enorme muro através de uma grande corda e por pouco, não leva um tiro. De facto, a vida do nosso jovem protagonista está em risco durante todo o filme. O filme está muito bem filmado e tem partes que gostei bastante, por exemplo, adorei a forma que Omar arranjou para detetar a vinda de alguém (a planta presa ao portão) ou ainda a melhor cena do filme que decorre no gabinete do oficial da policia, que envolve este e Omar, tudo muito emocionante. O twist da situação da namorada de Omar também está divinal, embora não tivesse achado muito bem. Por último, tenho que frisar uma cena que me deixou boquiaberto. Ao minuto 40 de filme, surge num plano inferior um enorme cartaz mostrando duas meninas pequenas a plantar uma planta e está escrita a seguinte frase : “Planting Hope”, bastante curioso este cartaz num país onde aquilo que mais se verifica é a violência e a intolerância. Gostei do filme, embora tenha detestado o final.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ida

Nome do Filme : “Ida”
Titulo Português : “Ida”
Ano : 2013
Duração : 81 minutos
Género : Drama
Realização : Pawel Pawlikowski
Elenco : Agata Trzebuchowska (Anna/Ida), Agata Kulesza (Wanda), Halina Skoczynska (Mother Superior), Joanna Kulig (singer), Dorota Kuduk (Kaska), Natalia Lagiewczyk (Bronia), Afrodyta Weselak (Marysia), Dawid Ogrodnik (Lis).

História : Polónia, 1962. Com somente 18 aninhos, Anna está decidida a fazer-se freira no convento onde foi acolhida na infância, após a morte dos pais. Antes que tudo se torne definitivo, e apesar de reconhecer a sua inegável fé e dedicação, a madre superiora aconselha-a a sair do convento e procurar Wanda, irmã da sua falecida mãe, que é também a única sobrevivente da família. Quando a conhece, a miúda fica a saber que o seu verdadeiro nome é Ida e que os seus progenitores foram vítimas do extermínio nazi. Determinadas a enfrentar o passado e perceber o que se passou, as duas mulheres partem juntas em direcção à aldeia onde nasceram. Nesse lugar, a jovem Anna (Ida) terá que escolher entre a sua origem judia e a religião cristã que a salvou da morte. Por seu turno, Wanda terá que tentar sarar as feridas provocadas por difíceis decisões que teve de tomar em relação a uma causa superior à sua própria familia.

Comentário : Depois de bons filmes como “Last Resort” e “My Summer Of Love”, o realizador Pawel Pawlikowski aparece com um filme detentor de uma qualidade bastante superior à existente nas suas anteriores obras. Lamentável é o facto do filme em questão (Ida) estar em exibição no nosso país em apenas uma única sala (UCI no El Corte Ingles em Lisboa). Para quem tiver possibilidade de se deslocar às ditas salas de cinemas (as melhores do nosso país), garanto que não vão lamentar o tempo e dinheiro dispensados. “Ida” é a melhor estreia cinematográfica desta semana. Na verdade, quem assistir a esta fita, tem uma boa experiência cinematográfica. Uma excelente e nítida fotografia a preto e branco, um argumento poderoso e sem falhas, um ritmo lento mas nunca aborrecido, uma realização impecável, imagens e planos de camara deslumbrantes e, finalmente, duas excelentes interpretações a cargo de Agata Kulesza e de Agata Trzebuchowska. Esta última é uma linda mulher. A jovem é linda como mulher, é linda como atriz, é linda como freira, é linda como miúda, enfim, a natureza foi mesmo muito generosa para com Agata Trzebuchowska, em alguns planos, parece mesmo uma santinha. O filme soma pontos também por abordar temas bastante delicados, como o extermínio dos judeus levado a cabo pelos nazis. Sinceramente, amei este pequeno filme polaco, enfim, mais um excelente filme que vi este ano.

Abraços Cinéfilos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Night Moves

Nome do Filme : “Night Moves”
Titulo Português : “Night Moves”
Ano : 2013
Duração : 115 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Kelly Reichardt
Elenco : Jesse Eisenberg (Josh), Dakota Fanning (Dena), Peter Sarsgaard (Harmon).

História : Josh é um jovem e inteligente ambientalista determinado a salvar o planeta de todos os excessos do capitalismo moderno. Com uma visão fria e calculista da vida, ele considera que, para alguns efeitos, os fins podem justificar os meios. Dena é uma menina de famílias abastadas que despreza o meio onde nasceu e sempre viveu. Decidida a mudar o mundo, corta os laços com o passado e embrenha-se no radicalismo. Harmon, por seu lado, é um homem que, apesar da idade, ainda anseia por aventura e destruição. Os três elaboram um plano para demolirem uma barragem de grandes dimensões.

