segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Directions

Nome do Filme : “Posoki”
Titulo Inglês : “Directions”
Titulo Português : “Táxi Sófia”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Stephan Komandarev
Produção : Stephan Komandarev
Elenco : Vasil Banov, Ivan Barnev, Assen Blatechki, Stefan Denolyubov, Dobrin Dosev, Gerasim Georgiev, Troyan Gogov, Irini Jambonas, Georgi Kadurin, Anna Komandareva, Borislava Stratieva, Nikolai Urumov, Vassil Vassilev, Julian Vergov, Stefka Yanorova Trenfafilova.

História : Um taxista vê-se a braços com um aumento injustificado da sua prestação bancária. Outros taxistas, vivem as suas experiências ao volante das suas viaturas durante mais uma noite de serviço.

Comentário : Esta noite vi este filme vindo da Bulgária, uma espécie de road-movie que é tanto sobre o mundo dos taxistas quanto sobre o estado da sociedade daquele país. Assim à memória, chegam-me outros filmes do género, mas este em questão está muito bem conseguido. A primeira situação é forte e a sequência que encerra o filme deixou-me a pensar. O filme segue a um ritmo lento, embora sempre empolgante e aliciante, pessoalmente eu estava sempre na expectativa sobre que situação me ia aparecer pela frente. As situações parecem verdadeiras e isso talvez tenha a ver com o facto de serem baseadas em acontecimentos reais. O filme tem também uma componente política e social, onde o crime está presente. Filmada principalmente à noite, trata-se de uma fita com boas interpretações e eu gostei de todas as situações aqui retratadas. Confesso que houve uma altura da minha vida em que eu ambicionava ser taxista, mas já lá vão muitos anos e esse desejo foi-se esvaindo, além disso e depois de saber de umas coisas, tirei daí o sentido. De facto, é uma profissão de risco, anos mais tarde, eu percebi. A noite foi aqui muito bem filmada e representada, no fundo, é algo parecida com a de outros países, tal como os dramas humanos um pouco por todo o mundo. A parte do cão chega mesmo a emocionar. Sim, o filme é bom e eu gostei dele, mas continuo a preferir “Taxi” de Jafar Panahi.

Ama-San

Nome do Filme : “Ama-San”
Titulo Português : “Ama-San”
Ano : 2016
Duração : 110 minutos
Género : Documentário
Realização : Cláudia Varejão
Produção : Pedro Pinho
Elenco : Matsumi Koiso, Mayumi Mitsuhashi, Masumi Shibahara.

História : A vida de mulheres que trabalham arriscando as suas próprias vidas, elas mergulham até ao fundo do mar para recolher o abalone. Uma tarefa que acontece no Japão há mais de 2000 anos pelas mãos das Ama-San.

Comentário : Entre todos os géneros cinematográficos, o documentário é possivelmente o que abarca mais realismo, afinal, normalmente aquilo que vemos corresponde à realidade e a informação que passa para nós relata e fala sobre o que nos é mostrado. No entanto, o documentário é o género que menos procura tem. Visto que o documentário permite-nos conhecer outras vivências e outras culturas, enfim, outras coisas, trata-se de um tipo de filmes que tem imenso para nos ensinar. E no caso deste “Ama-San”, isso também se verifica. Realizado por uma mulher portuguesa, este documentário é importante na medida em que nos dá a conhecer algo que muitos desconhecem e que é muito gratificante de se ficar a saber. Os factos narrados e mostrados aqui decorrem no Japão e contam a história de mulheres que arriscam as próprias vidas em mergulhos até ao fundo do mar para recolher aquilo que as sustenta e que permite a sobrevivência delas e dos seus filhos. Pode-se dizer que é um documentário de grande valor, eu mesmo, não conhecia nada disto e adorei conhecer esta realidade. Está tudo muito bem montado e mostrado, para além de estar muito bem filmado. A realizadora penetra a fundo nas vidas e nos quotidianos destas mulheres, centrando-se em particular em três delas e o resultado é bastante satisfatório. De lamentar é o facto de termos poucos momentos dedicados aos mergulhos e em vez disso, temos demasiado tempo facultado às vidas pessoais das três visadas. As sequências de mergulho são apenas três e isto durante quase duas horas, mas essas poucas são de uma beleza avassaladora e é tudo muito bonito, são cenas que funcionam. De frisar ainda que estas mulheres não usam nenhum tipo de equipamento de mergulho ou de segurança, é tudo feito de forma natural e usando apenas panos e uma máscara na cara. Pessoalmente, adorei este documentário.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Wet Woman In The Wind

Nome do Filme : “Kaze Ni Nureta Onna”
Titulo Inglês : “Wet Woman In The Wind”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Akihiko Shiota
Produção : Naoko Komuro
Elenco : Tasuku Nagaoka, Yuki Mamiya, Michiko Suzuki, Ryushin Tei, Takahiro Kato.

História : Um homem vê a sua vida virada do avesso quando uma linda e estranha rapariga entra subitamente na sua existência.

Comentário : Esta noite vi este filme japonês que confesso ter gostado e cuja história me despertou um interesse muito particular. Quem já viu este filme pode até achar que se trata de uma fita banal sobre sexo, mas deixem-me dizer que estão enganados. No fundo, trata-se de um filme que funciona como uma espécie de sátira aos filmes porno que se faziam durante os anos 1970 no Japão. Ainda assim, gostei bastante da história, mesmo que as cenas de sexo não sejam nada de especial. Detentoras de algum exagero e também alguma falsidade, as cenas de sexo apesar de estarem bem filmadas, servem um propósito que é o de complementar a história que se pretende contar e mostrar. Algumas personagens secundárias que surgem a meio da trama não adiantam nada, se o filme fosse unicamente sobre o casal protagonista, seria mais que suficiente. Grande parte do filme decorre no campo e isto fez com que a história fosse mais cativante. Como actor principal, encontramos um competente Tasuku Nagaoka, ele interpretou bem o seu papel, confesso ter gostado bastante do seu personagem. A linda Yuki Mamiya foi quem teve a melhor prestação feminina do longa, além de ter gostado muito da sua personagem, confesso que ela se entregou totalmente ao seu papel, a sua Shiori é bem intrigante, sensual e peculiar. Além disso, os dois funcionam muito bem juntos enquanto actores e personagens. A propósito, espero que não voltem a deixar o tigre fugir.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Two Lovers And A Bear

Nome do Filme : “Two Lovers And A Bear”
Titulo Inglês : “Two Lovers And A Bear”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Drama/Romance/Aventura
Realização : Kim Nguyen
Produção : Roger Frappier
Elenco : Dane DeHaan, Tatiana Maslany, Gordon Pinsent, Joel Gagne, Phoenix Wilson, Jeffrey R. Smith, Ash Catherwood, Johnny Issaluk, Joseph Nakogee, Yvonne E. Davidson, Jennifer Soucie, Marie Belleau, Janet Hilliar, Kakki Peter, Bernice Clarke.

