quinta-feira, 26 de junho de 2014

Locke

Nome do Filme : “Locke”
Titulo Português : “Locke”
Ano : 2013
Duração : 80 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Steven Knight
Produção : Joe Wright
Elenco : Tom Hardy (Ivan Locke), Olivia Colman (Bethan), Ruth Wilson (Katrina), Alice Lowe (Margaret), Andrew Scott (Donal), Ben Daniels (Gareth), Tom Holland (Eddie), Bill Milner (Sean), Danny Webb (Cassidy).

História : Ivan Locke trabalhou arduamente para conseguir a vida que ambicionava, dedicando-se ao trabalho que gosta e à familia que ama mais que tudo. Na véspera do maior desafio da sua carreira, Ivan recebe um telefonema que desencadeia uma série de eventos que irão por em causa a sua familia, o emprego e a sua alma.

Comentário : Hoje fui ao cinema ver este filme e optei por vê-lo numas salas a que nunca tinha ido (as novas salas do Espaço Saldanha Residence). Gostei bastante do filme e gostei bastante de ter lá ido, porque a sala está equipada com um sistema de som e imagem muito melhores do que as salas convencionais, tive uma boa experiência. Além disso, o preço dos bilhetes nestas salas é bastante aliciante, apenas quatro euros. Já para não falar do facto desta firma exibir pouca publicidade antes do filme. Adorei aquela curtíssima metragem de animação que iniciou a projeção. Passando agora ao filme.

Gostei bastante deste pequeno filme que julgo tratar-se de um filme independente. Trata-se de um verdadeiro “One Man Show” por parte de Tom Hardy, sim, ele é o único ator que aparece durante os quase oitenta minutos de imagens e num único cenário (o carro). Os outros intervenientes são apenas vozes que se ouvem do outro lado da linha telefónica. Acreditem que vale bem apena ver este pequeno filme, apesar de ser muito parado, quem o vê fica sempre tentado a ver o que se vai passar na cena seguinte. É um bom thriller com umas pitadinhas de drama, tudo muito bem mexido e servido. A única coisa que não gostei no filme foi aquelas cenas escusadas em que o protagonista “falava” com o falecido pai, o realizador podia ter arranjado outra forma de mostra a quem vê a fita que o pai de Ivan foi um péssimo progenitor para ele. O protagonista começa o filme de uma forma e o termina de uma maneira oposta, é como se o homem que entrou no carro não fosse o mesmo que saiu, hora e meia de condução depois. O filme está filmado quase em tempo real, numa filmagem perfeita. Muito bom.  

Ilo Ilo

Nome do Filme : “Ilo Ilo”
Titulo Português : “Ilo Ilo”
Ano : 2013
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Anthony Chen
Elenco : Yann Yann Yeo (Hwee Leng), Tian Wen Chen (Teck), Angeli Bayani (Terry), Jialer Koh (Jialer), Naomi Toh (Mrs. Ong).

História : A relação de uma familia com a sua nova empregada. Como muitas filipinas, Terry chegou a Singapura à procura de uma vida melhor. Mas a sua presença piora a já tensa relação entre os vários membros da familia. É o filho pequeno do casal que acaba por criar laços com Terry, que por fim se torna parte da familia.

Comentário : Primeiro filme que vi hoje. Gostei bastante deste “Ilo Ilo”, é um filme originário da Singapura, penso que nunca vi um filme deste país. As interpretações são muito boas, nomeadamente do pequeno ator que desempenhou o papel do filho do casal. O filme aborda as relações entre uma familia problemática e uma empregada, bem como a crise financeira. Muito bem filmada, é uma fita sobre as relações humanas e o quanto complicadas elas podem ser. A realização é excelente e o argumento consistente. Algumas cenas são desnecessárias, outras são deliciosas, a cena do miudo com o cigarro é possivelmente a melhor. A relação de empatia que nasce entre o menino e a empregada é o melhor do filme. Descobri alguns erros, mas ainda assim, o balanço é bastante positivo. No final, fica uma sensação de nostalgia. As cenas do parto passadas no hospital que abrem caminho aos créditos finais eram dispensáveis. O filme apenas estreia no nosso país, em principio, no mês que vem. Tive sorte e já o vi, recomendo.

