quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Lonely Place To Die

Nome do Filme : “A Lonely Place To Die”
Titulo Português : “Sequestro Nas Montanhas”
Ano : 2011
Duração : 95 minutos
Género : Aventura/Thriller/Crime
Realização : Julian Gilbey
Elenco : Melissa George (Alison), Alec Newman (Rob), Ed Speleers (Ed), Kate Magowan (Jenny), Holly Boyd (Anna), Karel Roden (Darko), Eamonn Walker (Andy), Paul Anderson (Chris), Eric Barlow (Gray).

História : Um grupo de montanhistas anda a fazer caminhadas e escaladas na Escócia, quando descobre uma menina pequena numa câmara debaixo do chão em pleno mato. Eles vão ter que lutar pelas suas vidas quando os sequestradores descobrem do desaparecimento da criança e movem uma perseguição para recuperar a menina e matá-los.

Comentário : Esta noite vi este pequeno thriller de aventura e confesso que gostei, embora seja apenas um filme razoável. A nivel das interpretações, são todas básicas, embora o destaque vá todo para Melissa George. O argumento até nem é mau, mas possui alguns buracos. O filme tem ainda alguns erros, por exemplo, a miuda esteve imensos minutos no fundo do lago e sobrevive ou na luta final de Alison com o raptor gordo, seria quase impossivel ela ganhar ao homem bruto. Faltou mostrar muita coisa, também não gostei muito disso. É uma história de sobrevivência, podia muito bem ser baseada em factos reais, afinal, trata-se de uma coisa que poderia muito bem acontecer. Nota positiva para alguns planos de camara e para as cenas de perseguição, muito bem filmadas. Adorei aquela parte em que um dos raptores só não mata Alison, porque a arma encrava, dando tempo para que ela fuja. Uma obra razoável, nada mais.

Classificação do filme : 2.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Borgman

Nome do Filme : “Borgman”
Titulo Português : “O Mal Intencionado”
Ano : 2013
Duração : 110 minutos
Género : Thriller
Realização : Alex Van Warmerdam
Elenco : Jan Bijvoet (Camiel Borgman), Hadewych Minis (Marina), Jeroen Perceval (Richard), Alex Van Warmerdam (Ludwig), Tom Dewispelaere (Pascal), Sara Hjort Ditlevsen (Stine), Dirkje Van Der Pijl (Rebecca), Elve Lijbaart (Isolde), Pieter Bas De Waard (Leo), Annet Malherbe (Brenda), Eva Van De Wijdeven (Ilonka).

História : Uma mulher arrogante acolhe um estranho homem em sua casa, contra a vontade do marido. Aos poucos, esse estranho homem começa a alterar a vivência dessa familia.

Comentário : Na próxima semana estreia nos nossos cinemas (esperemos que não voltem a adiar...) este estranho filme holandês. Já tive a oportunidade de ver o filme e asseguro-vos que é mesmo muito estranho. O realizador quase não dá explicações para grande parte daquilo que vemos durante a projeção. Mesmo o personagem principal é muito estranho, embora fique melhor com o cabelo cortado e a barba feita. Os elementos da familia em questão são igualmente bastante estranhos, com destaque para o procedimento da pequena Isolde quando encontra um homem ferido no mato. No entanto, trata-se de um thriller razoável, com interpretações bastante boas. Também simpatizei com a fotografia. Sobre o argumento, tenho que confessar que detestei. Achei bastante curiosa a forma como a seita escondia os corpos, nunca imaginei tal coisa. Não é cinema europeu da melhor qualidade, mas é um filme que se vê bem. Mas esperava muito mais.

Classificação do filme : 2.

sábado, 25 de janeiro de 2014

A Woman Under The Influence

Nome do Filme : “A Woman Under The Influence”
Titulo Português : “Uma Mulher Sob Influência”
Ano : 1974
Duração : 150 minutos
Género : Drama
Realização : John Cassavetes
Elenco : Gena Rowlands (Mabel Longhetti), Peter Falk (Nick Longhetti), Christina Grisanti (Maria Longhetti), Katherine Cassavetes (Margaret Longhetti), Matthew Labyorteaux (Angelo Longhetti), Matthew Cassel (Tony Longhetti), Fred Draper (George Mortensen), Lady Rowlands (Martha Mortensen), Mario Gallo (Harold Jensen), Angelo Grisanti (Vito Grimaldi), Eddie Shaw (Dr. Zepp).