História : Lucy e Roman são um jovem casal de namorados prestes a iniciar uma vida a dois. Residentes num mundo gelado, Lucy e Roman sofrem na actualidade com um passado bem traumático devido ao mal que os seus pais lhes fizeram. Quando Lucy decide regressar à cidade para prosseguir os seus estudos, Roman fica desesperado e os dois embarcam numa perigosa aventura que irá decidir os seus futuros.

Comentário : Outro filme independente que eu tive a sorte de ver e este é bem peculiar, senão vejamos, o protagonista masculino tem a capacidade de falar com ursos e os dois têm pelo menos duas sequências em que travam uma conversa. Eu achei isso muito interessante e divertido. No centro da trama, temos dois protagonistas que formam um casal de namorados, cada um deles com um passado traumático devido às suas figuras paternas, mas não vou revelar mais nada. No inicio, as coisas custam a arrancar sem nunca ser cansativo, nós seguimos bem a rotina dos dois elementos do casal. Pode-se dizer que o filme é constituído por dois actos, primeiro somos apresentados aos personagens e respectivas características e dramas e depois somos levados a conhecer a sua jornada. Funciona também como uma espécie de road-movie, só que aqui temos duas motos esqui em vez de carros e neve em vez de estrada. Mas asseguro que é muito lucrativo acompanharmos a viagem dos nossos protagonistas. Dane DeHaan vai muito bem no papel de jovem irresponsável, enquanto que Tatiana Maslany tem a melhor prestação em cena, a empatia entre os dois é notável, são dois actores que funcionam na perfeição enquanto personagens e casal. O frio e a neve são duas personagens secundárias, quase palpáveis. O urso é lindo. O clima de romance também é bem-vindo num filme que peca apenas por ter alguns erros no roteiro e um final triste e inesperado. 

The Tribes Of Palos Verdes

Nome do Filme : “The Tribes Of Palos Verdes”
Titulo Inglês : “The Tribes Of Palos Verdes”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Brendan Malloy/Emmett Malloy
Produção : Karen Croner/Robbie Brenner
Elenco : Maika Monroe, Cody Fern, Jennifer Garner, Justin Kirk, Noah Silver, Stevie Lynn Jones, Natalie Loren Kwatinetz, Brice Fisher, Milo Gibson, Sarah Schroeder Matzkin, Kaili Thorne, Amber Townsend, Alicia Silverstone, Goran Visnjic.

História : Um casal e os dois filhos adolescentes mudam-se para uma nova cidade, mas estão longe de saber que a situação deles vai ser sempre a piorar dali para a frente.

Comentário : Hoje venho aqui comentar um filme independente de que gostei bastante, quem já o viu pode achar que se trata de uma obra simples e nada de mais, mas eu achei bem relevante e é uma fita que explora o funcionamento de uma família, onde as coisas correm mal e têm tendência para piorar de dia para dia. Nesse campo, confesso que os realizadores fizeram um bom trabalho, é impressionante vermos como as pessoas vão caindo cada vez mais e prejudicando os outros membros da família. Filmado de modo quase amador, este filme tem um bom roteiro, em certo ponto, as coisas seguem uma linha crescente de tensão e de aflição, dos quatro elementos da família, existem dois que estão sempre a piorar. E por falar neles, Jennifer Garner tem aqui uma boa prestação, fazia muito tempo que não a via num papel tão sério e consistente. Ela nos convence na pele de uma mulher vítima de um colapso nervoso, alguém descontrolado e quase à beira da loucura. Também o jovem Cody Fern vai bem no papel de surfista drogado que, apesar de ter uma boa relação com a mãe e com a irmã, tende para fazer patifarias. Noah Silver desempenha o namorado atencioso e carinhoso da protagonista, gostei do seu personagem. No entanto, a nível do elenco, o grande e merecido destaque vai para a linda e talentosa Maika Monroe que não só possui a melhor prestação do filme, como também tem a personagem mais interessante da história. O final é muito triste, embora eu tenha que confessar que gostei do destino que deram a Medina.

Valerian And The City Of A Thousand Planets

Nome do Filme : “Valérian Et La Cité Des Mille Planètes”
Titulo Inglês : “Valerian And The City Of A Thousand Planets”
Titulo Português : “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”
Ano : 2017
Duração : 135 minutos
Género : Aventura/Fantasia/Ação
Realização : Luc Besson
Produção : Luc Besson/Virginie Silla
Elenco : Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Kris Wu, Mathieu Kassovitz, Sam Spruell, Alain Chabat, Rutger Hauer, Peter Hudson, Xavier Giannoli, Louis Leterrier, Eric Rochant, Benoit Jacquot, Olivier Megaton, Andrew Tisba, Sasha Luss, Aymeline Valade, Elizabeth Debicki, Pauline Hoarau, Ola Rapace, Lee Delong, Diva Cam, Marie Barrouillet, Cindy Bruna, John Goodman, Claire Tran, Rihanna.

História : Num futuro muito distante, dois agentes espaciais tentam manter a paz entre os mundos e embarcam numa missão para proteger a diversa metrópole Alpha.

