domingo, 28 de maio de 2017

Raw

Nome do Filme : “Grave”
Titulo Inglês : “Raw”
Titulo Português : “Raw”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Julia Ducournau
Produção : Jean Des Forets
Elenco : Garance Marillier, Ella Rumpf, Rabah Nait Oufella, Laurent Lucas, Joana Preiss, Bouli Lanners, Marion Vernoux, Thomas Mustin, Jean Louis Sbille.

História : Justine é uma jovem tímida, sensível e vegetariana, caloira na mesma faculdade de veterinária em que estuda a sua irmã, Alexia. Durante as praxes, a menina é forçada a comer carne animal e esse acto provoca mudanças extremas na sua vida.

Comentário : Em primeiro lugar, não se deixem enganar, este não é um filme de terror, conforme o querem vender, trata-se de um drama humano sobre o canibalismo, fala da transformação de uma jovem. Existe uma longa sequência na versão extensa do filme “Ninfomaníaca” do polémico Lars Von Trier que é mesmo susceptível de ferir a sensibilidade de quem a vê, a mim incomodou-me bastante e fiquei chocado. Isto para dizer que este filme não tem nada de verdadeiramente chocante, não é nada que já não tenha sido visto em filmes de terror, temos portanto apenas uma cena um pouco gore e é só. Assim, não entendo os comentários de pessoas que dizem que desmaiaram na sala de cinema e outras que se foram embora, a nível do gore, os filmes das sagas “Saw” e “Hostel” são bem piores e a esse nível, este “Raw” não lhes chega aos calcanhares. E digo mais, o único terror que vi neste filme foi o terror provocado pelas praxes académicas, essas sim, deviam acabar, é nojento haver jovens que acham que têm poder sobre os novatos e os obrigam a actos humilhantes e os forçam a participarem das suas anormalidades. Forçar ou obrigar alguém a algo contra a sua vontade ou sobre chantagem é crime. Nem imaginam o quanto esses académicos me enojam. 

Claramente que não entendo o alarido que este filme causou, repito, não há mesmo nada aqui que já não tenha sido visto em filmes de terror. “Raw” é um filme bem realizado por uma mulher que entende as adolescentes e sabe filmar aquilo que representa ser-se rapariga. Os actos da protagonista são questionáveis e apenas explicados num fabuloso twist no final do filme, eu não esperava aquilo. Existe uma parte em que Justine é humilhada pela irmã numa morgue, cena que revolta. Há algumas atitudes de certos personagens que não fazem muito sentido, por exemplo, porque motivo o único amigo da protagonista que é gay, insiste em dormir com raparigas e ter relações sexuais com elas. Garance Marillier (linda) é a estrela e a grande revelação deste filme, a miúda possui aqui uma boa prestação, ela convence no papel de alguém sem orientação. Infelizmente, Ella Rumpf, que desempenha a sua irmã, não a acompanha ao nível da qualidade interpretativa dela, fazendo com que a química entre elas simplesmente não funcione. Existe uma sequência em particular que envolve a nossa menina e um espelho que eu achei divinal, são as minhas cenas preferidas do filme. Existe uma cena de sexo exagerada que é desnecessária, ela não adianta nada ao filme. Volto a dizer, o twist final é brutal e explica quase tudo sobre o comportamento das irmãs, só não explica porque motivo a mais velha é tão má para a mais nova. É um filme razoável.

E Agora ? Lembra-me

Nome do Filme : “E Agora ? Lembra-me”
Titulo Inglês : “What Now ? Remind Me”
Titulo Português : “E Agora ? Lembra-me”
Ano : 2013
Duração : 165 minutos
Género : Biográfico/Documentário
Realização : Joaquim Pinto
Produção : Joana Ferreira
Elenco : Joaquim Pinto, Nuno Leonel.

História : Há quase duas décadas que Joaquim Pinto convive com o HIV e com o vírus da hepatite C. O cineasta teve de se afastar da carreira no cinema devido à progressão da doença. Após anos de luta, decide regressar com esta obra. Através de um documentário confessional, que segue o seu “caderno de apontamentos” sobre um ano de ensaios com medicamentos experimentais iniciados em 2011, ele faz uma reflexão sobre o tempo e a memória, as epidemias e a globalização, a sobrevivência para além do expectável, a dissensão e o amor.

Comentário : É um filme que promove a reflexão, é um documentário muito humano sobre dois homens que se limitam a viver uma vida em comum, eles são homossexuais e são casados. Um deles é doente e o outro o ajuda a superar as dificuldades. Têm quatro cães e muita força de vida. São assim Joaquim Pinto e Nuno Leonel. Confesso que não conhecia Joaquim Pinto, nem como pessoa e muito menos enquanto realizador. Gostei de o ter ficado a conhecer, graças a este maravilhoso filme. Os dois habitam num mundo muito próprio, dando também muita importância à natureza. Naquilo em que o filme é bom é basicamente mostrar-nos o quotidiano de Joaquim Pinto, fala-nos das suas doenças e do seu trabalho, sendo também uma importante reflexão sobre a vida e uma homenagem à mesma. Naquilo que o filme é mau, é no facto de ser longo demais, dava perfeitamente para tirarmos algumas cenas, condensando tudo em 120 minutos. Existe portanto muita palha aqui. O filme falha também porque não explora os problemas de saúde do realizador como deveria, aborda pouco essa temática, quando sabemos que seria um documentário ainda melhor caso se concentrasse mais nisso. Podemos contar também com referências a filmes, a músicas e a programas de televisão. O filme tem igualmente uma componente espiritual bastante acentuada. A coisa que menos gostei aqui foi quando levavam as coisas para a componente sexual. Por outro lado, aquilo que mais gostei neste documentário foi do realizador nos ter dado a conhecer a sua vida. Estamos perante um bom documentário que pode funcionar também como uma lição de vida. 

I Am Not Your Negro

Nome do Filme : “I Am Not Your Negro”
Titulo Inglês : “I Am Not Your Negro”
Titulo Português : “Eu Não Sou O Teu Negro”
Ano : 2016
Duração : 93 minutos
Género : Documentário
Realização : Raoul Peck
Produção : Raoul Peck
Elenco : Samuel L. Jackson, James Baldwin, Harry Belafonte, Shumerria Harris.

História : Em 1979, James Baldwin escreveu ao seu editor dizendo que o seu próximo projecto, “Remember This House”, seria um livro revolucionário sobre as vidas e os assassinatos de três dos seus amigos mais próximos : Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr. Quando morreu em 1987, deixou apenas trinta páginas do manuscrito.