História : Devido a uma série de fatores, uma mulher é vitima de uma depressão e este acontecimento coloca em causa o relacionamento dela com o marido, com os 3 filhos e com o resto da familia e amigos.

Comentário : Logo a seguir a “Noite de Estreia”, vi este “Uma Mulher Sob Influência”, do realizador John Cassavetes. Adorei os dois filmes, mas prefiro este segundo. É um filme depressivo sobre uma mulher que está a viver uma depressão profunda. O marido não sabe como lidar com a situação, com a agravante de terem 3 filhos pequenos em casa para criar. Gena Rowlands está novamente brutal neste filme, com uma interpretação ainda mais extraordinária do que em “Noite de Estreia”. Pessoalmente, já vivi uma depressão e sei avaliar aquilo que a personagem principal passou. A realização é excelente bem como a fotografia. Quase todo o elenco teve interpretações brilhantes, até as crianças. Julgo que nunca vi um filme em que entrasse Peter Falk, gostei da sua prestação. O filme é muito pesado, devido à temática que aborda. A situação chega a um ponto que o marido acaba por mandar internar a esposa num hospício. Por último, tenho que dizer aqui que Gena Rowlands era uma mulher linda, quando era mais nova. 

Classificação do filme : 5.

Disconnect

Nome do Filme : “Disconnect”
Titulo Português : “Desligados”
Ano : 2013
Duração : 113 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Henry Alex Rubin
Produção : Marc Forster
Elenco : Jason Bateman (Rich Boyd), Jonah Bobo (Ben Boyd), Haley Ramm (Abby Boyd), Hope Davis (Lydia Boyd), Frank Grillo (Mike Dixon), Michael Nyqvist (Stephen Schumacher), Paula Patton (Cindy Hull), Andrea Riseborough (Nina Dunham), Alexander Skarsgard (Derek Hull), Max Thieriot (Kyle), Colin Ford (Jason Dixon), Kasi Lemmons (Roberta Washington), Teresa Celentano (Maria), Marc Jacobs (Harvey), Kevin Csolak (Shane), Tessa Albertson (Isabella), Erin Wilhelmi (Tracy).

História : A forma como as novas tecnologias informáticas melhoram ou pioram as vidas de várias pessoas.

Comentário : Acabei agora de ver este filme e confesso que gostei bastante dele. O ponto mais alto do filme é o seu argumento, muito bem escrito e inovador. Gostei de ver o ator Jason Bateman pela primeira vez num papel dramático. Neste filme, podemos encontrar muitas situações : um jovem carenciado que é vitima de bullying por parte de dois colegas da escola e toma uma atitude radical; uma mulher jornalista que trava amizade com um adolescente que ganha a vida a exibir-se em sites para adultos e decide acabar com o sustento do rapaz; um casal que perdeu um filho pequeno acaba vitima de um larápio que lhes rouba o dinheiro via online; um homem que perdeu a esposa e está a criar o filho problemático sozinho e descobre que esse filho é um bully. Aquilo que o realizador propõe é que quem assista ao filme se “apaixone” por estas histórias e que sintam grande parte daquilo que os personagens sentem. O filme funciona como um retrato da sociedade moderna que nos rodeia, daquelas pessoas que são vitimas das novas tecnologias informáticas. No fundo, quase todas as personagens representam pessoas que necessitam de atenção, de carinho. Fiquei desiludido com o final do filme, ainda que tenha adorado a cena que encerra a obra. No geral, o filme é muito bom.

Classificação do filme : 4.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Opening Night

Nome do Filme : “Opening Night”
Titulo Português : “Noite de Estreia”
Ano : 1977
Duração : 140 minutos
Género : Drama
Realização : John Cassavetes
Elenco : Gena Rowlands (Myrtle Gordon), John Cassavetes (Maurice Aarons), Ben Gazzara (Manny Victor), Joan Blondell (Sarah Goode), Paul Stewart (David Samuels), Zohra Lampert (Dorothy Victor), Laura Johnson (Nancy Stein), John Tuell (Gus Simmons), Ray Powers (Jimmy), Katherine Cassavetes (Vivian).

