quarta-feira, 30 de maio de 2012

The Skylab


Titulo Inglês : “The Skylab”
Ano : 2011
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Julie Delpy
Elenco : Lou Avarez (Albertine), Julie Delpy (Anna), Eric Elmosnino (Jean), Aure Atika (Linette), Noemie Lvovsky (Monique), Emmanuelle Riva (Prevost), Vincent Lacoste (Christian), Marc Ruchmann (Loulou), Sophie Quinton (Clementine), Valerie Bonneton (Micheline), Denis Menochet (Roger), Jean Louis Coullo'ch (Fredo), Michelle Goddet (Suzette), Luc Bernard (Joseph), Albert Delpy (Hubert), Candide Sanchez (Gustavo), Lily Savey (Sissi), Chloe Antoni (Valerie), Maxime Julliand (Pierre), Felicien Moquet (Jean Luc), Antoine Yvard (Philippe), Anne Charlotte Moquet (Catherine), Angelo Souny (Henri), Leo Michel Freundlich (Robert), Noah Huntley (Jonathan), Karin Viard (adult Albertine).

História : A jovem Albertine vai com os seus pais reunir-se com toda a sua enorme familia numa casa de férias para o aniversário da sua avó. Com os seus primos e tios perto de si, Albertine terá que passar por algumas experiências, inclusive a sua passagem para a adolescência.

Comentário : Quem me conhece já sabe que eu adoro cinema europeu e cinema independente e alternativo. Dou mais valor a um filme europeu do que a uma americanada. Como já devem ter percebo, fui ao cinema ver este “Le Skylab” e gostei imenso do filme. Gosto de Julie Delpy e acompanho a sua carreira, quer como atriz, quer como realizadora e espero muito o seu novo filme “2 Days In New York”. Em “Le Skylab”, temos como protagonista uma menina de 11 anos que é muito patusca e o filme é sobre alguns dias na sua vida, mas precisamente, enquanto ela passa esses dias na companhia da sua grande familia que se junta para festejarem o aniversário da avó. É quase tudo contado sob o ponto de vista da jovem Albertine. Uma das coisas que mais gostei no filme é o facto de me ter dado a impressão que não houve guião e que tudo foi improvisado na altura, de tão realista que é. O filme está repleto de situações únicas, por exemplo, quando Albertine é levada pelo pai a uma praia de nudistas, a reação da jovem é hilariante, mas também possui cenas comoventes, por exemplo, quando Albertine se apercebe que o rapaz que ama namora com outra rapariga. Este filme já é um dos melhores filmes europeus que vi este ano. Não posso deixar de falar na poderosa interpretação da jovem Lou Avarez (na foto em baixo), que nunca entrou em mais nenhum filme e que desempenhou o seu primeiro papel de forma impressionante. O inicio do filme e o seu final trazem a mensagem de que uma das coisas mais importantes para o ser humano devia ser sempre a familia, a intenção de Albertine (já adulta) de querer ficar no comboio sentada ao lado do marido e da filha pequena reflete isso mesmo. Um último reparo, a ação do filme passa-se no ano de 1979, ano em que o satélite Skylab estava prestes a cair sob a França e ano em que estreava nos cinemas o filme “Alien” de Ridley Scott, que Albertine, pelo facto de lhe ter vindo a sua primeira menstruação, achava que já era uma mulher e já podia ir ao cinema ver o filme, que era de terror e que tinha a classificação etária para maiores de 16 anos. Brutal.


Classificação do Filme : 4.

domingo, 27 de maio de 2012

Michael


Titulo Inglês : “Michael”
Ano : 2011
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Markus Schleinzer
Elenco : Michael Fuith (Michael), David Rauchenberger (Wolfgang)
História : Após mais um dia de trabalho, Michael regressa a casa e prepara o seu jantar, põe a mesa para dois, mas o problema é que ele mora sozinho. De seguida, abre uma porta e pede a alguém que venha...

