domingo, 29 de setembro de 2013

The Time Of The Wolf

Nome do Filme : “Le Temps Du Loup”
Titulo Português : “O Tempo Do Lobo”
Ano : 2003
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Michael Haneke
Elenco : Isabelle Huppert (Anne), Patrice Chereau (Thomas), Anais Demoustier (Eva), Lucas Biscombe (Benny), Olivier Gourmet (Koslowski), Brigitte Rouan (Bea).

História : Quando Anne e a familia chegam à sua casa de campo, descobrem que esta está ocupada por gente violenta. O que eles não contavam é que a situação vai piorar e muito.

Comentário : Gosto do cinema de Michael Haneke, recentemente, o realizador até foi premiado em vários festivais de cinema pelo seu novo filme (Amour). Esta tarde, resolvi rever um dos antigos filmes dele e optei por este estranho “Le Temps Du Loup”. Trata-se de um bom filme e eu confesso que até gostei dele, ainda que ache que houveram cenas que podiam ter tirado. Isabelle Huppert interpreta uma mulher a quem matam o marido e que se junta, com os dois filhos, a um grupo de pessoas, numa estação de comboio abandonada. Durante quase duas horas, Haneke filma as dificuldades dos cidadãos da sociedade da Internet e dos hipermercados para se adaptarem às novas e ásperas condições de vida, criando uma atmosfera de desamparo e angústia. Isabelle Huppert é uma excelente atriz. Para encerrar os meus comentários relativos ao mês de Setembro, resta-me dizer que Michael Haneke é um dos meus realizadores preferidos e à excepção de “Brincadeiras Perigosas”, gostei de todos os filmes dele.

Classificação do filme : 3.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Changing Times

Nome do Filme : “Les Temps Qui Changent”
Titulo Português : “Os Tempos Que Mudam”
Ano : 2004
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : André Téchiné
Elenco : Catherine Deneuve (Cecile), Gerard Depardieu (Antoine Lavau), Gilbert Melki (Natan), Malik Zidi (Sami), Lubna Azabal (Nadia/Aicha), Tanya Lopert (Rachel), Idir Elomri (Said), Nadem Rachati (Bilal).

História : Um casal se reencontra muitos anos depois de um grande romance.

Comentário : Não se pode dizer que seja um dos melhores trabalhos de André Téchiné, ainda assim, é um filme razoável. O argumento não é dos seus pontos mais fortes, numa obra que não prima pela originalidade. Basicamente, é um filme que vive de prestações, é um filme de interpretações. Catherine Deneuve e Gerard Depardieu estão brutais neste filme e provam mais uma vez porque são os melhores atores franceses dos últimos anos. O filme não é recente, tem quase 10 anos de existência. Os secundários limitaram-se a cumprir os papéis que lhes foram atribuidos. No fundo, é um filme razoável que fala de um casal que se ama há mais de 32 anos bem como a luta de um homem para voltar a conquistar a mulher que ama. Gostei, mas esperava muito mais de Téchiné.

Classificação do filme : 2.

domingo, 22 de setembro de 2013

The Mother

Nome do Filme : “The Mother”
Titulo Português : “A Mãe”
Ano : 2003
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Roger Michell
Elenco : Anne Reid (May), Daniel Craig (Darren), Peter Vaughan (Toots), Anna Wilson Jones (Helen), Cathryn Bradshaw (Paula), Steven Mackintosh (Bobby).

História : May é uma avó que vive nos subúrbios. Durante uma visita aos filhos, Bobby e Paula, em Londres, o marido morre. Mas May não consegue regressar a casa, não está disposta a ser mais uma velhota para quem a vida terminou como as suas vizinhas. Ela fica então a viver com a filha e apaixona-se por um homem novo, amigo do filho e amante de Paula.