Classificação do filme : 3.

domingo, 22 de junho de 2014

The Fault In Our Stars

Nome do Filme : “The Fault In Our Stars”
Titulo Português : “A Culpa É Das Estrelas”
Ano : 2014
Duração : 124 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Josh Boone
Elenco : Shailene Woodley (Hazel Grace Lancaster), Laura Dern (Frannie), Ansel Elgort (Augustus), Willem Dafoe (Peter Van Houten), Nat Wolff (Isaac), Sam Trammell (Michael), Lotte Verbeek (Lidewij), Emily Peachey (Monica).

História : Hazel e Augustus são dois adolescentes com cancro que se conhecem e se apaixonam numa terapia de grupo. A partir desse dia, os dois tornam-se grandes amigos e namorados e passam a partilhar quase todas as vivências juntos. Apesar de terem uma visão do mundo bastante diferente, ambos vão tentar aproveitar ao máximo todo o tempo para estarem um com o outro.

Comentário : Mais uma grande estreia desta semana nos nossos cinemas, ainda que eu não partilhe do mesmo entusiasmo sobre este filme, vi-o e confesso que já vi filmes que abordam doenças terminais bem melhores que este (“My Sister's Keeper”, “Camino” ou “50/50”). A única interpretação que gostei neste filme foi a de Shailene Woodley, detestei as prestações de Ansel Elgort, Laura Dern e de Willem Dafoe. Confesso também que não li o livro, por isso não posso fazer quaisquer tipo de comparação. O filme tem algumas cenas que penso que podiam ter tirado, na minha opinião, não me importava de ter visto um filme mais lamechas, mas que tivesse uma carga dramática bem mais forte. A realização é cuidada e o argumento segue a um bom nivel, mas não posso compará-lo ao livro, confesso que não sou muito dado à literatura. Sei que este filme está a ser um enorme sucesso por onde tem passado, pessoalmente, gostei do filme, mas esperava algo mais triste, dramático e cruel. A temática assim o exigia. Actualmente, são raros os filmes que nos cansam psicológicamente, que nos colocam em baixo e este não é um deles. Apesar das cenas finais serem as melhores do filme inteiro, o balanço final mostra-nos que estamos perante um bom filme que aborda bem o que é a vida de uma pessoa com uma doença oncológica. Gostei, mas esperava muito mais.

Classificação do filme : 3.

sábado, 21 de junho de 2014

Tom At The Farm

Nome do Filme : “Tom À La Ferme”
Titulo Português : “Tom Na Quinta”
Titulo Inglês : “Tom At The Farm”
Ano : 2013
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Xavier Dolan
Produção : Xavier Dolan
Elenco : Xavier Dolan (Tom), Lise Roy (Agathe), Pierre Yves Cardinal (Francis), Evelyne Brochu (Sarah).

História : Um jovem faz uma longa viagem até uma localidade rural com a intenção de ir ao funeral do companheiro que morreu, vitima de um acidente de automóvel. Mas se a simpatia da mãe do companheiro advém da sua ignorância, que faz de Tom apenas um amigo, o irmão do falecido, machista e homofóbico, começa a questionar a sua presença, tornando-se uma ameaça e uma grande tensão entre eles.

Comentário : Uma vez comentei neste espaço o segundo filme deste jovem realizador e na altura confessei que não tinha interesse em ver o seu primeiro trabalho. Mudei a minha opinião, afirmando assim que tenho imenso interesse em descobrir o filme que deu a Xavier Dolan o estatuto de realizador. Tenho que dizer que ainda não consegui ver o seu terceiro filme. No entanto, hoje vi este seu quarto filme que, confesso ter gostado bastante. Xavier Dolan é uma espécie de menino prodígio do seu pais, com apenas vinte e cinco anos de idade, já realizou cinco filmes e recebera imensos prémios por eles. O seu quinto filme (Mommy) ainda nem estreou dentro do circuito cinematográfico e já é considerado por quem o viu como sendo o melhor registo do jovem director.

“Tom À La Ferme” é um filme algo claustrofóbico, em dada altura, temos a sensação que não podemos fugir dali para lado nenhum, até o carro do nosso protagonista foi inutilizado pelo irmão do namorado. O Tom do título é um jovem bem parecido que viaja até à localidade rural onde reside a familia do seu namorado recentemente falecido numa tragédia. Sim, Tom é gay e a mãe do seu companheiro desconhece que o filho mais novo tinha essa orientação sexual. Depois entra em cena o irmão do amante de Tom, um homem rude e bruto que quer impedir a todo o custo que a mãe apanhe mais uma desilusão, ainda que ele mesmo dê provas de odiar a mãe, um dos maiores desejos de Francis é que a mãe desapareça da sua vida. Assim, Pierre Yves Cardinal possui a melhor interpretação do filme e até o próprio Dolan está impecável. A melhor cena do filme, curiosamente, acontece num campo de milho e mostra a violência. Gostei de quase tudo no filme, menos do final do mesmo. Chega-se ao final da hora e meia e, ficamos na mesma.

