domingo, 17 de junho de 2018

As Boas Maneiras

Nome do Filme : “As Boas Maneiras”
Titulo Inglês : “Good Manners”
Titulo Português : “As Boas Maneiras”
Ano : 2017
Duração : 135 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Juliana Rojas/Marco Dutra
Produção : Sara Silveira/Frederic Corvez/Clement Duboin/Maria Ionescu
Elenco : Marjorie Estiano, Isabel Zuaa, Miguel Lobo, Cida Moreira, Andrea Marquee, Nina Medeiros, Felipe Kenji, Neusa Velasco, Gilda Nomacce, Adriana Mendonça, Eduardo Gomes, Hugo Villavicenzio, Germano Melo, Naloana Lima, Caetano Gotardo, Lilian Blanc, Letícia Moreira, Renata Roberta, Raphaella Paes, Zua Mutange, José Blanc, José Lacerda, Rony Koren, Guilherme Gorski, Gato Guigui.

História : Ana, uma jovem rica ostracizada pela família, contrata Clara para empregada e ama do seu filho por nascer. À medida que a gravidez avança, Ana começa a revelar um comportamento bizarro, especialmente durante as noites de lua-cheia. As duas mulheres terão que se organizar e que se ajudar mutuamente, para que tudo corra bem.

Comentário : Para encerrar mais uma semana, trago o comentário a mais um filme brasileiro. Mas é um filme brasileiro diferente de tudo aquilo que eu já vi vindo deste país. Primeiro que tudo é um filme de terror e nós sabemos que os brasileiros apostam pouco neste género, e fazem mal, porque em certa medida até têm jeito para a coisa. Este filme divide-se em duas partes e eu confesso ter gostado muito mais da segunda parte, é de longe a mais interessante. Embora na primeira parte também encontremos focos de interesse e aqui o grande destaque vai claramente para as duas personagens principais e para as actrizes que as desempenham. Tanto Marjorie Estiano quanto Isabel Zuaa possuem prestações bastante aceitáveis, para além de terem uma química bastante funcional juntas. Eu apenas não engoli a questão do romance repentino das duas, tudo acontece depressa demais. Além disso, nunca gostei de empregada que se mete demais na vida da patroa e Clara, nesse sentido, é um pouco abusada. Tal como eu disse, foi a segunda parte que me agradou mais. Tudo porque existe uma evolução na personagem de Clara, que é bem interessante. Por outro lado, entra em cena um personagem chamado Joel, que se transforma e bem no principal foco do filme. E nesse campo, vale dizer que o jovem actor Miguel Lobo esteve muito bem no seu papel. Claro que houve coisas que me surpreenderam, outras nem tanto. Tem uma personagem chamada Amélia que é simplesmente detestável e abusada, eu não suporto pessoas que contrariam ordens dos pais face aos filhos. O filme peca por não ter explorado o personagem do pai do menino, existem apenas escassas referências a ele, o que não abona nada a favor da história e do longa em si. Para filme brasileiro, a história até é original e a intenção da dupla de realizadores foi boa. Gostei bastante deste filme, é diferente, mas bom. 

The Florida Project

Nome do Filme : “The Florida Project”
Titulo Inglês : “The Florida Project” 
Titulo Português : "Projecto Florida" 
Ano : 2017
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Sean Baker
Produção : Sean Baker
Elenco : Willem Dafoe, Brooklynn Kimberly Prince, Bria Vinaite, Valeria Cotto, Christopher Rivera, Aiden Malik, Patti Wiley, Jasineia Ramos, Rosa Medina Perez, Mela Murder, Josie Olivo, Edward Pagan, Krystal Gordon, Sandy Kane, Jim Coleman, Terry Allen Jones, Karren Karagulian, Sabina Friedman Seitz, Caleb Landry Jones.

História : Moonee tem seis anos e vive com Halley, a mãe, num motel de beira de estrada próximo do parque da Walt Disney. Ela é alegre e inteligente e os seus dias são passados a brincar com as crianças que ali habitam. Já Halley é uma jovem mãe irresponsável que sobrevive graças a subsídios estatais e alguns biscates mais ou menos ilegais. Mas é Bobby, o gerente daqueles motéis, quem vai garantido a segurança necessária àquelas crianças, que o olham como se de um verdadeiro pai se tratasse.

Comentário (Contém Spoilers) : Finalmente consegui ver um dos melhores filmes de 2017 e digo mais, foi uma grande injustiça ele não ter estado entre os nomeados para melhor filme, teria ganho de certeza, aliás, foi precisamente por causa disso que ele não foi nomeado, para quem manda garantir que ganhava aquele que já sabemos qual foi. Mas também já sabemos que nem no mundo da sétima arte a justiça vigora, mas isso seria assunto para um outro comentário. Após nos ter dado filmes muito bons como “Starlet” e “Tangerine”, o realizador e produtor Sean Baker surgiu-nos no ano passado com este “The Florida Project”, uma fita que aborda as vidas daqueles que são mais carenciados e mais necessitados, aqueles que o Estado não ajuda e com quem não se preocupa minimamente. É de facto muito triste pensarmos que a vida só é favorável e boa para aqueles que têm dinheiro e grandes possibilidades, porque quem não os tem, fica na merda. O filme aborda não só isso como também o drama de uma menina em especial, sim, Moonee é a grande protagonista deste pequeno filme independente. Moonee e Halley representam assim todos os carenciados e necessitados deste mundo que são marginalizados por uma sociedade profundamente egoísta e má que estará sempre disposta a tudo para dificultar ainda mais as vidas desta gente, já de si, bem complicadas. Senão vejamos o papel das assistentes sociais e da polícia, sempre no lado errado da barricada, sempre à espera de retirar injustamente os filhos aos pais, acabando por estragar sempre a vida às crianças, mas as injustiças cometidas pelas sociedades e pelas suas leis estúpidas seriam assunto para um outro comentário.

Eu gostei de quase tudo neste filme e mais, a única coisa que eu não gostei foi da presença irritante dos helicópeteros que estavam constantemente a aparecer. Muita gente apareceu rapidamente a criticar de forma injusta a personagem Halley, alegando que ela é uma péssima mãe. Claro que eu discordo desta opinião errada e radical, ela comete erros sim, mas também queria ver o que fariam essas pessoas que tanto a criticaram caso estivessem nas condições de Halley, certamente, fariam a mesma coisa ou pior. Antes de criticarmos as personagens, precisamos primeiro de nos colocarmos na pele delas, destas pessoas que passam grandes necessidades e depois sim, tecermos a nossa opinião final. O quadro que Sean Baker pinta neste seu novo filme serve de alerta para a necessidade que estas pessoas têm de serem ajudadas e nem é tanto por elas, mas sim, pelas crianças que estão a seu cargo, que são as grandes vítimas destas sociedades de hoje, as crianças que não pediram para nascer e acabam sempre por sofrer e por pagar a maior fatia do bolo. O realizador quis também mostrar que enquanto que existe gente que não tem quase nada como Moonee e Halley, ali bem perto, há outras pessoas que têm de quase tudo e vivem à grande e sim, vale dizer que o sol quando nasce não é para todos, ou por outras palavras, a vida não é justa para toda a gente. E tal como eu disse, depois existe aquele tipo de gente que dedica o seu tempo a prejudicar ainda mais as vidas desta camada desfavorecida, como por exemplo, as malditas assistentes sociais, a porcaria da polícia ou mesmo o próprio Bobby que não tinha nada a ver com a forma como Halley ganhava a vida e o dinheiro para se manter, e ainda assim, meteu-se na vida da jovem, prejudicando a pequena Moonee.

