sábado, 23 de fevereiro de 2013

For Ellen


Nome do Filme : “For Ellen”
Ano : 2012
Duração : 96 minutos
Género : Drama
Realização : So Yong Kim
Produção : Paul Dano
Elenco : Paul Dano (Joby Taylor), Shaylena Lynn Mandigo (Ellen Taylor), Jena Malone (Susan), Margarita Levieva (Claire Taylor), Alex Mauriello (Lisa), Jon Heder (Fred).

História : O desespero e o sofrimento de um jovem pai por não poder estar com a sua filha de seis anos.

Comentário : Completamente arrasado foi como eu fiquei depois de ter visto este drama profundo. Como já disse, os meus filmes preferidos são aqueles que abordam histórias que falem de dramas humanos, histórias que falem das relações humanas. Este “For Ellen” fala de um homem que está aos anos na pior fase da sua vida, a vida profissional em ruinas, está deprimido e o pior de tudo, não convive com a sua filha pequena. Quando toca a divórcios, os pais nunca pensam no bem estar dos filhos, pensando sempre em si mesmos, ignorando que os filhos são sempre as maiores vitimas desse processo de separação e são as crianças que mais sofrem. O novo filme de So Yong Kim fala disso, mas não apenas disso. O seu novo filme aborda aqueles casos em que os pais homens são impedidos de acompanhar o crescimento dos seus filhos. Apesar de achar uma grande injustiça as mulheres ficarem sempre com os filhos, não vou entrar nesse campo. Falando do filme, a história podia ser verdadeira, não devem faltar casos destes por aí. O filme tem um ritmo muito lento, é extremamente parado, talvez por isso não agradou à maioria, pessoalmente, adorei isso. O filme está recheado de momentos deliciosos, de cenas tocantes e repleto de sensibilidade. A conversa final que Joby tem com Ellen no quarto da menina resultou na melhor sequência do filme inteiro. Repito, o filme é mesmo muito dramático, tudo isso devido ao assunto complexo e delicado que aborda. A pequena atriz que desempenhou o papel de filha do protagonista também actuou muito bem. Falando a nivel pessoal, um dos meus maiores sonhos é ser pai de uma menina e, se estivesse na pele do protagonista, nunca iria aguentar não poder estar com a minha filha. Isto para dizer que compreendo todo o sofrimento de Joby. Este filme foca na perfeição o drama humano e o desespero de um homem cujo o sofrimento é levado ao limite. “For Ellen” é do melhor cinema independente que tenho visto nos últimos anos, uma verdadeira pérola. Além disso, com este pequeno filme, Paul Dano tem a melhor interpretação da sua carreira. A mensagem que o realizador quis passar é poderosa.
O protagonista toma uma decisão perto do final do filme que no entender dele, fez aquilo pela filha, nunca saberemos de esse procedimento e suas consequências foram o melhor para a pequena Ellen, fica portanto em aberto. E essa duvida é asfixiante. Nunca me aconteceu isto, mas na mesma noite, vi dois excelentes filmes : este “For Ellen” e “Ginger And Rosa”. Assim como “Ginger And Rosa” foi o 6º melhor filme que vi em 2013, este “For Ellen” foi o sétimo melhor filme que vi neste ano. Dois excelentes momentos de cinema. Classificação do filme : 5.  

Ginger And Rosa


Nome do Filme : “Ginger & Rosa”
Ano : 2012
Duração : 92 minutos
Género : Drama
Realização : Sally Potter
Elenco : Elle Fanning (Ginger), Alice Englert (Rosa), Christina Hendricks (Natalie), Annette Bening (May Bella), Alessandro Nivola (Roland), Jodhi May (Anoushka),