Classificação do filme : 4.

domingo, 15 de junho de 2014

12 Years A Slave

Nome do Filme : “12 Years A Slave”
Titulo Português : “12 Anos Escravo”
Titulo Alternativo : “Twelve Years A Slave”
Ano : 2013
Duração : 130 minutos
Género : Drama/Biográfico/Histórico
Realização : Steve McQueen
Produção : Brad Pitt/Steve McQueen
Elenco : Chiwetel Ejiofor (Solomon Northup/Platt), Kelsey Scott (Anne Northup), Quvenzhane Wallis (Margaret Northup), Cameron Zeigler (Alonzo Northup), Lupita Nyong'o (Patsey), Nicole Collins (Rachel), Benedict Cumberbatch (Ford), Michael Fassbender (Edwin Epps), Sarah Paulson (Mistress Epps), Paul Dano (Tibeats), Paul Giamatti (Freeman), Liza Bennett (Mistress Ford), Brad Pitt (Bass).

História : Solomon Northup é um homem negro livre que é enganado e vendido como escravo. Nas plantações para onde é enviado, tenta sobreviver e ao mesmo tempo arranjar uma maneira de poder recuperar a sua liberdade.

Comentário : Hoje resolvi recordar aquele que muita gente considera como sendo o melhor filme de 2013, até ganhou o óscar nessa categoria. Para mim, o filme também é excelente, mas a minha escolha para melhor filme do ano passado já foi aqui escrita. Steve McQueen já havia realizado dois filmes que eu adorei - “Hunger” e “Shame”. Desta vez, surge munido de um orçamento bem mais elevado e com um filme que não sendo comercial, assim o parece. Trata-se de um filme baseado numa história verídica, pessoalmente, nunca tinha ouvido falar de Solomon Northup, adorei ter ficado a par da história deste homem. Brad Pitt produziu o filme e até tem uma curta participação nele. Chiwetel Ejiofor, Lupita Nyong'o e Michael Fassbender foram os que tiveram as melhores interpretações do filme, são como uma espécie de alicerces da obra em questão. O filme aborda uma das situações mais negras da história da humanidade – a escravatura.

Michael Fassbender é uma espécie de ator fetiche de Steve McQueen, entrou nos melhores filmes do realizador. Tal como Ryan Gosling, é um ator que se iniciou no cinema independente. Lupita Nyong'o foi uma agradável surpresa. O filme peca porque mostra muito pouco da vida de Solomon Northup, antes da captura. E depois volta a pecar porque, no final, não mostra como foi a adaptação dele à vida que tinha. No entanto, o filme é brilhante a quase todos os níveis : um perfeito guarda-roupa, um argumento adaptado bastante fiel à história, recriação de época eximia, excelentes interpretações, uma boa banda sonora, boa fotografia, excelentes planos de camara, boa realização (ter perdido para Alfonso Cuaron foi injusto), mas a cima de tudo, é daqueles raros filmes que nos faz sentir aquilo que vemos. Pessoalmente, pensei que o filme fosse ainda mais violento. No entanto, aquela cena perto do final em que Patsey é chicoteada é angustiante e mostra uma situação que chegou mesmo a acontecer naquela época. E o que dizer daquela cena do quase enforcamento de Solomon. Para mim, “12 Years A Slave” é um excelente filme, mas calculo que cairá facilmente no esquecimento do público em geral. Para os cinéfilos a sério, ficará para sempre na memória.

Classificação do filme : 5.