Comentário : Tinha que ir ao cinema ver este filme porque, apesar de condenar este tipo de crime, gosto de saber sobre o que se passa nas vidas estranhas de certas pessoas. O que mais me assusta neste tipo de gente é que são pessoas normais, possuem amigos, fazem férias, têm as suas familias, fazem compras, levam vidas perfeitamente normais, pelo menos face aos outros. Este filme aborda um dos piores crimes que existem e confesso que me revoltou em algumas partes. Penso que se trata de um filme independente, foi feito com poucos recursos. E isso ainda me fez gostar mais do filme. É incrivel como é que nós levamos a nossa vida numa boa, sem nunca pensarmos que algures por esse mundo fora, existem pessoas que levam vidas e praticam atos verdadeiramente horriveis, que alguém faz mal a terceiros e nunca sente remorsos. A conduta do protagonista é totalmente condenável e o pior disto é que continuam a haver pessoas a fazer este tipo de crimes. A nivel de interpretações, está muito bom, a interpretação do ator Michael Fuith é brutal, tão intensa e realista que a sua personagem consegue-nos transmitir repulsa e nojo. Por outro lado, o pequeno David Rauchenberger conseguiu dar-nos a ideia exata de como age e como se sente um menino naquela situação. O que eu não percebo é porque motivo, o menino não tenta fugir ao homem sempre que este o leva a locais publicos. O destino do criminoso em causa revelou-se para mim uma grande surpresa, nunca pensei que a coisa iria terminar para ele daquela forma. Verdadeiramente chocante é o final do filme. Lamentável é não ter visto mais, porque o realizador cortou a imagem naquela parte fulcral. Nem quero imaginar o que sentiu e pensou aquela mãe quando abriu aquela porta, sobre o que encontrou e como o encontrou (só de pensar nisso até me causa arrepios). Muitas vezes, não conhecemos realmente as pessoas com quem vivemos uma vida inteira. Um dos melhores filmes do ano. Classificação : 4.


Little White Lies


Titulo Inglês : “Little White Lies”
Ano : 2010
Duração : 156 minutos
Género : Comédia Dramática
Realização : Guillaume Canet
Elenco : François Cluzet (Max Cantara), Marion Cotillard (Marie), Benoit Magimel (Vincent), Gilles Lellouche (Eric), Jean Dujardin (Ludo), Anne Marivin (Juliette)

História : Um grupo de amigos juntam-se todos os anos na mesma casa de praia para umas merecidas férias. Apesar de todo o clima de diversão, as coisas começam a descambar, quando os seus sentimentos e convicções começam a ser testados.

Comentário : Fui ao cinema ver este filme e gostei. Confesso que gosto de cinema francês e não podia deixar de ir ver este filme numa sala escura, apesar de já ter sido no ano passado. Confesso igualmente que não esperava nada deste filme e me surpreendeu pela positiva. É uma fita onde imperam os valores humanos, os sentimentos, algumas mentiras pelo meio e muito realismo. Para mim, um dos aspectos mais fortes do filme são as interpretações de François Cluzet e de Benoit Magimel, os dois possuem uma poderosa empatia entre eles. Destaque para uma das situações do filme, aquele homem que era gay e que agrediu o dono da casa revelou-se mais homem do que ele, porque tomou a atitude certa. A fita tem momentos divertidos e momentos menos alegres, mas a mistura foi eficaz. Foram mais de duas horas e meia bem passadas e, pelo que me lembro, nem dei pelo tempo passar. Também gostei de ver a bonita Marion Cotillard, esta senhora nunca fica mal nos filmes que entra. Aqueles amigos fazem sempre o mesmo todos os anos, juntam-se todos (filhos pequenos incluidos) e sempre na mesma casa de férias, limitam-se a conversar até altas horas da noite, bebem, comem, dormem, banham-se na praia, cantam e, a cima de tudo, curtem a vida, aliviando assim a tensão de 11 longos meses de trabalho. Muito bonita também a sequência em que todos os amigos acabam com as férias e se juntam para o funeral do amigo que sofreu um grave acidente de moto. Um poderoso filme que é lamentável que passe despercebido. Classificação : 4.

sábado, 19 de maio de 2012

Putty Hill


Titulo Inglês : “Putty Hill”
Ano : 2010
Duração : 88 minutos
Género : Drama
Realização : Matthew Porterfield
Elenco : Sky Ferreira (Jenny), Zoe Vance (Zoe)
História : Jenny e Zoe são duas lindas adolescentes que tentam levar as suas vidas para a frente, mesmo depois de uma trágica morte ter invadido os seus quotidianos.

