terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aurora

Titulo Português : “Aurora”
Ano : 2010
Duração : 182 minutos
Género : Drama
Realização : Cristi Puiu
Elenco : Cristi Puiu (Viorel), Ileana Puiu (Olguta), Luminita Gheorghiu (Mioara Avram), Gelu Colceag (Mr. Livinski), Valeria Seciu (Pusa), Clara Voda (Gina), Catrinel Dumitrescu (Mrs. Livinski), Valentin Popescu (Doru).

História : Um homem perturbado vive concentrado nos seus escuros pensamentos. Um homem que está prestes a cometer uma loucura. Um homem que está desesperado. Um homem chamado Viorel.

Comentário : À um ano fui ao cinema King ver este filme e confesso que levava espetativas bastante elevadas, afinal já havia adorado o seu anterior trabalho : “The Death Of Mr. Lazarescu”. Quando saí da sala de cinema, lembro-me que fiquei com uma sensação de vazio e de alguma nostalgia após ter visto “Aurora”. Mas vi o filme uma segunda vez e mudei a minha opinião. “Aurora” é um filme muito bom. Confesso que não é um filme fácil de assistir, é muito longo, mas não vamos por aí, “Lazarescu” já era muito longo, mas onde “Aurora” peca é em dois pontos. Primeiro porque é uma fita que ao longo das suas 3 horas nunca explica nada e muito menos explica as motivações e ações do protagonista e segundo porque é um filme que, segundo muitos criticos, padece de um ritmo muito lento e possui cenas desnecessárias. Eu quero já avançar que gostei muito deste “Aurora”, ao contrário da maioria das pessoas, para mim as 3 horas de projeção passaram a correr e eu nem dei por elas. Já devem estar cansados que eu diga isto em anteriores criticas mas eu volto a frisá-lo. Este é mesmo o meu tipo de cinema, é deste tipo de filmes que eu gosto, adoro cinema do mundo, independente e alternativo e não troco estes filmes por nenhum filme comercial, seja ele de que país for. Claro que tento vê-los todos, mas isso é tarefa impossivel para um cidadão comum como eu. Mas voltando ao filme, “Aurora” é um bom filme, na minha opinião o ritmo lento da fita resultou bem, podemos encontrar no filme uma excelente fotografia, todos os atores que entraram no filme tiveram boas interpretações, a história e o argumento são bons, mas volto a repetir que não é filme para todos os tipos de publico. Diria mesmo que é um filme direcionado a um restrito grupo de pessoas, é somente para os apreciadores do verdadeiro cinema. Claro que “Lazarescu” é muito melhor, mas “Aurora” quase atinge esse nivel, como já disse, apenas peca por não facultar as explicações necessárias e por não indicar as motivações das ações do protagonista, mas isso pode ser tomado como preferências do realizador. Gostei muito do filme.
Classificação : 4.

sábado, 22 de setembro de 2012

Teen Mothers

Titulo Português : “Meninas”
Ano : 2006
Duração : 72 minutos
Género : Documentário/Drama
Realização : Sandra Werneck
Elenco : Evelin Rodrigues dos Santos, Edilene Ferreira da Silva, Joice Delfino Rosa, Luana Ferreira dos Santos Amaral.

História : Quatro adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos partilham as suas experiências de uma gravidez numa idade em que deviam estar a brincar e a curtir a juventude.