Inland Empire

Nome do Filme : “Inland Empire”
Titulo Português : “Inland Empire”
Ano : 2006
Duração : 175 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : David Lynch
Produção : David Lynch
Elenco : Laura Dern (Nikki Grace/Susan Blue), Jeremy Irons (Kingsley Stewart), Justin Theroux (Devon Berk/Billy Side), Grace Zabriskie (Visitor 1), Ian Abercrombie (Henry), Karolina Gruszka (Lost Girl), Bellina Logan (Linda), Amanda Foreman (Tracy), Harry Dean Stanton (Freddie Howard), Emily Stofle (Lanni), Jordan Ladd (Terri), Kristen Kerr (Lori), Terryn Westbrook (Chelsi), Jamie Eifert (Sandi), Kathryn Turner (Dori), Michelle Renea (Kari), Mikhaila Aaseng (Tammi), Mary Steenburgen (Visitor 2), Charlene Harding (Roxi), Suzete Belouin (Mandi), Nastassja Kinski (The Lady), Julia Ormond (Doris Side), Laura Harring (Jane Rabbit).

História : Uma atriz é contratada para desempenhar o papel de uma mulher no novo filme de um realizador, filme esse que é na realidade, um remake de um outro filme cujos protagonistas faleceram durante as gravações. Aos poucos, a atriz contratada envolve-se com o ator principal do filme e inicia-se uma trama em que a realidade e a ficção se misturam.

Comentário : Os filmes de David Lynch são mesmo assim, ou se gosta ou se detesta. Eu gosto de alguns, talvez não aprecie os seus primeiros filmes, tipo o “Eraserhead”, um filme que detestei. Mas a seguir a esse estranho filme, este “Inland Empire” é o seu filme mais estranho. O filme praticamente não tem narrativa e eu confesso que me perdi lá pelo meio. Não é um filme fácil, tal como quase todos os filmes de Lynch. É um filme que não é para grande parte do publico. Houve até quem alegasse que “Inland Empire” era um filme apenas direcionado aos chamados intelectuais, devido à complexidade da obra. Muito sinceramente, não percebi grande coisa do que vi neste filme, raramente conseguia distinguir o que era a realidade daquilo que eram as filmagens do tal filme. Laura Dern é o principal foco do filme, está excelente, obtendo assim a melhor interpretação da fita. O filme está filmado de forma bastante peculiar, possui angulos de camara muito estranhos e bizarros. O filme demora quase três horas, talvez isso tenha sido um erro do realizador, duas horas bastavam, quero com isto dizer que algumas cenas não estão lá a fazer nada. Aquelas imagens que acompanham o genérico final são ridiculas. “Inland Empire” é daqueles filmes que, embora não sabendo, arriscaria a afirmar que deve ter estado em exibição no Cinema King, na altura em que estreou. Se tivesse em salas comerciais, nem uma semana lá se aguentaria.

Classificação do filme : 3.

sábado, 14 de junho de 2014

I Am Love

Nome do Filme : “Io Sono L'Amore”
Titulo Português : “Eu Sou O Amor”
Titulo Inglês : “I Am Love”
Ano : 2009
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Luca Guadagnino
Elenco : Tilda Swinton (Emma Recchi), Alba Caterina Rohrwacher (Elisabetta Recchi), Flavio Parenti (Edoardo Recchi Junior), Pippo Delbono (Tancredi Recchi), Mattia Zaccaro (Gianluca Recchi), Marisa Berenson (Allegra Recchi), Gabriele Ferzetti (Edoardo Recchi), Edoardo Gabbriellini (Antonio), Maria Paiato (Ida), Diane Fleri (Eva Ugolini), Waris Ahluwalia (Shai Kubelkian), Ginevra Notarbartolo (Rachele Piermarini), Giangaleazzo Visconti Di Modrone (Andrea Tavecchia), Liliana Flores (Liliana Macedo).

História : Cansada da vida que leva à mais de 20 anos, uma mulher casada apaixona-se por um rapaz que tem idade para ser seu filho e decide viver esse amor, mesmo que essa decisão traga consigo uma grande desgraça.

Comentário : Ontem vi este filme italiano e confesso que gostei, gosto bastante de cinema italiano. Creio que já havia dito que não gostava muito da atriz Tilda Swinton, mas tenho também que confessar que foram mais as vezes que gostei das interpretações dela do que das vezes que não gostei, deve ser uma espécie de embirração pessoal com ela. Neste filme, Tilda Swinton está brutal, possivelmente o melhor papel da sua carreira. Recordo que à pouco tempo vi o seu mais recente filme, “Only Lovers Left Alive”, de que gostei bastante. O restante elenco está de parabéns com destaque para a jovem Alba Caterina Rohrwacher e para o muito competente Edoardo Gabbriellini. Perdi este filme no cinema quando ele estreou nas nossas salas de cinema e lamento essa perda, mas nunca é tarde para descobrirmos um bom filme. No fundo, o filme aborda uma parte da história de uma família (os Recchi) e depois assombra-nos com o nascer de um amor quase impossivel, ainda que o final mostre o contrário. Um último reparo, aquela cena antes dos créditos finais deixou-me a pensar, e muito.

