segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

The Guilty

Nome do Filme : “Den Skyldige”
Titulo Inglês : “The Guilty”
Titulo Português : “O Culpado”
Ano : 2018
Duração : 84 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Gustav Moller
Produção : Lina Flint
Elenco : Jakob Cedergren, Jessica Dinnage, Johan Olsen, Omar Shargawi, Katinka Evers Jahnsen, Jacob Lohmann, Jeanette Lindbaek, Simon Bennebjerg, Laura Bro.

História : O agente policial Asger Holm está acostumado a trabalhar nas ruas da cidade, mas devido a um caso seu, é confinado à mesa de emergências. Encarregado de receber ligações telefónicas e transmitir às delegacias responsáveis, ele é surpreendido pela chamada de uma mulher desesperada, tentando comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador. Infelizmente, ela precisa desligar antes de ser descoberta, de modo que Asger dispõe de poucas informações para encontrá-la. Começa a corrida contra o relógio para descobrir onde ela está, para mobilizar os policiais mais próximos e salvar a vítima antes que uma tragédia aconteça.

Comentário : Vamos falar agora de cinema europeu, de um filme dinamarquês, de um filme que eu gostei bastante e que, mais uma vez, deixa no chinelo muitas produções americanas. Primeiro que tudo, este filme não irá agradar aquele tipo de público que está acostumado a perseguições, explosões e muita ação. Ele é um filme mais contemplativo, tem um ritmo lento e passa-se sempre no mesmo local, o único personagem existente passa o tempo todo entre duas salas dentro do mesmo sítio. Como eu disse, o filme só tem um único personagem em campo, aparecem outras pessoas, mas quase não falam enquanto que os outros que falam são apenas vozes que ouvimos do outro lado da linha telefónica. E isso é engraçado porque nos obriga a imaginar o que essas pessoas estão a fazer, afinal, nós as ouvimos muito bem e só temos por isso de imaginar as suas ações. O actor principal de serviço, Jakob Cedergren, ele dá um show de actuação, e isso é muito engraçado porque ele faz o filme todo acontecer, ele é uma espécie de “pau para toda a obra” e se sai muito bem, a sua interpretação é bem consistente e funcional. Existe um certo realizador indiano que é muito famoso que se visse este filme, ficaria surpreendido com o twist aqui existente, afinal ele também gosta de incluir grandes reviravoltas nos seus filmes. De facto, eu fiquei boquiaberto e arrepiado com o twist deste filme que envolve a mulher sequestrada do outro lado da linha, que é a situação principal do longa, é mesmo surpreendente, é de ficarmos de queixo caído. O título do filme está relacionado com uma dualidade do protagonista, ele não só é culpado pela situação que o colocou atrás de uma mesa de urgências, como também é culpado daquilo que aconteceu no caso dessa mulher. Então está aí, mais um filme que prova que, com poucos meios e um orçamento muito reduzido, é possível fazer-se um bom filme.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Sorry To Bother You

Nome do Filme : “Sorry To Bother You”
Titulo Inglês : “Sorry To Bother You”
Ano : 2018
Duração : 111 minutos
Género : Ficção-Científica/Fantasia/Comédia Dramática
Realização : Boots Riley
Produção : Forest Whitaker/Nina Yang Bongiovi
Elenco : Lakeith Stanfield, Tessa Thompson, Jermaine Fowler, Terry Crews, Omari Hardwick, Michael X. Sommers, Danny Glover, Steven Yeun, Robert Longstreet, Armie Hammer, Shelley Mitchell, Damion Gallegos, Michael Rhys Kan, Safiya Fredericks, David Cross, Patton Oswalt, Lily James, Rosario Dawson, Indigo Jackson.

História : Numa versão actual alternativa de Oakland, o atendente de telemarketing Cassius Green descobre uma chave mágica para o sucesso profissional.

Comentário : Passando despercebido no ano passado e considerado por muitos como sendo um dos melhores filmes desse ano, “Sorry To Bother You” foi um dos filmes mais malucos que eu já assisti. São abordados vários assuntos e temas ao longo da projeção, entre eles o racismo, o capitalismo, o sexo, o mundo laboral e a política. Eu confesso que não conhecia este filme até há bem pouco tempo e fiquei surpreendido com o que vi. Detentor de uma vibe fantástica, este é um filme muito diferente daquilo que estamos acostumados a ver, e eu que o diga. No papel do protagonista, Lakeith Stanfield está soberbo, foi a primeira vez que eu vi este actor a representar, ficando automaticamente rendido ao seu talento. O homem tem aqui uma mistura de interpretação com prestação física bem interessante e credível, confesso que ficarei de olho nele futuramente. O Danny Glover está hilário neste papel, os anos não passam por ele. O Armie Hammer está sinistro neste seu registo, e infelizmente por isso, eu tive dificuldade em reconhecer a genialidade do actor neste papel. Mas quem rouba o show, é a nossa querida Tessa Thompson (Creed), que foi quem mais me pasmou neste longa, além da sua Detroit ser a melhor personagem do filme não sendo a principal, eu fiquei totalmente rendido a ela. Além disso, a química entre Tessa e Lakeith sente-se a cada frame que contracenam juntos, os dois funcionaram muito bem aqui, seja como personagens ou enquanto profissionais. Todo o elenco de secundários está de parabéns. Eu gostei principalmente do primeiro acto do filme, o segundo é apenas razoável, mas penso que as coisas a partir do final do segundo acto e em todo o terceiro acto desmoronam um pouco. Eu não gostei das escolhas que o director fez para justificar o género de fantasia existente na premissa, foi tudo muito bizarro. Ainda assim, o filme vale pela sua originalidade.

Ferrugem

Nome do Filme : “Ferrugem”
Titulo Inglês : “Rust”
Titulo Português : “Ferrugem”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Aly Muritiba
Produção : Antônio Junior
Elenco : Tifanny Dopke, Giovanni de Lorenzi, Clarissa Kiste, Duda Azevedo, Enrique Diaz, Gustavo Piaskoski, Pedro Inoue, Igor Augustho.

História : Vítima de bullying, uma adolescente decide tomar uma atitude drástica.

Comentário : É com muito gosto que eu regresso mais uma vez ao cinema brasileiro, é um cinema que eu gosto bastante, existem filmes brasileiros muito bons e ultimamente é onde isso se tem verificado mais. Hoje trago um filme que aborda um tema já muito batido, mas ainda assim, bastante delicado e em que é preciso muito cuidado para trabalhar nele. E penso ter sido esse o principal problema deste filme, porque além de mal escrito, ele não trabalhou muito bem as temáticas do bullying e do suicídio da maneira como estas se apresentaram dentro do contexto proposto pelo director. E isso não são spoilers, um dos temas aparece na sinopse e o outro está num dos posters. Eu disse que o filme estava mal escrito porque tem coisas nele que não fazem muito sentido, foram mal explicadas ou mesmo carecem de uma devida explicação. Por exemplo, se a mochila da miúda tinha ficado no banheiro da escola, como que raio o pai do bully alcançou a mala e tem na sua posse o diário da miúda. Outra, se o pai sabe que o filho foi o responsável por aquela tragédia, porque motivo quer esconder tudo ao em vez de denunciar o filho, que era isso que uma pessoa saudável devia fazer. Mas existem outras coisas que não fazem muito sentido, qualquer pessoa minimamente capaz de perceber o que está a ver, chegava às mesmas conclusões e ficava com as mesmas dúvidas. Em tirando esses aspectos, o filme está muito bom. Todas as interpretações estão boas, com destaque para a jovem Tifanny Dopke, que me surpreendeu pela positiva. Eu percebi logo à primeira que quem tinha roubado o telefone da miúda foi o seu novo interesse amoroso, não é difícil deduzir isso. Um filme que devia ser visto e debatido por pais e educadores.