História : Uma atriz famosa fica profundamente abalada quando uma admiradora sua morre brutalmente atropelada. Para uns, ela está com uma crise própria da idade enquanto que para outros, ela ficou traumatizada.

Comentário : Confesso que este foi o primeiro filme do realizador John Cassavetes que vi e gostei imenso do filme. Esta é a história de uma mulher famosa que quase assiste à morte de uma jovem fã sua e que, depois desse acontecimento fatídico, entra numa espécie de espiral de loucura. As interpretações são excelentes e a realização é muito eficaz. Na minha opinião, Myrtle Gordon não era uma mulher feliz, o facto de nunca ter casado e também o facto de nunca ter sido mãe contribuiu para a agitação psicológica. A isto veio a juntar-se a morte trágica da tal jovem e tudo agravou-se ainda mais com a crise da idade dela. E já para não falar do vicio da bebida. Pelo menos, foi com esta ideia que fiquei daquilo que vi. Penso que este filme é a grande obra de referência ao trabalho de John Cassavetes, é uma obra fabulosa que funciona também como uma homenagem ao teatro. Por último, quero dar uma salva de palmas para Gena Rowlands, apenas conhecia os seus filmes recentes e com este filme, passei a gostar mais dela e fiquei a conhecer um bocadinho mais sobre a sua carreira. Adorei ver a reação das pessoas depois da peça final. Apesar de alguns erros, é um filme muito bom.

Classificação do filme : 4.

sábado, 18 de janeiro de 2014

The Book Thief

Nome do Filme : “Die Bucherdiebin”
Titulo Português : “A Menina Que Roubava Livros”
Titulo Inglês : “The Book Thief”
Ano : 2013
Duração : 130 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Brian Percival
Elenco : Sophie Nelisse (Liesel Meminger), Geoffrey Rush (Hans), Emily Watson (Rosa), Ben Schnetzer (Max), Nico Liersch (Rudy).

História : Na época da Segunda Guerra Mundial, uma menina chamada Liesel vê o seu irmão morrer e é abandonada pela mãe. É entregue a um casal que aceita criá-la. Com a ajuda do seu novo pai e lendo alguns livros que vai roubando, Liesel volta a aprender o que é a felicidade e o amor.

Comentário : Esta semana estreia nas nossas salas de cinema este filme que decorre na época do Holocausto, embora não retrate esse acontecimento. É um bom filme que tem a particularidade de ser supostamente narrado pela morte, sinceramente, isto foi a primeira coisa que detestei no filme. Vamos admitir que foi algo inovador. No papel principal, temos aquela pequena atriz que me impressionou no filme “Monsieur Lazhar”, no ano passado – Sophie Nelisse. Neste “The Book Thief”, a pequena estrela teve igualmente uma excelente interpretação, a sua Liesel é bastante convincente e realista. Depois, temos em cena um verdadeiro senhor, Geoffrey Rush. Ele esteve bem, como sempre. Emily Watson não nos deu uma personagem tão bondosa como é habitual, mas esteve impecável. Destaque também para a relação que nasce entre Liesel e o judeu Max, acompanha grande parte do filme, é praticamente impossivel não nos emocionarmos com isso. Gostei também da fotografia e da excelente banda sonora. Não gostei de algumas partes e vi alguns erros. Não é um dos melhores filmes sobre a Segunda Grande Guerra e muito menos é um dos melhores filmes do ano, mas é seguramente, um bom filme que nos faz acreditar que podemos sempre ser felizes, mesmo que a morte nos leve alguém que amamos. Com dois bons filmes no seu pequeno reportório, espero honestamente que Sophie Nelisse tenha um bom futuro cinematográfico.

Classificação do filme : 3.