Classificação do filme : 3.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Home

Nome do Filme : “Home”
Titulo Português : “Lar Doce Lar”
Ano : 2008
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Ursula Meier
Elenco : Isabelle Huppert (Marthe), Olivier Gourmet (Michel), Adelaide Leroux (Judith), Madeleine Budd (Marion), Kacey Mottet Klein (Julien).

História : Uma auto-estrada abandonada estende-se ao longo do horizonte bem à margem de uma quinta desértica, sossegada. Há vários anos construída, a auto-estrada mantém-se inactiva e degrada-se lentamente. Mas à beira do asfalto, vê-se uma casa isolada que alberga uma familia. À chegada do verão, a construção é retomada. Anuncia-se a abertura da auto-estrada à circulação de viaturas.

Comentário : Não vi este filme no cinema mas vi-o na noite passada. Confesso que nunca tinha visto uma história destas em filme e fiquei surpreendido. O filme é realizado por uma mulher, foi com este filme que Ursula Meier teve a sua estreia na realização de longas metragens. E saíu-se muito bem, estamos perante um bom filme. Isabelle Huppert é uma das melhores atrizes do cinema europeu e está impecável neste filme, que interpretação brilhante. A história é dramática, mas sem lamechices. Depois de vermos o filme, podemos quase detetar a existência de dois filmes dentro do mesmo filme. Ou seja, temos uma primeira parte que se passa quase sempre no exterior e uma segunda parte que decorre quase sempre dentro de casa. Todos os atores que desempenham os membros da familia interpretaram muito bem os seus papéis. Durante a segunda parte do filme, parece que temos a sensação de sufoco. Sinceramente, não sei se ia aguentar morar numa casa à beira de uma auto-estrada, o barulho e a poluição deve acabar com qualquer um. Penso que este filme não foi reconhecido como devia, para mim, foi uma surpresa.

Classificação do filme : 3.

Far

Nome do Filme : “Longe”
Titulo Português : “Loin”
Titulo Inglês : “Far”
Ano : 2001
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : André Techine
Elenco : Stephane Rideau (Serge), Lubna Azabal (Sarah), Yasmina Reza (Emily), Mohamed Hamaidi (Said), Jack Taylor (James), Gael Morel (François), Rachida Brakni (Nezha), Zakariya Ennail (Nabil), Nabila Baraka (Farida).

História : Um camionista tenta resolver alguns problemas da sua vida, em especial a sua relação amorosa com uma antiga namorada.

Comentário : Li na ficha técnica que este filme era francês, mas a verdade é que os personagens falavam algumas linguas. Mas sei que é mesmo um filme francês devido ao realizador. O filme é muito parado e o argumento é pouco original. As interpretações são muito boas. Calculo que seja um filme de baixo orçamento. O filme aborda temas como o amor, a clandestinidade, o tráfico de droga e as diferentes culturas. Lubna Azabal é uma mulher muito bonita e teve a melhor interpretação do filme. Talvez tirasse ao filme algumas cenas, para a história que pretende contar, o filme é muito longo. Quanto ao final, tudo acabou bem. Mais um bom exemplar do cinema europeu.

Classificação do filme : 3.

Pieta

Nome do Filme : “Pieta”
Titulo Português : “Pieta”
Ano : 2012
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Ki Duk Kim
Elenco : Min Soo Jo (Mi Son), Jung Jin Lee (Gang Do), Ki Hong Woo (Hoon Chul).

História : Um cobrador arranja uma forma muito cruel para os devedores pagarem as suas dívidas. A sua vida piora quando lhe surge em casa uma mulher que afirma ser sua mãe.

Comentário : Este filme tem uma boa fotografia e boas interpretações, mas confesso que não percebi grande parte daquilo que vi. Apenas percebi que havia um homem que deixava as pessoas inválidas, caso elas não pagassem o que deviam e que esse homem recebeu em casa a visita de uma mãe que ele nunca conheceu. Li algures que o filme era muito violento, sinceramente, não vi violência nenhuma, apenas cenas que sugeriam a violência, mas nada se via. Se alguém percebeu o filme, principalmente o final, agradecia que me contasse. 