Mas não me interpretem mal, eu adorei o personagem Bobby, ele era uma espécie de pai para aquelas crianças e um grande amigo dos adultos que albergava nos seus alojamentos. Aliás, Willem Dafoe está excelente e maravilhoso neste personagem, há muito tempo que eu não delirava com uma interpretação sua, muito merecida a nomeação à estatueta dourada, infelizmente nesse ano, existia a também excelente prestação de Sam Rockwell. E digo mais, quem me dera que existissem mais Bobbys por esse mundo fora, pois precisamos urgentemente deles. Seguramente, um dos melhores personagens que eu vi num filme em muitos anos. Mas infelizmente, penso que ele cometeu o erro de se meter demais na vida de Halley, o que acabou por trazer problemas à vida da pequena Moonee. O realizador, mais uma vez, filma de forma brilhante e cativante os seus personagens, aqui quase sempre no ponto de vista das crianças, aliás, existe uma sequência em que Moonee come num bar de um hotel, cuja forma como foi filmada e respectivo enquadramento merecia um prémio. As cenas da mulher senil com os peitos à mostra ou a sequência do pedófilo estão muito bem conseguidas e só mostram como é importante o personagem Bobby para aquelas crianças. 

Passando agora aos desconhecidos e é aqui que reside a grande surpresa do filme. A jovem Bria Vinaite, descoberta pelo realizador numa rede social, convenceu-me na totalidade com a sua personagem. Sim, a sua Halley comete alguns erros e aqui não me estou a referir à maneira como ela estava a criar a filha, mas sim à atitude injusta que ela teve face à amiga, espancando-a e a insultando, já para não falar dos pequenos delitos que ela comete. No entanto, ninguém tem o direito de a criticar enquanto mãe, porque se há coisa que o filme prova, é que Halley ama realmente a sua filha, Moonee. Sempre que pode, ela proporciona momentos de ternura e felicidade à sua pequena e diga-se de passagem, são as melhores cenas do filme. Todas as crianças envolvidas neste filme estão de parabéns, o filme vive principalmente delas, nomeadamente Moonee e Jancey, estas duas meninas são a alma deste filme. Valeria Cotto é adorável no papel de melhor amiga da nossa Moonee, fiquei rendido ao talento desta ruivinha. No entanto, quem rouba totalmente a cena a todos os personagens deste excelente filme, é a expressiva e talentosa Brooklynn Kimberly Prince, esta linda menina de apenas sete anos, teve não só a melhor prestação do filme inteiro, como também é a grande estrela deste “The Florida Project” e seguramente tem um grande futuro pela frente. Eu adorei ver esta pequena actriz a representar a sua Moonee, aliás, a sua personagem é muito natural. Tudo neste filme parece real, tal não é a naturalidade com que foi filmado, parece mesmo que aconteceu e que se tratava de um documentário. A cena do choro emociona mesmo por ser a mais dramática do longa e pela entrega que Brooklynn Kimberly Prince deu à sua personagem nesse momento, aquilo eram lágrimas verdadeiras. O filme funciona bem também enquanto critica feroz às sociedades. Um dos melhores filmes, em décadas.



La Nuit A Dévoré Le Monde

Nome do Filme : “La Nuit A Dévoré Le Monde”
Titulo Inglês : “The Night Eats The World”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Terror
Realização : Dominique Rocher
Produção : Carole Scotta
Elenco : Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, Denis Lavant, Sigrid Bouaziz, David Kammenos, Jean-Yves Cylly, Nancy Murillo, Lina-Rose Djedje, Victor Van Der Woerd, Léo Poulet, Déborah Marique, Tess Osscini Boudebesse Bejjani, Fabien Houssaye, Jean-Louis Priou, Marie-Thérèse Priou, Choukri Essadi, Clémence Chatagnon, Nina Van Der Pyl, Mathieu Musualu, Marie Bourjala, Maya Eymeri.

História : Sam é um jovem adulto que vai a casa de uma antiga namorada buscar uma caixa que contém cassettes áudio e que ao chegar lá, depara-se com uma festa. Ao chegar ao escritório do pai da rapariga, Sam encontra a caixa, mas sente-se cansado e adormece numa cadeira, acabando por dormir até à manhã seguinte. Ao acordar, ele apercebe-se que se encontra sozinho no apartamento e que as pessoas nas ruas comportam-se como zombies. Agora, Sam terá que fazer de tudo para se manter vivo e também para impedir que os mortos vivos entrem no prédio.

Comentário : Isto é a França a provar que também sabe fazer filmes de zombies e não precisa de abusar no sangue, no gore e na maldade para que o resultado seja positivo. Gostei mesmo daquilo que vi e mais, gostava muito de ver mais produções do género vindas de território francês. Mas há que dizer muito sinceramente que este não é um filme para agradar à maioria e principalmente aos que preferem fitas mais sanguinárias, estando mais no registo daquelas fitas recentes que têm aparecido e que alguns apelidam de serem pertencentes ao pós-terror. Para além de ter um titulo muito original, este filme tem momentos bem peculiares e interessantes, por exemplo, a estranha amizade que o protagonista mantém com um zombie preso num elevador. Mas há outras cenas bem interessantes, não falarei mais sobre isto para não estragar a surpresa a quem estiver motivado para ver o filme. Esta fita possui um ritmo lento e soma pontos no argumento, além de ter ideias bastante originais, quase tudo foi bem costurado no sentido de haver poucas falhas. Claro que existem aqui erros, mas nada que atrapalhe a experiência, repito, é um filme que prima em certa parte pela originalidade. O actor principal vai bem no seu registo e possui uma interpretação consistente. O mesmo se pode dizer de Golshifteh Farahani, embora no caso desta, pedia-se um maior tempo em cena ou mesmo que não tivesse um destino tão tosco. Denis Lavant é espectacular, seguramente o melhor zombie do filme. Não gostei do destino do gato. No fundo, estamos perante um filme muito consistente e bem conseguido, pede-se urgentemente aos realizadores franceses que nos facultem mais titulos como este. Muito bom.

Werewolf

Nome do Filme : “Werewolf”
Titulo Inglês : “Werewolf”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama
Realização : Ashley McKenzie
Produção : Ashley McKenzie/Nelson MacDonald
Elenco : Bhreagh MacNeil, Andrew Gillis.