História : As vidas complicadas de duas lindas adolescentes na Londres de 1960, época em que as armas nucleares, a luta pela paz e a revolução sexual eram assuntos que estavam na moda.
  Comentário : Em duas palavras : Excelente Filme. Depois de excelentes interpretações em “Phoebe In Wonderland” e “Somewhere”, Elle Fanning, a melhor jovem atriz da sétima arte, surge agora em outra excelente interpretação com este seu novo filme “Ginger And Rosa”. Elle Fanning não precisou da ajuda da sua irmã, Dakota Fanning (também excelente atriz) para deixar a sua marca no mundo do cinema. Este “Ginger And Rosa” já é um dos melhores filmes que vi em 2013, que grande momento de cinema. Uma boa fotografia, uma banda sonora notável, uma boa recriação de época, um bom elenco, um argumento sem falhas, poderosas interpretações e, acima de tudo, uma fita que aborda uma situação que se passou na realidade. Apesar de tanto o elenco jovem como o elenco adulto estarem ambos de parabéns, o destaque vai todo para as jovens Elle Fanning e para a revelação Alice Englert, a prestação desta última foi muito boa, ainda que tenha muito que aprender. Quanto à jovem Fanning, na minha opinião, ela teve em “Ginger And Rosa” a melhor interpretação da sua carreira, não fiquei tão espantado com a sua prestação, visto que a rapariga já esteve excelente em “Phoebe In Wonderland” e em “Somewhere”, mas neste seu novo filme, ela superou-se. A miuda é realmente a melhor jovem atriz dos últimos anos e da actualidade, e ainda tem a vida toda pela frente. A história do filme é soberba porque é uma espécie de fusão de algo que aconteceu naquela época com elementos ficcionados. Ginger e Rosa são duas adolescentes que cresceram juntas, passaram as infâncias juntas, viveram muitas experiências juntas e partilharam quase tudo, até a familia. Ginger e Rosa eram como irmãs. Lá para o meio do filme, acontece um twist envolvendo Rosa e o pai de Ginger que abala por completo a relação de empatia das duas jovens. Na minha opinião, a adolescência é a fase mais complicada da vida de um ser humano e essa mensagem, a realizadora soube passar na perfeição. Adoro filmes que abordem as relações entre pessoas e a complexidade do ser humano e este filme esgalhou essas questões na perfeição. Fanning e Englert encarnaram muito bem nas suas personagens, muito convicentes. “Ginger And Rosa” são oitenta e cinco minutos de puro cinema. “Ginger And Rosa” é um dos melhores filmes que vi em 2013, é o 6º melhor filme que vi este ano.
Classificação do filme : 5. 

Kauwboy


Nome do Filme : “Kauboj”
Ano : 2012
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Boudewijn Koole
Elenco : Rick Lens (Jojo), Susan Radder (Yenthe), Ricky Koole (July), Cahit Olmez (Deniz), Loek Peters (Ronald).

História : Um menino de dez anos tem em casa uma vida muito complicada, vivendo sozinho com o pai. Um dia, ele encontra um pássaro doente e leva-o para casa, cuidando do animal.

Comentário : Este pequeno filme é a mais recente pérola do cinema europeu, confesso que adorei o filme. A fita conta a história de um menino que nunca conseguiu superar a morte da mãe e que tem uma relação muito dificil com o seu pai. Um dia, surge um pássaro na sua vida que acaba por mudar a sua existência para melhor, aparentemente. Muitissimo bem filmado, este é um filme invulgar sobre a infância e o quanto complicada ela pode ser. Um dos pontos mais altos é a poderosa interpretação do pequeno Rick Lens. A relação que ele tem com o pássaro é bonita de se ver. Senti-me muito bem ao ver este filme, no final, somos brindados com dois twists muito curiosos, um relacionado com o pássaro e um outro relacionado com o pai do rapaz. O filme é ainda um eficaz drama familiar, onde testemunhamos a relação de um pai com o seu filho menor, em que cada dia é um sofrimento. O menino é adorável e os melhores momentos do filme são aqueles em que ele está com a ave. Geralmente, os filmes com animais são sempre dramáticos, aqui passou-se o mesmo. O realizador optou por nos facultar um filme ternurento e ao mesmo tempo, violento e realista. Durante a passagem dos créditos finais surgem cenas do filme, culminando numa última cena que eu considero como sendo a melhor cena do filme. Pessoalmente, adorei. Classificação : 5.  

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Rust And Bone


Nome do Filme : “De Rouille Et D'Os”
Ano : 2012
Duração : 125 minutos
Género : Drama
Realização : Jacques Audiard
Elenco : Marion Cotillard (Stephanie), Matthias Schoenaerts (Ali), Armand Verdure (Sam), Celine Sallette (Louise), Corinne Masiero (Anna).

História : Após ficar com o filho de cinco anos entregue aos seus cuidados, um homem chamado Ali encontra-se desesperado e desamparado. Acaba por encontrar refugio em casa de uma irmã. Mas após conhecer uma bonita mulher chamada Stephanie, a vida de Ali muda completamente.