Comentário : Ando numa de ver filmes já com uns aninhos e que não tive a chance de ver. Hoje à noite, calhou a vez a este “A Mãe”. O filme é um drama muito bom que fala das relações entre idosos e gente nova. A fita dá-nos uma visão bastante detalhada dos sentimentos da protagonista, enquanto mulher, mãe, viúva e avó. A veterana Anne Reid está brilhante no papel principal do filme e é de frisar o à vontade com que ela está nas cenas de nú. Na altura em que este filme foi feito, Daniel Craig ainda não era famoso como o é hoje e ainda não se tinha voltado para os blockbusters. Ele teve igualmente um bom papel, ainda que eu não tenha percebido muito bem algumas coisas da personalidade do seu personagem. A cena que mais me “chocou” foi uma das últimas e mostra a indeferença da familia de May quando esta regressa a sua casa, até dói. Um filme muito bom, um excelente drama.

Classificação do filme : 4.

sábado, 21 de setembro de 2013

Behind The Candelabra

Nome do Filme : “Behind The Candelabra”
Titulo Português : “Por Detrás Do Candelabro”
Ano : 2013
Duração : 119 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Steven Soderbergh
Elenco : Michael Douglas (Liberace), Matt Damon (Scott Thorson).

História : Pianista virtuoso, excêntrico entertainer, artista de teatro e televisão, sinónimo de espetáculo e extravagância, Liberace foi um artista de renome mundial, com um talento que o tornou querido do público e lhe permitiu conquistar uma base leal de fãs ao longo da sua carreira de quarenta anos. No ano de 1977, Liberace conhece o jovem e belo Scott Thorson e apesar da abismal diferença de idades e mundos opostos, os dois envolvem-se numa relação amorosa, uma relação homossexual.

Comentário : Este filme que estreia também esta semana é uma produção da estação de televisão HBO e quase não passou em cinemas nenhuns nos EUA. Mas acabou por ser um êxito. Eu gostei do filme e penso que o realizador Steven Soderbergh se despediu em beleza dessa função ao conceber este filme. É um bom filme a vários niveis, nomeadamente, a nivel de guarda-roupa, banda sonora, cenários, fotografia e a cima de tudo, a nivel de interpretações. Michael Douglas e Matt Damon estão extraordinários nos seus papéis, depois de vermos o filme percebemos que a sua entrega aos respetivos papéis foi total. É uma obra que ao abordar a temática gay do artista em questão, não choca por isso. Trata-se de um filme biográfico e nessa vertente também acertou, centrando-se mais na relação de Liberace com Scott. Claro que o filme também tem partes desnecessárias e ainda são algumas. Menos trinta minutos e a coisa podia ter sido melhor. Michael Douglas está quase irreconhecível. Quanto a Matt Damom, nem parece que é o mesmo ator que deu vida a Will Hunting ou Jason Bourne. “Behind The Candelabra” é assim, um bom filme e ainda bem que alguém optou por deixá-lo estrear nos cinemas da Europa.

Classificação do filme : 3.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Animal Kingdom

Nome do Filme : “Animal Kingdom”
Titulo Português : “Reino Animal”
Ano : 2010
Duração : 113 minutos
Género : Crime/Thriller
Realização : David Michod
Elenco : James Frecheville (Joshua), Jacki Weaver (Janine), Joel Edgerton (Baz), Sullivan Stapleton (Craig), Luke Ford (Darren), Guy Pearce (Nathan Leckie).

História : Um adolescente vive no meio de uma familia conturbada e criminosa. Um detetive decide lutar com todas as forças para tirar o jovem desse ambiente, a fim de evitar que ele tenha um futuro sombrio.

Comentário : Vi este filme na noite passada e confesso que me desiludiu um pouco. Esperava muito mais deste filme. Confesso que achei o filme muito chato e pouco motivador. Tudo bem, a nivel de interpretações está razoável, sendo Guy Pearce o melhor do elenco. O jovem protagonista também não esteve mal, embora por vezes, ligeiramente “apagado”. Confesso que, a meio do filme, já estava a desejar que terminasse. O ritmo podia ter sido usado de forma diferente, tornou-se maçador em grande parte das cenas. O filme podia ter provocado revolta e irritação, mas isso não aconteceu. Apenas me causou uma sensação enfadonha. Como thriller é razoável, como drama falha, se é que alguma vez o realizador quis que fosse um drama. Também não gostei do titulo do filme. Basicamente, “Animal Kingdom” é um filme que vive de duas coisas : boas interpretações e um final verdadeiramente espetacular, aquele tiro final e o seu significado deixa qualquer um boquiaberto, foi como eu fiquei.