Classificação do filme : 2. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Maleficent

Nome do Filme : “Maleficent”
Titulo Português : “Maléfica”
Ano : 2014
Duração : 100 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Drama
Realização : Robert Stromberg
Produção : Angelina Jolie
Elenco : Angelina Jolie (Maleficent), Elle Fanning (Princess Aurora), Sharlto Copley (Stefan), Lesley Manville (Flittle), Imelda Staunton (Knotgrass), Juno Temple (Thistletwit), Sam Riley (Diaval), Kenneth Cranham (King Henry), Hannah New (Leila), Brenton Thwaites (Prince Phillip), Isobelle Molloy (young Maleficent), Vivienne Jolie Pitt/Eleanor Worthington Cox (young Princess Aurora).

História : Antes do seu futuro sombrio e perturbado, a fada Maléfica era uma menina muito bonita e bondosa, um ser humilde e sempre pronta a ajudar quem precisasse, assim cresceu num reino mágico e pacífico na grande e densa floresta. Essa paz é quebrada com a chegada de um exército de homens que invade e ameaça a harmonia do território. Traída pelos humanos, Maléfica lança uma maldição à filha recém-nascida do Rei e somente anos depois, a fada do mal se apercebe que cometeu um erro, porque a princesa poderá ser a salvação do seu reino mágico.

Comentário : Fui ver este filme ao cinema e tenho que confessar que gostei bastante. Afirmo que não sou grande adepto do tipo de cinema que a Disney produz, embora prefira largamente o cinema de imagem real ao cinema de animação. Este filme é uma espécie de adaptação para imagem real do filme de animação “Sleeping Beauty – A Bela Adormecida”, fita que a Disney produziu em 1959. Embora esta versão de imagem real tenha algumas diferenças em relação à versão escrita ou mesmo em relação à versão animada, e ainda bem que assim é. Felizmente, esta Maléfica está bastante parecida com a do filme animado, pelo menos, fisicamente. 

Claramente que Angelina Jolie é o foco principal do filme e tenho que confessar que desempenhou a sua Maléfica na perfeição, gerando sentimentos variados como medo, susto e até mesmo simpatia, compaixão, empatia e pena. Gostei muito do trio de fadas, bastante originais e cativantes, os efeitos especiais neste aspecto são excelentes e contribuiram bastante para que elas estivessem bem concebidas. As três atrizes que dão fala e corpo às três fadas fizeram um bom trabalho. Do elenco masculino, os principais estiveram bem, com destaque para o ator Sam Riley, o seu Diaval é uma personagem brutal. Por último e não menos importante, temos Elle Fanning, uma linda jovem que já deu provas de ser uma boa atriz. Neste filme, Fanning trouxe-nos uma princesa muito bonita, querida e bastante fofa, ou não fosse a atriz já detentora dessas qualidades. Acrescentando o facto da miúda ter voltado a ter uma interpretação muito boa e também porque a quimica entre Fanning e Jolie resultou na perfeição, seja como personagens, seja enquanto atrizes.

Também gostei bastante do filme porque me fez recordar aquelas histórias fantásticas que eu li e vi na minha infância e inicio da juventude. Além do mais, o filme tem uma belissima fotografia (a nível visual, o filme está perfeito), cenas e sequências maravilhosas, cenários estonteantes (a grande e densa floresta ou Reino Mágico), criaturas bastante originais (por exemplo, aqueles pequenos seres luminosos voadores ou aquela criatura flutuante a quem Aurora faz carícias), efeitos especiais muito bons (veja-se as cenas de voo), um bom argumento alternativo e a narrativa tem um bom ritmo fazendo com que quem está a ver o filme fique com os olhos vidrados na tela, sempre na expectativa de ver o que irá suceder a seguir. O filme começa mostrando uma Maléfica ainda miúda e salienta a relação da pequena com a Natureza (belissimas cenas). Achei bem terem feito o filme contando o ponto de vista de Maléfica e gostei mais ainda do facto dela não ser totalmente má, dela possuir dentro dela um lado bom e com características humanas, enfim, a vilã também tem sentimentos. Em certa altura, Maléfica e Aurora quase se tornam mãe e filha. Penso que a maternidade é algo bem presente no filme, ainda que de forma camuflada. 