Comentário : Tinha depositado neste filme espectativas muito altas. O filme não é tão bom quanto eu esperava, ainda assim é um bom filme. Marion Cotillard teve uma boa interpretação, mas muito longe da perfeição do seu papel em “La Vie En Rose”. Depois temos o maior problema do filme, o actor principal. De facto, detestei a interpretação de Matthias Schoenaerts e o seu Ali consegue ter menos inteligência do que um cão vulgar, que homem tão burro e tão estúpido. E o pior é que existem imensos homens como Ali. Depois ainda há o facto de que o realizador não alcançou com este filme a perfeição que obteve com “A Prophet” ou mesmo com “The Beat That My Heart Skipped”. “Rust And Bone” é assim um drama profundo e humano sobre um homem bruto e estúpido que leva uma vida igualmente bruta e estúpida e que age mais do que pensa. Podemos tirar a lição de vida que existem sempre pessoas em situações bem piores do que as nossas. O menino que faz de filho do personagem principal também esteve muito bem. Gostei do filme, mas esperava muito mais. Classificação : 3.  

Lore


Nome do Filme : “Lore”
Ano : 2012
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Cate Shortland
Elenco : Saskia Rosendahl (Lore), Nele Trebs (Liesel), Andre Frid (Gunther), Mika Seidel (Jurgen), Kai Peter Malina (Thomas), Ursina Lardi (Mutti).

História : Após o fim da Segunda Guerra Mundial, um casal abandona os seus cinco filhos, que inclui uma adolescente chamada Lore. Sozinhos e na miséria, Lore e os seus quatro irmãos mais novos, iniciam uma perigosa jornada que tem como destino a casa da avó. No entanto, pelo caminho, Lore não só vai encontrar muitos perigos, como também vai crescer mentalmente e tornar-se numa mulher.

Comentário : Esta tarde vi este filme que foi realizado pela mesma mulher que nos trouxe o magnifico “Somersault”. “Lore” é um filme que nos mostra a realidade de algumas familias do pós guerra, a situação das pessoas que se viam sem nada, bem como as respectivas consequências para os seus filhos. Na minha opinião, é um filme adulto sobre uma jovem que, de repente, vê-se sozinha a cuidar de mais quatro crianças e que tudo fará para as proteger. Seguimos o quotidiano daquelas cinco crianças que abandonam a sua casa e partem numa longa e perigosa jornada que tem como destino a casa da avó. O filme centra-se mais na viagem das crianças que fica mais interessante a partir do momento em que se junta a eles um jovem judeu. Todo o elenco jovem esteve bem, mas quem merece todo o mérito é Saskia Rosendahl que carrega praticamente o filme sozinha às costas. A recriação de época está aceitável e o ambiente é por vezes sufocante, veja-se a cena em que as crianças encontram um cadáver cheio de sangue e vermes numa casa abandonada. O filme não é americano, trata-se de cinema europeu, mais precisamente, cinema alemão. Penso que a realizadora fez bem em não ter optado por nos dar mais um filme sobre os campos de concentração ou sobre o nazismo, e ter optado por nos ter facultado uma obra que aborda o drama humano daqueles que são mais frágeis e que pagam sempre pelos erros dos adultos. Tal como é usual nos trabalhos da realizadora, “Lore” é uma fita que possui uma bela fotografia e nota-se que tudo passou por um cuidado processo de elaboração e concretização. Além disso, notou-se o traço feminino em algumas partes do filme. No fundo, é um drama humano que me comoveu, em parte, pela coragem da protagonista. Classificação : 4.  

domingo, 10 de fevereiro de 2013

The Master


Nome do Filme : “The Master”
Ano : 2012
Duração : 140 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Thomas Anderson
Elenco : Joaquin Phoenix (Freddie Quell), Amy Adams (Peggy Dodd), Philip Seymour Hoffman (Lancaster Dodd), Jillian Bell (Susan Gregory), Ambyr Childers (Elizabeth Dodd), Rami Malek (Clark), Madisen Beaty (Doris Solstad), Laura Dern (Helen).

História : O perturbado Freddie Quell aceita aliar-se ao eloquente Lancaster, que é o mentor do movimento “The Cause”.