Comentário : Só hoje consegui ver este filme que se trata não só de um blockbuster francês como também do filme mais caro de sempre saído da França. Eu vou confessar uma coisa : gostei mais deste filme do que qualquer um dos filmes que compõem a trilogia prequela de “Star Wars”. E vou mais longe, este novo filme do realizador Luc Besson é bem melhor do que grande parte dos blockbusters americanos. Ainda assim, os produtores tiveram que respeitar e cumprir as regras do costume. Vamos aos aspectos positivos : a nível visual e técnico o filme é perfeito, aliás, eu gostei mais deste filme do que de “Avatar”, não estou a dizer que esteja melhor, mas sim que gostei mais; a banda sonora é cativante; o vilão, apesar de beber da fonte do costume, está bem aceitável; temos uma riquíssima variedade de criaturas e todas estão muito bem conseguidas e servem a narrativa e a história que se pretende contar e mostrar; o guarda-roupa e os figurinos são bons; as batalhas espaciais e os cenários convencem, eles parecem reais; os efeitos especiais são do melhor; temos lindas sequências e cenas que estão muito bem elaboradas e conseguidas. A mensagem principal da história e que o filme pretende passar nos minutos finais foi bem captada.

Por outro lado, nos aspectos negativos : o roteiro é um pouco pobre; em tirando o casal protagonista e o povo dos Perola, todos os outros personagens são pouco aprofundados; a personagem Bubble é uma das mais interessantes e é uma mistura entre Mystique e Majin Boo, pedia-se que fosse uma actriz a representá-la e nunca uma cantora; por último, os diálogos são pobres e a química entre o casal protagonista é inexistente. Temos muita gente conhecida em papéis secundários. O Dane DeHaan (Chronicle) é bom ator, mas aqui está péssimo, ele não é o mais indicado para este papel. O Clive Owen (Children Of Men) é o grande e principal vilão do filme e ele está bem e convincente, mas é mais do mesmo. A Cara Delevingne (Paper Towns) não é grande atriz, ela é linda e uma excelente modelo, mas e apesar disso, confesso que a miúda esteve bem neste filme, a sua Laureline funciona muito bem, pena é que o seu colega não ajudou. Temos também cenas de perseguição que são boas. Uma curiosidade, gosto muito mais dos Perola do que dos Navi. Como filme de aventuras, funciona muito bem, mas apesar de não ser um filme com a complexidade que se exigia, faz ver a muitas produções americanas. 


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Hollow In The Land

Nome do Filme : “Hollow In The Land”
Titulo Inglês : “Hollow In The Land”
Ano : 2017
Duração : 100 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Scooter Corkle
Produção : Marlaina Mah/Jesse Savath
Elenco : Dianna Agron, Shawn Ashmore, Rachelle Lefevre, Sarah Dugdale, Jared Abrahamson, Brent Stait, Jessica McLeod, Michael Rogers, Glynis Davies, Marilyn Norry, David Lennon, Michael Gray, John Sampson, Laena Brown.

História : Carregando o nome manchado da família, uma jovem tem que fazer de tudo para tentar evitar que o irmão siga o mesmo caminho, tudo numa terra hostil pronta a condená-los a qualquer momento.

Comentário : E para terminar as primeiras publicações do ano, trago o comentário a um filme independente canadiano que não prometia nada, mas que se revelou como sendo uma fita bastante aceitável e interessante. No centro da trama temos uma jovem mulher que carrega o peso do nome manchado da família, tendo um pai que está preso por ter cometido um crime grave e um irmão delinquente que passa a vida a ser detido por pequenos crimes. Sozinha, ela tenta levar a situação, sempre marcada pela opinião dos habitantes da região que não resistem a fazer-lhes a vida negra sempre que podem. Por ser um filme independente, os recursos disponíveis para o realizador Scooter Corkle não eram muitos e o director fez o que pode com o pouco material que tinha em mãos e aqui, vale lembrar que ele também escreveu o argumento. O resultado final é positivo, estamos perante um filme bem arrumado, que segue sempre a um bom ritmo e que nos mantém em constante clima de tensão, afinal trata-se também de um thriller. Pessoalmente, confesso ter gostado bastante desta história e para isso contribuiu o roteiro muito bem escrito pelo cineasta responsável por esta fita dramática.

Temos também outros factores que fazem deste filme uma obra bastante aceitável. Por exemplo, podemos contar com uma fotografia amadora e escura na maior parte dos casos, mas que aqui funciona como um elogio, visto que embeleza os ambientes em que as cenas decorrem. Temos pequenas cenas de ação, uma ou outra está ok, já uma em particular não funciona tão bem, devido a alguns erros. Apesar disso, o filme está muito bem filmado, o realizador soube o que fazer com a camara. No papel da protagonista, encontramos Dianna Agron que carrega o filme quase todo nos ombros, ela possui a melhor prestação da fita e é graças a ela que sentimos o peso real da situação em que aquela família abarca. No papel do polícia, temos um Shawn Ashmore competente e com uma interpretação aceitável e de acordo com o combinado. Por seu lado, Rachelle Lefevre dá-nos uma personagem consistente e marcada pela vida, ela convence. Para terminar a questão do elenco, não podia faltar a jovem e linda Sarah Dugdale (foto em cima), que vive aqui uma personagem que tem tanto de querida quanto de corajosa, determinada e forte, a miúda tem aqui umas cenas com uma arma que são brutais. É igualmente um filme que transmite a ideia de que basta um elemento de um núcleo familiar cometer um crime, para que toda a família fique marcada e manchada, a vida é cruel. Grande filme. 

Breath

Nome do Filme : “Nafas”
Titulo Inglês : “Breath”
Titulo Português : “Respiro”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Narges Abyar
Produção : Mohammad Hossein Ghasemi/Abouzar Pour Mohammadi
Elenco : Sareh Nour Mousavi, Mehran Ahmadi, Gelare Abasi, Pantea Panahiha, Shabnam Moghadami, Jamshid Hashempur.

História : Uma menina chamada Bahar vive em Yazd, no Irão, com o seu pai, seus irmãos e sua avó. São tempos difíceis. Primeiro a Revolução Iraniana e, depois, a longa guerra entre o Irão e o Iraque. Mas Bahar tem os seus pensamentos mergulhados nos livros e imersos nas suas próprias fantasias para tentar fazer com que o mundo à sua volta faça sentido.