The Day After

Nome do Filme : “Geu-hu”
Titulo Inglês : “The Day After”
Titulo Português : “O Dia Seguinte”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Sang Soo Hong
Produção : Kang Taeu
Elenco : Kwon Haeyo, Kim Minhee, Kim Saebyuk, Cho Yunhee.

História : Bongwan sai de casa ainda de madrugada em direção à pequena editora de que é proprietário. O seu pensamento divaga pela rapariga que durante um tempo trabalhou consigo como secretária, e com quem teve um caso extraconjugal. Um pouco mais tarde, ao chegar ao escritório, conhece Areum, no seu primeiro dia de trabalho como substituta da antiga amante. Nesse dia, a mulher de Bongwan encontra um bilhete de amor, vai até ao escritório sem se anunciar, e confunde Areum com a mulher com quem o marido a traíra.

Comentário : Eu gosto muito de cinema calmo, contemplativo e de arte. Gosto de filmes que nos embalam, que nos fazem sentir as mais variadas emoções e que nos encantam com as suas histórias. Eu penso que uma das coisas mais importantes num filme é a sua história, basta um filme ter uma boa história e já é meio caminho andado para dele gostarmos. É isto que temos quando falamos e vemos cinema deste realizador, e se a tudo isso juntarmos excelentes diálogos, então temos um prato cheio de bom cinema. Não é só de blockbusters que a sétima arte de define, eu diria que ela vive deles, mas define-se principalmente pelo cinema de arte. O cinema oriental tem destas coisas também, sendo este um filme coreano, alguns outros realizadores devem-se ter inspirado nas obras deste director. O que temos neste recente filme de Sang-Soo Hong é uma fita terna e simples que nos embala cuidadosamente ao longo de hora e meia, nos proporcionando bons momentos de cinema. Adornado de uma banda sonora melosa, o filme tem nos seus diálogos a principal riqueza do longa. Basicamente, o que temos aqui é uma estrutura fílmica composta unicamente por conversas entre as quatro principais personagens. Gostei das respectivas interpretações, os quatro estão belíssimos nos seus papéis, todos credíveis. A personagem que eu mais gostei foi a Areum, como é óbvio. É uma obra que fala do amor, da complexidade das relações humanas e até do ser humano no geral, entre outros temas mais díspares. E aquilo que mais impressiona é que o realizador conta e mostra tudo isto sem nos dar uma única cena de sexo. Um último reparo, o filme é a preto e branco. Isto é cinema.

Support The Girls

Nome do Filme : “Support The Girls”
Titulo Inglês : “Support The Girls”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Comédia Dramática
Realização : Andrew Bujalski
Produção : Houston King/Sam Slater
Elenco : Regina Hall, Haley Lu Richardson, Dylan Gelula, Zoe Graham, Ann McCaskey, Elizabeth Trieu, Krista Hayes, Shayna McHayle, Lea DeLaria, Lindsay Anne Kent, Nicole Onyeje, AJ Michalka, Jana Kramer, Kat Rogers, Brooklyn Decker, AnnaClare Hicks, Luis Olmeda, Jesse Marshall, Gerald Brodin, Laura Frances.

História : Lisa Conroy é a gerente de um restaurante, ela adora o local, seus clientes e protege ferozmente as suas funcionárias. Quando ela tenta arrecadar dinheiro para ajudar uma de suas meninas, o dono do estabelecimento descobre e decide que vai fazer o que for preciso para impedir Lisa.

Comentário : Este filme é hilário e eu vou tentar esforçar-me ao máximo para me expressar sobre aquilo que acabei de ver. Pessoal, como é do vosso saber, eu não gosto de comédias, mas quando esse género é misturado com outro, no caso com drama, eu abro uma excepção e o resultado não podia ter sido melhor. Apesar do filme estar mal classificado na IMDB, em outros sites ele até possui notas bem aceitáveis e como as classificações da IMDB não são muito de fiar, eu fui com mais vontade ainda para o filme. E gostei bastante, é uma fita que nos põe bem dispostos em alguns momentos e noutros nos deixa a pensar, existem cenas aqui que são bem específicas. A cena do cliente ordinário que é incorreto para uma das funcionárias do restaurante é marcante, ela não serve apenas para ilustrar que o cliente não tem sempre razão, mas também para nos mostrar como funciona a cabeça de um homem quando vê uma mulher atraente aos seus olhos.

Eu gostei bastante da vestimenta das funcionárias, no bom sentido claramente. A história até pode parecer simples, mas é bem interessante em determinados pontos de vista, veja-se as atitudes do proprietário do restaurante face às meninas, mas principalmente em relação à gerente. Eu diverti-me imenso com algumas cenas, tem situações envolvendo as meninas que são muito engraçadas, a sequência da emissão da luta em directo pela televisão é a melhor do filme, onde facilmente se tira apontamentos e uma ou outra lição de vida das reações de alguns dos seus intervenientes. A Regina Hall está divinal aqui, eu adorei não só a sua interpretação como também a humildade e a humanidade da sua personagem. E a Haley Lu Richardson tem aqui a melhor personagem do filme, eu adorei tudo na sua Maci e principalmente tudo o que a jovem actriz fez com ela. A cena final no telhado é linda.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Beautiful Boy

Nome do Filme : “Beautiful Boy”
Titulo Inglês : “Beautiful Boy”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Felix Van Groeningen
Produção : Brad Pitt/Jeremy Kleiner/Dede Gardner
Elenco : Steve Carell, Timothee Chalamet, Maura Tierney, Christian Convery, Oakley Bull, Amy Ryan, Stefanie Scott, Kaitlyn Dever, Amy Forsyth, Julian Works, Marypat Farrell, Andre Royo, Mandeiya Flory, Timothy Hutton, LisaGay Hamilton.

História : David Sheff é um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nick, é viciado em drogas e abala completamente a rotina da família e daquele lar. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência.