Comentário : Brutal. Possivelmente é esta a palavra que eu usaria para definir este documentário que eu considero como sendo o melhor documentário que já vi até hoje. O filme fala dos dramas que certas raparigas vivem quando ficam grávidas na adolescência, uma idade complicada em que elas deviam ser tudo menos grávidas. O filme reflete e mostra igualmente a pobreza das pessoas que vivem nas favelas do Brasil, país onde se passa a ação do filme. As jovens que aparecem no longa são as mesmas que viveram esses dramas, tudo o que vemos ao longo da fita é a pura realidade. Fiquei sensibilizado com as histórias das quatro, mas sem duvidas que a minha preferida é a Evelin, talvez por ser a mais novinha das quatro, apesar dos seus 13 anos mostrou ser a mais madura de todas. Se para uma mulher feita e maior de idade já é dificil ter um filho, imaginem uma jovem de apenas 13 anos de idade. O documentário chega mesmo a ser chocante devido aos temas retratados. A realizadora penetra diretamente nas “barracas” onde as jovens vivem com as suas mães e irmãos (sem homem em casa) e mostra-nos sem aviso os quotidianos das raparigas até ao momento dos respetivos partos. Os pais dos bebés das adolescentes são todos maiores de idade, aumentando ainda mais o drama patente na situação retratada no filme. Volto a dizer que fiquei chocado com este filme, vi-o no YouTube e acho muito bem colocarem-no disponivel desta forma, para que todas as pessoas possam ver e tirar uma lição de vida. A vida é mesmo muito dura e muito dificil, estas meninas aprenderam isso da pior maneira, tiveram que crescer à força e assumirem a maior das responsabilidades. É um insulto não passarem este tipo de cinema nas nossas salas, em vez das comédias idiotas que abundam nos cinemas todo o ano. Este filme mexeu muito comigo e colocou-me a pensar durante muitos dias após vê-lo. Estas miudas possuiram uma enorme coragem e uma força de vida muito grande para terem enfrentado aquela situação. São histórias tristes e desesperantes mas ao mesmo tempo, felizes. A gravidez na adolescência é mais comum do que se pensa e os pais deviam falar mais com as suas filhas sobre estes assuntos a fim de tentarem impedir que aconteçam mais casos destes. A miséria humana ainda é o prato do dia. Um último reparo, o pai da filha da jovem Evelin era um homem feito que era criminoso e foi morto durante um tiroteio, fazendo de Evelin, uma viuva com apenas 13 anos de idade. Na minha opinião, este filme devia ser obrigatório.
Classificação : 5.

sábado, 15 de setembro de 2012

The Oyster And The Wind

Titulo Português : “A Ostra E O Vento”
Ano : 1997
Duração : 119 minutos
Género : Drama
Realização : Walter Lima Jr.
Elenco : Leandra Leal Bras (Marcela), Lima Duarte (Jose), Fernando Torres (Daniel).

História : Um velho pai vive com a sua filha adolescente numa ilha isolada. Anos depois e após deixarem de terem noticias da ilha, um grupo de navegadores parte para a ilha com a intenção de apurarem o que realmente aconteceu com o velho e com a menina.

Comentário : Este belissimo e excelente filme não só é o melhor filme brasileiro que já vi até hoje como também foi o melhor registo de Leandra Leal. O filme é pura poesia. Leandra Leal recebeu alguns prémios pela sua intensa interpretação neste filme e foram bem merecidos prémios, a miuda arrasou. O filme arrecadou no total 13 prémios da critica. A fita tem também o meu ator brasileiro preferido, Lima Duarte. Marcela é uma menina cujo pai lhe roubou a liberdade, apenas a deixando sonhar e deambular pela ilha. Devido a uma série de acontecimentos, um antigo amigo da familia chega à ilha acompanhado de outros marinheiros para descobrir o que se passou. Eu confesso que já vi o filme duas vezes e nunca me canso de o ver. Carente de amigos, a jovem Marcela acaba por arranjar no vento um amigo, fantasiando com ele conversas e brincadeiras. É um excelente filme, possui uma história encantadora e é uma pelicula muito bem filmada. Este filme foi o primeiro trabalho de Leandra Leal no cinema e melhor não se podia ter saído. É impossível não sentirmos empatia por Marcela, torcemos para que as coisas corram bem para ela. O final do filme foi uma grande surpresa para mim, nunca pensei que as personagens tinham tido aquele fim. Lindo filme.
Classificação : 5.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Better Life

Titulo Português : “Uma Vida Melhor”
Ano : 2011
Duração : 110 minutos
Género : Drama
Realização : Cedric Kahn
Elenco : Guillaume Canet (Yann), Leila Bekhti (Nadia), Slimane Khettabi (Slimane).

