terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Encerramento Definitivo


Boas noites, serve este último post para anunciar o encerramento definitivo deste blogue que muitas alegrias me deu ao longo de sete anos, mas a situação está cada vez mais difícil. Tenho recebido várias ameaças por parte da Google, de que vão encerrar a minha conta e que vão bloquear todo o meu conteúdo do blogue, incluindo fotos e textos, o que eu penso ser uma grande injustiça. Também já me chegou às mãos alegações que afirmam que o meu blogue não é seguro e que possui conteúdo não confiável e duvidoso (!), coisas com que eu me espanto e muito. Se há coisa com que eu me orgulho é com o meu blogue e com o serviço que eu prestei aos poucos cinéfilos que gostam do meu conteúdo que, pode não ser de alta qualidade e constituído de palavras caras como os grandes críticos do meio, mas eu vos asseguro e juro que fiz tudo isto com todo o meu amor e dedicação aos filmes, que é uma das minhas maiores paixões. Fiz tudo isto não só porque gosto, mas também em consideração a quem me lê e leu ao longo de sete longos anos. Eu nunca lucrei 1 cêntimo que fosse com este blogue, nem nunca foi essa a minha intenção, confesso. Volto a dizer, tudo o que fiz foi unicamente escrever sobre aquilo que mais gosto de fazer: ver filmes. E o fiz com toda a minha dedicação e nunca contrariado. Sendo assim, é com imensa tristeza que venho agora anunciar que estou a colocar um ponto final neste meu projecto que muito gosto me deu ao longo de sete anos de filmes. Quero agradecer a todos aqueles que me leram ao longo desses sete anos, destacando estes queridos 8 membros registados que se encontram aqui, que muita coragem e força me deram e que também muito contribuíram para que eu durasse sete anos online. Muito obrigada a todos pelo vosso apoio. Vou deixar aqui o meu contato de email para que me mandem mensagens com perguntas sobre mim ou questões sobre filmes que me queiram colocar, mas não demorem muito, porque os senhores da Google vão fechar-me a conta de Gmail no dia 2 de Abril, segundo o comunicado oficial que recebi em Desembro do ano passado. sergito.angel@gmail.com


Bons filmes e até sempre.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Suspiria

Nome do Filme : “Suspiria”
Titulo Inglês : “Suspiria”
Titulo Português : "Suspiria" 
Ano : 2018
Duração : 150 minutos
Género : Terror/Mystery/Drama
Realização : Luca Guadagnino
Produção : Luca Guadagnino
Elenco : Dakota Johnson, Tilda Swinton, Chloe Grace Moretz, Mia Goth, Malgorzata Bela, Angela Winkler, Vanda Capriolo, Jessica Batut, Elena Fokina, Clementine Houdart, Ingrid Caven, Sylvie Testud, Fabrizia Sacchi, Brigitte Cuvelier, Renee Soutendijk, Christine Leboutte, Vincenza Modica, Marjolaine Uscotti, Sharon Campbell, Elfriede Hock, Iaia Ferri, Gala Moody, Sara Sguotti, Olivia Ancona, Anne Lise Brevers, Halla Thordardottir, Stephanie McMann, Majon Van Der Schot, Maria Bregianni, Josepha Madoki, Navala Niku Chaudhari, Karina El Amrani, Greta Bohacek.

História : Susie Bannion, uma jovem bailarina americana, vai para a prestigiada Markos Tanz Company, em Berlim. Ela chega assim que Patricia desaparece misteriosamente. Tendo um progresso extraordinário, com a orientação de Madame Blanc, Susie acaba fazendo amizade com outra bailarina, Sara, que compartilha com ela todas as suas suspeitas obscuras e ameaçadoras.

Comentário : Vamos falar de “Suspiria”, o novo filme do premiado e conceituado realizador italiano Luca Guadagnino, filme que eu considero muito bom e que vou já explicar a seguir o porquê. Primeiro que tudo, o filme é um remake de uma fita de terror datada de 1977 e realizada por Dario Argento, aliás, não é por acaso que este “remake” tem a sua ação a decorrer nesse mesmo ano. Mas eu não o considero um remake, ele é um filme que trás uma nova visão da história. Guadagnino resolveu fazer algo que fosse em parte uma homenagem à obra original, mas também que fundisse novos elementos com uma nova visão, e penso que ele conseguiu. Pessoalmente, eu prefiro esta nova versão, que além de ser mais cinema, é bem mais realista, bem, pelo menos as primeiras quase duas horas de projeção. O filme tem a sua narrativa dividida em seis capítulos ou actos e um epílogo. As cenas das danças são belíssimas e encantadoras, eu adorei.

O clímax do filme dá-se no final do sexto capítulo, antes do epílogo. Eu confesso que não gostei muito desse clímax, achei-o bem ridículo e problemático, já para não falar dos efeitos visuais que são bem ruins. Em tirando isso, tudo o resto me agradou bastante, as personagens principais (todas mulheres) estão aceitáveis e funcionam, eu gostei de conhecer as suas histórias e maneiras de ser, embora tudo isto fosse pouco revelado. Para quem não gosta do cinema de Lars Von Trier e de Gaspar Noé, este “Suspiria” também não é recomendável, ele é um filme bem fora da caixa, esquisito, com um ritmo bem lento e arrastado, as coisas demoram para acontecer e parece um filme filmado na década de 1970. Nas actuações, o grande destaque vai logicamente para Dakota Johnson que consegue finalmente provar que não é nenhuma sonsa, ela possui aqui a melhor interpretação da sua ainda curta carreira, eu adorei a sua personagem. A Tilda Swinton desempenha aqui três personagens, se eu não soubesse quais são, nunca suspeitaria que o velho era ela. Gostei de ter revisto Mia Goth, a sua personagem é boa, embora não se perceba a mudança dela a meio do longa. No fundo, é um filme que me agradou muito, isto é o cinema que se quer e que se pede.


Unicórnio

Nome do Filme : “Unicórnio”
Titulo Inglês : “Unicorn”
Titulo Português : “Unicórnio”
Ano : 2017
Duração : 122 minutos
Género : Drama
Realização : Eduardo Nunes
Produção : Izabella Faya/Fernanda Reznik
Elenco : Bárbara Luz, Patricia Pillar, Zé Carlos Machado, Lee Taylor, Inês Peixoto.

História : O pai de Maria deixa sua casa e a menina e sua mãe voltam ao quotidiano, esperando que ele regresse. Porém, o destino das duas se cruza com um criador de cabras que vive na região e elas vivem as suas vidas.

Comentário : Antes de mais, quero aqui dizer que gosto muito mais de cinema brasileiro do que do cinema português, embora aprecie os dois. Infelizmente, não tive a oportunidade de ver o primeiro filme do realizador, “Sudoeste”, que muitos elogios recebeu. Mas após ter visto este seu segundo filme, tenho que confessar ter ficado admirador da maneira como ele filma e faz os seus filmes. Calculo que o primeiro também seja assim: cinema contemplativo, belíssimas imagens daquelas que apetece imprimir e colocar na parede, poucos diálogos, camara fechada no rosto da protagonista, planos muito bem elaborados, uma fotografia que faz um bom uso da cor, uma banda sonora adornada de melodias hipnotizantes e melosas, muito sentimento à mistura, lindas locações e muito realismo. E eu confesso que gosto imenso de todos estes ingredientes num filme, e sendo então num filme falado na minha língua, a coisa não podia ser melhor. O filme é contemplativo e muito sensorial, não aconselhável para todos, não é toda a gente que aprecia este tipo de cinema, eu gostei bastante. E a cereja no topo do bolo é Bárbara Luz, esta jovem actriz consegue aqui ser a verdadeira estrela do filme, ela carrega-o praticamente todo nos ombros, a sua prestação é graciosa e extremamente realista, mais não se podia pedir dela. É um filme que nos transmite ainda uma enorme sensação de liberdade, por vezes, parece que estamos lá, junto de Maria. Ficando atento aos futuros filmes deste director, mal posso esperar para ver o seu primeiro trabalho.