Comentário : Confesso que fiquei mentalmente esgotado depois de ter visto este filme. Baseado num caso em particular e adaptado do respectivo livro, “Beautiful Boy” é um drama intenso que relata uma história já contada e mostrada dezenas de vezes, não só no cinema, mas também em outros suportes. Sim, a história já é conhecida, mas eu gostei de a repetir, aqui interpretada pelo talentoso Timothee Chalamet, que desempenha e bem o papel principal. Eu estou cansado de ver filmes que abordam a temática da toxicodependência, razão pela qual estava na dúvida sobre se ia ou não vê-lo, e ainda bem que o vi, porque apesar da mesmisse, o filme é bom. Visto ser baseado num caso em particular, em alguém que existiu e que passou e viveu tudo aquilo, valeu mesmo a pena acompanhar esta narrativa ao longo de quase duas horas de projeção. Eu não acho que Nick fez de tudo para se livrar das drogas, porque se o que se passou com ele foi realmente aquilo que o filme mostra, então o jovem não se esforçou, simplesmente porque voltava sempre a cair na mesma cena. E vou mais longe, aquele pai aturou muito e teve toda a paciência do mundo com o filho, outro no lugar dele, o teria posto fora de casa assim que ele começasse a roubar a família. Eu gostei de acompanhar estas personagens, os actores que as desempenharam fizeram um bom trabalho, a química entre os vários elementos da família funcionou. Algumas cenas são tocantes e o filme consegue o mérito de nos fazer sentir parte daquela família, com todos os seus dramas e desespero. Pessoalmente, eu senti-me esgotado após a projeção, porque o filme trabalha muitos sentimentos, muitas emoções e muitas sensações ao mesmo tempo e o resultado não podia ser melhor. Um filme muito humano e extremamente dramático.

Wildlife

Nome do Filme : “Wildlife”
Titulo Inglês : “Wildlife”
Ano : 2018
Duração : 104 minutos
Género : Drama
Realização : Paul Dano
Produção : Paul Dano/Jake Gyllenhaal/Oren Moverman
Elenco : Carey Mulligan, Jake Gyllenhaal, Ed Oxenbould, Zoe Margaret Colletti, Bill Camp.

História : Aos 14 anos de idade, Joe começa a perceber que sua família está desmoronando. O pai, Jerry, acaba de perder o emprego, mas não quer que a esposa trabalhe. A mãe, Jeanette, não pretende ficar de braços cruzados diante da crise e começa a ganhar a sua autonomia. Quando Jerry decide ficar meses fora de casa, num trabalho temporário, Jeanette decide que é hora de refazer a sua vida. Mas para Joe, a única coisa que importa é ver os pais reunidos novamente.

Comentário : Passado na década de 1950, este filme de época dirigido pelo talentoso Paul Dano satisfez-me bastante. Eu gostei principalmente da história, ela é bem interessante e contada a partir do ponto de vista do filho do casal, Joe. E isso foi muito interessante porque nos dá a possibilidade de vermos a situação da rutura familiar pelo olhar do rapaz, que seria bem diferente se fosse vista somente através da perspectiva dos membros do casal. Nesse prisma, nós sentimos a aflição deste garoto nos momentos mais críticos dos pais, principalmente quando o pai está muito longe e a mãe não tem um comportamento muito justo para uma senhora daquela época. E é genial nós testemunharmos as reações do rapaz, o seu espanto perante certas situações e as suas descobertas próprias de quem é ingénuo e está lentamente a descobrir o mundo dos adultos. A recriação de época é eficaz, mas em certas alturas podia estar mais caprichada.

O Jake Gyllenhaal apresenta aqui uma dualidade na representação, sendo de uma maneira no primeiro acto e de outra forma no terceiro acto, eu pessoalmente gostei mais dele no segundo estado que é quando está melhor. A Carey Mulligan é uma actriz completa, eu adoro vê-la viver as suas personagens e ela aqui dá mais uma vez um show de actuação, eu adorei a complexidade da sua Jeanette. O Ed Oxenbould está perfeito no papel do jovem filho de um casal em rota de colisão, pedir-lhe mais seria uma grande injustiça. O Bill Camp é sempre um senhor na arte de representar, ele tem toda uma sequência de conversa com o personagem do rapaz que é uma das melhores do filme. E a Zoe Margaret Colletti faz o que pode com o pouco material que lhe deram, eu gostaria que o realizador tivesse evoluído a relação dela com o filho do casal para um namoro, seria não só mais interessante como também daria-lhes mais relevo. Bom filme.

Rust Creek

Nome do Filme : “Rust Creek”
Titulo Inglês : “Rust Creek”
Ano : 2018
Duração : 110 minutos
Género : Drama/Thriller/Crime
Realização : Jen McGowan
Produção : Stu Pollard
Elenco : Hermione Corfield, Jay Paulson, Micah Hauptman, Daniel R. Hill, Jeremy Glazer, John Marshall Jones, Jake Kidwell, Sean O'Bryan.

História : Uma jovem chamada Sawyer vai a uma entrevista para emprego que fica muito distante da sua residência, sendo abordada a meio do caminho por dois tipos que não procedem da melhor maneira para com ela. Do nada, Sawyer encontra-se numa densa floresta, vendo-se na missão de lutar pela sobrevivência e fazer de tudo para não ser encontrada pelos dois criminosos.

Comentário : Hoje eu trago um filme que me deixou bem irritado devido a atitudes de certos personagens, confesso estar a ficar “velho” para este tipo de filmes. Primeiro que tudo, não se trata de um filme de terror, é antes um thriller dramático que, apesar de eu ter gostado bastante, ele tem alguns erros. Sem querer dar spoilers, existem pelo menos dois acontecimentos, ou antes, duas atitudes da mesma personagem que não se entendem. Logo no início, não se percebe porque motivo a protagonista foge para a floresta, se nós sabemos que dava tempo suficiente para que ela entrasse no carro e fugisse, afinal, os dois nojentos que a atacaram estavam deitados no chão a queixarem-se dos golpes que levaram dela. A outra situação que não é compreensível, é quando ela está com o polícia e vai à frente dele a caminhar, ou seja, tornando-se alvo fácil para ser vítima de tiros à queima-roupa, ela só tinha que caminhar ao lado dele. E o filme irritou-me precisamente porque os dois nojentos que a atacam, eles são bem enervantes e indesejáveis, eles provocam mesmo a rapariga com a intenção de haver porcaria. O filme tem cenas bem aflitivas, daquelas que nos fazem torcer pela protagonista, e acreditem que ela vive situações bem difíceis. A nível das interpretações é mais do mesmo, embora eu tenha que destacar a prestação de Hermione Corfield, é um desempenho muito realista, nos fazendo zelar por ela. Vale frisar também a relação que ela cria com um dos quatro vilões, chega a proporcionar bons momentos, a química entre ele e ela é boa. A cena da explosão está espectacular, uma das melhores do longa. É um filme que nos faz pensar à cerca da maldade dos homens. Eu gostei bastante.

Possum

Nome do Filme : “Possum”
Titulo Inglês : “Possum”
Ano : 2018
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Terror/Thriller
Realização : Matthew Holness
Produção : Mark Lane/Robert Jones/James Harris/Wayne Marc Godfrey
Elenco : Sean Harris, Alun Armstrong, Pamela Cook, Charlie Eales, Ryan Enever, Raphel Famotibe, Joe Gallucci, Andy Blithe, Simon Bubb.