Comentário : Este filme vai direitinho para a lista dos filmes mais realistas que já vi até hoje. Parece que esconderam camaras perto dos atores e que os filmaram e em alguns casos parece que fizeram entrevistas diretas aos atores. As duas atrizes principais, Sky Ferreira e Zoe Vance, representaram na perfeição os seus papéis. As sequências passadas em ambientes escuros foram muito bem filmadas e captadas, nota-se ali um profissionalismo, para uma fita que é de muito baixo orçamento. No filme, vemos várias situações, como por exemplo : um jovem que pinta numa parede uma dedicatória ao conhecido falecido, uma adolescente que tem uma forte crise de choro, um grupo de jovens raparigas que passeiam ou um homem a tatuar um outro. Por vezes, uma tragédia acaba por juntar pessoas que estavam separadas à muito e faz com que uma comunidade inteira pense nas suas atitudes e vidas, no fundo, é isso que se passa em “Putty Hill”. Isto é cinema independente em alta. Classificação : 5.

Sleeping Beauty


Titulo Inglês : “Sleeping Beauty”
Ano : 2011
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Julia Leigh
Elenco : Emily Browning (Lucy), Rachael Blake (Clara), Mirrah Foulkes (Sophie)
História : Lucy é uma bonita adolescente que estuda numa universidade e que possui uma vida dupla : é operadora de uma máquina de fotocópias e começa a viver num perigoso mundo podre repleto de desejos obscuros.

Comentário : Logo para começar temos uma atriz que é uma das mais bonitas das novas caras de Hollywood. Emily Browning já fez de assassina infantil em “The Uninvited” e de guerreira super poderosa em “Sucker Punch” e agora surge-nos na pele de uma rapariga carregada de sensualidade e muito provocadora. O filme é muito bom, a dada altura parece que estamos a ver uma fita de Stanley Kubrick, pelo modo como está filmado. A fotografia é muito boa, a interpretação da protagonista é um dos pontos mais altos da pelicula, de certeza que estamos perante a melhor interpretação da jovem atriz. Só aquelas cenas das endoscopias a sangue frio causam arrepios a qualquer um. Emily Browning entregou-se de corpo e alma à sua personagem. Não é um filme fácil, por vezes, chega a tornar-se incómodo. Ficamos com aquela sensação permanente de estarmos sempre a torcer para que tudo dê certo a Lucy. Existem pessoas que vêm a este mundo para terem vivências estranhas e a jovem Lucy é uma delas. A história poderá desinteressar de inicio, mas depois acaba por nos consumir por completo, tal a complexidade do argumento. Mais uma agradável surpresa. Classificação : 4.

An Invisible Sign

Titulo Inglês : “An Invisible Sign”
Ano : 2010
Duração : 96 minutos
Género : Drama
Realização : Marilyn Agrelo
Elenco : Jessica Alba (Mona Gray), Chris Messina (Ben), Sonia Braga (mom), John Shea (dad), Bailee Madison (young Mona), Sophie Nyweide (Lisa Venus), J. K. Simmons (Mr. Jones), Mackenzie Milone (Ann).

História : Após o pai ser vitima de um forte problema psiquiátrico, Mona Gray decide prescindir das coisas boas da vida e viver uma vivência quase à parte dos demais. No entanto, consegue emprego como professora de matemática, ciência que ela adora.

Comentário : O filme é fraquito, muito fraco. Pensava que ia ver um bom filme, com este cartaz e com estrelas tão a cima da média como Jessica Alba ou J. K. Simmons. Em vez disso, apareceu-me um filme pobre em história, a fita abre com uma pequena história mostrada em suporte animado com uma fábula ridicula. A interpretação da bonita Jessica Alba até nem está mal, mas a ideia de que alguém sem qualificação mínima para ensinar uma disciplina seja convocada para lecionar numa escola primária é absurda e é isso que acontece no filme. Para agravar ainda mais o absurdo da questão a docente irresponsável decide trazer para a aula um enorme machado verdadeiro como símbolo do número sete. O filme é baseado no livro “An Invisible Sign Of My Own” de Aimee Bender e era este o titulo que originalmente o filme era para ter, mas foi amputado para “An Invisible Sign”. Depois temos duas crianças que já deram provas que sabem muito sobre a arte de representar : a pequena Bailee Madison que desempenhou Mona em criança e a mini estrela Sophie Nyweide que vimos a protagonizar o filme “Bella”. Esta última representa uma personagem decisiva que irá resolver a vida de Mona Gray. Na minha opinião, a Mona Gray deste filme é uma mulher irresponsável e muito infantil, que não cresceu mentalmente e que sofre de problemas psicológicos. Mas isto é apenas a minha opinião, esperava muito mais deste filme e a desilusão foi geral. A única coisa que faz deste filme a honra de ter uma estrela é a interpretação da bonita Jessica Alba e que bem ela está no poster. Classificação : 1.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