21 Grams

Nome do Filme : “21 Grams”
Titulo Português : “21 Gramas”
Ano : 2003
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Alejandro González Iñárritu
Produção : Guillermo Arriaga
Elenco : Naomi Watts (Christina Peck), Danny Huston (Michael Peck), Carly Nahon (Katherine Peck), Claire Pakis (Laura Peck), Clea DuVall (Claudia), Sean Penn (Paul Rivers), Charlotte Gainsbourg (Mary Rivers), Benicio Del Toro (Jack Jordan), Melissa Leo (Marianne Jordan), Teresa Delgado (Gina Jordan), Marc Musso (Freddy Jordan), Kevin Chapman (Alan), Catherine Dent (Ana), Eddie Marsan (John).

História : Um trágico acontecimento origina três mortes e transforma drasticamente a vida de várias pessoas.

Comentário : Antes de ter visto “Amor Cão”, na altura vi este “21 Gramas” e tomei o gosto do tipo de cinema que este realizador fazia. Os seus filmes são montados como se de um puzzle se tratasse. Este “21 Gramas” é possivelmente o seu filme mais fragmentado. O filme conta a história de um dos personagens principais que provoca um horrivel acidente, originando três mortes. Este acontecimento trágico altera por completo a vida de várias pessoas. Já em “Amor Cão” era assim e depois com “Babel”, a situação se repetiu. Pessoalmente, gostei dos três filmes, embora este “21 Gramas” seja o meu preferido dele. Naomi Watts tem aqui uma das melhores interpretações da sua carreira, tal como Benicio Del Toro e Sean Penn. Os secundários também estiveram todos de parabéns. Na altura, fui ver este filme ao cinema duas vezes e senti nessas duas vezes aquela poderosa sensação de ter tido uma excelente experiência cinematográfica.

Existem muitos filmes que nos fazem pensar e “21 Gramas” é daqueles que mais nos obrigam a isso. O titulo do filme diz respeito ao facto de que existem entendidos na matéria que dizem que um ser humano perde 21 gramas no exacto momento da morte. Pessoalmente, nada percebo disso. Mas acredito que seja verdade. O filme está repleto de cenas nostálgicas e poderosas. A cena em que Christina está deitada na cama e põe-se a ouvir muitas vezes a mensagem de tlm que o marido e as filhas deixaram minutos antes de morrerem. Ou as cenas em que Paul está a sofrer, todo entubado numa cama de hospital. Temos depois a cena em que Christina descobre que é Paul quem tem o coração do falecido marido e grita com ele e também quando os dois estão em casa e ele pede-lhe que ela tenha calma. Todas estas cenas são bons exemplos daquilo que o filme nos faz sentir. Por vezes, sentimos mesmo o que os personagens estão a sentir. É um doloroso e realista filme sobre a dor da perda, sobre o quanto a vida pode ser má e também é um filme sobre a própria vida em si. Confesso que ainda me lembro que, após ter saído da sala de cinema naquela altura, ainda fiquei a pensar em algumas coisas do filme durante uns dias. “21 Gramas” foi um dos melhores dramas que vi até hoje. PS : As três vitimas mortais do acidente são aquelas que estão na foto em baixo.

Classificação do filme : 5.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

La Haine

Nome do Filme : “La Haine”
Titulo Português : “O Ódio”
Titulo Inglês : “Hate”
Ano : 1995
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Mathieu Kassovitz
Elenco : Vincent Cassel (Vinz), Hubert Kounde (Hubert), Said Taghmaoui (Said), Abdel Ahmed Ghili (Abdel), Heloise Rauth (Sarah), Benoit Magimel (Benoit).

História : Num típico bairro social com os habituais problemas, os moradores acordam uma manhã com o bairro em estado de sítio. Um grupo de rapazes andou quase toda a noite em conflito com a polícia. Tudo porque a polícia espancou brutalmente um dos elementos do grupo de jovens.

Comentário : Trata-se de um filme muito bom. É a história de 3 amigos que nem sempre se entendem. O filme tem interpretações brilhantes, mas aquela que mais me chamou a atenção foi a de Vincent Casssel. No filme, existe até uma cena com Vinz em que o realizador presta homenagem a uma cena do filme “Taxi Driver”. Aquele plano de camara em que se vê tudo de cima é brutal. O filme é apresentado a preto e branco, gostei disso também. A pelicula peca apenas por alguns erros e pelo seu final indefinido.