Comentário : Logo a seguir a ter visto “Almost Friends”, resolvi ver este “Nafas” ou “Breath”, um filme iraniano que eu sabia que me ia interessar e o resultado foi bastante positivo. A ação do filme decorre ao longo dos anos 1970 e acompanha uma família iraniana, com todos os problemas aliados à sua condição. E todos os elementos desta família são bem interessantes. Temos o pai que sofre de asma, ele é viúvo e está a criar, com a ajuda da mãe, quatro crianças que a esposa lhe deixou. Ele é trabalhador e gosta muito dos seus filhos, embora nem sempre tenha atitudes correctas para com eles, ou seja, por vezes questionamos se a educação dos pequenos é mesmo a mais correcta. Temos a avó que é uma pessoa um pouco alterada e também ligeiramente agressiva para os netos, ela tem pouca paciência, embora goste muito deles e isso nota-se. Depois temos quatro crianças, dois meninos e duas meninas, são crianças normais com a sua rebeldia, onde o destaque vai claramente para a personagem principal – a pequena Bahar.

A pequena Bahar é uma menina com cerca de onze anos que vive no seu mundo próprio de fantasia em que os livros e as histórias que cria na sua mente são os seus refúgios. Por vezes maltratada pela avó e pelo seu rude professor, ela vive os seus problemas de forma bem peculiar. É muito bem interpretada pela pequena Sareh Nour Mousavi, é impressionante a descontração com que esta pequena actriz vive e compõe a sua personagem, nós sentimos os seus dramas e as suas poucas alegrias, sim porque ao longo do filme, aquilo que a menina mais faz é sofrer. Uma curiosidade da sua personagem, como o seu pai sofre de asma, ela quer ser médica quando for grande para poder curar a doença dele, pode ser ingénuo mas é muito genuíno. E quando ela chora, meus Deus, parece mesmo que está a chorar de verdade, é tudo tão real. Temos bonitas paisagens, temos planos muito bem filmados e certas cenas são filmadas de camara na mão, o que só confere mais realismo às situações. Existe uma ou outra situação caricata ou cómica, mas nada que estrague o todo, no fundo, é um filme muito bem pensado e elaborado, isto é, para uma fita feita no Irão, confesso que até está muito bem conseguido, com os poucos meios que eles possuem, pode-se considerar um excelente filme. 

Queen Of Earth

Nome do Filme : “Queen Of Earth”
Titulo Inglês : “Queen Of Earth”
Ano : 2015
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Alex Ross Perry
Produção : Alex Ross Perry
Elenco : Elisabeth Moss, Katherine Waterston, Patrick Fugit, Kentucker Audley, Keith Poulson, Craig Butta.

História : Duas melhores amigas que cresceram juntas encontram-se durante uns dias numa casa de campo para reflectir, mas certos acontecimentos do passado acabam por perturbar a relação das duas.

Comentário : Trata-se de um filme algo parecido com o “Persona” de Ingmar Bergman, mas não tão confuso. O realizador conta esta sua história com uma narrativa que aqui é marcada pela contagem dos dias da semana, como se de um diário se tratasse. É tudo filmado de forma quase amadora, com a imagem granulada e em 16mm, o que funcionou como sendo uma jogada muito inteligente do realizador. Temos igualmente planos sensacionais das duas protagonistas, com a camara quase sempre centrada e focada no rosto das duas actrizes. Tem uma sequência muito interessante que deve durar uns oito minutos em que as duas contam momentos seus uma à outra e a camara quase que brinca com elas. O filme dura somente noventa minutos, mas o seu ritmo lento faz com que pareça ter duas horas, pelo menos. No entanto, é uma história que se segue muito bem, pessoalmente, nunca me senti cansado daquilo que estava a ver. O filme peca por ser bastante inquietante, ele possui um clima de suspense e tensão e uma banda sonora que nos suga a paz e nos enerva suavemente e para isso contribuiu o excelente desempenho das duas meninas de serviço. Elisabeth Moss possui aqui a melhor prestação do filme, ela transmite muito bem o retrato de alguém à beira de um colapso nervoso. Katherine Waterston vai bem no papel de amiga da protagonista, as duas têm aqui uma química funcionável, é um prazer ver estas duas grandes actrizes trabalharem juntas em dois papéis muito cativantes e interessantes. Aliás, as duas fazem aqui um excelente trabalho de grupo, elas são a grande força e alma do filme. É um filme muito interessante e peculiar que passou-me despercebido naquela altura, mas que gostei imenso de o ter visto agora.

Almost Friends

Nome do Filme : “Almost Friends”
Titulo Inglês : “Almost Friends”
Ano : 2016
Duração : 102 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Jake Goldberger
Produção : Jim Young/Tony Lee/Alex A. Ginzburg
Elenco : Freddie Highmore, Odeya Rush, Haley Joel Osment, Jake Abel, Christopher Meloni, Rita Volk, Marg Helgenberger, Taylor John Smith, Christie McNab, Gary Ray Moore, Carlton Byrd, David Chattam, Jonathan DePew, Grant Springate, Jon Hayden.

História : Charlie é um jovem que está prestes a iniciar a sua vida adulta, ele ainda mora com a mãe, apesar de ter um emprego fixo. A sua vida ganha outro vigor quando conhece uma rapariga firme e decidida chamada Amber.

Comentário : Para iniciar este novo ano, eu resolvi ver um filme um pouco diferente, trata-se de uma mistura agradável de drama com romance, que eu gostei bastante. Tudo bem, não é um grande filme, mas cumpre os mínimos propostos e o resultado final é uma obra um pouco divertida que aborda o início da idade adulta e as respectivas responsabilidades. Durante pouco mais de hora e meia, somos levados a entrar na vida de uma família onde um jovem vive com a mãe, o padrasto e o irmão mais novo. O que se segue é a relação desse jovem com esses familiares e com os amigos. Mas é aqui que surge em cena o melhor do filme : Amber. Charlie e Amber acabam mesmo por ser as personagens mais interessantes e fortes do filme, é incrível como os dois funcionam e para ajudar à festa, os actores que lhes dão vida são super talentosos. Assim, Freddie Highmore tem aqui no seu protagonista, uma interpretação muito boa, ele nos convence realmente dos dramas que o seu personagem atravessa. Por seu lado, a linda Odeya Rush possui a melhor prestação feminina do longa, a miúda faculta-nos dessa maneira uma personagem bem consistente e que parece quase real, existe uma cena passada num WC que está impecável. Temos ainda uma cena num elevador que, apesar de ser cliché, funciona muito bem devido aquilo que as personagens intervenientes dizem e transparecem com as suas atitudes. O humor é leve e eficaz na maior parte dos casos. A maioria do pessoal secundário vai bem, mas eu quero destacar o actor Haley Joel Osment, adorei rever o menino de “O Sexto Sentido” aqui, ele está um homem. No fundo, é um bom filme que fala da vida, coisa que nós estamos a reiniciar hoje. 