História : Vanessa e Blaise são toxicodependentes totalmente marginalizados numa cidade pequena. Sem teto, eles sobrevivem batendo de porta em porta se oferecendo para cortar a relva dos jardins. Amarrados um ao outro e com Blaise quase entrando em colapso, os sonhos de mudar de vida parecem distantes.

Comentário : Quando eu era adolescente, costumava imaginar como seria o meu futuro, se ia obter bons resultados na escola ou na faculdade, se ia conseguir um bom emprego, se ia ter um bom vencimento, se ia arranjar casa, uma rapariga e filhos, enfim, eram sonhos de jovem, como qualquer outro saudável. Mas havia uma coisa que me fascinava : a sétima arte, os filmes. Infelizmente, não consegui quase nada indicado em cima e muito menos algo ligado ao cinema. Tudo isto para chegar a este pequeno filme. Quando pretendo ver um filme, eu procuro uma boa história, bons personagens que têm que ser igualmente apelativos e, a cima de tudo, algo minimamente consistente. E estas três características eu encontrei neste filme. Esta pequena fita fala de jovens com vidas estragadas, sem quaisquer perspectivas de futuro, sem eira nem beira. E isto coloca-me a pensar como é que adolescentes chegam a esta situação, o que acontece realmente nas vidas destes jovens e dos seus pais para que as coisas sejam assim. Se é suposto os pais amarem seus filhos, os ajudarem e os protegerem, como é possível que eles cheguem ao nível e à situação de uma Vanessa ou de um Blaise ? A resposta é só uma : durante esse processo de educação de um filho que deve demorar, normalmente, 18 anos, algo quebra. Basicamente, é isto que acontece entre pais e filhos : numa determinada altura, algo quebra. Sim, a vida é triste e muito injusta e nem sempre estamos preparados para enfrentar certas situações.

Eu trabalho num local que lida com a problemática da toxicodependência e sei perfeitamente que é extremamente difícil para um jovem largar o vício das drogas, mas sei igualmente que não é por falta de aviso por parte de muita gente sobre os perigos das drogas e reais consequências. Em grande parte dos casos, os jovens que se metem nas drogas, fazem-no numa tentativa de escaparem ou esquecerem de problemas pessoais ou familiares que possuem, possivelmente, numa tentativa de desespero. Claramente que não é uma saída válida ou aceitável, mas é em parte aquela que eles encontram, ou são as drogas ou é o suicídio. Isto é tudo muito complexo para ser tratado e trabalhado aqui neste espaço, serviu apenas para que vocês tenham uma noção do que se trata realmente este filme. Adorei a maneira como o filme foi filmado, com planos e enquadramentos fechados nos rostos do casal protagonista. Isto é cinema independente do melhor. Eu adorei a personagem Vanessa, aqui vivida e interpretada na perfeição pela jovem Bhreagh MacNeil (linda), gostei da sua figura e da sua coragem. Andrew Gillis também esteve muito bem, aliás, os dois funcionam bem juntos enquanto casal. Viver não é fácil, a própria vida é a prova viva disso mesmo. Um dos melhores filmes do ano.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Le Fils de Jean

Nome do Filme : “Le Fils de Jean”
Titulo Inglês : “A Kid”
Titulo Português : “O Filho de Jean”
Ano : 2016
Duração : 99 minutos
Género : Drama
Realização : Philippe Lioret
Produção : Philippe Lioret/Marielle Duigou
Elenco : Pierre Deladonchamps, Gabriel Arcand, Catherine de Léan, Marie-Thérèse Fortin, Pierre-Yves Cardinal, Patrick Hivon, Lilou Moreau-Champagne, Milla Moreau-Champagne, Hortense Monsaingeon, Romane Portail, Timothé Vom Dorp, Martin Laroche, Jean-Pierre Andréani, Loudia Gentil, Hubert Dupuy, Emmanuelle Dupuy.

História : Mathieu só foi descobrir quem era seu verdadeiro pai aos 30 anos e da pior maneira possível : sendo informado do seu falecimento. Além disso, recebe também a notícia de que tem dois irmãos e decide viajar até Montreal, para saber coisas sobre o pai e para conhecer a outra parte da família.

Comentário : Com este filme francês, regressamos ao cinema de qualidade e aos filmes que valem realmente a pena. É um filme que fala das relações familiares e como complicadas e complexas elas podem ser. Uma das coisas que reparei ao longo do longa, foi que o argumento é bom e funcional, nos proporcionando um filme e uma história bastante agradáveis. Responsável pelo excelente filme “Welcome”, o realizador Philippe Lioret assina desta vez uma fita que trabalha bem as questões a que se propunha, originando também um protagonista consistente e com o qual, nós facilmente ganhamos empatia, o que faz com que nos importemos com ele. De facto, o actor Pierre Deladonchamps, que desempenha o personagem principal, é bem carismático e possui uma excelente interpretação, eu gostei bastante do seu Mathieu. A maneira como ele se relaciona com os restantes personagens também merece destaque, com foco no avô das gémeas e na mãe das miúdas. Podemos ainda contar com cenas muito bonitas, por exemplo, as que decorrem num rio merecem ser mencionadas. É um filme que nos põe a pensar na vida, nas escolhas que fazemos e nas consequências das mesmas. Com este filme, ficamos também a matutar nas partidas que a vida nos pode pregar ao longo da nossa existência. Mas penso que a grande mensagem que se pode tirar desta película é o facto de que devemos aproveitar as pessoas e as coisas enquanto as temos. 

Ghostland

Nome do Filme : “Ghostland”
Titulo Inglês : “Incident In A Ghost Land”
Ano : 2018
Duração : 91 minutos
Género : Drama/Terror/Mystery
Realização : Pascal Laugier
Elenco : Mylène Farmer, Crystal Reed, Anastasia Phillips, Emilia Jones, Taylor Hickson, Kevin Power, Mariam Bernstein, Alicia Johnston, Ernesto Griffith, Adam Hurtig, Denis Cozzi, Sharon Bajer, Paul Titley, Tony Braga, Rob Archer.

História : Pauline acaba de herdar uma casa de sua tia e então decide morar lá com as suas duas filhas, Beth e Vera. Mas, logo na primeira noite, o lugar é atacado por violentos invasores e Pauline faz de tudo para proteger as crianças. Dezasseis anos depois, as meninas, agora já crescidas e traumatizadas, deparam-se com coisas estranhas a acontecer na casa.