Comentário : Na minha opinião, este “The Master” é um dos melhores filmes que vi este ano, apesar de ser um filme do ano passado, visto que foi concebido nesse ano. Joaquin Phoenix é um excelente ator e apenas lamento aquela fase de loucura que ele teve à uns 3 anos. Em “The Master”, Phoenix teve a terceira melhor interpretação da sua carreira (a seguir a “Gladiator” e “Walk The Line”). Philip Seymour Hoffman teve igualmente uma poderosa interpretação, este talvez melhor do que o seu amigo Phoenix. Ainda assim, o papel em que eu mais gostei de ver Philip Seymour Hoffman foi no muito bom “Capote”. Dizem que este filme é sobre a Cientologia, eu confesso que nada percebo dessas coisas e se é ou não é sobre esse movimento, não me interessa nada. Aqui o que está a ser analisado é o filme em si. De facto, Phoenix desempenha alguém perturbado, um homem que teve um passado complicado e que vê em Lancaster a sua oportunidade de ser alguém, de fazer algo importante, aceitando por isso, juntar-se à sua “A Causa”. É quase um pecado “The Master” não ter igualmente as nomeações para melhor realizador e para melhor filme do ano, já que as restantes 3 nomeações que possui são mais que merecidas. Realmente, o povo americano é muito estranho, visto que existem pelo menos quatro filmes entre os nove nomeados para melhor do ano que não merecem lá estar. Outro aspecto positivo de “The Master” é a excelente banda sonora, repleta de temas deliciosos. Não podemos esquecer a linda Amy Adams que está mais uma vez maravilhosa e portadora de mais uma excelente interpretação e como os trajes antigos lhe ficam tão bem. O filme é muito parado e com situações que se repetem, factores que não irão agradar à maioria dos espectadores que o vão ver a uma sala de cinema, seguros que vão passar duas horas divertidos. Mas, para os cinéfilos a sério, este filme é uma delicia, um deleite para os nossos sentidos, porque “The Master” é verdadeiro cinema. É um filme de atores. Em relação a Paul Thomas Anderson, adoro o cinema deste senhor e aproveito para deixar aqui o meu top 3 dele : 1 – Magnolia; 2 – The Master; 3 – There Will Be Blood”. “The Master” é um filme muito complexo e abrange muitas temáticas, penso que a principal é sobre que rumo podemos seguir nesta vida. Freddie Quell fez a sua escolha, boa ou má, foi assim que ele quis. É a história de alguém que decide passar a viver para algo, para um fim que considera importante. É impossivel ficarmos indiferentes a personagens como Freddie Quell e Lancaster Dodd, bem como aos seus modos de vida. Pessoalmente, adorei o filme, fita que eu considero como sendo um excelente exercicio de cinema, dificil de encontrar diante de tanta porcaria que a América nos dá. “The Master” é um filme obrigatório, excelente filme. Classificação : 5.  

Mama


Nome do Filme : “Mama”
Ano : 2012
Duração : 102 minutos
Género : Terror/Drama
Realização : Andres Muschietti
Produção : Guillermo Del Toro/Barbara Muschietti
Elenco : Jessica Chastain (Annabel), Nikolaj Coster Waldau (Lucas), Javier Botet (Mama), Megan Charpentier (Victoria), Isabelle Nelisse (Lilly), Daniel Kash (Dr. Dreyfuss), Jane Moffat (Jean Podolski), Julia Chantrey (Nina).

História : Após uns crimes horrendos, um pai rapta as duas próprias filhas pequenas e foge com elas no seu carro, acabando por se despenhar numa floresta. O homem pega nas filhas e leva-as para uma casa abandonada no meio da tal floresta onde pretende matar as pequenas e se suicidar de seguida. No entanto, algo o impede de matar as meninas e faz com que ele morra. Victoria e Lilly, as suas filhas, ficaram sozinhas naquela casa, entregues a si mesmas e sem ajudas, ou pelo menos assim parecia. Passaram cinco anos e a existência das meninas caíu no esquecimento.