domingo, 31 de dezembro de 2017

2017


Este ano resolvi fazer algo diferente e irei efectuar uma espécie de balanço deste ano cinematográfico, que será dividido em três temas : Os filmes que mais gostei de ver em 2017 e três menções honrosas, as três grandes desilusões de 2017 e uma lista de filmes importantes (alguns que me escaparam este ano e outros novos) que pretendo ver em 2018. Eu não irei colocar na lista de preferências só filmes deste ano, irão ser colocados todos os filmes que eu mais gostei de ver ao longo do ano, independentemente do ano em que foram produzidos ou lançados. Foi um ano fraco a nível de cinema, mas ainda assim, com muitos filmes bons. Sobre os filmes que não gostei, não me irei esticar, apenas vou citar os três que eu detestei. Vale lembrar que nem todos os filmes mencionados nas listas foram comentados neste espaço. Houve dois filmes que foram sujeitos a segundo visionamento e segunda avaliação. Muitos filmes que estrearam em Portugal e lá fora eu não tive a oportunidade de ver, por isso surgem na lista dos filmes importantes que quero ver em 2018. Espero que fiquem bem, desejo a todos um excelente 2018, cheio de saúde e bons filmes.

Filmes que mais gostei em 2017 (quase sem ordem de preferência) :



Blade Runner 2049 de Denis Villeneuve
Paterson de Jim Jarmusch
Moonlight de Barry Jenkins
Heartstone de Gudmundur Arnar Gudmundsson
The Edge Of Seventeen de Kelly Fremon Craig
The Beguiled de Sofia Coppola
Wind River de Taylor Sheridan
The Salesman de Asghar Farhadi
Loveless de Andrey Zvyagintsev
Lady Macbeth de William Oldroyd
The Tribe de Myroslav Slaboshpytskyi
Sieranevada de Cristi Puiu
Good Time de Benny Safdie e Josh Safdie
A Ghost Story de David Lowery
It Comes At Night de Trey Edward Shults
A Street Cat Named Bob de Roger Spottiswoode
I Daniel Blake de Ken Loach
Graduation de Cristian Mungiu
Kedi de Ceyda Torun
Lumière de Thierry Fremaux
Split de M. Night Shyamalan
The Other Side Of Hope de Aki Kaurismaki
São Jorge de Marco Martins
Dunkirk de Christopher Nolan
The Glass Castle de Destin Daniel Cretton
De Jueves A Domingo de Dominga Sotomayor
Get Out de Jordan Peele
Baby Driver de Edgar Wright
Star Wars : The Last Jedi de Rian Johnson
Voyage À Travers Le Cinema Français de Bertrand Tavernier


Menções Honrosas :

Les Malheurs de Sophie de Christophe Honore
Logan de James Mangold
Wonder Woman de Patty Jenkins


Três Grandes Desilusões :

Mother! de Darren Aronofsky
The Shack de Stuart Hazeldine
Justice League de Zack Snyder e Joss Whedon


Alguns filmes importantes que quero ver em 2018 :


Call Me By Your Name de Luca Guadagnino
The Florida Project de Sean Baker
A Fantastic Woman de Sebastian Lelio
Viktoria de Maya Vitkova
Ma Rosa de Brillante Mendoza
Mrs. Fang de Wang Bing
The Day After de Hong Sang-Soo
Thoroughbreds de Cory Finley
You Were Never Really Here de Lynne Ramsay
Wonderstruck de Todd Haynes
Happy End de Michael Haneke
120 Beats Per Minute de Robin Campillo
Lucky de John Carroll Lynch
Jeune Femme de Leonor Serraille
The Shape Of Water de Guillermo Del Toro
The Disaster Artist de James Franco
Milla de Valerie Massadian
I Tonya de Craig Gillespie
Marrowbone de Sergio G. Sanchez
The Nothing Factory de Pedro Pinho
I Love You Daddy de Louis C. K.
Phantom Thread de Paul Thomas Anderson
Jeannette : The Childhood Of Joan Of Arc de Bruno Dumont
Mektoub My Love : Canto Uno de Abdellatif Kechiche
Lady Bird de Greta Gerwig
The Square de Ruben Ostlund
Three Billboards Outside Ebbing Missouri de Martin McDonagh
Unicorn Store de Brie Larson
Disobedience de Sebastian Lelio
Au Nom De Ma Fille de Vincent Garenq
The Family de Shumin Liu
Fear Of Water de Kate Lane
All The Dreams In The World de Laurence Ferreira Barbosa
Mary Shelley de Haifaa Al Mansour
Summer 1993 de Carla Simon
April's Daughter de Michel Franco
Daisy Winters de Beth LaMure
Polina de Valerie Muller e Angelin Preljocaj
Adolescence de Ashley Avis
Barndom de Margreth Olin
Colo de Teresa Villaverde
Wonder de Stephen Chbosky
Maria Madalena de Garth Davis
Racer And The Jailbird de Michael R. Roskam
A Rainy Day In New York de Woody Allen
The House That Jack Built de Lars Von Trier
Soleil Battant de Clara Laperrousaz e Laura Laperrousaz




Blade Runner 2049

Nome do Filme : “Blade Runner 2049”
Titulo Inglês : “Blade Runner 2049”
Titulo Português : “Blade Runner 2049”
Ano : 2017
Duração : 164 minutos
Género : Drama/Ficção-Científica/Mystery
Realização : Denis Villeneuve
Produção : Ridley Scott
Elenco : Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Jared Leto, Edward James Olmos, Mark Arnold, Dave Bautista, David Dastmalchian, Wood Harris, Tomas Lemarquis, Hiam Abbass, Mackenzie Davis, Krista Kosonen, Elarica Johnson, Lennie James, Carla Juri, Barkhad Abdi, Sean Young, Loren Peta.

História : Na Califórnia de 2049, existem “blade runners”, agentes da Polícia especializados em distinguir e capturar replicantes – humanóides criados artificialmente para serem usados como escravos – dos verdadeiros seres humanos. Quando o agente K descobre um segredo que poderá levar à destruição da Humanidade, resolve procurar Rick Deckard, um antigo “blade runner” que há três décadas se encontra desaparecido e que parece ser a única pessoa capaz de o ajudar a encontrar as respostas de que necessita.