Comentário : Hoje fui ao cinema ver este filme independente e gostei. Este é o quinto filme da realizadora Kelly Reichardt, confesso que já vi os três anteriores e também gostei deles. Tal como nos outros filmes da realizadora, também este segue a um ritmo bastante lento, factor que gosto bastante no cinema independente. Assim à partida, podem pensar que o filme tem mensagens ecológicas, eu não encontrei nenhuma ao longo das quase duas horas de duração. Apesar de falar disso, o filme nada tem de ecológico, é apenas uma fita que mostra a fixação de três pessoas em deitar a baixo uma enorme barragem, sem medir as consequências. Jesse Eisenberg tem aqui uma poderosa interpretação, muito diferente do tipo de filmes a que estamos habituados a vê-lo. Peter Sarsgaard está igual a si próprio, mas também fez um bom trabalho interpretativo. Dakota Fanning está excelente no papel de Dena, de boas interpretações está o seu repertório cheio. 70% do filme passa-se à noite ou em ambientes escuros, a fotografia nesses casos não está nas perfeitas condições. Escusado será dizer que a atitude dos três abarca consequências muito negativas, principalmente para a jovem Dena. No caso deste filme, é lamentável ter acabado em aberto. Não é um filme para todos os públicos.

Under The Skin

Nome do Filme : “Under The Skin”
Titulo Português : “Debaixo Da Pele”
Ano : 2013
Duração : 108 minutos
Género : Ficção-Científica/Thriller
Realização : Jonathan Glazer
Elenco : Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams, Lynsey Taylor Mackay, Dougie McConnell, Kevin McAlinden, Andrew Gorman, Joe Szula, Krystof Hadek, Roy Armstrong, Alison Chand, Ben Mills, Oscar Mills, Lee Fanning, Paul Brannigan, Marius Bincu, Scott Dymond, Stephen Horn, Adam Pearson, May Mewes, Michael Moreland, Gerry Goodfellow, Dave Acton, Jessica Mance, Jerome Boyle, Robert Goodwin, Antonia Campbell Hughes.

História : Uma estranha criatura com aparência humana vagueia pela Terra e dedica o seu tempo a abordar homens, uns para matar e outros para compreender.

Comentário : Apesar de ser um dos filmes mais estranhos que já vi, esperava que fosse ainda mais alternativo. Mas não deixa de ser um filme bastante interessante, com traços de Lynch e Kubrick. Scarlett Johansson tem com este filme uma das melhores interpretações da sua carreira, carrega o filme todinho às costas. Ela desempenha uma criatura que seduz os homens e leva-os para as suas instalações, onde faz com que eles entrem numa espécie de liquido viscoso, onde acabam por ficar presos e morrer. Ela é um ser de outro planeta que adotou a aparência de uma sensual mulher. O filme não dá qualquer tipo de respostas e nada explica, apenas se limita a mostrar aquilo que o realizador pretende. Na realidade, não é o filme indicado para todos aqueles que gostam de tudo muito bem explicado. A banda sonora também é sinistra em algumas partes e a fotografia é muito boa. Detestei o final do filme. “Under The Skin” é um filme único e estranho, mas devido ao falatório que provocou, esperava algo bem mais alternativo. Nessa onda, “Holy Motors” é bem mais alternativo.

sábado, 12 de julho de 2014

Wolfy

Nome do Filme : “Bojiyok”
Titulo Alternativo : “Volchok”
Titulo Inglês : “Wolfy”
Ano : 2009
Duração : 87 minutos
Género : Drama
Realização : Vasiliy Sigarev
Elenco : Polina Pluchek, Yana Troyanova, Veronika Lysakova.

História : Existem duas delas : uma mãe e uma filha pequena. A mãe foge da filha na tentativa de começar uma nova vida, e a menina corre atrás da sua mãe, não tem ideia como viver sem ela. As duas andam sempre numa espécie de corrida, semelhante ao primeiro brinquedo a sério da pequena. Mas um dia, essa corrida vai terminar para uma delas.

Comentário : O cinema russo raramente foi e é consensual e este pequeno filme alternativo é mais uma prova disso. Vi este filme e adorei, trata-se de mais uma surpresa deste ano, embora o filme seja datado de 2009. O filme está muito bem realizado, tem excelentes planos de camara e está filmado de forma bastante apelativa, veja-se aquele plano arrastado quando a camara se afasta lentamente das duas quando estas estão na cama. Temos também excelentes interpretações, claramente que o destaque vai todo para a pequena Polina Pluchek que tem a melhor prestação da fita, em alguns takes, pareceu-me estar a ver Klara Castanho devido às semelhanças que a pequena russa tem com a atriz brasileira. A personagem da pequena Polina é a de uma menina problemática, solitária e com tendências criminosas, para além de esconder um segredo. A relação da pequena com os animais é assustadora, bem como algumas das suas ações o são. A fotografia do filme é outro dos grandes pontos positivos do filme, sinceramente, não encontrei nada de negativo no filme, só se for a curta duração. Um último apontamento, o brinquedo ou totem da menina não vos fez lembrar um dos melhores filmes de Christopher Nolan ?. Para mim, este “Wolfy” é mais uma das grandes surpresas deste ano.