Comentário : Na linha de bons filmes de terror ligados ao sobrenatural que surgiram ultimamente como “Insidious”, “Don't Be Afraid Of The Dark”, “The Possession” e “Sinister”, encontra-se este excelente filme chamado “Mama”, que é baseado numa curta metragem feita pelo próprio realizador do filme. Vi “Mama” na mesma madrugada em que vi “The Master”, ficando satisfeito com os dois filmes que, apesar de serem completamente diferentes, são dois excelentes filmes e que têm em comum o seu lado dramático e a abordagem das relações humanas. Em relação à realização, não entendo porque motivo Guillermo Del Toro continua a dar os seus projectos a realizadores principiantes, quando podia ele mesmo tratar do assunto. Mas até que os seus disciplos não se têm saído nada mal, tal como aconteceu com “Don't Be Afraid Of The Dark” e agora com “Mama”. Também penso que Andres Muschietti podia ter optado por um elenco adulto mais competente. Por outro lado, o elenco infantil foi bem mais profissional, muito melhor do que o já falado elenco adulto, liderado pela atriz Jessica Chastain. Megan Charpentier esteve muito bem no papel da hipnótica e misteriosa Victoria, tendo a segunda melhor interpretação do filme. Mas, na minha opinião, a alma do filme foi a pequena Isabelle Nelisse, que interpretou na perfeição uma menina selvagem, com todos os seus maneirismos animalescos e tiques de bichinho, deu-nos uma criança selvagem bastante credivel e fez-nos acreditar que seria assim uma menina que viveu cinco anos longe da civilização e em condições desumanas. O filme possui uma banda sonora capaz, efeitos especiais e efeitos sonoros assustadores, um argumento potente e bem desenvolvido, caracterização do fantasma e dos locais bastante competente, adorei tudo neste filme. A fita é detentora de um clima tenso que verificou-se sempre ao longo da projeção. A história de duas meninas pequenas sobreviverem sozinhas numa casa velha no meio de uma imensa floresta ao longo de cinco anos é um pouco dificil de acreditar, mas como esse facto está ligado ao sobrenatural e a uma ajuda espiritual, passa a ser mais aceitável. Quando se mexe no campo do sobrenatural, quase tudo é possivel, até mesmo aquela cena ridicula e inaceitável em que a pequena Lilly é transformada numa pequena mariposa, fazendo-me perguntar o que aconteceu ao corpo da criança, digo, a nivel material. “Mama” é já um dos melhores filmes de terror que vi nos últimos anos.
Classificação : 5. 

Chicken With Plums


Nome do Filme : “Poulet Aux Prunes”
Ano : 2011
Duração : 90 minutos
Género : Comédia Dramática/Drama
Realização : Marjane Satrapi/Vincent Paronnaud
Elenco : Mathieu Amalric (Nasser Ali Khan), Maria De Medeiros (Faringuisse), Edouard Baer (Azrael), Golshifteh Farahani (Irane), Enna Balland (Lili), Eric Caravaca (Abdi), Chiara Mastroianni (adult Lili), Mathis Bour (Cyrus), Isabella Rossellini (Parvine).

História : Desde que o seu violino preferido foi destruido pela sua esposa, o musico Nasser Ali Khan perdeu a razão de viver e decide deitar-se na sua cama à espera que a morte o leve.

Comentário : Mais um bom filme para Mathieu Amalric, filme onde ele teve, uma das duas melhores interpretações da sua carreira. O filme é muito bom e foi realizado pela dupla que nos trouxe o maravilhoso animado “Persepolis”. A realização é boa, bem como os poucos efeitos que vão surgindo ao longo do filme. Esta é a história de um homem que perde a razão de viver quando a mulher que nunca amou lhe quebra o seu objecto favorito. É também a história de um grande amor proíbido. Maria de Medeiros está brilhante também no filme e é uma grande honra uma das nossas melhores atrizes ter entrado numa obra internacional deste gabarito. Apenas lamento não ter ido ver o filme ao cinema. Só não fiquei totalmente satisfeito porque a dupla de realizadores podia ter feito algo mais sério. Classificação : 4.  

domingo, 3 de fevereiro de 2013

The Human Resources Manager


Nome do Filme : “Shlichuto Shel Hamemune Al Mashabei Enosh”
Ano : 2010
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Eran Riklis
Elenco : Mark Ivanir (HRM), Reymond Amsalem (the divorcee), Noah Silver (the boy), Gila Almagor (Widow), Guri Alfi (Weasel), Roni Koren (the daughter).

História : O director de recursos humanos da maior padaria de Jerusalém está em apuros. É acusado pela população por não ter participado o desaparecimento de uma das suas colegas de trabalho, morta num ataque suicida, e cujo corpo permanece na morgue por identificar.