Becoming Astrid

Nome do Filme : “Unga Astrid”
Titulo Inglês : “Becoming Astrid”
Titulo Português : “Tornando-se Astrid”
Ano : 2018
Duração : 123 minutos
Género : Biográfico/Drama/Romance
Realização : Pernille Fischer Christensen
Produção : Anna Anthony/Maria Dahlin/Lars Lindstrom
Elenco : Alba August, Trine Dyrholm, Maria Bonnevie, Magnus Krepper, Bjorn Gustafsson, Henrik Rafaelsen, Sofia Karemyr, Lars Varinger, Liv LeMoyne, Mira Mitchell, Benjamin Dybre Arnholtz, Maria Alm Norell, Li Bradhe, Marlon Mitchell, Willy Ramnek Petri, Tuva Berglund, Emilie Stromberg, Maria Fahl-Vikander.

História : A vida e o passado de Astrid Lindgren, que se viria a tornar numa das mais importantes e conceituadas escritoras de livros para crianças.

Comentário : Às vezes, eu ponho-me a pensar que ao longo da História da Humanidade, foram cometidas imensas injustiças sob pessoas inocentes e desfavorecidas, e só de chegar à triste conclusão que o número de males é bem superior ao número de acontecimentos bons, até me dá um nó na garganta. Hoje vi este filme sueco que confesso ter adorado, em que quase me chegaram as lágrimas aos olhos. Este filme é daqueles casos em que nos chocamos pelas situações que envolvem um personagem principal ou, neste caso, uma jovem protagonista, toda ela envolta em grande sofrimento e muitas mágoas em períodos muito críticos da sua vida. Confesso que já conhecia a existência desta famosa escritora, apesar de nunca ter lido um único livro dela, nunca fui muito de livros. E foi com grande interesse e satisfação que segui esta narrativa ao longo de duas sábias horas, que representaram muito para mim. É sempre bom adquirirmos conhecimento e ficarmos a saber de coisas novas, de vivências por nós desconhecidas e até de histórias maravilhosas e outras não tão encantadoras assim. Todo o conhecimento é uma dádiva e só temos que ficar agradecidos por isso. Pena foi que o filme foca muito pouco da componente profissional da protagonista e na maneira como ela se tornou na famosa e conceituada escritora que é, optando antes por falar da sua vida pessoal e de acontecimentos que estão relacionados com os seus primeiros anos enquanto mulher adulta. A interpretação da jovem actriz Alba August é excelente, me tocou bastante a sua personagem, ela é um poço de sentimentos e de sensibilidade. Um filme tocante e muito humano, adorei.

The Wife

Nome do Filme : “The Wife”
Titulo Inglês : “The Wife”
Titulo Português : “A Esposa”
Ano : 2017
Duração : 99 minutos
Género : Drama
Realização : Bjorn Runge
Produção : Claudia Bluemhuber/Jo Bamford/Rosalie Swedlin/Meta Louise F. Sorensen
Elenco : Glenn Close, Jonathan Pryce, Alix Wilton Regan, Max Irons, Christian Slater, Harry Lloyd, Annie Starke, Karin Franz Korlof.

História : No começo dos anos 90, um casal viaja para Estocolmo para ele receber o Prémio Nobel da Literatura, o que leva ela a uma profunda contemplação sobre as escolhas que fez.

Comentário : Mais um filme do óscar que eu vi, este agradou-me bastante. É um filme adaptado de um livro, mas podia bem ser também baseado em acontecimentos reais ou mesmo biográfico, existem pelo mundo fora muitos casos destes, seja em que área for. Eu não conheço o livro em que o filme se baseia, mas sinceramente, penso que por aquilo que a fita mostra, a autora não deve nutrir um pingo de amor pela sua protagonista, o seu final é a prova mais cabal disso mesmo. O filme tem flashbacks que simplesmente não funcionam, para além de nada servirem, são expositivos demais. Aquilo que o filme mostra da narrativa principal já é suficiente para percebermos tudo. A Glenn Close é a alma deste filme, se ela levar o óscar é justíssimo. Alguns planos dizem muito do estado de espírito e mesmo daquilo que a protagonista pensa, a camara foi amiga dela, portanto. O Jonathan Pryce convence no papel de marido ingrato, tem alguns diálogos dele que nos dão imensa raiva, mas isso é bom sinal neste caso, prova que o actor fez um bom trabalho. Não gostei do personagem levado a cabo pelo Max Irons, eu não comprei a personalidade dele. E o Christian Slater está simplesmente aceitável. O realizador ainda soma pontos pelo facto de conseguir fazer crer que eles são realmente um casal de décadas, a sequência de abertura por si só, é a montra disso mesmo. Dois últimos reparos: eu achei esta história bem interessante e adorei a personagem da fotógrafa.

What They Had

Nome do Filme : “What They Had”
Titulo Inglês : “What They Had”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Drama
Realização : Elizabeth Chomko
Produção : Alex Saks/Ron Yerxa/S. F./B. H./K. K./Tyler Jackson/Albert Berger
Elenco : Hilary Swank, Blythe Danner, Taissa Farmiga, Michael Shannon, Robert Forster, Josh Lucas.

História : Junto com a filha adolescente Emma, Bridget precisa viajar de volta para a casa da sua mãe Ruth, após ela acordar de madrugada e sair caminhando por uma tempestade de neve devido à doença. No retorno a sua casa, Bridget precisa lidar com o teimoso pai e o irmão, enquanto discutem sobre colocar Ruth em um lar ou não.

Comentário : É sempre bom assistir a um filme protagonizado pela talentosa Hilary Swank, que fica sempre bem nos seus papéis. Sendo este um drama familiar baseado em acontecimentos reais, o papel não lhe poderia acentar melhor. Desta feita, ela interpreta uma mulher que é casada e mãe de duas filhas adultas, que se vê a regressar à casa dos pais para ajudar o irmão a cuidar de uma mãe com demência. O argumento é bem escrito e desenvolve-se bem ao longo de hora e meia, com recurso a imagens de época da família retratada no longa. A carga dramática surge bem acentuada e está presente nos momentos certos. A química entre os cinco personagens centrais funciona e é sentida por quem os vê a viver as suas vidas e a tomarem as suas decisões. O filme passa bem a mensagem da importância da família e das memórias na vida das pessoas. A Hilary Swank vai muito bem neste seu registo, é um deleite vê-la representar uma mulher sensível e muito humana, mesmo sabendo que ela já fez bem melhor. A Blythe Danner consegue aqui mais uma das suas brilhantes prestações, ela é uma verdadeira senhora da representação, eu adorei a sua personagem aqui. O Michael Shannon está ok, ele tanto demonstra a sua preocupação face aos problemas dos pais, como também insiste na decisão de deles se livrar. O Robert Forster manda bem no papel de homem duro e marido cuidadoso, eu gostei igualmente do seu Burt, sendo muito bonito e gratificante ver o trabalho que o actor veterano fez aqui com Blythe Danner. E a Taissa Farmiga brilha mais uma vez, ainda que num registo mais apagado, e mesmo ela tendo ainda assim os seus momentos dentro do filme. A cena em que a filha deixa a mãe no lar dá um aperto no coração, enfim, é a vida.