História : Depois de voltar para sua casa de infância, um homem é forçado a confrontar seu padrasto e os segredos que torturaram toda a sua vida.

Comentário : Eu gosto de filmes de terror psicológico, daqueles que não revelando muito, contam histórias não muito violentas, mas com uma mensagem forte e que nos deixam a pensar. Foi o que aconteceu com este filme. Bom, primeiramente, este não é um filme de terror comum, ele não é para qualquer um, exige muito de quem o vê. Em segundo lugar, o filme não tem um ritmo fluído, pelo contrário, ele é lento e contemplativo, detentor de sequências que se arrastam e de planos longos onde personagens se esticam nas suas actividades, por vezes, além do necessário. E depois porque certas coisas que vemos podem não ser exactamente aquilo que aparentam, elas não são o que parecem, e o realizador vai usando metáforas ao longo desta sua obra, cabendo a nós decifrá-las e tentar compreender o que vemos e as atitudes dos dois personagens principais.

O filme não nos dá grandes respostas, pelo contrário, ele até parece nos deixar ainda mais dúvidas à medida que os factos e as situações vão sucedendo. Não é um filme fácil de assistir, possivelmente se fosse para o cinema, pessoas iam adormecer e outras talvez abandonassem a sala antes da projeção terminar. Nota-se claramente que é uma fita de orçamento muito reduzido, provando que com poucos meios, podem-se fazer bons filmes, não grandiosos, mas bons. A fotografia é pesada, por vezes granulada, nos oferecendo uma visão muito negra de toda aquela cidade, que parece ser bem pequena e com poucos habitantes. O Sean Harris dá um show de actuação, desde os trejeitos, passando pela expressão facial e acabando na forma como interpreta o seu Philip, ele e o seu personagem são os alicerces do filme. E o Alun Armstrong está simplesmente perverso. No fundo, um filme interpretativo e metafórico.

domingo, 6 de janeiro de 2019

The Death Of Stalin

Nome do Filme : “The Death Of Stalin”
Titulo Inglês : “The Death Of Stalin”
Titulo Português : “A Morte de Estaline”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Comédia Dramática/Histórico
Realização : Armando Iannucci
Produção : Nicolas Duval Adassovsky/K.L./L. Z./Y. Z./Sofia Maltseva/Tanya Sokolova
Elenco : Olga Kurylenko, Tom Brooke, Paddy Considine, Justin Edwards, Adrian McLoughlin, Simon Russell Beale, Jeffrey Tambor, Michael Palin, Steve Buscemi, Nicholas Woodeson, Elaine Claxton, Sylvestra Le Touzel, Nicholas Sidi, Jonny Phillips, June Watson, Adam Shaw, Daniel Tuite, Dermot Crowley, Paul Whitehouse, Paul Chahidi, Karl Johnson, Cara Horgan, Rupert Friend, Jason Isaacs, Ewan Bailey, Daniel Booroff, Andrea Riseborough, Richard Brake, Daniel Tatarsky, Diana Quick, Adam Ewan, Jonathan Aris, Eva Sayer, Amelia McCreedy, Katie McCreedy, Keely Smith, Sergey Korshkov, Alexander Grigorivev, Olga Dadukevich, Nastya Koshevatskaya, Danila Bochkov, Gerald Lepkowski, Ellen Evans, Daniel Fearn, Emilio Iannucci.

História : Em março de 1953, depois de 30 anos a governar a União Soviética sob um regime ditatorial, Josef Estaline morre. Nos dias imediatamente a seguir, os membros do comité do Partido Comunista, outrora fiéis seguidores do ditador, revelam a sua sede de poder. O cargo de líder está livre e pode pertencer-lhes. Os dados estão lançados, vencerá quem for mais hábil na manipulação e traição.

Comentário : Confesso que já andava há bastante tempo para ver este filme e após assisti-lo, tenho que dizer que gostei bastante. Apesar de ter humor, ele aqui não é estúpido nem ridiculo, mas satírico e negro, sendo uma delícia certos diálogos. A dinâmica entre os personagens é muito boa, aliás todo o elenco principal é excelente. O Adrian McLoughlin convence no papel de Stalin, pena é que aparece pouco, eu gostaria de ter visto bem mais desta prestação. O Jeffrey Tambor está no mínimo estranho neste papel, eu não entendi a implicância com o seu cabelo, mas gostei da forma como o seu personagem se dirigia e falava aos outros. O Steve Buscemi vai bem no seu registo, mas eu confesso que estranhei ver este actor neste filme, talvez preferisse um europeu a desempenhar Nikita Khrushchev. A Olga Kurylenko e o Paddy Considine aparecem pouco ao longo do filme, apesar de ter gostado dos seus personagens, eu queria ver mais deles. O Michael Palin está sensacional, um dos melhores personagens do filme. A Andrea Riseborough está mais bonita do que habitualmente, eu gostei da sua personagem aqui, apesar do seu penteado perto do final do longa ser horrível. O Rupert Friend manda bem como Vasily, ele fica bem quando se enerva e ainda melhor quando está calmo, é uma dualidade característica do actor. O Jason Isaacs está imponente no seu personagem. Mas o meu personagem preferido, apesar dele ser um sacana assassino, foi Lavrenti Beria, muito bem interpretado pelo excelente actor inglês Simon Russell Beale, detentor aqui de uma figura engraçada e portador de um estilo bem patusco, decididamente, o melhor deste filme, na minha opinião. Uma delícia foram também alguns cenários, o guarda-roupa, os diálogos satíricos, as ambientações e a recriação de época que roça a perfeição. O filme peca apenas por alguns erros em objectos e por ser curto, pedia-se pelo menos mais cerca de meia hora. Doravante, um filme a ser estudado e admirado, devido a ser uma excelente encenação sobre os bastidores do poder.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Skate Kitchen

Nome do Filme : “Skate Kitchen”
Titulo Inglês : “Skate Kitchen”
Ano : 2018
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Crystal Moselle
Produção : Crystal Moselle/Julia Nottingham/Izabella Tzenkova/Lizzie Nastro
Elenco : Rachelle Vinberg, Ajani Russell, Nina Moran, Jules Lorenzo, Kabrina Adams, Ardelia Lovelace, Tashiana Washington, Jaden Smith, Emmanuel Barco, Tom Bruno, Alexander Cooper, Taylor Gray, Nico Hiraga, Judah Lang, Brenn Lorenzo, Malachi Omega, John Palumbo, Dylan Pitanza, Elizabeth Rodriguez, Samuel Smith, Hamzah Sarwari, Thaddeus Daniels, Kobi Frumer, Darlene Violette.

História : Um grupo feminino de skate passa a ser frequentado por uma solitária adolescente suburbana, Camille. Em meio à cidade de New York, ela inicia um processo de auto-descoberta enquanto vivência, pela primeira vez, a real sensação e significado da amizade.