Classificação do filme : 4. 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Short Term 12

Nome do Filme : “Short Term 12”
Titulo Português : “Temporário 12”
Ano : 2013
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Destin Daniel Cretton
Elenco : Brie Larson (Grace), John Gallagher Jr (Mason), Kaitlyn Dever (Jayden), Stephanie Beatriz (Jessica), Rami Malek (Nate), Alex Calloway (Sammy), Kevin Hernandez (Luis), Keith Stanfield (Marcus), Lydia Du Veaux (Kendra), Frantz Turner (Jack), Diana Maria Riva (Beth), Melora Walters (Dr. Hendler), Elyssa Gutierrez (Anna), Patricia Barrett (Tracy), Tanya Marie Bitanga (Nikki).

História : Num centro de acolhimento para crianças e adolescentes problemáticos, o quotidiano é vivido entre dramas, traumas e também algumas alegrias. A acompanhá-los está Grace, uma supervisora dedicada e comprometida com a sua missão. No entanto, ela debate-se com os seus próprios problemas e, apesar de contar com o apoio incondicional de Mason, seu colega e namorado, tem extrema dificuldade em confiar nos outros. Um dia, dá entrada na instituição Jayden, uma jovem tão dotada quanto potencialmente violenta. A força da ligação que se cria entre Grace e Jayden, associada a um acontecimento na vida da primeira, vai desencadear a libertação de que ela tanto necessita para se reconciliar com o passado e, assim, conseguir abraçar o que o futuro lhe reserva.

Comentário : Levei um verdadeiro murro no estômago com esta preciosa pérola do chamado cinema independente americano. Este pequeno filme trabalhou imenso a minha sensibilidade. Não me vou alongar muito a contar a história básica do filme, até porque já o fiz na parte de cima. Vou direitinho ao ponto. Adorei tudo neste filme. Interpretações fabulosas e credíveis, um poderoso argumento e sem falhas, uma eximia fotografia, um elenco bestial, uma história comovente que mexe com aquilo que temos de mais íntimo, é um drama intenso, realista e humano e, a cima de tudo, é uma obra que me marcou a alguns niveis. Brie Larson é o melhor do filme, obteve aqui uma das melhores interpretações vistas por mim num filme. A pelicula vai revelando aos poucos o passado de Grace e é praticamente impossivel não ficarmos sensibilizados com o seu passado triste e traumático, nomeadamente com aquilo que se passou entre ela e o seu nojento pai. O que se percebe dessas revelações é a base para entendermos muitas das atitudes que Grace tem ao longo de quase todo o filme. Todos os jovens que desempenham os adolescentes problemáticos estiveram muito bem, com destaque para Keith Stanfield como Marcus e, claramente, para Kaitlyn Dever que com a sua Jayden, nos facultou as partes mais dramáticas de todo o filme. “Short Term 12” é assim, para mim, o primeiro grande filme que vi em 2014. 

 
Por último quero aqui deixar um texto que representa a melhor sequência do filme e também uma das cenas mais comoventes e poderosas que eu vi em filme. Acontece um pouco depois de Grace convencer a pequena Jayden a regressar ao centro de acolhimento. Já no centro, Grace leva Jayden ao quarto e a miúda pergunta a Grace se quer ouvir uma história que ela escreveu. Claramente que Grace aceita ouvir essa história e senta-se ao lado da miúda. Quando as duas estão sentadas na cama, Jayden conta para Grace a história que escreveu e diz-lhe que está escrito em palavras básicas, afinal é uma história sobre uma criança. Não me lembro das palavras certas, mas é mais ao menos assim :

Era uma vez um polvo pequenino que era uma menina e se chamava Nina, vivia no mar, não tinha amigos e brincava a explorar grutas e com conchas. Um dia, apareceu um grande tubarão que a viu e perguntou-lhe o nome. Nina disse ao tubarão o seu nome. O tubarão perguntou-lhe se podia ser seu amigo e brincar com ela. Nina disse ao tubarão que nunca teve um amigo e pergunta ao tubarão o que era preciso para ela ser sua amiga. O tubarão diz a Nina que ela só tem que lhe dar um braço. Nina acredita e dá-lhe um dos seus seis braços para o tubarão comer, afinal tem mais cinco braços. A semana passou e todos os dias Nina e o tubarão brincaram juntos. Nina acabou sem braços. O tubarão apareceu noutro dia e disse a Nina que estava cheio de fome e precisava de comer muito para poder brincar novamente com ela a explorar grutas. Quando o tubarão acabou a refeição, nada sobrou de Nina e já não houve brincadeira. Então, o Tubarão sentiu-se solitário porque já não tinha Nina. O tubarão nadou para bem longe, para encontrar outra pequena amiga e poder brincar com ela...”