História : Yann e Nadia conhecem-se e decidem abrir um restaurante. No entanto, as coisas não correm muito bem e a jovem viaja para outro país com a intenção de arranjar um novo trabalho e ganhar dinheiro para comprar casa para ela e para o filho. O que Yann desconhecia era que Nadia deixou o seu filho menor de pai incógnito aos seus cuidados.

Comentário : Ao contrário dos dois filmes comentados antes deste (que vi em casa), fui ver este “A Better Life” ao cinema e gostei muito do filme. Trata-se de cinema francês no seu melhor e confesso que conheço o ator Guillaume Canet de outros filmes, embora não me venha à cabeça nenhum filme em especifico. Quanto a Leila Bekhti, confesso que nunca a vi em filme algum, mas fiquei satisfeito com esta sua prestação, além do mais a moça até é muito bonita. A nivel de interpretações, gostei mais de ver Guillaume Canet, o seu Yann é um homem fantástico, a sua coragem é avassaladora. Leila Bekhti também esteve bem e até o pequeno Slimane Khettabi deu um personagem bastante credivel. O argumento é ouro e a fotografia soma pontos. O realizador fez passar muito bem a mensagem sobre as dificuldades em que vivem as pessoas e as familias da actualidade, neste caso sobre pessoas que tentam abrir negócio para sustentar da familia. A cena dos ténis roubados bem como as respectivas consequências é um misto de sensações. Os minutos iniciais do filme não são tão bons quanto o meio e final da fita. Ao longo do filme não se nota nada que seja alusivo ao titulo da obra, visto que tudo o que acontece ao trio protagonista é mau. São pessoas que não têm um pingo de sorte nas suas vidas. Os acontecimentos finais relacionados com a personagem feminina deitam por terra qualquer esperança de terem uma boa vida. É reconfortante vermos e testemunharmos a relação de empatia que se vai criando e que acaba por se estabelecer definitivamente entre Yann e o menino. Mais uma vez, o cinema europeu não me desiludiu. Classificação : 4.

Circus Columbia

Titulo Português : “Cirkus Columbia”
Ano : 2010
Duração : 108 minutos
Género : Drama
Realização : Danis Tanovic
Elenco : Miki Manojlovic (Divko Buntic), Mira Furlan (Lucija), Jelena Stupljanin (Azra), Boris Ler (Martin), Milan Strljic (Ranko), Mario Knezovic (Pivac), Mirza Tanovic (Antisa), Almir Mehic (Bili).

História : Após anos de exílio, um homem regressa à sua terra natal e acaba por reencontrar a sua antiga mulher e filho. No entanto, o que o deixa furioso é quando o seu gato negro desaparece. Para complicar ainda mais a situação, a sua atual mulher começa a gostar do seu filho.

Comentário : Quando vi o poster deste filme, pensava que ia ver um filme sobre a vida de uma mulher, tipo o filme “Fish Tank”, não podia estar mais enganado. “Circus Columbia” não é um mau filme, digamos que é um filme razoável e prefiro este filme do que as produções comerciais de Hollywood. As interpretações são razoáveis e o argumento também se mantém a esse nivel. Nunca tinha visto nenhum filme da Bósnia e confesso que me surpreendeu pela positiva. Não se trata de um bom produto do chamado cinema do mundo, mas é um filme que se vê bem. O final do filme é belissimo. No inicio, assistimos a uma história de vingança, pelo meio testemunhamos uma história de amor e no final vemos que uma desgraça pode ser motivo para uma reconciliação. Gostei, mas já vi muito melhor relativamente a este tipo de cinema. Classificação : 2.

Jerichow

Titulo Português : “Jerichow”
Ano : 2008
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Christian Petzold
Elenco : Nina Hoss (Laura), Benno Furmann (Thomas), Hilmi Sozer (Ali).

História : Um veterano de guerra regressa à sua terra natal, Jerichow, onde arranja um novo emprego e uma relação amorosa.