Comentário : Este filme é uma espécie de road movie que aborda a viagem de um homem que leva um cadáver de uma funcionária para uma aldeia na Roménia. É um filme que não é americano, é cinema do mundo. Não o fui ver ao cinema na altura em que ele esteve em sala escura, e lamento imenso por isso. Mas vi o filme ontem à noite quando passou à uma da manhã num canal de TV público. Através destes filmes, ficamos a conhecer outras culturas e novas formas de viver a vida. Do reportório deste realizador, confesso que gostava de ver o filme “Lemon Tree”, existem pessoas que têm falado maravilhas deste filme. “The Human Resources Manager” é um filme que foge muito à porcaria de filmes americanos com que somos semanalmente bombardeados nas nossas salas e possui um ritmo lento, factor que não irá agradar à maioria. Outra coisa, este filme esteve nos cinemas numa das salas do cinema King. Espero que o cinema King nunca feche as suas salas, porque é o único cinema em Lisboa que passa cinema alternativo, independente e do mundo dentro do circuito e seria lamentável que Paulo Branco o fechasse. Ainda em relação a “The Human Resources Manager”, é uma boa história que se podia passar na vida real e fala um pouco da burocracia existente num país pobre, mas digno. Gostei do filme. Classificação : 3.  

Actresses


Nome do Filme : “Actrices”
Ano : 2007
Duração : 105 minutos
Género : Comédia Dramática
Realização : Valeria Bruni Tedeschi
Elenco : Valeria Bruni Tedeschi (Marcelline), Noemie Lvovsky (Nathalie), Valeria Golino (Natalia Petrovna), Marisa Bruni Tedeschi (la mère), Louis Garrel (Eric), Mathieu Amalric (Denis), Maurice Garrel (le père), Bernard Nissile (Jean Paul).

História : Marcelline é uma mulher prestes a completar 40 anos que nunca casou e nunca teve filhos. Ela dedica-se à sua carreira de atriz e começa a ensaiar para a sua nova peça de teatro, onde fará o papel principal.

Comentário : Este filme funciona como sendo uma homenagem ao mundo do teatro, onde podemos ver os seus bastidores e os dramas das pessoas que costumam compor toda uma equipa de um teatro. Confesso que não conhecia Valeria Bruni Tedeschi nem como atriz nem como realizadora. Foi uma agradável surpresa. No entanto, o filme é apenas um bom filme. O que mais gostei neste filme foram as interpretações de dois atores franceses muito bons : Louis Garrel e Mathieu Amalric. No âmbito dos filmes que abordam os bastidores de teatro ou de dança, prefiro o excelente “On Tour”, um filme de Mathieu Amalric. “Actrices” nunca teve estreia nos nossos cinemas, ao contrário do que aconteceu com o seu primeiro filme como realizadora. O cinema de Valeria Bruni Tedeschi até é bom e confesso que fiquei surpreso com este filme. No entanto, quero dizer também que a experiência podia ter sido bem pior, mas lá que “Actrices” é um bom filme, isso é. Classificação : 3.  

The Raid


Nome do Filme : “Serbuan Maut”
Ano : 2011
Duração : 100 minutos
Género : Ação
Realização : Gareth Evans
Elenco : Iko Uwais (Rama), Joe Taslim (Jaka), Yayan Ruhian (Mad Dog).

História : Um grupo de vinte elementos da policia de elite invade um prédio de 30 andares com a intenção de cumprir a perigosa missão de acabar com o reinado do mais perigoso gangue de traficantes de Jacarta. No entanto, a missão vai-se revelar muito mais perigosa do que poderiam imaginar, já que o prédio está cheio de assassinos com excelentes conhecimentos de artes marciais.