Voltando ao filme, quando Jayden acaba de contar a sua história que ilustrou em velhas folhas de um caderno para Grace, a menina começa a chorar (na foto em baixo), já as duas estão sentadas no chão perto da cama. Esta confissão, seguida do choro, abalou profundamente os alicerces de Grace e serviu de impulso para quase tudo o que ela fez a partir do minuto 60 do filme. Para mim e volto a dizer, esta sequência do filme que transcrevi, é uma das melhores cenas que eu vi num filme e é o exemplo perfeito de uma triste realidade que temos em muitas casas. Já devem ter percebido que a história que Jayden contou para Grace é a sua história, o polvinho fêmea representa Jayden enquanto que o tubarão representa o abusador sexual que foi sempre o pai de Jayden em relação à filha. Não tenho mais nada a dizer. 

 Classificação do filme : 5.

Abraços Cinéfilos.

Goodbye Dragon Inn

Nome do Filme : “Bu San”
Titulo Português : “Adeus, Dragon Inn”
Titulo Inglês : “Goodbye Dragon Inn”
Ano : 2003
Duração : 82 minutos
Género : Drama
Realização : Ming Liang Tsai
Elenco : Kang Sheng Lee, Shiang Chyi Chen, Kiyonobu Mitamura, Tien Miao, Chun Shih, Chao Jung Chen, Kuei Mei Yang.

História : Um velho cinema tailandês vive os seus últimos dias.

Comentário : E pronto, chegamos ao primeiro lugar do top 3 feito por mim dos melhores filmes do chamado cinema do mundo. Em terceiro lugar está o filme “A Morte do Sr. Lazarescu” enquanto que “Uzak” ocupa o segundo lugar. Em primeiro, está este “Goodbye Dragon Inn”. A primeira razão para isso é o facto deste filme ser não só uma homenagem à sétima arte, como também uma homenagem às antigas salas de cinema. É o filme mais parado que eu já vi até hoje. “Goodbye Dragon Inn” é cinema em estado puro. Cada fotograma transpira cinema por todos os poros. Além disso, o realizador nos apresenta aqui um filme muito realista. Só encontrei um único erro, numa das cenas, 3 homens demoram demasiado tempo a urinar. Mas isto não estraga a grandiosidade do filme, pois pode muito bem ser alguma mensagem do realizador. Uma das coisas que me arrependo é de não ter ido ao cinema ver este filme. Tal como sucedeu nos outros dois filmes do top. Acredito que quase ninguém goste deste tipo de cinema, mas para mim é um enorme prazer ver estes filmes. “Goodbye Dragon Inn” é mesmo uma belíssima obra prima do cinema do mundo. Simplesmente LINDO.

Classificação do filme : 5.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Distant

Nome do Filme : “Uzak”
Titulo Português : “Longínquo”
Titulo Inglês : “Distant”
Ano : 2002
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Nuri Bilge Ceylan
Elenco : Muzaffer Ozdemir (Mahmut), Emin Toprak (Yusuf), Zuhal Gencer (Nazan).

História : Um fotógrafo, assombrado pelo sentimento de que a sua vida se afasta cada vez mais dos seus ideais, é obrigado a partilhar o seu simples apartamento com um primo que deixou a sua aldeia para procurar trabalho a bordo de um navio.