Comentário : Não me podia despedir de 2017 sem deixar neste espaço o comentário ao meu filme preferido deste ano que agora termina. Em relação a este filme, eu gostei de quase tudo. Apenas fiquei triste em relação a uma coisa, quem já viu o filme e me conhece minimamente, saberá ao que eu me estou a referir. Este filme está muito bem concebido e conseguido. Eu gostei da banda sonora que é hipnótica e estremece os nossos sentidos. Adorei a fotografia, possivelmente, a melhor que já vi num filme e não estou a exagerar. Aliás, a nível técnico e visual, o filme é perfeito. Este filme é o exemplo ideal de que é possível fazer-se um blockbuster e um filme de grande orçamento sem recorrer às directivas e regras habituais deste tipo de produções, como prova temos uma fita detentora de um ritmo lento e com pouca ação. Apesar dos efeitos visuais serem excelentes, as características deste filme mostram porque motivo o público em geral não gostou, mas a critica profissional adorou e já o consideram como sendo um dos melhores filmes do ano. 

O realizador Denis Villeneuve é um excelente director e só tem bons filmes no seu historial, ele não deu o filme que as grandes massas queriam, ele deu-nos o filme que um bom cinéfilo quer ver, quer sentir. A questão dos replicantes face aos humanos foi muito bem trabalhada e desenvolvida. Adoro o actor Ryan Gosling e ele está muito bem enquanto protagonista, eu gostei bastante do seu personagem, bem como do final dele que foi poético. Gostei igualmente de rever Harrison Ford, ele é um bom actor e foi um prazer vê-lo aqui. Ana de Armas é linda e foi a minha personagem preferida deste filme, a empatia dela com o personagem de Ryan Gosling é palpável e perfeita, o final que deram à miúda é muito triste, mesmo se tratando de um holograma. Robin Wright está impecável no filme. Existem alguns secundários que são conhecidos, mas com papéis interessantes. E sim, eu tive a melhor experiência cinematográfica deste ano ao ver “Blade Runner 2049”, ao lado de “Paterson” de Jim Jarmusch, são os meus filmes preferidos de 2017. “Blade Runner 2049” é um filme artístico, é cinema enquanto arte. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

Star Wars : The Last Jedi

Nome do Filme : “Star Wars : The Last Jedi”
Titulo Original : “Star Wars : Episode VIII – The Last Jedi”
Titulo Inglês : “Star Wars : The Last Jedi”
Titulo Português : “Star Wars : Os Últimos Jedi”
Ano : 2017
Duração : 150 minutos
Género : Aventura/Ficção-Científica/Drama
Realização : Rian Johnson
Produção : J. J. Abrams
Elenco : Daisy Ridley, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Oscar Isaac, John Boyega, Andy Serkis, Laura Dern, Domhnall Gleeson, Gwendoline Christie, Kelly Marie Tran, Billie Lourd, Lupita Nyong'o, Anthony Daniels, Joonas Suotamo, Jimmy Vee, Frank Oz, Tim Rose, Tom Kane, Amanda Lawrence, Justin Theroux, Adrian Edmondson, Mark Lewis Jones, Veronica Ngo, Paul Kasey, Andrew Jack, Lily Cole, Warwick Davis, Benicio Del Toro.

História : Enquanto Rey inicia o seu treino com Luke Skywalker, a Primeira Ordem e a Resistência preparam-se para um último confronto.

Comentário (com spoilers) : Eu gostei bastante do episódio 7 e este episódio 8, apesar de ser diferente em alguns aspectos, também me fez gostar dele. Digamos que os dois filmes se completam na perfeição. Recuso fazer comparações com as duas anteriores trilogias e vou-me focar unicamente nestes dois últimos episódios, mais concretamente, neste “Os Últimos Jedi”. Quando há dois anos terminara o episódio 7, eu queria ver mais dele e agora J. J. Abrams deu-me aquilo que eu precisava naquela altura, uma conclusão para esta história, com a preciosa ajuda de Rian Johnson (Brick). Este último, com as devidas ajudas, fez um trabalho exímio neste oitavo episódio, temos assim uma excelente realização. Claro que ele alterou algumas coisas que já estavam estabelecidas sobre os Jedi, mas essas novidades são muito bem-vindas. O filme segue com os seus passos vagarosos bem do jeito de Rian Johnson, tudo graças a um argumento muito bem escrito e cuidadoso para não estragar o que foi mostrado no episódio 7. Os efeitos especiais e sonoros são excelentes, originando batalhas espaciais espectaculares, aliás, todo o visual do filme é uma delícia para os nossos olhos. A banda sonora, sempre a cargo de John Williams, é perfeita e é um deleite para os nossos ouvidos. A criação de mundos e de ambientes é perfeita. Tudo parece real e palpável. Adorei todas as criaturas que aparecem neste filme, com destaque máximo para os porgs e para as raposas de cristal.