Comentário : “The Thai Warrior”, “The Protector” e “Fury” são os titulos em inglês dos melhores 3 filmes de artes marciais que eu vi até hoje e foram todos realizados por Prachya Pinkaew. Depois surgiu o realizador Gareth Evans que nos trouxe o filme “The Merantau Warrior”. Prachya Pinkaew apresentou-nos nos seus filmes um homem que eu considero como sendo o melhor lutador de artes marciais que eu já vi até hoje e que se chama Panom Worawit, que é ainda conhecido como Tony Jaa. Enquanto que Gareth Evans apresentou-nos nos seus filmes um outro lutador que eu também aprecio e que se chama Uwais Qorny, que é ainda conhecido como Iko Uwais. Agora Gareth Evans voltou com o seu Iko Uwais para mais um excelente filme chamado “The Raid”. E sendo verdade que Tony Jaa e Iko Uwais são os melhores lutadores que eu já vi até hoje e não precisam de duplos para as suas cenas; é também verdade que estes cinco filmes de que falei até agora neste texto foram os melhores filmes de artes marciais e de ação que vi em toda a minha vida. E é assim por vários motivos mas o mais engraçado disto tudo é que estes cinco filmes fazem com que todos os filmes de artes marciais e de ação americanos sejam lixo.


Mas vamos falar deste “The Raid”. É um excelente filme e, tal como os outros quatro, é um filme muito realista, sem duplos e sem fantochadas. Tudo o que vemos é do mais realista que vi, até me questiono como é que certas cenas foram filmadas e sou obrigado a perguntar, será que ninguém se aleijou ou morreu durante as gravações. Todo o filme é ação dura, pura e crua e sem espaços para piadas estúpidas ou para efeitos especiais. Li num artigo que o elenco é composto não por atores, mas por lutadores, tal como nos outros quatro filmes que falei anteriormente. A tagline diz que “The Raid” é o melhor filme de ação dos últimos anos e confesso que é bem capaz de ser verdade. As cenas de combate são verdadeiramente espectaculares e tudo resultou na perfeição. O clima de tensão ao longo dos 90 minutos está bem presente e sente-se em cada frame. Uma última nota que quero frisar : Fiquei fascinado com o combate final entre os irmãos e um outro excelente lutador que no filme tem o nome de Mad Dog, possivelmente o melhor combate que vi até hoje quer em filme ou mesmo na vida real. Foram cerca de sete minutos intensos e super realistas, até me faltou o ar, se o visse no youtube sem estar anexado a filme algum, era capaz de acreditar que era mesmo real. O lutador que dá vida a Mad Dog é também um lutador excelente e tem tanto mérito quanto Iko Uwais ou Tony Jaa. O seu nome é Yayan Ruhian e, tal como os outros dois lutadores, é uma máquina de lutar e um excelente profissional. “The Raid” é um excelente filme de ação made in Oriente. Filmes como estes, os americanos nunca fizeram, não fazem e nunca irão conseguir fazer.
Classificação : 5. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sonny


Nome do Filme : “Sonny”
Ano : 2002
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Nicolas Cage
Elenco : James Franco (Sonny), Brenda Blethyn (Jewel), Harry Dean Stanton (Henry), Seymour Cassel (Albert), Mena Suvari (Carol), Brenda Vaccaro (Meg).

História : Depois de anos dedicados a uma vida militar, o jovem Sonny regressa à sua terra natal e a casa da mãe. No entanto, a sua “responsável” mãe tudo fará para que ele regresse também à vida imoral que tinha antes de ter saído de casa.

Comentário : Lembro-me que fui ao cinema ver este filme, quanto mais não seja por ser o único filme de Nicolas Cage como realizador. Lembro-me também que na altura gostei do filme e quando o voltei a ver (na noite passada) também voltei a gostar dele. James Franco é um dos meus atores preferidos e com este filme conseguiu a melhor interpretação da sua carreira, na minha opinião. Nicolas Cage sempre foi o meu ator preferido e continua a ser, penso que para primeiro filme realizado ele não se saiu mesmo nada mal. Ainda que tenha tido um cameo no filme que eu considero como sendo o cameo mais ridiculo que eu já vi num filme, que sequência tão estúpida. O elenco veterano esteve muito bem e a doce Mena Suvari também foi do meu agrado. Realmente, a vida que Sonny tinha antes de ir para o exército é muito má e aquela “mãe” foi tão má que nunca devia ter tido um filho. A cena no restaurante em que Jewel é humilhada devido a estar a jantar sem sapatos, bem como a atitude do seu homem é memorável. Detestei aquela sequência daquela velha que tinha a fantasia de fazer amor com homens de farda de policia. É um filme que dá que pensar, pensar naqueles homens que vivem daquilo. Apesar de não ter curtido a cena final que faz com que o filme acabe em aberto, gostei imenso deste primeiro filme de Nicolas Cage como realizador, fita que se insere no género de cinema independente. Classificação : 4.