Comentário : À uns anos fiz um Top 3 com os 3 melhores filmes do chamado cinema do mundo que vi. Em terceiro lugar ficou o excelente “A Morte do Sr. Lazarescu”, filme que já comentei neste espaço. No segundo lugar, encontra-se este igualmente excelente “Uzak” ou “Distant”. Não vi os dois no cinema, apenas os descobri uns dois anos mais tarde, no conforto do meu sofá. Após ter visto este filme, pensei para mim mesmo que os Estados Unidos não produzem cinema com esta qualidade. Neste caso, trata-se de cinema turco. Estamos perante um excelente filme do chamado cinema do mundo, um filme muito simples que fala de dois parentes muito diferentes. O filme fala também das dificuldades da vida, da falta de dinheiro, de várias formas de viver, de rotinas e de quotidianos mas, a cima de tudo, é uma obra que aborda a vida.

Tudo no filme é excelente, poderosas interpretações dos dois protagonistas, uma espectacular fotografia, excelentes planos e excelentes sequências, um ritmo lento mas adorável, lindas sequências exteriores, bonitas paisagens, um argumento sem falhas, uma história simples mas que podia ter acontecido na vida real e, a cima de tudo, muito realismo. Adorei quase todas as cenas do filme, apenas não gostei da parte em que o rato morre. Uma das minhas cenas preferidas foi aquela em que Mahmut está a ver um filme pornográfico e está cheio de cuidados para que o primo não o veja a ver aquilo. Nisto, Yusuf aparece, mas Mahmut consegue passar para outro canal a tempo. Mas o que mais gostei foi logo a seguir quando o hóspede permanece na traseira de Mahmut a ver a TV e este fica à espera que o primo regresse ao quarto para poder continuar a ver o filme. Há um momento sublime, em que Mahmut olha para trás, porque o homem nunca mais se vai embora, adorei essa cena. Depois, temos o magistral final, aqueles planos morosos que mostram Mahmut a observar o mar, um navio a passar e ouvimos o vento e os pássaros, um momento mágico. Sem dúvidas, “Uzak” é um dos melhores filmes que vi na vida e é possivelmente um dos filmes que mais tem de cinema. Ao ver este filme, vive um excelente momento de cinema. BRUTAL.

Classificação do filme : 5.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tropical Malady

Nome do Filme : “Sud Pralad”
Titulo Português : “Febre Tropical”
Titulo Inglês : “Tropical Malady”
Ano : 2004
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Apichatpong Weerasethakul
Elenco : Banlop Lomnoi (Keng), Sakda Kaewbuadee (Tong).

História : Enquanto a relação entre dois homens evolui para algo mais do que a simples amizade, um soldado é enviado para uma floresta com a missão de encontrar e matar uma misteriosa criatura que anda a dizimar o gado.

Comentário : Confesso que gosto bastante do cinema deste realizador. Trata-se de cinema tailândes e é engraçado que aconteceu-me ver primeiro o filme mais recente do realizador e fui recuando na sua filmografia, indo parar ao seu primeiro filme. Este “Febre Tropical” é um curioso filme que mistura drama com misticismo. Os povos do Oriente têm a mania de atribuir qualidades animais aos humanos e vice-versa. Acreditam muito em espíritos e em pessoas que viveram outras vidas. É precisamente sobre isso que o filme fala, embora isso se note mais na segunda metade do filme. As interpretações são boas e confesso que houve algumas situações que pareceram reais, por exemplo, a situação da cadela. A realização é muito boa e a fotografia é outro trunfo desta produção. Confesso que vi a versão do realizador com mais cerca de cinco minutos. Não posso dar nota máxima a este filme, porque houve algumas coisas que não gostei. Ainda assim, o filme é muito bom.

Classificação do filme : 4.

sábado, 4 de janeiro de 2014

The Death Of Mr. Lazarescu

Nome do Filme : “Moartea Domnului Lazarescu”
Titulo Português : “A Morte Do Sr. Lazarescu”
Titulo Inglês : “The Death Of Mr. Lazarescu”
Ano : 2005
Duração : 150 minutos
Género : Drama
Realização : Cristi Puiu
Produção : Alexandru Munteanu/Bobby Paunescu/Anca Puiu
Elenco : Ion Fiscuteanu (Mr. Lazarescu), Luminita Gheorghiu (Mioara Avram), Doru Ana (Sandu Sterian), Dorian Boguta (Ambulantier), Dana Dogaru (Mihaela Sterian), Robert Bumbes (Robert), Dragos Bucur (Misu), Monica Barladeanu (Mariana), Mirela Cioaba (Marioara), Gabriel Spahiu (Leonard).