Comentário : Tinha que ver este documentário, decididamente, não podia deixá-lo passar. O nazismo e o racismo foram coisas terríveis e ainda existem pontas deles na actualidade, infelizmente. Não conhecia o escritor James Baldwin e tenho que agradecer ao realizador Raoul Peck por ter feito este filme, caso contrário nunca teria ouvido falar dele, nem da sua ligação com aqueles três lideres negros. O racismo é uma coisa que me incomoda bastante, pessoalmente eu penso que todos somos seres humanos, independentemente da cor, religião ou tendências e descriminar alguém só porque é diferente da maioria ou não, é algo que é condenável. É um filme ou documentário que se vê e segue muito bem, somos levados pela maravilhosa voz de Samuel L. Jackson, que se expressa muito bem nas suas palavras. Temos imensas imagens de arquivo de muita gente e até somos brindados com referências a alguns filmes que poderão ou não abordar o racismo em si, mas de certeza que envolvem os negros. É um documentário de uma grande riqueza informativa. Confesso ter ficado a saber pouca coisa daquilo que eu nada conhecia de Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Jr., mas eu sou um ignorante no que às questões políticas diz respeito, prefiro as questões pessoais e familiares. É um documentário fulcral para se entender melhor o racismo em si, que tenta explicar o porquê desse sentimento existir, embora eu ache que isso nunca é devidamente explicado ao longo da quase hora e meia de fita. Na minha opinião, os seres humanos são racistas, simplesmente porque não toleram o que é diferente deles, lidam mal com a diferença e isso não acontece somente com as raças, acontece com tudo o que envolve ser-se humano e toda a diversidade que isso abarca. Um último reparo, tornei-me simpatizante de James Baldwin. 

The Last Princess

Nome do Filme : “Deokhyeongju”
Titulo Inglês : “The Last Princess”
Titulo Português : “A Última Princessa”
Ano : 2016
Duração : 127 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Hur Jin Ho
Produção : An Seung Ho
Elenco : Son Ye-Jin, Park Hae Il, Ra Mi Ran, Jeong Sang Hun, Ahn Nae Sang, Kim Jae Wook, Park Joo Mi, Yun Je Mun, Kim So Hyun, Shin Rin Ah.

História : A história e a vida da princesa Deok-Hye, o último membro da família real da Coreia.

Comentário : Há uma coisa que me despertou a curiosidade na ficha deste filme na IMDB, não meteram no género que se trata também de um filme histórico, o que eu acho estranho até porque no filme contam bocados da história da Coreia e do Japão. Mas não vamos por aí. Eu gostei deste filme biográfico principalmente porque é sobre alguém que eu não conhecia e que funcionou para mim como uma experiência gratificante. É um filme muito triste, devido a tudo aquilo que sucede com a personagem principal, aliás, a actriz que a viveu teve uma prestação digna de prémios, ela convenceu como protagonista. Ao mesmo tempo que nos embala ao longo de duas horas de projecção, a história consegue também nos irritar e isto deve-se ao personagem do ministro, ele chega mesmo a causar-nos repulsa, ele é um bom vilão, palmas para o actor. Também gostei bastante do personagem do amigo da protagonista, aquele que a vai buscar ao hospital, depois de anos antes ter vivido aventuras perigosas com ela. A fotografia é impecável e recriação de época está simplesmente perfeita. Notam-se alguns erros de tempo, nomeadamente em relação à idade e caracterização de algumas personagens. Um ou outro secundário não está devidamente enquadrado no contexto. E o final é pouco emotivo, pedia-se que fosse mais dramático. Ainda assim, estamos perante um filme muito bom, trata-se de uma boa biografia, fiquei muito satisfeito de ter ficado a saber da história desta princesa, uma mulher que passou a vida a sofrer.

A Cowgirl's Story

Nome do Filme : “A Cowgirl's Story”
Titulo Inglês : “A Cowgirl's Story”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Timothy Armstrong
Produção : Bailee Madison
Elenco : Bailee Madison, Chloe Lukasiak, Jade Bender, Pat Boone, Aidan Alexander, Froy Gutierrez, Robert W. Arbogast, Jake Castillo, Alicia Coppola, Quartay Denaya, Dale Gibson, Monica Lawson, Maggie McClure, Aedin Mincks, Carly Peeters, Cindy Raphael, Elise Robertson, Derrick Strickland, Hank Grover, Suzy Vaughan, James C. Victor, Jordi Vilasuso, Amy Workman.

História : Dusty Rhodes é uma linda adolescente que mora com o pai e o avô, ambos militares, e tem a mãe a combater na guerra. Ela acaba de se mudar para uma nova escola, onde de início, as coisas não correm muito bem. Dusty possui ainda uma paixão muito grande por cavalos e pelos rodeos, pelo que está disposta a convencer e reunir um pequeno número de raparigas para formarem um grupo equestre, com a intenção de participarem em competições. As coisas complicam-se para ela quando o pai é chamado a cumprir uma missão em combate.

Comentário : É a segunda vez que o realizador Timothy Armstrong dirige a actriz Bailee Madison num filme que fala de rodeos, cavalos e da vida do campo. E Bailee está como peixe na água, além de ser uma das melhores actrizes da sua geração, é também muito bonita e conhecedora do mundo equestre. A história deste filme até é interessante, mas aquilo onde peca é na preocupação do realizador em que tudo acabe bem para todos os personagens. O principal problema deste filme é mesmo esse, apesar dos altos e baixos que sucedem ao longo dos cem minutos, as coisas acabam bem demais para todos os envolvidos e essa sensação estragou todos os esforços do cineasta e do elenco. Apesar disso, eu gostei desta fita, é um bom filme, resultado de uma eficaz fusão de drama com aventura. Quase todas as personagens jovens são interessantes, já o mesmo não se aplica aos adultos, são actores muito mal dirigidos aqui, parece que o realizador trabalha melhor com a juventude do que com os adultos. Por exemplo, a personagem de Chloe Lukasiak passa por uma mudança radical de temperamento ao longo do filme e convenceu nessa transformação, fruto do excelente desempenho da jovem actriz e do seu trabalho com Timothy Armstrong. Já o veterano Pat Boone surge aqui muito mal aproveitado, é um bom personagem, mas podia ter sido mais trabalhado, podia ter resultado melhor. Bailee Madison (primeira foto em baixo) interpreta aqui a protagonista e é ela também que produz o filme, e safa-se lindamente nas duas tarefas. Tal como disse, apesar de jovem, ela é uma excelente actriz e carrega o filme todo às costas, eu adorei a sua personagem, ela é a alma desta fita. O filme possui ainda algumas situações ridículas e uma banda sonora que aparece por vezes nos momentos menos indicados. Alguns personagens adultos nada acrescentam à história e penso que o argumento podia ter sido mais adulto, complexo e dramático. A componente religiosa era dispensável aqui, ela não ajuda em nada a narrativa. Um último reparo, as cenas de choro de Bailee são intensas, o que prova mais uma vez o enorme talento desta jovem actriz. Gostei, mas estou habituado a outro tipo de filmes, mais reais, complexos e adultos. 


Colossal

Nome do Filme : “Colossal”
Titulo Inglês : “Colossal”
Titulo Português : “Colossal”
Ano : 2016
Duração : 109 minutos
Género : Ação/Comédia/Ficção
Realização : Nacho Vigalondo
Produção : Russell Levine/Zev Foreman/Nahikari Ipina/Dominic Rustam
Elenco : Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Dan Stevens, Austin Stowell, Tim Blake Nelson, Hannah Cheramy, Nathan Ellison.