O filme está repleto de cenas deliciosas, com destaque para a sequência em que Aurora fica maravilhada com os tais seres luminosos voadores na escuridão da densa floresta e também para quase todas as cenas em que Fanning e Jolie contracenam juntas. Uma breve curiosidade, a menina pequena que fez de Aurora em criança é uma das filhas da atriz Angelina Jolie na vida real. Adorei o final do filme, principalmente a forma que arranjaram para Aurora despertar do sono profundo, uma feliz alteração à ridicula cena do beijo milagroso do principe. As últimas cenas são igualmente uma delicia. O filme peca unicamente devido a alguns erros e duas ou três cenas patéticas. Mas se formos resumir, estamos perante um filme muito bom, muito original no sentido da alteração da história escrita e um bocadinho inovador, e isso na actualidade, é muito raro. “Maleficent” é assim a melhor estreia da semana nas nossas salas de cinema. Classificação do filme : 4. 

domingo, 1 de junho de 2014

On My Way

Nome do Filme : “Elle S'En Va”
Titulo Português : “Ela Está de Partida”
Titulo Inglês : “On My Way”
Ano : 2013
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Emmanuelle Bercot
Elenco : Catherine Deneuve (Bettie), Nemo Schiffman (Charly), Gerard Garouste (Alain), Claude Gensac (Annie), Paul Hamy (Marco), Mylene Demongeot (Fanfan), Hafsia Herzi (Jeanne), Valentin Guillaume (Erwan), Catherine Machette (Marlene).

História : Bettie está na casa dos 60 anos. Certo dia, abandona repentinamente o seu quotidiano. No seu carro, ela deixa para trás um restaurante à beira da falência e um companheiro que a traiu com uma mulher bem mais nova. À odisseia de Bettie, junta-se depois o seu neto problemático, que ela mal conhece. Mas também surgem novas amizades e rostos familiares e há até tempo para uma reunião de antigas misses. À medida que vai ficando mais distante de casa, Bettie vai ficando mais próxima da mulher que sempre quis ser.

Comentário : Este filme é a melhor estreia desta semana. Trata-se de cinema francês. Catherine Deneuve é uma excelente atriz e é também a prova viva que quando se é uma excelente profissional, nunca se perde o jeito, seja em que área for. A vida está sempre em constante mudança e este filme mostra isso. Bettie é uma senhora que está sempre a ser posta à prova pela vida, a relação que tem com a filha é muito complicada e a ligação ao neto é praticamente inexistente. A viagem que avó e neto farão irá mudar isso para sempre. É um filme que fala de sentimentos, de como complicada é a vida.

O filme está cheio de bons momentos, toda a sequência de Bettie com Marco; a louca cena do casal violento; a sequência do reencontro das antigas misses; alguns momentos entre avó e neto, ou ainda, a reconciliação entre mãe e filha. Não sendo uma comédia, é um filme que nos põe bem dispostos. Catherine Deneuve está impecável neste filme, a sua personagem é verdadeiramente adorável e chegamos a sentir carinho e empatia por ela. O pequeno Nemo Schiffman também esteve muito bem, a sua química com Deneuve resultou na perfeição. Como “road-movie” que é, este filme resultou muito bem. A banda sonora é boa. Posso mesmo dizer que este filme me surpreendeu pela positiva, em quase todos os aspetos. Apenas lamento que o filme não tenha uma história melhor, apesar disso, estamos perante algo muito bom. Gostei bastante.

Classificação do filme : 4.

Story Of My Death

Nome do Filme : “Historia De La Meva Mort”
Titulo Português : “História da Minha Morte”
Titulo Inglês : “Story Of My Death”
Ano : 2013
Duração : 146 minutos
Género : Drama
Realização : Albert Serra
Elenco : Vicenç Altaio (Casanova), Eliseu Huertas (Dracula), Lluis Serrat (Pompeu), Noelia Rodenas (Delfina), Clara Visa (Clar), Montse Triola (Carmen), Mike Landscape (Poeta), Lluis Carbo (Senyor), Claudia Robert (Noia), Xavier Pau (Pare), Floarga Dootz (Mare), Rosa Tharrats (Noia), Sebastian Vogler (Jugador).

História : Casanova deixou um castelo suíço com a típica atmosfera libertina do século XVIII para passar os seus últimos dias em terras pobres e escuras do nordeste da Europa. Lá, a sua vida mundana e o pensamento racionalista enfrentam uma nova força violenta, esotérica e romântica, representada por Drácula e pelo seu eterno poder.