Boy Erased

Nome do Filme : “Boy Erased”
Titulo Inglês : “Boy Erased”
Ano : 2018
Duração : 115 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Joel Edgerton
Produção : Joel Edgerton/Steve Golin/Kerry Kohansky Roberts
Elenco : Lucas Hedges, Nicole Kidman, Russell Crowe, Madelyn Cline, Victor McCay, David Joseph Craig, Troye Sivan, Emily Hinkler, Devin Michael, Matt Burke, Lindsey Moser, Jesse LaTourette, Britton Sear, David Ditmore, William Ngo, Xavier Dolan, Tim Ware, Theodore Pellerin, Joe Alwyn, Paige Henry, Cherry Jones, Joel Edgerton, Flea.

História : O jovem Jared de apenas 19 anos mora numa pequena cidade conservadora do Arkansas. Ele é gay e filho de um pastor da igreja. Chega um momento em que ele é confrontado pela família, ou arrisca perder os seus familiares e amigos ou entra num programa de terapia que busca a cura da homossexualidade.

Comentário : Eu já disse em outros comentários que não gosto de filmes que nos atiram à cara a religião e este filme não o fez, pelo contrário, ele usou a religião como meio não só de a auto criticar mas também de a condenar por ser algo que lida mal com a diferença, afinal, essas doutrinas condenam a homossexualidade, que é o assunto principal deste longa. Este filme é biográfico, ele conta-nos e mostra a vida de um homem que foi muito prejudicado no início da sua existência, apenas por ser gay, ao ponto das suas preferências sexuais serem tidas como uma doença grave. O filme faz também referência àquelas falsas instituições que alegam possuir a cura para essa situação, sujeitando os rapazes a práticas estúpidas. E se nem os pais desses jovens parecem querer ajudá-los e ficar do lado deles, então eles não têm mais ninguém, levando-os por vezes a tomar atitudes desesperadas. Não é o primeiro filme realizado pelo actor Joel Edgerton, este é já o seu segundo longa-metragem, tão bom quanto o primeiro, pelos vistos. Já gostava dele enquanto actor, pelo que terei mais atenção em relação à sua faceta atrás das camaras. O Lucas Hedges tem aqui uma grande interpretação, de facto, o filme pertence-lhe, é ele a cabeça de cartaz, eu adorei o seu personagem e quando soube que ele representava alguém real, ainda fiquei a gostar mais do seu Jared. O filme prova também que não é preciso mostrar-se grandes cenas de sexo e nem torná-lo explícito, para fazer um bom filme que aborde essa temática. É um filme simples a trabalhar temas fortes, mas poderoso nas mensagens que transmite. Tem uma sequência que envolve uma conversa final entre pai e filho que são os melhores momentos do filme. No fundo, um filme libertador de mentes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Climax

Nome do Filme : “Climax”
Titulo Inglês : “Climax”
Titulo Português : “Clímax”
Ano : 2018
Duração : 96 minutos
Género : Drama/Terror/Musical
Realização : Gaspar Noé
Produção : Brahim Chioua/Richard Grandpierre/Vincent Maraval/Edouard Weil
Elenco : Sofia Boutella, Souheila Yacoub, Giselle Palmer, Thea Carla Schott, Sharleen Temple, Lea Vlamos, Alaia Alsafir, Romain Guillermic, Kiddy Smile, Claude Emmanuelle Gajan Maull, Taylor Kastle, Kendall Mugler, Lakdhar Dridi, Adrien Sissoko, Mamadou Bathily, Alou Sidibe, Ashley Biscette, Mounia Nassangar, Tiphanie Au, Alexandre Moreau, Strauss Serpent, Vince Galliot Cumant, Sarah Belala, Naab.

História : Nos anos 90, um grupo de dançarinos urbanos se reúnem num isolado internato, localizado no coração de uma floresta, para um importante ensaio. Ao fazerem uma última festa de comemoração, eles notam o ambiente a mudar e percebem que foram drogados através da sangria quando uma estranha loucura toma conta deles. Sem saberem o porquê ou por quem, os jovens mergulham num turbilhão de paranóia e psicose. Enquanto para uns, parece o paraíso, para outros parece uma verdadeira descida ao inferno.

Comentário : E para encerrar este mês no que aos comentários diz respeito, nada melhor do que um filme bem fora da caixa. Tal como o polémico Lars Von Trier, o também director Gaspar Noé, gosta de fazer filmes polémicos, provocativos, diferentes e chocantes, e eu gosto bastante dos filmes destes dois realizadores. Mas falando de Gaspar Noé, ele tem o hábito de inovar aquilo que mostra de filme para filme e em “Climax”, isso não foi diferente. Os filmes “I Stand Alone”, “Irreversível”, “Enter The Void” e “Love”, eles não são filmes normais, pelo contrário, são obras muito diferentes de tudo aquilo que estamos acostumados a ver e em cada um deles, Gaspar Noé coloca algo que os diferencia, ao mesmo tempo que os caracteriza. No caso de “Climax”, para além de ter abraçado o género musical, o director meteu uma criança pequena no meio de toda a confusão, e vale dizer que é claro que temos aqui violência contra menores. Para além de não ser fácil vermos um menino de aproximadamente uns oito anos de idade a presenciar as loucuras dos adultos que o rodeiam. Talvez de todos os cinco filmes do director aqui mencionados, “Climax” seja aquele que tem menos impacto, afinal ele tem vários números de dança, muitas conversas e diálogos entre os intervenientes e mesmo muitas cenas solo. Em tirando Sofia Boutella, o filme não tem actores, são todos amadores e excelentes dançarinos. O tema do sexo é novamente abordado e mostrado aqui, o realizador deve ter no sexo o seu principal fetiche, sendo quase uma pancada. Existe também imensa gritaria ao longo dos noventa minutos. O filme tem uma cena pós-créditos e estes surgem a seguir a ela, sendo que tudo aparece no início do longa e não no final como seria normal, mas o realizador já fez isso em outros trabalhos. No fundo, é um filme diferente de tudo aquilo que eu vi até hoje e olhem que eu já vi muita coisa em filmes.

Vice

Nome do Filme : “Vice”
Titulo Inglês : “Vice”
Ano : 2018
Duração : 131 minutos
Género : Biográfico/Histórico
Realização : Adam McKay
Produção : Adam McKay/Megan Ellison/Will Ferrell/Brad Pitt/J.K./K.M./Dede Gardner
Elenco : Christian Bale, Amy Adams, Alison Pill, Sam Rockwell, Steve Carell, Eddie Marsan, LisaGay Hamilton, Jesse Plemons, Bill Camp, Lily Rabe, Tyler Perry.

História : A história de Dick Cheney, o vice-presidente mais poderoso da história, e como as suas políticas mudaram o mundo.

Comentário : E pronto, com este filme, já vi todos os oito nomeados para a categoria de melhor filme. Confesso não gostar de filmes políticos, nem de filmes que falem de política, como foi o caso deste “Vice”. Na verdade, eu não me interesso minimamente pelas altas figuras dos Estados Unidos da América e nunca me interessei, só vi este filme porque ele estava nomeado. Claro que apanhei uma das maiores secas da minha vida. O Christian Bale está irreconhecível neste papel, tendo uma excelente prestação. O Sam Rockwell também está brutal no papel de Bush, por vezes, ele fica muito parecido com o antigo presidente. E a Amy Adams, mais uma vez, nos encanta com outra das grandes interpretações da sua carreira, ela é uma excelente actriz. Em tirando estas três grandiosas prestações, eu não encontrei mais nada de interessante neste filme, e muito menos, vejo razão para estar nomeado para melhor filme do ano, só se for para engrandecer e elevar o ego dos americanos. Porque o filme em si, é um enorme pastelão, uma das minhas piores experiências cinematográficas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Love Sonia

Nome do Filme : “Love Sonia”
Titulo Inglês : “Love Sonia”
Ano : 2018
Duração : 123 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Tabrez Noorani
Produção : Tabrez Noorani/David Womark
Elenco : Mrunal Thakur, Richa Chadha, Freida Pinto, Manoj Bajpayee, Adil Hussain, Anupam Kher, Rajkummar Rao, Sai Tamhankar, Riya Sisodiya, Abhishek Bharate, Nikhil Raj Nikz, Sunny Pawar, Kiran Khoje, Barbie Rajput, Mark Duplass.