Comentário : Este filme foi para mim uma grande surpresa, pareceu-me até um filme realizado por Gus Van Sant. A realizadora Crystal Moselle dirige este filme independente que tem uma história bem interessante, a mim, tudo isto me interessou bastante. Ver as raparigas a andarem de skate pelas ruas da cidade foi uma experiência espectacular para mim, eu confesso que nunca tinha visto isso, é mais comum vermos rapazes nestas andanças e isto foi muito curtido. O filme também trabalha bem a questão do crescimento pessoal, neste caso temos a nossa Camille, a nossa protagonista que é bem bonita e muito carismática, eu amei esta personagem. E vemos Camille, acabada de sair da adolescência, completando 18 anos e achando que consegue se virar sozinha no “mundo cão” que é a vida fora de casa. E isto foi muito interessante para mim, porque eu me revi na protagonista, sim é verdade, eu me revejo muitas vezes em personagens femininas e foi o que aconteceu aqui.

Tal como Camille, eu numa determinada altura da minha vida, decidi que era tempo de ir morar sozinho, me virar e abraçar o mundo, achando que podia tudo e que ninguém me ia tocar. Mas e tal como aconteceu com Camille, eu vi que as coisas não eram como eu esperava e bati no fundo do poço. Ainda dentro do filme, eu adorei ver aquelas raparigas se relacionarem enquanto grupo, todas possuidoras de uma excelente química entre elas, a coisa funcionou muito bem nesse sentido. Apesar do filme estar muito bem filmado, eu senti falta de mais planos acompanhando as miúdas andando nos seus skates, os chamados “travelings”, penso que daria um bom resultado. A dada altura, o roteiro muda o rumo da protagonista e eu não gostei muito dessa virada, penso que a realizadora fez mal em ter pisado esse terreno. Perto do final, Camille toma uma decisão que vai contra a sua natureza, ou pelo menos, vai contra tudo aquilo que o filme nos tinha mostrado sobre ela. Eu gostei das prestações das skaters principais, as amigas de Camille, cada uma do seu jeito, elas entregaram boas personagens. Mas eu fiquei mesmo encantado foi com Rachelle Vinberg, não só boquiaberto com a sua prestação, mas também porque ela é parecida com uma das pessoas mais importantes da minha vida. “Skate Kitchen” é assim, a minha primeira surpresa deste novo ano.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Green Book

Nome do Filme : “Green Book”
Titulo Inglês : “Green Book”
Titulo Português : “Um Guia Para a Vida”
Ano : 2018
Duração : 130 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Peter Farrelly
Produção : Peter Farrelly/Nick Vallelonga
Elenco : Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, Sebastian Maniscalco, Dimiter D. Marinov, Mike Hatton, Joe Cortese, P. J. Byrne, Von Lewis, Don Stark, Anthony Mangano, Paul Sloan, Quinn Duffy, Seth Hurwitz, Hudson Galloway, Gavin Foley, Rodolfo Vallelonga, Louis Venere, Frank Vallelonga, Don DiPetta, Jenna Laurenzo, Suehyla El-Attar, Johnny Williams, Randal Gonzalez, Iqbal Theba, Nick Vallelonga, David An, Mike Cerrone, Gertrud Sigle, Sharon Landry, Tom Virtue, Ricky Muse, Christina Simpkins, Shane Partlow, Craig DiFrancia, Dennis Hall, Lindsey Brice.

História : Um famoso pianista negro contrata um segurança italo-americano para o conduzir pelo sul do país.

Comentário : Ambientado na década de 1960, este road-movie biográfico conquistou-me por completo. Pelo trailer, eu não dava nada pelo filme e confesso que pelos primeiros cerca de trinta minutos, eu também não estava muito empolgado, achei tudo muito americano demais. No entanto e a partir de uma determinada altura, a pessoa engaja no filme e desde aí até ao final, o que temos é uma fantástica experiência cinematográfica à cerca de duas pessoas muito diferentes e que vêm de mundos diferentes, transformarem-se noutras pessoas. E com a vantagem de tudo isto ser baseado numa história verídica. Ao longo do filme temos muitas referências ao racismo, é impressionante que esta fita leva-nos a testemunhar coisas que nem nos passava pela cabeça, eu falo por mim, fiquei realmente surpreso. E tendo isso em conta, existe uma cena em particular que mostra na perfeição o contraste entre brancos e negros e o inverter desses mesmos papéis, falo da parte dos trabalhadores dos campos agrícolas. Mas não é só essa, este filme faz questão de meter o dedo na ferida e atira-nos à cara situações em que os negros são olhados e tratados como alguém inferior. Tudo bem que a ação do filme decorre nos anos 1960 e por isso era suposto dar desconto, mas o que impressiona é como o ser humano foi, é, e continuará a ser “pequeno” e ignorante. Mais uma vez o Viggo Mortensen está bem, eu confesso que gosto mais de o ver em filmes sérios e dramas do que em filmes da treta, embora os três filmes realizados por David Cronenberg em que ele entra sejam três felizes excepções. Mas quem eu gostei verdadeiramente de ver neste filme de Peter Farrelly foi o já galardoado com o óscar de melhor actor, Mahershala Ali (Moonlight), que aqui está mais uma vez espectacular, o melhor personagem deste “Green Book”. Outra coisa que eu adorei aqui foi a relação que se estabelece entre Tony e Don, é maravilhoso vê-los contracenarem e transformarem-se, e os dois actores que os representam funcionam muito bem juntos. Um filme sobre mentalidades de hoje e de ontem, mostrando uma bonita amizade.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

The Favourite

Nome do Filme : “The Favourite”
Titulo Inglês : “The Favourite”
Titulo Português : “A Favorita”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Yorgos Lanthimos
Produção : Yorgos Lanthimos
Elenco : Olivia Colman, Rachel Weisz, Emma Stone, James Smith, Nicholas Hoult, Joe Alwyn, Carolyn Saint-Pé, Emma Delves, Faye Daveney, Jennifer White, Lilly Rose Stevens, Mark Gatiss, Edward Aczel, Willem Dalby, John Locke, Anthony Dougall, Jenny Rainsford, Liam Fleming.

História : Inglaterra, século XVIII, uma frágil raínha Anne ocupa o trono e a sua amiga mais próxima, Lady Sarah, governa o país por ela e ao mesmo tempo cuida da saúde precária de Anne e gere o seu temperamento imprevisível. Quando a nova criada Abigail chega, o seu charme conquista Sarah. Sarah leva Abigail sob a sua asa e ela vê uma oportunidade de voltar às suas raízes aristocráticas. Como a guerra acaba por consumir bastante o tempo de Sarah, Abigail entra em cena subtilmente para assumir o papel de dama de companhia da raínha. Esta ascendente amizade dá-lhe assim a hipótese de cumprir as suas ambições, não deixando nenhuma mulher, homem, coelho ou política ficar no seu caminho.