História : Gloria está a atravessar um momento verdadeiramente dramático da sua vida : além de ter perdido o emprego e o namorado, parece ficar mais dependente do álcool a cada dia que passa. Incapaz de se sustentar sozinha em Nova Iorque, regressa à pequena cidade que a viu nascer. Um dia, apercebe-se de algo inacreditável : durante as saídas nocturnas, em que bebe até quase perder os sentidos, os seus gestos e acções são replicados por um monstro colossal que caminha pelas ruas de Seul, na Coreia do Sul. O monstro, que ninguém sabe de onde terá surgido, tem deixado um rasto de destruição atrás de si e lançado o pânico nas populações. Gloria fica sem saber o que fazer, embora tenha consciência que algo terá que fazer.

Comentário : Fiquei surpreendido pela positiva com este curioso filme, tem uma história interessante e é uma fita difícil de catalogar, o realizador fez bem em não seguir as regras habituais do género. Portador de alguma comédia, é um filme que mistura habilmente acção com ficção ou fantasia, como poucos o sabem fazer. Aparentemente ridícula, a premissa atinge a respectiva explicação e justificação para aqueles factos perto do final. Creio que é uma história original e diferente, pessoalmente nunca me lembraria de algo assim. Anne Hathaway vai muito bem, ela consegue aqui uma das melhores interpretações da sua carreira. Jason Sudeikis consegue irritar no papel do amigo nojento e Dan Stevens convence no seu papel, um pouco deslocado dos acontecimentos. Os efeitos especiais nem sempre resultam e algumas cenas fazem lembrar outros filmes de monstros. Volto a dizer, certas coisas aqui são mesmo estúpidas, mas acabam por funcionar devido ao contexto onde estão inseridas. A realização é bastante consistente, é possivelmente o melhor filme de Nacho Vigalondo. O filme nunca é assustador, aliás, as coisas são um pouquinho levadas para o lado da comédia, o que eu julgo que não resultou tão bem, pelo menos nas partes em que o monstro está em cena. Podiam ter mostrado mais do monstro, mas o pouco que dele deram a conhecer, fizeram com que eu simpatizasse com a criatura. O filme tem poucas personagens, por exemplo, eu senti falta de mais uma personagem feminina. Sabemos que não é um filme para ser levado a sério, mas deixem-se levar pela narrativa e terão duas horas bem passadas. Uma agradável surpresa. 

Serenity

Nome do Filme : “Serenity”
Titulo Inglês : “Serenity”
Titulo Português : “Serenity”
Ano : 2005
Duração : 120 minutos
Género : Ficção-Científica/Aventura
Realização : Joss Whedon
Produção : Barry Mendel
Elenco : Nathan Fillion, Summer Glau, Gina Torres, Morena Baccarin, Alan Tudyk, Chiwetel Ejiofor, Adam Baldwin, Jewel Staite, Sean Maher, Ron Glass, David Krumholtz, Michael Hitchcock, Sarah Paulson, Yan Feldman, Rafael Feldman, Nectar Rose, Hunter Ansley Wryn.

História : Num futuro próximo, o capitão Mal procura sobreviver à custa de pequenos crimes e do transporte de passageiros e carga na sua nave espacial. Mal dirige uma pequena tripulação, que para ele é a coisa mais semelhante a uma família, eles são desordeiros, insubordinados e eternamente leais. Quando Mal aceita transportar um jovem médico e a sua misteriosa irmã, a sua vida complica-se. Os dois são fugitivos da Aliança, a coligação que domina a galáxia, que fará tudo para reaver a rapariga.

Comentário : Gosto de filmes de ficção-científica e confesso que na altura fui ao cinema ver este, pelo que gostei bastante e resolvi agora vir comentá-lo. Para mim, um bom filme comercial ou “blockbuster” para resultar, tem que ter uma boa história e personagens cativantes e que sejam devidamente aprofundados. Neste filme de Joss Whedon eu encontrei essas vertentes. Trata-se de um bom filme de ficção-científica e com personagens fortes. O personagem de Nathan Fillion, por exemplo, é alguém por quem nós sentimos algo, o actor consegue aqui uma boa prestação e nos convence da situação em que se encontra inserido. Além disso, ele possui uma boa relação com os restantes membros do elenco principal e tem um estilo muito próprio. No papel do inimigo, Chiwetel Ejiofor consegue a proeza de ser temido quando confronta os personagens do bem e chega mesmo a irritar e isto aqui funciona como um elogio ao seu personagem, ele extrai do público a sensação que nós habitualmente nutrimos pelos vilões.

Mas quem me surpreendeu foi a jovem actriz Summer Glau, ela tem uma boa interpretação, a sua expressividade é brutal e ainda tem uma excelente prestação física. Além de ser muito bonita e sensual. Os actores que desempenham os restantes membros da tripulação da nave vão muito bem também, cada um sabe o seu lugar na equação e saíram bem na fotografia. O design da nave é maravilhoso, a nave em si parece real e vê-la a voar pelo espaço é admirável. Os efeitos especiais são muito bons e nunca parecem exagerados, existe uma sequência em que a nave atravessa um campo de lixo espacial com todo o cuidado que está brutal, eu adorei esta parte. A história é interessante e tem os seus momentos, eu senti-me totalmente envolvido naquilo que se estava a passar. Claro que existem cenas que possuem alguns exageros, mas nada que estrague o todo. No geral, é um filme que funciona porque tem bons alicerces que são fortes o suficiente para sustentar aquilo que se pretendia. Se querem boa ficção-científica, tentem este filme. Não ficarão desiludidos. 

Sucker Punch

Nome do Filme : “Sucker Punch”
Titulo Inglês : “Sucker Punch”
Titulo Português : “Mundo Surreal”
Ano : 2011
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Fantasia
Realização : Zack Snyder
Produção : Deborah Snyder/Zack Snyder
Elenco : Emily Browning, Abbie Cornish, Vanessa Hudgens, Jena Malone, Jamie Chung, Carla Gugino, Scott Glenn, Oscar Isaac, Jon Hamm.

História : Após a morte da mãe e depois de ter morto acidentalmente a irmã mais nova numa tentativa de a livrar do padrasto abusador, uma jovem rapariga é internada num manicómio, fazendo amizade com outras quatro miúdas. Ela descobre que dentro de cinco dias virá um médico para lhe fazer uma lobotomia. Para evitar esse irreversível procedimento e para tirar as quatro amigas daquele ambiente horrível, a miúda elabora um plano para as cinco saírem do hospital e serem livres.