História : Na India, uma adolescente tenta encontrar a sua irmã que foi sequestrada e vendida, mergulhando gradualmente no assustador mundo da prostituição e do tráfico humano.

Comentário : Assim que me lembre, este é o segundo filme indiano que venho aqui comentar, creio que o primeiro se chamava “Tara” e se me recordo, havia gostado bastante desse filme. Confesso também que senti muita raiva enquanto estava a ver este “Love Sonia” e que a última vez que isso aconteceu comigo foi quando vi o filme “A Bela e os Cães”, um excelente filme dramático. E a razão dessa raiva toda tem muito a ver não só devido às injustiças que acontecem sistematicamente com a protagonista, mas também por causa das atitudes de certas personagens. É impressionante vermos como um filme mostra até que ponto vai a maldade dos homens, sim, a maioria dos homens que aqui vemos são bem nojentos e desumanos. E estes personagens masculinos servem de exemplo para vermos que a maioria dos homens não presta quando se fala da maneira de tratar e lidar com as mulheres dos seus respectivos países, neste caso, é a Índia, mas estas situações podem-se verificar em todos os países do mundo.

Devido à natureza dos assuntos aqui mostrados e retratados, é impossível não ficarmos quase sempre do lado da protagonista. Pessoalmente, eu apenas não concordei com uma determinada atitude dela. E ainda bem que, em contraponto, existem pessoas que se preocupam com estas mulheres e que trabalham no sentido de as salvarem, mas infelizmente, muitas morrem e outras nunca chegam a aparecer. Qualquer pessoa que seja minimamente humana nos sentimentos, fica do lado destas raparigas contra os nojentos destes homens. O próprio pai da protagonista, é um escroto completo. Apesar do filme ser baseado numa história em particular, ele é seguramente adaptado de milhares de outras histórias por esse globo fora. Houve uma situação em particular que eu não entendi muito bem e ainda bem. Mrunal Thakur, a actriz que desempenha a miúda protagonista, está excelente no seu papel de denúncia. A Freida Pinto não está a fazer rigorosamente nada no filme e o Mark Duplass cumpre bem o papel de um dos nojentos de serviço. “Love Sonia” é um filme que desempenha bem o propósito de mostrar que o mundo está podre, que os homens não prestam, e é uma fita que devia ser vista, debatida e estudada por muita boa gente.

How To Train Your Dragon: The Hidden World

Ainda neste novo quadro de comentários a filmes de animação que começou com “Moana” e “Spider-Man: Into The Spider-Verse”, e logo a seguir a “Dragon Ball Super: Broly”, venho comentar agora o filme que encerra uma trilogia muito especial de que eu gosto bastante. Só o facto desta animação não ser da Disney e nem da Pixar, já é muito bom. Devo já dizer que adorei o primeiro e o segundo filme, não só por terem histórias muito interessantes como também pelo facto da qualidade da animação ser do melhor que há, mesmo em 2D. E o mesmo se passa neste terceiro filme, tudo se mantém. Eu adorei este terceiro filme que encerra a trilogia da maneira que merecíamos. A única coisa que eu não gostei neste filme foi do vilão, ele é genérico e tem a mesma retórica que o pai do protagonista tinha que era a questão de detestar os dragões e condenar a relação e o convívio destes com os humanos, nesse aspecto penso que houve um retrocesso na saga, nós já tínhamos ultrapassado esse patamar no final do primeiro filme. Em tirando este factor, o filme é magnífico, tal como os dois primeiros. Eu até tolero o humor presente nestes três filmes, afinal, trata-se de animação, um género em que tudo é possível. Gostei de rever todas as personagens, principalmente o Hiccup, a Valka, a Astrid, o Toothless e mesmo o Stoick, que nos aparece em flashback, em cenas muito ternurentas. E depois, temos a melhor aquisição deste terceiro filme, que é a fêmea Day Fury, que é linda. Aliás, aquilo que eu mais gostei neste terceiro filme foram duas coisas: novamente a relação entre Hiccup e Toothless, e os momentos entre o Night Fury e a sua amiga nova, a Day Fury. Também vibrei com as novidades do tal “Mundo Escondido”, adornado de imagens belíssimas. Toda a componente visual dos três filmes desta trilogia é riquíssima, metendo no chinelo as animações da Disney e da Pixar, perdoem-me os fanáticos destes dois estúdios. Confesso nunca ter visto a série, quem tem estes três filmes, tem tudo sobre este maravilhoso mundo. Em tirando os filmes de anime japoneses, as três partes de “How To Train Your Dragon” são os meus filmes de animação preferidos, retiram-se grandes mensagens deles. Já estou com saudades. Excelente trilogia, excelente cinema de animação.



Where Hands Touch

Nome do Filme : “Where Hands Touch”
Titulo Inglês : “Where Hands Touch”
Ano : 2018
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Histórico/Romance
Realização : Amma Asante
Produção : Charlie Hanson
Elenco : Amandla Stenberg, George MacKay, Abbie Cornish, Olivia Vinall, Christopher Eccleston, Tom Goodman Hill, Alec Newman, Will Attenborough, Lucy Russell, Tom Sweet, Tim Faraday, Hermione Gulliford, Allard Geerlings, Ethan Rouse, Cedric Tylleman, Georgina Oates, Fleur Van Ooij, Daniel Weyman, Madelief Schram.

História : Leyna é uma adolescente filha de uma mãe branca alemã e um pai negro. Morando na Alemanha de 1944, ela vive em constante medo por conta da sua cor de pele. Quando ela conhece Lutz, o filho de um oficial da SS e membro da Juventude Hitleriana, os dois acabam por se apaixonar perdidamente, colocando as suas vidas em risco.

Comentário : Mais uma vez eu não entendo as fracas classificações de um filme nos sites da especialidade, tudo porque este belíssimo filme de época é muito bom e é detentor de mensagens bem relevantes. É também um filme muito triste, a própria história é muito triste, e a forma como nos é contada e mostrada, faz-nos ficar a torcer o tempo todo pela vida do casal protagonista, mas já lá vamos. Outra coisa positiva que o filme tem é a fantástica recriação de época e as ambientações, tudo muito bem trabalhado, nos facultando uma visão bem realista daquilo que se passou de verdade há cerca de 70 anos atrás. Fruto de um argumento bem escrito e baseado em factos históricos, o filme consegue ainda o feito de nos manter colados na cadeira à medida que as coisas vão acontecendo diante dos nossos olhos, existindo aqui cenas muito bonitas e pelo menos três sequências bem marcantes. Eu falo por mim, o filme tem duas horas de duração, mas como eu estava tão concentrado nele, tudo passou muito rápido, na verdade, pareceu-me que apenas durou uma meia hora, o tempo passou voando. E quando essa sensação nos acontece, sempre assistimos a um filme, é porque o filme é muito bom. A fita serve também para vermos, para quem ainda não sabe claro, como as coisas se passavam naquela altura, naquele que é considerado por muitos como sendo o período mais negro da história da humanidade. Voltando agora ao casal protagonista, as coisas não podiam ter corrido melhor. A Amandla Stenberg e o George MacKay estão excelentes nos seus papéis, além da química entre os dois existir e funcionar, eles possuem as melhores interpretações das suas ainda curtas carreiras, não deve ter sido nada fácil para ambos representarem e viverem estes personagens. Por último, resta-me dizer que lamento a morte de um personagem e, em contraponto, lamento também que outros dois tivessem sobrevivido, tornando o final inverossímil.

