domingo, 23 de fevereiro de 2014

Heli

Nome do Filme : “Heli”
Titulo Português : “Heli”
Ano : 2013
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Amat Escalante
Produção : Carlos Reygadas
Elenco : Armando Espitia (Heli), Andrea Vergara (Estela), Linda Gonzalez (Sabrina), Juan Eduardo Palacios (Beto), Ramon Alvarez (Evaristo), Gabriel Reyes (Omar).

História : Estela é uma menina que acabou de entrar na adolescência, ela vive com o pai, com o sobrinho, com a esposa do irmão e com este. Mas Estela guarda um segredo, ela mantém uma relação amorosa com um homem adulto, um membro do exército. O que Estela desconhece é que esse seu “grande amor” será não só o infurtunio da familia como também a sua própria desgraça.

Comentário : Hoje vi este filme mexicano que não teve direito a estrear em sala no nosso país. O filme é muito bom. O titulo do filme é o nome do irmão de Estela, na verdade, penso que o titulo do filme devia ser o nome da menina e não o do irmão. Ainda que Heli também seja uma personagem relevante. As interpretações são boas e o destaque vai todo para Armando Espitia e para a jovem Andrea Vergara, os verdadeiros protagonistas desta história dramática. O filme é muito violento, onde se inclui cenas de crianças a espancar homens e cenas de animais a serem mortos de formas selváticas. O grande drama do filme é que o namorado de Estela esconde pacotes de cocaína no depósito de água da casa da miúda e quem paga esse roubo é a família da criança. Ainda que sobre também para o responsável do desfalque.

É assim o cinema mexicano, cru e realista e são estes alguns dos ingredientes que aqui podemos encontrar. Na realidade, o filme mostra imensos tipos de crime entre adultos que acabam por ofuscar o maior crime que o filme aborda : o da pedofilia. Estela tem apenas 12 anos e, apesar de dizer à família que o namorado tem 17 anos, nós sabemos que quem faz parte de uma corporação do exército tem que ser maior de idade, tem que ser homem adulto. No entanto, parece-me que em alguns países é normal homens adultos manterem relações amorosas e sexuais com raparigas menores de idade. Não vou comentar isso. O filme foca também o desemprego e a falta de instrução daquele povo, bem como o abuso constante das forças policiais. “Heli” é uma obra forte, crua e realista que mostra que a violência é algo comum a todos os povos em todos os países do mundo. Basta para isso vermos a violência psicológica a que os nossos políticos nos sujeitam com as constantes medidas de destruição da qualidade de vida. No caso de “Heli”, o que acontece com Estela no final do filme é a verdadeira questão da história, os traumas e o silêncio da menina resultaram de uma violência física e psicológica extremas que marcam uma criança para sempre.

Classificação do filme : 4.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Hiroshima Mon Amour

Nome do Filme : “Hiroshima Mon Amour”
Titulo Português : “Hiroshima Meu Amor”
Titulo Inglês : “Hiroshima My Love”
Ano : 1959
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Alain Resnais
Argumento : Marguerite Duras
Elenco : Emmanuelle Riva (Elle), Eiji Okada (Lui).

História : Uma atriz francesa passa a noite com um arquitecto japonês casado em Hiroshima, onde foi filmar uma pelicula sobre a paz. Apaixonam-se um pelo o outro e ele fá-la recordar o primeiro homem que amou, um soldado alemão na sua cidade natal durante a Segunda Guerra Mundial. O arquitecto pede então à atriz que não regresse a França e que fique com ele em Hiroshima.

Comentário : Este clássico foi reposto em sala, pelas mãos de Paulo Branco no Cinema Nimas. Lamentavelmente, não o fui ver nessa altura. Mas já o vi e confesso que gostei imenso do filme, embora tenha que afirmar que também não é aquela obra prima que alguns defendem. É um filme muito bom, embora simples naquilo que nos mostra. Nele, vemos uma história de amor entre um homem e uma mulher. Os primeiros 15 minutos são aqueles que merecem o grande destaque, com algumas imagens chocantes, ou não fossem elas verdadeiras. Só à pouco tempo eu sube que a atriz principal do filme é a atriz idosa do excelente “Amour” de Michael Haneke. Era muito bonita quando era mais nova. E, pelo que vi, sempre foi uma excelente atriz. A fotografia a preto e branco do filme também foi do meu agrado. O filme está muito bem filmado, adorei aqueles planos filmados com a camara posta na parte da frente do carro. Não gostei do final do filme e lamentei o facto de ser uma obra muito curta, nem chega a hora e meia de imagens. No entanto, foi um ótimo prazer ver este filme.