Abraços Cinéfilos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Touch Of Sin

Nome do Filme : “Tian Zhu Ding”
Titulo Português : “China – Um Toque de Pecado”
Titulo Inglês : “A Touch Of Sin”
Ano : 2013
Duração : 130 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Zhangke Jia
Elenco : Wu Jiang (Dahai), Lanshan Luo (Xiao Hui), Li Meng (Li), Baoqiang Wang (Zhou San), Tao Zhao (Xiao Yu).

História : Um mineiro revoltado luta contra a corrupção dos líderes da sua aldeia. Um homem regressa a casa na véspera de ano novo e descobre as maravilhas de uma arma de fogo. Uma bela recepcionista de uma sauna é levada ao limite quando é assediada por um cliente rico. Um jovem trabalhador fabril salta de trabalho em trabalho em busca de uma vida melhor.

Comentário : Ontem vi este filme vindo diretamente da China e confesso que gostei, é uma obra bastante curiosa. Tratam-se de quatro histórias pautadas pela tragédia. Gostei mais da primeira história e da terceira história. A quarta é razoável enquanto que a segunda trama é fraca. O Cinema Nimas começou a passar um ciclo especial de cinema com filmes que eles entendem como sendo os melhores que estrearam nas nossas salas nos últimos meses, esse ciclo teve inicio no passado dia 3 deste mês e vai até ao dia 23 do mesmo mês. Este “China – Um Toque de Pecado” é um dos filmes que faz parte desse ciclo. Pessoalmente, não concordo com alguns filmes que fazem parte desse ciclo, ainda que a maioria das fitas que o compõem sejam filmes muito bons. Quanto a este “China – Um Toque de Pecado”, é um bom filme com boas interpretações, mas que passa uma má imagem da China enquanto país, a sensação com que se fica é que aquele povo não é lá muito evoluído a nivel mental. De destacar a segunda cena do filme em que um homem anda na sua mota numa estrada e é abordado por três homens que o assaltam. A vítima saca de uma pistola e mata ali mesmo os três ladrões, brutal, lamentável que na vida real não se possa fazer o mesmo aos criminosos. Agora deixo-vos com uma novidade deste site : a partir de hoje, não voltarei a colocar a minha classificação ao filme, é simplesmente uma nova regra, que me parece bastante justa.

Abraços Cinéfilos.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Afterschool

Nome do Filme : “Afterschool”
Titulo Português : “Afterschool – Depois Das Aulas”
Ano : 2008
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Antonio Campos
Elenco : Ezra Miller (Robert), Addison Timlin (Amy), Jeremy Allen White (Dave), Emory Cohen (Trevor), Michael Stuhlbarg (Burke), Gary Wilmes (Virgil), Alexandra Neil (Gloria), Mark Zeisler (Tom), Byrdie Bell (Cherry Dee), Mary Michelson (Mary Talbert), Carly Michelson (Anne Talbert).

História : Robert, aluno numa das melhores escolas americanas, filma por acidente a morte de duas colegas. As suas vidas tornam-se no assunto de um projeto audiovisual concebido pela direção da escola para acelerar o luto coletivo. Mas este projeto cria uma atmosfera de paranóia e mau clima entre alunos e professores.

Comentário : Este é o primeiro filme que venho comentar neste novo mês. Lembro-me que fui ao cinema ver este filme na altura e que tinha gostado bastante dele. Mais uma vez, voltei a ver o filme e voltei a gostar bastante dele. É um filme independente com alguns planos filmados com camara portátil, alguns desses planos são muito bons. O jovem ator principal deste filme é o mesmo de grandes filmes como “Temos Que Falar Sobre Kevin” e “As Vantagens de Ser Invisivel”. O filme é basicamente composto por alunos e professores, todos os atores e atrizes que lhes dão vida fizeram muito bem o seu trabalho. As primeiras imagens do filme são preocupantes, põe-nos a pensar sobre para onde caminham os jovens de hoje. Esta é a geração do YouTube, das camaras portáteis, dos ipods e dos tlms. É uma geração livre demais e ao mesmo tempo, presa às limitações daquilo que parece mal e daquilo que fica bem. Curiosamente, penso que a droga que vitimou as miúdas gémeas veio mesmo dentro da própria escola e não do exterior, como o diretor do colégio faz questão de dar a entender. A cena de porrada entre Robert e o amigo é a prova disso. Para mim, este filme é muito bom e põe quem o vê a pensar.

Classificação do filme : 4.