Classificação do filme : 2.

sábado, 14 de setembro de 2013

Shun Li And The Poet

Nome do Filme : “Io Sono Li”
Titulo Português : “Shun Li E O Poeta”
Ano : 2011
Duração : 95 minutos
Género : Drama
Realização : Andrea Segre
Elenco : Tao Zhao (Shun Li), Rade Serbedzija (Bepi), Amleto Voltolina (Bode).

História : Shun Li trabalha numa fábrica têxtil para obter os documentos necessários à chegada do filho de oito anos. De repente, é transferida como empregada de balcão para trabalhar numa taberna. Shun Li acaba por descobrir algo mais do que uma nova rotina.

Comentário : Esta semana estreia este filme italiano que eu destaco pela positiva. É a história de alguém que se vê obrigada a mudar-se para longe da sua residência e do local onde sempre trabalhou, para exercer uma atividade totalmente diferente. Shun Li é a personagem principal e ela acaba por arranjar uma curiosa amizade com um idoso que tem a alcunha de “O Poeta”, amizade essa que não é bem vista naquela comunidade e até chega ao ponto de gerar graves problemas. Gostei muito do filme e tive uma boa experiência cinematográfica ao vê-lo. Li algures que este filme apenas irá estrear numa única sala em toda a Lisboa, lamentável. Outra coisa igualmente lamentável é saber que porcarias como “Riddick” vão estrear em várias salas, mas o povo quer é diversão. Tao Zhao e Rade Serbedzija são os pilares mais fortes do filme, possuindo poderosas interpretações. O elenco de secundários esteve muito bem. A fotografia é um primor e o argumento é soberbo. O filme tem ainda planos e imagens de uma beleza rara. A forma como o filme termina é pura poesia. O filme peca apenas por ter alguns erros. Mais um filme muito bom que passará despercebido.

Classificação do filme : 4.

PS : Além do filme “Shun Li And The Poet” de Andrea Segre, estão previstos também estrear até ao final deste mês nas salas de cinema portuguesas outros 3 filmes relevantes, todos eles excelentes. São eles : “Like Someone In Love” do grande Abbas Kiarostami; “The Conjuring” de James Wan e o excelente “The Place Beyond The Pines” de Derek Cianfrance. Já vi estes três filmes e adorei qualquer um deles. Os 3 fazem parte da lista dos melhores filmes que vi este ano (lista não terminada). Já vi os 3 e já os comentei neste meu espaço. Para consultarem os respectivos comentários, basta escrever os titulos em inglês dos filmes na caixinha de busca e clicar enter. As duas últimas semanas deste mês são ricas em cinema.

Abraços Cinéfilos.

Me And You

Nome do Filme : “Io E Te”
Titulo Português : “Eu E Tu”
Ano : 2012
Duração : 92 minutos
Género : Drama
Realização : Bernardo Bertolucci
Elenco : Tea Falco (Olivia), Jacopo Olmo Antinori (Lorenzo).

História : Lorenzo é um jovem solitário, muito diferente dos outros. Um dia, engana os pais e falta a uma viagem escolar para realizar o sonho de se esconder numa cave abandonada do prédio onde mora. Durante cerca de sete dias, pode finalmente evitar todos os conflitos e pressões e comportar-se como um adolescente dito normal. A chegada inesperada da irmã vai mudar tudo.

Comentário : Gosto do cinema que o realizador Bernardo Bertolucci faz. Há dias vi este seu novo filme e confesso que gostei, é um bom filme. É a história de alguém problemático que consegue, por uma semana, um tempo unicamente seu. O rapaz protagonista, apesar de, por vezes, irritante, esteve à altura do papel. Ela também esteve muito bem. A quimica entre os dois jovens resultou bem. Mas falta muita coisa ao filme, parece que me apetecia ver mais, ou seja, o que vinha a seguir. O argumento possui algumas nuances de originalidade. Adorei aquela parte em que Lorenzo está a imitar o tatu que viu na loja, a andar de um lado para o outro, num espaço pequeno. O filme acaba por ser uma obra simples, mas complexa no seu assunto. Como já disse, a adolescência é a fase mais complicada de um ser humano. Este filme apenas irá estrear lá para o mês que vem, mas eu já tive a sorte de o ver. Um último reparo, o jovem ator que desempenhou o papel de Lorenzo, tem algumas semelhanças com o famoso e consagrado ator Malcolm McDowell, quando este entrou no filme “A Clockwork Orange”.