Comentário : Há cerca de vinte anos surgiu na França um novo género de filmes de terror, que se traduzem por serem extremamente violentos, doentios e por ultrapassarem o nível de gore dos filmes americanos desse mesmo género. Esse movimento chama-se “New French Extremism” e na minha opinião era desnecessário, tendo um único objectivo : chocar o público. Bem sei que ninguém é obrigado a ver esses filmes e só vê quem quer. Mas penso que até na sétima arte deviam haver limites. Pascal Laugier, o realizador deste filme, e peço que ele me desculpe, mas deve sofrer de algum problema mental, pois para fazer um filme como “Martyrs” de 2008, é porque se passa qualquer coisa de muito errado com ele. Quem já viu esse filme e não gostou, certamente irá entender aquilo que eu estou a dizer. Ao ver esse filme horrível que tenciono não voltar a ver, dei por mim a questionar-me se era necessária tanta violência para contar aquela história, sejamos sinceros, uma história bem básica que apenas serviu para chocar e para relembrar que existe gente muito doente e cruel por esse mundo fora.. É impressionante como se gasta dinheiro e meios a fazer filmes como este, muito honestamente, com tanta gente boa que quer fazer cinema e não tem possibilidades, enfim.

Este “Ghostland” não chega aos calcanhares da violência, malvadez e crueldade vistas em “Martyrs”, e ainda bem. “Ghostland” possui uma história ainda mais pobre, personagens ainda com menos conteúdo e muita anormalidade e estupidez. Claro que detestei o filme, até me admira como o consegui ver até ao final, possivelmente na esperança de que as meninas matassem rapidamente aqueles dois atrasados mentais. É um filme repleto de erros, clichés e cenas e acontecimentos com pouco nexo. As personagens da mãe e das meninas foram muito mal aproveitadas. A única coisa que se aproveitou aqui foram as prestações das quatro meninas que deram vida às irmãs nas duas fases desta história.

E por falar nisso, eu queria aqui mencionar e denunciar a quem não sabe, uma situação bem injusta e dolorosa que aconteceu no set de filmagens à jovem actriz que interpretou Vera na infância. Durante uma das filmagens, os produtores e o realizador, exigiram que a menina, a Taylor Hickson (nas fotos em baixo, antes do acidente) batesse com os punhos com força e várias vezes num painel de vidro. A jovem actriz não conseguia o pretendido e eles a obrigaram a insistir, para dar mais credibilidade à cena. O facto é que o vidro partiu-se e a miúda acabou por cair em cima dos cacos com a cara, o que lhe provocou um grande rasgão no rosto e outros cortes, muito sangue e 70 pontos, conforme mostram as fotos dela já depois de suturada, que podem consultar na internet, basta pesquisarem pelo assunto. Eu me recuso a publicar aqui as fotos, por respeito a Taylor Hickson. Escusado será dizer que a jovem actriz, para além do trauma, vai ficar com a carreira e com a auto estima estragadas, devido à enorme cicatriz que vai ficar como marca para sempre no seu rosto. Inclusive, Taylor Hickson já moveu uma ação para processar os produtores e o realizador do filme, Deus queira que ela ganhe a causa. E por respeito à actriz, eu não escrevi o nome dos produtores do filme na ficha técnica. O que eles fizeram com ela foi indecente. As pessoas deviam evitar ver este tipo de filmes, se tivessem pouco público, talvez não fizessem este tipo de produções. Eu gosto de filmes de terror, mas os deste género, dispenso mesmo. Amigos cinéfilos, desculpem este meu grande desabafo, mas tinha que fazer este descarrego, estou cansado de injustiças.


Annihilation

Nome do Filme : “Annihilation”
Titulo Inglês : “Annihilation”
Titulo Português : “Aniquilação”
Ano : 2018
Duração : 116 minutos
Género : Aventura/Drama/Ficção-Científica
Realização : Alex Garland
Produção : Andrew Macdonald/Scott Rudin/Allon Reich/Eli Bush
Elenco : Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Tessa Thompson, Gina Rodriguez, Tuva Novotny, Oscar Isaac, Benedict Wong.

História : Uma bióloga se junta a uma expedição secreta com outras quatro mulheres numa região conhecida como Área X, um local isolado da civilização onde as leis da natureza não se aplicam. Lá, ela precisa lidar com uma misteriosa contaminação e ainda procurar por pistas de colegas que desaparecem, incluindo o seu marido.

Comentário (Comentário + Entendendo o filme – Com Spoilers) : Cá está mais um filme que fala de invasões alienígenas, embora esta aqui seja feita de uma maneira muito diferente das demais e nunca vista em outros filmes do género. Sim, eu gostei bastante deste filme, uma fita de ficção-científica com significados abertos a várias interpretações. Não é um filme fácil de se assistir, quem vem para aqui certo de que vai ver um enorme espectáculo de ação e efeitos visuais e sonoros de encher os sentidos, irá sair bastante desiludido. Todo o filme possui um ritmo muito lento, cenas que se arrastam e poucas cenas de ação. Em vez disso, estamos perante um filme visualmente muito bonito e apelativo, detentor de uma história complexa mas muito interessante e cujo final só é acessível e só será da compreensão daqueles que estiverem com mais atenção durante as quase duas horas de projeção. O realizador Alex Garland (Ex Machina) reaparece diante de nós com este seu novo projecto, que é tão bom quanto o seu anterior trabalho, são dois filmes protagonizados por mulheres, actrizes que nos facultam personagens bem interessantes e com muito conteúdo.

Em “Aniquilação”, falamos de uma invasão alienígena, um ser que chega à Terra através de um meteorito e se instala, criando um campo de forças a que os humanos chamam de “Brilho” e que vai transformando todas as formas de vida dentro dele em outro tipo de vida. E vai crescendo cada vez mais, aumentando o “brilho” e abrangendo mais território. No fundo, ele aniquila as formas de vida que vai encontrando e as transforma em outros seres vivos, misturando o ADN de pessoas, plantas e animais, criando várias misturas com eles. Muitas pessoas que viram o filme precisaram que outros lhes explicassem o filme, mas eu confesso ter entendido o que realmente ele conta. É praticamente impossível falarmos de “Aniquilação”, sem entrarmos em spoilers. No final, o ser alienígena cria um clone do marido da protagonista e faz com que esta dê a entender que conseguiu destruir a ameaça, quando na verdade, também ela não é a mesma que entrou no “brilho” com as outras raparigas, Lena mudou de outra forma, ela também já tem o ADN do alienígena mesclado no seu corpo. Quando ela e o marido se abraçam, os dois possuem um estranho brilho nos olhos, mostrando que não são os humanos do início do filme. O alienígena conseguiu assim o seu objectivo : misturar-se com os seres humanos para, desse modo, prosseguir a sua proliferação pelo planeta. É um excelente filme. Gostei, um filme capaz e com alma. 

La Región Salvaje

Nome do Filme : “La Región Salvaje”
Titulo Inglês : “The Untamed”
Titulo Português : “A Região Selvagem”
Ano : 2016
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Amat Escalante
Produção : Amat Escalante/Fernanda De La Peza/Jaime Romandia
Elenco : Ruth Ramos, Simone Bucio, Eden Villavicencio, Jesus Meza, Andrea Pelaez, Bernarda Trueba, Oscar Escalante, Kenny Johnston, Fernando Corona.