Comentário : Esta noite tive a oportunidade de ver o novo filme do director grego Yorgos Lanthimos, cujos filmes eu aprecio. Na sua sétima longa-metragem, Yorgos Lanthimos volta a servir-se não de um elenco originário do seu país como fez nos seus primeiros quatro filmes, mas investindo por isso, pela terceira vez, em estrelas de Hollywood. E o resultado, ao contrário do que costuma acontecer nestas situações, é um filme muito bom. Os filmes deste director são conhecidos por não serem fáceis, por serem abertos a várias interpretações e também por serem um pouco bizarros e neste caso, este talvez seja o filme mais “normal” do realizador. Desde já, porque se trata de um filme de época biográfico, aliás, que filme belo, a nível técnico roça a perfeição, é de um preciosismo brutal. Podemos contar também com uma boa iluminação nas cenas que se passam à noite ou em ambientes escuros, e com uma fotografia polida que vai alternando consoante os planos e ângulos.

Sobre a maneira como o director filma alguns planos, vale dizer que ele varia bastante, oscilando na forma como nos apresenta as cenas, sendo, entre outros, no modo circular ou no uso da lente num canto mostrando quase tudo o que se passa. O guarda roupa é magnífico e os adereços encantam, por vezes, parece realmente que estamos a ver imagens daquele século. O título do filme refere-se às preferências da raínha no que à escolha da dama de companhia diz respeito. A Olivia Colman está espectacular neste papel, por vezes irreconhecível, eu adorei a sua personagem, deve ter exigido muito dela. A Rachel Weisz e a Emma Stone estão maravilhosas na disputa do lugar de dama de companhia favorita da raínha, as duas “lutam” entre si para obter esse tão precioso posto, possuindo as melhores interpretações do filme. Mas também isso não é difícil, este é um filme que pertence principalmente às mulheres, são elas as três as grandes protagonistas do longa. O filme está dividido em 8 capítulos, sendo o terceiro o meu preferido. Adorei os coelhos. Um dos melhores filmes do realizador grego, sem dúvida.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

The Mule

Nome do Filme : “The Mule”
Titulo Inglês : “The Mule”
Titulo Português : “Correio de Droga”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Clint Eastwood
Produção : Clint Eastwood
Elenco : Clint Eastwood, Bradley Cooper, Dianne Wiest, Alison Eastwood, Taissa Farmiga, Michael Pena, Laurence Fishburne, Andy Garcia, Ignacio Serricchio, Loren Dean, Victor Rasuk, Manny Montana, Clifton Collins Jr, Noel Gugliemi, Robert LaSardo, Eugene Cordero, Katie Gill, Jill Flint, Almendra Fuentes, Mia Rio.

História : Earl Stone é um idoso de 90 anos e veterano de guerra que enfrenta a ruína financeira e está distante da sua família. Desesperado por dinheiro, ele se torna uma “mula” que transporta cocaína para um cartel de drogas mexicano.

Comentário : Clint Eastwood é um dos meus actores/realizadores preferidos e em tirando o seu último filme como director que é muito mau, eu gosto de todos os seus filmes, uns são melhores, outros são menos bons, mas todos eficazes. Devido à sua avançada idade, eu nunca esperei que este “The Mule” visse a luz do dia. E este filme não é mais do que uma espécie de cinebiografia de Leo Sharp, um idoso de 90 anos que ganhava a vida e ajudava a família através do dinheiro que auferia pelo transporte de droga nos Estados Unidos. E foi precisamente devido à sua aparência e também à sua idade que demoraram imenso tempo a apanhá-lo. Eu devo confessar que gostei bastante deste novo filme de Clint Eastwood, porque é o próprio que não só o protagoniza como também o realiza, sendo o resultado final bastante positivo e eficaz. Não sendo caso para ser tido como um dos melhores filmes deste ano que hoje começa, “The Mule” é um drama ligeiramente tenso e com uma componente familiar muito presente, mesmo que não tivesse sido trabalhada e desenvolvida da forma como deveria.

E eu digo isto, e aqui quero apontar uma das poucas falhas do longa, porque eu penso que Clint podia ter abdicado e cortado mais da componente policial e investido mais na parte familiar, que essa sim, devia ter sido o mais importante do filme. E indo nesse sentido, a componente familiar aparece apenas no início e mais tarde no terceiro acto, perto do final da fita e isso foi para mim problemático. Tudo bem que a polícia foi muito importante e talvez decisiva nesta história real, mas eu senti-me entediado na maioria dessas cenas. Ainda que tenha que confessar que as cenas entre Earl e as três mulheres da sua vida (ex-mulher, filha e neta) que aconteceram no terceiro acto são as minhas partes preferidas do filme. Nas actuações, Clint Eastwood é um verdadeiro Senhor, ele é um excelente profissional na arte de representar os seus personagens e é também um realizador conceituado, ele é um homem respeitado dentro e fora da indústria cinematográfica, sendo esta sua interpretação mais uma vez, excelente. Em mais uma parceria com o director, Bradley Cooper está bem, sem deslumbrar. Apesar de aparecerem pouco, infelizmente, Dianne Wiest, Alison Eastwood e Taissa Farmiga entregam actuações seguras e convincentes, já que reside nestas três personagens femininas, a força de Earl. Apesar de não ter sido o drama familiar intenso que se esperava, o novo trabalho do mestre Clint Eastwood é uma obra eficaz e muito competente.


The Sisters Brothers

Nome do Filme : “Les Frères Sisters”
Titulo Inglês : “The Sisters Brothers”
Titulo Português : “Os Irmãos Sisters”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Western/Aventura/Drama
Realização : Jacques Audiard
Produção : John C. Reilly/Cristian Mungiu/Megan Ellison
Elenco : John C. Reilly, Joaquin Phoenix, Jake Gyllenhaal, Riz Ahmed, Carol Kane.

História : Eli e Charlie são dois pistoleiros que recebem uma missão complicada: capturar e eliminar Hermann Kermit Warm, um explorador de minas de ouro. Os assassinos perseguem o explorador através do deserto de Oregon, no entanto, Eli começa a ter uma crise de consciência sobre a vida que leva, o que talvez mude o rumo dos acontecimentos.

Comentário : Depois de cinco filmes muito bons dentro da sua zona de conforto, o director francês Jacques Audiard aventura-se com um elenco tipicamente americano e nos faculta um western, diga-se de passagem, muito bem conseguido. É uma história interessante que só necessitou de quatro personagens para ser contada. Para todos aqueles que gostam de um bom western, de certeza que não irão sair daqui desiludidos, mas não é toda a gente que gosta deste género, por isso o realizador arriscou bastante. Mas podem acreditar que quem gosta de cinema e de ver filmes no geral, irá gostar deste. Temos algumas reviravoltas, embora não se espere algo grandioso ou espectacular. Apesar de estar muito bem conseguido, é um western simples com uma história básica, mas muito interessante. A criação de época é eficaz e as cenas de tiroteio funcionam muito bem. Tem uma cena que era desnecessária e uma outra que é bem aflitiva de se ver. É um filme dominado por homens, só aparece uma mulher relevante em todo o filme e é no final. Não é uma fita secante, pelo contrário, o desenrolar das duas horas é operante e nós ficamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. O John C. Reilly tem aqui a segunda melhor interpretação do longa, ele foi mesmo o meu personagem preferido desta história. O Joaquin Phoenix obteve a melhor prestação do filme, ele prova mais uma vez que de louco nada tem e que é um dos melhores actores desta geração. O Jake Gyllenhaal aguenta-se com o pouco material que lhe deram, eu confesso que esperava mais substância do seu personagens, os seus primeiros minutos em cena assim o indicavam. O Riz Ahmed é aquele que está mais fraco, mas ainda assim, é essencial à trama. E a Carol Kane precisava que o final esticasse em pelo menos uns dez minutos, para vermos mais da sua personagem, possivelmente para entendermos um pouco mais do passado dos irmãos.