The Tree


Titulo Inglês : “The Tree”
Ano : 2010
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Julie Bertuccelli
Elenco : Charlotte Gainsbourg (Dawn), Morgana Davies (Simone)
História : Uma menina de oito anos chamada Simone assiste à morte do pai enquanto andava com ele de carro. Após a morte do pai, Simone arranja conforto numa gigantesca e velha árvore que existe à porta da sua propriedade.

Comentário : Acabei de ver este belíssimo filme e confesso que adorei. Trata-se de um drama sobre uma familia que vive feliz na sua casa de campo até ao dia em que o homem da casa morre e os restantes membros da familia têm que se virar sozinhos. Gostei da interpretação de Charlotte Gainsbourg, já tinha reparado nela em obras como “Melancholia” e “Antichrist” e tenho a dizer que ela esteve igualmente bem neste filme. A pequena Morgana Davies também me surpreendeu pela positiva, no papel de uma criança que perde o pai de um minuto para o outro, assiste a tudo sozinha e que se apega a uma árvore muito antiga para superar essa perda, é como se o pai tivesse encarnado naquele monte de ramos e folhas. A fita está muito bem filmada e tem bons planos de camara, como por exemplo, sempre que Morgana aparece no topo de árvore ou naquele magnifico plano em que a menina está a mergulhar no mar e observa uma enorme medusa. Trata-se de mais um bom filme que vi neste ano. Classificação : 4.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Another Earth


Titulo Inglês : “Another Earth”
Ano : 2011
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Realização : Mike Cahill
Elenco : Brit Marling (Rhoda Williams), William Mapother (John Burroughs)
História : Desde que surgiu no sistema solar um novo planeta igual à Terra, a vida da jovem Rhoda nunca mais foi a mesma. A começar pelo trágico acidente que ela provoca. Surge agora a oportunidade de Rhoda se redimir.

Comentário : Gostei muito deste filme. Vi hoje o filme e confesso que me surpreendeu pela positiva. A história é muito original e apresenta-se como sendo um dos principais focos de interesse desta fita de produção independente. A nível de interpretações, podemos contar com boas prestações a cargo da protagonista Brit Marling e do ator William Mapother. Rhoda é uma adolescente que, sem querer, choca com o seu automóvel de frente com o carro de John, originando a morte da sua esposa e filho menor. No intuito de se redimir, decide procurá-lo e oferece-lhe a sua ajuda e os seus préstimos como mulher da limpeza, sem nunca revelar quem é. O compositor John Burroughs acaba por simpatizar com ela e entre os dois nasce uma boa relação de amizade e algo mais. Para Rhoda, isso poderá ser a sua chance de se redimir. Para ela, ou é isso ou ganhar o tão desejado lugar no vaivém espacial da viagem ao planeta Terra 2. Trata-se de um poderoso filme, parado em algumas partes tal como eu gosto e o seu lado independente nota-se claramente. O filme fez parte da programação de alguns festivais de cinema, mas desconheço se ganhou algum prémio. Lamentável o facto do filme não ter estreado em Portugal, em vez disto, estreiam blockbusters e comédias a rodos. Achei lindo aquele momento em que John produz aqueles sons mágicos com aquela serra manual, que momento tão sublime e magistral. “Another Earth” é para mim, um dos grandes filmes que vi este ano e já lá vão uns quantos. Classificação : 4.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Take Shelter


Titulo Inglês : “Take Shelter”
Ano : 2011
Duração : 123 minutos
Género : Drama
Realização : Jeff Nichols
Elenco:Michael Shannon (Curtis), Jessica Chastain (Samantha), Tova Stewart (Hannah)
História : Vitima de pesadelos constantes que lhe indicam que a cidade vai ser assolada por uma tempestade de tornados, Curtis decide construir um abrigo no seu quintal para albergar a si, à sua esposa e à filha pequena de ambos. No entanto, as suas atitudes irão causar conflitos não só à sua familia como a todos que os rodeiam.