Comentário : Lembro-me que fui ao cinema ver este filme, que se tornou num dos meus filmes deste género preferidos. Começa por ser um drama e depressa evolui para um filme de fantasia muito bem elaborado e concebido, graças à história que é muito boa. No centro da trama temos uma jovem rapariga que arrasta outras quatro para os seus jogos de acção. Aquilo que as raparigas fazem é inventar realidades alternativas para conseguirem os seus objectivos. Quando saí da sala de cinema, disse para mim mesmo que tinha assistido a um grande filme e, passados alguns anos e depois de o rever, persiste a mesma sensação. Quando se gosta de algo e isso é autêntico, gosta-se sempre. Nesta fita, temos mulheres ao poder, ou seja, elas são as únicas protagonistas e cada uma do seu jeito, embelezam o filme. É um filme muito sensual. Desde as vestes das miúdas, passando pelas suas poses e terminando na sua beleza, elas funcionam na perfeição e a química entre as pequenas nota-se da forma mais evidente e credível.

No papel da protagonista, Emily Browning é Baby Doll, é ela quem é colocada a dançar, coisa que nós nunca vemos porque em vez da dança, temos uma missão das garotas. Emily Browning manda muito bem como protagonista, além de ter uma boa prestação, ela simplesmente nos encanta com o seu ar angelical e a sua sensualidade. Ela ainda resulta como líder. Abbie Cornish é Sweet Pea, a segunda personagem mais importante da fita, indecisa de início, não é somente uma coisa boa em acção, ela é mesmo boa, seja a interpretar em dramas ou em modo rápido. Jena Malone é a menina mais forte do grupo e a actriz tem mesmo carisma, lamentei o que lhe aconteceu. Vanessa Hudgens é a mais “frágil” da equipa mas ainda assim vai muito bem, enquanto que Jamie Chung é a mais “apagada” do colectivo, mas o compõe lindamente. Por último, temos uma Carla Gugino irreconhecível, é ela quem dirige e cuida das meninas e o faz de forma perfeita. Esqueçam os homens, eles aqui não valem nada. Os efeitos especiais são excelentes, satisfazem mais do que muita porcaria que se faz actualmente. Por exemplo, a primeira sequência de acção, na qual a nossa Baby Doll luta contra três guerreiros num templo, é simplesmente brutal, eu vibrei com aquilo. Perto do final, temos um twist que não se compreende, mas não estraga o todo. Se gostam de um filme diferente, vejam este e deixem-se levar porque a história é cativante. Recomendado. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Lovesong

Nome do Filme : “Lovesong”
Titulo Inglês : “Lovesong”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : So Yong Kim
Produção : Bradley Rust Gray
Elenco : Riley Keough, Jena Malone, Sky Ok Gray, Jessie Ok Gray, Cary Fukunaga, Rosanna Arquette, Ryan Eggold, Marshall Chapman, Brooklyn Decker, Juliet Fitzpatrick, Neal Huff, Amy Seimetz, William Tyler, Justin Tarrents.

História : Sarah é uma jovem mãe que, devido a problemas com o marido, vai morar sozinha com a filha de ambos, Jessie. Um dia, Sarah recebe a visita de Mindy, a sua melhor amiga e as três fazem uma viagem com a intenção de passarem uns bons dias juntas. No entanto, passa-se qualquer coisa com Mindy e ela decide regressar a sua casa, deixando Sarah muito intrigada.

Comentário : Este filme independente é realizado pela cineasta So Yong Kim, que dirigiu os filmes “In Between Days”, “Treeless Mountain” e “For Ellen”, os três muito bons. E este “Lovesong” não lhes fica atrás, eu gostei bastante desta fita. Trata-se da história de uma grande amizade entre duas raparigas que nutrem um bonito sentimento uma pela outra, embora raramente o revelem. É uma história bonita e com alguns altos e baixos face à relação de amizade das duas. Confesso que já conhecia as duas actrizes principais de outros filmes. Assim, Riley Keough tem aqui a melhor interpretação do filme, a sua personagem é uma boa amiga e uma excelente mãe, Sarah concilia estas duas vertentes de forma perfeita. É uma actriz que convence no seu papel e consegue fazer com que a sua personagem passe para fora do ecrã, o drama que vive. Por seu lado, Jena Malone está muito bem neste registo, aqui no papel da melhor amiga da protagonista principal, ela convence também e dá-nos uma personagem dividida em relação aos seus sentimentos, às tantas não sabemos para onde ela vai cair. A química entre as duas actrizes é perfeita e resultou. As manas Sky Ok Gray e Jessie Ok Gray estão perfeitas, ambas dividem a personagem da filha da protagonista principal em idades diferentes da menina, as duas interpretaram muito bem a pequena, embora eu prefira o desempenho da primeira, a mais velha. O restante elenco está igualmente de parabéns, todos fizeram um bom trabalho. O filme possui ainda um ligeiro clima de romance, mas sobre isso nada irei revelar. Embora seja um filme pequeno, existem algumas cenas da despedida de solteira que são muito longas, elas se arrastam além do desejável. A banda sonora é boa, mas fica mal em uma sequência. Adorei esta história que é simples, mas parece real. A película possui ainda uma componente de “road-movie” que só enriqueceu a narrativa e o filme em si. Recomendo.

Before I Fall

Nome do Filme : “Before I Fall”
Titulo Inglês : “Before I Fall”
Titulo Português : “Antes de Vos Deixar”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Ry Russo Young
Produção : Matthew Kaplan/Brian Robbins/Jon Shestack
Elenco : Zoey Deutch, Halston Sage, Cynthy Wu, Medalion Rahimi, Erica Tremblay, Elena Kampouris, Logan Miller, Kian Lawley, Nicholas Lea, Jennifer Beals, Liv Hewson, Roan Curtis, Kaila Kondo, Keith Powers, Liam Hall, Alyssa Lynch, Taylor Russell, Diego Boneta.

História : Para além de jovem e muito popular, Samantha Kingston tem também a arrogância de quem se julga superior. Mas a sua vida perfeita tem um fim abrupto no dia em que, após um acidente de automóvel, ela morre. Depois disso, ela vê-se a acordar sempre no dia do acidente, revivendo os mesmos momentos desse dia. Samantha terá que alterar algumas coisas e quem sabe mudar-se a ela mesma, com a intenção de quebrar aquele feitiço e também ela, ter algum futuro.