Tal como já disse, este oitavo episódio mostra novas facetas da Força e ainda bem que eles inovaram nesse sentido, já estava um pouco cansado de ver sempre o mesmo. O filme tem muitas personagens e quase todas têm o seu tempo, diria, o necessário para nos mostrar o que fazem nesta história. É um filme sobre os Skywalker, sobre a Rey e sobre a eterna luta entre o bem e o mal, neste caso, entre a Resistência e a Primeira Ordem. O filme divide-se principalmente entre o arco de Rey, Luke e Kylo Ren e o arco que mostra a luta da Primeira Ordem contra a Resistência, e os dois acabam por convergir muito bem. Claro que a minha personagem preferida desta história é a Rey, ela é a alma desta trilogia e neste oitavo episódio podemos vê-la a tornar-se num verdadeiro jedi, para isso ajudou a excelente prestação da linda Daisy Ridley. Mark Hamill está excelente como Luke Skywalker, ele possui um personagem detentor de uma carga dramática bem acentuada, ele foi marcado por um passado sofredor e exilou-se com os seus próprios pensamentos. Rey, Luke e Kylo Ren são os personagens mais interessantes deste filme, os três funcionam tão bem quer juntos, quer em arcos separados, aliás, o próprio filme trabalha muito bem os dramas pessoais de cada um destes três intervenientes. Além disso, ver Rey aos comandos da nave de Han Solo é um prazer, finalmente temos uma protagonista feminina em Star Wars. Gostei da ilha onde Luke está exilado que é onde fica situado o Templo Jedi e gostei ainda de saber mais sobre o local e sobre os jedi. Infelizmente, esperava uma história mais complexa e mais dramática envolvendo o passado de Luke com Kylo Ren, foi tudo muito superficial, ainda assim aceitável. Fiquei satisfeito por Rey não ter nenhuma ligação aos Skywalker, ela é usuária da Força simplesmente porque sim, a última cena do filme, com aquele menino, prova nitidamente que qualquer um pode ser usuário da Força. Neste filme é finalmente dito quem são os pais da Rey, a origem da miúda é assim finalmente revelada, eles eram pessoas simples que renegaram a filha. Eu acho a Rey uma personagem linda e perfeita e a única coisa que eu critico é que ela passa os dois filmes com o cabelo apanhado, eu adoraria vê-la neste filme com o cabelo totalmente solto, completando assim toda a feminidade e beleza da rapariga enquanto personagem. Neste filme, Rey completa a sua jornada e foi lindo vê-la tornar-se numa verdadeira jedi. Existe ainda uma cena envolvendo Luke, R2-D2 e um holograma que é uma das melhores coisas do filme.

Gostei de ter revisto Leia novamente, eu adoro esta personagem e ela aqui tem um papel marcante, tendo cenas em que mostra que também é uma forte usuária da Força. Leia possui ainda uma sequência de pequenas cenas com Luke e eu confesso que gostei de ter visto o final dado à sua personagem, foi louvável não usarem a morte da actriz para darem um fim trágico à sua personagem. Luke e Leia têm cenas muito bonitas e ternurentas em determinada altura do filme. Kylo Ren continua indeciso neste oitavo episódio, uma hora ele protege Rey, outra hora quer matá-la, mas nos minutos finais ele revela a sua verdadeira índole e transforma-se no vilão desumano que Luke havia previsto. Kylo Ren é ainda um personagem bem complexo, ele quer ocupar o seu lugar no espaço, ele quer destruir os jedi, os sith, enfim o passado e o antigo, ele pretende instaurar o novo. Não gostei de Finn nem de Rose, eles têm demasiado tempo em cena, partilham cenas bem ridículas e algumas desnecessárias, eles podiam ter morrido durante o filme que nada se perdia. Podiam ter colocado um membro da resistência a fazer aqueles procedimentos de maneira séria e sem palhaçadas. A Phasma e o Hux são outros personagens bem problemáticos, também podiam ter morrido no episódio 7 que não se perdia nada. Existem outros personagens que apesar de fazerem muito, em nada acrescentam à história principal. O filme peca também pelo humor em demasia, em algumas situações de tensão certos personagens soltam uma piada que corta o clima e quase estraga a cena. Os estúdios têm que perceber que piadas e humor em momentos de tensão e aflição não funcionam. E depois temos Benicio Del Toro, eu detestei vê-lo neste universo, foi um erro metê-lo ali, um actor desconhecido a fazer o que ele fez, de certeza que causaria um melhor efeito. O filme possui imagens muito bonitas e planos fantásticos, a fotografia é magistral, volto a dizer, as batalhas espaciais e a batalha terrestre são brutais, posso mesmo dizer que a nível técnico, o filme roça a perfeição. Tem imensos twists, a maior parte deles são surpreendentes.

Tal como no episódio 7, este oitavo capítulo também funciona como uma carinhosa homenagem à saga clássica. Ambos os filmes têm várias referências aos episódios 4, 5 e 6. Gostei de voltar a ver o Yoda clássico e também gostaria que o Obi-Wan Kennobi fizesse uma aparição. Aliás, eu adorei todas as cenas passadas entre Luke e Yoda neste filme, são momentos muito bonitos e nostálgicos. BB-8 continua aceitável e gostaria que Chewbacca, R2-D2 e C-3PO tivessem mais tempo de antena. Existe uma sequência longa e empolgante cheia de cenas espectaculares envolvendo Rey, Kylo Ren, Snoke e os soldados do líder maléfico que pode bem ser a melhor parte do filme inteiro. Eu adorei o modo como o terceiro visado anteriormente morre, que espectáculo, foi uma morte que já veio muito tarde, o gajo já podia ter morrido no episódio 7. Temos uma batalha final no planeta do sal que, apesar de curta, está espectacular. As lutas de sabres de luz são espantosas. Eles abordaram bem a questão da Força e dos Jedi, fizeram bem em apostar em novas facetas da Força e deram-nos um Luke um pouco parecido com o da trilogia clássica, apesar de também ser diferente, ele está mais pesado e marcado pelo passado, ele está convincente, nós sentimos o seu drama e o compreendemos e isso é muito bom. Eu adorei todo o combate final entre Luke e a Primeira Ordem, e com o próprio Kylo Ren em específico, aquilo que vemos é colossal e poderoso, o irmão de Leia prova daquele jeito que é um verdadeiro mestre Jedi e momentos depois na ilha, ele faz o mesmo procedimento que Obi-Wan Kennobi e Yoda fizeram para se unir à Força. Luke cumpriu assim a sua missão, tornando-se numa lenda para as crianças da galáxia, tal como as últimas cenas o mostram. 

Achei patética toda aquela relação súbita de telepatia entre Rey e Kylo Ren, mas depois foi muito bem explicado o porquê daquilo ter acontecido. No final do filme, Rey transforma-se na heroína da saga enquanto que Kylo Ren vira o verdadeiro e único vilão da história. Algumas passagens podem ter outras interpretações, algumas filosóficas ou mesmo oníricas e alegóricas. Gostava de ter tido mais algumas respostas, mas tudo bem. J. J. Abrams vai realizar o episódio 9, que encerrará esta trilogia, se se ficassem por este episódio 8, as coisas ficariam bem, mas eles é que sabem. Cá ficarei à espera do capítulo que fechará a história de Rey, até porque a própria Daisy Ridley já confirmou que depois do episódio 9, não fará mais nada ligado a este universo, só prova que a miúda tem juízo. Mas eu gosto imenso deste oitavo capítulo, tal como gosto imenso do episódio 7, dois excelentes filmes que são uma carinhosa, sincera e bonita homenagem aos episódios 4, 5 e 6. Este oitavo e novo filme tem um final muito bonito que nos apresenta uma boa conclusão para a história iniciada no sétimo filme. Um último reparo, eu amo a Rey enquanto personagem, os grandes estúdios deviam apostar mais em protagonistas femininas e mesmo em personagens femininas fortes nos seus filmes, só ficariam a ganhar.




sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

The Killing Of A Sacred Deer

Nome do Filme : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Inglês : “The Killing Of A Sacred Deer”
Titulo Português : “O Sacrifício de Um Cervo Sagrado”
Ano : 2017
Duração : 121 minutos
Género : Drama/Mystery
Realização : Yorgos Lanthimos
Produção : Yorgos Lanthimos
Elenco : Nicole Kidman, Colin Farrell, Alicia Silverstone, Raffey Cassidy, Barry Keoghan, Sunny Suljic, Bill Camp.