Comentário : Depois do filme “Shotgun Stories” que já era bom, o realizador Jeff Nichols surge agora com este ainda melhor “Take Shelter”. O filme é muito bom e conta-nos uma história cativante que não é mais que um conto sobre um homem desesperado. Um homem que é casado com uma boa mulher e possuem uma bonita filha e apesar do problema de saude da pequena, os 3 vivem bem e com uma boa empatia entre eles. Os problemas começam quando Curtis começa a ter pesadelos sobre uma grande tempestade de tornados. Michael Shannon obteve com este filme a sua melhor interpretação. Jessica Chastain entra em mais um filme, 2011 foi um excelente ano para ela. E a pequena Tova Stewart completa o elenco principal, ou seja, o trio de protagonistas. Os efeitos especiais estão bons e o final do filme é supreendente. Mais um excelente filme que vi neste ano. Classificação : 5.

Nana


Titulo Inglês : “Nana”
Ano : 2011
Duração : 70 minutos
Género : Drama
Realização : Valerie Massadian
Elenco : Kelyna Lecomte (Nana), Marie Delmas (mama).
História : Nana é uma menina de quatro anos de idade que vive com a sua mãe numa velha casa de pedra no mato. Um dia, a mãe da menina desaparece e cabe à pequena se desenrascar sozinha.

Comentário : Outra agradável surpresa neste ano. “Nana” é daqueles casos em que o baixo orçamento nada significa. Trata-se de cinema experimental e de um filme que tem como personagem principal uma menina de quatro anos de idade. De facto, a pequena Kelyna Lecomte, com tenra idade oferece-nos uma brilhante interpretação. A menina nunca olha para a camara e a realizadora é perfeita a mostrar-nos o mundo do ponto de vista de uma criança de quatro anos. As cenas da matança do porco bem como aquelas partes em que os pequenos porcos sofrem eram desnecessárias. O filme é muito parado, mas isso para mim não consiste problema, até funciona como incentivo. Fui vê-lo ao cinema e tive uma excelente experiência. A camara está quase sempre colada à pequena protagonista. Como Nana, Kelyna Lecomte é a alma do filme. Os momentos passados entre Nana e o coelho morto são apenas alguns dos melhores da fita. Certas crianças representam melhor do que certos adultos. Classificação : 5.

domingo, 6 de maio de 2012

The Children


Titulo Inglês : “The Children”
Ano : 2008
Duração : 85 minutos
Género : Terror
Realização : Tom Shankland
Elenco : Eva Birthistle (Elaine), Stephen Campbell Moore (Jonah), Jeremy Sheffield (Robbie), Rachel Shelley (Chloe), Hannah Tointon (Casey), Rafiella Brooks (Leah), Jake Hathaway (Nicky), William Howes (Paulie), Eva Sayer (Miranda).
História : Dois casais vão passar umas merecidas férias de natal para uma casa de campo e levam consigo os seus filhos menores. O que era para ser mais uma aconchegante festa natalícia entre familias se transforma na quadra festiva mais sangrenta das suas vidas.

Comentário : Já vi alguns filmes em que os maus são as crianças e tinha que ver este também. Gostei do filme, embora o meu preferido do género seja o filme “Orphan”. Neste “The Children”, podemos assistir a mortes muito macabras, embora nem sempre chocantes. O melhor da fita são as crianças bem como os seus requintes de malvadez. Tal como em “A Cidade dos Malditos” de John Carpenter, aqui parece que as crianças foram possuidas por uma espécie de demónio ou então um virus. As interpretações dos adultos também são boas, mas os pequenos actores estiveram bem melhor. O filme assusta em algumas partes, principalmente naquelas em que os pequenos se preparam para atacar ou aparecem cobertos de sangue. Já vi filmes muito mais violentos que este, mas admito que não é para pessoas sensíveis. A realização é boa e a fotografia também, nota-se que houve um cuidado especial para com os pequenos atores envolvidos no projeto. Pelo final, dá para entender que o pesadelo não terminou e que os pais que têm filhos até aos 18 anos de idade não estão seguros. O filme tem ainda algumas semelhanças com os filmes de terror antigos, quando mais não seja pela forma como foram filmadas algumas sequências ou pela forma como os adultos vão morrendo. Gostei do filme e recomendo-o. Classificação : 4.