História : A odisseia noturna de um homem muito doente que enfrenta a desatenção das pessoas, a burocracia dos hospitais e a incompetência de alguns médicos.

Comentário : À uns anos fiz um “top 3” dos meus filmes preferidos do chamado cinema do mundo. Este “The Death Of Mr. Lazarescu” é o que está em terceiro lugar. O filme é excelente a todos os niveis e confesso que não encontrei qualquer erro. Trata-se de cinema romeno de grande qualidade. Todos os atores que o filme possui tiveram excelentes interpretações, na realidade, tudo parece real, como se fosse filmado com camaras escondidas. O realizador Cristi Puiu usou a técnica da camara à mão para obter excelentes planos e para extrair todo o realismo possivel. Trata-se de um excelente drama que decorre na Roménia, mas aquilo que vemos podia passar-se em qualquer país do mundo, tudo depende da política de um sistema de saúde.

O filme acompanha uma noite inteira e respectiva madrugada na vida de um idoso. O homem do titulo acorda numa manhã cheio de dores e a situação piora ao cair da noite, pelo que ele telefona para mandar vir o médico a casa. Ao fim de duas chamadas e com a ajuda de um casal vizinho, chega finalmente a ajuda médica. O que vemos depois é um verdadeiro suplício a que o idoso é sujeito, é levado de hospital em hospital, tudo porque um alega ter doentes a mais, outro diz que não são as suas competências e o Sr. Lazarescu vê-se “enrolado” em burocracias e alguma incompetência médica. Até que o senhor vai definhando aos poucos. O filme é extremamente parado e tem algumas situações que se repetem. Pessoalmente, confesso que é mesmo deste tipo de cinema que gosto, cinema sério. Isto é cinema de verdade, num filme que serve em parte para mostrar algumas situações que se passam em alguns hospitais por esse mundo fora. Estamos perante um excelente exercício de cinema, verdadeiramente brutal, adorei.

Classificação do filme : 5.

Involuntary

Nome do Filme : “De Ofrivilliga”
Titulo Inglês : “Involuntary”
Ano : 2008
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Ruben Ostlund
Produção : Philippe Bober/Erik Hemmendorff/Marie Kjellson
Elenco : Villmar Bjorkman (Villmar), Linnea Cart Lamy (Linnea), Leif Edlund (Leif), Olle Lilljas (Olle), Sara Eriksson (Sara), Lola Ewerlund (Lola), Hanna Lekander (Hanna), Maria Lundqvist (Maria), Cecilia Milocco (Cecilia), Simeon Nordius (Sonen), Henrik Vikman (Henrik), Vera Vitali (Vera).

História : Um casal recebe amigos em casa para celebrar o aniversário da dona da propriedade. Uma atriz faz uma viagem de autocarro pelas ruas da Suécia. O trabalho de uma professora do ensino primário e as suas divergências com os colegas. O reencontro de um grupo de amigos que resolve passar alguns dias apenas entre homens. As aventuras perigosas de duas lindas e provocadoras adolescentes.

Comentário : Filme sueco que é uma obra muito curiosa vinda daquelas paragens. A nivel das interpretações, quase todos estiveram bem, mas sem dúvidas que a atriz que desempenhou o papel da professora principal foi quem esteve melhor. Trata-se de um conjunto de histórias sem ligação aparente, mas todas elas retratam a sociedade de hoje em dia. As situações que mais se destacam são claramente a situação da professora em conflito com os colegas em parte por causa de um aluno problemático e também a situação das miúdas que fazem mais coisas más que boas. A sequência do metro e a sequência em frente à camara do computador, todas protagonizadas pelas duas adolescentes, põem-nos a questionar para onde caminha a juventude de hoje. O realizador Ruben Ostlund deu-nos assim uma obra fria, dura e bastante realista que espelha bem não só a sociedade do seu país, como também grande parte da mentalidade do Ocidente. Por último, é um bom filme, mas peca por ser uma obra apenas com um meio, não possui nem um inicio e nem um final. 

Classificação do filme : 3.