Classificação do filme : 4.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Nebraska

Nome do Filme : “Nebraska”
Titulo Português : “Nebraska”
Ano : 2013
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Alexander Payne
Elenco : Bruce Dern (Woody Grant), June Squibb (Kate Grant), Will Forte (David Grant), Bob Odenkirk (Ross Grant), Stacy Keach (Ed Pegram), Mary Louise Wilson (Martha), Rance Howard (Ray), Tim Driscoll (Bart), Angela McEwan (Peg), Glendora Stitt (Betty), Elizabeth Moore (Flo), Missy Doty (Noel).

História : Woody Grant é um homem idoso que acredita ter ganho uma avultada quantia de dinheiro como prémio. Decidido a receber esse prémio, resolve ir até à distante localidade de Nebraska.

Comentário : Este excelente filme representa mais uma grande surpresa que tive este ano. E já são cinco. Na próxima semana estreia este filme nas salas de cinema portuguesas e confesso que me considero um sortudo porque já tive a sorte de o ver. “Nebraska” possui uma premissa simples, mas que resultou num argumento muito rico. No fundo, estamos perante um drama muito humano que serve também para mostrar que o dinheiro muda certas pessoas, realmente, existe gente que não vale nada. As interpretações, o argumento e a fotografia são os principais destaques do filme, onde se realça a excelente prestação de Bruce Dern. O realizador não precisou de filmar a cores para mostrar a riqueza da sua obra.

Adorei tudo neste filme, inicialmente nada dava por ele, mas à medida que ia vendo a fita, me apercebi do valor da mesma. Ao ver este filme, fui vitima das sensações de saudosismo e de nostalgia. Esta é a história de um pai e de um filho que, durante uma viagem inesperada, acabam por se conhecer melhor e também por se entenderem um ao outro. Adorei a esposa de Woody Grant, uma personagem fascinante. Os oscars para os quais o filme está nomeado, são nomeações mais que merecidas. O cinema carece de mais filmes como este “Nebraska”. Um último reparo para o final do filme, brilhante e emotivo. Mais um excelente filme neste ano.

Classificação do filme : 5.

Fruitvale Station

Nome do Filme : “Fruitvale Station”
Titulo Português : “Fruitvale Station – A Última Paragem”
Ano : 2013
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Crime/Biográfico
Realização : Ryan Coogler
Elenco : Michael B. Jordan (Oscar Grant), Melonie Diaz (Sophina), Octavia Spencer (Wanda), Ariana Neal (Tatiana), Kevin Durand (Caruso), Ahna O'Reilly (Katie).

História : O caso verídico do jovem Oscar Grant que pagou com a vida o azar que teve numa noite de diversão.

Comentário : Quantos casos de injustiça não fomos já quase obrigados a testemunhar. Grande parte dessas vezes, assistimos pela TV ou em filme, mas raramente testemunhamos isso ao vivo. Neste filme que irá estrear em Portugal em meados de Março próximo, podemos acompanhar a história de um grupo de jovens de raça negra que apenas queria se divertir em mais uma noite de passagem de ano. No entanto, devido a um reencontro menos conveniente, um desses jovens vê-se envolvido numa luta dentro do metro e mais tarde, quando a policia é chamada a intervir, esse mesmo jovem e mais uns amigos são vitimas do abuso de vários agentes de autoridade. Esta é a história verdadeira do jovem Oscar Grant, um rapaz de 22 anos de idade, que tinha uma namorada que era também a mãe da sua filha pequena e acabou por perder a vida devido a um grupo de policias que abusou do poder que tinha sobre esse jovem adulto.

O filme tem um bom ritmo, o argumento mantém-se coerente com o que realmente aconteceu, as interpretações são boas, a fotografia é um dos pontos mais altos e é uma obra que tem o dom de nos fazer sentir as sensações de alguns personagens, como o desespero daquela mãe cujos médicos acabam de lhe comunicar que o filho morreu numa maca de um hospital ou ainda o próprio drama que vai aumentando à medida que o personagem principal vai sendo metido na confusão e na injustiça. No final do filme, somos informados que algumas testemunhas que eram passageiros do metro filmaram com tlm o que se passou, factor que foi importante para que os policias em causa fossem demitidos e o culpado fosse julgado. Mas como sempre os “mais altos” safam-se sempre e o agente que matou o jovem apenas foi condenado a dois anos de prisão, tendo apenas cumprindo 11 meses. Foi uma grande injustiça, assim como tantas outras que sucedem todos os dias por esse mundo fora. Quanto ao filme, é muito bom.