Tomboy


Titulo Inglês : “Tomboy”
Ano : 2011
Duração : 83 minutos
Género : Drama
Realização : Celine Sciamma
Elenco : Zoe Heran (Laure/Michael), Malonn Levana (Jeanne), Jeanne Disson (Lisa)
História : Uma menina chamada Laure muda-se com os pais e a irmã mais nova para um novo condominio rodeado de espaços verdes. Aos seus novos amigos, Laure prefere passar por rapaz e usa o nome de Michael.

Comentário : Confesso que adoro filmes em que o elenco principal é composto por crianças e por adolescentes. Como já tinha dito em algumas criticas, certas crianças representam melhor do que alguns adultos. A interpretação da pequena Zoe Heran é exemplo disso mesmo, quem viu “Ponette”, “Camino” ou “Stella” sabe do que eu estou a falar. O Michael de Laure é tão convicente que consegue enganar o seu grupo de amigos rapazes quando joga futebol em tronco nu ou quando todos nadam num lago. Torna-se ainda mais convicente quando Laure consegue com que uma menina chamada Lisa, pense que ela é um rapaz e se apaixone por ela. A dada altura, a sua irmã mais nova descobre a verdade e decide agir pela irmã e nada conta. Estamos perante um excelente filme sobre alguém que não aceita o corpo que possui e que quer ser outra pessoa. Os dois beijos que Laure e Lisa trocam são muito bonitos, inocentes e sem maldade nenhuma. O filme tem vários momentos altos, quando Lisa vê pela primeira vez Michael vestido de menina ou sempre que as duas meninas se beijam na boca, apenas para citar dois exemplos. Este filme fala de uma pessoa que se sente muito mal no corpo que tem e que quer ser outra pessoa, sente vontade extrema de mudar, seja a que preço for. A sequência em que a mãe de Laure descobre a mentira da filha também é digna de atenção e se prestarmos atenção à reação de Jeanne, então a cena fica ainda mais espectacular. A irmã age sempre em defesa da irmã mais velha. Não esquecer também a interpretação da jovem Jeanne Disson, como amiga e namorada de Laure. Um último reparo também para a pequena Malonn Levana que desempenhou a irmãzinha de Laure, que grande talento para quem tem apenas cinco anos. Fazem falta mais filmes deste género, protagonizados por crianças, para a semana, chega aos cinemas mais um : “Nana”. “Tomboy” já é um dos melhores filmes que vi este ano.

Classificação : 5.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Wuthering Heights


Titulo Inglês : “Wuthering Heights”
Ano : 2011
Duração : 128 minutos
Género : Romance/Drama
Realização : Andrea Arnold
Elenco : Shannon Beer (Catherine Earnshaw), Solomon Glave (Heathcliff), James Howson (old Heathcliff), Paul Hilton (Mr. Earnshaw), Amy Wren (Frances).
História : Um homem de família encontra um jovem negro à chuva e recolhe-o em sua casa, acabando por adotá-lo. No entanto, esse jovem torna-se amigo da adolescente da casa, Catherine, e entre os dois nasce uma empatia muito forte e pura. No futuro, será que esse jovem será a sorte ou a desgraça de Catherine ?

Comentário : Confesso que gostei deste filme. Em primeiro lugar tenho que falar da realizadora do filme, Andrea Arnold é diferente dos outros realizadores porque a sua maneira de filmar possui um atributo que mais nenhum realizador tem : ela capta os detalhes minimos das coisas e a sua câmara dá atenção a cada detalhe. Já tinha sido assim no maravilhoso “Fish Tank” e repete isso neste seu novo filme. Enquanto que “Fish Tank” vê a sua ação passar-se nas ruas de uma cidade, este “Wuthering Heights” passa-se inteiramente no campo e em outra época. Tal como disse, a câmara de Andrea capta certos detalhes que para outro realizador passaria ao lado : um ramo a bater no vidro da janela, uma mariposa a esvoaçar no chão, os cabelos de Catherine a serem embalados pelo vento, um menino que pendura um pobre cão pela coleira a um tronco de uma árvore ou a protagonista a lamber o sangue de uma ferida nas costas do seu amado. Quem estiver mais atento ao filme pode constatar que a primeira hora é unicamente dedicada à relação de amizade que se vai criando entre a jovem Catherine e o enigmático Heathcliff, incluindo momentos de grande ternura e paz. O vento acaba por se transformar também numa das principais personagens do filme, quem estiver mais atento, irá certamente reparar que está quase sempre presente, ainda que não se dê por ele. Uma obra que não agradará à maioria por se tratar de um filme muito parado, mas para os amantes do bom cinema, é um deleite. Um último apontamento, Shannon Beer é linda. Classificação : 4.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