Comentário : É assim, ao contrário da maioria, eu gostei bastante deste filme. De início, confesso que é aborrecido e até custa a pegar, todo aquele aparato de filme tipicamente juvenil. Mas depois e a partir do momento do acidente, as coisas tornam-se melhores e eu senti-me totalmente empolgado na história e nos acontecimentos que o argumento ia gerando. Este filme é uma espécie de mistura de “Groundhog Day” com “Mean Girls”, aliás, fusão essa que resulta muito bem, apesar da fita não chegar aos calcanhares do primeiro visado. O clima dos filmes de jovens está sempre presente, gostei disso e gostei também do ritmo que o filme tem. Nota positiva também para a maneira como a realizadora conta e mostra os acontecimentos do seu filme, para isso contribuiu uma boa montagem. A nível das interpretações, lamento informar, mas quase ninguém se aproveita. A única aqui que teve uma prestação aceitável foi a actriz protagonista, Zoey Deutch, esteve bem, apesar de ter-se esforçado pouco para conseguir mais e melhor. Não esquecer que o elenco conta também com a pequena Erica Tremblay, que na vida real é irmã do talentoso e excelente actor Jacob Tremblay, o protagonista masculino do filme “Room”, os dois possuem ainda uma irmã chamada Emma Tremblay que, tal como eles, também é actriz. A fita tem ainda o mérito de nós comprarmos o drama de Samantha, é uma personagem palpável e cuja mudança convence. No entanto, algumas coisas aqui não se percebem, por exemplo, se as coisas se repetem, porque motivo algumas acontecem de um jeito diferente se não foram mudadas por nenhuma personagem. Pessoalmente, gostei bastante deste filme e não entendo certos comentários menos bons a esta fita. 

Gifted

Nome do Filme : “Gifted”
Titulo Inglês : “Gifted”
Ano : 2017
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Marc Webb
Produção : Karen Lunder/Andy Cohen
Elenco : Chris Evans, McKenna Grace, Octavia Spencer, Jenny Slate, Lindsay Duncan.

História : Após a morte da irmã, Frank passou a ser o responsável pela educação da sobrinha, Mary, começando a criar a menina. No entanto, alguns anos depois, surge a avó da menina que pretende ficar com a neta, dando início a uma disputa nos tribunais com Frank pela custódia da criança.

Comentário : Antes de mais quero aqui dizer que detestei este filme. E não gostei deste “Gifted”, simplesmente porque é tudo mais do mesmo, além disso, o filme é um mar de clichés em relação a filmes do género. As únicas diferenças são que aqui a criança disputada é um génio da matemática e que se trata de um tio a lutar pela guarda dela em vez de um pai. Das coisas que gostei, saliento a maravilhosa cinematografia e a grandiosa prestação da pequena McKenna Grace, esta menina tem aqui uma forte presença e a sua química com Chris Evans resultou na perfeição. Mas infelizmente, os pontos negativos são imensos. Como já havia dito, o filme está cheio de clichés, exemplos : temos alguém que complica a vida ao responsável pela menina, achando saber o que é melhor para a criança; temos a amiga do tutor que é sempre atenciosa e sabe como são as coisas sendo também implicada no processo; temos questões judiciais e familiares decididas por tribunais; temos confissões da menina que ditas de forma inocente acabam por prejudicar a relação com o seu responsável; temos a personagem que enche a criança de prendas para a comprar; temos a professora da menina que acaba sempre por se envolver com o responsável da criança; temos uma terceira pessoa que acaba por interferir no caso; temos um advogado cínico que joga sujo para prejudicar gravemente o tutor e a criança; temos a criança que é levada para longe do tutor que adora; temos as situações ridículas e repetitivas de sempre encontradas em filmes do género, já para não falar do típico final, mas esse é de louvar. Octavia Spencer faz dela mesma e Chris Evans deixa finalmente as tangas da Marvel para desempenhar um papel decente, conseguindo uma boa empatia com a menina, que, apesar de representar muito bem a sua Mary, consegue ser amável e irritante ao mesmo tempo. Para as coisas terem resultado, o filme devia ser unicamente sobre o dom da menina e também falar mais sobre a relação dela com o tio. Enfim, mais uma grande desilusão deste ano. 


The Levelling

Nome do Filme : “The Levelling”
Titulo Inglês : “The Levelling”
Ano : 2016
Duração : 83 minutos
Género : Drama
Realização : Hope Dickson Leach
Produção : Rachel Robey
Elenco : Ellie Kendrick, David Troughton, Jack Holden, Joe Blakemore, Joe Attewell.

História : Depois de receber a notícia da morte do irmão, uma rapariga regressa à cidade onde cresceu para investigar o que realmente se passou com ele.

Comentário : O cinema independente continua em grande forma. Estamos perante um filme calmo e apelativo que embora não tenha uma mensagem definida, sabe para onde nos levar. Embora em algumas partes se perca um pouco, a história consegue nos agarrar ao ecrã e estamos sempre na esperança que a protagonista descubra aquilo que pretende. Não se pode tecer elogios ao elenco, porque na verdade temos apenas Ellie Kendrick a representar bem, é nela que se centram todas as atenções. Não conhecia esta actriz e não fiquei a simpatizar muito com ela, embora tenha aqui uma personagem forte, ela não me convenceu totalmente. Ainda assim, tornei-me defensor da causa da jovem, ela é alguém por quem nós pedimos que as coisas resultem. É um filme que decorre a um ritmo lento, mas que nunca aborrece, sentimos mesmo interesse pela história e por tudo aquilo que se está a passar diante dos nossos olhos. O ambiente envolvente também ajuda, a fita decorre no meio rural e isso é um grande contributo para nos sentirmos parte dele. Por vezes, em filmes de pouca duração, fico sempre a pedir que fossem mais longos, não foi o caso deste, apesar de ter gostado desta fita. A sequência de abertura é totalmente dispensável, não acrescenta nada. Penso que o filme tem um argumento que deve ter dado muito trabalho a escrever e a ser desenvolvido. É um filme simples, mas bastante apelativo e que satisfaz.

A Toca do Lobo

Nome do Filme : “A Toca do Lobo”
Titulo Inglês : “The Wolf's Lair”
Titulo Português : “A Toca do Lobo”
Ano : 2015
Duração : 101 minutos
Género : Documentário
Realização : Catarina Mourão
Produção : Laranja Azul

História : Todas as famílias guardam segredos : A minha não é excepção. Primeiro descubro um velho filme de 9,5 mm, depois redescubro os velhos álbuns de infância da minha mãe onde as fotografias me parecem todas ilusões ópticas. Mais tarde o meu avô, que nunca conheci, revela-se e fala comigo num estranho programa de televisão. Nesta viagem quero desvendar os segredos da minha família durante a ditadura, que envolvem mistérios que foram passando de geração em geração. Entre passado e presente procuro reinterpretar velhas memórias e descobrir novas verdades, lutando contra o silêncio e as portas que permanecem fechadas (Catarina Mourão).