Classificação do filme : 4.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

The Broken Circle Breakdown

Nome do Filme : “The Broken Circle Breakdown”
Titulo Português : “Circulo Interrompido”
Ano : 2012
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Felix Van Groeningen
Elenco : Veerle Baetens (Elise), Johan Heldenbergh (Didier), Nell Cattrysse (Maybelle).

História : Elise e Didier conhecem-se e apaixonam-se. Ele é um cantor romântico e ela trabalha num estúdio de tatuagens. Apesar das grandes diferenças, o relacionamento dá certo e eles acabam por ter uma filha. Aos seis anos de idade, a filha do casal fica gravemente doente. A partir daí, a relação do casal vai se degradando aos poucos.

Comentário : Este filme é mais um bom exemplo de que o cinema europeu está bom e recomenda-se. Neste caso, estamos perante um drama intenso que conta a história de um casal e que ninguém pensava que a relação deles ia dar certo, devido às grandes diferenças entre os dois. As coisas dão certo e vão tão bem que eles até têm uma filha. Nos seis anos seguintes, as coisas continuam a correr bem. O problema surge quando é diagnosticada na filha do casal um cancro. A partir dessa altura, a situação irá sempre ficando pior e só termina quando acontece outra tragédia definitiva. A nivel de interpretações, o trio principal está de parabéns, tanto os atores que fizeram os papéis do casal protagonista como a menina que desempenhou o papel da filha dos dois tiveram prestações brutais. O filme possui cenas bestiais, quase todas as sequências em que Maybelle está internada ou aquela cena do pássaro que vai contra o vidro que obriga a miúda a pensar sobre a morte são os expoentes máximos dessas representações. No entanto, tenho que dizer que a caracterização da criança nos momentos em que ela já está em fase terminal não está muito bem concebida. Não gostei de algumas cenas, por exemplo, o final é ridiculo, com o marido e o resto da banda a tocar uma musica animada, no preciso momento em que a mulher morre, tudo isto em frente aos médicos. Fora estes aspectos negativos, estamos perante um filme muito bom.

Classificação do filme : 4.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

What Maisie Knew

Nome do Filme : “What Maisie Knew”
Titulo Inglês : “What Maisie Knew”
Ano : 2013
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Scott McGehee/David Siegel
Elenco : Julianne Moore (Susanna), Steve Coogan (Beale), Onata Aprile (Maisie), Alexander Skarsgard (Lincoln), Joanna Vanderham (Margo).

História : Uma criança é disputada por uma mãe e um pai irresponsáveis.

Comentário : Este excelente filme independente é a prova de que um pai e uma mãe não são os que dão vida, mas sim aqueles que nos criam. Em alguns casos, o sangue nada quer dizer. Ao contrário da maioria dos filmes que abordam o tema do divórcio e da custódia dos filhos, esta obra conta os acontecimentos do ponto de vista da criança, neste caso, da menina protagonista. Chega a doer ver aquilo por que Maisie passa nas mãos daqueles pais irresponsáveis. Nunca simpatizei com as trombas do ator Steve Coogan e ainda fiquei a detestá-lo mais depois de o ver no papel do pai de Maisie, mas a parte mais dramática é o facto de haverem muitos pais iguais a ele por esse mundo fora. Julianne Moore é uma excelente atriz, mas tem neste filme um papel muito ingrato, ela desempenhou neste filme, possivelmente a maior cabra da sua longa carreira. Adorei ver Alexander Skarsgard no papel de pai substituto.

O filme possui imensas partes que nos provocam bastante revolta, a personagem Susanna é mesmo a mais detestável do filme inteiro. A pequena Maisie é, de inicio, o centro da disputa entre os dois progenitores. Mas aquilo que vemos depois é a transformação da menina numa espécie de objecto nas mãos dos dois. O filme é o espelho de muitas “familas” por esse mundo fora, crianças que vivem com pais e mães que não querem saber delas para nada, nestes casos, os adultos apenas ficam com elas, porque têm que ficar, porque não existe mais ninguém. Perto do final, quando Susanna prefere ir para uma tourné musical do que cuidar da filha e deixa a criança no trabalho do ex-namorado sem saber se ele está lá, esta sequência quase nos faz derramar umas lágrimas devido à indiferença daquela mãe face à filha. A miúda fica num banco grande à espera que o turno da colega do padrasto termine, acabando por cair no sono. Depois a colega do padrasto leva a menina para sua casa, Maisie acorda a meio da noite numa noite escura, numa cama que não conhece, numa casa onde nunca esteve, sem qualquer referência ao seu mundo, esta parte é brutal. Por último, tenho que frisar a fantástica atriz que é a pequena Onata Aprile, a sua interpretação é excelente. Colocar um filho neste mundo é uma grande responsabilidade, criar uma criança não é uma tarefa para todos, são duas grandes lições que se podem tirar deste grandioso filme. E sim, Maisie sabia quem gostava dela de verdade e sabia com quem podia contar. Depois de ter visto este filme, encontrei o quarto melhor filme que vi este ano. 