We Need To Talk About Kevin


Titulo Inglês : “We Need To Talk About Kevin”
Ano : 2011
Duração : 114 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Lynne Ramsay
Elenco : Tilda Swinton (Eva), John C. Reilly (Franklin), Ezra Miller (Kevin), Siobhan Fallon (Wanda), Ashley Gerasimovich (Celia)
História : Após dar à luz um menino chamado Kevin, Eva abandona a sua vida profissional e pessoal para se dedicar ao filho. No entanto, a relação entre este filho e aquela mãe nunca será amistosa e as complicações surgem ainda em tenra idade. Será que Kevin alguma vez gostou da mãe ?.

Comentário : Em primeiro lugar quero dizer que, após ter visto este bom filme, não concordo com algumas opiniões que dizem que Eva sente-se culpada pelo filho ser como é e também não concordo quando põem em dúvida se aquela mãe alguma vez gostou do filho, porque na realidade, é ele quem nunca gostou da mãe. Claramente que Eva não tem qualquer tipo de culpa por o filho ser quem é, existem pessoas que simplesmente nascem más e ponto final. A realização é muito boa e estamos perante um bom exemplar do chamado cinema independente. Nunca gostei da atriz Tilda Swinton, mas devo confessar que a sua Eva é a melhor interpretação da sua carreira. Também gostei da prestação de John C. Reilly, no papel de um pai que permite tudo ao filho e que ignora os sinais que o filho passa a vida a dar sobre a sua personalidade. Trata-se de um thriller muito bem filmado e feito, onde o maior destaque vai precisamente para a complicada relação daquele filho com aquela mãe que, na minha opinião, sempre gostou dele e tudo fez para que as coisas funcionassem da melhor forma. Até me custa a acreditar que uma mãe que passasse por tudo aquilo não tomasse uma medida mais drástica como por exemplo, colocar o filho numa instituição. Kevin é daqueles personagens que desperta logo em nós um ódio tremendo, nomeadamente sempre que trata a pequena irmã por atrasada mental, quando na realidade ele é o único atrasado mental da família. Tudo o que ele faz à sua irmã é de uma brutalidade e de uma violência extrema. Este filme é daqueles filmes que tudo possui para gerar um debate em torno dele, após o seu visionamento. É sobre a violência na infância e na adolescência. Kevin não se tornou mau devido a divórcios e não se tornou mau devido a abusos de qualquer espécie que seja e muito menos por falta de amor materno, Kevin já nasceu mau e é esse o único grande problema dele. Apesar de já ser datado do ano passado e de ter sido realizado em 2010, este filme de Lynne Ramsay é, para mim, uma das grandes surpresas deste ano e já lá vão umas quantas. Gostei. Classificação : 4.

Texas Killing Fields


Titulo Inglês : “Texas Killing Fields”
Ano : 2011
Duração : 105 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Ami Canaan Mann
Elenco : Sam Worthington (Mike), Jeffrey Dean Morgan (Brian), Corie Berkemeyer (Shauna), Chloe Grace Moretz (Ann Sliger), Jessica Chastain (Pam).
História : Um detective do Texas e um outro de Nova York juntam-se numa localidade rural para investigar uma série de assassinatos que tem como vitimas jovens raparigas.

Comentário : Trata-se de um filme mediano, já vi thrillers bem melhores. O filme tem a particularidade de vermos Sam Worthington num registo diferente do seu. A empatia que nasce entre os dois agentes de estados diferentes foi bem representada pelos dois atores. Quanto à jovem Chloe Grace Moretz, teve mais uma vez brilhante, nos últimos cinco anos já devo ter visto para aí uns oito filmes com ela. “Texas Killing Fields” é uma obra que se insere no campo do policial e aí soma pontos, temos uma fita que cumpre os seus propósitos, gostei do filme, embora pense que, sendo produzido por Michael Mann, podia ter resultado em algo bem melhor. Não esquecer que o filme é realizado pela filha de Michael Mann e é baseado numa história veridica. Classificação : 2.