Comentário : Mais um excelente trabalho de Christian Petzold, depois do razoável “Yella”. “Jerichow” é um filme que mostra um triângulo amoroso, tudo está muito bem filmado e podemos contar com excelentes planos. O realizador é perito em estruturar e desenvolver tanto a narrativa como as personagens. Eu gostei do filme e confesso que este tipo de cinema me enche por completo as medidas. Neste filme, penso que o mais importante não é tanto o que as personagens fazem, mas sim o que elas pensam ou planeiam fazer. O filme tem ainda um bom argumento e tanto os dois atores principais quanto a atriz deram tudo de si às suas personagens. Os tempos mortos no filme resultam como uma mais valia, afinal é uma das características deste tipo de cinema. Resumindo, é um bom filme e passei uns belos 90 minutos a vê-lo. Classificação : 3.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Tetro

Titulo Português : “Tetro”
Ano : 2009
Duração : 128 minutos
Género : Drama
Realização : Francis Ford Coppola
Elenco : Vincent Gallo (Tetro), Maribel Verdu (Miranda), Alden Ehrenreich (Bennie), Carmen Maura (Alone), Rodrigo De La Serna (Jose).

História : Bennie reencontra Tetro, o irmão mais velho, que jurou nunca mais ver a familia. Agora, os dois irmãos vão entrar em confronto e os assuntos do passado vão voltar a assombrar os seus quotidianos.

Comentário : Depois do fraco “Youth Without Youth”, o mestre Francis Ford Coppola surgiu no ano passado com este “Tetro”, o mais recente exemplar do chamado cinema experimental. Eu gostei do filme, é uma fita quase toda a preto e branco com uma fotografia espantosa, uma brilhante interpretação de Vincent Gallo e uma história sobre atribuladas relações familiares. Excelente toda a sequência que decorre naquela sala cheia de gente, grande parte dos diálogos do filme são geniais. Maribel Verdu e Alden Ehrenreich também estiveram muito bem, as suas personagens dão que pensar. No entanto, tenho que frisar que este filme pertence a um tipo de cinema que não agrada à maioria, passou por festivais e agradou mas não é destinado ao comum espectador. O trabalho seguinte de Coppola chama-se “Twixt” e também pertence ao cinema experimental, gostaria muito que estreasse cá em Portugal, era lamentável que fosse directamente para o mercado de DVD. “Tetro” é um filme especial que vive de momentos e que aborda o complicado tema das relações familiares. Outrora poeta, Tetro renunciou ao seu nome e tudo faz para esquecer o passado, para esquecer aquilo que foi um dia, enquanto que o seu irmão funciona como uma espécie de lembrete, alguém que com determinadas ações, o faz lembrar desse passado. O filme acaba também por funcionar como retrato fiel das relações familiares de hoje em dia, distantes e de poucas palavras. “Tetro” não atinge a mestria dos melhores filmes de Coppola, não era esse o objetivo, mas é mais um bom trabalho de um dos maiores mestres do cinema. Que fantástico filme, é devido a filmes como este que ainda é possivel vermos bom cinema nas salas. “Tetro” é daqueles raros filmes que nos coloca a pensar muito depois de sairmos da sala de cinema. Classificação : 4.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

The Man Who Copied

Titulo Português : “O Homem Que Copiava”
Ano : 2003
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Jorge Furtado
Elenco : Leandra Leal Bras (Silvia), Lazaro Ramos (Andre), Luana Piovani (Marines), Pedro Cardoso (Cardoso), Julio Andrade (Feitosa), Paulo José (Paulo).

História : Andre é um jovem que trabalha como operador de fotocópias numa papelaria, gosta de desenhar e está apaixonado por uma rapariga chamada Silvia. Como o seu futuro não promete ser nada auspicioso, Andre tece um plano para arranjar dinheiro, tentar sair da vida miserável que tem e conquistar a miuda que ama.