Classificação do filme : 5.

My Kid Could Paint That

Nome do Filme : “My Kid Could Paint That”
Titulo Português : “A Minha Filha Podia Pintar Isso”
Ano : 2007
Duração : 81 minutos
Género : Drama Documental/Drama Familiar
Realização : Amir Bar Lev
Elenco : Mark Olmstead, Laura Olmstead, Marla Olmstead, Zane Olmstead, Anthony Brunelli, Elizabeth Cohen, Michael Kimmelman, Jackie Wescott.

História : Marla Olmstead é uma pintora famosa, tem muito talento e os seus quadros vendem milhões, dando para ela ajudar a familia toda. Tudo isto podia ser algo normal, não fosse Marla apenas uma menina de quatro anos de idade.

Comentário : Filme bastante curioso sobre uma criança possuidora de um fantástico dom. Ela consegue pintar quadros da mesma forma que pintores consagrados. Vários criticos de arte disseram que se colocassem os quadros da criança na mesma exposição onde estavam quadros de pintores profissionais, ninguém daria pela diferença. A menina em questão chama-se Marla Olmstead e existe mesmo. O realizador instalou-se em casa da criança e dos seus pais e elaborou este fantástico objecto fílmico que é um misto de ficção com realidade. A menina é adorável e vê-la a pintar os seus quadros é algo fantástico. Um dia, um perito em arte analisa um quadro de Marla e vê arte na peça. À medida que vai pintando os quadros, estes vão subindo de valor e, com apenas quatro anos de idade, Marla já ganhou milhões de dólares. Pessoalmente, se me contassem esta história eu jamais iria acreditar. Mas vi o filme e fui investigar na Internet e vi que é verdade. E depois, entram os maus da fita. Aparece gente nojenta que usa o programa “60 Minutes” para passar uma falsa reportagem onde alegam que Marla é uma fraude. Felizmente, a coisa se resolve e tudo acaba bem. Bom filme. 

Classificação do filme : 3.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

The Philosophers

Nome do Filme : “The Philosophers”
Titulo Alternativo : “After The Dark”
Ano : 2013
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Fantasia/Ficção
Realização : John Huddles
Elenco : Bonnie Wright (Georgina), Maia Mitchell (Beatrice), James D'Arcy (Mr. Zimit), Katie Findlay (Bonnie), Rhys Wakefield (James), Daryl Sabara (Chips), Freddie Stroma (Jack), Sophie Lowe (Petra), Erin Moriarty (Vivian), Jacob Artist (Parker), George Blagden (Andy), Cinta Laura Kiehl (Utami), Philippa Coulthard (Poppie), Chanelle Bianca Ho (Mitzie), Abhi Sinha (Kavi), Melissa Le Vu (Plum).

História : Um professor de filosofia propõe aos seus 20 alunos fazerem uma espécie de jogo em que eles passariam a viver protegidos num bunker, enquanto por todo o mundo acontece um apocalipse.

Comentário : No inicio, quando ouvi falar deste filme, o seu nome era “The Philosophers” mas recentemente alguns dos iluminados da distribuidora da fita, decidiram chamá-lo de “After The Dark”. No entanto, o primeiro titulo permanece como oficial. Há coisas que não se percebem. Mas vamos falar do filme. A ideia é genial : Vai acontecer um apocalipse por todo o mundo e alguém com poder constrói bunkers (com tudo o que é necessário) por todo o mundo a fim de proteger em cada um deles cerca de 20 jovens (10 meninos e 10 meninas), com a finalidade de sobreviverem, de se reproduzirem e darem continuidade à raça humana. Isto é uma ideia fascinante e que costuma ser debatida um pouco por todo o mundo, entre os iluminados que estudam a questão. No entanto, neste filme esse potencial não foi devidamente explorado e a coisa descambou para uma salada russa de clichés, de situações ridiculas e até de alguns erros. Alguns dos jovens atores que mais foram frisados tiveram boas interpretações. Completamente ridiculo o facto das estrelas mais conhecidas e famosas do elenco terem tido papéis muito insignificantes, estou a falar de Bonnie Wright e de Maia Mitchell. Confesso que gostei do filme, mas o considero apenas razoável, com um argumento destes e com esta temática altamente discutível, esperava algo mais complexo e envolvente. É esperar que um realizador conceituado resolva pegar neste argumento e fazer um filme poderoso. Ainda assim, este “The Philosophers” é um filme agradável.