Classificação do filme : 3.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Late Spring

Nome do Filme : “Banshun”
Titulo Português : “Primavera Tardia”
Ano : 1949
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Yasujiro Ozu
Elenco : Chishu Ryu (Shukichi), Setsuko Hara (Noriko), Yumeji Tsukioka (Aya), Haruko Sugimura (Masa), Jun Usami (Shoichi), Hohi Aoki (Katsuyoshi).

História : Preocupado com a filha que está em idade de se casar, mas só pensa em cuidar do pai, um viúvo finge estar novamente noivo, para que a filha siga o seu destino.

Comentário : E com este filme fecho os meus comentários a filmes de Yasujiro Ozu. Tal como “Viagem a Tóquio” e “O Gosto do Saké”, este “Primavera Tardia” também é um bom trabalho do realizador. Ainda que não atinja a excelência dos dois referidos anteriormente. Temos novamente a familia como destaque e a solidão a encerrar o filme. O ator fetiche do mestre Ozu continua no papel de destaque e esteve mais uma vez brilhante. O filme é a preto e branco, mas a magia existente nos trabalhos do realizador continua lá. Os 3 filmes que vi dele terminam com uma cena que é alusiva à solidão. No filme, muita coisa me encantou, mas adorei aquela cena passada numa noite no escuro em que, deitados, pai e filha conversam e o velho homem acaba por adormecer. Depois apenas se ouve o ressonar do velho pai. Não gostei da banda sonora, aquelas melodias japonesas são por vezes irritantes. Adorei ter descoberto estes 3 filmes de Yasujiro Ozu, ainda que demasiado tarde, mas confesso que ainda fui a tempo.

Classificação do filme : 4.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Law Of Desire

Nome do Filme : “La Ley Del Deseo”
Titulo Português : “A Lei Do Desejo”
Ano : 1987
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Pedro Almodovar
Elenco : Antonio Banderas (Antonio), Carmen Maura (Tina), Manuela Velasco (Ada), Eusebio Poncela (Pablo), Miguel Molina (Juan).

História : Um realizador de cinema envolve-se com um louco, enquanto cria um filme que tem como protagonista a sua irmã, que mudou de sexo para manter um caso incestuoso com o pai.

Comentário : Creio que já disse isto, mas não sou grande apreciador do cinema de Pedro Almodovar. Recentemente vi o novo filme dele (Os Amantes Passageiros) que achei execrável, o pior filme que vi este ano. No entanto, tenho que dizer que gosto muito de 3 filmes dele : “Fala Com Ela”, “A Pele Onde Eu Vivo” e este “A Lei Do Desejo”. Também havia gostado do filme “Áta-me”, mas revi-o no outro dia e não partilhei do mesmo entusiasmo. “A Lei Do Desejo” é um filme muito bom que fala das vidas das pessoas. Fala também de uma relação homossexual vivida por dois homens interpretados por Eusebio Poncela e por Antonio Banderas. Que poderosas interpretações que estes dois homens tiveram. Carmen Maura também esteve muito bem no papel de um rapaz que mudou de sexo. O cinema de Almodovar é assim mesmo, aborda em parte este tipo de temas. Gostei de quase tudo no filme, principalmente da história de amor que o realizador nos quis contar, muito diferente do habitual. Além disso, o filme tem também a ver com o próprio cinema, a profissão de Pablo ou a máquina de escrever dizem tudo. Um último reparo, lembram-se da Angela Vidal dos dois primeiros filmes da saga “Rec” ? A menina que vemos no papel de Ada é a mesma atriz que fez de Angela nesses dois filmes de terror, é a bonita Manuela Velasco.