Comentário : Gosto de cinema brasileiro, quando era novo era viciado em novelas brasileiras. Leandra Leal Bras é a minha atriz brasileira preferida, vi quase tudo aquilo que ela fez, desde novelas, a séries e filmes. A miuda é linda e é uma das melhores atrizes da sua geração. Este “The Man Who Copied – O Homem Que Copiava” é um dos melhores filmes brasileiros que eu já vi até hoje. Lembro-me que o fui ver ao cinema e tenho uma vaga ideia que foi num dos cinemas mais antigos de Lisboa, talvez o Monumental ou o King. Gostei deste filme, a história é muito original, apesar de algumas ações de André, o protagonista é um jovem humilde e apenas quer ter uma vida decente e livre. Está apaixonado por uma linda jovem branca e tudo faz para a conquistar, chegando ao ponto de observá-la por um telescópio do seu quarto, afinal eles são vizinhos. A miuda é também boa rapariga, é linda, trabalha numa botique e vive somente com o pai, um homem nojento que gosta de observar pelo buraco da porta a filha nua a tomar banho. Além de Leandra Leal Bras, os restantes atores principais são igualmente conhecidos das novelas, há muito tempo que não via Lazaro Ramos, Luana Piovani e Pedro Cardoso a trabalharem. Quero também falar das poucas sequências de animação que aparecem ao longo do filme, são engraçadas e são muito criativas, ligam bem com o filme. A banda sonora também é boa. Muito surreal aquela parte do protagonista conseguir criar notas falsas crediveis com uma simples fotocopiadora, as verdadeiras notas possuem elementos que as falsas não têm e era facilmente detetável. Mas isso não tira o mérito ao filme de ser um bom filme. Classificação : 4.

domingo, 9 de setembro de 2012

Certified Copy

Titulo Português : “Cópia Certificada”
Ano : 2010
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Abbas Kiarostami
Elenco : Juliette Binoche (Elle), William Shimell (James Miller).

História : Um escritor e uma proprietária de uma galeria de arte encontram-se numa pequena aldeia da Toscana e iniciam uma morosa e profunda conversa que irá determinar o futuro de ambos.

Comentário : Extraordinário momento de cinema foi o que eu passei depois de ter visto este magnifico filme, ontem na sessão dupla de um canal da televisão pública. Trata-se de um filme vindo de um realizador iraniano que fez alguns dos melhores filmes do chamado cinema do mundo. Este “Certified Copy” é um excelente filme. As duas interpretações principais roçam a perfeição, os locais onde se passam grande parte das cenas são lindos e achei curiosa a maneira de filmar, muito semelhante ao cinema de Richard Linklater, claro que estou a falar dos excelentes “Before Sunrise” e “Before Sunset”. Confesso que não gosto muito da atriz Juliette Binoche, mas reconheço que ela é uma excelente profissional. O ator que faz de escritor tem mesmo o estilo de escritor e parece realmente um. Senti-me muito bem depois de ver este filme, o filme transmitiu-me uma sensação de calma e de tranquilidade que apenas raros filmes pertencentes a este tipo de cinema são capazes de proporcionar. As conversas entre Elle e James nunca são aborrecidas, pelo contrário, acabam por tornar-se bastante interessantes e até mesmo motivantes. Eu senti-me entranhado no seio daquelas conversas, aqueles planos de camara ao nivel das caras dos dois protagonistas, parece que a camara está a levitar em frente a eles e vai captando as suas ações dessa forma. Continuo a dizer, o filme é maravilhoso e essa conclusão deve-se ao cocktail de emoções e sensações que a fita nos oferecesse. Só não percebi se eles já eram ou não conhecidos quando iniciaram a conversa, já que no final do filme, os dois fazem passar a sensação que já se conheciam à muito tempo. Aquele plano final mostrando James Miller em frente à janela, quando este se afasta, aparecem os sinos a tocar dando surgimento ao indesejável genérico final, digo isto, porque eu não me importava de assistir a mais 100 minutos de fita. Adorei o filme. Assim só me resta dizer que “Certified Copy – Cópia Certificada” tornou-se num dos melhores filmes que vi até hoje, sublime, uma obra prima.
Classificação : 5.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Golden Girl

Titulo Português : “Garota Dourada”
Ano : 1984
Duração : 100 minutos
Género : Romance/Aventura
Realização : Antonio Calmon
Elenco : Andre De Biase (Ricardo Valente), Fabianne Rocha (Mali), Sergio Mallandro (Zeca), Bianca Byington (Diana), Andrea Beltrão (Gloria), Roberto Bataglin (Betinho), Ricardo Graça Mello (Kid), Geraldo Del Rey (Aguia), Claudia Magno (Patricia).