História : Alejandra é uma jovem que vive com o seu marido e com os dois filhos de ambos. Não sendo feliz no casamento, Alejandra faz o que pode para levar uma vida decente. Certo dia, ela descobre que o marido mantinha uma relação homossexual com o seu irmão, que entretanto foi atacado e está em coma numa maca de hospital. Cada vez mais desesperada, Alejandra conhece uma jovem chamada Vera e aceita a sua ajuda. Mas Alejandra não estava preparada para aquilo que viria a descobrir numa cabana, algo que mudou a sua vida de forma bastante inesperada.

Comentário : Esta noite vi este filme mexicano que confesso ter gostado bastante. Na realidade, não dava nada por ele, as classificações nos sites da especialidade até nem são más, mas não é uma fita muito conhecida, eu próprio nunca tinha ouvido falar dele, razão pela qual quis conferir e ver se realmente valia a pena. De facto, é um filme bastante aceitável, ele segue-se muito bem durante cerca de hora e meia, nós acompanhamos o quotidiano e a luta da bela Alejandra por uma vida melhor, uma jovem que não é feliz com aquele homem e que, apesar de gostar muito dos filhos menores, está um pouco cansada daquela existência. Claro que os minutos iniciais dão destaque a uma outra personagem, Vera, aliás é esta personagem igualmente curiosa que conduz a nossa Alejandra à questão central do filme. Mas ainda bem que o foco abandona Vera e se centra em Alejandra, de longe, a personagem mais interessante do filme. Aliás, a actriz que a desempenha, Ruth Ramos, tem uma excelente prestação e também uma presença muito viva no longa, a sua beleza e sensualidade exóticas, enchem as cenas em que ela aparece, nós ficamos rapidamente a torcer por ela. Vale também frisar a interpretação da jovem Simone Bucio, eu gostei também do seu desempenho, a sua personagem é essencial para a evolução da trama. Também gostei do actor Eden Villavicencio, para além de ter uns olhos muito bonitos, possui ainda a melhor prestação masculina da fita. O filme pedia mais dez minutos, pelo menos que explicassem algumas coisas que careciam de um esclarecimento. Apesar de ter gostado bastante deste filme de Amat Escalante, continuo a preferir o seu “Heli”. Por último, tenho que dizer que é um dos filmes mais estranhos que vi, tem uma cena de sexo em particular que nos deixa de queixo caído.


domingo, 10 de junho de 2018

Rio Mumbai

Nome do Filme : “Rio Mumbai”
Titulo Português : “Rio Mumbai”
Ano : 2017
Duração : 87 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Pedro Sodré/Gabriel Mellin
Produção : Bebel Mesquita/Giovanna Lucas/Felipe Britto.
Elenco : Pedro Sodré, Clara Choveaux, Bruce Gomlevsky, Marcos Fritsch, Jonathan Haagensen, João Leporage, Paulo Maia, Conrado Nilo, Babu Santana, Vandre Silveira, Christiana Ubach, Davi Dias, Bento Coimbra, Valentina Gomlevsky, Sérgio Siviero, Bruno Cezario, Nina Barros.

História : Nelson, um jornalista cético e desiludido, está tendo experiências estranhas. O velho cientista que mora no seu prédio tenta o convencer de que esses acontecimentos estão ligados a um antigo estudo sobre viagens no tempo. Maria, esposa de Nelson, recebe um diário de bordo que revela uma comunicação atemporal entre eles.

Comentário : E assim voltamos ao cinema brasileiro, desta vez com muito misticismo, secretismo e um pouquinho de confusão. Primeiro que tudo, trata-se de um filme introspectivo, ele nos convida a reflectir e a pensar, sobre a vida, sobre aquilo que fizemos e andamos a fazer, sobre os nossos actos, sobre a nossa função, o que comemos e ao que nos apegamos, enfim, à nossa passagem pela vida. E nesses aspectos, é onde o filme mais soma pontos, ele nos mostra a jornada de um homem, nós acompanhamos um personagem principal, conforme um outro personagem vai lendo o diário escrito pelo primeiro. O personagem do velho, por exemplo, ele representa o mistério  que o filme nos proporciona, ainda que apareça pouco. Ele é como que a motivação do protagonista, o seu fio condutor, assim como o diário, eles são uma espécie de catalisadores. Eu vou ser sincero, não esperava quase nada deste filme e ele acabou me dando muita coisa, a começar pela paz, ele me transmitiu imensa paz e isso sucedeu não só nas partes em que o protagonista viaja pela Índia, como e principalmente nas sequências em que ele contracena com aquele velho indiano que é uma espécie de ancião. É também um filme que fala de viagens, seja viagens no tempo ou viagens físicas de um local para o outro. Todas estas questões escritas anteriormente foram muito bem trabalhadas neste filme. A interpretação do actor que dá vida a Nelson é bem consistente e realista. É também um filme muito bonito a nível visual. Podemos tirar bonitas lições daqui, eu gostei bastante deste filme, pequeno mas bom.

Black Hollow Cage

Nome do Filme : “Black Hollow Cage”
Titulo Inglês : “Black Hollow Cage”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Sadrac Gonzalez-Perellon
Produção : Sadrac Gonzalez-Perellon
Elenco : Lowena McDonell, Julian Nicholson, Haydee Lysander, Marc Puiggener, Will Hudson, Daniel Jacobs, Lucy Tillett.

História : Alice é uma adolescente que vive numa casa isolada em uma enorme e densa floresta com o seu pai e um enorme cão branco que ela identifica como sendo a sua mãe. Um dia, ao dar um passeio, ela encontra entre as árvores um enorme cubo misterioso, mas a situação complica-se bastante para o lado dela, quando o pai leva para casa uma menina espancada e um rapaz mudo, crianças que ele encontrara na floresta.

Comentário : Filme dividido em cinco capítulos, em que o quarto é uma autêntica confusão e balança um pouco tudo visto até então. Confesso que até ao final do terceiro capítulo eu estava a gostar do que via, mas depois as coisas tornam-se realmente confusas, ainda que o quinto capítulo remende algumas coisas, acabam por faltar muitas explicações e respostas. O filme é espanhol e não é das piores produções vindas das mãos dos nossos vizinhos, mas o roteiro podia ter ficado mais amarrado e sem tantas pontas soltas. Não sou daqueles que gosta de tudo bem mastigado e pronto e engolir, mas às vezes, algumas poucas explicações ou respostas ajudam a entender o todo e contribuem para que gostemos ainda mais do filme que estamos a ver. Feitas as contas, o filme possui apenas seis personagens humanos e um personagem canino, onde o maior destaque interpretativo vai claramente para a jovem Lowena McDonell que é muito simpática e ao mesmo tempo enigmática, possui uma boa prestação e tem ainda a melhor personagem do longa. É muito fácil gostarmos da sua Alice, destaque também para o seu guarda roupa, parece que a miúda está sempre com a mesma roupa. O cão é lindo. Tem uma personagem que é bem estranha fisicamente. O filme possui cenas violentas. Um detalhe curioso, a personagem protagonista não tem metade de um braço, pelo que usa uma prótese biónica. No fundo, é um filme curioso, mas que não satisfaz essa mesma curiosidade. Ficamos assim pela prestação e forte presença da miúda protagonista que é a alma do filme.