Ashes In The Snow

Nome do Filme : “Ashes In The Snow”
Titulo Inglês : “Ashes In The Snow”
Ano : 2018
Duração : 101 minutos
Género : Drama/Histórico/Romance
Realização : Marius A. Markevicius
Produção : Marius A. Markevicius/Zilvinas Naujokas/Prithvi Chavan/Chris Coen
Elenco : Bel Powley, Sophie Cookson, Martin Wallstrom, Jonah Hauer King, Lisa Loven Kongsli, Peter Franzen, Nadja Bobyleva, Ieva Andrejevaite, Aiste Dirziute, Tom Sweet, Dolya Gavanski, Timothy Innes, Sam Hazeldine, Sarah Finigan, Inga Maskarina.

História : Em 1941, uma aspirante a artista e a sua família são deportados para a Sibéria, onde são obrigados a travar uma violenta e decisiva luta pela sobrevivência.

Comentário : Numa altura em que eu já era para estar saturado de filmes de guerra e de fitas sobre o Holocausto ou sobre regimes ditatoriais, eis que isso não é verdade, porque afinal cada filme é único e nenhum é igual ao outro. Depois de ter visto o trailer, aquilo que mais me chamou a atenção foi a presença da bonita e talentosa Bel Powley, uma actriz que eu gosto bastante. E não podia estar mais correcto, penso que esta é a melhor interpretação da sua ainda curta carreira. E a sua personagem é simplesmente adorável, é impossível não ficarmos o tempo todo do seu lado e a torcer para que tudo dê certo para ela. A relação dela com os três elementos da família é eficaz, por vezes, parece realmente que são uma família. É um filme muito dramático e quando alguém tem que morrer, morre mesmo, sem artifícios. O filme possui uma componente histórica muito forte, a recriação de época é boa e o figurino convence, em grande parte do longa, nos sentimos realmente naquela época. A relação de amor entre a protagonista e um rapaz do campo convence também, chegando mesmo a ser tocante sem mostrar muita coisa. Há uma cena entre a personagem principal e um soldado graduado que está relacionada com um desenho, que se pode considerar como sendo a melhor da fita. O filme tem imagens lindas e bonitas paisagens, principalmente a partir do momento em que os deportados chegam à Sibéria. Os vilões funcionam enquanto tal. Apesar da realização estar muito boa, nota-se que se tivesse havido um orçamento mais arrojado, talvez o resultado final fosse muito melhor. Em relação ao final do filme, eu confesso que gostava imenso de ter visto as cortinas fecharem com a protagonista a ingressar na tal academia para a qual fora admitida.

Soni

Nome do Filme : “Soni”
Titulo Inglês : “Soni”
Ano : 2018
Duração : 97 minutos
Género : Drama
Realização : Ivan Ayr
Produção : Kimsi Singh
Elenco : Geetika Vidya Ohlyan, Saloni Batra, Vikas Shukla, Mohit Chauhan, Gauri Chakraborty, Mohinder Gujral, Upasya Goswami, Simrat Kaur, Dimple Kaur, Prateek Pachori, Himanshu Kohli, Punit Tiwari, Kalpana Jha, Samar.

História : Soni, uma jovem e promissora agente policial de Deli, tem se destacado na corporação por combater uma grande quantidade de crimes contra mulheres, que aumentam cada vez mais na Índia, o seu país. Ela conta sempre com o apoio da sua superior, Kalpana, mas quando Soni é transferida por supostas alegações de má conduta, a aliança das duas começa a sofrer vários riscos que podem colocar muito mais em risco do que elas imaginam.

Comentário : Mais um filme indiano que tive a sorte de ver, mas este não é tão bom quanto “Love Sonia”, sendo ainda assim, um bom filme. O filme retrata uma realidade que eu desconhecia, nem nos meus sonhos mais loucos eu sonhava que num país como a Índia, os homens permitem que mulheres sejam policias, foi uma enorme surpresa para mim. Uma surpresa bastante positiva portanto. A história do filme é bem interessante e cativa acompanharmos a rotina da protagonista, ela é uma mulher bem independente e aparentemente livre num mundo dominado por homens. Ao contrário da maioria das mulheres indianas, Soni não ambiciona ter um homem e muito menos casar e ter filhos, para ela, a vida que tem chega-lhe na perfeição, ela não deseja mais nada a não ser tornar-se numa excelente agente da autoridade para ajudar os indefesos a se livrarem dos criminosos, enfim, levar a sua vida na boa. Mas não é fácil, a mentalidade dos indianos não é aberta e o facto de uma mulher mandar neles e representar uma autoridade a quem eles devem obedecer e ter respeito, é algo muito à frente para aquelas cabeças. As interpretações são muito boas, com destaque para a jovem actriz que desempenha a protagonista, a Soni do título. Nota-se claramente que o filme foi feito com poucos recursos, sendo uma espécie de filme independente indiano, o que se verifica mais nas cenas que decorrem à noite ou em ambientes escuros. A fotografia não é tão boa, ainda assim, o filme está muito bem filmado. É uma fita onde podemos ver como funciona a mentalidade do indiano, seja homem ou mulher. Um filme que se dispõe a mostrar-nos uma realidade alheia a muitos.

The Old Man & The Gun

Nome do Filme : “The Old Man & The Gun”
Titulo Inglês : “The Old Man & The Gun”
Titulo Português : “O Cavalheiro Com Arma”
Ano : 2018
Duração : 93 minutos
Género : Biográfico/Drama/Crime/Ação
Realização : David Lowery
Produção : Robert Redford
Elenco : Robert Redford, Sissy Spacek, Casey Affleck, Danny Glover, Tom Waits, Tika Sumpter, Ari Elizabeth Johnson, Teagan Johnson, Gene Jones, John David Washington, Barlow Jacobs, Augustine Frizzell, Jennifer Joplin, Isiah Whitlock Jr, Patrick Newall, Daniel Britt, Leah Roberts, Elisabeth Moss, Alphaeus Green Jr, Keith Carradine.

História : Em 1979, quando já estava na casa dos 70 anos, Forrest Tucker, criminoso desde novo, fugiu da prisão de San Quentin, na Califórnia, e reiniciou uma série de assaltos, na sua maioria a bancos. Charmoso, tornou-se famoso pelo facto de ter dedicado sessenta anos da sua vida ao crime, pela forma como o praticava e, sobretudo, pela sua gentileza.

Comentário : Cá está a segunda grande surpresa deste ano que ainda agora começou. Depois das meninas dos skates, agora surgiu-me um verdadeiro senhor que passou sessenta dos seus 84 anos de vida a roubar, sem ter disparado um único tiro no processo, nem ferido ninguém. Li algures que é com este filme de apenas noventa minutos que o grande Robert Redford pretende despedir-se da sua carreira de actor no cinema. O filme em causa é uma biografia de Forrest Tucker, alguém que existiu de verdade e Robert Redford está excelente neste papel, sem dúvidas, um dos seus melhores personagens. Habituado ao cinema independente, o realizador David Lowery prova com este seu novo filme que não são precisos grandiosos efeitos especiais, nem grandes perseguições e tiroteios e muito menos explosões e acidentes para se fazer um bom filme de ação. Basta para isso, usar poucos recursos, um orçamento reduzido, adaptar uma história real e contratar um dos melhores actores de sempre. Eu não estou a exagerar, eu me diverti imenso a ver este filme, ele causou-me alguma tensão em um ou dois momentos, a cena do encontro entre o criminoso e o polícia no café e de seguida no WC foi a melhor do longa. Como é lógico, o Robert Redford possui aqui não só mais uma excelente prestação como também a melhor do filme. Sissy Spacek, também ela uma senhora, encanta com a sua personagem, embora tivesse havido uma atitude dela que eu não entendi. O Casey Affleck está impecável no papel do polícia que anda na cola do famoso ladrão, a vestimenta fica-lhe realmente muito bem. Um grande filme com um excelente actor como protagonista e interpretando uma figura real e famosa. Adorei.