História : Um surfista decide passar uns tempos numa região paradisíaca brasileira e leva consigo a filha pequena e um amigo cantor. Uma vez lá, o jovem apaixona-se por uma libertina chamada Diana e acaba por disputar o seu amor com um outro jovem que tudo fará para lhe dificultar a tarefa amorosa.

Comentário : Este filme brasileiro é sequela do êxito “Menino Do Rio”, que confesso que não vi. À uns anos valentes, vi no Canal Brasil da TV Cabo, este “Garota Dourada” e até gostei do filme. Confesso que até aprecio cinema brasileiro, apesar de não ser grande admirador. Este curioso filme de aventuras acaba por ser uma história de amor de um homem que, após se ter divorciado de uma mulher independente, pega na filha de ambos e, juntos, fazem a viagem das suas vidas. A ação passa-se num local ficionado, embora eu tenha duvidas se realmente existe ou não. Apesar de ter gostado do filme, sou sincero a dizer que não é nada de especial, pelo contrário, a história é parva, os efeitos especiais são manhosos, as interpretações roçam a mediocridade e dois dos únicos pontos a favor são a belissima banda sonora e as poderosas paisagens. Não fiquei com vontade de ver o primeiro. Uma obra menor vinda do país que produz as melhores telenovelas de sempre. Classificação : 2.

A Talking Picture

Titulo Português : “Um Filme Falado”
Ano : 2003
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Realização : Manoel De Oliveira
Elenco : Leonor Silveira (Rosa Maria), Filipa de Almeida (Maria Joana), John Malkovich (John Walesa), Catherine Deneuve (Delfina), Stefania Sandrelli (Francesca), Irene Papas (Helena), Luis Miguel Cintra.  

História : Uma mãe e a sua filha pequena viajam num cruzeiro pelo Mediterrâneo com destino a Bombaim. Durante a viagem, as duas vão travar amizade com 3 mulheres que as impressionam e com o comandante da embarcação.

Comentário : Este foi o primeiro filme de Manoel de Oliveira que vi no cinema e confesso que até gostei do filme. Já tinha gostado de “Aniki Bobo”, de “Vale Abraão”, de “A Caixa” e confesso que até simpatizo com o cinema deste mestre, o realizador mais idoso ainda ao serviço. O filme tem atores nacionais e atores internacionais. Todos estiveram bem. Trata-se de um tipo de cinema que é mal visto pela maioria, nem todos apreciam o trabalho deste realizador. Leonor Silveira sempre foi uma espécie de atriz fetiche de Oliveira, que também gosta de usar o neto em suas produções. Penso que esta não foi a primeira vez que Oliveira trabalhou com John Malkovich, não me recordo qual foi o outro trabalho que eles fizeram juntos. Por vezes, as conversas que mãe e filha têm tornam-se irritantes, tudo bem que Joana é uma criança, mas a mãe explica-lhe as coisas como se estivesse a relatar os acontecimentos a uma criança com deficiência. As cenas passadas à mesa com as 3 atrizes internacionais e, mais tarde, com o comandante são o melhor do filme. O final do filme é desapontante, não percebi porque motivo terminou daquela forma. Actualmente, o novo filme de Manoel de Oliveira (O Gebo E A Sombra) foi muito bem recebido lá fora, ainda bem. Tenciono vê-lo no cinema. Também gostei do filme “O Estranho Caso de Angélica” (já comentado no meu blogue), penso que este senhor é realmente um excelente realizador, apesar de nem todos acharem isso. Classificação : 4.

sábado, 1 de setembro de 2012

Poetry

Titulo Português : “Poesia”
Ano : 2010
Duração : 141 minutos
Género : Drama
Realização : Chang Dong Lee
Elenco : Jeong Hie Yun (Mija), Da Wit Lee (Jongwook), Hira Kim (Kang).

História : Uma avó vive atormentada pelas más ações do neto, encontrando conforto e paz na poesia.