Every Day

Nome do Filme : “Every Day”
Titulo Inglês : “Every Day”
Titulo Português : “A Cada Dia”
Ano : 2018
Duração : 97 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Michael Sucsy
Produção : Anthony Bregman/Peter Cron/Christian Grass/Paul Trijbits
Elenco : Maria Bello, Angourie Rice, Debby Ryan, Owen Teague, Amanda Arcuri, Michael Cram, Justice Smith, Jeni Ross, Lucas Jade Zumann, Rory McDonald, Katie Douglas, Jacob Batalon, Ian Alexander, Sean Jones, Colin Ford, Jake Sim, Nicole Law, Karena Evans, Hannah Alissa Richardson, Charles Vandervaart, Keana Bastidas.

História : Um rapaz tem o incrível dom de acordar todos os dias num corpo diferente, independente do género. E deve se adaptar ao seu novo corpo, ainda que somente por um dia. Mas a sua triste rotina muda quando acorda no corpo de Justin e acaba se apaixonando pela namorada dele, Rhiannon.

Comentário : Este filme é baseado num livro escrito por David Levithan e conta a história de uma alma itinerante que tem a particularidade de encarnar um corpo diferente a cada 24 horas e que um dia apaixona-se de verdade por uma menina de 16 anos de idade, fazendo com que ela se apaixone também por ele. Apesar do filme ser fraco a nível do todo, eu gostei bastante dele, porque adorei a sua história e porque assim de repente não me lembro de ter assistido a algo parecido, embora já tivesse pensado na situação aqui retratada. Basicamente, o que temos aqui é uma história de amor, mas em moldes diferentes do habitual. O filme levanta a questão de sermos mais alguma coisa para além do corpo, se quando morremos a nossa alma ainda sobrevive e transforma-se em espírito e que papel andamos a fazer enquanto vivemos. A banda sonora é agradável, bem como o clima que envolve todo o filme, o realizador soube trabalhar bem a jovialidade presente no longa. Claro que existem falhas no argumento e alguns erros na lógica das coisas, mas eu consegui colocar isso de lado e admirar o filme enquanto romance juvenil e tenho que admitir que funciona muito bem enquanto tal. Angourie Rice (These Final Hours) está muito bem neste filme, a jovem actriz consegue uma boa interpretação e também ter uma forte presença no ecrã, pertencem a ela as melhores cenas e os melhores enquadramentos do longa. Não sendo um filme que irá agradar a um público adulto, eu sinto-me bem por ter gostado dele. 

Napoli Velata

Nome do Filme : “Napoli Velata”
Titulo Inglês : “Naples In Veils”
Titulo Português : “Nápoles Velada”
Ano : 2017
Duração : 113 minutos
Género : Thriller/Mystery/Drama/Crime
Realização : Ferzan Ozpetek
Produção : Tilde Corsi/Gianni Romoli
Elenco : Giovanna Mezzogiorno, Isabella Ferrari, Luisa Ranieri, Anna Bonaiuto, Alessandro Borghi, Maria Pia Calzone, Loredana Cannata, Daniele Foresi, Carmine Recano, Lina Sastri, Biagio Forestieri, Peppe Barra, Giada Pecorelli.

História : Numa Nápoles suspensa entre magia e superstição, loucura e racionalidade, um mistério envolve a existência de Adriana, subjugada por um amor repentino e um crime violento.

Comentário : Este filme italiano é composto por duas componentes básicas : de um lado temos a história central que envolve a protagonista Adriana e a sua vida quotidiana; e por outro lado temos as partes que mostram outras personagens que não são assim tão interessantes e que se fossem tiradas da edição final, não faziam falta alguma e até nos facultava uma fita mais enxuta e fácil de se acompanhar. Não quero com isto dizer que o filme é mau, nada disso, eu próprio gostei bastante do que vi ao longo das quase duas horas, mas aquilo que pretendo demonstrar com este meu raciocínio é que a fita em causa desvia-se por vezes do seu foco principal, o que faz com que quem a esteja a ver, também fique desconcentrada e com isso, fique aborrecida e perca o interesse. Embora isso comigo não tenha acontecido, aquilo que mais me agradou nesta película foi ter acompanhado a história de Adriana desde aquelas cenas iniciais dela em criança até aos momentos finais que mostram-na surpresa com a revelação da porteira. Se ignorarmos as tais partes ditas desnecessárias com personagens secundárias que apenas estão ali para encher a fita, então temos um filme consistente, envolto num clima de mistério e cujas revelações vão surgindo de vem em quando. E para isso muito contribuiu a excelente prestação da actriz Giovanna Mezzogiorno, não conhecia esta artista italiana e gostei de a ter descoberto. Gostei também do personagem amigo dela que morre de ataque cardíaco e do policia que se torna num cúmplice seu. Em resumo, é um bom filme que possui uma protagonista forte e que usa as suas qualidades para tornar tudo mais grandioso e feliz. Uma última anotação, a foto em baixo mostra o momento em que a protagonista apanha o trauma que lhe estragou a vida.

The Escape

Nome do Filme : “The Escape”
Titulo Inglês : “The Escape”
Titulo Português: “A Fuga”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Dominic Savage
Produção : Guy Heeley
Elenco : Gemma Arterton, Dominic Cooper, Frances Barber, Marthe Keller, Jalil Lespert.

História : Uma dona de casa e mãe de família cansa-se da existência que tem e decide tomar uma decisão radical com intenção de mudar a sua vida para sempre.

Comentário : Em certa parte, eu me revi na pele da protagonista deste filme escapista, mas isso era assunto para um outro comentário. Hoje, trago um comentário a um filme protagonizado por uma actriz que eu gosto bastante : Gemma Arterton, além de muito bonita, ela é boa a representar. E neste filme, não podia estar melhor. Gostei da sua personagem, ela é uma mulher sofrida e muito infeliz, que se saturou do casamento, do marido e dos filhos, enfim, ela não vê sentido algum na sua existência actual, quer mudar radicalmente de vida e tudo fará para o conseguir. Eu percebi perfeitamente o desespero da protagonista, existem por aí muitas mulheres como ela, a infelicidade no casamento é motivo para um divórcio. O filme trabalha muito bem todos estes temas, fiquei surpreendido nesse sentido, porque não é fácil mexer com estas temáticas no cinema. Dominic Cooper vai bem no seu papel, mas a nível dos personagens masculinos, de quem eu gostei mesmo foi do personagem e da actuação de Jalil Lespert, quem já viu o filme, facilmente perceberá porquê. Apesar da sua atitude condenável, ele é alguém carismático e enigmático, tornando-o bastante apelativo e já para não falar da sua química com a protagonista que funciona bem e sente-se na medida certa. A banda sonora é muito boa, aquelas melodias melancólicas e calmas foram verdadeira música para os meus ouvidos. É um filme bom, com uma boa e actual história e que nos ensina que só nós mesmos temos o poder de mudar a nossa vida, basta querermos. 

domingo, 3 de junho de 2018

Un Beau Soleil Intérieur

Nome do Filme : “Un Beau Soleil Intérieur”
Titulo Inglês : “Let The Sun Shine In”
Titulo Português : “O Meu Belo Sol Interior”
Ano : 2017
Duração : 90 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Claire Denis
Produção : Olivier Delbosc
Elenco : Juliette Binoche, Xavier Beauvois, Gerard Depardieu, Josiane Balasko, Sandrine Dumas, Philippe Katerine, Nicolas Duvauchelle, Alex Descas, Laurent Grevill, Bruno Podalydes, Paul Blain, Claire Tran, Valeria Bruni Tedeschi.