Classificação do filme : 2.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Her

Nome do Filme : “Her”
Titulo Português : “Uma História De Amor”
Ano : 2013
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Spike Jonze
Elenco : Joaquin Phoenix (Theodore Twombly), Rooney Mara (Catherine), Amy Adams (Amy), Scarlett Johansson (Samantha), Olivia Wilde (girl), Laura Kai Chen (Tatiana), Portia Doubleday (Isabella), Gracie Prewitt (Jocelyn).

História : Theodore Twombly é um escritor sensível que está num processo de divórcio com a mulher. Um dia, Theodore compra um programa de inteligência artificial que promete ser a solução para os mais solitários. Depois de iniciar o sistema, Theodore conhece Samantha, uma voz feminina que o surpreende com a sua sensibilidade, intuição e sentido de humor. À medida que o tempo vai passando, nasce entre ambos um sentimento de proximidade tão grande que acaba por se converter em algo que começa a parecer com um amor verdadeiro. Mas será que Theodore está preparado para as consequências.

Comentário : Digam o que disserem, Joaquin Phoenix é um excelente ator. Adorei as suas interpretações em filmes como “A Vila”, “Walk The Line”, “Gladiator” e “O Mentor”. Neste “Her”, o ator esteve em grande como Theodore Twombly. Ele deu-nos um homem solitário, acabado de sair de uma situação de divórcio. Alguém com uma certa dificuldade em lidar com as mulheres. Tal como é imperdoável a Academia não ter nomeado Robert Redford por “All Is Lost”, é igualmente inaceitável esses iluminados terem ignorado por completo mais esta espantosa interpretação de Joaquin Phoenix. Scarlett Johansson faz parte do elenco, mas nunca aparece fisicamente, ela é a personagem digital do filme, apenas ouvimos a sua voz. Amy Adams e Rooney Mara estão excelentes neste filme romântico. O argumento leva a nota mais alta.

Porque estamos realmente perante um romance, o nosso personagem principal apaixonou-se por uma mulher criada por um novo sistema operativo, da qual apenas ouve a voz. No entanto, o filme acaba também por focar os novos tipos de relações que se criam entre seres humanos e as novas tecnologias. Não me admirava nada se aquilo que vemos neste filme passe a ser uma realidade, se é que já não o é. Existem cada vez mais pessoas que têm dificuldades em serem sociais e arranjam nas novas tecnologias uma compensação para essa carência, funciona como uma espécie de escape. No fundo, é essa a situação de Theodore Twombly. Os momentos em que Theodore Twombly está a falar ou a ouvir Samantha são deliciosos. Adorei aquela triste sequência da quase relação sexual a três. O bonequinho ordinário do jogo é um mimo. Confesso que gostei bastante deste filme, mas fiquei muito irritado com o final. Sei lá, a coisa podia ter evoluído para algo mais drástico e dramático. No fundo, acabou quase da mesma forma como começou. Também achei que aquele sistema operativo tinha alguns exageros. No geral, “Her” é um filme muito bom, mas faltou alguma coisa. Apesar de tudo, mais uma grande surpresa deste 2014.

Classificação do filme : 5.

The Son

Nome do Filme : “Le Fils”
Titulo Português : “O Filho”
Titulo Inglês : “The Son”
Ano : 2002
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Elenco : Olivier Gourmet (Olivier), Morgan Marinne (Francis), Isabella Soupart (Magali), Nassim Hassaini (Omar), Kevin Leroy (Raoul), Felicien Pitsaer (Steve), Remy Renaud (Philippo), Fabian Marnette (Rino).

História : Olivier trabalha numa serralharia-carpintaria onde, além de fazer bem o seu trabalho, ensina a jovens problemáticos a arte do ofício. Um dia, aceita ensinar um rapaz que pode estar relacionado com o seu passado.