Classificação do filme : 4.

sábado, 7 de setembro de 2013

An Autumn Afternoon

Nome do Filme : “Sanma No Aji”
Titulo Português : “O Gosto Do Saké”
Ano : 1962
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Yasujiro Ozu
Elenco : Chishu Ryu (Shuhei), Shima Iwashita (Michiko), Keiji Sada (Koichi), Mariko Okada (Akiko), Teruo Yoshida (Miura), Noriko Maki (Fugako).

História : Um viúvo tenta conciliar-se com a ideia de casar a sua única filha e, assim, ficar sozinho, sem ninguém para tomar conta dele.

Comentário : Segundo filme de Yasujiro Ozu que vi na madrugada passada. Adorei o primeiro que vi e tive a mesma sensação neste segundo filme. Tal como “Viagem A Tóquio”, este “O Gosto do Saké” é igualmente um filme muito parado, uma característica que costumo apreciar muito nos filmes. O generoso ator Chishu Ryu volta a protagonizar o filme e volta ao papel de patriarca de uma familia. Desta vez, não desempenha um pai e avô, agora é apenas um pai desesperado que quer ver a filha feliz e decide arranjar-lhe casamento. Mas a miuda não parece querer casar, em parte porque não quer deixar o pai idoso entregue a si mesmo. O filme foca também os serões dos homens japoneses, que ficam horas sentados no chão, a conversar, em frente a uma mesa cheia de garrafinhas de Saké, a bebida tradicional japonea a que o titulo do filme se refere. Fiquei fascinado com a forma como aqueles homens passam os serões, não tem nada a ver com a confusão dos convívios dos homens portugueses, por exemplo.

Tal como “Viagem A Tóquio”, este “O Gosto do Saké” pode gabar-se de ser excelente em praticamente tudo, a começar pelas excelentes interpretações, passando pela fotografia e terminando na fabulosa banda sonora. E lá pelo meio há muita coisa boa para ser apreciada. Li algures que este filme é um dos poucos filmes do realizador feito a cores. Os japoneses podem ter defeitos, como qualquer outro povo, mas possuem a característica de serem gente muito calma e pensam muito em quase tudo, antes de passarem aos actos. “Viagem A Tóquio” e “O Gosto do Saké” podem muito bem ser considerados como os melhores filmes de Yasujiro Ozu e chegam-nos finalmente em cópias digitais restauradas em imagem e som. Possivelmente a decisão de passar estes dois excelentes filmes no nosso Cinema Nimas pode estar relacionado com a comemoração dos 110 anos do nascimento do realizador e dos 50 anos da sua morte. Yasujiro Ozu faleceu de cancro no dia do seu aniversário, com somente 60 anos. Só temos que agradecer a ele por nos facultar tão bom cinema, estes dois excelentes filmes são a prova viva desse reportório. 
Classificação do filme : 5.

Tokyo Story

Nome do Filme : “Tokyo Monogatari”
Titulo Português : “Viagem A Tóquio”
Ano : 1953
Duração : 136 minutos
Género : Drama
Realização : Yasujiro Ozu
Elenco : Chishu Ryu (Shukishi), Chieko Higashiyama (Tomi), Setsuko Hara (Noriko), Haruko Sugimura (Shige), So Yamamura (Koichi), Kuniko Miyake (Fumiko).

História : Um casal de idosos resolve ir passar uma semana a casa dos seus filhos a Tóquio. A família não se vê há anos, e apesar de os pais serem bem recebidos, constatam que os seus filhos e netos não têm tempo para cuidar deles e para estar com eles. A situação não é bem aquela que estavam à espera.

Comentário : Na madrugada passada vi dois dos melhores filmes do realizador japonês Yasujiro Ozu e este “Viagem a Tóquio” foi o primeiro deles, adorei este filme. Esta semana estreia em sala estes mesmos dois filmes e ainda bem que isso aconteceu. O grande problema é que os filmes estrearam num cinema com apenas uma sala e é um espaço que o grande publico não vai, apenas aparece um determinado tipo de gente que costuma frequentar esse mesmo espaço. Já para não falar da escassez dos horários praticados nesse cinema. Mas o filme em si é muito bom, ou melhor, é um excelente filme. É um filme sobre a familia. Antes de mais, quero dizer que adoro este tipo de cinema e ver este clássico foi uma das melhores experiências cinematográficas que tive. Caso não saibam, este “Tokyo Story” é considerado uma obra prima e figura nas listas dos melhores filmes de muitos cinéfilos.