Comentário : Foi com grande satisfação que eu descobri este maravilhoso documentário que fala de alguns elementos da família da realizadora Catarina Mourão, com grande destaque para o passado do seu avô, Tomaz de Figueiredo. Apesar de não ter sido considerado um filme biográfico, eu o acho não só isso, como também um documentário profundo sobre a vontade e coragem de uma mulher em querer conhecer mais sobre o passado do avô que nunca conheceu. Este filme é feito de imagens de arquivo, fotografias, objectos e cenas da actualidade da realizadora e da sua mãe. É um trabalho rigoroso, mas a cima de tudo, corajoso sobre alguém que quer conhecer as suas raízes, o seu passado, bem como aquilo que alguns elementos da sua família passaram. Eu adorei conhecer algumas coisas, confesso que nem conhecia esta realizadora, muito menos Tomaz de Figueiredo, foi com grande agrado que fiquei a saber das suas existências. O documentário possui histórias muito interessantes, mas aquela que mais me comoveu foi a parte das saquinhas de cachimbos e do significado e desejos que Tomaz de Figueiredo tinha para elas. Foi engraçado vê-las primeiro naquela gravação antiga a preto e branco e depois perto do final, conhecer as suas cores. Claramente que não foi uma emoção tão grande quanto aquela que as visadas tiveram, mas ainda assim uma grande emoção. Achei igualmente interessantes as histórias soltas desta família, bem como da situação complicada dele enquanto esteve internado no manicómio. Gostei imenso das imagens de infância e da forma como todo o filme foi montado e feito. Para a maioria do público, este é um filme que nada significa, mas aqueles que gostam de saber coisas novas, é um prato cheio de saber e de factos e informações sobre vivências, sobre outras vidas, algumas que já se foram.

Jacinta

Nome do Filme : “Jacinta”
Titulo Italiano : “Il Miracolo Di Fatima”
Titulo Português : “Jacinta”
Ano : 2017
Duração : 84 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Jorge Paixão da Costa
Produção : José Silva Pedro
Elenco : Matilde Serrão, Henrique Mello, Renata Belo, Dalila Carmo, António Pedro Cerdeira, Pedro Lamares, Graciano Dias, Filipe Vargas, Almeno Gonçalves, Rita Salema, Alexandra Cardoso, Ana Pinto, António Lopes, Diogo Rei Faria, Francisco Sousa, Henrique Marto, João Didelet, João Maria Pinto, José Carlos Garcia, José João, Madalena Doutel, Margarida Serrano, João de Carvalho, Paula Lobo Antunes.

História : Jacinta Marto foi uma dos três pastorinhos que afirmou ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, entre 13 de maio e 13 de Outubro de 1917.

Comentário : Ao contrário daquilo que fiz no meu comentário ao filme “Maddie”, eu aqui não vou divulgar a minha opinião sobre aquilo que se deve ter passado nos acontecimentos testemunhados e vividos pelos três pastorinhos, eu irei apenas analisar o filme como obra cinematográfica em si. Eu gostei deste pequeno filme, que eu interpreto como sendo uma falsa biografia, pois acredito que as coisas se tenham passado de maneira diferente. O principal problema deste filme é que tem pouco de cinema, ou seja, nunca passa de um filme feito para televisão, e é essa a sensação que passa o tempo inteiro. Nota também negativa para o facto de termos tantos actores nacionais conhecidos no elenco, não havia necessidade, existe todo um grupo de profissionais não famosos com boas qualidades interpretativas que merecem que lhes sejam dadas as devias oportunidades. Assim, apenas vou falar da protagonista, a famosa Jacinta Marto. No papel da pastorinha mais famosa, a pequena Matilde Serrão tem aqui uma excelente prestação, ela convence na perfeição no seu complicado papel, para além de passar muito bem para quem vê, o drama de Jacinta mas repito, ela fez a Jacinta que os interesses querem que seja vista, não a verdadeira e aquilo que realmente lhe aconteceu e que foi abafado pela Igreja e pelo governo de há cem anos. Eu fiquei muito comovido com a prestação que a pequena actriz Matilde Serrão emprestou à sua personagem. A recriação de época está aceitável e os pequenos efeitos especiais são isso mesmo, pequenos e no caso das cenas da chuva, são muito manhosos. No geral, gostei bastante deste filme, apesar de tudo o que esta história envolve na realidade e que aqui não foi contado e mostrado. A pequena Jacinta Marto tornou-se santa em Maio de 2017, quando o Papa Francisco visitou Fátima, em Portugal. 


domingo, 21 de maio de 2017

The Hunter's Prayer

Nome do Filme : “The Hunter's Prayer”
Titulo Inglês : “The Hunter's Prayer”
Titulo Internacional : “Hunter's Prayer”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Thriller/Aventura/Crime
Realização : Jonathan Mostow
Produção : Sam Worthington
Elenco : Odeya Rush, Sam Worthington, Katia Bokor, Sameera Rock, Claudia Trujillo, Alice Maguire, Rory Mulroe, Eudald Font, Sam Cullingworth, Allen Leech, Amy Landecker, Veronica Echegui, Martin Compston, Mateo Rufino, Tina Maskell, Shayne Elsa Drummond.

História : Lucas é um assassino profissional toxicodependente que é contratado para matar uma adolescente cuja família foi morta por alguém a mando de um poderoso magnata criminoso. Mas após conhecer a menina, Lucas decide protegê-la em vez de a matar.

Comentário : Confesso que muito raramente vejo filmes de ação, para que eu os veja eles necessitam de possuir certas condições que me agradem e neste caso, a principal razão foi a sinopse. Não gosto do actor Sam Worthington, mas apesar disso resolvi dar-lhe uma oportunidade com este pequeno filme, mas ainda não foi desta e nem com o seu novo e execrável “The Shack”, que eu fiquei a simpatizar com ele. Existem certos actores que são uma espécie de robots, sempre com a mesma forma de representar, sem expressão característica e que não possuem carisma. Foi isto que se passou nestes dois filmes que acabo de frisar. No entanto, gostei do seu personagem. Lucas é alguém perturbado e com um passado traumatizante, tem uma filha menor que nunca conheceu e vive unicamente para ganhar dinheiro a matar gente, tendo a sua querida droga como vício principal. O filme peca porque não explica porque motivo ele muda tão rapidamente a ponto de ajudar a rapariga que ele foi contratado para matar. Ainda assim, Lucas é um personagem cativante e bastante interessante e quem vê o filme deseja que tudo corra bem com ele. Apesar de raramente se entenderem, a química dele com a actriz que desempenha a jovem em perigo resulta muito bem. Como vítima, a bonita Odeya Rush vai muito bem, é dela que se extrai a melhor prestação do filme, a sua Ella tem carisma e sede de vingança, apesar de ser ligeiramente indecisa. Sente-se claramente que a personagem da miúda podia ter mais substância, ela podia ter sido mesmo a verdadeira protagonista desta fita, tinha todo o potencial para tal. As mulheres e mesmo as personagens femininas em geral, ainda são muito prejudicadas na sétima arte. O vilão principal é patético, o filme peca também por ter alguns erros habituais neste tipo de narrativas e tem igualmente erros na lógica das coisas, para além de falhas geográficas e temporais. Um último reparo, esqueceram-se de usar o cão geneticamente alterado no final da fita. Gostei deste filme, mas gostava de ter visto mais.

Cinzento e Negro

Nome do Filme : “Cinzento e Negro”
Titulo Inglês : “Grey And Black”
Titulo Português : “Cinzento e Negro”
Ano : 2015
Duração : 126 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Luís Filipe Rocha
Produção : Luís Galvão Teles
Elenco : Filipe Duarte, Joana Bárcia, Monica Calle, Miguel Borges, Camila Amado, Ana Risueno, Manuel de Blas, João Fonseca.