Dragon Ball Super: Broly

Voltando assim ao quadro de comentários a filmes de animação, hoje vou comentar dois filmes e este é o primeiro. Antes de mais, tenho que dizer que quando era mais novo, adorava as séries “Dragon Ball” e “Dragon Ball Z”. Nunca gostei dos filmes porque não eram canônicos, apesar de ter ido ver dois ao cinema naquela altura. Detestei a série “Dragon Ball GT”. No ano passado, não liguei muito à nova série – Dragon Ball Super – pelo que apenas segui a fase do Torneio do Poder. Penso que a magia se perdeu depois dos últimos episódios de “Dragon Ball Z”, pelo que gostei bastante da fase do Freeza e da fase do Majin Boo. Não vi os dois filmes alusivos a “Dragon Ball Super”, mas ouvi dizer que são muito fracos. Aquilo que mais me chateia nisto tudo é o facto de que as coisas deviam ter terminado em “Dragon Ball Z”. A situação chegou ao ridículo dos sayajins agora terem transformações para vermelho, azul e até rosa, já não sabem o que inventar mais, só falta terem o cabelo às cores. Mas eu até gostei do novo nível do Goku – Instinto Superior. E agora sabe-se que pretendem dar seguimento à série “Dragon Ball Super”, inventando a Patrulha, o rapto de Majin Boo para fins desconhecidos, o ser mágico e maligno Moro e quem sabe a inserção do criador de tudo, Zalama que seria ainda mais poderoso do que Daishinkan e Zeno. Já para não falar da mini-série “Dragon Ball Super Heroes”, que considero uma nulidade, desnecessária e uma perda de tempo.

Eu não estava muito vocacionado para ver este novo filme, que todos diziam ser o melhor dos vinte filmes. Mesmo porque não sou grande admirador de “Dragon Ball Super”, mas como sempre gostei deste anime, decidi embarcar também nesta aventura. Primeiro que tudo, eu não considero “Dragon Ball Super: Broly” um filme, sim, é antes uma fusão de dois grandes episódios de 45 minutos cada. O primeiro conta a história e o passado de Goku, Vegeta, Broly e Freeza e todas as suas implicações, e este eu confesso ter adorado, porque nos é contada e mostrada como algo dramático e muito interessante, e eu vou mais longe, achando que estes 45 minutos deviam ter aparecido no início da série “Dragon Ball” para depois avançar para toda a história e aventuras de Goku na Terra, até chegar à fase do Raditz, que se situa no início de “Dragon Ball Z”, isso seria perfeito. Seguindo a minha teoria, este primeiro longo capítulo do filme é bastante cativante e eu adorei ver todo ele. Já o segundo suposto longo capítulo do filme, ele tem início na actualidade, logo a seguir ao último episódio da nova série “Dragon Ball Super”.

No entanto e é aqui que começam os verdadeiros problemas, o filme descamba e o que temos são longos 40 minutos de sequências de porrada da grossa. Eu como gosto do estilo deste anime, gostei, mas sejamos sinceros, é uma autêntica javardice. Algumas cenas de ação são espectaculares demais, grande parte das cenas de luta são confusas e às vezes não se percebe muito bem o que se passa diante dos nossos olhos. O filme peca também por não dar a devida atenção e mesmo o que fazer a todas as personagens secundárias, como Bulma, Whis, Piccolo, Bills, Goten ou Trunks. Por exemplo, Gohan, que é um dos mais poderosos, nem luta. Poucos guerreiros Z ajudam na luta. A banda sonora é uma porcaria, prefiro largamente as melodias de “Dragon Ball Z”. Apesar disso, adorei ver o Freeza e o Gogeta neste filme e a qualidade da animação é a melhor que alguma vez apareceu seja nas três séries ou nos 20 filmes. Também gostei do Broly, finalmente, fizeram o personagem como deve de ser. Só ficaram a faltar o Jiren e o Instinto Superior no Gogeta, talvez os usem na fase do Moro. Bom filme.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Glass

Nome do Filme : “Glass”
Titulo Inglês : “Glass”
Ano : 2019
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : M. Night Shyamalan
Produção : M. Night Shyamalan
Elenco : Bruce Willis, Samuel L. Jackson, James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Luke Kirby, Adam David Thompson, Shannon Destiny Ryan, Diana Silvers, Kyli Zion, Nina Wisner.

História : O segurança David Dunn é um homem anónimo até ao dia em que se torna o único sobrevivente de um acidente ferroviário. Não percebe porque é que todos os passageiros morreram e ele não sofreu qualquer ferimento. Um desconhecido, que sofre de uma doença de ossos e que é fanático por livros de quadrinhos, começa a persegui-lo. Chama-se Elijah Price e tem uma teoria sobre o sucedido. Em contraponto a estas duas personagens existe Kevin, que sofre de um grave transtorno dissociativo de identidade e que possui dentro de si mais de duas dezenas de personalidades distintas. Quando Ellie Staple, uma psiquiatra especializada em tratamentos de megalomania, os reúne para estudo, dá início a um perigoso jogo de manipulação em que cada um deles assume um papel inesperado.

Comentário : Em tirando os dois primeiros filmes que eu não conheço e quatro enormes fiascos, eu gosto dos filmes deste realizador, eles são conhecidos não só pelas suas boas histórias como também pelas reviravoltas que têm ao longo da narrativa, mas principalmente no final. E este “Glass” não é diferente, eu gostei bastante deste seu último filme. Este filme encerra a trilogia que o realizador criou para desconstruir os filmes de super-heróis e é sequela de “Split” e de “Unbreakable”. E o director soube neste terceiro e último filme juntar todas as pontas soltas, unindo as seis personagens principais dos três filmes : o vigilante, a mente brilhante, a besta, o filho do vigilante, a mãe da mente brilhante e a fraqueza da besta. Este terceiro filme tem igualmente uma boa história, indo focar aspectos dos outros dois filmes e unindo tudo numa simbiose perfeita. O director mostra com esta sua trilogia como deviam ser os filmes de super-herói, porque se eles existissem, seriam assim, como ele os mostra nestes três filmes, sem as fantochadas e exageros dos filmes da Marvel, DC e demais estúdios. Ao contrário destes estúdios, M. Night Shyamalan não pretende fazer muito dinheiro com os seus filmes, ele apenas quis contar uma boa história com bons personagens, sem grandiosos efeitos especiais, sem explosões e principalmente sem humor ridículo, e conseguiu. Estes três filmes funcionam ainda como uma grande homenagem ao mundo dos quadrinhos.