Tokyo Story” fala de um casal de idosos que vai “passar uma chuva” em casa dos filhos e depara-se com uma situação muito diferente daquela que havia imaginado. Destaque máximo para o ator Chishu Ryu, presença em quase todos os filmes do realizador, ator fenomenal que é uma grande alegria ver, seja pela sua transparente honestidade que emana através dos seus gestos e da sua voz, seja pelo seu sorriso. Tudo me agradou neste filme, mas uma das coisas que mais gostei foi da personagem da nora do casal idoso, uma mulher muito bonita e graciosa que adora o velho casal e tudo faz para os agradar. Foi o primeiro filme deste realizador que vi e quando o terminei de ver fiquei ancioso para ver o outro filme do realizador : “O Gosto do Saké”. Impressionante constatar que a mensagem do realizador em relação a este filme ainda permanece nos dias de hoje. As relações familiares raramente são fáceis e este filme quis passar essa imagem. O filme é realmente uma obra prima e é cinema de grande qualidade. São quase duas horas e meia de puro cinema, amei o filme. Duvido que o publico que costuma frequentar as salas de cinema Lusomundo se aguentasse mais de trinta minutos na sala a ver este filme ou qualquer outro do género. A maior parte das pessoas vai ao cinema para se divertir e não para pensar. A capacidade de apreciar a arte não chega a todos e é pena. 
Classificação do filme : 5. 

domingo, 1 de setembro de 2013

Fill The Void

Nome do Filme : “Lemale Et Ha'halal”
Titulo Português : “Noiva Prometida”
Ano : 2012
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : Rama Burshtein
Elenco : Hadas Yaron (Shira), Renana Raz (Esther), Yiftach Klein (Yochay), Irit Sheleg (Rivka), Chayim Sharir (Aharon), Razia Israeli (Hanna), Hila Feldman (Frieda).

História : Uma familia judia ortodoxa e conservadora está prestes a ver a sua filha mais nova casar com um rapaz de boas familias, por quem está apaixonada. No entanto, pouco antes da cerimónia, a irmã mais velha morre de parto. Agora, a preocupação da familia é encontrar uma noiva para o viúvo da irmã mais velha. Ele pensa casar com uma mulher e partir com o filho para outro país. Com medo de perder o neto, a familia faz um novo plano : desfazer o casamento da irmã mais nova e obrigá-la a casar com o viúvo da mais velha.

Comentário : Este filme é, na minha opinião, a melhor estreia desta semana. Mas claro que quase ninguém vai a umas salas de cinema antigas (mais baratas nos dias úteis) situadas numa rua escondida ver este filme. É um filme muito bom que penetra profundamente no seio de uma familia judia e que nos mostra mais ou menos como as coisas funcionam naquele meio. É impressionante ver como, actualmente, ainda existem culturas e gente que manipulam vidas de pessoas em prol de manter tradições sem sentido, não olhando ao sentimento humano, a comunidade judia ou a comunidade cigana são apenas dois exemplos disso. Embora no caso deste filme, a intenção da mãe em casar a filha mais nova não é tanto devido à tradição. A nivel de interpretações está brutal, com destaque máximo para a jovem Hadas Yaron que desempenha o papel da protagonista. Toda a sequência final é a melhor do filme e o que dizer daquela última cena que encerra o filme, profundamente angustiante, o olhar de Shira diz tudo. Esta é uma obra que não só nos ensina muito como também é um bom momento de cinema.

Classificação do filme : 4.

Mud

Nome do Filme : “Mud”
Titulo Português : “Mud”
Ano : 2012
Duração : 133 minutos
Género : Drama
Realização : Jeff Nichols
Elenco : Matt McConaughey (Mud), Reese Witherspoon (Juniper), Tye Sheridan (Ellis), Jacob Lofland (Neckbone), Michael Shannon (Galen), Sam Shepard (Tom).