Comentário : Maravilhoso filme, confesso que fui ao cinema vê-lo no ano passado e gostei muito. Por um lado, temos uma senhora que leva uma vida calma e certinha, apesar de não ter grandes posses, faz sacrificios para criar um neto delinquente que não dá valor à avó que tem. A mãe do menino não quer saber dele, ou então tem uma vida tão ocupada que não pode cuidar dele, esse aspecto nunca foi explicado na fita. Do outro lado, temos um jovem que humilhou e violou uma jovem da escola e esses actos causaram o suicidio da rapariga. Penso que actualmente não deve existir muita gente que aprecie este tipo de filmes, é um tipo de cinema que quase ninguém vê e é lamentável que assim seja. A maneira como está filmado, simples e sem grandes artificios, é uma delicia para os nossos sentidos. Revi o filme esta noite, quando passou na sessão dupla de um canal público de TV. Por vezes, nos pequenos gestos e em pequenas coisas podemos encontrar poesia, podemos mesmo reencontrar a felicidade nos pequenos detalhes. Este filme ajuda-nos a perceber isso. É igualmente perturbador chegarmos mais uma vez à conclusão que o dinheiro compra tudo, a protagonista acaba por perceber isso à custa das piores razões. Memorável a interpretação de Jeong Hie Yun, fiquei sensibilizado com a sua prestação. O final do filme fica ao nosso critério, podemos interpretá-lo da forma que acharmos melhor. Tudo resultou da melhor maneira neste filme que vive de grandes momentos, as idas a trabalho à casa do idoso incapacitado, as idas ao curso de poesia, as viagens de autocarro, a lida da casa ou mesmo os momentos em que a protagonista se senta a fazer anotações no seu bloco de notas para um futuro poema. E, por fim, acabamos por sentirmos lamento ao lado da protagonista, pela situação da jovem vitima e pelo facto de ela ter o neto que tem. Mais uma obra que me surpreendeu pela positiva. Classificação : 4.

The State Of Things

Titulo Português : “O Estado Das Coisas”
Ano : 1982
Duração : 120 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Elenco : Isabelle Weingarten (Anna), Rebecca Pauly (Joan), Jeffrey Kime (Mark), Geoffrey Carey (Robert), Camila Mora Scheihing (Julia), Alexandra Auder (Jane), Patrick Bauchau (Friedrich Munro), Paul Getty Jr. (Dennis), Viva (Kate), Allen Garfield (Gordon), Artur Semedo (Manager), Janet Graham (Karen).

História : Uma equipa de filmagens encontra-se em Sintra a filmar um remake de um clássico de ficção cientifica. Como a fita e o dinheiro terminam, o produtor do filme regressa aos Estados Unidos e a equipa, incluindo atores, ficam entregues a si mesmos num hotel perto da praia. Para tentar resolver a situação, o director da pelicula decide viajar para Los Angeles em busca do produtor e de respostas.

Comentário : No mesmo dia em que vi o excelente e memorável “Alice In The Cities”, vi também este outro filme do mestre Wim Wenders. “The State Of Things” é mais um excelente filme do chamado cinema de autor. Adorei o filme, mas confesso que gostei mais do outro. O filme vê a sua primeira parte passada em Portugal, em Sintra enquanto que a segunda parte é passada nos Estados Unidos. Mas gostei mais da primeira parte, claro está. Vi uma cópia do filme em muito mau estado, imagem muito estragada, som ruim, imagem a preto e branco e cortes na imagem. Penso que talvez seja essa a ideia do realizador. É um filme a preto e branco, uma das imagens de marca de Wenders, que mais uma vez resultou na perfeição. Interpretações a roçar a perfeição e aquela sensação de estarmos a ver um filme dentro de outro filme, simplesmente divinal. A partir do momento em que director e produtor se encontram na caravana, tudo se torna muito chato. O final do filme poderá desapontar a maioria. No meu caso, até gostei. O filme é mesmo muito bom. Tal como “Alice In The Cities”, “The State Of Things” é cinema de autor da mais alta qualidade. Estes dois filmes foram a melhor forma de começar este nono mês do ano, em termos cinematográficos. Ainda sobre o filme, adorei a relação e a forma como as diferentes personagens se relacionam, tudo está o mais realista possivel. Adorei igualmente ver o nosso Artur Semedo com a sua luva negra e gostei de ver os velhinhos elétricos de Lisboa, que saudades daqueles tempos. Já para não falar das deliciosas imagens passadas na Praia Grande. Os primeiros minutos do filme dão-nos a entender que estamos a ver realmente uma obra de ficção cientifica de há cinquenta anos atrás. Tudo isto aliado a angulos de camara fantásticos, aquele plano aéreo dos dois carros a circularem à volta daquele restaurante MacDonalds em Los Angeles, brutal. A rotina dos personagens da equipa de filmagens no hotel, as brincadeiras das duas meninas, aquele carro esquecido na praia, o mar a invadir o calçadão, todos os momentos da pelicula, enfim, tudo resultou em mais um excelente momento de cinema para mim. Um último reparo, é sempre um prazer ver realizadores americanos a filmar em Portugal. “O Estado Das Coisas” não atinge a perfeição de “Alice Nas Cidades”, mas é um excelente filme.
Classificação : 4.