No filme existem dois grandes twists, um é menor e tem a ver com o passado e com o personagem do pai de Kevin. E o outro twist, este sim espectacular, envolve um feito do Senhor Glass, que é uma reviravolta que funciona muito bem dentro da trilogia e na proposta do realizador. Tal como os outros, este filme também têm mensagens a retirar dele, uma que eu queria destacar é o facto dos grandes interesses instalados dos países quererem sempre abafar certas verdades, certos acontecimentos e factos para seus benefícios próprios, o que sempre conseguem fazer em relação à maioria dos elementos que compõem os seus povos, e neste filme isso está presente na personagem da vilã que é a psiquiatra da tal organização da tatuagem do trevo. Mas este terceiro filme possui outras mensagens bem mais focadas nos temas do filme, não vos irei estragar as surpresas. Os seis personagens centrais (frisados em cima) foram muito bem trabalhados e os actores que os representam estiveram todos bem.

O Samuel L. Jackson tem o seu personagem ligeiramente mudado em algumas nuances, mas a sua essência continua lá, gostei de o ter revisto, mas esperava mais conteúdo do seu Elijah Price, afinal, este é o seu filme, daí o título do longa. O Bruce Willis está igualmente bem, embora um pouco “apagado”, pedia-se mais do seu David Dunn. O James McAvoy é quem está melhor, ele dá um show na actuação, é uma delícia vê-lo interpretar as várias personalidades, o actor dedicou-se bastante ao seu Kevin Wendell Crumb e aos outros 23. O Spencer Treat Clark e a Charlayne Woodard regressam e bem aos seus papéis do primeiro filme, foi uma jogada de mestre usar os mesmos actores passados estes 19 anos, é assim que se conserva e mantém a essência e o reslismo dos personagens nas sagas, os estúdios deviam aprender com isto, principalmente um tal de C. Nolan em relação à troca da actriz para o papel de Rachel. Eu não gosto da actriz Sarah Paulson, acho a pessoa enervante, talvez por isso, a sua personagem tenha conseguido esse mesmo efeito em mim. E a Anya Taylor-Joy é mais uma estrelinha que já brilha com luz própria. As cenas da miúda com McAvoy são as melhores do filme. E o final é espectacular, me surpreendeu totalmente, eu não esperava nada daquilo, ele fechou a história de maneira bem redondinha e sem espaço para sequelas, que é outra coisa que os grandes estúdios deviam aprender também. “Glass” é, tal como “Unbreakable” e “Split”, um bom filme; e que encerra da melhor maneira uma excelente história.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

The Guilty

Nome do Filme : “Den Skyldige”
Titulo Inglês : “The Guilty”
Titulo Português : “O Culpado”
Ano : 2018
Duração : 84 minutos
Género : Thriller/Drama
Realização : Gustav Moller
Produção : Lina Flint
Elenco : Jakob Cedergren, Jessica Dinnage, Johan Olsen, Omar Shargawi, Katinka Evers Jahnsen, Jacob Lohmann, Jeanette Lindbaek, Simon Bennebjerg, Laura Bro.

História : O agente policial Asger Holm está acostumado a trabalhar nas ruas da cidade, mas devido a um caso seu, é confinado à mesa de emergências. Encarregado de receber ligações telefónicas e transmitir às delegacias responsáveis, ele é surpreendido pela chamada de uma mulher desesperada, tentando comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador. Infelizmente, ela precisa desligar antes de ser descoberta, de modo que Asger dispõe de poucas informações para encontrá-la. Começa a corrida contra o relógio para descobrir onde ela está, para mobilizar os policiais mais próximos e salvar a vítima antes que uma tragédia aconteça.

Comentário : Vamos falar agora de cinema europeu, de um filme dinamarquês, de um filme que eu gostei bastante e que, mais uma vez, deixa no chinelo muitas produções americanas. Primeiro que tudo, este filme não irá agradar aquele tipo de público que está acostumado a perseguições, explosões e muita ação. Ele é um filme mais contemplativo, tem um ritmo lento e passa-se sempre no mesmo local, o único personagem existente passa o tempo todo entre duas salas dentro do mesmo sítio. Como eu disse, o filme só tem um único personagem em campo, aparecem outras pessoas, mas quase não falam enquanto que os outros que falam são apenas vozes que ouvimos do outro lado da linha telefónica. E isso é engraçado porque nos obriga a imaginar o que essas pessoas estão a fazer, afinal, nós as ouvimos muito bem e só temos por isso de imaginar as suas ações. O actor principal de serviço, Jakob Cedergren, ele dá um show de actuação, e isso é muito engraçado porque ele faz o filme todo acontecer, ele é uma espécie de “pau para toda a obra” e se sai muito bem, a sua interpretação é bem consistente e funcional. Existe um certo realizador indiano que é muito famoso que se visse este filme, ficaria surpreendido com o twist aqui existente, afinal ele também gosta de incluir grandes reviravoltas nos seus filmes. De facto, eu fiquei boquiaberto e arrepiado com o twist deste filme que envolve a mulher sequestrada do outro lado da linha, que é a situação principal do longa, é mesmo surpreendente, é de ficarmos de queixo caído. O título do filme está relacionado com uma dualidade do protagonista, ele não só é culpado pela situação que o colocou atrás de uma mesa de urgências, como também é culpado daquilo que aconteceu no caso dessa mulher. Então está aí, mais um filme que prova que, com poucos meios e um orçamento muito reduzido, é possível fazer-se um bom filme.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Sorry To Bother You

Nome do Filme : “Sorry To Bother You”
Titulo Inglês : “Sorry To Bother You”
Ano : 2018
Duração : 111 minutos
Género : Ficção-Científica/Fantasia/Comédia Dramática
Realização : Boots Riley
Produção : Forest Whitaker/Nina Yang Bongiovi
Elenco : Lakeith Stanfield, Tessa Thompson, Jermaine Fowler, Terry Crews, Omari Hardwick, Michael X. Sommers, Danny Glover, Steven Yeun, Robert Longstreet, Armie Hammer, Shelley Mitchell, Damion Gallegos, Michael Rhys Kan, Safiya Fredericks, David Cross, Patton Oswalt, Lily James, Rosario Dawson, Indigo Jackson.

História : Numa versão actual alternativa de Oakland, o atendente de telemarketing Cassius Green descobre uma chave mágica para o sucesso profissional.

Comentário : Passando despercebido no ano passado e considerado por muitos como sendo um dos melhores filmes desse ano, “Sorry To Bother You” foi um dos filmes mais malucos que eu já assisti. São abordados vários assuntos e temas ao longo da projeção, entre eles o racismo, o capitalismo, o sexo, o mundo laboral e a política. Eu confesso que não conhecia este filme até há bem pouco tempo e fiquei surpreendido com o que vi. Detentor de uma vibe fantástica, este é um filme muito diferente daquilo que estamos acostumados a ver, e eu que o diga. No papel do protagonista, Lakeith Stanfield está soberbo, foi a primeira vez que eu vi este actor a representar, ficando automaticamente rendido ao seu talento. O homem tem aqui uma mistura de interpretação com prestação física bem interessante e credível, confesso que ficarei de olho nele futuramente. O Danny Glover está hilário neste papel, os anos não passam por ele. O Armie Hammer está sinistro neste seu registo, e infelizmente por isso, eu tive dificuldade em reconhecer a genialidade do actor neste papel. Mas quem rouba o show, é a nossa querida Tessa Thompson (Creed), que foi quem mais me pasmou neste longa, além da sua Detroit ser a melhor personagem do filme não sendo a principal, eu fiquei totalmente rendido a ela. Além disso, a química entre Tessa e Lakeith sente-se a cada frame que contracenam juntos, os dois funcionaram muito bem aqui, seja como personagens ou enquanto profissionais. Todo o elenco de secundários está de parabéns. Eu gostei principalmente do primeiro acto do filme, o segundo é apenas razoável, mas penso que as coisas a partir do final do segundo acto e em todo o terceiro acto desmoronam um pouco. Eu não gostei das escolhas que o director fez para justificar o género de fantasia existente na premissa, foi tudo muito bizarro. Ainda assim, o filme vale pela sua originalidade.