Comentário : Muito estranho, é o mínimo que se pode dizer deste filme. O filme estreou esta semana numa única sala de cinema em todo o país – O Cinema Nimas. Trata-se de um registo cinematográfico direcionado para um público muito restrito. Se colocassem este filme em salas de cinema de centros comerciais, penso que ia ser um fiasco, quase todos saiam da sala. O filme é extremamente parado, às vezes, parece que a imagem parou. É um filme de época. Não conhecia o trabalho de Albert Serra, diria mesmo que nunca tinha ouvido falar deste realizador, até ter consultado a lista dos filmes que iam estrear em maio. Agora que vi o filme, tenho que dizer que gostei bastante do que vi. O filme é muito bom e apenas se lamenta que não tenha uma história mais consistente, algo mais original. O elenco teve boas prestações, com destaque para o ator principal. Se fosse eu a mandar, talvez tirasse algumas cenas que nada servem para o filme. Na minha opinião e apesar do filme ter uma boa fotografia, algumas cenas passadas à noite estão mal filmadas, talvez estejam escuras demais. O filme possui excelentes planos de camara e uma banda sonora ligeira. É também um pouco longo, menos cerca de 26 minutos ficaria melhor. Os primeiros sete minutos de filme são deliciosos. Volto a dizer, é uma obra totalmente alternativa à maioria do cinema que é exibido actualmente no nosso país, dificilmente irá agradar a grande parte das pessoas que se deslocarem ao Cinema Nimas para o ver. Eu gostei bastante, mas nunca o colocarei na lista dos melhores do ano, também não chegamos a tanto.

Classificação do filme : 4.

Kings And Queen

Nome do Filme : “Rois Et Reine”
Titulo Português : “Reis e Rainha”
Titulo Inglês : “Kings And Queen”
Ano : 2004
Duração : 150 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Arnaud Desplechin
Elenco : Emmanuelle Devos (Nora Cotterelle), Mathieu Amalric (Ismael Vuillard), Olivier Rabourdin (Jean Jacques), Catherine Deneuve (Vasset), Miglen Mirtchev (Caliban), Jean Paul Roussillon (Abel Vuillard), Catherine Rouvel (Monique Vuillard), Noemie Lvovsky (Elizabeth), Jan Hammenecker (Nicolas), Joachim Salinger (Pierre Cotterelle), Hippolyte Girardot (Marc Mamanne), Gaelle Dill (Victorine), Magali Woch (Arielle), Gilles Cohen (Simon), Marion Touitou (Delphine), Yann Coridian (Fidele), Maurice Garrel (Louis Jenssens), Valentin Lelong (Elias Cotterelle).

História : Uma mulher testemunha as mortes do marido e do pai, tendo que criar o pequeno filho sozinha. Um homem é internado num manicómio e tudo fará para recuperar a liberdade. Apesar de no passado terem tido uma relação de amizade e de terem sido amantes, ambos apenas querem ser felizes.

Comentário : Ontem vi este magnífico filme dramático e romântico. Não me lembro de alguma vez ter visto um filme realizado por Arnaud Desplechin, mas fiquei cativo do seu tipo de cinema com este “Rois Et Reine”. O filme está dividido em partes e no final podemos contar com um epílogo, pessoalmente, foi esta a parte que mais gostei. Na minha opinião, os reis do titulo são os quatro homens que marcaram a vida da protagonista Nora, que acaba por ser igualmente a raínha do titulo. O elenco é de luxo, pelo menos por terras francesas. A nível de interpretações, estamos perante um elenco de grande qualidade que obteve prestações notáveis. Nesse campo, os destaques vão para a bonita e profissional Emmanuelle Devos e para o brutal Mathieu Amalric, que acabam por ser as verdadeiras estrelas do filme. Destaque também para a relação entre Ismael e o pequeno Elias, que tem o seu pico mais alto no epílogo da fita. Gostei também de quase todas as cenas com Maurice Garrel, o seu Louis é um personagem genial. O filme é muito longo, mas confesso que nem dei pelas duas horas e meia passarem, de tão entranhado que estava na fita. Um último reparo, penso que este filme mostra quase na perfeição como são as relações humanas, mas o cinema europeu pauta-se quase sempre por esta característica.

Classificação do filme : 4.