Comentário : Depois de ter visto o filme “Rosetta”, resolvi ver este outro filme dos irmãos Dardenne. E é tão bom quanto o primeiro. Jean Pierre Dardenne e Luc Dardenne fazem um tipo de cinema que é impossivel não se gostar. É um tipo de cinema que apela aos sentimentos humanos e fala das relações entre seres humanos. Este “O Filho” é uma obra que conta a história de um casal que perdeu um filho, um filho que foi assassinado por um miúdo. O casal separou-se e cada um seguiu a sua vida. Certo dia, é encontrado o assassino do filho e uma nova relação surge. O filme segue o quotidiano de Olivier enquanto trabalha ou está em casa. Mais tarde, vemos a abordagem da relação de Olivier com o alegado assassino do filho. As atitudes de Olivier são de espantar, mas os realizadores nunca nos facultam pistas sobre qual é a intenção do personagem principal em ajudar o jovem pecador. A realização é excelente e as interpretações são brutais e muito realistas. O filme é sublime e muito humano. Muito bom.

Classificação do filme : 4.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

All Is Lost

Nome do Filme : “All Is Lost”
Titulo Português : “Quando Tudo Está Perdido”
Ano : 2013
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : J. C. Chandor
Elenco : Robert Redford (our man).

História : Um homem navega as águas do Oceano Índico, completamente só. Uma manhã, o seu barco colide com um contentor de mercadorias à deriva. Com o equipamento de navegação e o rádio danificados e com poucas coisas que o auxiliem, ele terá que seguir a sua intuição e deixar-se levar pelas correntes oceânicas, esperando que estas o levem até uma rota onde possa ser encontrado. A situação piora quando o barco começa a meter água e fica ainda pior quando começa uma forte tempestade.

Comentário : Antes de mais quero dizer que este filme não vai agradar à maioria, é uma fita quase sem falas e com um único ator a transportar o filme todinho às costas. Em algumas partes, é ainda uma obra parada. Não entendo o motivo pelo qual Robert Redford foi esquecido pela Academia este ano, neste filme solitário e claustrofóbico, este excelente ator possui uma das melhores interpretações da sua longa carreira. Eu gostei deste filme. Tem algumas partes aflitivas. Confesso que, para avaliarmos esta obra, temos que nos dedicar muito ao filme e estarmos dispostos a embarcar com o protagonista nesta aventura perigosa e com poucos recursos.

Se analisarmos bem o filme, encontramos ligeiros erros. Adorei alguns planos de camara, especialmente aqueles que mostravam o barco e a boia do ponto de vista do interior do mar. Este filme é mais uma prova que não é necessário termos muitas estrelas de Hollywood para que tenhamos um bom filme. Até nem estamos perante um argumento muito elaborado, temos neste caso um argumento simples que podia muito bem ser baseado numa história verdadeira, ainda que eu acredite que já tivessem havido muitos casos como o do nosso homem. Por último, tenho que dizer que o filme está muito bem filmado e também que os grandes atores nunca deixam de o ser, neste caso, temos um Robert Redford em excelente forma. No entanto, detestei o final do filme.

Classificação do filme : 3.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Rosetta

Nome do Filme : “Rosetta”
Titulo Português : “Rosetta”
Ano : 1999
Duração : 96 minutos
Género : Drama
Realização : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Elenco : Emilie Dequenne (Rosetta), Fabrizio Rongione (Riquet).

História : Uma jovem com uma vivência muito complicada tenta arranjar dinheiro da maneira que pode.

Comentário : Vi hoje este filme francês e confesso que gostei bastante dele. Esta é a história de uma mulher chamada Rosetta, uma rapariga que leva uma vida dificil, entre aturar a mãe que está quase sempre embriagada e saltar de emprego em emprego, ela tudo fará para arranjar dinheiro. O filme não é recente, já é de 1999 e claro que já vi outros filmes com esta atriz posteriores a este. Este filme é um trabalho dos irmãos Dardenne, filmado com a técnica de camara à mão e com bons planos da protagonista. Emilie Dequenne possui aqui uma interpretação brilhante numa fita que apela ao realismo. Quantas Rosettas não existem por esse mundo fora. Rosetta é uma mulher desesperada e sempre à beira do desespero, sempre em busca de ter uma vida normal. Mas a vida não quer que assim seja. A última cena do filme é brutal. Confesso que adoro os filmes dos Dardenne, até hoje não houve um único filme deles que eu não gostasse. Muito bom.