História : Steven é um cardiologista conceituado que é casado com Anna, com quem tem dois filhos : Kim e Bob. Já há algum tempo ele mantém contacto frequente com Martin, um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven.

Comentário : Sem sombra para dúvidas que este foi um dos filmes que mais me enervou até hoje. E não é à toa. Primeiro porque é um filme muito misterioso e só aí se pode depreender que essa ausência de informação nos causa ansiedade e interesse em saber mais. Segundo porque o filme possui dois personagens bem irritantes que nunca chegam a pagar pelos seus erros. E depois porque é uma história fraca em explicações, o que neste caso dificulta a nossa compreensão para alguns acontecimentos e mesmo certas atitudes dos cinco personagens centrais da obra. Eu sei que não é obrigatório os filmes terem todas as explicações que desejamos, aliás, certos filmes possuem até um certo encanto pelo facto de deixarem questões por responder, mas neste caso, uma explicação para o problema central daria muito jeito. Outra coisa que me irritou foi a banda sonora, que aqui vem adornada de batidas fortes em certas cenas e aumentos de volume em outras. O filme está muito bem filmado e apesar de existirem aqui cenas bem bonitas, já outras são bem aflitivas.

O realizador já tinha trabalhado com o actor principal no seu filme anterior, logo, este, ao contrário do que sucedeu no filme anterior, aqui deve ter aceitado bem o papel. E falando de Colin Farrell (muito irritante aqui), não gostei nada de o ver na pele deste personagem, apesar de reconhecer que ele tem uma boa interpretação. Nicole Kidman também vai bem no seu papel e a química entre ela e Farrell funcionou muito bem. Os jovens Raffey Cassidy e Sunny Suljicc, que aqui fazem de irmãos filhos do casal referido anteriormente, têm boas prestações, quer sejam interpretações artísticas dos seus papéis ou exibições físicas, embora ela desempenhe uma personagem com algumas atitudes que não batem muito certo. Barry Keoghan é um dos personagens mais irritantes que eu já vi em filme, enquanto que ainda nos resta uma Alicia Silverstone irreconhecível e com pouco que fazer ao longo das duas horas. O filme também pode ter outras interpretações ou leituras, podemos ver certos acontecimentos como sendo alegorias ou representações filosóficas. Apesar disto tudo, gostei do filme, embora prefira “The Lobster”. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Thelma

Nome do Filme : “Thelma”
Titulo Inglês : “Thelma”
Titulo Português : “Thelma”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Mystery/Romance
Realização : Joachim Trier
Produção : Thomas Robsahm
Elenco : Eili Harboe, Kaya Wilkins, Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Grethe Eltervag, Marte Magnusdotter Solem, Anders Mossling, Vanessa Borgli, Steinar Klouman Hallert, Ingrid Giaever, Oskar Pask, Gorm Alexander Foss Gromer, Camilla Belsvik, Martha Kjorven, Ingrid Jorgensen Dragland, Lars Berge, Vibeke Lundquist, Isabel Christine Andreasen, Irina Eidsvold Toien, Tommy Larsson.

História : Uma jovem tímida vê o seu modo de viver e a sua independência postos em causa devido a uma família extremamente opressiva, conservadora e controladora que insiste em meter-se na sua vida.

Comentário : Na sinopse deste filme eu não me quis alongar muito para não dar spoilers. Eu gostei deste filme na maioria dos seus aspectos, mas outras coisas nem tanto. Este realizador tem filmes bons, logo, as expectativas para este seu novo registo eram altas. Não me desiludi, embora tenha que confessar que esperava um final mais esclarecedor. É uma obra que mistura eficazmente o drama com o mistério, juntando também uma pitada de romance, diga-se se passagem, este último ingrediente é o responsável pelas melhores cenas da fita. Eu adorei as cenas lésbicas que o longa mostra, mesmo que as duas meninas nunca cheguem aos finalmentes, é um deleite vê-las a namorar. Sobre a família dela, gostei do twist que envolve o seu modo de agir com a filha; se nos primeiros sessenta minutos dão-nos a entender uma coisa, depois ficamos a saber algo sobre a protagonista que muda radicalmente a percepção que tínhamos daqueles pais. E isso me agradou bastante. Esse factor ajuda também a entender a sequência inicial do filme que decorre num passeio de caça entre pai e filha. 

Como protagonista, Eili Harboe possui a melhor interpretação do filme e Kaya Wilkins não lhe fica nada atrás no papel de sua amiga e namorada não assumida. A química entre as duas meninas resulta na perfeição. O filme acaba por nos revelar que Thelma é uma mutante, mas trabalha muito mal essa faceta da protagonista e o resultado são acções dela que nunca têm a devida explicação. Talvez por isso eu não gostei do final, não explicaram como Anja reapareceu na vida de Thelma, foi como se nada tivesse acontecido. Ainda assim, gostei bastante do filme no geral, é uma história cheia de mistério e drama que se segue bem, mas repito, as prestações das duas meninas e as cenas sensuais protagonizadas pelas duas são os principais alicerces deste filme enigmático. Trata-se de um filme muito bem feito e conseguido que nos mantém sempre colados ao ecrã e na expectativa daquilo que vai acontecer a seguir, mas que no entanto, falha no sentido de nos facultar as respostas que precisávamos, o que apesar de não estragar o todo, deixa-nos com uma certa carência na mente, como se sentíssemos a falta de qualquer coisa importante.