História : Maria é traída por David, o marido, que rouba todo o seu dinheiro e foge para a ilha do Pico, nos Açores. Destroçada e com um enorme sentimento de humilhação, ela só anseia por vingança. É então que resolve contactar Lucas, um inspector de polícia, para encontrar pistas sobre o paradeiro do ex-companheiro. Porém, numa visita à ilha do Faial, Lucas apaixona-se por Marina, empregada do café local. Este amor vai alterar o curso dos acontecimentos.

Comentário : Gosto de cinema português, mas não daqueles filmes tipicamente portugueses e ordinários, cheios de asneiras e calão, prefiro o cinema de autor, sendo o Pedro Costa o meu realizador preferido. Infelizmente, o cinema português é mais reconhecido e premiado em outros países e somente depois alguns filmes são estreados no nosso país e muitas vezes sem o reconhecimento merecido por cá. Mas a maioria dos portugueses é assim, não dá valor ao que é seu, esperando sempre que outros o façam para depois ir apanhar as migalhas. Pessoalmente, gosto tanto de cinema português independente e de autor como gosto de documentários. Penso que nós temos cá bons profissionais no ramo da sétima arte, embora na televisão haja muita porcaria. Tudo isto para dizer que estou sempre disposto a conferir um filme português, desde que a história me cative e seja apelativa. No caso deste novo filme de Luís Filipe Rocha, confesso que não gostei muito e aqui o principal problema consiste no facto de nem a história e nem os personagens me terem despertado o interesse, à medida que as coisas iam se passando, simplesmente, eu não ficava preso ao ecrã. As paisagens são lindas e a fotografia deslumbra, além disso gostei muito das interpretações de Filipe Duarte, de Joana Bárcia e de Monica Calle, os três vão muito bem nos seus papéis. É como disse, o principal problema reside nas personagens, que não são capazes de gerar empatia connosco, é tudo muito seco, elas parecem distantes, apesar de haver aqui boas prestações. A história também é pouco interessante e o final deixa muito a desejar. É lamentável, porque com o material que tinham em mãos, a coisa podia ter resultado bastante bem, valeram as tentativas. Mas algum cinema português continua bom e recomenda-se.

domingo, 14 de maio de 2017

Mal de Pierres

Nome do Filme : “Mal de Pierres”
Titulo Inglês : “From The Land Of The Moon”
Titulo Português : “Um Instante de Amor”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Nicole Garcia
Produção : Alain Attal
Elenco : Marion Cotillard, Alex Brendemuhl, Louis Garrel, Victoire Du Bois, Brigitte Rouan, Aloise Sauvage, Daniel Para, Jihwan Kim, Victor Quilichini, Ange Black Bereyziat, Soren Rochefort, Camilo Mendoza, Francisco Alfonsin, Julio Bollullo Carasco, Maurice Chaspoul, Maxime Flourac, Mathilde Dromard.

História : Gabrielle nasceu e cresceu numa pequena aldeia, numa época em que ser mulher significava deixar a casa dos pais e ser entregue a um marido. Ser apenas esposa e mãe era um destino quase inevitável. Conscientes da sua rebeldia, os pais resolvem casá-la com José, um trabalhador esforçado de origem espanhola, com a missão de fazer dela uma mulher respeitável. Apesar de toda a dedicação de José, ela nunca se entrega de corpo e alma ao marido, por quem sente algum desprezo. Alguns anos depois, sofrendo de dores crónicas, Gabrielle é enviada para uma estância termal. Lá, conhece André Sauvage, um ex-soldado ferido na guerra da Indochina, por quem se apaixona ao primeiro olhar. Durante as semanas seguintes, vai viver algo que julgou nunca ser possível.

Comentário : Gostei bastante deste novo filme de Nicole Garcia, porque tem uma história encantadora e convincente e também porque possui duas personagens muito fortes e dramáticas. Estamos perante um filme que mistura habilmente as componentes drama e romance. Eu entendi a personagem da protagonista e entendi ainda mais o marido dela, as tais duas personagens fortes e dramáticas do filme. Ela é alguém instável e doente que sonha em ser feliz e em viver o amor de forma plena. Ele é um homem muito bondoso, um verdadeiro “santo” que ama realmente a esposa, apesar de saber que ela nunca o amou. Aliás, foi muito emocionante acompanhar a relação dos dois, a química entre eles funcionou na perfeição. Marion Cotillard é uma actriz bonita e uma excelente profissional, aqui ela convenceu no papel de Gabrielle, apesar de em grande parte do filme eu não estar do lado dela, no final, passei a entendê-la. Por seu lado, Alex Brendemuhl desempenhou aqui o meu personagem preferido, é fácil termos pena dele, ele ama de verdade aquela mulher e são poucos homens que se sujeitavam e que faziam por ela aquilo que ele fez. Confesso que o actor faz-me lembrar Michael Fassbender. Victoire Du Bois é muito bonita, aqui no papel de irmã da protagonista, ela está muito bem, lamenta-se apenas que tenha pouco tempo de antena, eu gostaria de ver mais da sua personagem. Louis Garrel apenas está neste filme para ser ele mesmo, ele é um bom actor, mas aparece em muita coisa, já esperamos pouco dele. Algumas mulheres que viram este filme devem ter ficado encantadas com este José, e devem ter criticado abertamente Gabrielle, mesmo porque ele é o homem que qualquer mulher sonha ter, muito generoso e atencioso, ele entende-as como poucos. Apesar de não ter percebido um detalhe no final, gostei bastante deste filme e o recomendo. 

The Age Of Shadows

Nome do Filme : “Mil-Jeong”
Titulo Inglês : “The Age Of Shadows”
Titulo Português : “A Idade das Sombras”
Ano : 2016
Duração : 140 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Kim Jee Woon
Produção : Choi Jeong Hwa
Elenco : Byung Hun Lee, Yoo Gong, Kang Ho Song, Ji Min Han, Hee Soon Park, Foster Burden, Shingo Tsurumi, Tae Goo Eom, Yeong Ju Seo, Ha Dam Jeong, Hiromitsu Takeda, Soo Yeon Han, Yu Hwa Choi, Joon Go, Ja Hyoung Kwak.

História : Na Coreia de 1923, um grupo de resistentes tem como missão transportar explosivos para detonar um grande complexo militar, símbolo da supremacia nipónica. Vários agentes da polícia são preparados para deter os criminosos e impedir o atentado. Tudo se complica quando o capitão da polícia japonesa, mas de origem coreana, sente nascer em si um conflito : deverá seguir as instruções e cumprir as ordens que lhe foram dadas pelos superiores ou apoiar uma causa maior, ajudando os rebeldes a libertar o seu país do jugo do inimigo.