Classificação do filme : 4.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

In The Fog

Nome do Filme : “V Tumane”
Titulo Português : “No Nevoeiro”
Titulo Inglês : “In The Fog”
Ano : 2012
Duração : 125 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Sergei Loznitsa
Elenco : Vladimir Svirskiy (Sushenya), Vladislav Abashin (Burov), Sergei Kolesov (Voitik), Nikita Peremotovs (Grisha), Yuliya Peresild (Anelya), Kirill Petrov (Koroban), Dmitrijs Kolosovs (Mishuk), Stepans Bogdanovs (Topchievsky).

História : Na fronteira ocidental da União Soviética em 1942, a região está sob ocupação alemã e a resistência bielorrussa tenta defender-se a todo o custo. Sushenya, um trabalhador dos caminhos de ferro, é acusado de traição e levado pelos seus compatriotas para o meio da floresta para ser executado.

Comentário : Na madrugada passada vi este filme russo que esteve durante semanas em exibição no ano passado no agora falecido Cinema King. Depois de o ver, confesso que tive pena de não o ter ido ver ao cinema. Já tinha gostado do anterior filme deste realizador, mas gostei ainda mais deste seu último filme. A narrativa não é segura, vai divagando consoante o realizador mostra acções antigas de alguns personagens. Tenho que salientar que a fotografia é um dos pontos mais altos do filme. Adorei a interpretação de Vladimir Svirskiy, deu um excelente personagem principal. Nunca pensei que o filme levasse o rumo que levou e fiquei admirado com o seu final.

O filme é uma mistura de drama com factos históricos, fusão essa que resultou bem. Ao longo de duas horas, somos levados a testemunhar o desespero de um homem que está sempre à beira da morte. Mais de metade do filme decorre à noite ou em ambientes escuros, essas cenas foram muito bem filmadas. Outra das coisas que gostei foi da banda sonora, ou seja, basicamente o que podemos encontrar é o som de tudo aquilo que compõe uma floresta, com a excepção das partes que se passam nas aldeias. Como pontos negativos, destaco alguns erros e umas duas ou três cenas desnecessárias, a meu ver, claramente.

Classificação do filme : 4.

Nymphomaniac

Nome do Filme : “Nymphomaniac”
Titulo Português : “Ninfomaníaca”
Ano : 2013
Duração : 240 minutos
Duração (Director's Cut) : 320 minutos
Género : Drama/Erótico
Realização : Lars Von Trier
Elenco : Charlotte Gainsbourg (Joe), Stellan Skarsgard (Seligman), Stacy Martin (teen Joe), Christian Slater (Joe's father), Connie Nielsen (Joe's mother), Shia LaBeouf (Jerome), Jamie Bell (K), Uma Thurman (Mrs. H), Willem Dafoe (L), Mia Goth (P), Udo Kier (The Waiter), Hugo Speer (Mr. H), Nicolas Bro (F), Ananya Berg (young Joe), Tania Carlin (Renee), Felicity Gilbert (Liz), Jens Albinus (S), Sophie Kennedy Clark (B), Michael Pas (old Jerome), Jean Marc Barr (Debtor Gentleman).

História : Um estranho homem recolhe em sua casa uma mulher espancada e ferida. Durante essa noite fria e pela madrugada fora, essa mulher relata para esse homem os principais acontecimentos que marcaram a sua vida.