Alice In The Cities

Titulo Português : “Alice Nas Cidades”
Ano : 1974
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Wim Wenders
Elenco : Rudiger Vogler, Yella Rottlander, Lisa Kreuzer.

História : Philip Winter é um alemão que está nos Estados Unidos a tentar escrever um livro, mas em vez disso apenas passa o tempo a tirar fotografias, sendo criticado pelo seu editor. Um dia, num hotel, Philip conhece uma mulher e a respectiva filha. Quando a mulher desaparece e abandona a filha aos cuidados de Philip, este terá que percorrer com a miúda a grande viagem das suas vidas em busca do último familiar da criança. Sem saberem, nasce entre eles uma poderosa empatia, mais poderosa do que algumas relações de sangue.

Comentário : Que grande momento de cinema. Sendo eu um grande apaixonado por cinema de autor, tinha que fazer os possíveis para ver este espectacular filme de Wim Wenders, que acaba por ser um excelente road-movie cheio de alma. Claramente que adorei o filme e já considero como sendo um dos dez melhores filmes que vi este ano. Tudo neste filme é perfeito, a fotografia a preto e branco, a nostalgia das imagens, a poderosa e embaladora banda sonora, a forma como foi filmado, a poderosa história, duas poderosas interpretações e, claro está, aquele final verdadeiramente maravilhoso e que nos deixa sem palavras. Por vezes, existem laços mais fortes do que os de sangue, possivelmente foi essa a mensagem que Wenders quis passar com esta pérola do cinema independente. Fiquei maravilhado com a jovem Yella Rottlander, que atriz e que talento, a miúda deu-nos uma interpretação digna de um óscar. A química entre Yella e o ator Rudiger Vogler funcionou muito bem quer como colegas de trabalho, quer como personagens, a empatia entre Philip e Alice foi o foco principal da pelicula. Foi muito interessante acompanharmos o evoluir da relação entre aquele homem solitário e aquela miúda, apesar de não terem nenhum grau de parentesco, acabam a funcionar muito melhor do que certos pais com as filhas. Volto a dizer, o filme é maravilhoso e confesso que não sentia esta sensação de preenchimento total de satisfação depois de ver um filme à muito tempo. Cenas como a que Alice adormece no colo de Philip ou a cena na casa de banho publica no aeroporto fazem-nos acreditar que é nos pequenos gestos que moram as nossas maiores qualidades. Claro que o filme possui outras excelentes cenas e quase todas protagonizadas por eles os dois. Divinal a cena em que aparecem os dois rostos sobrepostos na mesma foto, resultado de um rigoroso trabalho visual. Quando acabei de ver o filme, apeteceu-me vê-lo de novo, tal não é a forma como a película nos envolve e contagia com a sua humanidade e simplicidade. Hoje em dia, no chamado cinema comercial, já não existem filmes que nos proporcionam este tipo de sensações e isso é lamentável. Um dia, vão-se os realizadores e os atores, mas os filmes ficam sempre. “Alice In The Cities” acaba assim de se tornar num dos melhores filmes que vi até hoje. Uma verdadeira obra prima.