Mid90s

Nome do Filme : “Mid90s”
Titulo Inglês : “Mid90s”
Ano : 2018
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Jonah Hill
Produção : Jonah Hill/Eli Bush/Ken Kao/Scott Rudin/Lila Yacoub
Elenco : Sunny Suljic, Katherine Waterston, Lucas Hedges, Na-kel Smith, Olan Prenatt, Gio Galicia, Ryder McLaughlin, Alexa Demie, Fig Camila Abner, Liana Perlich, Ama Elsesser, Mecca Allen, Judah Estrella Borunda, Kasey Elise, Harmony Korine.

História : Stevie, um miúdo de treze anos de idade na década de 90, gasta o seu verão navegando entre sua vida em casa e um grupo de novos amigos que ele encontra em uma loja de skate.

Comentário : Na sua estreia como realizador de longas-metragens, o actor de comédias Jonah Hill sai-se muito bem com um filme que recria na perfeição o ambiente dos anos 90 e nos enche de nostalgia com uma história de liberdade, de crescimento e de amizade. Confesso que me emocionei em algumas cenas deste filme e eu agradeço imenso a Jonah Hill por não ter feito uma comédia e se ter metido antes num drama muito humano sobre a adolescência, sobre ser-se miúdo. Penso mesmo que ele deve ter sido adolescente também na época retratada no filme e até que este longa e esta história poderão ter algumas referências à vida do agora realizador. Nesse aspecto, eu confesso-me um ignorante, já que nunca simpatizei com Jonah Hill, nunca gostei da maioria dos seus filmes enquanto actor e nunca li nada sobre a sua vida.

Sendo assim e posto isto, este seu primeiro filme atrás das camaras foi uma grande surpresa para mim, positiva claro. E tudo nela me lembra aquela época, em que eu mesmo era um adolescente, mas essa minha fase em nada tem a ver com a que os miúdos retratados nesta obra vivem. O modo como foi filmado, a imagem saturada, os enquadramentos, o guarda-roupa, a banda sonora, os adereços, a maneira de falar e tudo o que compõe o filme, tudo remete à década de 1990. Foi uma delícia acompanhar a jornada e o crescimento de Stevie e a sua amizade com aquele grupo de quatro rapazes. Eu achei esta história muito bonita e muito bem escrita. O jovem Sunny Suljic possui o melhor desempenho do longa, a Katherine Waterston vai muito bem no papel de mãe do protagonista e eu não gostei do personagem vivido pelo actor Lucas Hedges. Um último reparo, não sei porquê, mas eu adorei cada um dos quatro novos amigos do protagonista, com destaque para o personagem interpretado pelo jovem Olan Prenatt, o seu Fuckshit tem imenso estilo e carisma e o seu boneco resultou na perfeição, tal como a química entre os cinco rapazes.

L'Amant Double

Nome do Filme : “L'Amant Double”
Titulo Inglês : “Double Lover”
Titulo Português : “O Amante Duplo”
Ano : 2017
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Romance/Thriller
Realização : François Ozon
Produção : Eric Altmayer/Nicolas Altmayer
Elenco : Marine Vacth, Jeremie Renier, Jacqueline Bisset, Myriam Boyer, Fanny Sage.

História : Chloé, uma jovem parisiense, envolve-se com o seu psicólogo, o homem que a ajudou a ultrapassar uma depressão. Começam a morar juntos e ela acaba por descobrir algo que ele tem mantido em segredo: tem um irmão gémeo, igualmente psicólogo, com quem ela também se vai cruzar.

Comentário : Mais um filme francês que venho aqui comentar, este dirigido por um dos meus realizadores europeus preferidos, François Ozon, cujos filmes eu gosto bastante. Mas isso não aconteceu desta vez. O filme até tem muitos acertos e coisas de que eu gostei, mas infelizmente tem muita coisa que fez desta fita uma má experiência cinematográfica para mim. Posso mesmo dizer que certas decisões e cenas vistas aqui foram mesmo fruto de um mau gosto do realizador, veja-se por exemplo a segunda situação que aparece no filme, apesar de um homem gostar muito daquilo, foi um insulto a forma como foi mostrada, não havia necessidade alguma daquela cena estar ali. Mesmo a primeira sequência, a que abre o longa e que mostra uma mulher bonita a tornar-se feia, não faz muito sentido dentro da narrativa, certamente que havia outras maneiras de mostrar o estado de espírito da protagonista. Mas o filme tem muitas mais cenas de mau gosto, até mesmo as cenas de sexo são aqui filmadas sem brilho nenhum e sem ponta de humanidade e sensibilidade. Para compensar tudo isto, temos dois gatos lindos e “três” poderosas interpretações. Sim, é verdade que Marine Vacth está espectacular neste papel e que a sua personagem é bem complexa. Mas também é verdade que o actor Jeremie Renier se desdobra em duas fenomenais prestações, ele representa dois gémeos bem diferentes um do outro. É uma história bem costurada com algumas reviravoltas bem interessantes, tudo num thriller psicológico eficaz que funciona ainda como um romance dramático. Mas volto a dizer, não havia necessidade nenhuma do realizador nos estragar a experiência com cenas nojentas e outras saídas de muito mau gosto.

Maine

Nome do Filme : “Maine”
Titulo Inglês : “Maine”
Ano : 2018
Duração : 86 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Matthew Brown
Produção : Michael B. Clark/Summer Shelton/Alex Turtletaub
Elenco : Laia Costa, Thomas Mann, Yossie Mulyadi, Pete Burris, Pat Dortch, Jeremy DeCarlos, Matthew Brown.

História : Uma rapariga espanhola decide fazer o trilho dos Apalaches, em busca de auto conhecimento. Na caminhada, ela conhece Lake, um jovem americano fazendo turismo. Os dois resolvem fazer a caminhada juntos e, nessa jornada, criam fortes laços.