História : Isabelle é uma mulher inteligente e sofisticada a viver em Paris. Divorciada há já vários anos, ela sente que, agora que chegou aos cinquenta anos e encontrou a estabilidade em várias áreas da sua vida, terá chegado o momento de procurar o amor verdadeiro. Porém, entre uma relação e outra, ela dá-se conta do quanto é difícil encontrar alguém que a preencha verdadeiramente.

Comentário : Para terminar os meus comentários deste fim-de-semana, escolhi um filme francês que, apesar de não ser grande coisa, mostra muito e tem muito a ver com a actriz protagonista. Ela é o filme. De facto, Juliette Binoche não precisava de ter entrado num filme como este para provar que é uma excelente actriz, ela não precisa de provar nada a ninguém sobre a arte da representação. Ainda assim, a mulher brilha imenso no papel de Isabelle, tal como o titulo do filme refere. No entanto, a sua personagem não possui brilho nenhum, pelo contrário, ela está sempre em sofrimento e sem conseguir vencer no campo amoroso, eu diria mesmo que se trata de um filme muito deprimente. As personagens são deprimentes, os cenários são tristes, os relacionamentos são voláteis, o clima está desagradável, enfim, tudo está a culminar em algo desolador e deprimente. Até a noite é aqui filmada de modo soturno e pesado.

Apesar de Juliette Binoche ter a melhor prestação do filme, eu adorei rever Gerard Depardieu aqui, sim, ele tem pouco tempo de antena, mas o seu personagem é muito interessante e essencial, tendo a influência necessária na vida da protagonista. O facto da relação da protagonista com a filha não ter sido aprofundada, não lhe deu uma boa imagem e não a favoreceu enquanto mãe. É também um filme muito calmo, nós em momento algum nos sentimos tensos ou aborrecidos, tudo se segue muito bem, graças ao argumento que apesar de simples, foca coisas complexas. Coisas complexas que se traduzem nos comportamentos humanos e nas relações que estabelecemos uns com os outros. Penso ser esse o principal tema deste filme e a realizadora trabalhou isso muito bem e nos facultou uma reflexão sobre o que define o ser humano e toda a sua complexidade. Confesso que me senti muito bem enquanto via este filme. É como eu disse, Juliette Binoche é o filme. 

Mary Shelley

Nome do Filme : “Mary Shelley”
Titulo Inglês : “Mary Shelley”
Titulo Português : “Mary Shelley”
Ano : 2018
Duração : 120 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Haifaa Al-Mansour
Produção : Amy Baer/Ruth Coady
Elenco : Elle Fanning, Maisie Williams, Bel Powley, Douglas Booth, Ben Hardy, Tom Sturridge, Stephen Dillane, Joanne Froggatt, Ciara Charteris, Sarah Lamesch, Jack Hickey, Michael Cloke, Ondra Dorian, Donna Marie Sludds, Hugh O'Conor, Laurence Foster, Owen Richards, Dean Gregory, Andy McKell, Gilbert Johnston, Rasneet Kaur, Ingridi Verardo De Moraes.

História : A relação entre o carismático poeta Percy Shelley e Mary Wollstonecraft, uma linda jovem de 17 anos que viria a se tornar numa aclamada e famosa escritora.

Comentário : Antes de me referir ao filme propriamente dito, queria destacar aqui duas ou três curiosidades. O principal actor masculino deste filme chama-se Douglas Booth, que já havia interpretado um papel semelhante num outro filme de época realizado por Carlo Carlei, onde fez par romântico com a excelente actriz Hailee Steinfeld, que por sua vez é uma grande amiga de Elle Fanning, que é a actriz que desempenha também o par romântico de Douglas Booth neste filme homónimo sobre a escritora Mary Shelley. E eu sou um grande admirador dessas duas lindas raparigas, as considero excelentes actrizes e gostava de as ver juntas num mesmo filme. Mas vamos já a “Mary Shelley”. Antes de mais, quero dizer que esperava bem mais deste filme biográfico, não fiquei desiludido de todo, mas estava a contar com uma fita mais centrada na escritora do titulo, nas suas vivências, experiências e relação com a escrita. Na realidade, a protagonista escreve muito pouco ao longo das quase duas horas de projeção, aliás, a realizadora até chega a focar mais o marido da protagonista, do que ela. 

Claramente que Elle Fanning possui, ainda assim, a melhor prestação do filme. A seu lado, temos uma bastante competente Bel Powley, a sua personagem é igualmente interessante. Elle Fanning e Bel Powley possuem uma eficaz química sempre que contracenam juntas, são duas personagens que funcionam bem. Vi muito pouco de Maisie Williams, outra excelente actriz desta nova vaga, gostaria de ter visto bem mais da sua personagem, também ela interessante. Do lado masculino, o destaque vai claro para o já frisado Douglas Booth, apesar do seu personagem ser alguém odioso, imaturo e irresponsável, ele tem carisma e desenrasca-se bem, mesmo que não convença com a sua súbita mudança de carácter no final do longa. A realizadora foca também que as mulheres sempre foram as mais sacrificadas, e neste caso, a situação era de tal forma injusta, que uma mulher nem tinha o direito de assinar uma obra literária escrita por si, tinha que ser um homem. E veja-se outro exemplo, a situação da personagem vivida pela actriz Bel Powley. Gostei bastante da fotografia, do guarda roupa, da recriação de época e das ambientações, tudo foi cuidadosamente trabalhado pela realizadora. O que se pode entender do filme é que foi a dura vida, o enorme sofrimento e as más e dolorosas experiências vividas por Mary, que a motivaram e a fizeram escrever aquele livro, a miúda transformou em livro aquilo que sentia e que lhe ia na alma, aquilo em que se havia transformado. Eu gostei do filme, mas esperava que fosse uma fita unicamente centrada em Mary Shelley e no seu mundo, ainda assim, é perdoável a divagação da realizadora que optou por nos facultar outros focos e perspectivas.