História : Dois meninos encontram um fugitivo e aceitam ajudá-lo não só a manter-se escondido de gente cruel como também a encontrar o amor da sua vida.

Comentário : Vi este filme e gostei muito do que vi. É a terceira colaboração do realizador independente Jeff Nichols com o excelente ator Michael Shannon, ainda que este tenha uma participação pouco relevante no filme. Os dois meninos são os protagonistas do filme, ainda que Matt McConaughey tenha tido, na minha opinião, a melhor interpretação da sua carreira. O ritmo lento do filme foi outra coisa que me agradou. O argumento é bastante forte e as cenas filmadas à noite estão muito bem concebidas. Como pontos negativos, quero dizer que alguns atores secundários estiveram mal e o realizador deu-lhes pouca profundidade. A musica que toca no inicio do genérico final nada têm a ver com o tipo de filme que é. Lamentável o facto do filme apenas estrear por cá nos finais de Outubro. Bom filme. 

Classificação do filme : 3.

Stoker

Nome do Filme : “Stoker”
Titulo Português : “Stoker”
Ano : 2013
Duração : 99 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Chan Wook Park
Elenco : Nicole Kidman (Evelyn Stoker), Mia Wasikowska (India Stoker), Matthew Goode (Charles Stoker).

História : Após a morte do pai, uma jovem chamada India Stoker conhece o seu tio e a presença deste pode revelar factos menos bons do passado dele.

Comentário : Venho comentar este filme devido à sua saída para DVD no final da semana que começa hoje. Isto porque o filme estava previsto sair para os nossos cinemas e desistiram de o estrear por cá. O filme não é nada de especial, é somente uma obra razoável. Nicole Kidman tem aqui possivelmente a personagem mais irritante e enervante da sua longa carreira. Matthew Goode nem aquece nem arrefece. Quem “carrega o filme todinho às costas” é a bonita e boa atriz Mia Wasikowska, que excelente prestação. Outra mais valia é a excelente fotografia. O argumento é também razoável. Mas o filme peca por estar filmado de forma maçadora e de ter alguns clichés e erros. “Stoker” é apenas um filme razoável, nada mais. 

Classificação do filme : 2.

Just The Wind

Nome do Filme : “Csak A Szel”
Titulo Português : “Apenas O Vento”
Ano : 2012
Duração : 96 minutos
Género : Drama
Realização : Benedek Fliegauf
Elenco : Katalin Toldi (Mari), Gyongyi Lendvai (Anna), Eva Papp (Zita), Lajos Sarkany (Rio), Gyorgy Toldi (Grandfather), Gyula Horvath (Ali), Gergely Kaszas (Father), Zsolt Vegh (Janitor), Emese Vasvari (Rozsi).

História : Uma mulher cigana faz o que pode para criar os filhos e juntar todo o dinheiro que conseguir com o objectivo de ir ter com o marido que emigrou para outro país.

Comentário : Basicamente o que vemos neste filme muito bem filmado é um dia de uma familia cigana que vive na Hungria, como tantas. A mãe vai tendo trabalhos e junta o que pode para no futuro ir com os filhos para junto do marido que emigrou. A filha adolescente estuda numa escola e é uma boa rapariga. O rapaz falta às aulas sempre que quer para ir jogar com amigos ou simplesmente para vadiar. O pai vive noutro país e apenas fala com a familia pela internet. O filme relata a vida desta familia cigana, mas também aborda o tema da xenofobia contra os ciganos, que na Hungria eram brutalmente assassinados durante a madrugada. Trata-se de cinema independente, o seu ritmo super lento permite seguirmos as personagens com mais cuidado e vermos os detalhes. A nivel das interpretações, as atrizes que fazem de mãe e filha adolescente são as melhores. O final do filme é brutal, mas muito polémico. É uma obra simples, muito bem filmada e que tem muito de cinema. É um filme muito bom que nos deixa a pensar, muito depois de termos saído da sala de cinema.

Classificação do filme : 4.