Comentário : O cinema oriental (coreano, chinês e japonês) está de parabéns, que grande filme. Eu confesso que gosto bastante de cinema oriental, não dos filmes de luta, mas sim dos thrillers, dos policiais e dos dramas. E aqui estamos perante um poderoso thriller com contornos dramáticos, que é também um filme de época e que funciona na perfeição em todos os sentidos. Eu tenho um pouco de dificuldade em lidar com os nomes que compõem os elencos destes filmes, por essa razão, não vou aqui frisá-los, mas vou seguramente dizer que todos os actores estiveram muito bem, com especial destaque para o suposto protagonista desta história, o actor que desempenha o capitão da polícia infiltrado. Eu gostei imenso desta história, é um enredo envolvente, algo que nos prende muito bem ao ecrã, eu fiquei totalmente na expectativa daquilo em que tudo iria culminar. Eu senti-me totalmente dentro do filme. A banda sonora tem um papel fundamental aqui, a música é cativante e apelativa, ela apoia algumas cenas e dá-lhes um toque especial. Tem cenas aqui que, já sendo boas, ficam ainda melhor graças à grandiosa banda sonora. Podemos igualmente contar com boas sequências, veja-se as cenas que envolvem morosos diálogos, ou ainda a excelente e enorme sequência dentro do comboio, tensa e grandiosa, são os melhores quarenta minutos das quase duas horas e meia de projecção. A violência também tem um lugar a ocupar neste filme, apesar de não estar sempre presente, quando ela aparece, deixa-nos chocados. É uma fita em que o lado masculino é bem mais forte do que o feminino, só existe uma personagem feminina relevante aqui e que merece o grande destaque. Notei um erro assinalável e umas poucas coisas que não fazem muito sentido, a maior parte delas passam despercebidas. Em resumo, é um excelente filme que eu gostei bastante.


The Last Family

Nome do Filme : “Ostatnia Rodzina”
Titulo Inglês : “The Last Family”
Ano : 2016
Duração : 123 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Jan P. Matuszynski
Produção : Aneta Cebula-Hickinbotham
Elenco : Andrzej Seweryn, Dawid Ogrodnik, Aleksandra Konieczna, Andrzej Chyra, Zofia Perczynska, Danuta Nagorna, Alicja Karluk, Magdalena Boczarska, Agnieszka Michalska, Jaroslaw Gajewski, Pawel Paczesny, Adam Szyszkowski, Lukasz Gawronski, Dagmara Mrowiec, Marta Jozwik, Magdalena Pociecha.

História : A vida de uma família de artistas com ligações à pintura e à música.

Comentário : Existem filmes que não nos dizem nada, por muito que os seus realizadores se esforçem para nos dizer algo ou mesmo passar alguma mensagem. Foi o caso deste, sinceramente, logo no início, eu não fui com a cara dos personagens que compõem aquela família, não gostei deles mesmo. Principalmente o filho deles, puxa, é um personagem irritante, a principal característica dele é o facto de ser alguém louco e que não respeita os pais, principalmente a mãe, até dói a forma como aquele filho trata a coitada da mãe, existem duas cenas em particular que são dolorosas de se ver. De todas as personagens, foi mesmo da mãe que eu mais gostei, ainda assim, custa ao espectador se apegar a ela. O personagem do marido é completamente banal, ele não transmite nada. Eu não conheço esta história que foi real, honestamente, não estava familiarizado com esta história verídica e é um caso que não me despertou minimamente o interesse. No seu todo, é um filme chato, aborrecido e irritante que não desperta qualquer tipo de interesse. Como aspectos positivos, temos todo aquele ar de anos 80 e 90 que resulta bastante bem, a nível da recriação de época e do ambiente, as coisas resultaram bem. Nota positiva também para o clima de indiferença que cerca toda a película. No meu caso, apenas fiquei com interesse neste filme na última meia hora, quando as pessoas daquela família começam a morrer, os últimos trinta minutos cativam quem vê o filme, porque trata-se de uma conclusão lenta, mas elucidativa que nos prende ao ecrã. Mas foi como eu já disse, no geral é uma fita vazia e esquecível, na qual não se entendem as notas altas, no meu caso, fiquei muito desiludido com este filme. Foi uma história que não me despertou qualquer interesse.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Chiamatemi Francesco – Il Papa Della Gente

Nome do Filme : “Chiamatemi Francesco – Il Papa Della Gente”
Titulo Inglês : “Call Me Francis”
Titulo Português : “Francisco – O Papa do Povo”
Ano : 2015
Duração : 113 minutos
Género : Biográfico/Histórico
Realização : Daniele Luchetti
Produção : Pietro Valsecchi
Elenco : Rodrigo De La Serna, Alex Brendemuhl, Cuyle Carvin, Mercedes Moran, Maximilian Dirr, Muriel Santa Ana, Sergio Hernandez, Leah Allers, José Angel Egido, Andres Gil, José Eduardo, Gabriela Flores, Paula Baldini, Pompeyo Audivert, Claudio De Davide.

História : A viagem humana e espiritual que levou Jorge Bergoglio, filho de imigrantes italianos na Argentina, até ao cargo mais alto da Igreja Católica, o papado. Desde os seus anos de juventude até se tornar Arcebispo de Buenos Aires, sempre defensor dos mais fracos e oprimidos. Jorge Bergoglio vê a sua história chegar ao clímax na noite inesquecível de 2013 em que, vestido de branco e com uma cruz de ferro, cumprimentou o mundo com um novo nome : Francisco.

Comentário : E pronto, é amanhã que o Papa Francisco vem a Portugal, se tudo correr conforme o previsto, temos cá Papa. Eu lamento imenso não poder ir vê-lo, mas irei ver aquilo que eu puder pela tv. No mês passado eu comentei aqui o filme “Francisco – O Padre Jorge”, que gostei bastante e agora venho comentar um outro filme também sobre o Papa Francisco. Gostei também deste filme, embora prefira o primeiro. Enquanto o primeiro filme aborda a vivência de Jorge Bergoglio antes de ser Papa, este segundo centra-se mais na fase da ditadura e nos tempos em que o futuro chefe da Igreja Católica ajudava os mais desfavorecidos. Gostei da interpretação de Rodrigo De La Serna, ele tem carisma e convenceu no papel do Santo Padre. A recriação de época está boa e temos também todo um elenco de secundários bastante competente. Neste filme, temos um realizador que volta a usar o facto deste Papa ser alguém que gosta de ajudar os mais fracos e oprimidos, é alguém muito simples e que não gosta de luxos. Embora isso não esteja tão vincado aqui quanto o estava no primeiro filme sobre Francisco. É bom termos dois filmes sobre a mesma pessoa não só para estabelecermos comparações, como também para analisarmos dois olhares diferentes sobre a mesma figura. Na minha opinião, os dois filmes funcionam e completam-se, mas também acontece que o facto de o espectador gostar do Papa Francisco, também contribuiu para também gostarmos dos filmes. É emocionante acompanharmos pela televisão o valor que os peregrinos atribuem ao Santuário de Fátima, um lugar mágico e sagrado que nestes dois dias vai-se encher de milhares de pessoas para este grande evento. Espero sinceramente que tudo corra bem.