The Tale

Nome do Filme : “The Tale”
Titulo Inglês : “The Tale”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Drama/Mystery/Crime
Realização : Jennifer Fox
Produção : Jennifer Fox
Elenco : Laura Dern, Isabelle Nélisse, Ellen Burstyn, Elizabeth Debicki, Chelsea Alden, Jason Ritter, Frances Conroy, Isabella Amara, John Heard, Laura Allen, Matthew Rauch, Tina Parker, Jessica Sarah Flaum, Jodi Long, Jaqueline Fleming, Scott Takeda, Gretchen Koerner, Madison David, Dana Healey, Juli Erickson, Grant James, Common.

História : Uma mulher se vê forçada a reexaminar seu primeiro relacionamento amoroso e sexual e as histórias que contou para si mesma com o intuito de sobreviver a seus traumas.

Comentário : Eu estou ainda a tentar assimilar o que acabei de ver, a sério. Este foi um dos filmes que mais me custou a digerir, quem já o viu, facilmente perceberá porquê. As situações que acontecem no filme à personagem principal, interpretada de forma exímia e perfeita pela bonita e talentosa Isabelle Nélisse, sucedem infelizmente na vida real, as pessoas já o deviam saber e não é o primeiro filme que as foca. No entanto, mostrar isso e fazer questão de evidenciar esses acontecimentos, nem todos os filmes têm coragem de fazer. Pessoalmente, eu dispensava bem essas cenas e confesso mesmo que algumas partes do filme me causaram raiva e revolta, pelo facto de eu não poder ajudar e salvar Jenny, sempre que ela sofria qualquer tipo de abuso por parte daquele nojento. O título do filme é alusivo ao facto da protagonista adorar contar e escrever histórias criadas por ela. O filme foca também o quanto irresponsáveis e culpados podem ser certos pais e mães por aquilo que acontece aos seus filhos. O argumento é muito bom e está bem elaborado, a realizadora dá-nos a conhecer aos poucos, e aos poucos vai revelando o que nós queremos e precisamos saber, como se de um conta gotas se tratasse. 

O filme alerta também para o facto do bicho homem ser o pior dos seres. Eu não gostei tanto de ver Laura Dern neste filme, ou melhor, a actriz é excelente e eu adoro vê-la actuar, mas houve algo de errado com a sua personagem que me fez não me sentir à vontade com ela. Possivelmente, porque a sua personagem só se dá conta da gravidade da situação de que foi vítima, no final. Gostei das interpretações de Ellen Burstyn e Elizabeth Debicki, as duas estão aceitáveis. Não gostei dos personagens desempenhados pelos actores Jason Ritter, John Heard e Common, os dois primeiros por serem uns nojentos e o terceiro porque é alguém que não adianta nada à trama. É um filme que me fez pensar e muito, sinceramente, até o poster diz quase tudo. Filmes parecidos com este, assim à memória vem-me “Pretty Baby” de Louis Malle e “Piccole Labbra” de Mimmo Cattarinich, porque são filmes que mostram meninas de treze anos tendo relacionamentos amorosos e sexuais com homens adultos. Ainda assim, tenho que confessar que a realizadora teve muita coragem em dar a conhecer a sua história, uma parte do seu passado e tudo de forma tão dura e crua, sem enfeites. Gostei do filme, pela interpretação da miúda que conseguiu transmitir imenso com a sua personagem e também devido à história em si e, por último, agradeço a Jennifer Fox por ter escolhido o cinema como forma de expressar aquilo que lhe vai na alma. 

Thoroughbreds

Nome do Filme : “Thoroughbreds”
Titulo Inglês : “Thoroughbreds”
Ano : 2017
Duração : 92 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Cory Finley
Produção : Andrew Duncan/Nat Faxon/Jim Rash/Alex Saks/Kevin Walsh
Elenco : Olivia Cooke, Anya Taylor-Joy, Anton Yelchin, Kaili Vernoff, Paul Sparks, Svetlana Orlova, Stephanie Atkinson, Leah Procito, Francie Swift.

História : Duas meninas adolescentes no subúrbio de Connecticut se reconectam numa amizade improvável após muito tempo de separação. No processo, elas aprendem que nenhuma das duas é o que aparenta ser, e que um assassinato pode resolver ambos os seus problemas.

Comentário : Antes de tudo, quero dizer que este filme não é bem aquilo que eu esperava, embora tenha gostado à mesma. Esperava algo mais de terror, esperava um filme de assassinato mais sanguinário e com requintes de malvadez por parte das duas meninas protagonistas. O que vi não foi bem aquilo que eu havia idealizado no início, no entanto, o filme satisfez-me em parte porque fala da psique humana e de como complicados e complexos são os seres humanos. Houve alusão a uma matança de um animal com fotos existentes desse acontecimento, imagens essas que nunca chegam a aparecer ao longo do filme, penso que o realizador fez bem em não as mostrar, porque além delas em nada adiantarem à trama, era de mau gosto dar-lhes destaque. Outra coisa a referir é que este foi um dos últimos filmes da carreira do actor Anton Yelchin (Star Trek), que viria a falecer na vida real. Este filme foi-lhe dedicado, a primeira coisa que aparece nos créditos finais é precisamente a dizer que o filme é em sua memória.

Uma coisa que eu não percebi teve a ver com a questão temporal, embora isso não tivesse comprometido o meu entendimento do filme. Mas isso também pode ter sido apenas uma impressão minha, no entanto, penso mesmo que a questão temporal não foi muito bem trabalhada pelo realizador. O filme tem cinco personagens base, mas o foco surge principalmente em três delas : Amanda, Lily e Tim. Como Tim, Anton Yelchin manda bem nesse seu registo, ele é um criminoso medroso que cometeu um acto horrendo no passado e tem imenso medo de regressar para a cadeia. O actor é bom e termina assim a sua carreira em grande, ainda que pelos motivos mais tristes. No papel de primeira protagonista, Olivia Cooke (Me And Earl And The Dying Girl) tem uma boa prestação, ela convence enquanto rapariga traumatizada e a sua Amanda impressiona pelos piores motivos alusivos à sua personagem. Ainda assim, a moça tem uma forte presença, é bonita e uma boa actriz com um futuro promissor. No papel de Lily, encontramos a rapariga de beleza enigmática, de seu nome Anya Taylor-Joy (The Witch/Split/Glass), uma actriz que já deu que falar pelos melhores motivos no que à arte da representação diz respeito. De facto, aqui, no papel de segunda protagonista, ela tem novamente uma personagem bem peculiar e isenta de normalidade. Tal como aconteceu com Olivia Cooke, também Anya Taylor-Joy possui uma presença forte no ecrã, para além de haverem alguns planos que ajudam a tornar as duas miúdas ainda mais bonitas e sensuais. Já para não falar do facto das duas possuírem uma boa química entre elas. O filme é bom, vê-se bem, mas é como já disse, esperava outro desenvolvimento.