Comentário : Eu gosto imenso de filmes de aventura, que falem de aventuras e este veio mesmo a calhar. Trata-se de um filme intimista, ele nunca promete grandes coisas, de facto, ele não nos dá grandes feitos e penso que nem era esse o objectivo. Penso mesmo que o realizador quis nos facultar uma obra mais simples e sem grandes mensagens daí resultantes. Eu fiquei a saber que houve imensa gente que não gostou muito deste filme, alegando que ele não lhes transmitiu nada e houve outros ainda que disseram que não se passou quase nada de relevante ao longo dos oitenta minutos da projeção, e eu até compreendo essas pessoas. No entanto, existem filmes que sendo muito simples, conseguem ser grandes filmes e admirados por essa simplicidade. É precisamente esse o caso, aquilo que eu mais admiro neste “Maine” é a sua simplicidade, ainda que ele abarque em si uma poderosa mensagem. Na minha opinião e segundo a minha interpretação do filme, a principal mensagem, a tal poderosa mensagem que se retira daqui, é que por vezes precisamos de abandonar tudo e entrarmos de cabeça a fundo numa aventura que esteja fora da nossa zona de conforto para imergirmos nela e vivermos uma experiência transformadora e que nos faça ver o mundo de uma outra maneira. Penso que foi isso que aconteceu com a nossa protagonista. No caso dela, muito contribuiu a amizade que ela travou com Lake, o tal americano compreensivo com quem ela gostou de se relacionar durante parte da longa jornada. O filme possui paisagens belíssimas que nos facultaram imagens lindas, daquelas que apetece imprimir e colar na parede. A Laia Costa está brutal aqui, eu adorei a sua personagem, é ela a protagonista do longa e se sai lindamente. O Thomas Mann está muito bem no seu registo e a sua química com Laia convence. Um filme simples, mas muito humano e natural.

L'échange des Princesses

Nome do Filme : “L'échange des Princesses”
Titulo Inglês : “The Royal Exchange”
Titulo Português : “Troca de Princesas”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : Marc Dugain
Produção : Patrick Andre/Genevieve Lemal
Elenco : Anamaria Vartolomei, Juliane Lepoureau, Lambert Wilson, Olivier Gourmet, Catherine Mouchet, Kacey Mottet Klein, Igor Van Dessel, Patrick Descamps, Thomas Mustin, Gwendolyn Gourvenec, Didier Sauvegrain, Vincent Londez, Jonas Wertz, Pedro Cabanas, Ana Rodriguez, Maxence Dugain.

História : Em 1721, para manter a paz entre França e Espanha após anos de guerra, o Regente do Reino da França, propõe uma troca de princesas que resulta no noivado do rei de França, de 11 anos com Anna Maria Victoria, de 4 anos; e do príncipe herdeiro, de 11 anos com Louise Elisabeth, de 12 anos. Porém, a chegada dessas duas jovens princesas pode comprometer os jogos de poder e interesses na Corte.

Comentário : Vamos agora falar de cinema francês e hoje eu trago uma fita que representou uma surpresa para mim, visto que eu nem sabia da sua existência. Devo confessar também que este foi um dos filmes que mais me divertiu e me fez rir em toda a minha existência, não pela “estupidez” de algumas situações, mas sim, pela singularidade dessas mesmas situações. Não se tratando felizmente de uma comédia, este é antes um drama histórico baseado em acontecimentos reais, que aconteceram há muitos anos. E sem ser um drama denso, este filme resulta ainda muito bem enquanto filme de época que conta com personagens bem interessantes, bem desenvolvidos e muito bem interpretados. Sendo assim, temos um drama bastante competente, perfeitamente enfeitado com laços históricos e com uma pitada de romance à mistura. O filme também mostra como é impressionante a maneira como a nossa vida fica mal, devido a termos uma pessoa nefasta por perto, quem viu o filme perceberá aquilo que eu estou a dizer. É um filme muito belo, podemos desta forma contar com cenas bem bonitas e momentos verdadeiramente admiráveis. A dada altura, parece que estamos realmente naquela época, no século XVIII, no meio de toda aquela situação. O guarda-roupa é belíssimo e os figurinos convencem. Nota-se que houve um cuidado extremo nos detalhes para que tudo resultasse da melhor maneira. A nível das interpretações, o grande destaque vai claramente para as jovens Anamaria Vartolomei (linda) e Juliane Lepoureau, além das suas personagens serem adoráveis, as duas meninas tiveram prestações notáveis, sendo que eu gostaria de ter visto mais da princesa mais velha. Apesar de não ter terminado como eu gostaria, gostei do filme, é um bom drama de época.

Everybody Knows

Nome do Filme : “Todos Lo Saben”
Titulo Inglês : “Everybody Knows”
Titulo Português : “Todos Sabem”
Ano : 2018
Duração : 132 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Asghar Farhadi
Produção : Alvaro Longoria/Alexandre Mallet Guy
Elenco : Penelope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darin, Carla Campra, Barbara Lennie, Inma Cuesta, Elvira Minguez, Sara Salamo, Imma Sancho, Eduard Fernandez, Ramon Barea, Roger Casamajor, José Angel Egido, Sergio Castellanos, Ivan Chavero, Tomas Del Estal, Paco Pastor Gomez, Jaime Lorente, Mari Carmen Sanchez, Mar Del Corral.

História : Quando a sua irmã se casa, Laura regressa à Espanha natal para acompanhar a cerimónia. Por motivos de trabalho, o marido argentino não pode ir com ela. Chegando ao local, Laura reencontra um ex-namorado, Paco, que não via há muitos anos. Durante a festa de casamento, uma tragédia acontece. Toda a família precisa de se unir diante de um possível crime, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles.

Comentário : Confesso que gosto dos filmes do cineasta Asghar Farhadi e também que fiquei de pé atrás quando soube que ele ia fazer um filme fora da sua zona de conforto, ou seja, fora do seu país e sem o seu leque de actores. Quem como eu também gosta do seu cinema e que sabe como ele é bom naquilo que faz, provavelmente também deve ter pensado que este seu novo filme talvez não fosse grande coisa, ou pelo menos, tão bom quanto os seus anteriores trabalhos. Eu também temi isso e ainda bem que foi só isso mesmo, porque eu gostei bastante deste filme. Mas vamos por partes. Quem assiste aos primeiros trinta minutos e estando habituado ao cinema do realizador, ficará certamente desiludido, mas a partir do momento em que se dá uma certa reviravolta e algo acontece com uma determinada personagem, desde aí até ao final, podemos sim, contar com um filme cheio de tensão, envolto num enorme clima de mistério e com algumas revelações. É como aquela sensação em que somos apanhados de surpresa devido a uma determinada situação, ficamos envolvidos nessa situação e acompanhamos o seu desenrolar, estando sujeitos a todo o tipo de situações, perigos e más notícias que daí resultam, no meu caso, é uma sensação bem estranha e aflitiva, confesso. A Penelope Cruz tem mais uma das suas brilhantes interpretações, ela é uma verdadeira senhora e raramente desilude. O Javier Bardem chega mesmo a comover com a sinceridade com que representa o seu personagem, a partir de um determinado momento no filme, ele transborda um mar de emoções. O Ricardo Darin está mesmo velho, eu quase não o reconheci, embora ele tenha tido a segunda melhor interpretação masculina do elenco, a seguir a Bardem, logicamente. E Carla Campra, apesar de aparecer apenas no início e depois no final do longa, ela nos transmite primeiramente alegria e vida e mais tarde, desespero e dor, assim por esta ordem, quem já viu o filme irá perceber o que digo.