Comentário : O realizador Lars Von Trier é um homem polémico, não somente pelos filmes que faz mas também por causa de umas afirmações que fez num festival de cinema em 2011. Para mim, não me interessa que espécie de pessoa ele é, a única coisa que me cativa é o seu trabalho enquanto realizador. Gostei de todos os filmes que vi dele, embora confesse que ainda não vi tudo o que é considerado mais antigo. Comecei a gostar do trabalho de Lars Von Trier assim que vi o belíssimo “Ondas de Paixão”. Gostei de obras como “Dancer In The Dark”, “Dogville” e respectiva sequela, “Melancholia”, “Antichrist”, embora tenha que confessar que ainda não vi o filme “The Idiots”. Tudo isto para chegar ao seu novo filme - “Nymphomaniac”. Confesso que vi a versão reduzida, a tal com as quatro horas e sem as partes ditas pornográficas, ou seja, vi a versão que está nas salas de cinema. Nem estou interessado em ver a versão do realizador, porque, segundo ele, usou atores e atrizes porno para as cenas de sexo explicito. Logo aí tira todo o valor à obra. 
O filme “Nymphomaniac” que está nas salas de cinema é uma obra complexa, erótica a roçar o pornográfico e muito adulta. Sim, é um filme polémico e violento, mesmo esta versão reduzida já de si é bastante polémica, não só por algumas cenas de sexo explicito, mas igualmente por cenas especificas que habitam nos três últimos capitulos da fita. É um filme curioso que transpira cinema por todos os poros. Ao fazer uma escassa análise aos oito capítulos da obra, confesso que gostei de quase todos, aquele que não me agradou foi o terceiro, detestei as cenas com a Uma Thurman. Os que mais gostei foram os capitulos 1, 4 e 8. Achei brilhante a escolha do realizador em ter filmado o quarto capitulo a preto e branco. Gostei da banda sonora e adorei aquelas imagens que enfeitavam os capítulos, por exemplo, as cenas com os felinos ou as partes que relacionavam a pesca com as relações sexuais. Ainda me deu vontade de rir quando percebi que a pesca e o sexo não são práticas assim tão opostas. 
A nivel das interpretações, as minhas classificações máximas vão para Stacy Martin (a versão adolescente de Joe), Christian Slater (o pai da protagonista), Mia Goth (a adolescente que aparece somente no último capítulo da obra e que se afeiçoa bastante à protagonista) e, claro está, a minha interpretação de eleição é a de Charlotte Gainsbourg que desempenhou o poderoso papel da ninfomaniaca que dá nome ao titulo do filme. Geralmente, não gosto muito de ver atores ou atrizes famosos a fazer papéis curtos ou secundários e neste filme isso acontece bastante. As quatro horas de filme estão repletas de cenas fabulosas e de mensagens que se verificam ao longo dos oito capitulos. Basicamente e tirando as escassas cenas de sexo explicito, esta versão reduzida não se pode classificar como chocante, só se for devido aos temas complexos que aborda. É caso para dizer que o filme choca mais pelo argumento e pelas acções de algumas personagens do que por aquilo que mostra. Posto isto, penso que a tal versão do realizador com o tão espero conteúdo pornográfico não deve interessar para nada.
Também achei ridiculo todo o marketing que o filme teve, desde os posters estúpidos que eram para ser uma representação do elenco no preciso momento do orgasmo até ao mais grave, que foi a divisão de um único filme em duas partes ou dois volumes. Se no caso de “Kill Bill”, apesar de ser a mesma história, os dois filmes eram obras muito diferentes. Nos casos das sagas Harry Potter, Twilight e The Hunger Games a divisão em dois filmes dos últimos capitulos destes 3 franchises é aceitável porque são filmes que rendem millhões. No caso de “Nymphomaniac”, é imperdoável dividir o último filme do realizador em duas partes ou em dois volumes. Podiam estrear as duas partes no mesmo dia, mantê-las durante o mesmo período de tempo e com horários de forma a que as pessoas vejam primeiro um pedaço do filme, façam um intervalo de meia hora e depois, entrem noutra sala para verem o segundo pedaço. Era isto que deviam ter feito nos cinemas em que o filme ia estrear, pessoalmente, esperei que estreasse a segunda parte para ver as duas na mesma tarde. 
Repito, o filme aborda temas extremamente polémicos, o filme em si, é muito complexo. Na minha opinião, quatro horas bastaram para contar a história da ninfomaníaca Joe, fica apenas a lamentar-se o final da obra. Os oito capítulos são quase todos interessantes, com a excepção do terceiro. Adorei as formas como os nomes dos capítulos eram apresentados no ecrã. Reparei em alguns erros durante o filme, o mais marcante é o facto de Joe ter olhos azuis durante a infância e, na fase adulta, tem-nos escuros. O realizador podia ter mostrado mais da infância de Joe e podia ter-nos dado mais cenas da relação desta com o seu pai, no auge dos seus 10-11 anos. Não gostei da forma como o realizador expôs a jovem Mia Goth. Fora estes aspectos menos bons, confesso que adorei o filme, mais um grande filme que vi em 2014. Penso que o filme vai ser detestado por três grupos de pessoas : os puritanos, os religiosos e todos aqueles que odeiam Lars Von Trier apenas porque sim. “Nymphomaniac” encerra assim a trilogia da depressão de Lars Von Trier onde se incluem “Antichrist” e “Melancholia”.

Em baixo, estão escritos os titulos dos oito capitulos do filme e a classificação que eu lhes dei (De 0 a 5) :

Capitulo 1 – The Compleat Angler (5)
Capitulo 2 – Jerome (4)
Capitulo 3 – Mrs. H (1)
Capitulo 4 – Delirium (5)
Capitulo 5 – The Little Organ School (4)
Capitulo 6 – The Eastern And The Western Church (The Silent Duck) (3)
Capitulo 7 – The Mirror (4)
Capitulo 8 – The Gun (5)

Classificação do filme : 5.