Ferrugem

Nome do Filme : “Ferrugem”
Titulo Inglês : “Rust”
Titulo Português : “Ferrugem”
Ano : 2018
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Aly Muritiba
Produção : Antônio Junior
Elenco : Tifanny Dopke, Giovanni de Lorenzi, Clarissa Kiste, Duda Azevedo, Enrique Diaz, Gustavo Piaskoski, Pedro Inoue, Igor Augustho.

História : Vítima de bullying, uma adolescente decide tomar uma atitude drástica.

Comentário : É com muito gosto que eu regresso mais uma vez ao cinema brasileiro, é um cinema que eu gosto bastante, existem filmes brasileiros muito bons e ultimamente é onde isso se tem verificado mais. Hoje trago um filme que aborda um tema já muito batido, mas ainda assim, bastante delicado e em que é preciso muito cuidado para trabalhar nele. E penso ter sido esse o principal problema deste filme, porque além de mal escrito, ele não trabalhou muito bem as temáticas do bullying e do suicídio da maneira como estas se apresentaram dentro do contexto proposto pelo director. E isso não são spoilers, um dos temas aparece na sinopse e o outro está num dos posters. Eu disse que o filme estava mal escrito porque tem coisas nele que não fazem muito sentido, foram mal explicadas ou mesmo carecem de uma devida explicação. Por exemplo, se a mochila da miúda tinha ficado no banheiro da escola, como que raio o pai do bully alcançou a mala e tem na sua posse o diário da miúda. Outra, se o pai sabe que o filho foi o responsável por aquela tragédia, porque motivo quer esconder tudo ao em vez de denunciar o filho, que era isso que uma pessoa saudável devia fazer. Mas existem outras coisas que não fazem muito sentido, qualquer pessoa minimamente capaz de perceber o que está a ver, chegava às mesmas conclusões e ficava com as mesmas dúvidas. Em tirando esses aspectos, o filme está muito bom. Todas as interpretações estão boas, com destaque para a jovem Tifanny Dopke, que me surpreendeu pela positiva. Eu percebi logo à primeira que quem tinha roubado o telefone da miúda foi o seu novo interesse amoroso, não é difícil deduzir isso. Um filme que devia ser visto e debatido por pais e educadores.

The Day After

Nome do Filme : “Geu-hu”
Titulo Inglês : “The Day After”
Titulo Português : “O Dia Seguinte”
Ano : 2017
Duração : 91 minutos
Género : Drama
Realização : Sang Soo Hong
Produção : Kang Taeu
Elenco : Kwon Haeyo, Kim Minhee, Kim Saebyuk, Cho Yunhee.

História : Bongwan sai de casa ainda de madrugada em direção à pequena editora de que é proprietário. O seu pensamento divaga pela rapariga que durante um tempo trabalhou consigo como secretária, e com quem teve um caso extraconjugal. Um pouco mais tarde, ao chegar ao escritório, conhece Areum, no seu primeiro dia de trabalho como substituta da antiga amante. Nesse dia, a mulher de Bongwan encontra um bilhete de amor, vai até ao escritório sem se anunciar, e confunde Areum com a mulher com quem o marido a traíra.

Comentário : Eu gosto muito de cinema calmo, contemplativo e de arte. Gosto de filmes que nos embalam, que nos fazem sentir as mais variadas emoções e que nos encantam com as suas histórias. Eu penso que uma das coisas mais importantes num filme é a sua história, basta um filme ter uma boa história e já é meio caminho andado para dele gostarmos. É isto que temos quando falamos e vemos cinema deste realizador, e se a tudo isso juntarmos excelentes diálogos, então temos um prato cheio de bom cinema. Não é só de blockbusters que a sétima arte de define, eu diria que ela vive deles, mas define-se principalmente pelo cinema de arte. O cinema oriental tem destas coisas também, sendo este um filme coreano, alguns outros realizadores devem-se ter inspirado nas obras deste director. O que temos neste recente filme de Sang-Soo Hong é uma fita terna e simples que nos embala cuidadosamente ao longo de hora e meia, nos proporcionando bons momentos de cinema. Adornado de uma banda sonora melosa, o filme tem nos seus diálogos a principal riqueza do longa. Basicamente, o que temos aqui é uma estrutura fílmica composta unicamente por conversas entre as quatro principais personagens. Gostei das respectivas interpretações, os quatro estão belíssimos nos seus papéis, todos credíveis. A personagem que eu mais gostei foi a Areum, como é óbvio. É uma obra que fala do amor, da complexidade das relações humanas e até do ser humano no geral, entre outros temas mais díspares. E aquilo que mais impressiona é que o realizador conta e mostra tudo isto sem nos dar uma única cena de sexo. Um último reparo, o filme é a preto e branco. Isto é cinema.

Support The Girls

Nome do Filme : “Support The Girls”
Titulo Inglês : “Support The Girls”
Ano : 2018
Duração : 90 minutos
Género : Comédia Dramática
Realização : Andrew Bujalski
Produção : Houston King/Sam Slater
Elenco : Regina Hall, Haley Lu Richardson, Dylan Gelula, Zoe Graham, Ann McCaskey, Elizabeth Trieu, Krista Hayes, Shayna McHayle, Lea DeLaria, Lindsay Anne Kent, Nicole Onyeje, AJ Michalka, Jana Kramer, Kat Rogers, Brooklyn Decker, AnnaClare Hicks, Luis Olmeda, Jesse Marshall, Gerald Brodin, Laura Frances.

História : Lisa Conroy é a gerente de um restaurante, ela adora o local, seus clientes e protege ferozmente as suas funcionárias. Quando ela tenta arrecadar dinheiro para ajudar uma de suas meninas, o dono do estabelecimento descobre e decide que vai fazer o que for preciso para impedir Lisa.

Comentário : Este filme é hilário e eu vou tentar esforçar-me ao máximo para me expressar sobre aquilo que acabei de ver. Pessoal, como é do vosso saber, eu não gosto de comédias, mas quando esse género é misturado com outro, no caso com drama, eu abro uma excepção e o resultado não podia ter sido melhor. Apesar do filme estar mal classificado na IMDB, em outros sites ele até possui notas bem aceitáveis e como as classificações da IMDB não são muito de fiar, eu fui com mais vontade ainda para o filme. E gostei bastante, é uma fita que nos põe bem dispostos em alguns momentos e noutros nos deixa a pensar, existem cenas aqui que são bem específicas. A cena do cliente ordinário que é incorreto para uma das funcionárias do restaurante é marcante, ela não serve apenas para ilustrar que o cliente não tem sempre razão, mas também para nos mostrar como funciona a cabeça de um homem quando vê uma mulher atraente aos seus olhos.

Eu gostei bastante da vestimenta das funcionárias, no bom sentido claramente. A história até pode parecer simples, mas é bem interessante em determinados pontos de vista, veja-se as atitudes do proprietário do restaurante face às meninas, mas principalmente em relação à gerente. Eu diverti-me imenso com algumas cenas, tem situações envolvendo as meninas que são muito engraçadas, a sequência da emissão da luta em directo pela televisão é a melhor do filme, onde facilmente se tira apontamentos e uma ou outra lição de vida das reações de alguns dos seus intervenientes. A Regina Hall está divinal aqui, eu adorei não só a sua interpretação como também a humildade e a humanidade da sua personagem. E a Haley Lu Richardson tem aqui a melhor personagem do filme, eu adorei tudo na sua Maci e principalmente tudo o que a jovem actriz fez com ela. A cena final no telhado é linda.